{"id":6163,"date":"2014-04-22T23:28:44","date_gmt":"2014-04-22T23:28:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6163"},"modified":"2016-06-05T16:55:18","modified_gmt":"2016-06-05T19:55:18","slug":"silencio-na-favela-favelinha-da-telerj-privatizacao-e-repressao-aos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6163","title":{"rendered":"Sil\u00eancio na Favela? Favelinha da Telerj, privatiza\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o aos pobres"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;O crime do rico a lei o cobre,<\/em><br \/>\n<em> O Estado esmaga o oprimido.<\/em><br \/>\n<em> N\u00e3o h\u00e1 direitos para o pobre,<\/em><br \/>\n<em> Ao rico tudo \u00e9 permitido.<\/em><br \/>\n<em> \u00c0 opress\u00e3o n\u00e3o mais sujeitos!<\/em><br \/>\n<em> Somos iguais todos os seres.<\/em><br \/>\n<em> N\u00e3o mais deveres sem direitos,<\/em><br \/>\n<em> N\u00e3o mais direitos sem deveres\u201d<\/em><br \/>\n<em> (A Internacional)<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Um ato do Estado e da Prefeitura do Rio de Janeiro, e de seu aparato repressivo, na defesa dos interesses de propriedade privada da empresa Oi \u2013 e atendendo aos pedidos dos monop\u00f3lios dos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 encerra e revela um conjunto de agress\u00f5es hist\u00f3ricas \u00e0 classe trabalhadora fluminense (e brasileira). A invas\u00e3o (isso sim pode ser chamado de invas\u00e3o!) da pol\u00edcia militar, \u00e0s 4h da madrugada, \u00e0s prec\u00e1rias moradias rec\u00e9m-constru\u00eddas dos moradores da Favela da Telerj \u00e9 mais revelador que qualquer ato, que se tornou ordin\u00e1rio, de viol\u00eancia do Estado contra os pobres.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, nos perguntamos: por que este nome, Favela da Telerj? Esta denomina\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o direta com a mem\u00f3ria recente dos moradores das proximidades diante de mais um ato criminoso de privatiza\u00e7\u00e3o e abandono. O conjunto de pr\u00e9dios, p\u00e1tios, galp\u00f5es, quadras e \u00e1reas livres abandonadas pela Oi, constitu\u00edam, at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 90, um espa\u00e7o de trabalho e lazer. A presen\u00e7a dos trabalhadores da ex-empresa p\u00fablica Telerj dava vida \u00e0queles pr\u00e9dios e instala\u00e7\u00f5es, e trabalhadores e moradores da regi\u00e3o compartilhavam de momentos de lazer no espa\u00e7o ao lado, a Associa\u00e7\u00e3o Social e Esportiva Telerj (ASET). Onde est\u00e3o estes trabalhadores? Qual o destino de todo este espa\u00e7o? Os primeiros foram sendo gradualmente demitidos e substitu\u00eddos por trabalhadores terceirizados. Pouco a pouco o pr\u00e9dio passa a n\u00e3o ser mais utilizado, assim como a associa\u00e7\u00e3o. A Telemar e depois a Oi abandonou tudo! O nome deste crime \u00e9 privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Telerj fez parte do Sistema Telebr\u00e1s, conjunto de empresas privatizadas em 1998 pelo governo FHC. Empresas entregues a pre\u00e7o de banana pelo Estado Brasileiro e com financiamento do BNDES. Nada t\u00e3o distante de nossa realidade, pois continuamos a assistir esta entrega nos governos Lula e Dilma, sendo as \u00faltimas privatiza\u00e7\u00f5es mais emblem\u00e1ticas as dos aeroportos e os Leil\u00f5es do Pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, vendo por 15 anos pr\u00e9dios e terrenos absolutamente abandonados, pressionados pelo alt\u00edssimo custo de vida no Rio de Janeiro, o aumento escandaloso dos alugu\u00e9is (seguindo rumo natural da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria \u2013 comandada por setores do capital que, dentre outros fatores, se beneficiou da Nova Lei do Inquilinato, aprovada pelo Congresso e Executivo), os moradores da Favela do Rato, Jacarezinho, Manguinhos, moradores de rua, entre outros, tomaram a decis\u00e3o de fazer valer um entre os seus direitos: o direito \u00e0 moradia.