{"id":5916,"date":"2014-02-26T21:36:44","date_gmt":"2014-02-26T21:36:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5916"},"modified":"2014-02-26T21:36:44","modified_gmt":"2014-02-26T21:36:44","slug":"ucrania-da-insurreicao-ao-golpe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5916","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia: da insurrei\u00e7\u00e3o ao golpe"},"content":{"rendered":"\n<p>O golpe se consolidou hoje na Ucr\u00e2nia. Tenho alertado desde o in\u00edcio deste processo que nessa ex-rep\u00fablica sovi\u00e9tica n\u00e3o ocorria um processo revolucion\u00e1rio, ao contr\u00e1rio do que diz a m\u00eddia internacional, como atestam os depoimentos dos mais variados setores organizados da esquerda naquele pa\u00eds, de anarquistas aos comunistas.<\/p>\n<p>A confus\u00e3o se relaciona ao car\u00e1ter de massas do movimento dos primeiros momentos. Contudo, isto n\u00e3o basta para definir um processo revolucion\u00e1rio, como provam os movimentos de massas que levaram ao poder Mussolini ou Hitler. Para ser algo mais que uma insurrei\u00e7\u00e3o \u2013 que pode ser tanto progressista como reacion\u00e1ria \u2013 deve entrar na conta o sentido dessas manifesta\u00e7\u00f5es e suas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O processo ucraniano come\u00e7ou como uma insurrei\u00e7\u00e3o de massas e se tornou ao longo do tempo, com seu esvaziamento e captura pelos setores de ultradireita, um golpe, que alcan\u00e7ou um ponto alto na queda de Yanukovich hoje, mas que n\u00e3o tende a se esgotar nisto. Para entender os fatos de hoje e o car\u00e1ter do processo \u00e9 preciso voltar atr\u00e1s no tempo.<\/p>\n<p>Com o fim da URSS a Ucr\u00e2nia se tornou independente e passou por processos sociais e econ\u00f4micos muito parecidos com as demais ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas: destrui\u00e7\u00e3o e desorganiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4micas que ampliaram as desigualdades sociais e ampliaram a pobreza das massas e permitiram que setores secund\u00e1rios do antigo aparato estatal se aproveitassem para se apropriar dos esp\u00f3lios do Estado em desmoronamento e enriquecessem. Estes s\u00e3o conhecidos como oligarcas. As privatiza\u00e7\u00f5es que lhes fizeram a riqueza foram um esc\u00e2ndalo s\u00f3 e totalmente corrompidas. Estes grandes monopolistas floresceram atrav\u00e9s de suas rela\u00e7\u00f5es com o aparato estatal e por meio de neg\u00f3cios escusos. Contudo, como o Estado n\u00e3o pode garantir o funcionamento dos neg\u00f3cios de todos os oligarcas, as disputas em torno ao controle do Estado de cada um dos &#8220;cl\u00e3s&#8221; s\u00e3o constantes, e esta tem sido a marca da hist\u00f3ria ucraniana desde 1991, como ocorreu em 2004, na chamada &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o&#8221; Laranja, e agora novamente.<\/p>\n<p>A principal l\u00edder do maior partido oposicionista (Batkivshchyna) a ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko \u00e9 um dos exemplos dos oligarcas, tendo sido presa em 2001 e em 2011 por seus neg\u00f3cios escusos. Ela emergiu atrav\u00e9s de um golpe contra as finan\u00e7as do Estado, em parceria com o ent\u00e3o primeiro-ministro, hoje tamb\u00e9m preso nos EUA, Pavlo Lazarenko, especulando com o pre\u00e7o do g\u00e1s russo e em parceria com o chamado cl\u00e3 de Dnipropetrovsk, liderado pelo ent\u00e3o presidente Kuchma. Ela entrou em desgra\u00e7a quando Kuchma passou a se relacionar com outros cl\u00e3s locais, incluindo o cl\u00e3 de Donetsk (do sudeste do pa\u00eds). Este \u00e9 encabe\u00e7ado pelo homem mais rico do pa\u00eds e um dos cinq\u00fcenta mais ricos do mundo, acusado de liga\u00e7\u00e3o com a m\u00e1fia, Rinat Leonidovych Akhmetov, um dos grandes patrocinadores do Partido das Regi\u00f5es, de Viktor Yanukovich, que \u00e9 de Donestk.