{"id":6123,"date":"2014-04-14T04:10:23","date_gmt":"2014-04-14T04:10:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6123"},"modified":"2014-04-14T04:10:23","modified_gmt":"2014-04-14T04:10:23","slug":"mauricio-azedo-recebe-medalha-dinarco-reis-in-memoriam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6123","title":{"rendered":"Mauricio Azedo recebe Medalha Dinarco Reis in memoriam"},"content":{"rendered":"\n<p>Reproduzimos a seguir mat\u00e9ria publicada no site da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI) sobre a entrega da Medalha Dinarco Reis a Mauricio Azedo,<em>in memoriam<\/em>. O texto \u00e9 dos jornalistas Igor Waltz e Cl\u00e1udia Souza. Na foto de Alcyr Cavalcanti, a vi\u00fava de Maur\u00edcio Az\u00eado, Marilka Az\u00eado (centro, com a medalha), e as filhas Ana Lu\u00edsa (esq.), Maria Clara (centro) e Maria Ilka (dir.).<\/p>\n<p>O ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI), Maur\u00edcio Az\u00eado, morto em outubro de 2013, recebeu\u00a0<em>in memoriam<\/em> a Medalha Dinarco Reis, concedida pelo Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) a grandes nomes que integraram as fileiras do Partido. Az\u00eado, que foi militante do PCB entre os anos 1960 e 1980, deixou o partido junto com Luiz Carlos Prestes, por diverg\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o ao Comit\u00ea Central, mas sempre se manteve pr\u00f3ximo ao partido onde iniciou sua carreira na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A medalha, entregue em uma cerim\u00f4nia na sede da ABI no \u00faltimo dia 28 de mar\u00e7o, j\u00e1 foi concedida a nomes como David Capistrano, Carlos Marighella e Jo\u00e3o Massena. De acordo com o secret\u00e1rio-geral do PCB, Ivan Pinheiro, a Casa do Jornalista sempre teve um papel importante na condecora\u00e7\u00e3o desses personagens.<\/p>\n<p>\u201cA maioria das cerim\u00f4nias de entrega da Medalha Dinarco Reis foi na ABI com a presen\u00e7a de Maur\u00edcio Az\u00eado, que inclusive presidiu algumas mesas. Foram homenageados \u2018camaradas\u2019 que passaram sua vida no PCB e tamb\u00e9m os que romperam formalmente com o partido, mas que se mantiveram firmes em suas convic\u00e7\u00f5es e n\u00e3o tra\u00edram a classe oper\u00e1ria. Esse foi o caso de Az\u00eado\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De acordo com Pinheiro, a escolha do jornalista foi simb\u00f3lico, pois apesar de a homenagem ter acontecido\u00a0<em>in memoriam<\/em>, ele teve a oportunidade de saber em vida que seria laureado. \u201cEstive na comiss\u00e3o que veio \u00e0 ABI dar a not\u00edcia ao Az\u00eado e pude perceber que foi uma das maiores emo\u00e7\u00f5es da vida dele. Maur\u00edcio perdeu a voz, ficou muito emocionado. Ele j\u00e1 n\u00e3o estava no partido h\u00e1 muito tempo, mas sempre o respeitou\u201d, contou o secret\u00e1rio-geral.<\/p>\n<p>A vi\u00fava do ex-presidente da ABI, Marilka Az\u00eado, recebeu a medalha das m\u00e3os de Dinarco Reis Filho. Na ocasi\u00e3o ela leu um depoimento escrito por Maur\u00edcio Az\u00eado \u00e0 Comiss\u00e3o de Anistia, em 2004, no qual relata a tortura \u00e0 qual foi submetido enquanto esteve preso, em 1976, nas depend\u00eancias do 1\u00ba Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia do Exercito, no bairro da Tijuca, sede do Doi-Codi.<\/p>\n<p>No documento, o jornalista descreve que foi preso a uma cadeira e ligado por fios a um aparelho el\u00e9trico. Maur\u00edcio Az\u00eado foi submetido a sess\u00f5es de aplica\u00e7\u00e3o de choques el\u00e9tricos por dez dias, mas se manteve firme e n\u00e3o revelou informa\u00e7\u00f5es sobre atividades do PCB.