{"id":5975,"date":"2014-03-16T23:12:08","date_gmt":"2014-03-16T23:12:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5975"},"modified":"2014-03-16T23:12:08","modified_gmt":"2014-03-16T23:12:08","slug":"o-pcb-e-o-golpe-civil-militar-de-3131964-por-que-as-esquerdas-foram-derrotadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5975","title":{"rendered":"O PCB e o golpe civil-militar de 31\/3\/1964 : por que as esquerdas foram derrotadas?"},"content":{"rendered":"\n<p>Tornou-se um tru\u00edsmo, a partir de 1\/4\/1964, a cr\u00edtica ao PCB por n\u00e3o ter resistido ao golpe civil-militar, assim como a acusa\u00e7\u00e3o de que tal posicionamento seria decorr\u00eancia de sua pol\u00edtica pacifista, do despreparo para a resist\u00eancia aos golpistas e de ilus\u00f5es na burguesia e no \u201cesquema militar\u201d do presidente Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>O PCB contava com importantes lideran\u00e7as sindicais \u00e0 frente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e de numerosos sindicatos, com in\u00fameros aliados tanto no movimento sindical urbano quanto rural, com a presen\u00e7a significativa de seus militantes na Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) e junto ao movimento estudantil universit\u00e1rio e secundarista. Da mesma forma, o PCB exercia influ\u00eancia em m\u00faltiplos setores do mundo social e pol\u00edtico brasileiro, em particular, junto a personalidades e a agrupamentos com posi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e nacionalistas, que se pronunciavam contra a inger\u00eancia imperialista no pa\u00eds e pela reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Diante disso, como explicar a vit\u00f3ria dos golpistas e a derrota das esquerdas?<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio retroceder no tempo e verificar qual era a\u00a0<em>perspectiva pol\u00edtica e organizacional<\/em> do PCB. Ap\u00f3s a pris\u00e3o dos membros da dire\u00e7\u00e3o nacional do PCB em 1940 e o consequente esfacelamento da organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, v\u00e1rios grupos tentaram sua reorganiza\u00e7\u00e3o. Afinal, a reconstru\u00e7\u00e3o do PCB teve sucesso com a iniciativa da Comiss\u00e3o Nacional de Organiza\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria (CNOP) de convocar a II Confer\u00eancia Nacional do PCB \u2013 conhecida como Confer\u00eancia da Mantiqueira, porque se realizou clandestinamente, em algum lugar do Vale do Para\u00edba, em agosto de 1943, reunindo 48 militantes. (Prestes, 2001: cap.IX)[2]<\/p>\n<p>O exame das concep\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas norteadoras da Confer\u00eancia \u00e9 essencial para o esclarecimento das condi\u00e7\u00f5es em que se formou o novo\u00a0<em>grupo dirigente<\/em> eleito nessa oportunidade e que assumiu a dire\u00e7\u00e3o do PCB, tratando de reunific\u00e1-lo. Vale lembrar a import\u00e2ncia que Ant\u00f4nio Gramsci atribu\u00eda \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>grupo dirigente<\/em> do Partido Comunista. O l\u00edder comunista e te\u00f3rico marxista escrevia que \u201ctodos os problemas de organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o problemas pol\u00edticos\u201d (Gramsci, 2004, v. 2: 348) e, preocupado com a constru\u00e7\u00e3o do PC italiano, afirmava: \u201c\u00c9 preciso criar no interior do Partido um n\u00facleo (&#8230;) de companheiros que tenham o m\u00e1ximo de homogeneidade ideol\u00f3gica e, portanto, consigam imprimir \u00e0 a\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria um m\u00e1ximo de unidade de orienta\u00e7\u00e3o\u201d (idem: 129-130). Para Gramsci, a forma\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>grupo dirigente<\/em> ou\u00a0<em>n\u00facleo dirigente <\/em>do PC era condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que o partido pudesse cumprir seus objetivos pol\u00edticos. A tal grupo caberia o papel de garantir a \u201cforma\u00e7\u00e3o de uma vanguarda prolet\u00e1ria homog\u00eanea e ligada \u00e0s massas\u201d (idem: 351)[3]. Em outras palavras, para Gramsci, a forma\u00e7\u00e3o do grupo dirigente constitu\u00eda um ponto de partida fundamental para a constru\u00e7\u00e3o do Partido Comunista e, consequentemente, as caracter\u00edsticas de tal grupo dirigente iriam definir o perfil da organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Cabe assinalar que a t\u00e1tica de \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d