<\/p>\n<p>A &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o&#8221; Laranja se assemelhou \u00e0s outras revolu\u00e7\u00f5es coloridas, particularmente ser uma disputa entre setores olig\u00e1rquicos emersos do aparato estatal. Isto se repetiu novamente agora, nos eventos do chamado EuroMaidan, de fins de 2012 e in\u00edcio de 2013.<\/p>\n<p>Sobre a disputa entre estas fra\u00e7\u00f5es da oligarquia incidem as pot\u00eancias imperialistas, apadrinhando cada setor em sua disputa geopol\u00edtica e para colonizar economicamente este pa\u00eds, com algumas das terras mais f\u00e9rteis do mundo e com um razo\u00e1vel parque industrial no Leste. Timoshenko se aproximou da UE e dos EUA, enquanto outra fra\u00e7\u00e3o, ligada aos interesses industriais e da oligarquia do sul e leste se aproximaram naturalmente da R\u00fassia.<\/p>\n<p>Contudo, at\u00e9 as portas da assinatura do Acordo de Associa\u00e7\u00e3o com a UE, houve uma converg\u00eancia das oligarquias em torno ao mesmo. Mas, as press\u00f5es moscovitas, atrav\u00e9s de um embargo; a crise econ\u00f4mica \u2013 para qual a UE n\u00e3o a oferecia nenhum tipo de sa\u00edda \u2013 e os pr\u00f3prios termos do acordo levaram ao recuo presidencial e ao adiamento do mesmo. Os termos do AA significavam o fim das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas com a R\u00fassia e as outras ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas participantes da Uni\u00e3o Aduaneira, principal destino das exporta\u00e7\u00f5es ucranianas, principalmente industriais, mas tamb\u00e9m das importa\u00e7\u00f5es, como do g\u00e1s russo. Mas, n\u00e3o s\u00f3 isso: significaria a desindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que se tornaria uma enorme fazenda fornecedora de produtos prim\u00e1rios para a Alemanha; e os custos de adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas da UE seriam de insustent\u00e1veis 165 bilh\u00f5es de euros (em Portugal 165 mil milh\u00f5es de euros).<\/p>\n<p>O tamanho do retrocesso atingiria em cheio as oligarquias do sul e do leste, financiadores do Partido das Regi\u00f5es. N\u00e3o s\u00f3 isso: atingiria a base eleitoral principal desse partido, a popula\u00e7\u00e3o dessas duas regi\u00f5es. Pela hist\u00f3ria ucraniana, sendo sempre dividida entre o Leste e o Oeste, tornou-se muito diferente: as partes leste e sul, mais industrializadas, s\u00e3o ligadas culturalmente e linguisticamente \u00e0 R\u00fassia; a parte norte e oeste s\u00e3o mais agr\u00e1rias e de l\u00edngua ucraniana. Do ponto de vista econ\u00f4mico a associa\u00e7\u00e3o com a UE seria terr\u00edvel, e para a oligarquia do Sul e do Leste seria um suic\u00eddio. O embargo russo s\u00f3 deixou isto claro.<\/p>\n<p>A R\u00fassia se aproveitou e estendeu a m\u00e3o \u00e0 Yanukovich e abriu os cofres e usou sua principal arma: o pre\u00e7o do g\u00e1s. Esta reaproxima\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia e a nega\u00e7\u00e3o do AA com a UE levou \u00e0 revolta popular nas regi\u00f5es norte e oeste do pa\u00eds, que j\u00e1 se acumulava contra a fra\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquica governante, pela incapacidade de superar a crise econ\u00f4mica e pelos la\u00e7os com a R\u00fassia, de quem estas regi\u00f5es queriam se afastar. Somem-se a isto as ilus\u00f5es de progresso que as fra\u00e7\u00f5es olig\u00e1rquicas ligadas aos EUA e \u00e0 UE disseminavam sobre um poss\u00edvel acordo com o bloco imperialista europeu. Como a Gr\u00e9cia e Portugal e outros pa\u00edses do Leste mostram, n\u00e3o passam do que s\u00e3o, meras ilus\u00f5es. Mas, quando as id\u00e9ias ganham as massas, como j\u00e1 dizia Marx na introdu\u00e7\u00e3o a sua &#8220;Cr\u00edtica \u00e0 filosofia do direito de Hegel&#8221;, elas se tornam for\u00e7as materiais.