{"id":6177,"date":"2014-04-27T01:18:55","date_gmt":"2014-04-27T01:18:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6177"},"modified":"2014-04-27T01:18:55","modified_gmt":"2014-04-27T01:18:55","slug":"actualidade-do-manifesto-comunista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6177","title":{"rendered":"Actualidade do Manifesto Comunista"},"content":{"rendered":"\n<p>Talvez com uma \u00fanica excep\u00e7\u00e3o, burguesias arrogantes controlam os governos europeus. Os pol\u00edticos que as representam s\u00e3o neoliberais, social-democratas domesticados, ou saudosistas do fascismo. Neste contexto hist\u00f3rico t\u00e3o sombrio, ao reler o Manifesto Comunista, conclu\u00ed que n\u00e3o perdeu actualidade.<\/p>\n<p>Reli h\u00e1 dias o Manifesto Comunista.<\/p>\n<p>Transcorreram 165 anos desde que Marx e Engels divulgaram esse explosivo documento revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O mundo atual \u00e9 muito diferente daquele que inspirou o Manifesto. Na \u00e9poca, a Revolu\u00e7\u00e3o de 1948 alastrava pela Europa. O \u00abespectro\u00bb do comunismo alarmava as classes dominantes, do Atl\u00e2ntico aos Urais. Mas somente em 1917, quase meio seculo ap\u00f3s a Comuna de Paris, uma revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa e um partido comunista criaram o primeiro Estado socialista na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Mais de sete d\u00e9cadas durou a primeira experi\u00eancia socialista triunfante. Findou com a tr\u00e1gica desagrega\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o regresso do capitalismo \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n<p>Hoje, na Europa, o Poder \u00e9 exercido pelas classes dominantes. Talvez com uma \u00fanica exce\u00e7\u00e3o, burguesias arrogantes controlam os governos. Os pol\u00edticos que as representam s\u00e3o neoliberais, social-democratas domesticados, ou saudosistas do fascismo.<\/p>\n<p>Neste contexto hist\u00f3rico t\u00e3o sombrio, foi com surpresa que, ao reler o Manifesto Comunista, conclui que n\u00e3o perdeu atualidade.<\/p>\n<p>Continua carregado de ensinamentos para comunistas e n\u00e3o comunistas. Sinto que em Portugal, nomeadamente, \u00e9 atual\u00edssimo.<\/p>\n<p>A ESCOLA DA REVOLU\u00c7\u00c3O DE 1848<\/p>\n<p>Na Alemanha, ent\u00e3o um conglomerado heterog\u00e9neo de reinos e principados quase feudais, a Revolu\u00e7\u00e3o de 1848 foi uma grande escola de pol\u00edtica para Marx e Engels.<\/p>\n<p>Ambos sabiam que a teoria sem a pr\u00e1tica n\u00e3o abre o caminho para vit\u00f3rias revolucion\u00e1rias. A Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro em Fran\u00e7a lan\u00e7ara o p\u00e2nico na Europa das monarquias quando Lamartine proclamou a Republica em Paris.<\/p>\n<p>Mas foi somente quando regressaram \u00e0 Alemanha que Marx e Engels se aperceberam em dois dram\u00e1ticos anos, no quadro da revolu\u00e7\u00e3o que abrasava a Europa, das dificuldades insuper\u00e1veis que na \u00e9poca impediam a concretiza\u00e7\u00e3o em prazo previs\u00edvel do projeto comunista de que a Nova Gazeta Renana era o mensageiro mais prestigiado.<\/p>\n<p>Engels afirmou na velhice que o Manifesto era \u00abo produto mais amplamente divulgado, mais internacional, de toda a literatura socialista, o programa comum de muitos milh\u00f5es de oper\u00e1rios de todos os pa\u00edses, da Sib\u00e9ria \u00e0 Calif\u00f3rnia\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abEste pequeno livrinho-escreveu L\u00e9nine &#8211; vale por tomos inteiros: inspira e anima at\u00e9 hoje o proletariado organizado e combatente do mundo civilizado\u00bb. Segundo o grande revolucion\u00e1rio russo, o Manifesto \u00abexp\u00f5e, com uma clareza e um vigor geniais, a nova conce\u00e7\u00e3o do mundo, o materialismo consequente, aplicado tamb\u00e9m no dom\u00ednio da vida social, a dial\u00e9tica como a doutrina mais vasta e mais profunda do desenvolvimento, a teoria da luta de classes e do papel revolucion\u00e1rio hist\u00f3rico universal do proletariado, criador de uma sociedade nova, a sociedade comunista\u00bb.<\/p>\n<p>Inovador, o Manifesto esbo\u00e7ou o quadro do desenvolvimento do capitalismo e iluminou as contradi\u00e7\u00f5es internas que conduzir\u00e3o ao seu desaparecimento.<\/p>\n<p>Marx e Engels estavam conscientes de que era indispens\u00e1vel para a conquista do poder criar um partido capaz de assumir o papel de vanguarda da classe operaria. Internacionalistas, advertiram, porem, que a luta da classe oper\u00e1ria teria de se desenvolver em primeiro lugar em cada na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ambos consideraram extremamente perigosas as organiza\u00e7\u00f5es reformistas e contra elas lutaram sempre com tenacidade.<\/p>\n<p>Pensando na Uni\u00e3o Europeia e mais especificamente em Portugal, impressiona verificar como essas preocupa\u00e7\u00f5es e advert\u00eancias permanecem atuais e facilitam a compreens\u00e3o de grandes desafios do presente.