{"id":5973,"date":"2014-03-16T23:01:22","date_gmt":"2014-03-16T23:01:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5973"},"modified":"2017-08-25T00:59:16","modified_gmt":"2017-08-25T03:59:16","slug":"cientistas-lancam-manifesto-em-defesa-dos-rios-e-apontam-descontrole-na-construcao-de-hidreletricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5973","title":{"rendered":"Cientistas lan\u00e7am manifesto em defesa dos rios e apontam descontrole na constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas"},"content":{"rendered":"\n<p>Documento manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com a possibilidade de que 100 mil pessoas sejam atingidas no Pa\u00eds, nos pr\u00f3ximos anos, por hidrel\u00e9tricas<\/p>\n<p><strong>Marco Aur\u00e9lio Weisshein<\/strong><\/p>\n<p><strong>Porto Alegre<\/strong> &#8211; Um grupo de 100 pesquisadores brasileiros da \u00e1rea do meio ambiente, de universidades e institui\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios Estados do Brasil, encaminhou sexta-feira (14) \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e aos ministros do Meio Ambiente e de Minas e Energia, o <a href=\"http:\/\/www.inga.org.br\/manifesto-de-professores-e-cientistas-no-dia-internacional-de-acao-pelos-rios\/\" target=\"_blank\">Manifesto de Cientistas pela Defesa de Nossos Rios<\/a>. A data foi escolhida pelo fato de 14 de mar\u00e7o ser o Dia Internacional de A\u00e7\u00e3o Pelos Rios. O manifesto resgata a <a href=\"http:\/\/www.cpap.embrapa.br\/pesca\/online\/PESCA2011_10CEB1.pdf\" target=\"_blank\">Mo\u00e7\u00e3o sobre Barramentos<\/a>, aprovada no X Congresso de Ecologia do Brasil, realizado em S\u00e3o Louren\u00e7o (MG), em setembro de 2011.<\/p>\n<p>O objetivo dos pesquisadores \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o do governo para a \u201cnecessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes que garantam a continuidade de manuten\u00e7\u00e3o da vida diversa, incluindo aqui as culturas humanas tradicionais dos ribeirinhos, e os remanescentes de ecossistemas fluviais e de sistemas associados, como as matas ciliares, por exemplo, diante do crescimento praticamente indiscriminado de empreendimentos hidrel\u00e9tricos no Brasil\u201d. O documento manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com a possibilidade de que 100 mil pessoas sejam atingidas no Pa\u00eds, nos pr\u00f3ximos anos, por hidrel\u00e9tricas, sendo que 15% dos atingidos seriam integrantes de povos ind\u00edgenas, especialmente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, como \u00e9 o caso de Belo Monte (PA).<\/p>\n<p>O manifesto cita o trabalho do professor\u00a0<a href=\"http:\/\/philip.inpa.gov.br\/\" target=\"_blank\">Philip Fearnside<\/a>, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia, que vem alertando para \u201co efeito cascata de degrada\u00e7\u00e3o ambiental, inclusive emana\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa nos reservat\u00f3rios, provocada por empreendimentos em sistemas h\u00eddricos altamente complexos, cujos processos ecol\u00f3gicos ainda n\u00e3o s\u00e3o minimamente conhecidos\u201d.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, prossegue o documento, \u201cenormes impactos est\u00e3o sendo derivados de duas grandes hidrel\u00e9tricas no rio Madeira (Santo Ant\u00f4nio e Jirau) (RO), que poderiam ter rela\u00e7\u00e3o com as in\u00e9ditas inunda\u00e7\u00f5es deste rio, que afeta parte da capital de Rond\u00f4nia, Porto Velho\u201d. No ritmo atual, adverte, \u201cnem mesmo o Pantanal escaparia de suas mais de 130 pequenas e m\u00e9dias hidrel\u00e9tricas previstas ou em constru\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie nas cabeceiras dos rios dos estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, segundo relatos de pesquisadores da biodiversidade da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores alertam ainda que praticamente n\u00e3o h\u00e1 estudos de capacidade de suporte para a constru\u00e7\u00e3o de tantos empreendimentos, em um mesmo rio, o que configuraria a aus\u00eancia de controle no processo de expans\u00e3o de