<\/p>\n<p>O primeiro a ficar claro, ent\u00e3o, \u00e9 que nunca houve uma maioria pr\u00f3-UE em toda a Ucr\u00e2nia, como mostram as pesquisas do instituto de pesquisa independente ucraniano Research &amp; Branding Group (R&amp;B): apenas 46% nacionalmente apoiavam o acordo com a UE, sendo majorit\u00e1rio o apoio apenas no norte e oeste. Da mesma maneira, o EuroMaidan s\u00f3 era apoiado majoritariamente nessas regi\u00f5es, enquanto era rejeitado pela maioria esmagadora do leste e sul, que ap\u00f3iam esmagadoramente a Uni\u00e3o Aduaneira da R\u00fassia.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 que o EuroMaidan se moveu desde o in\u00edcio por bandeiras pouco claras, que se materializavam por uma progressiva rejei\u00e7\u00e3o ao governo e sua fra\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquica, mas regressivamente n\u00e3o ao conjunto da oligarquia; uma rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o com o imperialismo russo, mas em defesa de um acordo que estabeleceria a coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pelo imperialismo europeu e teria conseq\u00fc\u00eancias ainda mais devastadoras para a economia e o povo ucraniano; em nenhum momento esteve colocado como pauta nada que envolvesse direitos dos trabalhadores ou posi\u00e7\u00f5es de classe. De fato, essa confus\u00e3o serviu unicamente para que com o tempo a fra\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquica oposicionista ligada aos imperialismos estadunidense e alem\u00e3o passassem a dirigir as manifesta\u00e7\u00f5es em favor de seus pr\u00f3prios interesses, seq\u00fcestrando o movimento insurrecional e convertendo-o num golpe.<\/p>\n<p>Assumiram a dire\u00e7\u00e3o ent\u00e3o o partido de Timoshenko (ligado ao imperialismo estadunidense), o UDAR do ex-boxeador Vitali Klitschko, ligado \u00e0 Alemanha, e o Svoboda (que at\u00e9 alguns atr\u00e1s se chamava Partido Nazista da Ucr\u00e2nia). Klitschko nem mesmo tem moradia fixa na Ucr\u00e2nia, mas mora na Alemanha, e seu partido foi criado e financiado pelos conservadores alem\u00e3es da democracia crist\u00e3, que salivam com as possibilidades de saquear as riquezas ucranianas. O l\u00edder do Svoboda, Oleh Tyannybok \u00e9 um fascista conhecido, anti-semita e russ\u00f3fobo raivoso.<\/p>\n<p>Destas tr\u00eas for\u00e7as, o setor mais organizado e com mais milit\u00e2ncia \u00e9 o partido fascista, que deu a t\u00f4nica nos \u00faltimos tempos. A derrubada da est\u00e1tua do L\u00eanin, festejada pela grande m\u00eddia mundial, foi perpetrada pelos membros do Svoboda e rejeitada por 70% da popula\u00e7\u00e3o de Kiev, sendo apoiada por apenas 13%, como mostra a pesquisa da R&amp;B.<\/p>\n<p>Mas, h\u00e1 inclusive mais for\u00e7as nessas manifesta\u00e7\u00f5es, existindo claro alguns militantes de esquerda, mas que s\u00e3o ultra-minorit\u00e1rios e n\u00e3o d\u00e3o de forma nenhuma a din\u00e2mica do movimento. H\u00e1 inclusive um setor que, junto aos militantes do Svoboda, foram os respons\u00e1veis centrais pelos dist\u00farbios violentos e quebra-quebras incendi\u00e1rios, e que se intitula apenas de &#8220;A Direita&#8221;. Este setor \u00e9 contr\u00e1rio aos acordos com a UE e \u00e0 R\u00fassia, considerando o Svoboda muito recuado e est\u00e3o no movimento para desestruturar o regime e tomar o poder.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o da insurrei\u00e7\u00e3o para o golpe passa tamb\u00e9m pelo esvaziamento do movimento, que ocorreu conforme o tempo passou e os setores fascistas come\u00e7aram a se tornar majorit\u00e1rios e atuar de forma mais violenta. Se no in\u00edcio de dezembro o movimento era apoiado nacionalmente por 49% e rejeitado por 45%, no fim desse mesmo m\u00eas era rejeitado por 50% e apoiado por 45%. Nessa mesma pesquisa, 43% achavam que os resultados seriam negativos e apenas 31% que seriam positivos; 47% consideravam o acordo com a R\u00fassia fechado por Yanukovich positivo e apenas 27% negativo e o candidato com mais inten\u00e7\u00f5es de votos era o pr\u00f3prio presidente (com 25%), apesar de o resultado ser muito fracionado. Numa pesquisa entre 25 e 27 de janeiro deste ano da R&amp;B apontava que 51% eram contr\u00e1rios ao EuroMaidan, apenas 44% favor\u00e1veis, mas, o mais importante, 60% eram contr\u00e1rios \u00e0 tomada dos pr\u00e9dios p\u00fablicos e apenas 32% eram favor\u00e1veis e apenas 20% acreditavam que n\u00e3o havia risco de uma guerra civil.