{"id":6006,"date":"2014-03-23T18:57:01","date_gmt":"2014-03-23T18:57:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6006"},"modified":"2014-03-23T18:57:01","modified_gmt":"2014-03-23T18:57:01","slug":"venezuela-resistencia-popular-a-intentona-golpista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6006","title":{"rendered":"Venezuela: Resist\u00eancia popular \u00e0 intentona golpista"},"content":{"rendered":"\n<p>A Venezuela bolivariana e o governo de Nicol\u00e1s Maduro enfrentam o mais forte ataque imperialista desde o falecimento do comandante Ch\u00e1vez, uma tentativa insurrecional de tomada do poder pol\u00edtico, ordenado por Washington e executado pelo setor mais radical da oligarquia venezuelana apoiado por uma campanha midi\u00e1tica internacional sem precedentes na revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o pol\u00edtica de passar \u00e0 ofensiva na Venezuela \u00e9 parte de um plano do imp\u00e9rio que n\u00e3o come\u00e7ou em 12 de fevereiro, mas h\u00e1 v\u00e1rios anos, com a tentativa de isolar a revolu\u00e7\u00e3o do contexto latino-americano e recuperar o controle de seu \u201cp\u00e1tio traseiro\u201d com avan\u00e7os eleitorais e golpes vitoriosos ou frustrados como os casos de Honduras e Paraguai, M\u00e9xico, Panam\u00e1, Chile, Col\u00f4mbia (Criando a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico). Paralelamente, intensificou a campanha midi\u00e1tica e desestabilizadora na Venezuela, apoiando o setor \u201celeitoral\u201d da direita, investindo grandes somas nas \u00faltimas 4 elei\u00e7\u00f5es com Capriles encabe\u00e7ando e uma alian\u00e7a instrumental de todos os setores da direita (MUD). Neste sentido, o imp\u00e9rio deu luz verde ao setor que, pela via constitucional democr\u00e1tica, sugeria que era poss\u00edvel acabar com o governo, ainda que paralelamente estivesse formando, financiando e coordenando um destacamento juvenil e radical (Javu) e o Partido Voluntad Popular, de Leopoldo L\u00f3pez e seus aliados (Mar\u00eda Machado, Antonio Ledesma, Julio Borges, entre outros).<\/p>\n<p>A morte do Presidente Ch\u00e1vez os levou \u00e0 conclus\u00e3o que o momento de passar \u00e0 ofensiva total tinha chegado. Apostaram nas elei\u00e7\u00f5es de 14 de abril, obtendo uma alta vota\u00e7\u00e3o e gerando um clima de desestabiliza\u00e7\u00e3o (ensaio insurrecional) de tr\u00eas dias, que gerou v\u00e1rios mortos e deu in\u00edcio \u00e0 a\u00e7\u00e3o de suas for\u00e7as mais reacion\u00e1rias com um saldo de v\u00e1rios mortos, feridos e danos ao patrim\u00f4nio p\u00fablico. Sua capacidade de manobra foi nacional e muito consistente, por\u00e9m n\u00e3o conseguiu o apoio das classes populares ou de setores do chavismo que tivessem restado ou se somado \u00e0 vota\u00e7\u00e3o da direita de 14 de abril. Assim, decidiram pela retirada t\u00e1tica de suas for\u00e7as para preparar as condi\u00e7\u00f5es objetivas necess\u00e1rias para passar \u00e0 ofensiva mais adiante e n\u00e3o perder capital eleitoral obtido at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>O imp\u00e9rio compreendeu que atacar o chavismo e a imagem do comandante Ch\u00e1vez era contraproducente e apenas geraria mais coes\u00e3o interna em torno de Nicol\u00e1s Maduro e o governo bolivariano (os filhos de Ch\u00e1vez e continuadores de sua obra). Portanto, a guerra econ\u00f4mica devia intensificar-se para gerar maior descontentamento na popula\u00e7\u00e3o dos setores m\u00e9dios e baixos, base de sustento do chavismo, aproveitando as defici\u00eancias e contradi\u00e7\u00f5es internas da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana.<\/p>\n<p>A ordem ao empresariado foi taxativa e radical: afogar a economia venezuelana a partir do m\u00eas de setembro de 2013, para que esse descontentamento se expressasse eleitoralmente em 14 de dezembro, que foi definido pela oposi\u00e7\u00e3o como um plebiscito. Nos planos da direita, a perda de sua vota\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica por parte do chavismo sentaria as bases para convocar uma sa\u00edda insurrecional.