{"id":6209,"date":"2014-05-09T04:55:06","date_gmt":"2014-05-09T04:55:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6209"},"modified":"2014-05-09T04:55:06","modified_gmt":"2014-05-09T04:55:06","slug":"cinquenta-anos-depois-os-comunistas-e-o-golpe-de-1964","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6209","title":{"rendered":"Cinquenta Anos Depois: os Comunistas e o Golpe de 1964"},"content":{"rendered":"\n<p>Da hist\u00f3rica foto acima, tirada durante a Passeata dos 100 Mil no Rio de Janeiro, em junho de 1968, a luta de classes no Brasil realizou at\u00e9 agora apenas a primeira parte da frase, com o t\u00e9rmino da ditadura em 1985, ap\u00f3s 21 anos, e sua substitui\u00e7\u00e3o por uma democracia burguesa. Realizar a segunda parte da frase caber\u00e1 ao pr\u00f3prio povo, encabe\u00e7ado pela classe oper\u00e1ria, dirigida por seu Partido Comunista.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, vimos, ouvimos, lemos por todos os lados sobre o golpe de Estado de 1964 e sobre as duas d\u00e9cadas de ditadura que se seguiram: programas e entrevistas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o; mat\u00e9rias em jornais, sites e blogs; palestras, debates e semin\u00e1rios nas universidades; proje\u00e7\u00f5es de filmes, lan\u00e7amentos de livros. Nesses eventos, quase <em>happenings<\/em>, a abordagem hegem\u00f4nica (e quase consensual) \u00e9 a de uma grande confraterniza\u00e7\u00e3o universal<span>[i]<\/span>. Tudo se parece como se, terminada a ditadura e instaurada (ou restaurada) a democracia burguesa, todos os brasileiros estar\u00edamos vivendo em um conto de fadas democr\u00e1tico: \u201cfelizes para sempre\u201d.<\/p>\n<p>Na nossa hist\u00f3ria fabricada, parece que o golpe foi apenas uma esp\u00e9cie de \u201c<em>putsch<\/em> de Juiz de Fora\u201d, com um general de capacete e cachimbo do Popeye marchando sozinho com suas tropas, e n\u00e3o um <strong>golpe de Estado promovido e financiado pelo fundamental da burguesia brasileira, com amplos est\u00edmulo da sua imprensa, apoio da classe m\u00e9dia conservadora e suporte do imperialismo dos EUA<\/strong>. Assim, teria havido \u201capenas\u201d uma ditadura (exclusivamente?) militar, e n\u00e3o uma ditadura de classe, da burguesia, a quem os militares, de fato, serviam.<\/p>\n<p><strong>No relato oficial n\u00e3o h\u00e1 lugar, portanto, para a luta de classes<\/strong>. Ao inv\u00e9s de instrumento para o aumento da opress\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o burguesas contra a classe oper\u00e1ria e os demais trabalhadores \u2013 desde o dia seguinte ao golpe e durante todo o per\u00edodo \u2013 a ditadura teria executado apenas, de maneira tecnocr\u00e1tica, pol\u00edticas ortodoxas de ajuste macroecon\u00f4mico (Campos-Bulh\u00f5es) ou medidas em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 crise internacional (Delfim Netto). Ao inv\u00e9s de promover combate feroz, por\u00e9m planejado e sistem\u00e1tico, contra os comunistas, e tamb\u00e9m os demais resistentes, visando o desmantelamento de sua organiza\u00e7\u00e3o e de sua influ\u00eancia nas classes dominadas, a vis\u00e3o hegem\u00f4nica busca ou reduzir isso exclusivamente \u00e0 a\u00e7\u00e3o de uma linha dura clandestina, e mesmo assim apenas reativa diante dos \u201cterroristas\u201d; ou ent\u00e3o, ainda que n\u00e3o explicitamente, a justificar a pr\u00f3pria repress\u00e3o, quando n\u00e3o o golpe, pois os comunistas tampouco teriam ideais \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d.<\/p>\n<p>Enfim, essa vis\u00e3o hegem\u00f4nica busca apresentar hoje a ditadura como um per\u00edodo sombrio<span>[ii]<\/span>, por\u00e9m passageiro, da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Per\u00edodo que teria contado com a oposi\u00e7\u00e3o praticamente un\u00e2nime da sociedade brasileira. Nessa nossa democracia, o Brasil, eterno pa\u00eds do futuro e dos criminosos anistiados, deve olhar sempre para frente. E assim, seguindo a conhecida frase, caminhamos para sempre repetir nossa hist\u00f3ria por n\u00e3o conhec\u00ea-la.