{"id":5964,"date":"2014-03-12T18:10:08","date_gmt":"2014-03-12T18:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5964"},"modified":"2014-03-12T18:10:08","modified_gmt":"2014-03-12T18:10:08","slug":"a-atuacao-das-forcas-especiais-dos-estados-unidos-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5964","title":{"rendered":"A ATUA\u00c7\u00c3O DAS FOR\u00c7AS ESPECIAIS DOS ESTADOS UNIDOS NO MUNDO"},"content":{"rendered":"\n<p>Ap\u00f3s o 11 de setembro de 2001, as for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais dos Estados Unidos [EUA] cresceram de forma inimagin\u00e1vel tanto em efetivos como em or\u00e7amento. Mais revelador tem sido, contudo, o aumento nas implementa\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00f5es especiais em n\u00edvel global. Essa presen\u00e7a \u2013 neste momento em quase 70% das na\u00e7\u00f5es do mundo \u2013 proporciona novas provas do tamanho e do alcance de uma guerra secreta que se est\u00e1 travando desde a Am\u00e9rica Latina at\u00e9 as terras mais remotas do Afeganist\u00e3o, desde as miss\u00f5es de treinamento com seus aliados africanos \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de espionagem lan\u00e7adas no ciberespa\u00e7o.<\/p>\n<p>Segundo consta, nos \u00faltimos dias da presid\u00eancia Bush [2001-2009], as for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais se mobilizaram em 60 pa\u00edses por todo mundo. Em 2010, esse n\u00famero havia aumentado para 75, segundo Karen DeYoung e Greg Jaffe do Jornal Washington Post. Em 2011, o porta voz do Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (SOCOM, na sigla em ingl\u00eas), o coronel Tim Nye disse \u00e0 TomDispatch.com que a cifra total chegaria a 120. Na atualidade, essa cifra \u00e9 ainda mais alta.<\/p>\n<p>Em 2013, as for\u00e7as de elite dos EUA se mobilizaram em 134 pa\u00edses do planeta, segundo o comandante Matthew Robert Bockholt, de Assuntos P\u00fablicos do SOCOM. Este aumento de 123% durante os anos de Obama demonstram como, al\u00e9m das guerras convencionais e da campanha com avi\u00f5es n\u00e3o tripulados da CIA, a diplomacia p\u00fablica e a extensa espionagem electr\u00f4nica, EUA se envolveram em outra importante e crescente forma de proje\u00e7\u00e3o de poder para al\u00e9m de suas fronteiras. Em grande medida levada a cabo na sombra pelas tropas de elite dos EUA, a imensa maioria destas miss\u00f5es ocorrem distante do olhar indiscreto, do escrut\u00ednio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ou de qualquer tipo de supervis\u00e3o externa, aumentando as possibilidades de repres\u00e1lias imprevistas e de consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas.<\/p>\n<p><strong>Ind\u00fastria [b\u00e9lica] em crescimento<\/strong><\/p>\n<p>Estabelecido formalmente em 1987, o Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais cresceu velozmente depois do 11 de setembro [de 2001]. H\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o de que o SOCOM est\u00e1 a caminho de alcan\u00e7ar os 72 mil efetivos em 2014 \u2013 eram 33 mil em 2001. O financiamento para [opera\u00e7\u00f5es militares no] mundo saltou tamb\u00e9m de forma exponencial \u00e0 medida que o or\u00e7amento de refer\u00eancia para 2001, de 2,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, alcan\u00e7ou 6,9 bilh\u00f5es em 2013 (10,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, se adicionar o financiamento suplementar). As mobiliza\u00e7\u00f5es de efetivos no exterior tamb\u00e9m dispararam: de 4.900 homens por ano em 2001, passou para 11.500 em 2013.