{"id":5995,"date":"2014-03-22T22:34:18","date_gmt":"2014-03-22T22:34:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5995"},"modified":"2014-03-22T22:34:18","modified_gmt":"2014-03-22T22:34:18","slug":"ditadura-militar-diz-que-arrancava-dedos-dentes-e-visceras-de-preso-morto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5995","title":{"rendered":"Ditadura: militar diz que arrancava dedos, dentes e v\u00edsceras de preso morto"},"content":{"rendered":"\n<p>Em um dos mais importantes e veross\u00edmeis depoimentos j\u00e1 prestados por agentes da ditadura (1964-85), o coronel reformado Paulo Malh\u00e3es afirmou que ele e seus parceiros cortavam os dedos das m\u00e3os, arrancavam a arcada dent\u00e1ria e extirpavam as v\u00edsceras de presos pol\u00edticos mortos sob tortura antes de jogar os corpos em rio onde jamais viriam a ser encontrados.<\/p>\n<p>O relato hist\u00f3rico do oficial do Ex\u00e9rcito foi feito \u00e0 Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio de Janeiro e revelado nesta sexta-feira pelo rep\u00f3rter Chico Ot\u00e1vio.<\/p>\n<p>Malh\u00e3es se referia a presos pol\u00edticos assassinados na chamada Casa de Petr\u00f3polis, um im\u00f3vel clandestino na regi\u00e3o serrana fluminense onde servidores do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito detinham, torturavam e matavam opositores da ditadura. De acordo com o coronel, os cad\u00e1veres eram ensacados junto com pedras. Dedos e dentes eram retirados para impedir a identifica\u00e7\u00e3o, na eventualidade de os restos mortais serem encontrados. As v\u00edsceras, para o corpo n\u00e3o boiar.<\/p>\n<p>Veterano da repress\u00e3o mais truculenta do passado, Malh\u00e3es figura em listas de torturadores elaboradas por presos. \u00c9 ele quem assumiu ter desenterrado em 1973 a ossada do desaparecido pol\u00edtico Rubens Paiva (<a href=\"http:\/\/blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br\/2014\/03\/20\/coronel-afirma-que-desenterrou-corpo-do-desaparecido-rubens-paiva-em-1973\/\" target=\"_blank\"><strong>post\u00a0aqui<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>Seu testemunho, sem vest\u00edgios de arrependimento, contrasta com o de aparente mit\u00f4mano surgido em anos recentes. Malh\u00e3es n\u00e3o \u00e9 um semi-an\u00f4nimo,mas personagem marcante para seus pares em org\u00e3os repressivos e para presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Dois trechos do seu depoimento \u00e0 comiss\u00e3o, conforme reprodu\u00e7\u00e3o de \u201cO Globo&#8221; (<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/pais\/vitimas-da-casa-da-morte-foram-jogadas-dentro-de-rio-diz-coronel-11940779\" target=\"_blank\"><strong>a reportagem pode ser lida na \u00edntegra clicando aqui<\/strong><\/a>):<\/p>\n<p>1) \u201cJamais se enterra um cara que voc\u00ea matou. Se matar um cara, n\u00e3o enterro. H\u00e1 outra solu\u00e7\u00e3o para mandar ele embora. Se jogar no rio, por exemplo, corre. Como ali, saindo de Petr\u00f3polis, onde tem uma por\u00e7\u00e3o de pontes, perto de Itaipava. N\u00e3o (jogar) com muita pedra. O peso (do saco) tem que ser proporcional ao peso do advers\u00e1rio, para que ele n\u00e3o afunde, nem suba. Por isso, n\u00e3o acredito que, em s\u00e3 consci\u00eancia, algu\u00e9m ainda pense em achar um corpo.\u201d<\/p>\n<p>2) \u201c\u00c9 um estudo de anatomia. Todo mundo que mergulha na \u00e1gua, fica na \u00e1gua, quando morre tende a subir. Incha e enche de g\u00e1s. Ent\u00e3o, de qualquer maneira, voc\u00ea tem que abrir a barriga, quer queira, quer n\u00e3o. \u00c9 o primeiro princ\u00edpio. Depois, o resto, \u00e9 mais f\u00e1cil. Vai inteiro.\u201d<\/p>\n<p>Com a frieza de quem conta ter ido \u00e0 padaria, Malh\u00e3es afirmou, referindo-se ao local onde vive, a Baixada Fluminense: \u201cEu gosto de decapitar, mas \u00e9 bandido aqui&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"M\u00e1rio Magalh\u00e3es\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5995\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-5995","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1yH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5995"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5995\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}