{"id":6051,"date":"2014-03-31T19:49:52","date_gmt":"2014-03-31T22:49:52","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6051"},"modified":"2017-08-24T23:55:38","modified_gmt":"2017-08-25T02:55:38","slug":"raul-capote-ex-agente-duplo-da-seguranca-cubana-os-planos-da-cia-avancaram-muito-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6051","title":{"rendered":"Ra\u00fal Capote, ex-agente duplo da seguran\u00e7a cubana: &#8216;Os planos da CIA avan\u00e7aram muito na Venezuela&#8217;"},"content":{"rendered":"\n<p>Am\u00e9rica Latina &#8211; <a href=\"http:\/\/www.diarioliberdade.org\/\" target=\"_blank\">Ch\u00e1vez Vive<\/a> &#8211; [Tradu\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio Liberdade] Ra\u00fal Capote \u00e9 cubano. Mas n\u00e3o um qualquer. Em sua juventude foi captado pela Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA por suas siglas em ingl\u00eas) dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ofereceram-lhe uma quantidade infinita de dinheiro para conspirar em Cuba. Mas surgiu algo inesperado para os Estados Unidos. Capote, na realidade, trabalhava para a seguran\u00e7a nacional cubana. Desde ent\u00e3o, cumpriu fun\u00e7\u00f5es como agente duplo. Conhe\u00e7a sua hist\u00f3ria, atrav\u00e9s de uma entrevista exclusiva com Ch\u00e1vez Vive, que concedeu em Havana.<\/p>\n<p>Eu era l\u00edder de um movimento estudantil e a CIA me captou<\/p>\n<p>&#8211; Como foi seu processo de capta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Come\u00e7ou como um processo de muitos anos, de v\u00e1rios anos de prepara\u00e7\u00e3o e de capta\u00e7\u00e3o. Eu era l\u00edder de um movimento juvenil em Cuba que, nesse momento, deu surgimento a uma organiza\u00e7\u00e3o, a Asociaci\u00f3n Cultural de Hermanos Saiz, uma associa\u00e7\u00e3o de jovens criadores, jovens pintores, escritores, artistas. Eu trabalhava em uma cidade do sul de Cuba, sul-centro de Cuba, Cienfuegos, que tinha carater\u00edsticas que para o inimigo se tornaram muito interessantes, porque era uma cidade onde se estava construindo um p\u00f3lo industrial importante nesse momento. Estava-se construindo uma central el\u00e9trica, a \u00fanica que se ia fazer em Cuba, e tinha muita gente jovem construindo a obra. Portanto uma cidade que, tamb\u00e9m, tinha muitos engenheiros jovens graduados na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Estamos falando dos anos finais dos oitenta, durante todo aquele processo da Perestroika. E muitos engenheiros cubanos, que chegavam a Cuba nessa \u00e9poca, graduados l\u00e1, se consideravam pessoas que chegavam com essa ideia da Perestroika. Portanto, era um territ\u00f3rio interessante, onde tinha muita gente jovem. E o fato de que eu fosse um l\u00edder juvenil de uma Organiza\u00e7\u00e3o cultural, que movia um importante setor dos engenheiros que estavam interessados pelas artes, ficou interessante para os norte-americanos, que come\u00e7aram a frequentar as reuni\u00f5es onde n\u00f3s assist\u00edamos. Nunca se identificando como inimigos, nem se identificando como oficiais da CIA.<\/p>\n<p>&#8211; Eram v\u00e1rios, ou sempre uma mesma pessoa?<\/p>\n<p>&#8211; V\u00e1rios. N\u00e3o se apresentavam nunca como oficiais da CIA, nem gente que viesse fazer dano nem nada.<\/p>\n<p>&#8211; E, quem se supunham que eram?<\/p>\n<p>&#8211; Apresentavam-se como pessoas que vinham nos ajudar, em nosso projeto, e que tinham a possibilidade de o financiar. Que tinham a possibilidade de o tornar realidade. A proposta, como tal, parecia interessante porque, enfim, um projeto no mundo da literatura requer que voc\u00ea conhe\u00e7a uma editora, que tenha relacionamentos editoriais. \u00c9 um mercado muito complexo. E vinham em nome de editoras. O que se passava \u00e9 que, durante o processo de contato conosco, ficava bastante evidente o que realmente queriam. Porque, uma vez que faziam o contato, uma vez que come\u00e7avam a frequentar as reuni\u00f5es nossas, que come\u00e7avam a prometer o financiamento, vinham, ent\u00e3o, as condi\u00e7\u00f5es para sermos financiados.<\/p>\n<p>A CIA tem um or\u00e7amento infinito<\/p>\n<p>&#8211; Que condi\u00e7\u00f5es exigiam?<\/p>\n<p>&#8211; Diziam-nos: N\u00f3s temos a possibilidade de p\u00f4r o mercado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de voc\u00eas, de vos fazer chegar ao mercado do livro ou da pl\u00e1stica ou do cinema ou do que quer que seja, mas n\u00f3s precisamos a verdade, porque, o que se vende no mercado, \u00e9 a imagem de Cuba. A imagem de Cuba tem que ser uma imagem realista, das dificuldades, do que acontece no pa\u00eds. Queriam enviciar a realidade de Cuba. O que te estavam pedindo \u00e9 que voc\u00ea fizesse uma cr\u00edtica da revolu\u00e7\u00e3o, baseada nas linhas de propaganda contra Cuba, que eles manejavam.<\/p>\n<p>-A quanto pode ascender o or\u00e7amento desta gente?