<\/p>\n<p>Neste pequeno artigo n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de tratar de todas essas quest\u00f5es \u2013 para n\u00e3o falar da nossa falta de capacidade para tanto. O que pretendemos aqui \u00e9 abordar um \u00fanico aspecto, por\u00e9m a nosso ver central, sobre o golpe de 1964, a saber: <strong>a posi\u00e7\u00e3o, bem como a (falta de) rea\u00e7\u00e3o, dos comunistas em rela\u00e7\u00e3o ao golpe<\/strong>.<\/p>\n<p>De modo geral, podemos dizer que aos comunistas cabe relembrar 1964 por duas raz\u00f5es principais: a necessidade de recuperar a luta dos comunistas na resist\u00eancia \u00e0 ditadura, prestando a devida homenagem a esses her\u00f3is do povo brasileiro, muitos dos quais entregaram sua vida em combate ou nas masmorras da ditadura. Mas tamb\u00e9m pela necessidade ainda maior de aprendermos com a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria, de nos autocriticarmos pelos erros cometidos e assim, seguir com a tarefa imprescind\u00edvel de construir o Partido Comunista no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 luta dos comunistas, n\u00e3o obstante a falta de rea\u00e7\u00e3o do Partido como um todo ao golpe, a burguesia e seus militares n\u00e3o tinham d\u00favidas a respeito de sobre quem deveria cair a repress\u00e3o desde o primeiro momento. Para as classes dominantes do pa\u00eds e seus militares, tratava-se de colocar definitivamente na mais dura clandestinidade o Partido que j\u00e1 n\u00e3o era legal desde 1947. Tratava-se de buscar destruir sua organiza\u00e7\u00e3o, reprimir, exilar, prender ou matar os comunistas.<\/p>\n<p>Ainda nos prim\u00f3rdios do golpe, pelo menos duas express\u00f5es do \u00f3dio de classe da burguesia aos comunistas ficaram bastante conhecidas. A primeira, em Recife, quando os gorilas do Ex\u00e9rcito arrastaram pelas ruas da cidade, amarrado a um jipe, o l\u00edder comunista de origem camponesa <strong>Greg\u00f3rio Bezerra<\/strong>, aos 64 anos. Greg\u00f3rio amargaria outros cinco anos de pris\u00e3o (pris\u00f5es que somaram mais de duas d\u00e9cadas em sua vida de militante comunista), sendo libertado em 1969 com outros quatorze presos pol\u00edticos trocados pela liberta\u00e7\u00e3o do embaixador dos EUA, capturado em a\u00e7\u00e3o conjunta das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias ALN e MR-8. Permaneceu dez anos no ex\u00edlio, a maior parte do tempo na URSS, at\u00e9 sua volta ao pa\u00eds em 1979. Morreu em outubro de 1983.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/3.bp.blogspot.com\/-On58aqUj-Rk\/U1hHIyxdQOI\/AAAAAAAAAeg\/8oXUkHls2d4\/s1600\/imagem%2B2.png?w=747\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>A segunda \u00e9 a tentativa de assassinato e a posterior pris\u00e3o de <strong>Carlos Marighella<\/strong>, no Rio de Janeiro. Percebendo-se seguido por policiais a paisana, Marighella entra em um cinema buscando despistar seus perseguidores. Apesar de ser uma matin\u00ea infantil, os policiais n\u00e3o hesitam em acender as luzes do cinema e atirar. Atirar para matar, como mostra a foto acima de maneira inquestion\u00e1vel. Preso e posteriormente libertado, Marighella cai na clandestinidade, rompe com o PCB e organiza a ALN, principal organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia armada \u00e0 ditadura. \u00c9 assassinado em novembro de 1969<span>[iii]<\/span>.<\/p>\n<p>Esses dois l\u00edderes comunistas foram acompanhados por centenas de outros exemplos de coragem e hero\u00edsmo. Dirigentes comunistas experientes como Joaquim C\u00e2mara Ferreira, M\u00e1rio Alves, Maur\u00edcio Grabois, Pedro Pomar; lideran\u00e7as revolucion\u00e1rias como Virg\u00edlio Gomes da Silva, Stuart Angel Jones<span>[iv]<\/span>, Carlos Lamarca, \u00c2ngelo Arroyo, Osvald\u00e3o, Manoel Lisboa, Emanoel Bezerra, Carlos Alberto de Freitas; e um sem n\u00famero de militantes, conhecidos e an\u00f4nimos, cuja luta constitui um exemplo inesquec\u00edvel para os comunistas da gera\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>A admira\u00e7\u00e3o pela trajet\u00f3ria de lutas desses camaradas, o reconhecimento de seu enorme valor e o imenso orgulho que sentimos por partilhar com eles o honroso t\u00edtulo de comunistas n\u00e3o nos deve impedir, no entanto, de procedermos uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre o desempenho do Partido Comunista quando do golpe de 1964.