{"id":6060,"date":"2014-04-01T18:33:14","date_gmt":"2014-04-01T18:33:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6060"},"modified":"2014-04-01T18:33:14","modified_gmt":"2014-04-01T18:33:14","slug":"como-combater-a-ofensiva-fascista-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6060","title":{"rendered":"COMO COMBATER A OFENSIVA FASCISTA NA VENEZUELA?"},"content":{"rendered":"\n<p>O que fazer para p\u00f4r fim \u00e0 escalada de viol\u00eancia na Venezuela? \u00c9 \u00f3bvio que o imp\u00e9rio tem um manual, como advertiu Ch\u00e1vez na confer\u00eancia que brindara na noite de 10 de dezembro de 2007, no Centro Cultural da Coopera\u00e7\u00e3o de Buenos Aires (1). Um manual que foi ensaiado em outros pa\u00edses h\u00e1 muito tempo: o caso mais not\u00e1vel que, de alguma maneira, fixou os par\u00e2metros deste induzido processo de fascismo foi o Chile de Allende.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esta pioneira experi\u00eancia criminosa, o manual foi se aperfei\u00e7oando ao longo de muitos estudos realizados em outros pa\u00edses e das tentativas te\u00f3ricas de sistematizar o lado mais importante de Eugene Sharp e sua equipe, do Instituto Albert Einstein, um nome mentiroso como poucos para uma institui\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de novas estrat\u00e9gias para a &#8220;mudan\u00e7a de regime&#8221;, que apela para o chamado modo &#8220;n\u00e3o-violento&#8221; de derrubar governos insubmissos aos ditames de Washington. Os casos da L\u00edbia, S\u00edria, Ucr\u00e2nia e agora Venezuela ilustram didaticamente o que quer dizer a express\u00e3o \u201cn\u00e3o violento\u201d para os estrategistas e intelectuais do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que o sistema internacional est\u00e1 passando por uma fase turbulenta de transi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica global. Em pouco mais de uma d\u00e9cada, surgiram novos centros de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, ao passo que o poder global dos EUA se enfraqueceu. Continua sendo, sem d\u00favida, o poder militar mais importante do mundo, mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para vencer guerras, como amplamente evidenciado pelos casos do Vietn\u00e3, Iraque e Afeganist\u00e3o. Seus aliados est\u00e3o cada vez mais hesitantes e incertos, seus vassalos menos obedientes e os seus advers\u00e1rios e rivais cada vez mais poderosos e influentes.<\/p>\n<p>Washington perde posi\u00e7\u00f5es no Oriente M\u00e9dio: fracassou na tentativa de atacar a S\u00edria, suas chantagens ao Ir\u00e3 terminaram sendo bravatas inofensivas e seus aliados hist\u00f3ricos na regi\u00e3o, as reacion\u00e1rias teocracias do Golfo, s\u00e3o amea\u00e7adas pelo avan\u00e7o do jihadismo, enquanto Israel implanta, em alguns temas, um jogo pr\u00f3prio, que paradoxalmente transforma Washington em seu relutante subordinado. Na \u00c1sia Central, o sentimento anti-americano chega a alturas sem precedentes e no Extremo Oriente a crescente gravita\u00e7\u00e3o da China aparece como irresist\u00edvel e destinada a mover as placas tect\u00f4nicas do sistema internacional.<\/p>\n<p>\u00c9 neste quadro de decl\u00ednio imperial que h\u00e1 de se compreender a contra-ofensiva sediciosa lan\u00e7ada contra a Venezuela Bolivariana, sede da maior reserva de petr\u00f3leo do planeta e, por isso mesmo, um im\u00e3 irreprim\u00edvel para um pa\u00eds que construiu um modo de vida e enterrou sua supremacia planet\u00e1ria sobre a base irrespons\u00e1vel deste recurso. Tal como ocorrera na d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo passado, quando as derrotas na Indochina (Vietn\u00e3, Laos, Camboja) desencadearam uma contra-ofensiva que culminou na instala\u00e7\u00e3o de ditaduras militares em quase todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe, o retrocesso global dos Estados Unidos no mundo atual o impulsiona novamente a buscar ref\u00fagio em seu \u201cquintal\u201d, como h\u00e1 pouco dissera John Kerry em sua visita \u00e0 OEA. Ou na sua tradicional \u201cretaguarda estrat\u00e9gica\u201d, como definiram Fidel e Che. E para isso t\u00eam de varrer os regimes pol\u00edticos e governos indesej\u00e1veis.