adotada pelos comunistas a partir de 1938, levou seus dirigentes e militantes a se inserirem de maneira espont\u00e2nea e pouco cr\u00edtica no movimento generalizado de rep\u00fadio \u00e0s amea\u00e7as expansionistas e agressoras do nazifascismo europeu, secundado pelos integralistas, seus agentes internos em nosso pa\u00eds. Tal movimento empolgou setores muito amplos do espectro pol\u00edtico brasileiro, incluindo numerosas camadas populares. A an\u00e1lise da atua\u00e7\u00e3o do PCB nesse per\u00edodo nos revela que, ap\u00f3s os acontecimentos de novembro de 1935, os comunistas, profundamente golpeados e desarticulados, com grandes dificuldades para restabelecer os contatos com a Internacional Comunista (IC), n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es de manter uma postura ideologicamente independente. (Prestes, 2001)<\/p>\n<p>A aus\u00eancia, por parte do PCB, de uma justa compreens\u00e3o da realidade do pa\u00eds contribuiu para que a dire\u00e7\u00e3o do partido tivesse dificuldade de formular uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica capaz de articular adequadamente a luta pela democracia no plano internacional, ou seja, o combate ao nazifascismo e aos seus agentes internos, com a luta pela democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u2013 contra o regime ditatorial do Estado Novo \u2013 e o empenho necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o das for\u00e7as sociais e pol\u00edticas capazes de levar adiante um projeto voltado para a emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social do pa\u00eds \u2013 um projeto que apontasse para uma efetiva transforma\u00e7\u00e3o socialista, conforme constava dos documentos program\u00e1ticos do PCB. (Idem)<\/p>\n<p>Tais impasses na trajet\u00f3ria do movimento comunista no Brasil teriam como consequ\u00eancia a transforma\u00e7\u00e3o do PCB num partido\u00a0<em>nacional-libertador<\/em>, sob a influ\u00eancia das ideias nacionalistas presentes na sociedade brasileira. Um partido progressista em que, entretanto, o conflito entre trabalho e capital ficaria relegado a um segundo plano. (Idem)<\/p>\n<p>A partir da Confer\u00eancia da Mantiqueira, a orienta\u00e7\u00e3o oficial do PCB, baseada na defesa da \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d, n\u00e3o s\u00f3 deixava transparecer uma postura nacionalista, de defesa da soberania nacional diante do expansionismo nazifascista, mas tamb\u00e9m certo adesismo ao governo Vargas, o que se evidenciava nas p\u00e1ginas da revista\u00a0<em>Continental,<\/em> que, na pr\u00e1tica, se tornou o \u00f3rg\u00e3o oficioso do partido. (Prestes, 2010: 51-52).<\/p>\n<p>Na Confer\u00eancia da Mantiqueira ficaram consagradas a hegemonia e a vit\u00f3ria das posi\u00e7\u00f5es defendidas pela CNOP. Na ocasi\u00e3o foi nomeado um Comit\u00ea Central provis\u00f3rio, que se consolidaria com o apoio de Prestes, eleito secret\u00e1rio-geral\u00a0<em>in absentia<\/em>, pela primeira vez desde seu ingresso no PCB. Segundo E. Carone, \u201c\u00e9 em agosto de 1945, na reuni\u00e3o legal do Comit\u00ea Nacional do PCB, denominado Pleno da Vit\u00f3ria, que os recalcitrantes ir\u00e3o aceitar a situa\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica do CNOP\u201d (Carone, 1982: 3-4). Dessa forma, constitu\u00eda-se o\u00a0<em>novo grupo dirigente<\/em> do PCB, que proclamava a lideran\u00e7a de Prestes e inclu\u00eda entre seus membros nomes que figurariam \u00e0 frente do PCB durante muitos anos, como Di\u00f3genes de Arruda C\u00e2mara, Jo\u00e3o Amazonas, Maur\u00edcio Grabois, Pedro Pomar, M\u00e1rio Alves, Amar\u00edlio Vasconcelos, Ivan Ramos Ribeiro, Giocondo Dias, \u00c1lvaro Ventura, etc.<\/p>\n<p>Tal grupo dirigente sofreria algumas modifica\u00e7\u00f5es no decorrer do tempo, mas foram seus elementos mais destacados que orientaram a reconstru\u00e7\u00e3o do PCB e o dotaram de um tipo de organiza\u00e7\u00e3o que correspondia aos objetivos pol\u00edticos tra\u00e7ados na Confer\u00eancia da Mantiqueira, o qual teria o car\u00e1ter\u00a0<em>nacional-libertador <\/em>da pol\u00edtica partid\u00e1ria como sua marca registrada. As caracter\u00edsticas desse novo grupo dirigente iriam definir o perfil da organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria que viria a existir da\u00ed por diante. O ber\u00e7o do novo PCB, reconstru\u00eddo ap\u00f3s o desastre de 1940, seria a Confer\u00eancia da Mantiqueira, e o seu novo perfil foi determinado pelo n\u00facleo dirigente constitu\u00eddo nesse conclave.