<\/p>\n<p>Uma recente investiga\u00e7\u00e3o de TomDispatch.com, que consultou documentos do governo em c\u00f3digo aberto e comunica\u00e7\u00f5es de imprensa, assim como informa\u00e7\u00f5es de imprensa, encontrou provas de que as for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais dos EUA haviam se mobilizado ou haviam se envolvido com os ex\u00e9rcitos de 106 na\u00e7\u00f5es de todo o mundo em 2012-2013. Contudo, ao longo de mais de um m\u00eas que durou a prepara\u00e7\u00e3o desse artigo, a SOCOM n\u00e3o forneceu estat\u00edsticas exatas sobre o n\u00famero total de pa\u00edses nos quais foram mobilizados efetivos especiais: Boinas Verdes e Rangers, SEAL da Marinha e comandos da For\u00e7a Delta. \u201cN\u00e3o as temos em m\u00e3os\u201d, explicou Bockholt do SOCOM em uma entrevista telef\u00f4nica quando o artigo estava quase pronto. \u201cTemos que nos colocar a buscar entre muitas coisas. E leva muito tempo para fazer isso\u201d. Horas depois, justamente antes da publica\u00e7\u00e3o, respondeu a uma pergunta que lhe foi feita em novembro do ano passado. \u201cAs For\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais se mobilizaram em 134 pa\u00edses\u201d durante o ano fiscal de 2013, explicava Bockholt em um email.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00f5es Especiais globalizadas<\/strong><\/p>\n<p>No ano passado, o chefe do Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais, o Almirante William McRaven explicava sua vis\u00e3o a respeito da globaliza\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es especiais. Em uma declara\u00e7\u00e3o ao Comit\u00ea de Servi\u00e7os Armados do Congresso, disse:<\/p>\n<p>\u201cUSSOCOM est\u00e1 melhorando sua rede global de For\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais com o objetivo de apoiar nossas rela\u00e7\u00f5es interinstitucionais e s\u00f3cio- interinstitucionais para poder dispor de conhecimentos ampliados de situa\u00e7\u00f5es de amea\u00e7as e oportunidades emergentes. A rede possibilita uma presen\u00e7a pequena e persistente em lugares cruciais e facilita as possibilidades de atua\u00e7\u00e3o onde seja necess\u00e1rio ou conveniente\u2026\u201d<\/p>\n<p>Ainda que essa \u201cpresen\u00e7a\u201d possa ser pequena, o alcance e a influ\u00eancia dessas for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais s\u00e3o outra quest\u00e3o. O salto de 12% nas mobiliza\u00e7\u00f5es nacionais \u2013 de 120 para 134 \u2013 durante o mandato de McRaven reflete seu desejo de por as botas sobre o terreno de todo o planeta. O SOCOM n\u00e3o cita as na\u00e7\u00f5es implicadas, alegando as sensibilidades da na\u00e7\u00e3o anfitri\u00e3 e a seguran\u00e7a dos efetivos estadunidenses, mas as mobiliza\u00e7\u00f5es que conhecemos fornecem pelo menos alguma luz sobre o alcance total das miss\u00f5es que o ex\u00e9rcito secreto dos EUA est\u00e1 levando a cabo.<\/p>\n<p>Por exemplo, durante abril e maio passados, o pessoal das Opera\u00e7\u00f5es Especiais tomou parte em exerc\u00edcios de treinamento em Yibuti, Malawi e nas ilhas Seychelles, no Oceano \u00cdndico. Em junho, os SEAL da Marinha estadunidense uniram-se \u00e0s for\u00e7as iraquianas, jordanas, libanesas e outros aliados do Oriente M\u00e9dio para realizar simulacros b\u00e9licos irregulares em Aqaba, Jord\u00e2nia. No m\u00eas seguinte, os Boinas Verdes viajaram \u00e0 Trinidad y Tobago para por em marcha pequenas unidades de exerc\u00edcios t\u00e1ticos com as for\u00e7as locais. Em agosto, os Boinas Verdes treinaram marinheiros hondurenhos em t\u00e9cnicas de explosivos. Em setembro, segundo as not\u00edcias da imprensa, as for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais dos EUA se uniram \u00e0s tropas de elite dos dez pa\u00edses membros da Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico \u2013 Indon\u00e9sia, Mal\u00e1sia, Filipinas, Singapura, Tail\u00e2ndia, Brunei, Vietnam, Laos, Mianmar (Birm\u00e2nia) e Camboja -, assim como com seus hom\u00f3logos da \u00c1ustria, Nova Zel\u00e2ndia, Jap\u00e3o, Coreia do Sul, China, \u00cdndia e R\u00fassia, para levar a cabo exerc\u00edcios contra o terrorismo, financiados conjuntamente, que ocorreram em um centro de treinamento de Sentul, oeste da ilha de Java [Indon\u00e9sia].