<\/p>\n<p>No entanto, os resultados eleitorais n\u00e3o foram os esperados pela direita e o chavismo voltou a triunfar. Assim, a vota\u00e7\u00e3o da direita deu uma virada para o setor mais radical representado pelo Voluntad Popular. Isto provocou um distanciamento dos setores mais moderados da via eleitoral encabe\u00e7ados por Capriles, Adecos e Copeyanos, se impondo a via insurrecional de Leopoldo L\u00f3pez, Mar\u00eda Machado, Antonio Ledezma e outros, que atribu\u00edram um papel protagonista aos setores ultradireitistas de estudantes universit\u00e1rios. Dessa forma, ativaram uma s\u00e9rie de intentonas a partir das marchas autoconvocadas sem maior \u00eaxito at\u00e9 ocorrerem os primeiros eventos em M\u00e9rida e \u00a0T\u00e1chira, que deram base para a palavra de ordem \u201cla salida, vete ya\u201d, invocada por L\u00f3pez e Machado em 23 de janeiro.<\/p>\n<p>Finalmente, acredito ser necess\u00e1rio pontuar alguns elementos que fazem acelerar este chamado e a agenda de protestos por parte dos EUA e seus fantoches na Venezuela:<\/p>\n<p>1\u00b0 \u2013 Eles percebem um enfraquecimento do governo bolivariano e a capacidade de condu\u00e7\u00e3o de Nicol\u00e1s Maduro, junto a debates internos que evidenciam contradi\u00e7\u00f5es no seio das bases e do governo quanto a como enfrentar a oligarquia e a qual modelo deve ser constru\u00eddo nesta fase do processo. Um debate aberto nas bases e nas redes sociais, onde aparecem tend\u00eancias do chavismo desde os mais pragm\u00e1ticos, desde os que planejam uma ofensiva para o aprofundamento do socialismo e os que planejam um capitalismo de estado e negocia\u00e7\u00e3o com parte da direita pol\u00edtica-econ\u00f4mica (como fim em si mesmo ou t\u00e1tica para ganhar tempo e consolidar-se politicamente at\u00e9 as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es em fins de 2015).<\/p>\n<p>2\u00b0 \u2013 Se fosse dado tempo ao chavismo, este poderia consolidar-se e passar rapidamente a uma ofensiva gradual de aprofundamento e as correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as mais radicais poderiam ganhar peso no pr\u00f3ximo congresso do PSUV, marcado para entre os meses de mar\u00e7o e julho do presente.<\/p>\n<p>3\u00b0 \u2013 Na esfera econ\u00f4mica, as aproxima\u00e7\u00f5es do governo com o setor empresarial poderiam estabilizar por um tempo a economia; entretanto, s\u00e3o injetados novos recursos para diversificar a produ\u00e7\u00e3o-importa\u00e7\u00e3o e estabilizar o abastecimento (conv\u00eanios com fundos chineses, russos e outros).<\/p>\n<p>4\u00b0 \u2013 O empresariado (FEDECAMARAS e outros) enfrenta o dilema de manter sua ofensiva (guerra econ\u00f4mica derrotada em 2014) com os custos econ\u00f4micos e a possibilidade de ser expropriado, conduzindo \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o do modelo econ\u00f4mico venezuelano, ou dialogar com o governo para obter uma maior estabilidade econ\u00f4mica, aumentando seus lucros (a experi\u00eancia do golpe de 2002 e a greve patronal deixaram este setor com enormes preju\u00edzos e altos custos que tiveram que assumir sozinhos), considerando que nas \u00faltimas derrotas eleitorais da direita esta estrat\u00e9gia foi derrotada (14 de dezembro). S\u00e3o empurrados ao pragmatismo e a n\u00e3o envolverem-se em intentonas insurrecionais como a planejada, incorporando-se ao chamado do governo a um di\u00e1logo e \u00e0s mesas de Paz.<\/p>\n<p>5\u00b0 \u2013 Na esfera internacional, a \u00faltima reuni\u00e3o da CELAC, em Cuba, a influ\u00eancia da Venezuela na Unasul, Mercosul, Petro-Caribe, ALBA, significaram um rev\u00e9s e um isolamento da pol\u00edtica norte-americana na regi\u00e3o (exemplo disto \u00e9 a recente reuni\u00e3o da OEA, onde tentaram, atrav\u00e9s do Panam\u00e1, condenar a Venezuela e invocar a carta democr\u00e1tica para endossar uma interven\u00e7\u00e3o, recebendo uma derrota hist\u00f3rica de 29 a 3 \u2013 EUA, Canad\u00e1 e Panam\u00e1). A Venezuela recebeu um grande apoio na reuni\u00e3o da Unasul, em 12 de mar\u00e7o, em Santiago do Chile, onde se acordou uma miss\u00e3o de acompanhamento aos di\u00e1logos de PAZ promovidos pelo governo bolivariano.<\/p>\n<p>6\u00b0 \u2013 A crise econ\u00f4mica do imp\u00e9rio se agrava e sua ofensiva para a L\u00edbia, S\u00edria, Ir\u00e3, Ucr\u00e2nia demonstra seu desespero para anexar recursos geoestrat\u00e9gicos, considerando o papel da Venezuela nos recursos energ\u00e9ticos, colocada como prioridade nesta ordem.