<\/p>\n<p>O PCB, ao renascer dos violentos golpes desfechados pelo governo no in\u00edcio dos anos 1940, surgia como um partido marcado pela ideologia nacional-libertadora, com um grupo dirigente praticamente desconhecido, mas prestigiado pela presen\u00e7a de Luiz Carlos Prestes, cujo aval fora decisivo para a consolida\u00e7\u00e3o desse grupo, assim como da organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Tal n\u00facleo dirigente empenhou-se na constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura partid\u00e1ria que correspondesse aos objetivos pol\u00edticos tra\u00e7ados, ou seja, \u00e0 defesa da soberania nacional, entendida como fruto do desenvolvimento de um capitalismo aut\u00f4nomo no Brasil.(Prestes, 2010)<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do curto per\u00edodo de legalidade do PCB, nos anos 1945-1947, nos revela que, n\u00e3o obstante os esfor\u00e7os desenvolvidos pelos comunistas visando consolidar o processo de democratiza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e alcan\u00e7ar a t\u00e3o almejada \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d, o partido teve seu registro cancelado e os mandatos dos seus parlamentares cassados. \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d tornou-se uma quimera inating\u00edvel. Embora vit\u00f3rias parciais tivessem sido conquistadas \u2013 algumas de grande import\u00e2ncia -, a pol\u00edtica levada adiante pelo PCB foi derrotada.<\/p>\n<p>A diretriz de \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d, durante o ano de 1945, contribuiu inquestionavelmente para um significativo avan\u00e7o do processo de democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. J\u00e1 em 1946, com o in\u00edcio da chamada Guerra Fria, a tend\u00eancia predominante na pol\u00edtica nacional acabou sendo a de um crescente anticomunismo. Medidas repressoras, cada vez mais intensas, foram\u00a0adotadas, por parte do governo Dutra,\u00a0contra os comunistas e as for\u00e7as democr\u00e1ticas e progressistas.<\/p>\n<p>Os dirigentes do PCB n\u00e3o perceberam com clareza a profundidade de tal virada e a gravidade de suas consequ\u00eancias para o partido e para seus aliados. A hipot\u00e9tica \u201cburguesia progressista\u201d, definida pelos comunistas como importante setor, com o qual seria poss\u00edvel contar na luta por \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d, capitulara diante dos interesses do grande capital, expressos na Doutrina Truman (Vizentini, 2000, v. II: 195-225; Munhoz, 2004: 273). Embora lutando com grande empenho e entusiasmo pelos objetivos tra\u00e7ados, os comunistas ficaram isolados, o que explica sua derrota pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na realidade, mais uma vez, na hist\u00f3ria do PCB predominara a tend\u00eancia nacional-libertadora e sua aposta no \u201cpapel progressista\u201d de um setor da burguesia industrial, que seria capaz de aliar-se ao proletariado para alcan\u00e7ar um capitalismo aut\u00f4nomo no Brasil, livre do dom\u00ednio do imperialismo, principalmente dos interesses dos capitais norte-americanos. Mais uma vez, o conflito de classes seria deixado de lado pelos comunistas, sendo privilegiada a luta nacional-libertadora.<\/p>\n<p>O exame do per\u00edodo hist\u00f3rico que se estende at\u00e9 o golpe civil-militar de mar\u00e7o de 1964 nos mostra que, apesar das mudan\u00e7as t\u00e1ticas havidas na pol\u00edtica do PCB, a estrat\u00e9gia nacional-libertadora da revolu\u00e7\u00e3o brasileira permaneceu intacta, marcando de maneira indel\u00e9vel a trajet\u00f3ria dos comunistas. (Prestes, 1980, 2010, 2012) Uma concep\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica falsa, uma vez que inadequada \u00e0 realidade que os comunistas pretendiam transformar. O capitalismo implantado no pa\u00eds surgira na \u00e9poca do dom\u00ednio imperialista mundial exercido pelas pot\u00eancias centrais desse sistema, o que determinou sua posi\u00e7\u00e3o subordinada, ou seja, a depend\u00eancia a que ficou submetido. N\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es para a conquista de um desenvolvimento livre e independente do capitalismo brasileiro, meta que era perseguida pelos comunistas.