<\/p>\n<p>Da\u00ed a enorme dificuldade de p\u00f4r fim aos ataques dos fascistas na Venezuela, por mais apela\u00e7\u00f5es de di\u00e1logo de paz que fez o presidente Nicol\u00e1s Maduro e que s\u00e3o grosseiramente ignorados pela oposi\u00e7\u00e3o. A Venezuela \u00e9 a cabe\u00e7a da ponte de uma estrat\u00e9gia de desestabiliza\u00e7\u00e3o integral das democracias latino-americanas, que come\u00e7ou pela terra de Ch\u00e1vez, tentar\u00e1 continuar sua marcha pelo Equador e Bol\u00edvia e, finalmente, obter uma posi\u00e7\u00e3o na Argentina, Brasil e Uruguai. O resultado esperado desta opera\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer a Am\u00e9rica Latina e o Caribe voltarem \u00e0 situa\u00e7\u00e3o que prevalecia na v\u00e9spera da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e instaurar em toda a regi\u00e3o \u201cgovernos amigos\u201d, neocoloniais e servis em rela\u00e7\u00e3o aos interesses econ\u00f4micos e geopol\u00edticos de Washington. Isto \u00e9 o que faz coma atual batalha da Venezuela o equivalente do que foi Stalingrado na Segunda Guerra Mundial: uma batalha decisiva, que n\u00e3o se pode perder porque o \u201cefeito domin\u00f3\u201d de uma derrota seria devastador para as lutas emancipat\u00f3rias do nosso povo, e o imp\u00e9rio sabe. Para deter esta escalada de viol\u00eancia, que hoje \u00e9 repleta de luto e dor na Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela, se requer o seguinte:<\/p>\n<p>a) em primeiro lugar, uma sustentada press\u00e3o internacional e dom\u00e9stica, no interior dos Estados Unidos, para que a Casa Branca deixe de incentivar, organizar e financiar a direita venezuelana embarcada em um projeto irrevers\u00edvel de fascismo. Para isso, Barack Obama deve reconhecer o leg\u00edtimo triunfo de Nicol\u00e1s Maduro nas elei\u00e7\u00f5es de 14 de abril de 2013, ratificado pela esmagadora vit\u00f3ria do chavismo nas municipais de 8 de dezembro deste mesmo ano.<\/p>\n<p>O desprezo de Washington \u00e9 um claro sinal para os sediciosos de que seus crimes contam com o aval incondicional do imp\u00e9rio. Sem este apoio do governo norte-americano, a ofensiva seria derrotada em quest\u00e3o de dias. Obama deveria ser denunciado ao Tribunal Penal Internacional como o principal instigador da viol\u00eancia que provocou tantas mortes na Venezuela.<\/p>\n<p>b) Em segundo lugar, descarregar todo o rigor da lei sobre os sediciosos e aos manifestantes que apelam a todas as formas imagin\u00e1veis da viol\u00eancia. Do contr\u00e1rio se produziria a met\u00e1stase da fascistiza\u00e7\u00e3o, englobando \u2013 como parece evidente nestes dias \u2013 setores cada vez mais amplos da oposi\u00e7\u00e3o, atra\u00eddos pela estrat\u00e9gia de derrubada pela via da viol\u00eancia do governo bolivariano, por dois fatores.<\/p>\n<p>Por um lado, a impunidade com que se espera contar do acusado governo bolivariano, que tem sido excessivamente tolerante com os revoltosos (falamos de gente que destr\u00f3i bens p\u00fablicos e privados; h\u00e1 armadilhas para matar motorizados; atacam com \u201ccoquetel molotov\u201d etc.). Por outro, pelo \u201cexemplo de sucesso\u201d da Ucr\u00e2nia, onde um bando de neonazistas tomou conta de um protesto originalmente pac\u00edfico, perpetrou todo tipo de crimes e desmandos e se tornou governo, imediatamente reconhecido pela Casa Branca e seus camaradas da Uni\u00e3o Europeia. A suavidade no tratamento dos sediciosos e dos violentos precipitar\u00e1 a desmoraliza\u00e7\u00e3o das filas chavistas, a desintegra\u00e7\u00e3o de suas estruturas organizacionais e uma grande modifica\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, em detrimento da revolu\u00e7\u00e3o e a favor da contrarrevolu\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 disso que se trata quando Washington fala de \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d.<\/p>\n<p>Em momentos como este, a gentileza no tratamento com aqueles que querem trazer sangue e fogo para limpar da face da terra a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana \u00e9 o caminho certo para o processo de auto-destrui\u00e7\u00e3o. Primeiro, \u00e9 preciso esmagar a contrarrevolu\u00e7\u00e3o em marcha, e depois ver quem ser\u00e1 merecedor de se beneficiar da generosidade e nobreza da revolu\u00e7\u00e3o ratificada no poder.