<\/p>\n<p>Em outubro, as tropas de elite dos EUA levaram a cabo incurs\u00f5es com comandos na L\u00edbia e na Som\u00e1lia, sequestrando um suspeito de terrorismo na primeira na\u00e7\u00e3o citada enquanto os SEAL matavam ao menos um militante na segunda na\u00e7\u00e3o antes da resposta armada lhes expulsar. Em novembro, as tropas de Opera\u00e7\u00f5es Especiais levaram a cabo opera\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias nas Filipinas para ajudar os sobreviventes do tuf\u00e3o Hayan. No m\u00eas seguinte, membros do 352\u00ba Grupo de Opera\u00e7\u00f5es Especiais realizaram um exerc\u00edcio de treinamento no qual participaram 130 pilotos e seis avi\u00f5es em uma base a\u00e9rea da Inglaterra, e v\u00e1rios SEAL da Marinha acabaram feridos quando participaram em uma miss\u00e3o de evacua\u00e7\u00e3o no Sud\u00e3o do Sul. Os Boinas Verdes entraram em 1\u00ba de janeiro deste ano em uma miss\u00e3o de combate junto \u00e0s tropas de elite afeg\u00e3s no povo de Bahlozi, prov\u00edncia de Candaar.<\/p>\n<p>Contudo, essas mobiliza\u00e7\u00f5es por 134 pa\u00edses n\u00e3o parecem resultar suficientes para o SOCOM. Em novembro de 2013, o comando anunciou que estava tratando de identificar s\u00f3cios industriais que pudessem, sob a Iniciativa Trans Regional da Web do SOCOM, \u201cdesenvolver potencialmente novas p\u00e1ginas na internet voltadas ao p\u00fablico estrangeiro\u201d. Estas se uniriam a uma rede global j\u00e1 existente de dez p\u00e1ginas na internet dedicadas \u00e0 propaganda, dirigidas por v\u00e1rios comandos combatentes e configuradas para que pare\u00e7am cadeias leg\u00edtimas de not\u00edcias, incluindo a CentralAsiaOnline.com; Sabahi, enfocada at\u00e9 o Chifre da \u00c1frica; um esfor\u00e7o dirigido ao Oriente M\u00e9dio conhecido como Al-Shorfa-com; e outra para a Am\u00e9rica Latina que recebe o nome de Infosurhoy.com.<\/p>\n<p>O impulso do SOCOM no ciberespa\u00e7o se reflete no esfor\u00e7o combinado do mando para incorporar-se cada vez mais profundamente no Beltway<sup><sup>i<\/sup><\/sup>. \u201cTenho companheiros em todas as ag\u00eancias aqui, em Washington DC, desde a CIA, o FBI, a Ag\u00eancia de Seguridade Nacional, a Ag\u00eancia Geoespacial Nacional, a Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia da Defensa\u201d, disse o almirante-em-chefe do SOCOM, McRaven, durante um painel de discuss\u00e3o no Centro Wilson de Washington no ano passado. Quando falou na Biblioteca Ronald Reagan em novembro, assinalou que o n\u00famero de departamentos e ag\u00eancias onde o SOCOM se entrincheirou \u00e9 de 38.<\/p>\n<p><strong>134 possibilidades de repres\u00e1lias<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que eleito em 2008 por muitos que lhe consideravam um candidato anti-belicista, o Presidente Obama demonstrou ser um comandante-em-chefe decididamente militarista, cujas pol\u00edticas produziram j\u00e1 not\u00e1veis exemplos do que, no jarg\u00e3o da CIA, se chama h\u00e1 tempos de retalia\u00e7\u00f5es. Ainda que a administra\u00e7\u00e3o Obama tenha supervisionado a retirada dos EUA do Iraque (negociada pelo seu predecessor), assim como uma redu\u00e7\u00e3o de tropas estadunidenses no Afeganist\u00e3o (depois de um importante incremento militar nesse pa\u00eds), o presidente encabe\u00e7ou um aumento da presen\u00e7a militar estadunidense na \u00c1frica, uma revitaliza\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os na Am\u00e9rica Latina e um duro discurso sobre um reequil\u00edbrio do \u201cPiv\u00f4 na \u00c1sia\u201d<sup><sup>ii<\/sup><\/sup> (ainda que at\u00e9 momento pouco se tenha feito).