{"id":5978,"date":"2014-03-17T20:00:41","date_gmt":"2014-03-17T20:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5978"},"modified":"2014-03-17T20:00:41","modified_gmt":"2014-03-17T20:00:41","slug":"a-promover-o-imperio-da-america-golpe-pilhagem-e-duplicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5978","title":{"rendered":"A promover o imp\u00e9rio da Am\u00e9rica: Golpe, pilhagem e duplicidade"},"content":{"rendered":"\n<p>O regime Obama, em coordena\u00e7\u00e3o com seus aliados servi\u00e7ais, relan\u00e7ou uma virulenta campanha de \u00e2mbito mundial para destruir governos independentes, cercar e finalmente subverter competidores globais, e estabelecer uma nova ordem mundial centrada nos EUA-UE.<\/p>\n<p>Prosseguiremos com a identifica\u00e7\u00e3o dos &#8220;ciclos&#8221; recentes da constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio estado-unidense; os avan\u00e7os e recuos; os m\u00e9todos e estrat\u00e9gias; os resultados e perspectivas. Nosso foco principal \u00e9 na din\u00e2mica imperial que conduz os EUA rumo a maiores confronta\u00e7\u00f5es militares, at\u00e9 e incluindo condi\u00e7\u00f5es que podem levar a uma guerra mundial.<\/p>\n<p><strong>Ciclos imperiais recentes <\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio estadunidense n\u00e3o tem sido um processo linear. As d\u00e9cadas recentes apresentaram amplas evid\u00eancias de experi\u00eancias contradit\u00f3rias. Sumariamente podemos identificar v\u00e1rias fases nas quais a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio experimentou avan\u00e7os amplos e recuos dr\u00e1sticos \u2013 com as devidas cautelas. Estamos a examinar processos globais, nos quais tamb\u00e9m h\u00e1 contra-tend\u00eancias limitadas. Em meio a avan\u00e7os imperiais em grande escala, regi\u00f5es particulares, pa\u00edses ou movimentos resistiram com \u00eaxito ou mesmo reverteram a investida imperial. Em segundo lugar, a natureza c\u00edclica da constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio de modo algum p\u00f5e em d\u00favida o car\u00e1cter imperial do estado e da economia e seu implac\u00e1vel impulso para dominar, explorar e acumular. Em terceiro lugar, os m\u00e9todos e estrat\u00e9gicas que dirigem cada avan\u00e7o imperial diferem de acordo com mudan\u00e7as nos pa\u00edses alvo.<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos trinta anos podemos identificar tr\u00eas fases na constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>O avan\u00e7o imperial da d\u00e9cada de 1980 a 2000 <\/strong><\/p>\n<p>No per\u00edodo aproximadamente de meados da d\u00e9cada de 1980 ao ano 2000, a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio expandiu-se a uma escala global.<\/p>\n<p><strong>(A) Expans\u00e3o imperial nas antigas regi\u00f5es comunistas. <\/strong>Os EUA e a UE penetraram e hegemonizaram a Europa do Leste; desintegraram e pilharam a R\u00fassia e a URSS; privatizaram e desnacionalizaram centenas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares do valor de empresas p\u00fablicas, meios de comunica\u00e7\u00e3o social e bancos, incorporaram bases militares por todas a Europa do Leste na OTAN (NATO) e estabeleceram regimes sat\u00e9lites como c\u00famplices volunt\u00e1rios em conquistas imperiais na \u00c1frica, M\u00e9dio Oriente e \u00c1sia.<\/p>\n<p><strong>(B) Expans\u00e3o imperial na Am\u00e9rica Latina. <\/strong>A partir do princ\u00edpio da d\u00e9cada de 1980 at\u00e9 o fim do s\u00e9culo, a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio avan\u00e7ou por toda a Am\u00e9rica Latina sob a f\u00f3rmula de &#8220;mercados livre e elei\u00e7\u00f5es livres&#8221;.<\/p>\n<p>Desde o M\u00e9xico at\u00e9 a Argentina, regime neoliberais, centrados no imp\u00e9rio, privatizaram desnacionalizaram mais de 5000 empresas p\u00fablicas e bancos, beneficiando multinacionais dos EUA e da UE. L\u00edderes pol\u00edticos alinharam-se com os EUA em f\u00f3runs internacionais. Generais latino-americanos responderam favoravelmente a opera\u00e7\u00f5es militares centradas nos EUA. Banqueiros extra\u00edram milhares de milh\u00f5es em pagamentos de d\u00edvida e lavaram muitos milhares de milh\u00f5es mais de dinheiro il\u00edcito. O &#8220;North American Free Trade Agreement&#8221;, com a amplitude do continente e centrado nos EUA, pareceu avan\u00e7ar de acordo com o programa.<\/p>\n<p><strong>(C) Avan\u00e7os imperiais na \u00c1sia e na \u00c1frica. <\/strong>Regimes comunistas e nacionalistas deixaram cair suas pol\u00edticas de esquerda e anti-imperialistas e abriram suas sociedades e economias \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o capitalista. Em \u00c1frica, dois pa\u00edses &#8220;de esquerda&#8221;, Angola e a \u00c1frica do Sul no p\u00f3s apartheid adotaram &#8220;pol\u00edticas de mercado livre&#8221;.