<\/p>\n<p>O processo insurrecional de golpe brando que se intensificou a partir de 12 de fevereiro, denotou uma subvaloriza\u00e7\u00e3o deste setor, pois se considerou que a agenda e os di\u00e1logos a partir de 14 de dezembro com setores da direita teriam feito abortar a sa\u00edda violenta ou, ao menos, afastado o grupo mais fascist\u00f3ide e radical da MUD. Caracas se descuidou e, em 12 de fevereiro, permitiu-se o in\u00edcio de um plano violento deste setor com mortos e muita viol\u00eancia. Assim, foi ativada uma fase nacional de \u201cguarimbas\u201d (barricadas) j\u00e1 planejadas e coordenadas em v\u00e1rias capitais de estados que, segundo o planejamento da direita, culminariam em 18 de fevereiro, com um golpe, conforme denunciou o jornalista Jos\u00e9 Vicente Rangel. At\u00e9 o dia de hoje, com distintos n\u00edveis de intensidade e graus de viol\u00eancia, tais \u201cguarimbas\u201d mantiveram-se, inicialmente, em 18 munic\u00edpios do pa\u00eds, reduzindo-se a 6 ou 8 atualmente.<\/p>\n<p>A partir desse momento e at\u00e9 agora, a agenda da direita e a lideran\u00e7a da mesma est\u00e3o marcadas pelo setor neofascista insurrecional, \u2013 com o apoio incondicional do Departamento de Estado norte-americano \u2013, que repudiou participar das mesas de paz, arrastando o resto da direita com eles atrav\u00e9s da press\u00e3o e da coa\u00e7\u00e3o, amea\u00e7ando os dirigentes, parlamentares e prefeitos de seu setor, para que n\u00e3o participem de nenhuma aproxima\u00e7\u00e3o com o governo. O mesmo se passa no setor estudantil de direita, at\u00e9 o momento, com um saldo de mais de 30 mortos e 200 feridos, a maioria v\u00edtimas da viol\u00eancia, produto das a\u00e7\u00f5es violentas do fascismo. Por outro lado, a direita econ\u00f4mica, representada pela FEDECAMARAS, FEDEINDUSTRIA e outros, se mant\u00e9m nas Mesas de Paz econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>A For\u00e7a Armada Nacional Bolivariana se mostrou coesa, constitucional e em rep\u00fadio a qualquer aventura golpista, apesar das provoca\u00e7\u00f5es e press\u00f5es que recebe por parte de atores da direita, ratificando sua lealdade ao governo bolivariano e ao presidente Nicol\u00e1s Maduro.<\/p>\n<p>Quanto aos setores populares organizados e \u00e0s bases chavistas, mant\u00eam-se em mobiliza\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na rua, em apoio ao processo e ao governo bolivariano, cerrando fileiras ante o inimigo de classe. Os setores populares percebem o \u201cprotesto\u201d como uma a\u00e7\u00e3o da oligarquia com fins pol\u00edticos que n\u00e3o os representam e repudiam a viol\u00eancia. Os coletivos revolucion\u00e1rios se mant\u00eam com uma forte disciplina e n\u00e3o ca\u00edram na provoca\u00e7\u00e3o do enfrentamento e guerra \u00a0civil, mantendo-se mobilizados em seus territ\u00f3rios e alertas a qualquer mudan\u00e7a de situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A unidade e coes\u00e3o interna nas fileiras do chavismo, PSUV, aliados do GPP (Grande Polo Patri\u00f3tico), coletivos revolucion\u00e1rios e bases do povo chavista \u00e9 determinante para enfrentar o inimigo contrarrevolucion\u00e1rio neofascista.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que se faz necess\u00e1rio passar \u00e0 ofensiva, em todas as frentes de luta, com disciplina, unidade de a\u00e7\u00e3o e comando \u00fanico.<\/p>\n<p>O fascismo se derrota com o povo nas ruas! A Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana se defende com unidade e luta!<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.abpnoticias.org\/index.php\/editorial-hidden\/868-venezuela-resistencia-popular-a-la-intentona-golpista<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCarlos Casanueva Troncoso\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6006\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-6006","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1yS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6006"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6006\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}