{"id":6072,"date":"2014-04-03T04:18:45","date_gmt":"2014-04-03T04:18:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6072"},"modified":"2014-04-03T04:18:45","modified_gmt":"2014-04-03T04:18:45","slug":"ato-em-brasilia-pede-revisao-do-numero-de-vitimas-da-ditadura-no-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6072","title":{"rendered":"Ato em Bras\u00edlia pede revis\u00e3o do n\u00famero de v\u00edtimas da ditadura no campo"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o quer s\u00f3 saber a hist\u00f3ria. N\u00f3s queremos que o Estado reconhe\u00e7a sua a\u00e7\u00e3o terrorista&#8221;.<\/p>\n<p>Najla Passos<\/p>\n<p>O reconhecimento dos 1196 camponeses assassinados entre 1964 e 1989 como v\u00edtimas da ditadura e a devida puni\u00e7\u00e3o dos culpados foram as principais reivindica\u00e7\u00f5es que os camponeses brasileiros, liderados pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), levaram \u00e0s ruas de Bras\u00edlia, nesta segunda (31), v\u00e9spera da data que marca os 50 anos do golpe que deu in\u00edcio \u00e0 ditadura civil-militar.<\/p>\n<p>Em ato simb\u00f3lico, militantes do movimento cravaram no gramado do Congresso Nacional 1.196 cruzes, representando as v\u00edtimas j\u00e1 identificadas por estudos preliminares, e queimaram bonecos batizados com os nomes dos torturadores mais conhecidos do regime, como os coron\u00e9is Brilhante Ustra, diretor do Doi-Codi de S\u00e3o Paulo entre 1970 e 1974, e o major Sebasti\u00e3o Curi\u00f3, que atuou na repress\u00e3o \u00e0 Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p>De l\u00e1, seguiram em passeata para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde cobraram a revis\u00e3o imediata da Lei da Anistia editada em 1979, sob a tutela dos pr\u00f3prios militares, como intuito de impedir que eles fossem responsabilizados pelas torturas, assassinatos, estupros e desaparecimentos for\u00e7ados do per\u00edodo. Em 2010, essa lei forjada pela ditadura foi declarada constitucional pela corte m\u00e1xima do pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com Beto Palmeira, da coordena\u00e7\u00e3o do MPA, al\u00e9m de v\u00edtimas priorit\u00e1rias da ditadura civil-militar, os camponeses e seus apoiadores foram exclu\u00eddos da justi\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o criada j\u00e1 no regime democr\u00e1tico: o Estado s\u00f3 reconhece sua responsabilidade pelos assassinatos de 29 camponeses, enquanto estudos preliminares indicam que o n\u00famero chega h\u00e1 pelo menos 1.196.<\/p>\n<p>&#8220;As 1.996 v\u00edtimas s\u00e3o as j\u00e1 documentadas e contabilizadas. Mas, em fun\u00e7\u00e3o dos trabalhos realizados pelas comiss\u00f5es da verdade estaduais, n\u00f3s j\u00e1 sabemos que este n\u00famero \u00e9 ainda maior. \u00c9 por isso que estamos reivindicando mais condi\u00e7\u00f5es para a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade apurar o tema. O Estado brasileiro n\u00e3o oferece a infraestrutura para se fazer a pesquisa necess\u00e1ria&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo ele, a instaura\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade \u00e9 uma vit\u00f3ria democr\u00e1tica do povo brasileiro, mas \u00e9 preciso ir al\u00e9m. \u201cA gente n\u00e3o quer s\u00f3 saber a hist\u00f3ria. N\u00f3s queremos que o Estado reconhe\u00e7a sua a\u00e7\u00e3o terrorista contra as v\u00edtimas e que os respons\u00e1veis sejam punidos\u201d, acrescentou. O dirigente acredita que s\u00f3 uma puni\u00e7\u00e3o rigorosa acabar\u00e1 com a cultura da viol\u00eancia que ainda gera tantas mortes no campo.<\/p>\n<p>Palmeira criticou duramente a posi\u00e7\u00e3o do STF, que revalidou a norma legal que permite impunidade aos criminosos do regime, tanto militares quanto civis, como os latifundi\u00e1rios que colocaram seus jagun\u00e7os a servi\u00e7o da repress\u00e3o. &#8220;Esses torturadores est\u00e3o a\u00ed soltos, recebendo pens\u00f5es que n\u00e3o condizem com a realidade brasileira, que s\u00e3o maiores que o or\u00e7amento do Bolsa Fam\u00edlia\u201d, comparou.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o camponesa tamb\u00e9m lembrou a necessidade de se retomar o debate sobre a verdadeira reforma agr\u00e1ria, proposta pelo ex-presidente Jo\u00e3o Goulart, em 1964, \u00e0s v\u00e9speras do golpe, e at\u00e9 hoje n\u00e3o efetivada. \u201cAs lutas dos camponeses do per\u00edodo pr\u00e9-64 ainda s\u00e3o todas elas atuais: a reforma agr\u00e1ria como pauta priorit\u00e1ria, a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 terra, o apoio do governo para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos do pequenos agricultor\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nNajla Passos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6072\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-6072","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1zW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6072\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}