{"id":5940,"date":"2014-03-06T22:23:56","date_gmt":"2014-03-06T22:23:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5940"},"modified":"2014-03-06T22:23:56","modified_gmt":"2014-03-06T22:23:56","slug":"existem-poderosos-interesses-no-mundo-a-quem-convem-que-pouco-ou-nada-se-saiba-sobre-a-verdade-dos-conflitos-que-surgem-na-africa-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5940","title":{"rendered":"Existem poderosos interesses no mundo a quem conv\u00e9m que pouco ou nada se saiba sobre a verdade dos conflitos que surgem na \u00c1frica negra"},"content":{"rendered":"\n<p>Enquanto o sangue dos povos africanos \u00e9 derramado em torrente, as companhias petrol\u00edferas e mineiras das pot\u00eancias imperialistas preparam-se para se apropriar das suas riquezas.<\/p>\n<p>Da Rep\u00fablica Centro-Africana (622.089 m2, habitada por 5 milh\u00f5es de pessoas), apenas se sabe que enfrenta um conflito \u00ab\u00e9tnico e religioso\u00bb e que \u00ab2,6 milh\u00f5es de pessoas necessitam de assist\u00eancia humanit\u00e1ria imediata, e um de cada cinco centro-africanos se encontram internamente deslocados. N\u00fameros que poder\u00e3o aumentar \u00e0 medida que o conflito coloca milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de risco\u00bb. (1) Mas, nada se diz das implica\u00e7\u00f5es das transnacionais francesas e do pr\u00f3prio estado franc\u00eas por detr\u00e1s do conflito que aquele pa\u00eds vive.<\/p>\n<p>Poucos meios internacionais se preocuparam em destacar informa\u00e7\u00f5es precisas que nos permitam interpretar o que realmente acontece hoje na Rep\u00fablica Centro-Africana. Existem interesses poderosos no mundo a quem conv\u00e9m que pouco ou nada se divulgue sobre a verdade dos conflitos que se suscitam na \u00c1frica negra. Para esses interesses e suas transnacionais medi\u00e1ticas \u00e9 necess\u00e1rio que a opini\u00e3o p\u00fablica mundial generalize e banalize a realidade que se apresenta em v\u00e1rios pa\u00edses daquele continente, fundamentalmente as fomes e os conflitos por disputa territorial entre as diversas comunidades \u00e9tnicas, de forma que permita condicionar a opini\u00e3o para justificar a interven\u00e7\u00e3o militar da Europa e dos Estados Unidos sob pretextos \u00abhumanit\u00e1rios\u00bb.<\/p>\n<p>Enquanto o sangue dos povos africanos \u00e9 derramado em torrente, as companhias petrol\u00edferas e mineiras das pot\u00eancias preparam-se para se apropriar das suas riquezas.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mico-financeira que se vive em toda a Uni\u00e3o Europeia incita \u00e0 rapina das pot\u00eancias contra a periferia capitalista. E como as coisas n\u00e3o t\u00eam andado bem para a Fran\u00e7a decadente, tem-se visto a necessidade de assaltar outras terras para amparar a sua crise e manter a sua hegemonia nas suas ex-col\u00f3nias. Os dados econ\u00f3micos revelaram que o Produto Interno Bruto (PIB) da Fran\u00e7a vem caindo (2), marcando a mesma tend\u00eancia nos \u00faltimos anos. Enquanto o desemprego j\u00e1 ultrapassa os n\u00fameros oficiais calculados em 11%.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas internas e externas assumidas pelo regime franc\u00eas para enfrentar a crise econ\u00f3mica acabaram por desmascarar o desprestigiado ultraliberal com m\u00e1scara \u00absocialista\u00bb, o presidente Fran\u00e7ois Hollande, que prometeu novos cortes na despesa p\u00fablica superior a 50 mil milh\u00f5es de euros (3), e simultaneamente pediu aos militares franceses para se alistarem numa nova aventura b\u00e9lica contra outra ex-col\u00f3nia francesa para \u00abproteger\u00bb a popula\u00e7\u00e3o civil. Depois de o fazer na Costa do Marfim, L\u00edbia e Mali, a Fran\u00e7a decidiu intervir militarmente na Rep\u00fablica Centro-africana para \u00ablevar a paz\u00bb a esse povo. Com efeito, Hollande n\u00e3o duvidou sequer em completar o envio de 1.600 \u00abangelicais\u00bb soldados franceses para fazer \u00aba paz\u00bb e salvar o povo centro-africano da suposta guerra \u00e9tnica e religiosa.<\/p>\n<p>A 6 de Dezembro de 2013, durante a C\u00fapula \u00c1frica-Fran\u00e7a, no Pal\u00e1cio do Eliseu, Fran\u00e7ois Hollande declarou \u00e0 imprensa que a opera\u00e7\u00e3o militar na Rep\u00fablica Centro-Africana, denominada \u00abSanguiris\u00bb, \u00e9 a resposta a uma \u00absitua\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica\u00bb que o seu povo vive, o qual pediu a ajuda da Fran\u00e7a (\u2026) Os franceses devem estar orgulhosos por intervir em qualquer lugar desinteressadamente\u00bb. E como era de esperar, a ONU votou rapidamente a Resolu\u00e7\u00e3o 2127, que autorizou a interven\u00e7\u00e3o militar gaulesa.