<\/p>\n<p>Na \u00c1sia, a China e Indochina moveram-se decisivamente em dire\u00e7\u00e3o a estrat\u00e9gias capitalistas de desenvolvimento; investimento estrangeiro, privatiza\u00e7\u00f5es e explora\u00e7\u00e3o intensa do trabalho substitu\u00edram o igualitarismo colectivista e o anti-imperialismo. A \u00cdndia e outros estados capitalistas, como Coreia do Sul, Formosa e Jap\u00e3o, liberalizaram suas economias. Avan\u00e7os imperiais foram acompanhados por maior volatilidade econ\u00f4mica, um agu\u00e7amento da luta de classe e uma abertura do processo eleitoral para acomodar fac\u00e7\u00f5es capitalistas competidoras.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio expandiu-se sob o slogan de &#8220;livres mercados e elei\u00e7\u00f5es justas&#8221; \u2013 mercados dominados por multinacionais gigantes e elei\u00e7\u00f5es, as quais asseguram os \u00eaxitos da elite.<\/p>\n<p><strong>Recuos e reveses imperiais: 2000-2008 <\/strong><\/p>\n<p>Os custos brutais do avan\u00e7o do imp\u00e9rio levaram a uma contra-tend\u00eancia global, uma onda de levantamentos anti-neoliberais e de resist\u00eancia militar a invas\u00f5es dos EUA. Entre 2000 e 2008 a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio esteve sob s\u00edtio e em recuo.<\/p>\n<p><strong>R\u00fassia e China desafiam o imp\u00e9rio <\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio estadounidense cessou a sua expans\u00e3o e conquista em duas regi\u00f5es estrat\u00e9gicas: a R\u00fassia e a \u00c1sia. Sob a lideran\u00e7a do presidente Vladimir Putin, o estado russo foi reconstru\u00eddo; a pilhagem e desintegra\u00e7\u00e3o foram revertidas. A economia foi aparelhada para o desenvolvimento interno. Os militares foram integrados num sistema de defesa nacional e seguran\u00e7a. A R\u00fassia mais uma vez tornou-se um grande ator na pol\u00edtica regional e internacional.<\/p>\n<p>A viragem da China rumo ao capitalismo foi acompanhada por uma presen\u00e7a din\u00e2mica do estado e um papel direto na promo\u00e7\u00e3o do crescimento a dois d\u00edgitos durante duas d\u00e9cadas: a China tornou-se a segunda maior economia do mundo, deslocando os EUA como o grande parceiro comercial na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina. O imp\u00e9rio econ\u00f4mico dos EUA estava em retirada.<\/p>\n<p><strong>Am\u00e9rica Latina: o fim do imp\u00e9rio neoliberal <\/strong><\/p>\n<p>O neoliberalismo e a integra\u00e7\u00e3o centrada nos EUA levou \u00e0 pilhagem, crises econ\u00f4micas e grandes levantamentos populares, provocando a ascens\u00e3o de novos regimes de centro-esquerda e esquerda. Administra\u00e7\u00f5es &#8220;p\u00f3s neoliberais&#8221; emergiram na Bol\u00edvia, Venezuela, Equador, Brasil, Argentina, Am\u00e9rica Central e Uruguai. Os construtores do imp\u00e9rio estadunidense sofreram v\u00e1rias derrotas estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os dos EUA para assegurar um acordo de livre com\u00e9rcio de \u00e2mbito continental foram deixados de lado e substitu\u00eddos por organiza\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o regional que excluem os EUA e o Canad\u00e1. Em substitui\u00e7\u00e3o, Washington assinou acordos bilaterais com o M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Chile, Panam\u00e1 e Peru.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina diversificou seus mercados na \u00c1sia e na Europa: a China substituiu os EUA como seu principal parceiro comercial. Estrat\u00e9gias de desenvolvimento extractivo e altos pre\u00e7os das commodities financiaram maior despesa social e independ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Nacionaliza\u00e7\u00f5es seletivas, regula\u00e7\u00e3o estatal acrescida e renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvida enfraqueceram a alavancagem dos EUA sobre as economias latino-americanas. A Venezuela, sob o presidente Hugo Chavez, desafiou com \u00eaxito a hegemonia dos EUA no Caribe atrav\u00e9s de organiza\u00e7\u00f5es regionais. Economias do Caribe alcan\u00e7aram maior independ\u00eancia e viabilidade econ\u00f4mica atrav\u00e9s da ades\u00e3o \u00e0 PETROCARIBE, um programa atrav\u00e9s do qual recebiam petr\u00f3leo da Venezuela a pre\u00e7os subsidiados. Pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e andino aumentaram a sua seguran\u00e7a e com\u00e9rcio atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o regional ALBA. A Venezuela proporcionou um modelo de desenvolvimento alternativo \u00e0 abordagem neoliberal centrada nos EUA, na qual os ganhos da economia extractiva financiaram programas sociais em grande escala.