<\/p>\n<p>Em sua\u00a0<em>pol\u00edtica de organiza\u00e7\u00e3o<\/em>, consoante com a concep\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica adotada pelo seu grupo dirigente criado ainda \u00e0 \u00e9poca da Confer\u00eancia da Mantiqueira, o PCB desenvolveu ingentes esfor\u00e7os no sentido da forma\u00e7\u00e3o de uma estrutura partid\u00e1ria adequada \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o pela sua milit\u00e2ncia das diretrizes condizentes com tal estrat\u00e9gia. Foi constru\u00eddo um partido conforme tal orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, um partido empenhado numa alian\u00e7a com uma suposta burguesia nacional progressista, para realizar reformas que pudessem garantir o advento de um desenvolvimento capitalista aut\u00f4nomo do pa\u00eds. O objetivo socialista era deixado para uma etapa posterior. Dessa maneira, n\u00e3o se investia na forma\u00e7\u00e3o da for\u00e7a social e pol\u00edtica, unificada por ideais comuns e voltada para a prepara\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Na realidade, tentava-se a cria\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a de classes e setores sociais supostamente possuidores de interesses e reivindica\u00e7\u00f5es comuns na luta contra o imperialismo e o latif\u00fandio e pela democracia. Mas, n\u00e3o se levava em conta algo que o conceito de\u00a0<em>bloco hist\u00f3rico<\/em>, proposto por A. Gramsci \u2013 ou, em outras palavras, do\u00a0<em>sujeito-povo<strong>[4]<\/strong><\/em> &#8211; pressup\u00f5e: o\u00a0<em>momento pol\u00edtico<\/em> dessa alian\u00e7a. \u201cSua constitui\u00e7\u00e3o est\u00e1 assentada em classes ou grupos concretos definidos pela sua situa\u00e7\u00e3o na sociedade, mas as ideias cumprem um papel fundamental no que se refere \u00e0 sua coes\u00e3o.\u201d No\u00a0<em>bloco hist\u00f3rico<\/em> h\u00e1 \u201cuma estrutura social \u2013 as classes e grupos sociais \u2013 que depende diretamente das rela\u00e7\u00f5es entre as for\u00e7as produtivas; mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma superestrutura ideol\u00f3gica e pol\u00edtica\u201d (Bignami, s.d.: 27). Gramsci escrevia nos\u00a0<em>Cadernos do c\u00e1rcere<\/em> que, segundo Marx, \u201cuma persuas\u00e3o popular tem, com frequ\u00eancia, a mesma energia de uma for\u00e7a material\u201d. Tal afirma\u00e7\u00e3o, segundo o fil\u00f3sofo italiano,<\/p>\n<p style=\"margin-left: 60px;\">conduz ao fortalecimento da concep\u00e7\u00e3o de \u201cbloco hist\u00f3rico\u201d, no qual precisamente, as for\u00e7as materiais s\u00e3o o conte\u00fado e as ideologias s\u00e3o a forma, distin\u00e7\u00e3o entre forma e conte\u00fado puramente did\u00e1tica, j\u00e1 que as for\u00e7as materiais n\u00e3o seriam historicamente conceb\u00edveis sem forma e as ideologias seriam fantasias individuais sem as for\u00e7as materiais (Gramsci, 2001, v. 1: 238).<\/p>\n<p>Os elementos citados da concep\u00e7\u00e3o gramsciana de\u00a0<em>bloco hist\u00f3rico<\/em> permitem perceber o frequente empobrecimento de tal conceito no \u00e2mbito dos partidos comunistas, pois esse fen\u00f4meno marcou, de uma maneira geral, grande parte do movimento comunista mundial. Nas fileiras do PCB, semelhante postura teria como resultado a subestima\u00e7\u00e3o pelo trabalho ideol\u00f3gico de forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pol\u00edtica n\u00e3o s\u00f3 dos seus quadros, como tamb\u00e9m de lideran\u00e7as populares. A incompreens\u00e3o da necessidade de criar um\u00a0<em>bloco hist\u00f3rico<\/em> contra-hegem\u00f4nico, capaz de conduzir o processo revolucion\u00e1rio \u00e0 vit\u00f3ria, condicionou o desarmamento ideol\u00f3gico e pol\u00edtico dos comunistas diante do bloco hist\u00f3rico dominante e a inevit\u00e1vel capitula\u00e7\u00e3o frente ao reformismo burgu\u00eas (Prestes, 2010a).<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo hist\u00f3rico que antecedeu a deposi\u00e7\u00e3o do presidente Goulart, a atividade pr\u00e1tica da milit\u00e2ncia do PCB evidenciou as limita\u00e7\u00f5es provenientes da incompreens\u00e3o citada. A atua\u00e7\u00e3o dos comunistas no Sindicato dos Metal\u00fargicos do Rio de Janeiro, no per\u00edodo 1945\/1964, \u00e9 nesse sentido exemplar. Conforme \u00e9 mostrado por Santana (Santana, 2012)<em>, <\/em>diferentemente do que sempre se afirmou,<em> \u201cno plano organizacional <\/em>os comunistas v\u00e3o ser incans\u00e1veis na atua\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho e na constitui\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es sindicais de empresa, alterando, na pr\u00e1tica, a perspectiva de a\u00e7\u00e3o dos sindicatos\u201d (idem: 237; grifos meus). Os comunistas