<\/p>\n<p>&#8211; Eles vinham com uma quantidade de dinheiro infinita, porque a fonte do dinheiro, claro, n\u00f3s com o tempo sim conseguimos saber de onde provinha. Por exemplo, estava a USAID, que era a patrocinadora maior, a contratadora maior de todo esse or\u00e7amento, que se canalizaba atrav\u00e9s das ONGs, que muitas vezes se inventavam para Cuba. Eram ONGs que n\u00e3o existiam, que se criaram unicamente para esse tipo de trabalho em Cuba, e estamos falando de milhares e milhares de d\u00f3lares. Eles n\u00e3o trabalhavam or\u00e7amentos reduzidos. Por exemplo, em um momento determinado, a mim me ofereceram dez mil d\u00f3lares, somente por incluir elementos da propaganda contra Cuba, no romance que eu estava trabalhando.<\/p>\n<p>&#8211; De que ano estamos falando?<\/p>\n<p>&#8211; Estamos falando dos anos 1988, 89&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Quantas pessoas puderam ter sido contatadas por esta gente, ou captadas?<\/p>\n<p>&#8211; Realmente n\u00e3o durou muito o assunto, porque em Cuba tinha toda uma cultura de confronto a este tipo de coisas, e a gente tinha muito claro, que podia ter algo por tr\u00e1s dessa hist\u00f3ria de nos quererem ajudar. N\u00e3o era novo na hist\u00f3ria do pa\u00eds, e, portanto, lhes era muito dif\u00edcil chegar a onde n\u00f3s est\u00e1vamos. Em um momento determinado, l\u00e1 no ano 92, n\u00f3s fizemos uma reuni\u00e3o, todos os membros da organiza\u00e7\u00e3o, e se decidiu os expulsar. N\u00e3o permitir que assistissem mais a nenhuma das reuni\u00f5es nossas. Essa gente, que j\u00e1 estava chegando com propostas concretas, e condicionando, al\u00e9m do mais, a ajuda econ\u00f4mica que nos estavam dando. Aconteceu \u00e9 que no momento que n\u00f3s fazemos essa atividade, e os recusamos, os expulsamos da sede da associa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, come\u00e7am a particularizar. Come\u00e7am a visitar-me a mim, designadamente, e a alguns colegas mais, pessoas novas. Com alguns tiveram sucesso, ou seja, alguns deles conseguiram, inclusive, sacar do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8211; Que perfil buscavam eles, mais ou menos, se pode ser especificado algum perfil?<\/p>\n<p>&#8211; Eles queriam, sobretudo nessa \u00e9poca, apresentar a Cuba como um pa\u00eds que estava no caos. Que o socialismo em Cuba n\u00e3o conseguia satisfazer as necessidades da popula\u00e7\u00e3o, e que Cuba era um pa\u00eds ao qual o socialismo o tinha levado \u00e0 pobreza absoluta e que, como modelo, n\u00e3o prestava. Era a chave do que se perseguia, sobretudo nesse momento.<\/p>\n<p>Na Venezuela trabalhou uma agente com experi\u00eancia em tumbar governos<\/p>\n<p>&#8211; Quanto tempo esteve voc\u00ea enquanto agente da CIA?<\/p>\n<p>&#8211; Estivemos nessa hist\u00f3ria inicial at\u00e9 o ano 94. Porque no ano 94 eu venho a Havana, regresso aqui \u00e0 capital e aqui, na capital, entro a trabalhar no Sindicato dos Trabalhadores da Cultura, um sindicato que representa aos trabalhadores da cultura na capital, e me fiz ainda mais interessante para eles, porque passava de dirigir, de ser l\u00edder de uma organiza\u00e7\u00e3o juvenil que tinha 4.000 membros, a dirigir uma organiza\u00e7\u00e3o sindical que tinha 40.000 filiados. Ou seja, com uma organiza\u00e7\u00e3o sindical com 40.000 filiados, somente na cidade de Havana. E ent\u00e3o, fez-se bem mais interessante. Continuaram os contatos. Nessa \u00e9poca apareceu uma professora de uma universidade nova que veio com a miss\u00e3o de impulsionar a produ\u00e7\u00e3o de minha obra liter\u00e1ria, de converter em meu representante, de organizar eventos.<\/p>\n<p>&#8211; Pode dar o nome?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, porque realmente usavam seud\u00f3nimos. Nunca usavam os nomes reais. E esse tipo de trabalho, de promover-me a mim como escritor, era no que eles estavam muito interessados, porque queriam converter em uma personalidade dentro desse mundo. Promovendo-me agora, e me comprometendo com eles de maneira n\u00e3o direta. E j\u00e1, no ano 2004, chega aqui a Havana uma pessoa que \u00e9 bem conhecida em Venezuela, Kelly Keiderling. Kelly vem a Havana a trabalhar como Chefa do Escrit\u00f3rio de Imprensa e Cultura. Preparam uma reuni\u00e3o. Preparam um coquetel, e nesse coquetel tenho um encontro com doze servidores p\u00fablicos norte-americanos, norte-americanos e europeus. N\u00e3o somente eram norte-americanos. Todos, pessoas que tinham experi\u00eancia, alguns que tinham experi\u00eancia, inclusive, dentro da mesma Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, outros, participava em treinamento e prepara\u00e7\u00e3o da gente na Iugosl\u00e1via, na Revolu\u00e7\u00e3o de Cores, e tinham muito interesse em me conhecer. Kelly converte-se em uma pessoa muito pr\u00f3xima. Come\u00e7a-me a preparar. Come\u00e7a-me a instruir. Come\u00e7o a receber, adiante dela, um treinamento muito s\u00f3lido: A cria\u00e7\u00e3o de grupos alternativos, a cria\u00e7\u00e3o de grupos independentes, a organiza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes juvenis, sobretudo, em projetos de cultura, mas, que sempre fossem alternativos, que n\u00e3o participassem do trabalho das Institui\u00e7\u00f5es culturais. J\u00e1 isso foi no ano 2004-2005. Kelly sai praticamente de cena em 2005-2006. E entro a trabalhar, ela me apresenta, me p\u00f5e em contato direto, com oficiais da CIA. Supostamente, eu j\u00e1 estava comprometido com eles, estava pronto para a pr\u00f3xima miss\u00e3o, e me p\u00f5em em contato com Renee Greenwald, um oficial da CIA que come\u00e7a a trabalhar comigo de maneira direta, e com um senhor que se chamava Mark Waterhein, que era, nesse momento, o chefe do Projeto Cuba, da Funda\u00e7\u00e3o Panamericana para o Desenvolvimento.