<\/p>\n<p>Desde o fim da administra\u00e7\u00e3o Clinton at\u00e9 o fim da administra\u00e7\u00e3o Bush, o imp\u00e9rio econ\u00f3mico estava em recuo. O imp\u00e9rio perdeu mercados asi\u00e1ticos e latino-americanos para a China. A Am\u00e9rica Latina ganhou maior independ\u00eancia pol\u00edtica. O M\u00e9dio Oriente tornou-se &#8220;terreno contestado&#8221;. Um estado russo revisto e mais forte op\u00f4s-se a novas intrus\u00f5es nas suas fronteiras. A resist\u00eancia militar e derrotas no Afeganist\u00e3o, Som\u00e1lia, Iraque e L\u00edbano desafiaram a domin\u00e2ncia estado-unidense.<\/p>\n<p><strong>Ofensiva imperial: Avan\u00e7a o imp\u00e9rio de Obama <\/strong><\/p>\n<p>Todo o mandato do regime Obama tem sido dedicado a reverter o recuo da constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio. Para este fim Obama desenvolveu primariamente uma estrat\u00e9gia militar de (1) confronta\u00e7\u00e3o e envolvimento da China e da R\u00fassia, (2) minagem e derrube de governos independente na Am\u00e9rica Latina e reimposi\u00e7\u00e3o de regimes clientes neoliberais, e (3) lan\u00e7amento encoberto e assaltos militares abertos a regimes independentes por toda a parte.<\/p>\n<p>A ofensiva de constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio do s\u00e9culo XXI difere daquela da d\u00e9cada anterior em v\u00e1rios aspectos cruciais: As doutrinas econ\u00f4micas neoliberais est\u00e3o desacreditadas e os eleitorados n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o facilmente convencidos dos benef\u00edcios de cair sob a hegemonia dos EUA. Por outras palavras, os construtores do imp\u00e9rio n\u00e3o podem confiar na diplomacia, em elei\u00e7\u00f5es e na propaganda do livre mercado para expandir o seu bra\u00e7o imperial como faziam na d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Para reverter o recuo e avan\u00e7ar a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio no s\u00e9culo XXI, Washington percebeu que tinha de confiar na for\u00e7a e na viol\u00eancia. O regime Obama destinou milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares para financiar armas para mercen\u00e1rios, sal\u00e1rios para combatentes de ruas e despesas de clientes empenhados em desestabilizar campanhas eleitorais advers\u00e1rias. Duplicidade diplom\u00e1tica e acordos rompidos substitu\u00edram ajustes negociados \u2013 numa grande escala.<\/p>\n<p>Ao longo de todo o mandato de Obama nem um \u00fanico avan\u00e7o imperial foi assegurado atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es, acordos diplom\u00e1ticos ou negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A presid\u00eancia Obama procurou e assegurou a massifica\u00e7\u00e3o da rede de espionagem global (NSA) e os assassinatos quase di\u00e1rios de advers\u00e1rios pol\u00edticos atrav\u00e9s de drones e por outros meios. Opera\u00e7\u00f5es encobertas de assass\u00ednio das US Special Forces expandiram-se por todo o mundo. Obama assumiu prerrogativas ditatoriais, incluindo o poder de ordenar o assassinato arbitr\u00e1rio de cidad\u00e3os dos EUA.<\/p>\n<p>O desdobramento do esfor\u00e7o global do regime Obama para deter o recuo imperial e relan\u00e7ar a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio foi montada quase exclusivamente sobre instrumentos militares: servi\u00e7ais armados, assaltos a\u00e9reos, golpes e tomadas de poder putschistas. Brutamontes, popula\u00e7a, terroristas isl\u00e2micos, militaristas sionistas e uma mix\u00f3rdia de retr\u00f3grados assassinos separatistas foram as ferramentas do avan\u00e7o do imp\u00e9rio. A escolha de servi\u00e7ais imperiais variou conforme o momento e as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>Confrontando e degradando a China: <\/strong><\/p>\n<p><strong>Envolvimento militar e exclus\u00e3o econ\u00f4mica <\/strong><\/p>\n<p>Confrontado com a perda de mercados e os desafios da China como competidor global, Washington desenvolveu duas importantes linhas de ataque: 1. Uma estrat\u00e9gia econ\u00f4mica destinada a aprofundar a integra\u00e7\u00e3o de pa\u00edses asi\u00e1ticos e latino-americanos num pacto de livre com\u00e9rcio que exclui a China (o Trans Pacific Trade Agreement); e 2. Um plano militar concebido pelo Pent\u00e1gono de Batalha Ar-Mar, o qual tem a China continental como alvo com um assalto a\u00e9reo e com m\u00edsseis em plena escala se a atual estrat\u00e9gia de Washington de controlar o com\u00e9rcio mar\u00edtimo vital