{"id":597,"date":"2010-06-25T17:48:45","date_gmt":"2010-06-25T17:48:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=597"},"modified":"2010-06-25T17:48:45","modified_gmt":"2010-06-25T17:48:45","slug":"entrevista-com-aleka-papariga-secretaria-geral-do-kke","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/597","title":{"rendered":"Entrevista com Aleka Papariga, Secret\u00e1ria Geral do KKE"},"content":{"rendered":"\n<p>Carlos A. Lozano Guill\u00e9n*<\/p>\n<p>21.Jun.10<\/p>\n<p>Para os comunistas gregos a \u00fanica op\u00e7\u00e3o [para a presente crise do capitalismo] \u00e9 a sa\u00edda popular, que n\u00e3o pode ser outra sen\u00e3o o socialismo. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00eddas interm\u00e9dias, t\u00e3o pouco reformistas, num mundo, a seguir \u00e0 derrota sovi\u00e9tica, em que sectores da pseudo-esquerda sentem p\u00e2nico da luta pela transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade.<\/p>\n<p>Em exclusivo para VOZ, a principal dirigente do KKE (sigla, em grego), influente partido que tem estado na cabe\u00e7a das mobiliza\u00e7\u00f5es populares na Gr\u00e9cia, respondeu com gentileza \u00e0s perguntas que lhe fizemos chegar, por correio electr\u00f3nico.<\/p>\n<p>Aleka Papariga \u00e9 a Secret\u00e1ria-Geral do Partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE) desde a d\u00e9cada de noventa, depois de se ter destacado como dirigente estudantil. \u00c9 uma aguerrida parlamentar, cujo protagonismo \u00e9 extraordin\u00e1rio na actual conjuntura, pois a sua voz levanta-se no Parlamento para se opor \u00e0s solu\u00e7\u00f5es burguesas e, sem nenhum temor, chama as massas populares a rebelarem-se e a resistirem \u00e0 ofensiva capitalista. A entrevista \u00e9 um documento de singular valor, esclarece o fundo da situa\u00e7\u00e3o da crise no velho continente e as causas da mesma.<\/p>\n<p>A Aleka, mi\u00fada e de pequena estatura, sobra-lhe coragem. Diz que para os comunistas gregos a \u00fanica op\u00e7\u00e3o \u00e9 a sa\u00edda popular, que n\u00e3o pode ser outra sen\u00e3o o socialismo. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00eddas interm\u00e9dias, t\u00e3o pouco reformistas, num mundo, a seguir \u00e0 derrota sovi\u00e9tica, em que sectores da pseudo-esquerda sentem p\u00e2nico da luta pela transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade. A postura desta mulher, que orgulha as mulheres e os comunistas, homens e mulheres de todas as latitudes, \u00e9 medular, interpreta o mais alto da mar\u00e9 da luta de classes e a sua ac\u00e7\u00e3o est\u00e1 na crista da onda, \u00e9 um exemplo para o seu pa\u00eds e para o mundo.<\/p>\n<p><strong>Crise c\u00edclica capitalista<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Lozano A Lozano Guill\u00e9n (CL)<\/strong>: &#8211; Quais s\u00e3o as causas da actual situa\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia?<\/p>\n<p><strong>Aleka Papariga (AP<\/strong>): &#8211; A causa da profunda crise em que a Gr\u00e9cia se encontra \u00e9 a mesma de todos os pa\u00edses capitalistas desenvolvidos. Trata-se de uma cl\u00e1ssica crise c\u00edclica da economia capitalista. De facto, \u00e9 uma crise generalizada e profunda. Independentemente da forma em que se manifesta neste ou naquele pa\u00eds, \u00e9 o resultado da sobre-acumula\u00e7\u00e3o de lucros e capitais e da dificuldade em encontrar novas sa\u00eddas, sem obst\u00e1culos, de rentabilidade cont\u00ednua, o que \u00e9 imposs\u00edvel de ultrapassar sem uma deprecia\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 o que os governos, os organismos internacionais imperialistas e os v\u00e1rios<\/p>\n<p>analistas, utilizando todos os meios, tratam de ocultar aos povos.