{"id":6256,"date":"2014-05-20T18:03:21","date_gmt":"2014-05-20T18:03:21","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6256"},"modified":"2014-05-20T18:03:21","modified_gmt":"2014-05-20T18:03:21","slug":"romper-o-silencio-o-limiar-de-uma-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6256","title":{"rendered":"Romper o sil\u00eancio: o limiar de uma guerra mundial"},"content":{"rendered":"\n<p>Por que toleramos a amea\u00e7a de outra guerra mundial?<\/p>\n<p>Por que permitimos mentiras que justificam este risco? A escala do nosso doutrina\u00e7\u00e3o, escreveu Harold Pinter, \u00e9 um &#8220;acto de hipnose brilhante, mesmo jocoso e altamente conseguido&#8221;, como se a verdade &#8220;nunca acontecesse mesmo enquanto estava a acontecer&#8221;.<\/p>\n<p>Todos os anos o historiador americano William Blum publica o seu &#8220;sum\u00e1rio actualizado do registo da pol\u00edtica externa estado-unidense&#8221; o qual mostra que, desde 1945, os EUA tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos deles eleitos democraticamente; interferiu grosseiramente em elei\u00e7\u00f5es de 30 pa\u00edses; bombardeou as popula\u00e7\u00f5es civis de 30 pa\u00edses; utilizou armas qu\u00edmicas e bacteriol\u00f3gicas e tentou assassinar l\u00edderes estrangeiros.<\/p>\n<p>Em muitos casos a Gr\u00e3-Bretanha foi uma colaboradora. O grau de sofrimento humano, sem mencionar a criminalidade, \u00e9 escassamente reconhecido no ocidente, apesar a presen\u00e7a das mais avan\u00e7adas comunica\u00e7\u00f5es do mundo e nominalmente do jornalismo mais livre. Que a maior parte das numerosas v\u00edtimas do terrorismo \u2013 o &#8220;nosso&#8221; terrorismo \u2013 \u00e9 mu\u00e7ulmana, \u00e9 indiz\u00edvel. Que o jihadismo extremo, o qual levou ao 11\/Set, foi cultivado como uma arma da pol\u00edtica anglo-americana (Opera\u00e7\u00e3o Ciclone no Afeganist\u00e3o) \u00e9 omitido. Em Abril do Departamento do Estado dos EUA observou que, a seguir \u00e0 campanha da NATO em 2011, &#8220;a L\u00edbia tornou-se um abrigo seguro para terroristas&#8221;.<\/p>\n<p>O nome do &#8220;nosso&#8221; inimigo mudou ao longo dos anos, de comunismo para islamismo, mas na generalidade \u00e9 qualquer sociedade independente do poder ocidental e a ocupar territ\u00f3rio estrategicamente \u00fatil ou rico em recursos. Os l\u00edderes destas na\u00e7\u00f5es obstrutivas habitualmente s\u00e3o violentamente empurrados para o lado, tais como os democratas Muhammad Mossedeq no Ir\u00e3o e Salvador Allende no Chile, ou s\u00e3o assassinados como Patrice Lumumba no Congo. Todos eles s\u00e3o sujeitos a uma campanha de caricaturas e difama\u00e7\u00e3o pelos media ocidentais \u2013 basta pensar em Fidel Castro, Hugo Ch\u00e1vez, agora Vladimir Putin.<\/p>\n<p>O papel de Washington na Ucr\u00e2nia \u00e9 diferente apenas quanto \u00e0s suas implica\u00e7\u00f5es para todos n\u00f3s. Pela primeira vez desde os anos Reagan, os EUA amea\u00e7am levar o mundo \u00e0 guerra. Com a Europa oriental e os Balc\u00e3s agora como postos avan\u00e7ados da NATO, o \u00faltimo &#8220;estado tamp\u00e3o&#8221; (&#8220;buffer state&#8221;) a bordejar a R\u00fassia est\u00e1 a ser despeda\u00e7ado. N\u00f3s no ocidente estamos a apoiar neo-nazis num pa\u00eds onde nazis ucranianos apoiaram Hitler.<\/p>\n<p>Tendo engendrado o golpe de Fevereiro contra o governo democraticamente eleito de Kiev, o plano de Washington de tomar a hist\u00f3rica e leg\u00edtima base naval da R\u00fassia em \u00e1guas quentes, na Crimeia, fracassou. Os russos defenderam-se, tal como o fizeram contra toda amea\u00e7a e invas\u00e3o do ocidente durante quase um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Mas o cerco militar da NATO acelerou-se, juntamente com ataques orquestrados pelos EUA a russos \u00e9tnicos na Ucr\u00e2nia. Se Putin puder ser provocado a vir em sua ajuda, o seu papel pr\u00e9-decretado de &#8220;p\u00e1ria&#8221; justificar\u00e1 uma guerra de guerrilha dirigida pela NATO que provavelmente se estender\u00e1 \u00e0 pr\u00f3pria R\u00fassia.