da China falhar (FT, 10\/Fev\/14). Apesar de a estrat\u00e9gia de ofensiva militar ainda estar na mesa de desenho do Pent\u00e1gono, o regime Obama est\u00e1 a acumular uma armada mar\u00edtima a escassas milhas da costa chinesa, a expandir suas bases militares nas Filipinas, Austr\u00e1lia e Jap\u00e3o e a apertar o n\u00f3 em torno das rotas mar\u00edtimas estrat\u00e9gicas da China para importa\u00e7\u00f5es vitais como petr\u00f3leo, g\u00e1s e mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n<p>Os EUA est\u00e3o a promover ativamente uma alian\u00e7a militar indo-japonesa como parte da sua estrat\u00e9gia de envolvimento da China. Manobras militares conjuntas, coordena\u00e7\u00e3o militar em alto n\u00edvel e reuni\u00f5es entre oficiais militares japoneses e indianos s\u00e3o encaradas pelo Pent\u00e1gono como avan\u00e7os estrat\u00e9gicos no isolamento da China e refor\u00e7o do controle dos EUA sobre rotas mar\u00edtimas da China para o M\u00e9dio Oriente, o Sudeste Asi\u00e1tico e mais al\u00e9m. A \u00cdndia, de acordo com um dos seus principais seman\u00e1rios, \u00e9 encarada &#8220;como um parceiro j\u00fanior dos EUA. A Indian Navy est\u00e1 a tornar-se rapidamente o chefe de pol\u00edcia do Oceano \u00cdndico e a depend\u00eancia militar indiana do complexo militar-industrial dos EUA \u00e9 crescente&#8230;&#8221; (Economic and Political Weekly (Mumbai), 15\/Fev\/14, p. 9. Os EUA tamb\u00e9m est\u00e3o a escalar o seu apoio a movimentos separatistas violentos na China, nomeadamente os tibetanos, uighurs e outros islamistas. A reuni\u00e3o de Obama com o Dalai Lama foi emblem\u00e1tica dos esfor\u00e7os de Washington para fomentar inquieta\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>A grosseira interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do embaixador estado-unidense cessante, Gary Locke, na pol\u00edtica interna chinesa \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de que a diplomacia n\u00e3o \u00e9 o principal instrumento de pol\u00edtica do regime Obama quando se trata da China. O embaixador Locke encontrou-se abertamente com separatistas uighurs e tibetanos e menosprezou publicamente os \u00eaxitos econ\u00f3micos e o sistema pol\u00edtica da China enquanto encorajava abertamente a oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (FT, 28\/Fev\/14, p. 2).<\/p>\n<p>A tentativa do regime Obama de promover o imp\u00e9rio na \u00c1sia atrav\u00e9s da confronta\u00e7\u00e3o militar e de pactos militares, os quais excluem a China, levou este pa\u00eds a desenvolver sua capacidade militar para evitar o estrangulamento mar\u00edtimo. A China responde \u00e0 amea\u00e7a comercial dos EUA avan\u00e7ando sua capacidade produtiva, diversificando suas rela\u00e7\u00f5es comerciais, aumentando seus la\u00e7os com a R\u00fassia e aprofundando seu mercado interno.<\/p>\n<p>At\u00e9 \u00e0 data, a temer\u00e1ria militariza\u00e7\u00e3o do Pac\u00edfico pelo regime Obama n\u00e3o levou a uma ruptura aberta nas rela\u00e7\u00f5es com a China, mas o caminho militar para avan\u00e7ar o imp\u00e9rio a expensas da China amea\u00e7a uma cat\u00e1strofe econ\u00f3mica global ou pior, uma guerra mundial.<\/p>\n<p><strong>Avan\u00e7o imperial: Isolando, cercando e degradando a R\u00fassia <\/strong><\/p>\n<p>Com a vinda do presidente Vladimir Putin e a reconstitui\u00e7\u00e3o do estado e da economia russa, os EUA perderam um cliente vassalo e uma fonte de pilhagem de riquezas. Os construtores do imp\u00e9rio de Washington continuaram a procurar a &#8220;coopera\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o&#8221; russa minando estados independentes, isolando a China e prosseguindo suas guerras coloniais. O estado russo, sob Putin e Medvedev, procurou acomodar os construtores de imp\u00e9rio estadunidenses atrav\u00e9s de acordos negociados, os quais promoveriam a posi\u00e7\u00e3o da R\u00fassia na Europa, reconheceriam fronteiras estrat\u00e9gicas russas e reconheceriam preocupa\u00e7\u00f5es russas de seguran\u00e7a. Contudo, a diplomacia russa conseguiu poucos ganhos e transit\u00f3rios ao passo que os EUA e a UE obtiveram grandes importantes ganhos com a cumplicidade e passividade russa.<\/p>\n<p>A agenda n\u00e3o declarada de Washington, especialmente com o impulso de Obama para relan\u00e7ar uma nova onda de conquistas imperiais, era minar o ressurgimento da R\u00fassia como um ator importante na pol\u00edtica mundial. A ideia estrat\u00e9gica era isolar a R\u00fassia, enfraquecer sua crescente presen\u00e7a internacional e retornar ao status de vassalo do per\u00edodo Yeltsin, se poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Desde a tomada da Europa do Leste pelos EUA-UE, dos estados dos Balc\u00e3s e B\u00e1lticos e sua transforma\u00e7\u00e3o em bases militares da NATO e estado capitalistas vassalos no princ\u00edpio da d\u00e9cada de 1990, at\u00e9 a penetra\u00e7\u00e3o e pilhagem da R\u00fassia durante os anos Yeltsin, o primeiro objetivo da pol\u00edtica ocidental tem sido estabelecer um imp\u00e9rio unipolar sob domina\u00e7\u00e3o estadunidense.