<\/p>\n<p>Centenas de jovens venezuelanos foram captados pela CIA<\/p>\n<p>Este senhor Mark, al\u00e9m de dirigir o Projeto Cuba, tinha uma vincula\u00e7\u00e3o direta com Cuba, no tema de financiamento do projeto contra a Revolu\u00e7\u00e3o, ademais, estava envolvido em tarefas contra Venezuela. Ou seja, era um homem que, muitos de sua equipe, dos servidores p\u00fablicos desse famoso projeto, tamb\u00e9m trabalhavam contra Venezuela nesse tempo. Estavam estreitamente vinculados. \u00c0s vezes custava muito trabalho diferenciar, quem trabalhava com Cuba, e quem n\u00e3o, porque muitas vezes se intercalaban. Por exemplo, tinha venezuelanos que vinham a trabalhar comigo, que trabalhavam em Washington, que estavam subordinados \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Panamericana e \u00e0 CIA, e vinham a Cuba a me treinar tamb\u00e9m, e a trazer fornecimentos. Da\u00ed sai a ideia de criar uma funda\u00e7\u00e3o, um projeto que se chamou G\u00e9nesis.<\/p>\n<p>G\u00e9nesis \u00e9 qui\u00e7\u00e1 a matriz, como ideia, de muitas das coisas que passaram no mundo no dia de hoje, nestes momentos, porque G\u00e9nesis \u00e9 um projeto dirigido aos jovens universit\u00e1rios cubanos. Estavam fazendo algo similar em Venezuela. Porque, que passa? A ideia estava em converter \u00e0s universidades -universidades que sempre era revolucion\u00e1rias, que produzia revolucion\u00e1rios, das que sa\u00edsse muitos dos revolucion\u00e1rios de ambos pa\u00edses-, e as converter em universidades que fossem f\u00e1bricas de reaccionarios. Ent\u00e3o, voc\u00ea como pode fazer isso? Formando l\u00edderes. Que come\u00e7aram a fazer em Venezuela? Enviavam estudantes para a Iugosl\u00e1via, financiados pelo Instituto Republicano Internacional (IRI), que era financiado pela USAID e financiado pelo Albert Einstein Institute, e os enviavam, em grupos de dez, com seu professor.<\/p>\n<p>&#8211; Tem os nomes dos venezuelanos?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, estamos falando de que enviaram centenas. Eu falava com o professor, e olhava um grupo e seguia o outro. Porque est\u00e3o trabalhando em longo prazo. O mesmo plano era igual contra Cuba. G\u00e9nesis promovia, dentro da universidade, um plano de bolsas de forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes para estudantes cubanos e professores cubanos. O plano era muito parecido. Inclusive, no 2003, eles preparam aqui, em Havana, um curso na Se\u00e7\u00e3o de Interesses dos Estados Unidos, que se chamava, Derrubando um l\u00edder, derrubando um ditador, que est\u00e1 baseado na experi\u00eancia de Otpor para sacar a Milosevic do poder. E \u00e9 a ideia, dentro da universidade cubana, que est\u00e3o trabalhando em longo prazo, porque todos esses projetos t\u00eam sempre um prazo longo, para que tenham resultado. Pelisso, tamb\u00e9m come\u00e7aram cedo em Venezuela. Eu acho, inclusive, n\u00e3o tenho provas, mas, eu acho que em Venezuela come\u00e7ou, antes do governo de Ch\u00e1vez, porque o plano de converter \u00e0s universidades latinoamericanas, que sempre foram fontes dos processos revolucion\u00e1rios, em universidades reaccionarias, \u00e9 mais antigo que o processo venezuelano, para reverter a situa\u00e7\u00e3o e criar uma nova direita.<\/p>\n<p>A CIA trabalha em toda a Venezuela<\/p>\n<p>&#8211; A CIA s\u00f3 trabalha em Caracas?<\/p>\n<p>N\u00e3o, trabalha em toda a Venezuela. Agora, nesse momento, G\u00e9nesis tinha em Cuba um plano de bolsas para formar l\u00edderes. Aos estudantes propunham-lhes uma bolsa em uma grande universidade norte-americana, ou uma grande universidade europeia, para se formarem como l\u00edderes, com tudo pago. Pagam-lhes despesas, pagavam-lhes bolsas completas. Estamos falando dos anos 2004-2005. Era muito evidente. Ent\u00e3o, esses l\u00edderes regressariam \u00e0 universidade em algum momento. S\u00e3o estudantes. V\u00e3o terminar sua carreira. Esses l\u00edderes, quando terminem suas carreiras, v\u00e3o ocupar diferentes cargos, diferentes possibilidades, como engenheiros, como licenciados em diferentes setores da sociedade cubana, mas, h\u00e1 outros que v\u00e3o estar constantemente preparando l\u00edderes dentro da universidade. Uma das miss\u00f5es mais importante, dos l\u00edderes da universidade, era ocuparem a lideran\u00e7a das principais organiza\u00e7\u00f5es juvenis da universidade. No caso de Cuba, estamos falando da Uni\u00e3o de Jovens Comunistas, e da Federa\u00e7\u00e3o Estudantil Universit\u00e1ria, ou seja, n\u00e3o era criar grupos paralelos nesse momento, mas se converterem nos l\u00edderes das organiza\u00e7\u00f5es que existiam em Cuba. Junto disso, formar um grupo de l\u00edderes nas estrat\u00e9gias inesperadamente suave. Ou seja, treinar gente para quando o momento fosse oportuno, no momento ideal poder efetuar as famosas revolu\u00e7\u00f5es de cores ou guerras n\u00e3o violentas, que voc\u00ea sabe bem que, de n\u00e3o violentas, n\u00e3o t\u00eam nada.