<\/p>\n<p>A Casa Branca monitorou tamb\u00e9m uma expans\u00e3o exponencial da guerra dos EUA com avi\u00f5es n\u00e3o tripulados. Enquanto o presidente Bush lan\u00e7ou 51 ataques desse tipo, o presidente Obama ordenou em torno de 330, segundo uma investiga\u00e7\u00e3o realizada pelo <em>Bur\u00f3 del Periodismo de Investigaci\u00f3n<\/em> [Bureau do Jornalismo Investigativo] que tem sua sede em Londres. S\u00f3 no ano passado, os EUA se envolveram tamb\u00e9m em opera\u00e7\u00f5es de combate no Afeganist\u00e3o, na L\u00edbia, no Paquist\u00e3o, na Som\u00e1lia e no I\u00eamen. As recentes revela\u00e7\u00f5es de Edward Snowden sobre a Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional [NSA] demonstraram a tremenda amplitude e o alcance global da espionagem eletr\u00f4nica estadunidense durante os anos Obama. E, o que \u00e9 mais sombrio, as for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais que est\u00e3o sendo agora anualmente mobilizadas, s\u00e3o mais que o dobro do n\u00famero que no final do mandato de Bush.<\/p>\n<p>Contudo, nos \u00faltimos anos, as consequ\u00eancias n\u00e3o desejadas das opera\u00e7\u00f5es militares dos EUA causaram indigna\u00e7\u00e3o e descontentamento, incendiando regi\u00f5es inteiras. Mais de dez anos depois do momento \u201cmiss\u00e3o cumprida\u201d dos EUA, sete anos depois de t\u00e3o alardeado incremento, o Iraque deixado pelos EUA est\u00e1 em chamas. Um pa\u00eds no qual n\u00e3o havia presen\u00e7a alguma da Al-Qaeda antes da invas\u00e3o estadunidense e um governo que se opunha aos inimigos dos EUA em Teer\u00e3, tem agora um governo central alinhado com o Ir\u00e3 e duas cidades onde tremulam as bandeiras de Al-Qaeda.<\/p>\n<p>Em uma interven\u00e7\u00e3o mais recente dos EUA, visando derrocar o ditador l\u00edbio Muammar Al-Gaddafi, empurrou o pa\u00eds vizinho Mali (um baluarte apoiado pelos EUA contra o terrorismo regional) a uma espiral descendente, donde um oficial treinado pelos EUA deu um golpe de Estado que finalmente produziu um sangrento ataque terrorista contra uma usina de g\u00e1s argelina, desencadeando uma esp\u00e9cie de di\u00e1spora do terror na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>E, neste momento, o Sud\u00e3o do Sul \u2013 uma na\u00e7\u00e3o cujo nascimento teve o pastoreio dos EUA, bem como o apoio econ\u00f4mico e militar (apesar de depender das crian\u00e7as-soldado) e que utilizou [foi utilizado] como base secreta as for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais-, se est\u00e1 vendo desgarrada pela viol\u00eancia e se encaminha para a guerra civil.<\/p>\n<p>A presid\u00eancia de Obama presenciou como as for\u00e7as t\u00e1ticas de elite do ex\u00e9rcito estadunidense eram cada vez mais empregadas visando objetivos estrat\u00e9gicos. Mas, como as miss\u00f5es das for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais s\u00e3o mantidas sob sigilo absoluto, os estadunidenses t\u00eam muito escassos conhecimentos por onde est\u00e3o mobilizadas suas tropas, que est\u00e3o fazendo exatamente ou quais consequ\u00eancias poderiam acarretar. Como o coronel reformado do ex\u00e9rcito, Andrew Bacevish, professor de hist\u00f3ria e rela\u00e7\u00f5es internacionais na Universidade de Boston, assinalou: a utiliza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de Opera\u00e7\u00f5es Especiais durante os anos Obama fez com que fosse diminu\u00edda a responsabilidade militar, fortaleceu uma \u201cpresid\u00eancia imperial\u201d e preparou o cen\u00e1rio para uma guerra sem fim. \u201cEm resumo\u201d, escreveu TomDispatch.com, \u201cpor a guerra nas m\u00e3os de efetivos especiais diminui o fio t\u00eanue entre a guerra e a pol\u00edtica; se converteu na guerra pela guerra\u201d.