<\/p>\n<p>A primeira constata\u00e7\u00e3o que salta aos olhos na an\u00e1lise da atua\u00e7\u00e3o dos comunistas \u00e0s v\u00e9speras e no momento do golpe de 1964 \u00e9 a da <strong>incapacidade do Partido Comunista de antever a prepara\u00e7\u00e3o do golpe burgu\u00eas, a falha na an\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta da luta de classes no pa\u00eds naquele momento, o despreparo de organizar a resist\u00eancia ao golpe<\/strong>. De t\u00e3o conhecidas essas quest\u00f5es, achamos suficiente transcrever apenas duas breves cita\u00e7\u00f5es de dois dirigentes do PCB \u00e0 \u00e9poca. A primeira, de Luiz Carlos Prestes, tirada de discursos pronunciados \u00e0s v\u00e9speras do golpe, em 27 e 29 de mar\u00e7o de 1964, \u00e9 a famosa frase das \u201c<em>cabe\u00e7as cortadas<\/em>\u201d:<\/p>\n<p>\u201c<em>Em confer\u00eancia comemorativa <\/em>[ao anivers\u00e1rio do PCB] <em>no dia 27, no audit\u00f3rio da ABI, <\/em><strong>[Prestes] <em>afirmou que n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis a um golpe reacion\u00e1rio, mas, se este viesse,<\/em> \u2018(&#8230;) os golpistas teriam as cabe\u00e7as cortadas\u2019<\/strong>. <em>No dia 29, por ocasi\u00e3o da festa que reuniu milhares de pessoas no Est\u00e1dio do Pacaembu, em S\u00e3o Paulo, repetiu a afirma\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (negrito nosso)<span>[v]<\/span>.<\/p>\n<p>Quinze anos ap\u00f3s o golpe, no ex\u00edlio, Greg\u00f3rio Bezerra, que nunca saiu do PCB, escreve nas suas <strong><em>Mem\u00f3rias<\/em><\/strong> sua reflex\u00e3o sobre o per\u00edodo, acompanhada do que descreve como o sentimento de uma profunda ang\u00fastia:<\/p>\n<p>\u201c<em>A meu ver, <strong>confiamos demasiado no dispositivo militar dos nossos aliados <\/strong>e subestimamos o dispositivo de nossos inimigos. Est\u00e1vamos com a cabe\u00e7a cheia dos \u00eaxitos parciais. <strong>Nosso partido n\u00e3o estava preparado para a luta armada e, em consequ\u00eancia, n\u00e3o preparou a classe oper\u00e1ria e as massas trabalhadoras para enfrentar o golpe<\/strong><\/em>\u201d (negrito nosso, pg. 528).<\/p>\n<p>\u201c<em>Tinha feito o poss\u00edvel para mobiliz\u00e1-los e prepar\u00e1-los <\/em>[os trabalhadores do campo em Pernambuco] <em>espiritualmente para a luta. <strong>E, justamente quanto era chegado o momento, n\u00e3o tinha armas!<\/strong> Era for\u00e7ado, ent\u00e3o, a desmobiliz\u00e1-los, porque, de outro modo, seria um massacre criminoso e in\u00fatil<\/em>\u201d (negrito nosso, pg. 530).<\/p>\n<p>De um modo geral, acredito que as principais debilidades dos comunistas em 1964 refletiam, por um lado, a <strong>defici\u00eancia no dom\u00ednio da teoria marxista-leninista pelo Partido<\/strong> e, por outro, <strong>sua infiltra\u00e7\u00e3o pela ideologia reformista burguesa, que acabou hegemonizando a ideologia do Partido<\/strong>. Ideologia reformista burguesa que se manifestava especificamente em \u201cconceitos\u201d como os de transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, de alian\u00e7a com a burguesia nacional, os quais levaram ao abandono da posi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, a um seguidismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia e a secundariza\u00e7\u00e3o da tarefa de organizar a classe oper\u00e1ria e as demais massas exploradas para a luta revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Como afirmam os camaradas do Cem Flores no seu artigo \u201c<strong><em>Convocat\u00f3ria para a Reconstru\u00e7\u00e3o do Partido Revolucion\u00e1rio do Proletariado<\/em><\/strong>\u201d (<a href=\"http:\/\/www.quefazer.org\/convocatoria.html\">http:\/\/www.quefazer.org\/convocatoria.html<\/a>):<\/p>\n<p>\u201c<em>O predom\u00ednio do revisionismo e do reformismo no PCB, materializados na defesa da transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para o socialismo em todo o mundo e tamb\u00e9m no Brasil, na defesa da revolu\u00e7\u00e3o nacional e democr\u00e1tica sob dire\u00e7\u00e3o da burguesia, no predom\u00ednio da linha pol\u00edtica que tornava exclusivo o caminho eleitoral e legal, no abandono do movimento de massas substitu\u00eddo pela constru\u00e7\u00e3o de um complexo aparelho sindical-burocr\u00e1tico e a total incapacidade de analisar o estado da luta de classes, ou seja, a conjuntura, como vai comprovar o golpe de 1964, tornou o PCB incapaz de esbo\u00e7ar qualquer rea\u00e7\u00e3o diante da nova ofensiva das classes dominantes brasileiras e do imperialismo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia desse despreparo dos comunistas diante do golpe de Estado da burguesia acaba sendo seguidos fracionamentos em organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias que por seus pr\u00f3prios erros estrat\u00e9gicos e t\u00e1ticos e pela violenta repress\u00e3o do aparelho de estado capitalista, acabam sendo derrotadas pela ditadura.<\/p>\n<p>O per\u00edodo seguinte, da dita \u201cabertura\u201d ou \u201ctransi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, testemunhou algumas tentativas de reorganiza\u00e7\u00e3o dos comunistas, sem que se tenha logrado reconstituir o Partido, retomar sua influ\u00eancia nas massas trabalhadoras ou avan\u00e7ar no dom\u00ednio da teoria marxista-leninista. Esse longo per\u00edodo de aus\u00eancia de uma posi\u00e7\u00e3o comunista, revolucion\u00e1ria, entre a classe oper\u00e1ria e as massas exploradas, desde o final dos anos 1970\/in\u00edcio dos anos 1980 at\u00e9 o presente, levou tanto a um refluxo das classes dominadas na luta de classes quanto \u00e0 hegemonia das posi\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es reformistas e revisionistas burguesas, encabe\u00e7adas pelo PT e pela CUT.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/3.bp.blogspot.com\/-mNRfT813yLg\/U1hHJgtDlbI\/AAAAAAAAAeo\/TuGWjRa9Kn8\/s1600\/imagem%2B4.png?w=747\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Conclu\u00edmos essas nossas breves li\u00e7\u00f5es, tiradas da experi\u00eancia hist\u00f3rica dos \u00faltimos cinquenta anos da luta de classes no pa\u00eds, com o chamamento que os camaradas do blog Cem Flores fazem na contracapa do seu livro \u201c<strong><em>Luta de Classes, Crise do Imperialismo e a Nova Divis\u00e3o Internacional do Trabalho<\/em><\/strong>\u201d (<a href=\"http:\/\/cemflores.blogspot.com.br\/2013\/09\/luta-de-classes-crise-do-imperialismo-e_24.html\">http:\/\/cemflores.blogspot.com.br\/2013\/09\/luta-de-classes-crise-do-imperialismo-e_24.html<\/a>) sob as tarefas para a reconstru\u00e7\u00e3o do Partido Comunista:<\/p>\n<p>\u201c<em>Primeira, retomar o marxismo-leninismo no n\u00edvel do desenvolvimento em que se encontra hoje. Segunda, reconstruir o partido revolucion\u00e1rio, unidade indissol\u00favel da teoria e da pr\u00e1tica. Terceira, aprofundar nossas liga\u00e7\u00f5es com as massas dentro do princ\u00edpio de que s\u00f3 as massas dirigidas pela classe oper\u00e1ria e seu partido, armado da teoria revolucion\u00e1ria, podem fazer a revolu\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n<hr width=\"33%\" size=\"1\" \/>\n<p>[i] Como que a validar esse consenso, exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra, restariam apenas um punhado de m\u00famias insepultas do Clube Militar, os Ninis e os Bolsonaros da vida, apoiados por algumas dezenas de reacion\u00e1rios hip\u00f3critas da reedi\u00e7\u00e3o farsesca da Marcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade.<\/p>\n<p>[ii] E para alguns burgueses, nem t\u00e3o sombrio assim. Veja-se, por exemplo, o famoso editorial da Folha de S\u00e3o Paulo, de 17 de fevereiro de 2009, denominando a ditadura brasileira de \u201cditabranda\u201d (<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/opiniao\/fz1702200901.htm\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/opiniao\/fz1702200901.htm<\/a>).<\/p>\n<p>S\u00f3 para lembrar 1: o editorial, exalando \u00f3dio de classe, compara favoravelmente a ditadura brasileira ao governo de Hugo Ch\u00e1vez&#8230;<\/p>\n<p>S\u00f3 para lembrar 2: o termo \u201cditabranda\u201d n\u00e3o foi cria\u00e7\u00e3o da Folha de S\u00e3o Paulo. Ele foi usado, entre outros, por Pinochet (<a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Politica\/O-que-a-falacia-da-ditabranda-revela%0d%0a\/4\/16796\">http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Politica\/O-que-a-falacia-da-ditabranda-revela%0d%0a\/4\/16796<\/a> e <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ditabranda\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ditabranda<\/a>).<\/p>\n<p>S\u00f3 para lembrar 3: a Folha \u00e9 o jornal que assumidamente (e orgulhosamente?) apoiou o golpe e auxiliou a repress\u00e3o: \u201c<em>A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. &#8230; A partir de 1969, a \u2018Folha da Tarde\u2019 alinhou-se ao esquema de repress\u00e3o \u00e0 luta armada, publicando manchetes que exaltavam as opera\u00e7\u00f5es militares. &#8230; A entrega da Reda\u00e7\u00e3o da \u2018Folha da Tarde\u2019 a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (v\u00e1rios deles eram policiais)&#8230; Segundo relato depois divulgado por militantes presos na \u00e9poca, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repress\u00e3o<\/em>\u201d (<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha90anos\/877777-os-90-anos-da-folha-em-9-atos.shtml\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha90anos\/877777-os-90-anos-da-folha-em-9-atos.shtml<\/a>).<\/p>\n<p>[iii] Detalhes dessas pris\u00f5es podem ser lidos nos relatos de pr\u00f3prio punho desses camaradas. Ver <strong><em>Mem\u00f3rias<\/em><\/strong>, de Greg\u00f3rio Bezerra, de 1979, reeditado pela Boitempo em 2011, especialmente os cap\u00edtulos 8 e 9 da segunda parte. Ver tamb\u00e9m <strong><em>Por Que Resisti \u00e0 Pris\u00e3o<\/em><\/strong>, de Carlos Marighella, de 1965, reeditado pela Brasiliense\/EdUFBa\/Olodum, em 1995, dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/dhnet.org.br\/verdade\/resistencia\/livro_carlos_marighella_por_que_resisti_a_prisao.pdf\">http:\/\/dhnet.org.br\/verdade\/resistencia\/livro_carlos_marighella_por_que_resisti_a_prisao.pdf<\/a>.<\/p>\n<p>[iv] Quem n\u00e3o se emociona ao ouvir os versos de <strong><em>C\u00e1lice<\/em><\/strong>, de Chico Buarque e Gilberto Gil, de 1973, \u201c<em>Quero perder de vez tua cabe\u00e7a\/Minha cabe\u00e7a perder teu ju\u00edzo\/Quero cheirar fuma\u00e7a de \u00f3leo diesel\/Me embriagar at\u00e9 que algu\u00e9m me esque\u00e7a<\/em>\u201d e lembrar o mart\u00edrio, aos 26 anos, desse revolucion\u00e1rio, morto ap\u00f3s torturas ao ser arrastado com a boca amarrada \u00e0 descarga de um jipe?<\/p>\n<p>Ou ao ouvir <strong><em>Ang\u00e9lica<\/em><\/strong>, de Chico e Miltinho, de 1977, e lembrar de Zuzu Angel, m\u00e3e coragem de Stuart, \u201c<em>Quem \u00e9 essa mulher\/Que canta como dobra um sino\/Queria cantar por meu menino\/Que ele j\u00e1 n\u00e3o pode mais cantar<\/em>\u201d?<\/p>\n<p>[v] Jacob Gorender, <strong><em>Combate nas Trevas<\/em><\/strong>. 5\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Ed. \u00c1tica, 1998, pg. 70.<\/p>\n<p>http:\/\/cemflores.blogspot.com.br\/2014\/04\/cinquenta-anos-depois-os-comunistas-e-o.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nPedro Alves\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6209\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-6209","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1C9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6209"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6209\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}