<\/p>\n<p>&#8211; Que perfil buscam em um professor, para ser captado?<\/p>\n<p>&#8211; Professores \u00e9 muito f\u00e1cil. Identificar na universidade professores que fossem gente descontente com a institui\u00e7\u00e3o, gente frustrada, porque consideravam que a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhes garantia, ou n\u00e3o lhes reconheciam seus m\u00e9ritos. Se eram idosos, melhor ainda. N\u00e3o o especificavam. Escolhem a pessoas idosas, para que voc\u00ea as selecione. Se voc\u00ea envia um plano de bolsas, ou voc\u00ea o envia e de repente, recebe um convite para participar em um grande congresso internacional de determinada ci\u00eancia, te vai estar agradecido eternamente, porque voc\u00ea foi o que lhe descobriu seu talento, que nunca era reconhecido pela universidade. Ent\u00e3o, a esse homem que voc\u00ea p\u00f5e a estudar afora, que voc\u00ea \u00e9 de sua universidade, e participando em um grande evento, e lhe publicam a obra, e lhe constroem um curriculum. Quando esse homem regressar a Cuba, regressa com um tremendo curriculum, porque participou de um evento cient\u00edfico de primeiro n\u00edvel, passou cursos de grandes universidades, e seu curr\u00edculo era muito bom, portanto, a influ\u00eancia que podia ter na universidade era maior, porque podia ser reconhecido como uma figura em sua especialidade, embora na pr\u00e1tica o homem fosse um ignorante.<\/p>\n<p>Realmente n\u00e3o era um agente da CIA, eu era um agente da Seguran\u00e7a Cubana<\/p>\n<p>&#8211; E, que t\u00e3o eficientes e eficazes s\u00e3o esse tipo de capta\u00e7\u00f5es, esse tipo de miss\u00f5es que eles vinham a cumprir c\u00e1?<\/p>\n<p>&#8211; No caso de Cuba, n\u00e3o lhes correu muito bem. Primeiro, porque tinha uma raz\u00e3o important\u00edsima, porque o que estava dirigindo o projeto era eu, e eu, realmente n\u00e3o era um agente da CIA, eu era um agente da Seguran\u00e7a Cubana, portanto, todo o projeto passava por minhas m\u00e3os, e era suposto eu ser que o executasse, e o plano passava sempre pelo trabalho que eu pudesse fazer, e o que faz\u00edamos era atrapalh\u00e1-lo quanto poss\u00edvel, ao termos conhecimento, de imediato, do que se estava planificando. Mas repara que o fim de seu plano estava calculando para o momento em que desaparecessem as figuras hist\u00f3ricas da Revolu\u00e7\u00e3o. Eles estavam calculando um prazo de cinco ou dez anos, em que Fidel desaparecesse da cena pol\u00edtica, e desaparecessem de cena, Ra\u00fal e os l\u00edderes hist\u00f3ricos do pa\u00eds. Esse era o momento que estavam esperando, quando isso ocorresse, devia sair da universidade, com todo o apoio da imprensa internacional e com todo o apoio das ONGs, da USAID, e de toda esta gente que trabalha ao redor do dinheiro norte-americano da CIA, e que surgiria uma organiza\u00e7\u00e3o que se desse a apresentar ante a luz p\u00fablica, como uma alternativa ao que estava fazendo a Revolu\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o vem que acontecendo com a Funda\u00e7\u00e3o G\u00e9nesis para a Liberdade.<\/p>\n<p>&#8211; Que \u00e9 essa Funda\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; A Funda\u00e7\u00e3o G\u00e9nesis para a Liberdade devia ter um discurso, aparentemente revolucion\u00e1rio, porque a ideia era confundir as pessoas. A ideia \u00e9 que dissessem que eram revolucion\u00e1rios, que o que queriam era fazer mudan\u00e7as no governo, mas, quando voc\u00ea ia \u00e0 pr\u00e1tica, quando ia \u00e0 ess\u00eancia do projeto, quando voc\u00ea te dizia, qual era o projeto?, o discurso era, e o projeto era, exatamente os mesmos da direita tradicional, porque as mudan\u00e7as que eles promoviam, eram as mudan\u00e7as que a direita, fazia momento, estavam promovendo dentro do pa\u00eds. Na pr\u00e1tica, quase tiveram a grande oportunidade, segundo o crit\u00e9rio deles, em 2006, quando sai a not\u00edcia em televis\u00e3o que Fidel, por raz\u00f5es de doen\u00e7a, deixava de ocupar as responsabilidades que tinha no Governo, e eles sempre disseram que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, no dia que Fidel morresse, iria cair. Porque a Revolu\u00e7\u00e3o era Fidel, e que no dia que Fidel n\u00e3o estivesse a\u00ed, se morresse ou sa\u00edsse do Governo, ao outro dia a Revolu\u00e7\u00e3o ca\u00eda, e calcularam que ia ter confrontos internos, que ia ter descontentamento com isto, com aquilo. C\u00e1lculos que n\u00e3o sei, de onde sa\u00edram, mas era o que achavam. E nesse momento, eles acharam que era a hora de come\u00e7arem a atuar.