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, a crise apresenta-se como um problema de grande d\u00edvida p\u00fablica e de grande d\u00e9fice estatal. Vale a pena mencionar que no nosso pa\u00eds, nos \u00faltimos 15-20 anos, houve altas taxas de crescimento, com um aumento escandaloso dos lucros de todos os sectores da plutocracia. Este \u00abmilagre\u00bb grego foi levado a cabo por governos social-democratas e liberais, tendo como guia uma estrat\u00e9gia comum que foi apoiada pela Uni\u00e3o Europeia (UE): medidas contra os trabalhadores, reformas reaccion\u00e1rias em todos os sectores, reformas laborais e na seguran\u00e7a social, privatiza\u00e7\u00f5es, mercantiliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o, financiamento estatal e provocadoras medidas de isen\u00e7\u00e3o de impostos para o capital.<\/p>\n<p>O objectivo foi o de fortalecimento dos monop\u00f3lios, tanto gregos como europeus, nas suas actividades dentro e fora da UE.<\/p>\n<p>Ao povo grego foi dito que esta \u00e9 a via, que esta estrat\u00e9gia assegura o desenvolvimento cont\u00ednuo e que o resultado final beneficiar\u00e1 tamb\u00e9m o povo. Os factos vieram dar raz\u00e3o ao Partido Comunista da Gr\u00e9cia [KKE, sigla em grego], que desde o princ\u00edpio advertiu que esse caminho s\u00f3 ia trazer problemas ao povo e crise.<\/p>\n<p><strong>O povo a pagar a crise<\/strong><\/p>\n<p>Agora, a classe burguesa e os seus partidos pol\u00edticos cooperam para que o povo pague a crise e os impasses do capitalismo. Querem descarregar nas costas dos trabalhadores e dos sectores pobres do povo os novos empr\u00e9stimos p\u00fablicos para financiar a concentra\u00e7\u00e3o de capitais que se asfixiam e correm o risco de desaparecer. Ao mesmo tempo, utilizam a crise para aplicar medidas reaccion\u00e1rias que queriam implementar h\u00e1 v\u00e1rios anos, a fim de embaratecer a for\u00e7a de trabalho e retirar da produ\u00e7\u00e3o grandes sectores de trabalhadores aut\u00f3nomos e pequenos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>A crise capitalista n\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a, mas um sintoma da incur\u00e1vel doen\u00e7a do capitalismo, cujo desenvolvimento continua a ser an\u00e1rquico e desigual, em todos os sectores da economia e na fase em que prevalecem os monop\u00f3lios. As medidas anti-populares dos governos, na fase de desenvolvimento, bem como na pr\u00f3pria crise, s\u00e3o uma demonstra\u00e7\u00e3o evidente de que o capitalismo est\u00e1 obsoleto. Todas as suas contradi\u00e7\u00f5es se agudizaram ao m\u00e1ximo e sobretudo a contradi\u00e7\u00e3o fundamental entre o capital e o trabalho.<\/p>\n<p><strong>CL<\/strong>: &#8211; Como pretende resolver a crise o governo social-democrata?<\/p>\n<p><strong>AP<\/strong>: &#8211; Antes das elei\u00e7\u00f5es, em Outubro passado, advertimos o povo grego, da maneira mais expl\u00edcita, para as duras medidas que estavam para vir depois das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Inclusivamente, indic\u00e1mos a raz\u00e3o pela qual a plutocracia e os mecanismos do sistema escolheram e apoiaram o estabelecimento de um governo social-democrata.<\/p>\n<p>Consider\u00e1vamos que era mais capaz de impor as duras medidas anti-laborais do que o governo conservador, j\u00e1 que controlava a lideran\u00e7a do movimento sindical, dos pequenos comerciantes e dos trabalhadores aut\u00f3nomos. Assinale-se que, tanto no per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral como agora, o actual governo apresentou a crise, o aumento do d\u00e9fice e da d\u00edvida p\u00fablica como resultado de uma m\u00e1 gest\u00e3o, de falta de transpar\u00eancia e de corrup\u00e7\u00e3o dos governos anteriores.