{"id":6112,"date":"2014-04-11T21:35:48","date_gmt":"2014-04-11T21:35:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6112"},"modified":"2014-04-11T21:35:48","modified_gmt":"2014-04-11T21:35:48","slug":"os-1-de-privilegiados-com-o-apoio-dos-eua-querem-derrubar-o-governo-legal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6112","title":{"rendered":"Os 1% de privilegiados, com o apoio dos EUA, querem derrubar o governo legal"},"content":{"rendered":"\n<p>Os recentes protestos na Venezuela chamaram a aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional. Grande parte da cobertura nos meios de comunica\u00e7\u00e3o internacional distorceu a realidade do meu pa\u00eds e os factos da actualidade.<\/p>\n<p>N\u00f3s os venezuelanos nos sentimos orgulhosos da nossa democracia. Constru\u00edmos um movimento democr\u00e1tico e participativo a partir da base que assegurou que tanto o poder como os recursos sejam distribu\u00eddos de maneira equitativa para o nosso povo.<\/p>\n<p>Segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas e o Banco Mundial, a Venezuela reduziu consistentemente a desigualdade, transformando-se de um dos pa\u00edses mais desiguais da Am\u00e9rica Latina em 1998 para converter-se no pa\u00eds menos desigual da Am\u00e9rica Latina de hoje. Reduzimos a pobreza enormemente \u2013 de 29 por cento em 1998 para 19,6 por cento em 2013. A pobreza extrema diminuiu no mesmo per\u00edodo, passando de 21,5% para 6,5%.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cri\u00e1mos emblem\u00e1ticos programas sociais de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, gratuitos e acess\u00edveis a todos os habitantes do nosso pa\u00eds. Conseguimos estas extraordin\u00e1rias fa\u00e7anhas sociais em grande parte atrav\u00e9s da redistribui\u00e7\u00e3o e da utiliza\u00e7\u00e3o dos rendimentos procedentes do petr\u00f3leo venezuelano.<\/p>\n<p>Apesar de nossas pol\u00edticas sociais terem melhorado a vida sobretudo dos cidad\u00e3os, o governo tamb\u00e9m enfrentou s\u00e9rios problemas econ\u00f3micos nos \u00faltimos 16 meses, incluindo a infla\u00e7\u00e3o e a escassez de alguns produtos b\u00e1sicos. Continuamos a conseguir solu\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de um certo n\u00famero de medidas, incluindo um novo sistema de c\u00e2mbio de divisas que j\u00e1 reduziu a infla\u00e7\u00e3o durante as \u00faltimas semanas e tamb\u00e9m atrav\u00e9s da monitoriza\u00e7\u00e3o de empresas para assegurar que n\u00e3o est\u00e3o a especular ou a\u00e7ambarcar produtos.<\/p>\n<p>Adicionalmente, a Venezuela sofreu com uma alta taxa de crime que estamos a combater directamente atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de um novo corpo de pol\u00edcia nacional, fortalecendo a coopera\u00e7\u00e3o entre as comunidades e a pol\u00edcia e pela reforma do nosso sistema penitenci\u00e1rio.<\/p>\n<p>Desde 1998, o movimento fundado por Hugo Ch\u00e1vez ganhou 18 elei\u00e7\u00f5es presidenciais, parlamentares e locais atrav\u00e9s de um processo eleitoral que o ex-presidente estado-unidense Jimmy Carter chamou &#8220;o melhor do mundo&#8221;. Mais recentemente, nosso partido, o Partido Socialista da Venezuela, conseguiu uma maioria esmagadora nas elei\u00e7\u00f5es para prefeitos de municipalidades em Dezembro de 2013, ganhando em 255 de 335 munic\u00edpios.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o popular na pol\u00edtica na Venezuela aumentou dramaticamente na \u00faltima d\u00e9cada. Como ex-sindicalista, creio profundamente no direito de associa\u00e7\u00e3o e no dever c\u00edvico de manifestar preocupa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas atrav\u00e9s do protesto pac\u00edfico a fim de garantir que a justi\u00e7a prevale\u00e7a.<\/p>\n<p>Estes factos desmentem afirma\u00e7\u00f5es feitas por alguns pol\u00edticos nos EUA, e por grande parte dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, alegando que a Venezuela tem um d\u00e9fice de democracia e que os protestos actuais representam o sentimento da maioria. Pelo contr\u00e1rio, a maior parte dos protestos contra o governo est\u00e3o a ser levados a cabo pelos sectores mais ricos da sociedade que se op\u00f5em e tentam reverter os \u00eaxitos do processo revolucion\u00e1rio que beneficiaram a imensa maioria do povo venezuelano.<\/p>\n<p>Manifestantes anti-governamentais atacaram fisicamente e fizeram danos a cl\u00ednicas p\u00fablicas de sa\u00fade, queimaram uma universidade p\u00fablica no estado de T\u00e1chira e lan\u00e7aram bombas molotov e pedras a ve\u00edculos do transporte p\u00fablico com passageiros a bordo. Tamb\u00e9m atacaram institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, atirando pedras e tochas nos gabinetes do Tribunal Supremo de Justi\u00e7a, na empresa p\u00fablica de telefonia CANTV e no gabinete da Procuradoria-Geral. Estas ac\u00e7\u00f5es violentas causaram milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em preju\u00edzos. \u00c9 por isto que os protestos n\u00e3o receberam nenhum apoio nos bairros pobres e da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os manifestantes t\u00eam um s\u00f3 objectivo: o derrube inconstitucional do governo eleito democraticamente. Os l\u00edderes anti-governamentais deixaram-no claro quando lan\u00e7aram a campanha em Janeiro, comprometendo-se a &#8220;criar caos nas ruas&#8221;. As pessoas que t\u00eam preocupa\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas leg\u00edtimas sobre a economia ou a inseguran\u00e7a que merecem ser discutidas, por desgra\u00e7a est\u00e3o a ser ultrapassadas por l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o com uma agenda anti-democr\u00e1tica e violenta.