<\/p>\n<p>A UE e os EUA actuaram para desmembrar a Jugosl\u00e1via em mini-estados subservientes. Eles ent\u00e3o bombardearam a S\u00e9rvia a fim de tomar o Kosovo, destruindo um dos poucos pa\u00edses independentes ainda aliados \u00e0 R\u00fassia. Os EUA ent\u00e3o avan\u00e7aram a fomentar levantamentos na Ge\u00f3rgia, Ucr\u00e2nia e Chechenia. Eles bombardearam, invadiram e posteriormente ocuparam o Iraque \u2013 um antigo aliado russo na regi\u00e3o do Golfo.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia condutora da pol\u00edtica estado-unidense era envolver e reduzir a R\u00fassia ao status de pot\u00eancia fraca, marginal, e minar os esfor\u00e7os de Vladimir Putin para restaurar a posi\u00e7\u00e3o da R\u00fassia como uma pot\u00eancia regional. Em 2008 o regime fantoche de Washington na Ge\u00f3rgia testou a t\u00eampera do estado russo ao lan\u00e7ar um assalto \u00e0 Oss\u00e9tia do Sul, matando pelo menos 10 russos das for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o da paz e ferindo centenas (para n\u00e3o mencionar milhares de civis). O ent\u00e3o presidente russo, Medvedev, respondeu com o envio das for\u00e7as armadas russas para repelir tropas georgianas e apoiar a independ\u00eancia da Abcazia e da Oss\u00e9tia do Sul.<\/p>\n<p>Os acordos diplom\u00e1ticos dos EUA com a R\u00fassia t\u00eam sido assim\u00e9tricos \u2013 a R\u00fassia devia concordar com a expans\u00e3o ocidental em troca de &#8220;aceita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;. A duplicidade vencia a diplomacia aberta. Apesar de acordos em contr\u00e1rio, bases e instala\u00e7\u00f5es de m\u00edsseis dos EUA foram estabelecidas por toda a Europa do Leste, apontando \u00e0 R\u00fassia, sob o pretexto de que estavam &#8220;realmente a apontar ao Ir\u00e3&#8221;. Mesmo quando a R\u00fassia protestou pela ruptura de acordos p\u00f3s Guerra Fria, o imp\u00e9rio ignorou queixas de Moscou e o envolvimento avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Num novo desastre diplom\u00e1tico, a R\u00fassia e a China assinaram no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas um acordo de autoria estadunidense para permitir \u00e0 NATO efetuar &#8220;voos humanit\u00e1rios&#8221; na L\u00edbia. A NATO imediatamente tomou isto como o &#8220;sinal verde&#8221; para atacar e converter a &#8220;interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria&#8221; numa devastadora campanha de bombardeamento a\u00e9reo que levou ao derrube do governo leg\u00edtimo da L\u00edbia e \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o como estado vi\u00e1vel e independente na \u00c1frica do Norte. Ao assinar na ONU o acordo &#8220;humanit\u00e1rio&#8221;, a R\u00fassia e a China perderam um governo amigo e um parceiro comercial na \u00c1frica! Anteriormente, os russos haviam permitido aos EUA transportar armas e tropas atrav\u00e9s a Federa\u00e7\u00e3o Russa para apoiar a invas\u00e3o estadunidense do Afeganist\u00e3o &#8230; sem nenhum ganho rec\u00edproco (exceto talvez uma ainda maior inunda\u00e7\u00e3o de hero\u00edna afeg\u00e3).<\/p>\n<p>Diplomatas russos concordaram com san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da ONU, de autoria de sionistas dos EUA, contra o n\u00e3o existente programa de armas nucleares do Ir\u00e3 &#8230; minando um aliado pol\u00edtico e um mercado lucrativo. Moscou acreditou que ao apoiar san\u00e7\u00f5es dos EUA contra o Ir\u00e3 e conceder rotas de transporte para o Afeganist\u00e3o no fim de 2001 receberia algumas &#8220;garantias de seguran\u00e7a&#8221; dos americanos em rela\u00e7\u00e3o a movimentos separatistas no C\u00e1ucaso. O governo americano &#8220;retribuiu&#8221; com novo apoio a l\u00edderes separatistas chechenos exilados nos EUA apesar das campanhas de terror em curso contra civis russos \u2013 at\u00e9 e mesmo depois da carnificina chechena de centenas de escolares e professores em Beslan em 2004&#8230;<\/p>\n<p>Com os EUA sob Obama a avan\u00e7arem no seu envolvimento da R\u00fassia na Eur\u00e1sia e no seu isolamento na \u00c1frica do Norte e M\u00e9dio Oriente, Putin finalmente decidiu tra\u00e7ar uma linha com o apoio ao \u00fanico aliado remanescente da R\u00fassia no M\u00e9dio Oriente, a S\u00edria. Putin pretendeu assegurar um fim negociado \u00e0 invas\u00e3o mercen\u00e1ria de Damasco apoiada por monarquias pr\u00f3 ocidentais do Golfo. Com pouco proveito: Os EUA e a UE aumentaram carregamentos de armas, treinadores militares e financiamentos aos 30 mil mercen\u00e1rios isl\u00e2micos com base na Jord\u00e2nia quando eles se empenhavam em ataques transfronteiri\u00e7os para derrubar o governo s\u00edrio.