{"id":6038,"date":"2014-03-29T19:59:37","date_gmt":"2014-03-29T19:59:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6038"},"modified":"2014-03-29T19:59:37","modified_gmt":"2014-03-29T19:59:37","slug":"um-golpe-contra-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6038","title":{"rendered":"Um golpe contra o Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;Torturas, assassinatos e desaparecimentos de opositores militantes de organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias de luta armada aconteciam no mesmo lugar e com a mesma aten\u00e7\u00e3o que a repress\u00e3o ao movimento sindical e de trabalhadores em geral&#8221;, escreve Ivan Seixas, ex-militante do Movimento Revolucion\u00e1rio Tiradentes (MRT) e presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, em artigo publicado por Carta Capital, 25-03-2014.<\/p>\n<p>Eis o artigo.<\/p>\n<p>Engana-se quem acha que a ditadura foi implantada , em abril de 1964, com uma quartelada ou alguma a\u00e7\u00e3o improvisada de militares furiosos. Foi um golpe de Estado anticomunista, antioper\u00e1rio e antinacional, dentro da histeria da Guerra Fria, em uma agress\u00e3o escancarada para impor um minucioso projeto econ\u00f4mico e social desenvolvido segundo os interesses do capitalismo estrangeiro e seus aliados nacionais.<\/p>\n<p>Para impor esse projeto econ\u00f4mico e social era necess\u00e1rio impor o arrocho salarial e medidas impopulares sem precedentes. E para que isso se efetivasse era necess\u00e1rio o terrorismo de Estado e a cumplicidade e coopera\u00e7\u00e3o do empresariado nacional. A grande maioria dos sindicatos de trabalhadores sofreu interven\u00e7\u00e3o, que passaram a ser dirigidos por gente de confian\u00e7a da ditadura e dos patr\u00f5es. Para garantir a repress\u00e3o, uma extensa rede de repress\u00e3o se instala desde os primeiros momentos da ditadura sob o comando do temido SNI &#8211; Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es, complementada por agentes de repress\u00e3o particular dentro das f\u00e1bricas, contratados pelos empres\u00e1rios. Essa coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 prevista no organograma do SISNI \u2013 Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es, que destaca as \u201cComunidades Complementares\u201d com os conv\u00eanios com \u201cEntidades privadas conveniadas\u201d.<\/p>\n<p>Toda essa rede de arapongas a servi\u00e7o do empresariado foi detectada pela Comiss\u00e3o Estadual da Verdade Rubens Paiva, de S\u00e3o Paulo, com base em documentos oficiais do SNI, guardados no Arquivo Nacional. Do mesmo modo, o Arquivo do Estado de S\u00e3o Paulo guarda documentos que mostram que as empresas entregavam as fichas funcionais de seus empregados ao DOPS \u2013 Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social para que fossem perseguidos pela temida repress\u00e3o pol\u00edtica e essa persegui\u00e7\u00e3o servir de desculpas para demitir e colocar o nome do perseguido nas \u201clistas negras\u201d daqueles que n\u00e3o poderiam conseguir emprego mais. Suas fam\u00edlias passavam fome e os empres\u00e1rios impunham assim o medo da demiss\u00e3o e a submiss\u00e3o dos trabalhadores dentro do projeto implantado em abril de 1964.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Estadual descobriu tamb\u00e9m os livros de entrada e sa\u00edda no DOPS. N\u00e3o o livro de entrada de presos, mas o de visitantes do departamento. Sem nenhuma d\u00favida, o visitante mais constante era um funcion\u00e1rio da FIESP \u2013 Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo, Geraldo Resende de Mattos, homem de confian\u00e7a do chefe da entidade patronal. Suas visitas nem sempre t\u00eam registrado o hor\u00e1rio de sa\u00edda. Numa dessas vezes, a entrada foi pouco antes das seis da tarde e sua sa\u00edda se d\u00e1 no dia seguinte quase sete horas da manh\u00e3. \u00d3bvio que o funcion\u00e1rio da FIESP ia l\u00e1 organizar a repress\u00e3o ao movimento sindical j\u00e1 amorda\u00e7ado, reprimido e duramente perseguido. Mais uma vez o projeto econ\u00f4mico e social implantado em 1964 era garantido pela repress\u00e3o pol\u00edtica da ditadura sem nenhum disfarce, bem longe da civilidade ou legalidade.<\/p>\n<p>Outro que visitava muito aquele \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o, tortura e exterm\u00ednio e opositores \u00e0 ditadura militar era Claris Halliwell, graduado membro do consulado geral dos EUA, que entrava e sa\u00eda com muita frequ\u00eancia e tamb\u00e9m n\u00e3o tinha hor\u00e1rio de sa\u00edda registrado ou s\u00f3 sa\u00eda no dia seguinte. Em geral, sua presen\u00e7a l\u00e1 coincidia com os dias em que aconteciam terr\u00edveis sess\u00f5es de tortura a membros da resist\u00eancia ao estado de terror imperante. Sua entrada acontecia junto com conhecidos torturadores do DOI-CODI de S\u00e3o Paulo como o tenebroso Capit\u00e3o \u00canio Pimentel Silveira, not\u00f3rio torturador e assassino de presos pol\u00edticos. A entrada dos dois indica que participavam das sess\u00f5es de torturas, como \u00e9 o caso do dirigente do Movimento Revolucion\u00e1rio Tiradentes (MRT), Devanir Jos\u00e9 de Carvalho, Comandante Henrique, barbarizado por quase tr\u00eas dias seguidos e assassinado ao fim dessa jornada.<\/p>\n<p>Torturas, assassinatos e desaparecimentos de opositores militantes de organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias de luta armada aconteciam no mesmo lugar e com a mesma aten\u00e7\u00e3o que a repress\u00e3o ao movimento sindical e de trabalhadores em geral. A liga\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre Mister Halliwell e Geraldo Resende de Mattos \u00e9 o projeto econ\u00f4mico e social implantado em 1964, com orienta\u00e7\u00e3o, apoio e acompanhamento do governo americano ao Estado usurpado pelos golpistas civis e militares, que se perpetuaram por longos 21 anos seguidos no poder. Causaram danos em, pelo menos, tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de brasileiros e est\u00e3o impunes at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Nesse momento em que se marcam os cinquenta anos do assalto ao poder por gente que n\u00e3o tinha compromisso com a democracia e menos ainda com o Pa\u00eds, devemos refletir o que se pode fazer para o Brasil continuar e aperfei\u00e7oar suas institui\u00e7\u00f5es. Cometeram crimes de lesa-humanidade e tamb\u00e9m crimes de lesa-p\u00e1tria, pois causaram danos ao povo trabalhador, aos jovens, \u00e0 cultura nacional, \u00e0 economia nacional e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es nacionais. E continuam impunes. As mortes s\u00e3o imperdo\u00e1veis, mas o que se pode dizer da fome causada aos trabalhadores colocados nas chamadas \u201clistas negras\u201d? N\u00e3o eram \u201capenas\u201d os trabalhadores, mas todos os componentes de suas fam\u00edlias. Danos morais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos em mulheres, crian\u00e7as e idosos. N\u00e3o h\u00e1 como perdoar. Tudo cometido em nome de um maldito projeto econ\u00f4mico e social de uma pot\u00eancia estrangeira.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529607-um-golpe-contra-o-brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6038\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-6038","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1zo","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6038\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}