chegaram, em muitos momentos, a ter importante participa\u00e7\u00e3o e indiscut\u00edvel lideran\u00e7a nas lutas dos trabalhadores nas f\u00e1bricas, conseguindo alcan\u00e7ar sucesso na organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. (Idem, 2012) Entretanto, quais eram as propostas em torno das quais se dava esse trabalho de organiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A pesquisa da atua\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia comunista no Sindicato dos Metal\u00fargicos do Rio de Janeiro revela que a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do PCB, marcada pela concep\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica nacional-libertadora, levou a que, no \u00e2mbito do referido setor metal\u00fargico, os comunistas priorizassem a alian\u00e7a com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), fundado por Vargas em 1945. Na pr\u00e1tica, tratava-se da alian\u00e7a com Benedito Cerqueira, importante lideran\u00e7a desse partido no Sindicato dos Metal\u00fargicos do Rio de Janeiro. (Idem) \u201cO crescimento de poder de fogo dos comunistas no interior da categoria e da dire\u00e7\u00e3o sindical, que atingiu o maior \u00edndice da hist\u00f3ria, acabou sendo dilu\u00eddo devido \u00e0 pol\u00edtica de unidade que, contraditoriamente, o havia possibilitado\u201d (idem: 213). Em nome da unidade com os trabalhistas, os militantes comunistas foram levados a seguir uma orienta\u00e7\u00e3o reformista, de car\u00e1ter nacionalista burgu\u00eas. Tanto as diretrizes do PCB quanto as que eram adotadas pelo PTB tinham a marca da ideologia do\u00a0<em>nacional-desenvolvimentismo<\/em>, corrente, que, a partir dos anos 1950, teve ampla aceita\u00e7\u00e3o, por parte de expressivos setores do pensamento brasileiro, inclusive, tacitamente, por parte dos comunistas. (Prestes, 2010: 55-59)<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de uma efetiva autonomia pol\u00edtica e organizacional \u2013 resultante de uma concep\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica inadequada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es brasileiras &#8211; condicionou a atua\u00e7\u00e3o dos comunistas, impedindo-os de avan\u00e7ar no sentido da forma\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>bloco hist\u00f3rico <\/em>&#8211; ou do\u00a0<em>sujeito-povo<\/em> &#8211; ou, em outras palavras, das for\u00e7as sociais e pol\u00edticas capazes de impulsionar a realiza\u00e7\u00e3o das Reformas de Base, colocadas em pauta naqueles anos e, nesse processo, preparar as condi\u00e7\u00f5es para avan\u00e7ar rumo \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter revolucion\u00e1rio, que apontassem para a conquista do poder pol\u00edtico e a transi\u00e7\u00e3o para o socialismo.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do desenrolar dos acontecimentos que tiveram como desfecho o golpe de 31\/3\/1964 e a deposi\u00e7\u00e3o do governo de Jo\u00e3o Goulart justifica plenamente a opini\u00e3o de Waldir Pires, ent\u00e3o consultor-geral da Rep\u00fablica, emitida 20 anos mais tarde: \u201cHavia muito mais a ret\u00f3rica dos discursos do que propriamente uma a\u00e7\u00e3o organizada para preservar o processo democr\u00e1tico\u201d (Moraes, 1989: 198).<\/p>\n<p>As concep\u00e7\u00f5es nacional-libertadoras, presentes tanto na estrat\u00e9gia pol\u00edtica do PCB quanto em grande parte do discurso das for\u00e7as nacionalistas e de esquerda, sob a influ\u00eancia dominante da ideologia nacional-desenvolvimentista, alimentaram as ilus\u00f5es num hipot\u00e9tico anti-imperialismo de uma suposta burguesia nacional[5] e na possibilidade de \u2013 sob a press\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es das for\u00e7as nacionalistas e democr\u00e1ticas e, em particular, do movimento sindical \u2013 levar o presidente Jo\u00e3o Goulart a realizar reforma ministerial que permitisse o estabelecimento de um\u00a0<em>governo nacionalista e democr\u00e1tico<\/em> e a implementa\u00e7\u00e3o das Reformas de Base. Cogitava-se ainda de uma reforma constitucional, mesmo que para tal fosse necess\u00e1rio passar por cima do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias pr\u00e1ticas da presen\u00e7a de uma concep\u00e7\u00e3o reformista da revolu\u00e7\u00e3o por etapas, ou seja, da id\u00e9ia de alcan\u00e7ar um\u00a0<em>governo nacionalista e democr\u00e1tico<\/em> dentro dos marcos do regime capitalista \u2013 etapa que seria necess\u00e1ria para