<\/p>\n<p>Desde 1960, o povo centro-africano sofreu 6 golpes de Estado promovidos por interesses transnacionais que o levaram \u00e0 anarquia. Os sucessivos presidentes centro-africanos David Dacko, Bokassa I, Andr\u00e9 Kolingba, Ange F. Patasse, Fran\u00e7ois Boziz\u00e9, Michel Djotodia, foram respons\u00e1veis conjuntamente com a Fran\u00e7a pelo desastre. Na opini\u00e3o do famoso investigador Olivier A. Ndenkop, \u00aba m\u00e3o da Fran\u00e7a, pot\u00eancia colonizadora, foi sempre vista ou anunciada por detr\u00e1s dos v\u00e1rios golpes de estado\u201d (4).<\/p>\n<p>No seu trabalho mais recente intitulado \u00abAs raz\u00f5es ocultas da interven\u00e7\u00e3o francesa\u00bb, Ndenkop assegura que a Fran\u00e7a sempre manteve interesses na Rep\u00fablica Centro-Africana. \u00ab (a Fran\u00e7a) Hoje em dia controla a economia centro-africana. Bollor\u00e9 tem o monop\u00f3lio da log\u00edstica e do transporte fluvial. Castel reina sobre o mundo do mercado das bebidas e do a\u00e7\u00facar. CFAO controla o com\u00e9rcio de ve\u00edculos. A partir de 2007, a France Telecom entrou no baile. AREVA est\u00e1 presente na \u00c1frica Central embora, oficialmente, o gigante nuclear esteja apenas na fase de explora\u00e7\u00e3o. TOTAL refor\u00e7a a sua hegemonia no armazenamento e na comercializa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.\u00bb<\/p>\n<p>Ndenkop revela que a 4 de Dezembro de 2013, enquanto as tropas francesas se preparavam para tomar a direc\u00e7\u00e3o de Bangui, o ministro franc\u00eas da economia, Pierre Moscovici, estava reunido com ministros, chefes de estado e com mais de 560 empres\u00e1rios franceses e africanos para tratar de salvar a posi\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Mas a pergunta crucial que muitos fazem \u2014 Porque procura a Fran\u00e7a por meio da guerra o que sempre conseguiu numa paz relativa? Para o investigador Olivier A. Ndenkop a resposta \u00e9: a China, a verdadeira amea\u00e7a para o Eliseu.<\/p>\n<p>Desde que a China fez a sua entrada crucial na \u00c1frica em busca da mat\u00e9rias-primas, fundamentalmente hidrocarbonetos, uma esp\u00e9cie de feiti\u00e7o conjurado pela Fran\u00e7a fez com que se ati\u00e7assem todos os conflitos \u00e9tnicos e religiosos nesse e noutros pa\u00edses do continente para derrubar os governos que se aliaram ao gigante asi\u00e1tico. A maior parte dos investimentos estrangeiros concentraram-se na Nig\u00e9ria, \u00c1frica do Sul, Sud\u00e3o, Arg\u00e9lia, Z\u00e2mbia, Gana, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Eti\u00f3pia (5).<\/p>\n<p>Ndenkop afirma que \u00abFran\u00e7ois Boziz\u00e9, que teve o tempo de se fazer eleger presidente em 2005, n\u00e3o resistiu \u00e0s propostas da China, que multiplicou as ajudas e aumentou os seus investimentos em todo o continente com menos condicionamentos. O que contrasta com a arrog\u00e2ncia e o paternalismo dos \u201cs\u00f3cios tradicionais\u201d da \u00c1frica\u00bb<\/p>\n<p>Em Mar\u00e7o de 2013, o deposto presidente Fran\u00e7ois Boziz\u00e9 revelaria \u00e0 R\u00e1dio Fran\u00e7a Internacional o que muitos desconfiavam \u00abDei o petr\u00f3leo aos chineses e isso tornou-se um problema (\u2026) derrubaram-me por culpa do petr\u00f3leo\u00bb.<\/p>\n<p>*Analista Internacional<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>(1)\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fao.org\/emergencies\/resources\/documents\/resouces-detail\/en\/c213104\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.fao.org\/emergencies\/resources\/documents\/resouces-detail\/en\/c213104\/<\/a><\/p>\n<p>(2)\u00a0<a href=\"http:\/\/www.datosmacro.com\/pib\/francia\" target=\"_blank\">http:\/\/www.datosmacro.com\/pib\/francia<\/a><\/p>\n<p>(3) http:<a href=\"http:\/\/www.correodelorinoco.gob.ve\/multipolaridad\/gobierno-frances-reducira-aun-mas-gasto-publico\/\" target=\"_blank\">www.correodelorinoco.gob.ve\/multipolaridad\/gobierno-frances-reducira-aun-mas-gasto-publico\/<\/a><\/p>\n<p>(4)\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lahaine.org.\/index.php?p=74287\" target=\"_blank\">http:\/\/www.lahaine.org.\/index.php?p=74287<\/a><\/p>\n<p>(5)\u00a0<a href=\"http:\/\/actualidade.rt.com\/actualidad\/view\/99381-africa-sierra-leona-china-aumenta-presencia\" target=\"_blank\">http:\/\/actualidade.rt.com\/actualidad\/view\/99381-africa-sierra-leona-china-aumenta-presencia<\/a><\/p>\n<blockquote data-secret=\"1rMMG7KXWJ\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3195\">GM, de &#8216;gerenciando mafioso&#8217;<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3195\/embed#?secret=1rMMG7KXWJ\" data-secret=\"1rMMG7KXWJ\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;GM, de &#8216;gerenciando mafioso&#8217;&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Basem Tajeldine*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5940\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5940","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1xO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5940","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5940"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5940\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}