<\/p>\n<p>CIA: O melhor que nos pode passar \u00e9 que matem um opositor<\/p>\n<p>&#8211; Estamos falando do ano 2006. E qual era o plano?<\/p>\n<p>&#8211; Contatam-me automaticamente. Reunimo-nos com o chefe da esta\u00e7\u00e3o CIA, aqui em Havana, tamb\u00e9m apareceram servidores p\u00fablicos diplom\u00e1ticos, e um me diz, vamos organizar uma provoca\u00e7\u00e3o. Vamos organizar um levantamento popular em um bairro central de Havana, que tenha uma pessoa que esteja disposta a se ir em cabe\u00e7a, pela democracia, e vamos executar um grupo de provoca\u00e7\u00f5es, em diferentes locais, de maneira que as for\u00e7as de seguran\u00e7a cubanas se vejam obrigadas a atuar contra essa gente, e depois vamos armar uma grande campanha de imprensa, e come\u00e7a explicando como todo isso ia funcionar. O interessante disso est\u00e1 em que, chamava muito a aten\u00e7\u00e3o, como era poss\u00edvel que, um servidor p\u00fablico da Se\u00e7\u00e3o de Interesses dos Estados Unidos, tivesse o poder de convocar aos principais meios de imprensa, e que essa gente o obedecesse com esse servilismo? Era muito chamativo. A ideia era., inclusive eu lhe disse, isso que me est\u00e1 dizendo \u00e9 um disparate. Ou seja, este homem que voc\u00ea me menciona a mim, que se chamava Alci Ferrer -o rapaz que eles escolhia; um agente jovem, m\u00e9dico, o escolhia para ser o cabe\u00e7a do levantamento, disse-lhe, esse rapaz n\u00e3o vai mover ningu\u00e9m. Ningu\u00e9m se vai levantar no centro de Havana.<\/p>\n<p>A data que escolhem \u00e9, nada mais que no dia de anivers\u00e1rio de Fidel, e me dizem nesse dia!, e eu digo, olha meu, se a esse homem, nesse dia, resolver lan\u00e7ar proclamas, ou quiser levantar qualquer coisa no centro de Havana, o povo vai responder forte, inclusive, \u00e9 poss\u00edvel que esse homem o matem. Porque, como se ponha em um bairro de trabalhadores humildes a fazer essas coisas, os vizinhos&#8230; E diz-me, textualmente, o melhor que a n\u00f3s nos pode passar, \u00e9 que a esse homem o matem; se a esse homem o matam, seria perfeito, e explica-me que \u00e9 o que vai passar. S\u00f3 faz falta que ele provoque. Que saiam para a rua, e que tenha um choque ali. Se ocorrer isso, a imprensa vai se encarregar de construir o resto, e diz: vamos armar uma grande campanha medi\u00e1tica para demonstrar que em Cuba h\u00e1 caos; que em Cuba h\u00e1 ingovernabilidade; que em Cuba, Ra\u00fal \u00e9 incapaz de sustentar as r\u00e9deas do Governo; que se est\u00e1 assassinando a popula\u00e7\u00e3o civil, que se est\u00e1 reprimindo os estudantes na rua, ao povo na rua, que a pol\u00edcia est\u00e1 cometendo crimes. Qualquer semelhan\u00e7a com a Venezuela, n\u00e3o \u00e9 puro acaso. \u00c9 assim.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, que deveria passar nessas circunst\u00e2ncias?<\/p>\n<p>&#8211; Uma vez que estivessem criadas todas as matrizes de opini\u00e3o, e que todas as matrizes medi\u00e1ticas tivessem constru\u00eddo essa imagem. Que o mundo inteiro tivesse a vis\u00e3o de que em Cuba tinha um grande desastre, e que estavam matando pessoas; que se estava acabando tudo. Ent\u00e3o, minha Organiza\u00e7\u00e3o devia cumprir a tarefa final.<\/p>\n<p>A CIA trabalha diretamente com as embaixadas de EUA na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>&#8211; Qual era a tarefa final?<\/p>\n<p>&#8211; Bom, convocar a imprensa internacional, em minha condi\u00e7\u00e3o de professor universit\u00e1rio, em minha condi\u00e7\u00e3o de escritor, em minha condi\u00e7\u00e3o de l\u00edder dessa organiza\u00e7\u00e3o, que eu sa\u00eda publicamente a solicitar ao Governo dos Estados Unidos a interven\u00e7\u00e3o de Cuba, para garantir a vida dos civis e para trazer a tranquilidade e a paz ao povo cubano. Falar ao pa\u00eds a nome do povo cubano. Imagina s\u00f3!<\/p>\n<p>Esse plano fracassa. N\u00e3o lhes deu certo, mas, \u00e9 que quando voc\u00ea v\u00ea, depois, a maneira como se arma o da guerra na L\u00edbia e a maneira como se constr\u00f3i. Mais de 80% da informa\u00e7\u00e3o que vimos, se construiu, se fabricou. O mesmo fazem na S\u00edria, o mesmo foi feito na Ucr\u00e2nia. Tive a oportunidade de conversar com muitos ucranianos, agora que estiveram nas bases. Pessoas que est\u00e3o a favor de se unirem com a Europa. Eu tentei falar com eles nestes dias. Buscando, indagando saber, como s\u00e3o os processos esses? E eles ficaram surpreendidos pelas imagens que o mundo transmitiu. O que passou em Miami, e eles mesmo o dizem, mas, n\u00f3s est\u00e1vamos protestando a\u00ed, mas essas coisas que aparecem na televis\u00e3o, isso era um grupo, ou seja, tinha setores, tinha locais onde tinha grupos de direita, de muito extrema direita, onde teve incidentes desse tipo, e onde se queimaram, mas, a maior parte das manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tiveram essas carater\u00edsticas. Ou seja que esta \u00e9, uma vez mais, a repeti\u00e7\u00e3o do esquema, usando todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; O relacionamento entre o da CIA e as embaixadas, nos