prosseguir na luta pela realiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista \u2013 pouco diferiam das consequ\u00eancias oriundas do voluntarismo, da impaci\u00eancia e da pressa dos adeptos das concep\u00e7\u00f5es esquerdistas, t\u00edpicas dos setores pequeno-burgueses. Ambas as concep\u00e7\u00f5es \u2013 a reformista de direita e a do radicalismo esquerdista \u2013 dificultaram a organiza\u00e7\u00e3o e a conscientiza\u00e7\u00e3o das massas trabalhadoras, premissa necess\u00e1ria para a conquista do poder e a realiza\u00e7\u00e3o das reformas necess\u00e1rias para iniciar outro tipo de desenvolvimento, livre e independente e voltado, portanto, para uma transforma\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter socialista, mesmo que n\u00e3o fosse de imediato.<\/p>\n<p>Uma abordagem autocr\u00edtica da estrat\u00e9gia dos processos revolucion\u00e1rios em duas etapas, adotada pelos comunistas latino-americanos, foi feita com grande clarivid\u00eancia pelo l\u00edder revolucion\u00e1rio e dirigente do Partido Comunista Salvadorenho Schafik Handal:<\/p>\n<p style=\"margin-left: 60px;\">(&#8230;) N\u00e3o pode haver revolu\u00e7\u00e3o sem resolver a fundo o problema do poder.(&#8230;) Nosso partido, e me parece que muitos outros partidos comunistas da Am\u00e9rica Latina, temos trabalhado durante dec\u00eanios com a id\u00e9ia de duas revolu\u00e7\u00f5es (&#8230;).Reagimos tantas e tantas vezes contra a coloca\u00e7\u00e3o esquerdista da luta pela implanta\u00e7\u00e3o direta, sem est\u00e1gios, do socialismo e chegamos a nos convencer de que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma tarefa a ser organizada e promovida principalmente por n\u00f3s. Que poder\u00edamos nos limitar e nos conformarmos em ser for\u00e7a de apoio e assegurar a amplitude do leque das for\u00e7as democr\u00e1ticas participante. Assim, a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica anti-imperialista se nos apresentava como uma \u201cvia de aproxima\u00e7\u00e3o\u201d, que pode alcan\u00e7ar-se deixando na dianteira da a\u00e7\u00e3o setores \u201cprogressistas\u201d, \u201canti-imperialistas\u201d, das camadas m\u00e9dias (da intelectualidade, dos militares, etc.) e at\u00e9 da burguesia. (&#8230;)\u00a0<em>O que surge de tal conduta n\u00e3o \u00e9 nem pode ser o partido da revolu\u00e7\u00e3o mas sim o partido das reformas<\/em>.(&#8230;)[6]<\/p>\n<p>A seguir Handal escrevia:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">Se aceitamos que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e anti-imperialista \u00e9 parte insepar\u00e1vel da revolu\u00e7\u00e3o socialista, n\u00e3o se pode realizar a revolu\u00e7\u00e3o tomando pacificamente o poder por partes, ser\u00e1 indispens\u00e1vel sob uma ou outra foram, desmantelar a m\u00e1quina estatal dos capitalistas e seus amos imperialistas, erigir um novo poder e um novo estado.\u00a0(Idem)<\/p>\n<p>Embora Jango tivesse avan\u00e7ado no intento de realizar as reformas \u2013 e isso ficou patente no com\u00edcio de 13 de mar\u00e7o de 1964 -, o golpe militar, com amplo apoio civil, foi arquitetado para garantir o sucesso do seu desfecho. Jango ficara isolado, sem contar com bases organizadas que o sustentassem, pois nas pr\u00f3prias For\u00e7as Armadas a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as deixara de lhe ser favor\u00e1vel, diferentemente do que tivera lugar quando da ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, revelando que setores ponder\u00e1veis dos militares nacionalistas haviam sido influenciados pela intensa campanha anticomunista desencadeada pelos golpistas. A amea\u00e7a de Jango romper com a legalidade constitucional ajudou a desarticular seu \u201cdispositivo militar\u201d[7].<\/p>\n<p>Cabe registrar que, para o isolamento do presidente Jo\u00e3o Goulart, tiveram influ\u00eancia as press\u00f5es sobre ele exercidas de setores radicalizados, portadores de uma ret\u00f3rica esquerdizante, sem o respaldo, contudo, de um movimento popular capaz de lhe oferecer\u00a0 sustenta\u00e7\u00e3o real. Logo ap\u00f3s o com\u00edcio de 13 de mar\u00e7o, Darcy Ribeiro, Chefe da Casa Civil, transmitiu \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do PCB c\u00f3pia de documento intitulado\u00a0<em>Projeto Brasil<\/em>, de car\u00e1ter bastante radical, que Jango n\u00e3o desejava encaminhar ao Congresso sem o apoio dos comunistas. Prestes, contr\u00e1rio ao documento,[8]conta que o assunto foi discutido na Comiss\u00e3o Executiva, que o aprovou, considerando que deveria ser ainda mais radical. Esta era a posi\u00e7\u00e3o de Carlos Marighella e M\u00e1rio Alves. Darcy Ribeiro teria ficado radiante com o apoio do PCB. Na opini\u00e3o de Prestes, sua postura era evidentemente esquerdista. O\u00a0<em>Projeto Brasil<\/em>, encaminhado ao Congresso Nacional, n\u00e3o chegou a ser discutido.