<\/p>\n<p>Putin, ao inv\u00e9s, confundiu o partido da guerra ao procurar uma acomoda\u00e7\u00e3o com Washington e a UE, ao retirar tropas da fronteira ucraniana e ao instar os russos \u00e9tnicos na Ucr\u00e2nia oriental a abandonarem o referendo provocat\u00f3rio do fim de semana. Este povo que fala russo e \u00e9 bilingue \u2013 um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u2013 deseja h\u00e1 muito uma federa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que reflicta a diversidade \u00e9tnica do pa\u00eds e seja tanto aut\u00f3noma como independente de Moscovo. Na maior parte n\u00e3o s\u00e3o nem &#8220;separatistas&#8221; nem &#8220;rebeldes&#8221; mas cidad\u00e3os que querem viver em seguran\u00e7a na sua p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Tal como as ru\u00ednas do Iraque e do Afeganist\u00e3o, a Ucr\u00e2nia foi transformada pela CIA num parque tem\u00e1tico \u2013 dirigido em Kiev pelo director da CIA John Brennan, com &#8220;unidades especiais&#8221; da CIA e do FBI a instalarem uma &#8220;estrutura segura&#8221; que supervisione ataques selvagens \u00e0queles que se op\u00f5em ao golpe de Fevereiro. Assista aos v\u00eddeos, leia os relatos de testemunhas oculares do massacre em Odessa este m\u00eas. Bandidos fascistas transportados em autocarro incendiaram a sede da casa dos sindicatos, matando 41 pessoas presas no seu interior. Observe a pol\u00edcia de prontid\u00e3o. Um m\u00e9dico descreveu como tentou resgatar pessoas, &#8220;mas fui impedido por radicais nazis pr\u00f3 ucranianos. Um deles empurrou-me para longe brutalmente, prometendo que em breve eu e outros judeus de Odessa iriam deparar-se com o mesmo destino&#8230; Gostava de saber porque todo o mundo est\u00e1 a manter sil\u00eancio&#8221;.<\/p>\n<p>Os ucranianos de l\u00edngua russa est\u00e3o a combater pela sobreviv\u00eancia. Quando Putin anunciou a retirada de tropas russas da fronteira, o secret\u00e1rio da defesa da junta de Kiev \u2013 um membro fundador do partido fascista Svoboda \u2013 jactou-se de que os ataques a &#8220;insurgentes&#8221; continuariam. Em estilo orwelliano, a propaganda no ocidente inverteu isto para Moscovo &#8220;a tentar orquestrar conflitos e provoca\u00e7\u00e3o&#8221;, segundo William Hague. O seu cinismo vai a par com as grotescas congratula\u00e7\u00f5es de Obama \u00e0 junta golpista pela &#8220;not\u00e1vel conten\u00e7\u00e3o&#8221; a seguir ao massacre de Odessa. A junta, ilegal e dominada por fascista, \u00e9 descrita por Obama como &#8220;devidamente eleita&#8221;. O que importa n\u00e3o \u00e9 a verdade, disse outrora Henry Kissinger, mas &#8220;o que \u00e9 percebido ser verdadeiro&#8221;.<\/p>\n<p>Nos media dos EUA a atrocidade de Odessa foi subestimada como &#8220;nebulosa&#8221; e uma &#8220;trag\u00e9dia&#8221; na qual &#8220;nacionalistas&#8221; (neo-nazis) atacaram &#8220;separatistas&#8221; (pessoas a colectarem assinaturas para um referendo sobre uma Ucr\u00e2nia federal). O Wall Street Journal de Rupert Murdoch condenou as v\u00edtimas \u2013 &#8220;Inc\u00eandio fatal na Ucr\u00e2nia provavelmente ateado pelos rebeldes, diz o governo&#8221;.<\/p>\n<p>A propaganda na Alemanha tem sido pura guerra fria, com o Frankfurter Allgemeine Zeitung a advertir os seus leitores para uma &#8220;guerra n\u00e3o declarada&#8221; da R\u00fassia. Para alem\u00e3es, \u00e9 uma ironia odiosa que Putin seja o \u00fanico l\u00edder a condenar a ascens\u00e3o do fascismo na Europa do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Um tru\u00edsmo popular \u00e9 que &#8220;o mundo mudou&#8221; a seguir ao 11\/Set. Mas o que mudou? Segundo o grande denunciante Daniel Ellsberg, um golpe silencioso teve lugar em Washington e agora domina o militarismo desenfreado. O Pent\u00e1gono actualmente dirige &#8220;opera\u00e7\u00f5es especiais&#8221; \u2013 guerras secretas \u2013 em 124 pa\u00edses. Internamente a ascens\u00e3o da pobreza e a hemorragia da liberdade s\u00e3o o corol\u00e1rio hist\u00f3rico de um estado de guerra perp\u00e9tuo. Acrescente-se o risco de guerra nuclear e a pergunta que resulta \u00e9: por que toleramos isto?<\/p>\n<p>14\/Maio\/2014<strong><a href=\"http:\/\/www.strategic-culture.org\/news\/2014\/05\/14\/pourquoi-le-massacre-odessa-peu-decho-dans-les-medias.html\" target=\"_blank\"><\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/break-the-silence-a-world-war-is-beckoning\/5382248\" target=\"_blank\">www.globalresearch.ca\/break-the-silence-a-world-war-is-beckoning\/5382248<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor John Pilger\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6256\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1CU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}