{"id":624,"date":"2010-07-03T23:19:08","date_gmt":"2010-07-03T23:19:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=624"},"modified":"2010-07-03T23:19:08","modified_gmt":"2010-07-03T23:19:08","slug":"secretario-geral-da-frente-popular-pela-libertacao-da-palestina-sequestrado-por-israelenses-e-condenado-a-30-anos-de-prisao-e-mantido-em-isolamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/624","title":{"rendered":"Secret\u00e1rio-geral da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina sequestrado por israelenses e condenado a 30 anos de pris\u00e3o \u00e9 mantido em isolamento"},"content":{"rendered":"\n<p>Dafne Melo da enviada a Ramallah (Palestina)<\/p>\n<p>Um dos presos mantidos a sete chaves pelos israelenses \u00e9 Ahmad Sa&#8217;adat, secret\u00e1rio-geral da Frente Popular pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP). Sa&#8217;adat foi preso pela \u00faltima vez em 2002, pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), sob comando da Fatah, ap\u00f3s a FPLP assumir uma a\u00e7\u00e3o, em outubro de 2001 (durante a Segunda Intifada), em que o ministro do Turismo de Israel, Rehavam Ze&#8217;evi, foi assassinado. Ze&#8217;evi era alinhado \u00e0 extrema-direita e manifestava publicamente seu desejo de limpeza \u00e9tnica. Em entrevista a uma r\u00e1dio, em julho de 2001, afirmou: \u201cN\u00f3s devemos nos livrar daqueles que n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3os israelenses como quem se livra de um c\u00e2ncer\u201d.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, ocorreu apenas 15 dias ap\u00f3s Sa&#8217;adat assumir o cargo dentro da FPLP. Pouco antes, em agosto, o ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral Abu Ali Mustaf\u00e1 (que substitu\u00edra Goerge Habash, um dos fundadores da FPLP) foi assassinado por Israel.<\/p>\n<p>Pressionada por Israel e pelos Estados Unidos, a ANP captura Sa&#8217;adat em janeiro de 2002. Em fevereiro, prende, em Gaza, os integrantes da c\u00e9lula das Brigadas Abu Ali Mustaf\u00e1 \u2013 bra\u00e7o armado da FPLP \u2013 acusada do assassinato de Ze&#8217;evi. Todos s\u00e3o levados a Muqataa, \u201cquartel-general\u201d de Yasser Arafat em Ramallah, onde tamb\u00e9m estava Sa&#8217;adat. No fim de mar\u00e7o, o ex\u00e9rcito israelense cerca e bombardeia a \u00e1rea. Numa negocia\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje tem vers\u00f5es distintas, Arafat aceita prender os quatro membros da Brigada, mas adverte que o caso de Sa&#8217;adat \u2013 um l\u00edder pol\u00edtico e n\u00e3o militar \u2013 deveria ser julgado de outra maneira.<\/p>\n<p>Sequestro<\/p>\n<p>Em maio de 2002, todos os membros da FPLP s\u00e3o mandados para uma pris\u00e3o da ANP em Jeric\u00f3, vigiados por soldados estadunidenses e brit\u00e2nicos. Na \u00e9poca, diversas organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, como a Anistia Internacional, pediram a liberta\u00e7\u00e3o do n\u00famero um da FPLP, devido ao fato de n\u00e3o existirem provas que o liguem ao assassinato de Ze&#8217;evi. O pr\u00f3prio Estado de Israel reconhece a culpa dos outros quatro membros e a falta de provas contra Sa&#8217;adat. O secret\u00e1rio-geral da FPLP, entretanto, permanece em Jeric\u00f3 at\u00e9 mar\u00e7o de 2006, quando \u00e9 sequestrado em uma opera\u00e7\u00e3o militar e condizido para uma pris\u00e3o israelense.