[9]<\/p>\n<p>Diante do isolamento de Goulart e das for\u00e7as nacionalistas e democr\u00e1ticas, seria suic\u00eddio para o PCB tentar reagir ao golpe atrav\u00e9s da luta armada. Naquele momento, a \u00fanica alternativa vi\u00e1vel foi o recuo para a clandestinidade, tentando manter, na medida do poss\u00edvel, a estrutura partid\u00e1ria. Na aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es reais para a vit\u00f3ria de um movimento revolucion\u00e1rio, a hist\u00f3ria mundial da luta de classes ensina que a solu\u00e7\u00e3o correta \u00e9 recuar. Em outubro de 1923, a dire\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Alem\u00e3o, ao tomar conhecimento de que a maioria dos delegados oper\u00e1rios, que eram socialistas de esquerda, rejeitara a proposta comunista de deflagrar insurrei\u00e7\u00e3o armada na Alemanha, agiu com acerto suspendendo a decis\u00e3o adotada anteriormente. Em Hamburgo, onde a determina\u00e7\u00e3o de recuar n\u00e3o chegou a tempo, durante tr\u00eas dias travou-se uma encarni\u00e7ada luta contra a pol\u00edcia e o ex\u00e9rcito, sem que as massas prolet\u00e1rias da cidade apoiassem ativamente os insurretos, demonstrando que o proletariado alem\u00e3o, naquele momento, n\u00e3o estava disposto a pegar em armas (Claudin, 1970: 106-107).<\/p>\n<p>A tr\u00e1gica experi\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, que recorreram a diferentes formas de luta armada no combate \u00e0 ditadura, demonstrou na pr\u00e1tica que inexistiam condi\u00e7\u00f5es para tal no Brasil de ent\u00e3o. Durante o per\u00edodo de relativas liberdades anterior ao golpe reacion\u00e1rio de mar\u00e7o de 1964, as esquerdas haviam subestimado tanto a necessidade de elabora\u00e7\u00e3o program\u00e1tica quanto o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o e de conscientiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as populares para levar adiante o processo revolucion\u00e1rio no pa\u00eds. Com o estabelecimento da ditadura, o esfor\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o das massas ficaria muito mais demorado e dif\u00edcil.<\/p>\n<p>A derrota das esquerdas em 1964 traz ensinamentos que continuam v\u00e1lidos na atualidade: o caminho da revolu\u00e7\u00e3o, cuja estrat\u00e9gia hoje deve ser socialista, passa pela constru\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>bloco hist\u00f3rico<\/em> contra-hegem\u00f4nico, que represente a unidade de amplas for\u00e7as sociais e pol\u00edticas em torno de um projeto revolucion\u00e1rio condizente com a realidade atual do Pa\u00eds. Tal projeto dever\u00e1 resultar das lutas dos trabalhadores e da sua organiza\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar objetivos parciais que possam contribuir para acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es \u2013 inclusive a forma\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos revolucion\u00e1rios &#8211; para a conquista do poder pol\u00edtico, objetivo sem o qual o processo revolucion\u00e1rio ficaria inconcluso e sujeito a novas derrotas.<\/p>\n<p><strong>*Anita Leocadia Prestes \u00e9 professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes (<\/strong><a href=\"http:\/\/www.ilcp.org.br\/\" target=\"_blank\"><strong>www.ilcp.org.br<\/strong><\/a><strong>).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>BIGNAMI, Ariel.\u00a0<em>El pensamiento de Gramsci: una introduccion<\/em>. 2\u00aa ed. Buenos Aires, Editorial El Folleto, s.d.<\/p>\n<p>_____________.\u00a0<em>Intelectuales &amp; revoluci\u00f3n o el tigre azul<\/em>. Buenos Aires, Acerc\u00e1ndonos Ediciones, 2009.<\/p>\n<p>CARONE, Edgard.\u00a0<em>O P.C.B. (1964-1982)<\/em>. Volume 3. S\u00e3o Paulo, Difel, 1982.<\/p>\n<p>CLAUDIN, Fernando.\u00a0<em>La crisis del movimiento comunista<\/em>. Tomo 1. Fran\u00e7a, Ediciones Ruedo Ib\u00e9rico, 1970.<\/p>\n<p>GRAMSCI, Ant\u00f4nio.\u00a0<em>Cadernos do c\u00e1rcere<\/em>. 2\u00aa ed. Volume 1. Rio de Janeiro, Ed. Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2001.<\/p>\n<p>_____________.\u00a0<em>Escritos Pol\u00edticos<\/em>. 2 volumes. Rio de Janeiro, Ed. Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2004.<\/p>\n<p>MORAES, Denis.\u00a0<em>A Esquerda e o golpe de 64: vinte e cinco anos depois, as for\u00e7as populares repensam seus mitos, sonhos e ilus\u00f5es<\/em>. Rio de Janeiro, Espa\u00e7o e Tempo, 1989.<\/p>\n<p>MUNHOZ, Sidnei. \u201cGuerra Fria: um debate interpretativo\u201d.\u00a0<em>In<\/em>: Da Silva, Francisco Carlos Teixeira (org.).\u00a0<em>O s\u00e9culo sombrio: guerras e revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX<\/em>. Rio de Janeiro, Elsevier, p. 239 a 259, 2004.<\/p>\n<p>PRESTES, Anita Leocadia. \u201cA que heran\u00e7a devem os comunistas renunciar?\u201d\u00a0<em>Oitenta<\/em>, Porto Alegre, LP&amp;M, n.4, 1980, p. 197-223.<\/p>\n<p>_____________.\u00a0<em>Da insurrei\u00e7\u00e3o armada (1935) \u00e0 \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d (1938-1945): a virada t\u00e1tica na pol\u00edtica do PCB.<\/em> S\u00e3o Paulo, Paz e Terra, 2001.<\/p>\n<p>_____________.\u00a0<em>Os comunistas brasileiros (1945-1956\/1958): Luiz Carlos Prestes e a pol\u00edtica do PCB.<\/em> S\u00e3o Paulo, Brasiliense, 2010.<\/p>\n<p>_____________. \u201cAnt\u00f4nio Gramsci e o of\u00edcio do historiador comprometido com as lutas populares\u201d,\u00a0<em>Revista de Hist\u00f3ria Comparada<\/em>, v.4, n.3, dez.2010a, p. 6-18.<\/p>\n<p>_____________.\u00a0<em>Luiz Carlos Prestes: o combate por um partido revolucion\u00e1rio (1958-1990).<\/em> S\u00e3o Paulo, Ed. Express\u00e3o Popular, 2012.<\/p>\n<p>SANTANA, Marco Aur\u00e9lio.\u00a0<em>Bravos companheiros: comunistas e metal\u00fargicos no Rio de Janeiro (1945\/1964)<\/em>. Rio de Janeiro, 7 Letras, 2012,<\/p>\n<p>VIZENTINI, Paulo G. Fagundes. \u201cA Guerra Fria\u201d. In: REIS FILHO, Daniel Aar\u00e3o et alii (org.).\u00a0<em>O s\u00e9culo XX<\/em>. V.2. Rio de Janeiro, Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, p. 195 a 225, 2000.<\/p>\n<hr \/>\n<p>[1] O golpe teve in\u00edcio no dia 31\/3, embora a deposi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart s\u00f3 tenha ocorrido na noite de 1\u00ba para 2 de abril.<\/p>\n<p>[2] <em>Tribuna Popular<\/em>, RJ, 27\/6\/1946, p. 1.<\/p>\n<p>[3] Cf. GRAMSCI (2004, v.2: 129-402).<\/p>\n<p>[4] <em>Sujeito-povo<\/em>: categoria empregada por alguns intelectuais latino-americanos, relacionada com o conceito gramsciano de\u00a0<em>bloco hist\u00f3rico<\/em>, ou seja,\u00a0<em>sujeito-povo<\/em> expressa n\u00e3o s\u00f3 a soma num\u00e9rica de diversos setores sociais, mas tamb\u00e9m \u00e9 portador de novos valores culturais e constitui uma alternativa de poder (cf., por exemplo, BIGNAMI, 2009: 23, 26, 28 e 107).<\/p>\n<p>[5] As ilus\u00f5es no \u201cdispositivo militar\u201d de Jango faziam parte de tal concep\u00e7\u00e3o nacional-libertadora.<\/p>\n<p>[6] HANDAL, Schafik. \u201cO poder, o car\u00e1ter, a vida da revolu\u00e7\u00e3o e a unidade da esquerda\u201d, FMNL, in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, 15 p\u00e1ginas (acessado via Internet); grifos meus.<\/p>\n<p>[7] \u201cDispositivo militar\u201d \u2013 denomina\u00e7\u00e3o atribu\u00edda \u00e0 \u00e9poca aos setores militares que supostamente dariam sustenta\u00e7\u00e3o ao governo Jo\u00e3o Goulart, impedindo sua deposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[8] L. C. Prestes, naquele per\u00edodo, ainda apoiava a estrat\u00e9gia nacional-libertadora do PCB, da qual iria afastar-se posteriormente.<\/p>\n<p>[9] LCP (entrevistas concedidas por Luiz Carlos Prestes a Anita Leocadia Prestes e Marly de Almeida Gomes Vianna, gravadas em fita magn\u00e9tica e transcritas; RJ, 1981-83). LCP, fita n\u00ba XV.<\/p>\n<p>&#8211; See more at: <a href=\"http:\/\/www.cclcp.org\/index.php\/inicio-pclcp\/formacao\/471-o-pcb-e-o-golpe-civil-militar-de-31-3-1964-por-que-as-esquerdas-foram-derrotadas#sthash.0rDAVVVs.dpuf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cclcp.org\/index.php\/inicio-pclcp\/formacao\/471-o-pcb-e-o-golpe-civil-militar-de-31-3-1964-por-que-as-esquerdas-foram-derrotadas#sthash.0rDAVVVs.dpuf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Anita Leocadia Prestes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5975\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-5975","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1yn","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5975","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5975"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5975\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}