<\/p>\n<p>O governo do PASOK (social-democracia) pretendeu e pretende desorientar e submeter o povo, utilizando truques e dilemas para o intimidar. Ainda que o seu programa contenha as medidas anti-laborais que actualmente implementa e que, inclusivamente, haviam sido votadas e apoiadas pela Uni\u00e3o Europeia, ao princ\u00edpio parecia n\u00e3o querer implement\u00e1-las e que se viu a isso obrigado pelo curso dos acontecimentos, pelas press\u00f5es da UE e do FMI. Ambos os organismos apoiam e ajudam o Governo, propondo as mesmas b\u00e1rbaras medidas contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>Para lan\u00e7ar uma guerra implac\u00e1vel contra o povo utilizou o dilema: ou grandes sacrif\u00edcios ou bancarrota. Desta maneira, tratou de apresentar estas medidas, que s\u00e3o necess\u00e1rias para o capital, como necess\u00e1rias tamb\u00e9m para o povo. Apresentou as agudas contradi\u00e7\u00f5es do capital e dos governos, dentro e fora da UE, como uma guerra de especuladores, \u00e0 custa do pa\u00eds. Igualmente pretendeu e pretende apresentar e utilizar o apoio de todos os sectores da plutocracia e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, como apoio de parte do povo.<\/p>\n<p><strong>Abrindo caminho ao protesto popular<\/strong><\/p>\n<p><strong>CL<\/strong>: &#8211; Qual \u00e9 a reac\u00e7\u00e3o ou a resposta dos trabalhadores?<\/p>\n<p><strong>AP<\/strong>: &#8211; Lamentavelmente, a maioria da classe trabalhadora e dos sectores populares pobres n\u00e3o tiveram em conta, com a seriedade requerida, as advert\u00eancias do KKE.<\/p>\n<p>Imediatamente depois das elei\u00e7\u00f5es, como KKE e como PAME (Frente Militante de todos os Trabalhadores), tom\u00e1mos iniciativas para desencadear e organizar a tempo a luta contra a ofensiva anti-oper\u00e1ria que estava para vir. A primeira greve que o PAME convocou, a 17 de Dezembro, tinha a oposi\u00e7\u00e3o, tanto do governo, dos grandes industriais e dos partidos burgueses, como dos l\u00edderes sindicais que expressam os interesses da aristocracia oper\u00e1ria, e todos tiveram uma reac\u00e7\u00e3o raivosa.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, essa greve e a luta pelo seu \u00eaxito marcaram o in\u00edcio do arranque do contra-ataque do movimento de classe organizado, da interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do partido para se dar um golpe decisivo no fatalismo e na submiss\u00e3o, e abriu o caminho para a cria\u00e7\u00e3o e express\u00e3o da disposi\u00e7\u00e3o militante dos trabalhadores e das classes populares.<\/p>\n<p>Hoje, podemos dizer com seguran\u00e7a, que a propaganda e os dilemas do governo e dos seus aliados n\u00e3o deram frutos. A maioria do povo condenou as medidas e uma grande parte dos trabalhadores e dos sectores populares, superando as v\u00e1rias formas de intimida\u00e7\u00e3o, participou nas greves e nas mobiliza\u00e7\u00f5es, principalmente do PAME e nas manifesta\u00e7\u00f5es do KKE.<\/p>\n<p><strong>O inconformismo popular<\/strong><\/p>\n<p>Neste per\u00edodo, constat\u00e1mos que uma parte significativa dos trabalhadores e do povo sente ressentimento e descontentamento e que se desenvolvem processos significativos na sua consci\u00eancia. O Governo e a totalidade dos mecanismos do sistema utilizam todas as armas de que disp\u00f5em para obstaculizar a sua radicaliza\u00e7\u00e3o. O que realmente os preocupa e querem anular, de qualquer maneira, \u00e9 a emancipa\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias populares da via de sentido \u00fanico do capitalismo. Querem impedir a participa\u00e7\u00e3o activa no movimento de classe organizado e a adop\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es e da proposta pol\u00edtica do KKE.