<\/p>\n<p>Hoje a insurrei\u00e7\u00e3o capturada pelas oligarquias se confirmou enquanto golpe, com um impeachment rel\u00e2mpago. Isto \u00e9 o resultado de um acordo das duas fra\u00e7\u00f5es olig\u00e1rquicas, temerosas com o crescimento do desafio dos fascistas nas ruas. Afinal, o crescimento do fascismo \u00e9 um fato por todo o Leste Europeu, como a ascens\u00e3o do Jobbik h\u00fangaro demonstra. Os resultados reacion\u00e1rios para o povo ucraniano j\u00e1 podem ser sentidos: al\u00e9m da liberta\u00e7\u00e3o da oligarca Yulia Timoshenko; as amea\u00e7as de pogrom contra judeus crescem e o rabino Moshe Reuven Azman j\u00e1 sugeriu aos judeus que deixem o pa\u00eds; o afastamento completo do acordo de ajuda russo, que tinha \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es; e a UE sinaliza com a libera\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo do FMI acertado em2011, que se baseia em draconianas contrapartidas, como a subida em 40% do pre\u00e7o do g\u00e1s para as resid\u00eancias, o que levaria de imediato no inverno ucraniano milhares de desempregados e aposentados \u00e0 morte, pois n\u00e3o teriam condi\u00e7\u00f5es de pagar suas contas de calefa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o jogo n\u00e3o terminou. N\u00e3o se sabe como os fascistas atuar\u00e3o, se continuar\u00e3o em seus planos de desestabiliza\u00e7\u00e3o, mas tudo indica que sim. O setor &#8220;A Direita&#8221; j\u00e1 anunciou em comunicado \u00e0 Reuters que continuar\u00e1 com as manifesta\u00e7\u00f5es. Tentar\u00e3o se aproveitar do vazio de poder. N\u00e3o est\u00e1 descartada nem mesmo a volta de Yanukovich nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es de 25 de maio, apesar de que os golpistas provavelmente o impedir\u00e3o de concorrer, sen\u00e3o o prenderem. A guerra civil parece mais longe, mas a divis\u00e3o do pa\u00eds, ao menos da Crim\u00e9ia, de maioria russa e onde est\u00e1 a importante base naval russa do mar Negro, \u00e9 poss\u00edvel. Vladislav Surkov, conselheiro do Kremlin que esteve por tr\u00e1s dos intentos das regi\u00f5es separatistas da Abkh\u00e1zia e Oss\u00e9tia do Sul na Ge\u00f3rgia foi visto andando por Kiev e Crim\u00e9ia. O cen\u00e1rio \u00e9 ainda incerto. S\u00f3 \u00e9 certo que o povo ucraniano sair\u00e1 pior do que entrou nessa espiral de caos. (1)<\/p>\n<p>(1) Para saber mais sobre os aspectos hist\u00f3ricos, as for\u00e7as pol\u00edticas principais do EuroMaidan e os interesses das v\u00e1rias pot\u00eancias na crise ucraniana, veja meu artigo que sair\u00e1 na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o de Hist\u00f3ria &amp; Luta de Classes, intitulado &#8220;A Batalha pela Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/p>\n<p>Carlos Serrano Ferreira (*) \u00e9 pesquisador do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia da UFRJ (LEHC-UFRJ) e militante do PCB-RJ.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCarlos Serrano Ferreira*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5916\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5916","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1xq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5916"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5916\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}