respetivos pa\u00edses, s\u00e3o diretas, ent\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Sim, completamente diretas. Em cada embaixada na Am\u00e9rica Latina, todas as embaixadas norte-americanas t\u00eam oficiais da CIA, trabalhando dentro delas, que utilizam a fachada de servidores p\u00fablicos diplom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 onde voc\u00ea sabe, onde h\u00e1 maior presen\u00e7a da CIA na regi\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Bom, em um determinado momento, o Equador foi uma pot\u00eancia forte nisso, tinha uma concentra\u00e7\u00e3o forte nisso e, com certeza, a Venezuela, porque no 2012, quando eu assisto \u00e0 Feira do Livro em Caracas, toda essa gente que trabalhou comigo contra Cuba, todos os oficiais da CIA, inclusive Kelly Keiderling, estavam em Caracas nesse momento. E eu participo em um programa de televis\u00e3o, l\u00e1 na Venezuelana de Televis\u00e3o, onde falamos esse tema, sendo muito cuidadosos, porque estamos falando de dois pa\u00edses que tem relacionamentos. Esse n\u00e3o \u00e9 o caso de Cuba, ou seja, Cuba n\u00e3o tem relacionamentos com Estados Unidos. Esse \u00e9 um inimigo declarado. Mas est\u00e1vamos falando de servidores p\u00fablicos que tinham relacionamento diplom\u00e1tico e era muito embara\u00e7oso fazer isso, sem ter provas concretas que voc\u00ea pudesse apresentar, no entanto, a entrevista foi feita e fez-se a den\u00fancia do que estava passando. Kelly Keiderling \u00e9 uma perita nesse tipo de guerra. A mim n\u00e3o me cabe a menor d\u00favida. Quando um segue o itiner\u00e1rio que ela tem. Nos pa\u00edses onde esteve, e quando esteve nesse tipo de conflito.<\/p>\n<p>Ag\u00eancias internacionais de not\u00edcias s\u00e3o penetradas pela CIA<\/p>\n<p>Ela tem um percurso atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de pa\u00edses do mundo, onde ocorreram situa\u00e7\u00f5es muito similares \u00e0 que ela tratou de realizar na Venezuela. E quando voc\u00ea analisa a Venezuela e o que aconteceu nestes dias e a maneira como se atuou, eu penso que na Venezuela, a carater\u00edstica que teve, \u00e9 que foram tremendamente agressivos na manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. Tremendamente agressivos. At\u00e9 chegarem no ponto que, voc\u00ea diz que \u00e9 uma torpeza, porque h\u00e1 imagens que s\u00e3o t\u00e3o evidentes, que n\u00e3o s\u00e3o na Venezuela. Eu estava vendo uma muito famosa, onde que aparece um soldado com um jornalista, com uma c\u00e2mera, que s\u00e3o coreanos. Essa \u00e9 uma imagem da Cor\u00e9ia. S\u00e3o asi\u00e1ticos. N\u00e3o se parecem em nada a um venezuelano. Inclusive os uniformes que utilizam. foram muito agressivos com a imagem que se projetou ao mundo do que passa na Venezuela. Controlam os meios. A maior parte da gente do mundo, a imagem que est\u00e1 vendo \u00e9 a imagem do que eles est\u00e3o tratando de dizer.<\/p>\n<p>&#8211; Eles controlam os meios, conhece algum caso de algum jornalista que seja, que voc\u00ea o tenha visto, conhecido ou n\u00e3o conhecido, que voc\u00ea o tenha visto nos processos de treinamento?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; CNN, por exemplo?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, tinha um tipo que teve muita vincula\u00e7\u00e3o em algum momento comigo aqui, que serviu de liga\u00e7\u00e3o para conhecer um oficial da CIA, que foi Antony Golden, que era de Reuter, mas, bom, era um elemento independente de Reuter. CNN tem estado sempre muito vinculada a todas estas coisas. CNN, desde seu primeiro per\u00edodo de trabalho, sobretudo esta \u00faltima etapa de trabalho, e, sobretudo, CNN em espanhol foi uma ferramenta indiscut\u00edvel do trabalho desta gente, mas, o problema \u00e9 que h\u00e1 que entender uma coisa, para poder compreender o que est\u00e1 passando, e, para poder armar uma campanha destas, h\u00e1 que entender que, hoje em dia, n\u00e3o existe nenhum tipo de canal de televis\u00e3o que atue por si s\u00f3. A\u00ed est\u00e3o os conglomerados, e os conglomerados das comunica\u00e7\u00f5es, quem os dirigem? Porque, por exemplo, Time Warner e Aol, e todas estas grandes companhias das comunica\u00e7\u00f5es da televis\u00e3o por cabo, da televis\u00e3o de cinema, de televis\u00e3o em general, afinal, quem \u00e9 o dono? A\u00ed est\u00e1 Westinghouse, a\u00ed est\u00e1 General Electric. Os mesmos que te fabricam um avi\u00e3o de combate, a mesma ind\u00fastria armamentista norte-americana, \u00e9 a mesma gente que hoje em dia s\u00e3o donos das cadeias de televis\u00e3o, das produtoras de cinema, dos jornais, da gente que produz livros. Ent\u00e3o, os mesmos tipos que produzem um avi\u00e3o de combate, que uma galletica doce que te vai comer na noite, que ta apresenta um artista, s\u00e3o os mesmos que dirigem os di\u00e1rios do mundo inteiro. A quem responde essa gente?<\/p>\n<p>&#8211; Quando voc\u00ea v\u00ea o que est\u00e1 acontecendo na Venezuela, e compara com o que tinha planejado voc\u00ea c\u00e1, a que conclus\u00e3o pode chegar?