<\/p>\n<p>Para o conseguir, utilizam o flagrante anticomunismo, a cal\u00fania, as mentiras, as amea\u00e7as. Inclusivamente, utilizam provoca\u00e7\u00f5es organizadas, com mortos, tentando identificar a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores com a \u00abviol\u00eancia cega\u00bb dos servi\u00e7os secretos.<\/p>\n<p>Nem sequer t\u00eam pejo em nos acusar como instigadores morais, por causa da nossa posi\u00e7\u00e3o de desobedi\u00eancia popular perante as medidas antipopulares, exigindo submiss\u00e3o e ren\u00fancia \u00e0s formas de luta escolhidas pelo movimento. Cada vez mais abertamente nos colocam o dilema \u00abrespeitam ou n\u00e3o respeitam a Constitui\u00e7\u00e3o?\u00bb, exigindo que deixemos de lutar pelo socialismo.<\/p>\n<p>Que saibam que a nossa resposta \u00e9 s\u00f3 uma; est\u00e3o a bater \u00e0 porta errada. O sistema n\u00e3o pode subjugar o KKE. Para n\u00f3s, a lei \u00e9 a raz\u00e3o do povo e n\u00e3o necessitamos de autoriza\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m para lutar em conjunto com o povo contra a pol\u00edtica antipopular, contra a plutocracia, para a sua derrota, e pelo socialismo.<\/p>\n<p><strong>A proposta dos comunistas<\/strong><\/p>\n<p><strong>CL<\/strong>: &#8211; Que sa\u00edda prop\u00f5e o KKE?<\/p>\n<p><strong>AP<\/strong>: &#8211; Frente aos dilemas que os nossos advers\u00e1rios colocaram ao povo, em rela\u00e7\u00e3o com a crise, a nossa resposta \u00e9 que vai cair na bancarrota ou o povo ou a plutocracia. N\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia. N\u00e3o existe sa\u00edda da crise a favor do povo, sem que se toque drasticamente nos lucros, na for\u00e7a e, em consequ\u00eancia, no poder dos monop\u00f3lios. Por isso, a \u00fanica via que o povo tem para colocar obst\u00e1culos \u00e0s duras medidas tomadas \u00e0 sua custa \u00e9 um contra-ataque de classe, pol\u00edtico, decisivo.<\/p>\n<p>A nossa proposta de sa\u00edda da crise resume-se \u00e0 consigna: \u00abalian\u00e7a popular de<\/p>\n<p>trabalhadores, anti-monopolista, para o poder popular\u00bb, que \u00e9 necess\u00e1ria para conseguir mudan\u00e7as radicais, primeiro, a n\u00edvel da economia e, em geral, a n\u00edvel do poder.<\/p>\n<p>O caminho para satisfazer os direitos populares contempor\u00e2neos, para que o nosso pa\u00eds confronte as interven\u00e7\u00f5es e os antagonismos dos organismos imperialistas internacionais, \u00e9 que o povo esteja no poder, tendo nas suas m\u00e3os o controlo da economia e da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, a proposta de alian\u00e7as e poder para o povo t\u00eam os seguintes eixos b\u00e1sicos: que todas as grandes f\u00e1bricas e empresas de energia e de mat\u00e9ria-prima, os transportes, as telecomunica\u00e7\u00f5es, as ind\u00fastrias, o com\u00e9rcio e os bancos sejam propriedade social. Que se socializem os monop\u00f3lios, de maneira que, com a planifica\u00e7\u00e3o centralizada do poder popular, se utilizem todas as capacidades produtivas do pa\u00eds, tendo como \u00fanico crit\u00e9rio as necessidades do povo. Ao seu lado funcionar\u00e3o, inclu\u00eddas na planifica\u00e7\u00e3o nacional, as cooperativas de produ\u00e7\u00e3o dos pobres e m\u00e9dios camponeses e dos pequenos comerciantes. Que a terra deixe de ser uma mercadoria. Que n\u00e3o exista actividade empresarial nos sectores da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade e do bem-estar social.