<\/p>\n<p>Depois de dois meses, 36 pessoas foram assassinadas. Os manifestantes s\u00e3o directamente respons\u00e1veis por mais da metade das v\u00edtimas mortais. Seis membros da Guarda Nacional foram assassinados; outros cidad\u00e3os foram assassinados ao tentar eliminar os obst\u00e1culos colocados pelos manifestantes para bloquear o tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Uma pequena minoria de funcion\u00e1rios das for\u00e7as de seguran\u00e7a tamb\u00e9m participou nos actos violentos e em consequ\u00eancia morreram v\u00e1rias pessoas. Estes s\u00e3o acontecimentos ilegais e lament\u00e1veis e o governo venezuelano respondeu prendendo-os.<\/p>\n<p>Cri\u00e1mos um Conselho de Direitos Humanos para investigar todos os incidentes relacionados com estas promessas. Cada v\u00edtima merece justi\u00e7a e cada autor \u2013 seja um defensor ou um opositor ao governo \u2013 ter\u00e1 que prestar contas por suas ac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nos EUA, estes acontecimentos foram representados de uma maneira diferente e os manifestantes s\u00e3o amplamente descritos como &#8220;pac\u00edficos&#8221;, enquanto dizem que o governo \u00e9 violento e repressivo. Esta narrativa apresenta o governo dos EUA ao lado do povo da Venezuela, quando na realidade o governo dos EUA est\u00e1 ao lado dos 1% que quer arrastar nosso pa\u00eds novamente a uma \u00e9poca em que os 99% eram exclu\u00eddos da vida pol\u00edtica e s\u00f3 a elite, incluindo as empresas dos EUA, se beneficiava com o petr\u00f3leo da Venezuela.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que alguns dos que apoiaram o derrube ilegal do governo democraticamente eleito da Venezuela no ano de 2002 est\u00e3o a liderar os protestos de hoje. Os envolvidos no golpe de 2002 dissolveram imediatamente o Tribunal Supremo de Justi\u00e7a, a Assembleia Nacional e descartaram a Constitui\u00e7\u00e3o. Hoje, aqueles que incitam \u00e0 viol\u00eancia ou tentar executar ac\u00e7\u00f5es inconstitucionais parecidas devem ser submetidos ao sistema judicial.<\/p>\n<p>O governo estado-unidense apoiou o golpe de 2002 e de imediato reconheceu o governo golpista apesar do seu comportamento anti-democr\u00e1tico. Hoje em dia, o governo de Obama gasta mais de US$5 milh\u00f5es por ano para apoiar os movimentos de oposi\u00e7\u00e3o na Venezuela. Um projecto de lei para um adicional de US$15 milh\u00f5es para estas organiza\u00e7\u00f5es anti-governo encontra-se agora no Congresso.<\/p>\n<p>Actualmente, o Congresso dos EUA est\u00e1 a decidir se impor\u00e1 san\u00e7\u00f5es para castigar a Venezuela; san\u00e7\u00f5es acabariam por afectar os sectores mais pobres da nossa na\u00e7\u00e3o. Espero que o povo estado-unidense, conhecendo a verdade, exprima que a Venezuela e seu povo n\u00e3o merecem tal castigo e chamem seus l\u00edderes pol\u00edticos para que se abstenham de tais san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 um momento para o di\u00e1logo e a diplomacia. Na Venezuela, estendemos a m\u00e3o \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m aceit\u00e1mos as recomenda\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul para que participem como testemunhas do di\u00e1logo com a oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fizemos uma apelo p\u00fablico ao presidente Barack Obama, exprimindo nosso desejo de intercambiar embaixadores novamente. Esperemos que a sua administra\u00e7\u00e3o, tal como os elementos menos radicais da oposi\u00e7\u00e3o interna na Venezuela, responda de maneira rec\u00edproca.<\/p>\n<p>A Venezuela necessita paz. A Venezuela necessita o di\u00e1logo e a Venezuela tem que continuar em frente. Damos as boas vindas a qualquer pessoa que sinceramente queira ajudar a alcan\u00e7ar estes objectivos.<\/p>\n<p><strong>Um apelo \u00e0 paz vindo da Venezuela pode ser lido em ingl\u00eas <\/strong><a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2014\/04\/02\/opinion\/venezuela-a-call-for-peace.html\" target=\"_blank\"><strong>aqui<\/strong><\/a><strong> , no s\u00edtio web do <\/strong><em><strong>New York Times. <\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>*Presidente da Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela. Artigo publicado no <\/strong><em><strong>New York Times, <\/strong><\/em><strong>edi\u00e7\u00e3o de 02\/Abril\/2014. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em <\/strong><a href=\"http:\/\/resistir.info\/venezuela\/artigo_nyt_02abr14.html\" target=\"_blank\"><strong>http:\/\/resistir.info\/<\/strong><\/a><strong> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nNicol\u00e1s Maduro*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6112\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-6112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1AA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}