<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 uma estrat\u00e9gia nova, que foram desenvolvendo sobre a experi\u00eancia que tiveram no mundo inteiro, mas vejo, estou convencido, que s\u00f3 lhes resultou, quando nesses locais o povo n\u00e3o apoia a revolu\u00e7\u00e3o. Isso o conseguiram com Milosevic, porque Milosevic era um l\u00edder na Iugosl\u00e1via que j\u00e1 se tinha derrubado muito sua imagem, pelas coisas que acontecia na Iugosl\u00e1via. Passa o mesmo na Ucr\u00e2nia, porque Yanukovich era um homem que tinha muito pouco apoio popular, e deu resultado em outros locais, a partir do pouco apoio que tiveram os governantes, por parte do povo. Onde quer que teve um governo leg\u00edtimo, um governo s\u00f3lido, e gente disposta a defender a revolu\u00e7\u00e3o, o plano fracassou.<\/p>\n<p>EUA seguir\u00e1 conspirando e aperfei\u00e7oando sua capacidade para destruir<\/p>\n<p>&#8211; E, em que fase entra quando esse plano falha?<\/p>\n<p>&#8211; V\u00e3o continuar tentando, eles v\u00e3o continuar aperfei\u00e7oando. N\u00f3s somos o inimigo. Ou seja, Venezuela, Cuba, todo o que se est\u00e1 fazendo na Am\u00e9rica Latina como uma alternativa. N\u00f3s somos os dissidentes do mundo. N\u00f3s vivemos em um mundo onde domina o capitalismo. Onde domina essa nova maneira de ser do capitalismo, que j\u00e1 nem sequer se lhe pode dizer imperialista, \u00e9 algo novo, algo que vai bem mais l\u00e1 do que os estudiosos do marxismo escreveram na hist\u00f3ria, anos atr\u00e1s. \u00c9 algo novo, inovador. \u00c9 um poder, praticamente global, das grandes transnacionais, desses megalop\u00f3lios que criaram. Ent\u00e3o, o inimigo somos n\u00f3s. N\u00f3s estamos apresentando um projeto alternativo. A solu\u00e7\u00e3o que nos prop\u00f5e o mundo, n\u00e3o \u00e9 essa. N\u00f3s sabemos como fazer, e Cuba, Venezuela, os pa\u00edses da Alva, demonstraram que pode ser feito, que n\u00e3o \u00e9 nada mais, um ou dois dias. A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana tem 55 anos de exist\u00eancia. Est\u00e1 validada por 55 anos de exist\u00eancia, e, com vontade pol\u00edtica, conseguiu coisas que o Governo norte-americano, nem com todo o dinheiro do mundo, o conseguiu fazer. Ent\u00e3o isso \u00e9 um mau exemplo.<\/p>\n<p>Eu dizia a meus estudantes, voc\u00eas imaginam que os Indignados no Estado espanhol, que os milhares e milh\u00f5es de oper\u00e1rios que no Estado espanhol n\u00e3o t\u00eam trabalho, que os gregos, que toda essa gente no mundo inteiro, soubessem o que n\u00f3s estamos fazendo? Voc\u00ea imagina que a gente soubesse, de quem \u00e9 Ch\u00e1vez? Ou, de quem \u00e9 Fidel? Ou das coisas que estamos fazendo aqui? E das coisas que estamos fazendo com t\u00e3o poucos recursos, s\u00f3 com a vontade de fazer a revolu\u00e7\u00e3o, e repartir a riqueza? Que se passaria com o capitalismo? Quanto duraria o capitalismo, que tem que se gastar bili\u00f5es de d\u00f3lares, todo os dias, para construir sua imagem e enganar as pessoas? Que passaria se as pessoas soubessem quem somos realmente? Que coisa \u00e9 realmente a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, e da\u00ed coisa \u00e9, realmente, a Revolu\u00e7\u00e3o Venezuelana? Porque, voc\u00ea fala com um espanhol e pergunta a ele por Ch\u00e1vez, e d\u00e1 uma opini\u00e3o p\u00e9ssima de Ch\u00e1vez, porque \u00e9 o que lhe constru\u00edram em sua mente; e encontra um desempregado que te diz que Ch\u00e1vez \u00e9 um tipo terr\u00edvel, porque os meios o convenceram que \u00e9 assim, mas, se essa gente soubesse que coisa \u00e9 realmente, Ent\u00e3o, eles n\u00e3o podem permitir que inimigos t\u00e3o formid\u00e1veis, como n\u00f3s, estejamos ali, \u00e0 porta.<\/p>\n<p>&#8211; Do ponto de vista da soberania nacional de nossos povos, como pode ser freado o trabalho da CIA? J\u00e1 fal\u00e1vamos da consci\u00eancia do povo, que \u00e9 fundamental neste tipo de a\u00e7\u00f5es, mas, no concreto, como pode ser previsto o trabalho da CIA? Que pode ser feito? Que recomenda\u00e7\u00f5es faria?<\/p>\n<p>&#8211; Penso que h\u00e1 uma coisa que Ch\u00e1vez disse, e que Fidel tamb\u00e9m disse sempre, que \u00e9 a chave para derrotar o imp\u00e9rio, que \u00e9 a unidade. N\u00e3o \u00e9 uma palavra de ordem, \u00e9 uma realidade. \u00c9 a \u00fanica forma que voc\u00ea tem de derrotar um projeto como esse. Projeto surgido dos Servi\u00e7os Especiais, e surgido do capitalismo. S\u00f3 se pode com a unidade popular.<\/p>\n<p>&#8211; Estar\u00edamos falando do c\u00edvico-militar?<\/p>\n<p>&#8211; Sim, a unidade em todos os sentidos. A unidade baseada na diversidade, nos povos, mas, a unidade como na\u00e7\u00e3o, a unidade como projeto. Quando a gente se divide, h\u00e1 outra realidade.<\/p>\n<p>Keiderling enquanto agente da CIA chegou bastante longe na Venezuela<\/p>\n<p>&#8211; Onde se t\u00eam que concentrar? Em que \u00e1rea se t\u00eam que concentrar a for\u00e7a, para defender deste tipo de a\u00e7\u00f5es, deste tipo de ataques?