hidrel\u00e9tricas no Brasil. O manifesto tamb\u00e9m manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com os projetos de hidrel\u00e9tricas no rio Uruguai, no Sul do Brasil:<\/p>\n<p>\u201cOs planos da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE, do MME) preveem pelo menos 11 barramentos em s\u00e9rie, no mesmo rio, o que inevitavelmente causaria perdas regionais de organismos aqu\u00e1ticos, como o peixe dourado, que vem desaparecendo na regi\u00e3o. O tema da extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies na natureza \u00e9 mais do que premente, e os estudos que destacam a presen\u00e7a de esp\u00e9cies exclusivas e end\u00eamicas s\u00e3o muito recentes. Uma grande pol\u00eamica surgiu com as re\u00f3fitas (plantas de curso de \u00e1gua corrente), destacando-se a brom\u00e9lia dos lajeados (Dyckia distachya) que praticamente n\u00e3o \u00e9 mais encontrada em estado silvestre no rio Pelotas (RS\/SC), ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da UHE Barra Grande, em 2005\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do problema \u00e9tico envolvendo a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, os pesquisadores citam o agravante do problema cient\u00edfico relacionado \u00e0 exist\u00eancia de centenas ou milhares de esp\u00e9cies ainda n\u00e3o descritas para a Ci\u00eancia, que podem se afetadas ou at\u00e9 desaparecer nos pr\u00f3ximos anos nos sistemas fluviais, principalmente no Norte do Brasil.<\/p>\n<p>O manifesto tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que cerca de 2\/3 dos projetos de grandes, m\u00e9dias e pequenas hidrel\u00e9tricas est\u00e1 incidindo justamente no Mapa Oficial das \u00c1reas Priorit\u00e1rias para a Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade. Mesmo o mapa das \u00e1reas definidas como de \u201cextrema import\u00e2ncia\u201d possui cerca de um quarto dos projetos de hidrel\u00e9tricas previstos para os pr\u00f3ximos anos. Os pesquisadores criticam a postura dos minist\u00e9rios do Meio Ambiente e de Minas e Energia que estariam evitando debater essa contradi\u00e7\u00e3o, \u201cainda mais em um momento de crise de energia el\u00e9trica, que tamb\u00e9m \u00e9 reflexo do d\u00e9bil planejamento em alternativas de menor impacto (energia e\u00f3lica, biomassa e energia solar)\u201d.<\/p>\n<p>O documento defende a necessidade de o governo assumir compromissos com a realiza\u00e7\u00e3o de estudos mais abrangentes, denominados de Avalia\u00e7\u00e3o Ambiental Estrat\u00e9gica (AAE) ou Integrada (AAI). E cita como exemplo o estudo de Avalia\u00e7\u00e3o Ambiental Integrada realizado em 2001 pela Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente do RS (Sema), no rio Taquari-Antas, na regi\u00e3o Serrana do Estado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, prop\u00f5e o investimento em alternativas energ\u00e9ticas vi\u00e1veis e baratas, com destaque para a energia e\u00f3lica e a energia solar:<\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) estas alternativas j\u00e1 s\u00e3o cada vez mais vi\u00e1veis e baratas, com destaque a energia e\u00f3lica que poderia, sozinha, segundo dados da pr\u00f3pria EPE, gerar muito mais do que toda a energia el\u00e9trica gasta no Brasil (obviamente sem afetar UCs, APCBio ou rotas migrat\u00f3rias), ou a energia solar que, somente na Alemanha &#8211; onde a incid\u00eancia solar \u00e9 bem menor do que a do Brasil &#8211; \u00e9 respons\u00e1vel por uma gera\u00e7\u00e3o de 30 GW, descentralizada, sendo maior do que a gera\u00e7\u00e3o da usina de Itaipu\u201d.<\/p>\n<p>http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Meio-Ambiente\/Cientistas-lancam-manifesto-em-defesa-dos-rios-e-apontam-descontrole-na-construcao-de-hidreletricas%0A\/3\/30483<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCarta\u00a0Maior\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5973\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-5973","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1yl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5973\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}