<\/p>\n<p>\u201cEle foi barbaramente torturado, mas n\u00e3o delatou o PCB. Permaneceu calado. N\u00f3s honraremos sua mem\u00f3ria e continuaremos lutando por um Brasil melhor. Maur\u00edcio doou seu tempo de vida para lutar pela liberdade do Pa\u00eds. Se vivo, estaria aqui muito emocionado\u201d, disse Marilka.<\/p>\n<p>Dinarco Reis Filho tamb\u00e9m relembrou os anos em que conviveu com o jornalista, que, segundo ele, sempre teve um esp\u00edrito combativo. \u201cConheci\u00a0 Maur\u00edcio Az\u00eado durante o Secund\u00e1rio que desde ent\u00e3o\u00a0 j\u00e1 havia feito sua op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Militamos lado a lado e ele sempre se entregava com afinco a todas as campanhas \u00e0s quais se engajava, como a do Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso\u201d, relembrou.<\/p>\n<p><strong>Debate sobre os 50 anos do golpe<\/strong><\/p>\n<p>Durante a cerim\u00f4nia, tamb\u00e9m houve um debate sobre os 50 anos do golpe civil-militar que implantou o regime autorit\u00e1rio no Brasil. Na ocasi\u00e3o, jovens militantes do PCB levantaram cartazes com nomes de militantes do partido mortos pelas for\u00e7as de repress\u00e3o.<\/p>\n<p>O historiador e professor da UFRJ Jos\u00e9 Paulo Netto defendeu o importante papel das comiss\u00f5es da verdade para que o \u201chorror\u201d do anos de chumbo n\u00e3o seja esquecido. \u201cAt\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, falava-se na imprensa de Revolu\u00e7\u00e3o de 31 de Mar\u00e7o de 1964, e n\u00e3o de Golpe do 1\u00ba de Abril. Hoje os mesmo jornais que apoiaram o golpe tentam lavar seu passado e fazer uma\u00a0<em>mea culpa<\/em>. Por isso tenho uma vis\u00e3o otimista do ano de 2014, come\u00e7amos a vencer uma importante batalha na pol\u00edtica brasileira, que \u00e9 a da mem\u00f3ria. Quando se restaura a mem\u00f3ria, a estrada para o futuro fica mais vis\u00edvel\u201d, afirmou Netto.<\/p>\n<p>O advogado e pol\u00edtico Marcelo Cerqueira, por sua vez, lembrou os depoimentos do coronel reformado do Ex\u00e9rcito Paulo Malh\u00e3es \u00e0s Comiss\u00f5es da Verdade Nacional e Estadual do Rio, sobre o destino do corpo do ex-deputado Rubens Paiva e das v\u00edtimas da Casa da Morte em Petr\u00f3polis, Regi\u00e3o Serrana Fluminense. \u201cMalh\u00e3es ainda serve ao Ex\u00e9rcito. Com essas declara\u00e7\u00f5es, o recado que ele tenta passar \u00e9 de que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio abrir arquivos do tempo da ditadura. Mas a n\u00f3s, ele n\u00e3o engana. O Ex\u00e9rcito ter\u00e1 que prestar contas com o passado\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Para Zuleide Faria de Melo, professora aposentada da UFRJ e uma das lideran\u00e7as hist\u00f3ricas do PCB, a luta contra o autoritarismo e o avan\u00e7o do capital n\u00e3o cessou com o fim do regime. \u201cHoje estamos vivendo um per\u00edodo dif\u00edcil da Humanidade, quando o grande capital financeiro est\u00e1 devorando a dignidade dos povos. O que enfrentamos hoje \u00e9 mais do que uma ditadura. Creio que todos temos uma tarefa maior de denunciar e combater esse inimigo invis\u00edvel\u201d, destacou Zuleide.<\/p>\n<p>http:\/\/pcb.org.br\/fdr\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=611<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6123\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-6123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1AL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6123\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}