<\/p>\n<p>Washington e Bruxelas continuaram seu impulso imperial rumo ao centro da R\u00fassia ao organizarem e financiarem uma violenta tomada de poder (putsch) na Ucr\u00e2nia ocidental. O regime financiou uma coliga\u00e7\u00e3o de combatentes de rua neo-nazis armados e pol\u00edticos neoliberais, ao custo consider\u00e1vel de 5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, para derrubar o regime eleito. Os putschistas quiseram acabar com a autonomia da Crim\u00e9ia e romper tratados com acordos militares de longo prazo com a R\u00fassia. Sob enorme press\u00e3o do governo aut\u00f4nomo da Crim\u00e9ia e da vasta maioria da popula\u00e7\u00e3o e enfrentando a perda cr\u00edtica das suas instala\u00e7\u00f5es navais e militares no Mar Negro, Putin, finalmente, vigorosamente deslocou tropas russas num modo defensivo na Crim\u00e9ia.<\/p>\n<p>O regime Obama lan\u00e7ou uma s\u00e9rie de movimentos agressivos contra a R\u00fassia para isol\u00e1-la e escorar seu vacilante regime fantoche em Kiev: san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e expuls\u00f5es estavam na ordem do dia &#8230; a tomada da Ucr\u00e2nia por Obama assinalou o come\u00e7o de uma &#8220;nova Guerra Fria&#8221;. A captura da Ucr\u00e2nia faz parte da grande estrat\u00e9gia em curso de Obama de avan\u00e7o do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O sequestro do poder na Ucr\u00e2nia assinalou o maior desafio geopol\u00edtico para a exist\u00eancia cont\u00ednua do estado russo. Obama procura estender e aprofundar a varredura imperial atrav\u00e9s da Europa at\u00e9 o C\u00e1ucaso: o violento golpe no regime e a subsequente defesa do regime fantoche em Kiev s\u00e3o elementos chaves na minagem de um advers\u00e1rio chave \u2013 a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Depois de pretender &#8220;parceria&#8221; com a R\u00fassia, enquanto talhava seus aliados nos Balc\u00e3s e no M\u00e9dio Oriente durante as d\u00e9cadas anteriores, Obama fez o seu movimento mais audacioso e mais imprudente. Jogando fora todas as desculpas de coexist\u00eancia pac\u00edfica e acomoda\u00e7\u00e3o m\u00fatua, o regime Obama rompeu um acordo de poder partilhado com a R\u00fassia sobre a governa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia e apoiou o putsch neo-nazi.<\/p>\n<p>O regime Obama assumiu que tendo assegurado anteriormente a anu\u00eancia da R\u00fassia face ao avan\u00e7o do poder imperial no Afeganist\u00e3o, Iraque, L\u00edbia e regi\u00e3o do Golfo, os construtores de imp\u00e9rio de Washington tomaram a fat\u00eddica decis\u00e3o de testar a R\u00fassia na sua mais estrat\u00e9gica regi\u00e3o geopol\u00edtica, uma regi\u00e3o que afeta diretamente o povo russo e seus ativos militares mais estrat\u00e9gicos. A R\u00fassia reagiu na \u00fanica linguagem entendida em Washington e Bruxelas: com uma importante mobiliza\u00e7\u00e3o militar. O avan\u00e7o de Obama com &#8220;t\u00e1ticas de constru\u00e7\u00e3o de imp\u00e9rio via salame&#8221; e duplicidade diplom\u00e1tica est\u00e1 a aproximar-se do fim.<\/p>\n<p><strong>O avan\u00e7o do imp\u00e9rio no M\u00e9dio Oriente e Am\u00e9rica Latina <\/strong><\/p>\n<p>O avan\u00e7o imperial da d\u00e9cada de 1990 chegou ao fim nos meados da primeira d\u00e9cada do novo mil\u00eanio. Derrotas no Afeganist\u00e3o, retirada do Iraque, a morte de regimes fantoches no Egito e na Tun\u00edsia, perda de elei\u00e7\u00f5es na Ucr\u00e2nia e a derrota e afundamento de regimes neoliberais pr\u00f3 EUA na Am\u00e9rica Latina foram exacerbadas por uma crise econ\u00f4mica profunda nos centros imperiais da Europa e da Wall Street.