<\/p>\n<p>&#8211; O ex\u00e9rcito para derrotar isso \u00e9 o povo. Eu acho que a experi\u00eancia cubana o ensinou muito bem. H\u00e1 experi\u00eancias no mundo que te marcam muito claro. Que passou no mundo, quando n\u00e3o foi o povo o protagonista da defesa da revolu\u00e7\u00e3o? E quando o povo foi protagonista, que passou? E \u00e9 o caso de Cuba. N\u00f3s conseguimos derrotar milh\u00f5es de vezes a CIA e o Imp\u00e9rio, porque o povo foi o protagonista.<\/p>\n<p>&#8211; Utiliza a CIA o banco de dados das redes sociais, e esse tipo de coisas, para definir seus planos?<\/p>\n<p>&#8211; S\u00e3o os donos. S\u00e3o os donos disso. Bom, ali est\u00e3o as den\u00fancias de Snowden e todo o que saiu de Wikileaks, e todas essas coisas que, n\u00e3o \u00e9 que seja um segredo para ningu\u00e9m, porque se suspeitava, mas est\u00e1 demonstrado. Est\u00e1 demonstrado que os servidores, internet, s\u00e3o deles. Todos os servidores do mundo, afinal, morrem nos servidores dos norte-americanos. S\u00e3o a m\u00e3e da internet e todas as redes e os servi\u00e7os est\u00e3o controlados por eles. Eles t\u00eam acesso a toda a informa\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o p\u00f5em limites na hora de gravar. Facebook \u00e9 um banco de dados extraordin\u00e1rio. As pessoas p\u00f5em no Facebook tudo. Quem s\u00e3o os amigos? Que gostos t\u00eam, que cinema veem? Que consomem? E essa \u00e9 uma fonte de informa\u00e7\u00e3o em primer\u00edsima m\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Tem estado em contato com Kelly Keiderling, ap\u00f3s o que passou na Venezuela?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o tive contato com ela. N\u00e3o sei qual foi seu destino final, ap\u00f3s o que passou (Foi expulsa da Venezuela por se reunir com e financiar terroristas).<\/p>\n<p>&#8211; Com a experi\u00eancia que ela tem, at\u00e9 que ponto p\u00f4de ter penetrado na Venezuela, e nas universidades venezuelanas?<\/p>\n<p>&#8211; Eu tenho a seguran\u00e7a que chegou bastante longe. \u00c9 uma agente muito inteligente, muito bem preparada, muito capaz, e muito convencida do que est\u00e1 fazendo. A Kelly \u00e9 uma pessoa convencida do trabalho que est\u00e1 realizando. Convencida da justeza, do seu ponto de vista, do que est\u00e1 fazendo. Porque \u00e9 uma representante incondicional do capitalismo. Porque prov\u00e9m da elite do capitalismo. \u00c9 org\u00e2nica da a\u00e7\u00e3o que est\u00e1 fazendo. N\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de contradi\u00e7\u00e3o. E, baseado na experi\u00eancia de seu trabalho, de sua capacidade, tenho a seguran\u00e7a de que ela conseguiu chegar bem longe, conseguiu chegar bem longe e lhe deu continuidade a um trabalho que n\u00e3o \u00e9 de agora, \u00e9 um trabalho que vem se fazendo desde faz muito tempo, para reverter o processo nas universidades venezuelanas. O que passa \u00e9 que at\u00e9 que ponto o podem conseguir, no longo prazo, isso \u00e9 o que vai mostrar o processo bolivariano, na medida que as pessoas tenham consci\u00eancia do que pode passar. Se essa direita fascista faz-se incontrol\u00e1vel, conseguir\u00e1 atingir o poder outra vez.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos que formar os nossos l\u00edderes<\/p>\n<p>&#8211; Qualquer pessoa que tenha contatos, que tenha como chegar ao povo, como ser ativista em um movimento, pode ser captado pela CIA?<\/p>\n<p>&#8211; V\u00e3o encontr\u00e1-lo, v\u00e3o tentar faz\u00ea-lo. Se for jovem e l\u00edder, v\u00e3o tentar captar para seus interesses. N\u00f3s temos que formar os nossos l\u00edderes. N\u00f3s n\u00e3o podemos deixar isso \u00e0 espontaneidade, nem podemos deixar isso ao inimigo. Ent\u00e3o, se os deixamos ao inimigo, s\u00e3o espa\u00e7os que o inimigo ocupa. Projeto alternativo que n\u00f3s deixamos sem atender, projeto alternativo que n\u00e3o nos damos conta da necessidade de nos aproximarmos dele, esse \u00e9 um projeto do que o inimigo vai tentar, por todos os meios, tomar conta dele. Usando a enorme quantidade de dinheiro que t\u00eam para isso, que n\u00e3o tem limite, quanto a recursos para poder os utilizar, porque se est\u00e3o jogando o futuro e, sobretudo, os jovens s\u00e3o a chave.<\/p>\n<p>O bom \u00e9 que os jovens s\u00e3o o presente da Am\u00e9rica Latina. A revolu\u00e7\u00e3o latino-americana que est\u00e1 por c\u00e1, que est\u00e1 em todos os lados, \u00e9 dos jovens. Se n\u00e3o, bom, nunca teria resultado, e se voc\u00ea conseguisse que esses jovens pensassem diferente, se voc\u00ea conseguisse que esses jovens achassem que este capitalismo selvagem \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o a todos seus problemas, ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica latina. Simplesmente.<\/p>\n<p>Via Aporrea.<\/p>\n<p>http:\/\/www.diarioliberdade.org\/entrevistas\/direitos-nacionais-e-imperialismo\/47106<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6051\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-6051","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1zB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}