<\/p>\n<p>A base do poder popular ser\u00e3o as unidades de produ\u00e7\u00e3o do sector socializado e das cooperativas, cujos representantes poder\u00e3o ser substitu\u00eddos e, em simult\u00e2neo, existir\u00e1 o controlo oper\u00e1rio popular, da base ao topo.<\/p>\n<p>Esta Gr\u00e9cia do poder popular e da economia popular n\u00e3o cabe em nenhum tipo de organismo imperialista como s\u00e3o a UE, a NATO, etc. Renegociar\u00e1 a d\u00edvida p\u00fablica e tratar\u00e1 de conseguir acordos internacionais e coopera\u00e7\u00f5es numa base completamente diferente e utilizar\u00e1 as contradi\u00e7\u00f5es imperialistas na medida em que o puder fazer. Para n\u00f3s, o poder popular n\u00e3o pode ser outro sen\u00e3o o socialismo.<\/p>\n<p><strong>O fracasso de Maastricht<\/strong><\/p>\n<p><strong>CL<\/strong>: &#8211; Esta situa\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o com as especificidades em Portugal e Espanha, demonstra o fracasso da UE e do Tratado de Maastricht?<\/p>\n<p><strong>AP<\/strong>: &#8211; O Tratado de Maastricht e a pol\u00edtica dos monop\u00f3lios europeus nele baseada, com o fim de serem mais competitivos e rent\u00e1veis que os seus antagonistas, trouxe resultados para o capital europeu. \u00c9 claro que isto s\u00f3 poderia fazer-se \u00e0 custa dos trabalhadores e dos povos dos pa\u00edses da UE, assim como dos pa\u00edses onde opera o capital europeu.<\/p>\n<p>O fracasso da UE est\u00e1 subjacente no facto de que a crise demonstrou a bancarrota completa dos argumentos de todos os seus defensores, tanto liberais, como social-democratas e \u00abesquerdas\u00bb. A UE n\u00e3o \u00e9 nem pode ser a favor dos povos. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios europeus e, como tal, \u00e9 reaccion\u00e1ria e perigosa para os povos. No interior da UE n\u00e3o foi enfrentada a desigualdade entre os pa\u00edses; ao contr\u00e1rio, agudizou-se. N\u00e3o se converteu nem se converter\u00e1 no contrapeso dos EUA ou de outros centros imperialistas. S\u00e3o aliados e atacam os povos unidos. Ao mesmo tempo, lutam ferozmente entre si, para ganhar no antagonismo, ter a maior parte dos mercados e ampliar a sua influ\u00eancia no mundo.<\/p>\n<p>O caminho a favor do povo \u00e9 s\u00f3 o socialismo e jogar-se-\u00e1 primeiro a n\u00edvel nacional. Na Europa, cada povo que escolha esta via de desenvolvimento e de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade contra a explora\u00e7\u00e3o do capital e dos monop\u00f3lios estar\u00e1 obrigatoriamente contra a UE.<\/p>\n<p><em>* Carlos Lozano \u00e9 director do seman\u00e1rio de Voz, jornal do Partido Comunista da Col\u00f4mbia. Aleka Papariga \u00e9 Secret\u00e1ria-Geral do Partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE)<\/em><\/p>\n<p><em>Esta entrevista foi publicada em Voz n\u00ba 2.543, de 2 a 8 de Junho de 2010<\/em><\/p>\n<p><em> Texto em portugu\u00eas publicado em <a href=\"http:\/\/www.pelosocialismo.net\/\" target=\"_blank\">www.pelosocialismo.net<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\n\u201cPara n\u00f3s o Poder Popular n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o Socialismo\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/597\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-597","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-9D","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}