<\/p>\n<p>Obama tinha poucas op\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e pol\u00edticas para avan\u00e7ar o imp\u00e9rio. Mas o seu regime estava determinado a acabar com o recuo e avan\u00e7ar o imp\u00e9rio; ele recorreu a t\u00e1cticas e estrat\u00e9gias mais parecidas com as do s\u00e9culo XIX colonial e de regimes totalit\u00e1rios do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos foram violentos \u2013 o militarismo foi o eixo a pol\u00edtica. Mas numa \u00e9poca de exaust\u00e3o imperial interna, novas t\u00e1cticas militares substitu\u00edram for\u00e7as invasoras em grande escala sobre o terreno. Mercen\u00e1rios armados por procura\u00e7\u00e3o ganharam o centro do palco no derrube dos regimes alvejados pelos EUA. Afinidades pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas foram subsumidas sob o eufemismo gen\u00e9rico de &#8220;rebeldes&#8221;. Os mass media alternavam entre pressionar por maior escala militar e endossar o n\u00edvel existente de guerra imperial. Todo o espectro pol\u00edtico na Europa e nos EUA comutou para a direita \u2013 mesmo quando a maioria do eleitorado rejeitou novos compromissos militares, especialmente guerras no terreno.<\/p>\n<p>Obama escalou tropas no Afeganist\u00e3o, lan\u00e7ou uma guerra a\u00e9rea que derrubou o presidente Kadafi e transformou a L\u00edbia no estado arruinado e fracassado. Guerras por procura\u00e7\u00e3o tornaram-se a nova estrat\u00e9gia para o avan\u00e7o imperial na constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio. A S\u00edria foi alvejada \u2013 dezenas de milhares de extremistas isl\u00e2micos foram recrutados e financiados por regimes imperiais e monarquias desp\u00f3ticas do Golfo. Milh\u00f5es de refugiados fugiram, dezenas de milhares foram mortos.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, Obama apoiou o golpe militar em Honduras derrubando o governo liberal eleito do presidente Manuel Zelaya, no Paraguai reconheceu um golpe do Congresso que expulsou o governo eleito de centro-esquerda enquanto se recusou a reconhecer a vit\u00f3ria eleitoral do presidente Maduro na Venezuela. Face \u00e0 vit\u00f3ria de Maduro na Venezuela, Washington apoiou durante v\u00e1rios meses de viol\u00eancia nas ruas numa tentativa de desestabilizar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na Ucr\u00e2nia, Egito, Venezuela e Tail\u00e2ndia, &#8220;a rua&#8221; substituiu elei\u00e7\u00f5es. Os objetivos estrat\u00e9gicos imperiais de Obama centraram-se na reconquista e pilhagem da R\u00fassia e no seu retorno ao status de vassalo dos anos Boris Yeltsin, no retorno da Am\u00e9rica Latina aos regimes neoliberais da d\u00e9cada de 1990 e na China \u00e0 docilidade da d\u00e9cada de 1980. A estrat\u00e9gia imperial tem sido &#8220;conquistar a partir de dentro&#8221; estabelecendo o cen\u00e1rio para a domina\u00e7\u00e3o a partir de fora.<\/p>\n<p><strong>A avan\u00e7ar o imp\u00e9rio: Israel e o desvio do M\u00e9dio Oriente <\/strong><\/p>\n<p>Um dos grandes paradoxos hist\u00f3ricos do recuo imperial dos EUA no s\u00e9culo XXI foi o papel desempenhado pela influ\u00eancia de Israel e sua Quinta Coluna Sionista incorporada dentro da estrutura de poder pol\u00edtico estadunidense. As guerras de Washington e as san\u00e7\u00f5es no M\u00e9dio Oriente foram em grande medida sob as ordens de influentes &#8220;Israel Firsters&#8221; na Casa Branca, Pent\u00e1gono, Tesouro, Conselho de Seguran\u00e7a Nacional e Congresso.<\/p>\n<p>Foi em grande medida porque os EUA estavam empenhados em guerras no Iraque e no Afeganist\u00e3o que Washington &#8220;deixou de lado&#8221; as crescentes proezas econ\u00f3micas da China. Ao concentrar-se nas &#8220;guerras por Israel&#8221; no M\u00e9dio Oriente, os EUA n\u00e3o estavam em posi\u00e7\u00e3o de desafiar a ascens\u00e3o do nacionalismo e populismo na Am\u00e9rica Latina. As prolongadas &#8220;guerras por Israel&#8221; esgotaram a economia dos EUA e o entusiasmo do p\u00fablico americano por novas guerras terrestres alhures.<\/p>\n<p>Ide\u00f3logos sionistas, alcunhados &#8220;neoconservadores&#8221;, foram instrumentais em moldar a abordagem global militarista para a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio e em marginalizar a sua constru\u00e7\u00e3o sob orienta\u00e7\u00e3o do mercado, favorecida pelas multinacionais e pelos gigantes da ind\u00fastria extractiva.<\/p>\n<p>A tentativa de Obama de travar o recuo do imp\u00e9rio, inspirada pelo militarismo sionista, n\u00e3o frutificou. Seu esfor\u00e7o para cooptar sionistas e pressionar Israel a parar de fomentar novas guerras no M\u00e9dio Oriente \u00e9 um fracasso. O seu &#8220;eixo na \u00c1sia&#8221; transformou-se numa estrat\u00e9gia cerco militar bruto da China. Suas aberturas ao Ir\u00e3 foram frustradas pelo bloco de poder sionista no Congresso pela imposi\u00e7\u00e3o de termos de negocia\u00e7\u00e3o ditados por Israel. Todo o &#8220;avan\u00e7o do projeto de constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio&#8221;, o qual devia definir o legado de Obama, foi enfraquecido pelo enorme custo de atender aos conselhos e diretivas dos lealistas a Israel dentro da sua administra\u00e7\u00e3o. Israel, uma das mais brutais pot\u00eancias coloniais, paradoxalmente e n\u00e3o intencionalmente desempenhou um grande papel na minagem dos esfor\u00e7os de Obama para reverter o decl\u00ednio do imp\u00e9rio e avan\u00e7ar as dimens\u00f5es diplom\u00e1ticas e econ\u00f3micas da constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>Resultados e perspectivas: A avan\u00e7ar o imp\u00e9rio no per\u00edodo p\u00f3s neoliberal <\/strong><\/p>\n<p>O temer\u00e1rio esfor\u00e7o de Obama para avan\u00e7ar o imp\u00e9rio na segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI \u00e9 muito mais perigoso que o dos seus antecessores no fim do s\u00e9culo XX. A R\u00fassia recuperou-se. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o estado em desintegra\u00e7\u00e3o que Bush e Clinton desmembraram e pilharam. A China j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais uma economia de mercado em ascens\u00e3o t\u00e3o ansiosa para comerciar com os EUA enquanto fazia vista grossa a incurs\u00f5es americanas em \u00e1guas territoriais chinesas. Hoje a China \u00e9 uma grande pot\u00eancia econ\u00f3mica, exercendo alavancagem econ\u00f3mica na forma de US$3 milh\u00f5es de milh\u00f5es em bilhetes do Tesouro dos EUA. A China j\u00e1 n\u00e3o tolera interfer\u00eancia dos EUA na sua pol\u00edtica interna \u2013 est\u00e1 desejosa de suprimir separatistas \u00e9tnicos e terroristas apoiados pelos EUA.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina, incluindo a Venezuela, desenvolveu organiza\u00e7\u00f5es regionais aut\u00f3nomas, diversificou seus mercados para a \u00c1sia e estabeleceu um poderoso consenso p\u00f3s neoliberal. A Venezuela transformou seu militares, outrora o instrumento favorito de golpes engendrados pelos EUA, numa fortaleza da ordem democr\u00e1tica existente.<\/p>\n<p>O caminho eleitoral para a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio estadunidense foi fechado ou exige dura &#8220;supervis\u00e3o&#8221; imperial para assegurar &#8220;resultados favor\u00e1veis&#8221;. A nova pol\u00edtica escolhida por Washington \u00e9 a viol\u00eancia: recrutar a ral\u00e9 para a\u00e7\u00f5es, extremistas mercen\u00e1rios, terroristas islamistas e uighures, neo-nazis e toda a escumalha do mundo para o seu servi\u00e7o.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o de seis anos de &#8220;avan\u00e7o do imp\u00e9rio&#8221; sob Obama \u00e9 duvidoso. O derrube violento do presidente Kadafi n\u00e3o levou a um regime cliente est\u00e1vel: a destrui\u00e7\u00e3o total e o caos na L\u00edbia solaparam a presen\u00e7a imperial. A S\u00edria est\u00e1 sob ataque mas por islamistas fan\u00e1ticos anti-ocidentais. A derrota de Assad n\u00e3o &#8220;avan\u00e7ar\u00e1 o imp\u00e9rio&#8221; na medida em que expandir\u00e1 o poder do Isl\u00e3o radical (incluindo a Al Qaeda).<\/p>\n<p>O regime fantoche na Ucr\u00e2nia, de neoliberais e neo-nazis, est\u00e1 literalmente em bancarrota, dilacerado por conflitos internos e enfrentando profundas divis\u00f5es regionais. A R\u00fassia est\u00e1 amea\u00e7ada, mas seus l\u00edderes adotaram a\u00e7\u00e3o militar decisiva para defender seus aliados da Crim\u00e9ia e suas bases militares estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>Obama provocou e amea\u00e7ou advers\u00e1rios mas n\u00e3o assegurou muito em termos de aliados v\u00e1lidos ou de clientes. Seus esfor\u00e7os para replicar os avan\u00e7os imperiais da d\u00e9cada de 1990 fracassaram porque mudaram as correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7a entre a Europa e a R\u00fassia, o Jap\u00e3o e a China, a Venezuela e a Col\u00f4mbia. Mandat\u00e1rios, drones predadores e as US Special Forces n\u00e3o s\u00e3o capazes de reverter o recuo. A crise econ\u00f3mica cortou demasiado profundamente; a exaust\u00e3o interna com o imp\u00e9rio \u00e9 demasiado generalizada. O custo de sustentar Israel \u00e9 demasiado alto. Avan\u00e7ar o imp\u00e9rio nestas circunst\u00e2ncias \u00e9 um jogo perigoso: arrisca uma guerra nuclear maior para ultrapassar a adversidade e o recuo.<\/p>\n<p>09\/Mar\u00e7o\/2014<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/americas-advancing-empire-putsch-pillage-and-duplicity\/5372688\" target=\"_blank\">www.globalresearch.ca\/&#8230;<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"James Petras \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5978\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5978","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1yq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5978\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}