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do PCB, sabemos que existem muitos oportunistas que se beneficiam da constru\u00e7\u00e3o de casas, alugu\u00e9is e tudo o mais que diz respeito \u00e0 propriedade imobili\u00e1ria e fundi\u00e1ria urbana. E daremos nomes aos \u201cbois\u201d: as empreiteiras, imobili\u00e1rias, os propriet\u00e1rios e locat\u00e1rios de pr\u00e9dios comerciais e moradias luxuosas, as empresas \u201cgestoras\u201d de estabelecimentos e \u201cservi\u00e7os\u201d constru\u00eddos com dinheiro p\u00fablico (est\u00e1dios, hospitais, etc.).<\/p>\n<p>O povo pobre e favelado j\u00e1 n\u00e3o assiste mais calado a toda esta espolia\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o. Desde as jornadas de junho ampliaram suas lutas, e com a\u00e7\u00f5es diretas questionam os servi\u00e7os de transporte (Supervia, metr\u00f4, \u00f4nibus) e resistem bravamente a cada morte cometida pelas UPPs e PM nas favelas. Uma de suas lutas mais importante \u00e9 a luta pela moradia. Esta se faz ocupando espa\u00e7os p\u00fablicos e privados abandonados. Luta n\u00e3o s\u00f3 necess\u00e1ria, mas um direito! O Programa Minha Casa, Minha Vida n\u00e3o passa de um engodo eleitoreiro, quando analisamos que jamais poder\u00e1 absorver o gigantesco deficit habitacional brasileiro.<\/p>\n<p>Neste sentido, o PCB se solidariza com todos os que lutam por moradia digna. Se o Estado garante toda infraestrutura para os grandes empreendimentos e empresas, por que se desresponsabiliza pela garantia das moradias dos trabalhadores? N\u00e3o tenhamos d\u00favida: este \u00e9 um estado de classe!<\/p>\n<p>Engels, ao tratar do problema da habita\u00e7\u00e3o, critica a \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d burguesa e pequeno burguesa para esta quest\u00e3o. Os primeiros fingem resolver este problema atrav\u00e9s das \u201csolu\u00e7\u00f5es pontuais\u201d, pequenas ilhas no mar de habita\u00e7\u00f5es degradadas: s\u00e3o os conjuntos habitacionais. O PAC de Manguinhos e de Triagem podem resolver os problemas de habita\u00e7\u00e3o de Jacarezinho, Manguinhos, Mandela, Arar\u00e1, Mangueira e outras favelas da regi\u00e3o? J\u00e1 a pequena burguesia, defendendo os seus interesses, acha que tudo se resolve com o financiamento da casinha pr\u00f3pria. At\u00e9 quando vai durar a bolha imobili\u00e1ria?<\/p>\n<p>J\u00e1 aos trabalhadores pobres resta a luta direta contra a carestia e aos absurdos alugu\u00e9is. \u00c9 assim que Engels descreve o desdobramento desta luta:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 o problema da habita\u00e7\u00e3o o que resolve ao mesmo tempo a quest\u00e3o social, mas \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o social \u2013 isto \u00e9, a aboli\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u2013 que tornar\u00e1 poss\u00edvel a solu\u00e7\u00e3o do problema da habita\u00e7\u00e3o. (\u2026) Essas grandes cidades modernas s\u00f3 poder\u00e3o ser suprimidas pela aboli\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, e quando essa aboli\u00e7\u00e3o estiver em marcha jamais se tratar\u00e1 de propiciar a cada oper\u00e1rio uma casinha que lhe perten\u00e7a em propriedade, mas em coisas bem diferentes. Contudo, toda revolu\u00e7\u00e3o social dever\u00e1 come\u00e7ar tomando as coisas tal como s\u00e3o e procurando remediar os males mais chocantes com os meios existentes. J\u00e1 vimos, a esse respeito, que se pode remediar imediatamente a pen\u00faria de moradia mediante a expropria\u00e7\u00e3o de uma parte das casas de luxo que pertencem \u00e0s classes possuidoras e obrigando a que a outra parte seja habitada\u201d (Engels em \u201cContribui\u00e7\u00e3o ao Problema da Habita\u00e7\u00e3o\u201d).<\/p>\n<p>Neste sentido, a expropria\u00e7\u00e3o do terreno da Oi \u00e9 apenas um pequeno passo.<\/p>\n<p>Viva a resist\u00eancia dos moradores da Favelinha da Telerj!<\/p>\n<p>Partido Comunista Brasileiro &#8211; PCB \/ RJ<\/p>\n<p>http:\/\/pcb-rj.blogspot.com.br\/2014\/04\/silencio-na-favela-favelinha-da-telerj.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nNOTA DO PCB RJ\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6163\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-6163","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Bp","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6163"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6163\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}