<\/p>\n<p>c) Em terceiro lugar, para aumentar e melhorar a organiza\u00e7\u00e3o popular e seus mecanismos de mobiliza\u00e7\u00e3o, a direita vai tentar combinar suas a\u00e7\u00f5es violentas e destituintes com o controle &#8220;pac\u00edfico&#8221; das ruas, com barricadas, marchas e todo tipo de manifesta\u00e7\u00f5es de rua. O chavismo dever\u00e1 recuperar rapidamente sua mem\u00f3ria e deixar claro que o seu dom\u00ednio neste campo tem sido e dever\u00e1 permanecer incontest\u00e1vel, a despeito de qualquer acordo que poderia ser alcan\u00e7ado nas mesas de di\u00e1logos. Porque, sem o apoio da &#8220;rua&#8221; e do povo organizado, tais acordos cupulares n\u00e3o ter\u00e3o efic\u00e1cia plena.<\/p>\n<p>E temos de conscientizar a base chavista e o povo em geral de que est\u00e1 em jogo o futuro da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana e as conquistas hist\u00f3ricas de quinze anos, e que sua defesa efetiva requer inexoravelmente o aprofundamento imediato do socialismo e cumprimento imediato das diretrizes estabelecidas pelo Comandante Hugo Ch\u00e1vez Frias, na &#8220;Guinada&#8221;, divulgada na reuni\u00e3o do Conselho de Ministros em 20 de outubro de 2012.<\/p>\n<p>Qualquer governo que surja como resultado desta contra-ofensiva imperial proceder\u00e1 da mesma maneira que fez em 11 de abril de 2002 o governo de Pedro Carmona, quando em seu primeiro decreto aboliu em um s\u00f3 golpe a Constitui\u00e7\u00e3o de 1999 e todos os direitos estabelecidos na mesma, retirou todos os poderes do Estado, declarou ilegal a legisla\u00e7\u00e3o existente, removeu todas as autoridades decorrentes do voto popular em n\u00edvel nacional, estadual e municipal e encerrou o acordo de coopera\u00e7\u00e3o com Cuba.<\/p>\n<p>d) Por fim, ser\u00e1 necess\u00e1rio extremar todos os recursos para combater com a m\u00e1xima efic\u00e1cia no terreno crucial dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas, que nos dizeres do Pent\u00e1gono \u00e9 o terreno primordial, hoje, da guerra que enfrenta a revolu\u00e7\u00e3o com a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, em que os governos progressistas e de esquerda na regi\u00e3o sempre mostraram perigosos pontos fracos diante de inimigos, que h\u00e1 muito tempo implantaram uma estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, com profundo impacto sobre o imagin\u00e1rio popular. Mentiras sistematicamente propaladas como verdades indiscut\u00edveis. Diante disso, \u00e9 necess\u00e1rio responder de forma adequada, utilizando com criatividade todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais (jornais, r\u00e1dio, televis\u00e3o), mas tamb\u00e9m o grande o potencial das redes sociais.<\/p>\n<p>Nota:<\/p>\n<p>1) Um resumo se encontra dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bUd5lY9vV0w#t=58\" target=\"_blank\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bUd5lY9vV0w<\/a><\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=9381%3Asubmanchete250214&amp;catid=72%3Aimagens-rolantes&amp;Itemid=187\" target=\"_blank\">\u2018M\u00eddia traz uma Venezuela caricata, completamente deslocada da realidade\u2019<\/a> \u2013 entrevista com Pedro Barros, da Miss\u00e3o do IPEA em Caracas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=9417:submanchete120314&amp;catid=30:america-latina-&amp;Itemid=187\" target=\"_blank\">Instrumentos \u201cmade in USA\u201d da sedi\u00e7\u00e3o na Venezuela<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=9410:submanchete110314&amp;catid=30:america-latina-&amp;Itemid=187\" target=\"_blank\">OPEP ajuda a explicar a\u00e7\u00e3o golpista dos EUA na Venezuela<\/a><\/p>\n<p>Atilio Bor\u00f3n \u00e9 diretor do Programa Latino-americano de Educa\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia em Ci\u00eancias Sociais (PLED), Buenos Aires, Argentina. Recebeu o pr\u00eamio\u00a0Libertador al Pensamiento Cr\u00edtico2013.<\/p>\n<p>Website:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.atilioboron.com.ar\/\" target=\"_blank\">www.atilioboron.com.ar<\/a> &#8211;<\/p>\n<p>Retirado de\u00a0<a href=\"http:\/\/alainet.org\/active\/71753\" target=\"_blank\">Am\u00e9rica Latina en Movimiento<\/a>.<\/p>\n<p>Traduzido por Daniela Mouro, do Correio da Cidadania.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"  \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6060\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-6060","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1zK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6060","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6060"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6060\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}