<\/p>\n<p>Na Alemanha, a aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es subjetivas favor\u00e1veis foi determinante para a altera\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, abrindo caminho \u00e0 repress\u00e3o, comandada pela Pr\u00fassia.<\/p>\n<p>Os autores do Manifesto esbarraram com obst\u00e1culos intranspon\u00edveis na tentativa de criar o partido revolucion\u00e1rio de novo tipo. Seria Lenine o seu criador na R\u00fassia, muitas d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>Mesmo em Col\u00f3nia, sede do n\u00facleo duro da Liga dos Comunistas, os conflitos entre fa\u00e7\u00f5es e personalidades foram permanentes, incluindo entre alguns dirigentes pol\u00edticos que pretendiam ser comunistas, mas atuavam como oportunistas.<\/p>\n<p>Marx e Engels tiveram de enfrentar problemas \u2013 ambi\u00e7\u00f5es, invejas, vaidades, etc. &#8211; na pr\u00f3pria reda\u00e7\u00e3o da Nova Gazeta Renana. At\u00e9 no debate sobre a legalidade ou ilegalidade da Liga dos Comunistas. A imaturidade do movimento revolucion\u00e1rio alem\u00e3o contribuiu decisivamente para a derrota da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa. Mas a pr\u00e1tica da luta revolucion\u00e1ria, como sublinhou Marx, foi uma excelente escola para a educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o de Marx e Engels sobre os acontecimentos de 1848\/49 \u00e9 identific\u00e1vel em trabalhos que escreveram sobre a complementaridade teoria-pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A derrota do proletariado franc\u00eas em junho de 48 foi o pr\u00f3logo da vaga de repress\u00e3o que varreu a Europa. A revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa foi esmagada na \u00c1ustria, na Bo\u00e9mia, na It\u00e1lia, na Alemanha, na Hungria (em Budapeste com a ajuda militar da autocracia russa).<\/p>\n<p>Mas, apesar de derrotadas, essas Revolu\u00e7\u00f5es confirmaram a opini\u00e3o dos autores do Manifesto sobre o papel fulcral que a luta de classes desempenha no choque entre opressores e oprimidos.<\/p>\n<p>Na sua obra A Luta de Classes em Fran\u00e7a, Marx demonstra ter assimilado as li\u00e7\u00f5es do insucesso da insurrei\u00e7\u00e3o do proletariado franc\u00eas na insurrei\u00e7\u00e3o de junho.<\/p>\n<p>LI\u00c7\u00d5ES PARA PORTUGAL<\/p>\n<p>Ao reler o Manifesto, conclui que ele funciona como um manual para a luta contra a tirania que oprime hoje o povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>O atual governo consegue ser mais nocivo pelo projeto e pela sua obra destruidora do que os piores da monarquia absoluta. Apos uma luminosa revolu\u00e7\u00e3o progressista, traz de volta o passado.<\/p>\n<p>No Manifesto h\u00e1 par\u00e1grafos, na den\u00fancia do desprezo pelos trabalhadores, da sobre-explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, e da desumaniza\u00e7\u00e3o e arrog\u00e2ncia do capital, que se ajustam como uma luva \u00e0 estrat\u00e9gia devastadora do governo portugu\u00eas. Este diferencia-se de ditaduras tradicionais porque atua sob a fachada de uma democracia formal. Mas a m\u00e1scara institucional n\u00e3o ilude as v\u00edtimas de uma pol\u00edtica criminosa, nem sequer j\u00e1 personalidades e estamentos sociais que o apoiaram inicialmente. Alguns discursos de Passos Coelho, com leves adapta\u00e7\u00f5es (porque a sua orat\u00f3ria \u00e9 tosca e be\u00f3cia), trazem \u00e0 mem\u00f3ria, pelo farisa\u00edsmo, os de Salazar, n\u00e3o obstante ele ser apenas um instrumento do capital.<\/p>\n<p>Cresce a cada dia o rep\u00fadio pela pol\u00edtica do primeiro-ministro e sua gente. O presidente da Republica apoia-a ostensivamente, desrespeitando a Constitui\u00e7\u00e3o que jurou cumprir.<\/p>\n<p>Os trabalhadores condenam\u2013na diariamente nas ruas, invadem minist\u00e9rios, manifestam-se frente \u00e0 Assembleia da Republica.<\/p>\n<p>H\u00e1 um limite para que os inimigos do povo governem contra ele. Marx e Engels recordam essa evid\u00eancia no seu atual\u00edssimo \u2013 repito &#8211; Manifesto Comunista.<\/p>\n<p>O direito de rebeli\u00e3o contra a tirania \u00e9 inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Vila Nova de Gaia, 10 de Abril de 2014<\/p>\n<blockquote data-secret=\"At12N9ID7X\" class=\"wp-embedded-content\"><p><a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3244\">Veja entrevista coletiva de imprensa de Fernando Lugo, em 22 de julho<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3244\/embed#?secret=At12N9ID7X\" data-secret=\"At12N9ID7X\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Veja entrevista coletiva de imprensa de Fernando Lugo, em 22 de julho&#8221; &#8212; PCB - Partido Comunista Brasileiro\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nMiguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6177\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-6177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1BD","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}