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es ocultas das for\u00e7as secretas t\u00eam uma desagrad\u00e1vel tend\u00eancia de produzir consequ\u00eancias n\u00e3o desejadas, imprevistas e completamente desastrosas. Os nova-iorquinos recordar\u00e3o muito bem do resultado final do apoio clandestino dos EUA aos militantes isl\u00e2micos contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no Afeganist\u00e3o durante a d\u00e9cada de 80: o 11 de setembro. Mas, por estranho que pare\u00e7a, os que nesse dia estavam no lugar do ataque principal, o Pent\u00e1gono, parecem n\u00e3o ter aprendido as li\u00e7\u00f5es \u00f3bvias dessa repres\u00e1lia letal. Inclusive hoje, no Afeganist\u00e3o e no Paquist\u00e3o, mais de doze anos depois de os EUA terem invadido o primeiro e quase dez anos depois de empreenderem ataques encobertos ao segundo, os EUA seguem ainda \u00e0s voltas com estes efeitos colaterais da Guerra Fria: por exemplo, com os avi\u00f5es telecomandados da CIA lan\u00e7ando ataques com m\u00edsseis contra uma organiza\u00e7\u00e3o (a rede Haqqani), para a qual a Ag\u00eancia fornecia m\u00edsseis na d\u00e9cada de 80.<\/p>\n<p>Sem uma ideia clara de onde est\u00e3o atuando as for\u00e7as clandestinas do ex\u00e9rcito e o que est\u00e3o fazendo, os estadunidenses nem sequer podem reconhecer as consequ\u00eancias de tudo isso e as repres\u00e1lias pelas guerras secretas em expans\u00e3o que seguem inundando o mundo. Mas se a hist\u00f3ria serve de algo, essas consequ\u00eancias ser\u00e3o sentidas desde o Sudoeste asi\u00e1tico at\u00e9 o Magreb, desde o Oriente M\u00e9dio at\u00e9 a \u00c1frica Central, e ao final, possivelmente, tamb\u00e9m sejam sentidas nos EUA.<\/p>\n<p>Em seu plano de a\u00e7\u00e3o para o futuro, o SOCOM 2020, o almirante McRaven tratou de vender a globaliza\u00e7\u00e3o das Opera\u00e7\u00f5es Especiais dos EUA como um meio para \u201cprojetar poder, promover a estabilidade e impedir os conflitos\u201d. \u00c9 poss\u00edvel que no ano passado, o SOCOM tenha se dedicado a fazer justamente o contr\u00e1rio em 134 pa\u00edses.<\/p>\n<p>*Nick Turse \u00e9 editor chefe de TomDispatch.com e investigador do\u00a0 The Nation Institute. \u00c9 autor de \u201cThe Complex: How the Military Invades Our Everyday Lives\u201d [\u201cO Complexo: Como o Militarismo Invade Nossa Vida Todos os Dias\u201d] e de uma hist\u00f3ria sobre os crimes de guerra dos EUA no Vietn\u00e3: \u201cKill Anything That Moves: The Real American War in Vietnam\u201d [\u201cMatando Qualquer Coisa que se Mova: A Verdadeira Guerra Americana no Vietn\u00e3\u201d].<\/p>\n<p><strong>Traduzido pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). <\/strong><\/p>\n<p><strong>Notas da tradu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>*As inser\u00e7\u00f5es da tradu\u00e7\u00e3o est\u00e3o entre colchetes \u201c[ ]\u201d.<\/p>\n<p>i. O \u201cBeltway\u201d \u00e9 uma \u00e1rea dos Estados Unidos onde fica Washington, a capital federal dos EUA.<\/p>\n<p>ii. O \u201cPiv\u00f4 na \u00c1sia\u201d (<em>Pivot to Asia<\/em>) nada mais \u00e9 do que a estrat\u00e9gia imperialista da administra\u00e7\u00e3o Obama para os pa\u00edses do Leste da \u00c1sia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nNick Turse*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5964\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5964","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1yc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5964\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}