<\/p>\n<p>Todas as vezes que foi levado \u00e0 corte militar, Sa&#8217;adat se negou a aceitar a jurisdi\u00e7\u00e3o israelense. \u201cEle se recusou a participar, se negou a escutar e a responder qualquer coisa no julgamento, ou a fazer sua defesa, porque n\u00e3o reconhece a autoridade israelense para prend\u00ea-lo\u201d, afirma Sahar Francis, da Adameer. Para a advogada, o caso de Sa&#8217;adat \u00e9 um dos mais graves devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que ele \u00e9 mantido e porque mostra como o crit\u00e9rio \u00e9 pol\u00edtico. \u201cO juiz do caso disse claramente que foi a primeira vez que um l\u00edder pol\u00edtico palestino que ocupa um cargo alto foi preso, descreveu ele como o &#8216;topo da pir\u00e2mide&#8217;. E \u00e9 por isso que o tratam de maneira t\u00e3o desumana e por isso o condenaram por 30 anos de pris\u00e3o por atividades que, se ele n\u00e3o fosse da FPLP, certamente seria, na pior das hip\u00f3teses, de 20 anos\u201d. Sa&#8217;adat foi formalmente sentenciado em dezembro de 2008, sob as acusa\u00e7\u00f5es de integrar uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ilegal \u2013 a FPLP \u2013, e por incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, devido a um discurso feito ap\u00f3s o assassinato de Abu Ali Mustaf\u00e1, em 2001.<\/p>\n<p>Solidariedade internacional<\/p>\n<p>De acordo com um dos coordenadores da campanha internacional pela liberta\u00e7\u00e3o de Ahmad Sa&#8217;adat, o advogado Ayman Krajeh, o l\u00edder da FPLP \u00e9 transferido de pris\u00e3o a cada tr\u00eas meses para que n\u00e3o se acostume e n\u00e3o se fixe em um lugar. A fam\u00edlia s\u00f3 fica sabendo de seu paradeiro devido aos advogados. Sa&#8217;adat fica sozinho em uma cela, e quase nunca \u00e9 permitida a visita dos familiares que podem ir a Israel (h\u00e1 palestinos que nasceram em Jerusal\u00e9m e s\u00e3o considerados palestinos-israelenses ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o da cidade em 1967). Os familiares que possuem identidade da ANP n\u00e3o obt\u00e9m permiss\u00e3o. Suas filhas n\u00e3o o veem h\u00e1 quatro anos. \u201cMesmo quando visitam h\u00e1 sempre um soldado junto e se veem por um vidro, falam pelo telefone. Os advogados podem ir a cada duas semanas e a Cruz Vermelha faz visitas todo m\u00eas. Todos que o visitam afirmam que ele segue forte, com boa sa\u00fade\u201d, diz Krajeh. Sua esposa, Abla Sa&#8217;adat tamb\u00e9m foi presa em 2003 por seis meses, em pris\u00e3o administrativa, quando tentava ir da Palestina a Porto Alegre, para o F\u00f3rum Social Mundial de 2003, onde iria falar sobre a situa\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos, incluindo a de Ahmad.<\/p>\n<p>Segundo Krajeh, a campanha come\u00e7ou seus trabalhos depois do sequestro de Sa&#8217;adat em Jeric\u00f3, em mar\u00e7o de 2006, e tem como objetivo levantar nacional e internacionalmente a causa pela liberta\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio-geral da FPLP. \u201cIsso significa tamb\u00e9m abordar a situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e3o milhares de palestinos em pris\u00f5es israelenses, e tamb\u00e9m libertar Sa&#8217;adatm, que representa um tipo de lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria \u00fanica na Palestina. Para n\u00f3s \u00e9 importante falar do sofrimento de Sa&#8217;adat e tamb\u00e9m sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sobre a situa\u00e7\u00e3o da Palestina. Sabemos que ele est\u00e1 sob press\u00e3o di\u00e1ria devido a sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ele foi condenado a 30 anos por motivos pol\u00edticos, ainda que Israel diga que tenha sido por motivos de seguran\u00e7a\u201d, afirma. O site oficial da campanha \u00e9 <a href=\"http:\/\/www.freeahmadsaadat.org\/\" target=\"_blank\">www.freeahmadsaadat.org<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\nCr\u00e9dito: Ahmad Sa&#8217;adat\n\n\n\n\n\n\n\n\nhttp:\/\/www.brasildefato.com.br\n30\/06\/2010\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/624\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-624","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-a4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=624"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/624\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}