{"id":6033,"date":"2014-03-29T17:28:25","date_gmt":"2014-03-29T17:28:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6033"},"modified":"2014-03-29T17:28:25","modified_gmt":"2014-03-29T17:28:25","slug":"greves-dos-garis-e-do-comperj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6033","title":{"rendered":"GREVES DOS GARIS E DO COMPERJ"},"content":{"rendered":"\n<p>As recentes greves dos garis da COMLURB e dos trabalhadores do COMPERJ marcaram o in\u00edcio desse ano em termos de luta de classes em nosso estado. A primeira foi de curta dura\u00e7\u00e3o, impactou a vida da cidade em pleno per\u00edodo do carnaval e obteve uma expressiva vit\u00f3ria econ\u00f4mica, al\u00e9m de impor uma clara derrota pol\u00edtica ao arrogante Prefeito Eduardo Paes (PMDB). A segunda se estendeu por mais de um m\u00eas, teve pouqu\u00edssima visibilidade e terminou com resultados bem abaixo das reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Apesar das diferen\u00e7as acima, as duas greves revelaram algumas facetas semelhantes que valem ser ressaltadas. As duas categorias est\u00e3o entre as camadas mais exploradas da classe trabalhadora, enfrentam condi\u00e7\u00f5es dur\u00edssimas de trabalho, recebendo pouco acima do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Os respectivos Sindicatos (Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conserva\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio do Rio de Janeiro, filiado a CGTB e o Sindicato dos trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil de S\u00e3o Gon\u00e7alo e Itabora\u00ed, filado a CUT), que deveriam estar \u00e0 frente da luta em defesa dos interesses desses trabalhadores, se colocaram de forma descarada como verdadeiros agentes patronais.<\/p>\n<p>No caso dos garis, a diretoria do Sindicato ap\u00f3s a assembleia ter deliberado pela greve, publicou, na calada da noite, um boletim informando a suspens\u00e3o do movimento. Depois desse ato de trai\u00e7\u00e3o \u00e0 luta dos trabalhadores, esses sindicalistas de mentirinha se colocaram inteiramente a servi\u00e7o do Prefeito, boicotando a greve e assinando um acordo rebaixado. N\u00e3o satisfeitos os tra\u00edras fizeram mais um comunicado afirmando que \u201co Sindicato n\u00e3o foi respons\u00e1vel pela deflagra\u00e7\u00e3o da greve\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no COMPERJ nas assembleias conduzidas pelo Sindicato n\u00e3o se permitia que os trabalhadores fizessem uso da palavra para discutir os rumos do movimento, apenas os diretores do Sindicato e da CUT podiam falar. Nem assim eles conseguiram deter a for\u00e7a da greve, foram vaiados em todas as assembleias. Inconformados, os pelegos e as empresas contrataram capangas para amea\u00e7ar os trabalhadores. Numa das manifesta\u00e7\u00f5es bandidos passaram atirando e balearam dois grevistas, isto sim, pode ser classificado como um verdadeiro ataque terrorista, no qual acabaram feridos dois oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de enfrentar aqueles que deveriam estar ao seu lado (os Sindicatos), os garis e os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil se defrontaram com a repress\u00e3o do estado. A PM do governador Sergio Cabral (PMDB) reprimiu duramente uma passeata dos garis no s\u00e1bado de carnaval, espancando, jogando bombas e atirando balas e borracha contra os manifestantes. Igualmente em Itabora\u00ed foi montado um forte aparato policial para agir contra as movimenta\u00e7\u00f5es dos trabalhadores do COMPERJ, v\u00e1rios confrontos foram registrados, sempre com a marca da brutalidade e da covardia na a\u00e7\u00e3o policialesca contra os grevistas.<\/p>\n<p>Outra experi\u00eancia similar para essas duas categorias foi como a m\u00eddia, concentrada nas grandes redes de TV, r\u00e1dio e jornais, cobriu essas greves, ou seja, da mesma maneira que sempre fazem. Os trabalhadores quase nunca tiveram voz, mas, o Prefeito, as empresas e os Sindicatos pelegos obtiveram ampla cobertura. Eduardo Paes e o presidente da COMLURB se referiam aos garis em greve como \u201cmarginais\u201d. De imediato anunciaram 300 demiss\u00f5es na tentativa de derrotar o movimento, mas n\u00e3o contavam com a determina\u00e7\u00e3o dos garis e com o apoio que grande parte da popula\u00e7\u00e3o carioca manifestou a greve, reconhecendo a import\u00e2ncia do trabalho desses profissionais para a manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida na cidade.<\/p>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o de sair para a luta demonstrada por aqueles que, muito pouco, ou quase nada, t\u00eam a perder, indica que o processo iniciado com as jornadas de junho de 2013 se desdobra para as mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, o que pode significar mudan\u00e7as profundas na conjuntura social e pol\u00edtica brasileira. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o exemplo dos garis do Rio de Janeiro j\u00e1 &#8220;contaminou&#8221; os trabalhadores da limpeza urbana em varias cidades. A greve no COMPERJ vem na esteira de outras realizadas em grandes obras. Outras categorias superexploradas, como os motoristas e cobradores de \u00f4nibus, retomam tamb\u00e9m o caminho das greves.<\/p>\n<p>Todo esse movimento se defronta com o governo do PT\/PMDB e seus s\u00f3cios menores trabalhando a servi\u00e7o das grandes empresas capitalistas. A f\u00f3rmula deles \u00e9 a mesma, quando a economia est\u00e1 aquecida s\u00f3 oferecem migalhas aos explorados, j\u00e1 ao menor sinal de crise ou diminui\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, tratam de intensificar os mecanismos de explora\u00e7\u00e3o sobre a classe trabalhadora. Nossa luta, portanto, n\u00e3o deve se limitar aos resultados imediatos, esses apenas sinalizam que a causa fundamental das nossas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho \u00e9 o sistema econ\u00f4mico e pol\u00edtico burgu\u00eas, este ainda est\u00e1 por ser derrotado.<\/p>\n<p>Ney Nunes<\/p>\n<p>Unidade Classista &#8211; RJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nUm mundo a ganhar, por aqueles que n\u00e3o t\u00eam nada a perder.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6033\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[56],"tags":[],"class_list":["post-6033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c67-greve"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1zj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6033"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6033\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}