{"id":6268,"date":"2014-05-24T21:52:39","date_gmt":"2014-05-24T21:52:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6268"},"modified":"2014-05-24T21:52:39","modified_gmt":"2014-05-24T21:52:39","slug":"o-capitalismo-nao-tem-solucoes-para-salvar-o-seu-monstruoso-projeto-sua-agonia-vai-ser-lenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6268","title":{"rendered":"O capitalismo n\u00e3o tem solu\u00e7\u00f5es para salvar o seu monstruoso projeto. Sua agonia vai ser lenta"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>\u201cO capitalismo n\u00e3o tem solu\u00e7\u00f5es para salvar o seu monstruoso projeto. Sua agonia vai ser lenta\u201d. Boltxe entrevista Miguel Urbano, hist\u00f3rico comunista portugu\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>Boltxe kolektiboa<\/p>\n<p>Realmente foi um privilegio para Boltxe ter conhecido Miguel Urbano. Este veterano comunista portugu\u00eas n\u00e3o precisa de nenhuma apresenta\u00e7\u00e3o, colaborador em dezenas de sites, intelectual e militante antifascista. N\u00e3o pod\u00edamos perder a oportunidade de expor algumas quest\u00f5es e perguntas, que apresentamos abaixo<\/p>\n<p>B- Miguel, para come\u00e7ar, como militante comunista portugu\u00eas nos gostaria que fizesse uma pequena radiografa do seu pa\u00eds e nos falasse do impacto da crise capitalista em Portugal<\/p>\n<p>M- A Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de abril de 1974 foi um acontecimento hist\u00f3rico. A derrocada do fascismo permitiu ao povo portugu\u00eas realizar avan\u00e7os revolucion\u00e1rios superiores a todos os acontecidos na Europa Ocidental desde a Comuna de Paris.<\/p>\n<p>As conquistas da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e nacional foram poss\u00edveis pela alian\u00e7a do povo com o Movimento das For\u00e7as Armadas -MFA-, a vanguarda militar que concebeu e executou o golpe do 25 de abril.<\/p>\n<p>O per\u00edodo revolucion\u00e1rio foi desafortunadamente breve. O Partido Socialista, liderado por Mario Soares, ao sembrar a divis\u00e3o no MFA, mudou a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, criando condi\u00e7\u00f5es para a contra-revolu\u00e7\u00e3o com o golpe do 25 de novembro de 1975.<\/p>\n<p>Transcorridos 40 anos, Portugal tem um dos governos mais reacion\u00e1rios da Uni\u00e3o Europeia, tutelado pela chanceler Merkel e pelo imperialismo estadunidense. Portugal \u00e9 hoje uma ditadura da burguesia com fachada democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>B- Esta crise capitalista da que fal\u00e1vamos e que afeta toda a Europa e o resto do mundo deveria fazer reagir a classe trabalhadora, mas acreditamos que essa rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente. Quais voc\u00ea acha que s\u00e3o as raz\u00f5es?<\/p>\n<p>M- As condi\u00e7\u00f5es objetivas s\u00e3o favor\u00e1veis em muitos pa\u00edses europeus para um ascenso da luta de massas, mas n\u00e3o existem as condi\u00e7\u00f5es subjetivas. O controle hegem\u00f4nico dos meios de comunica\u00e7\u00e3o pelo grande capital financeiro manipula a consci\u00eancia das grandes maiorias, promovendo a aliena\u00e7\u00e3o. A mentira \u00e9 transformada em verdade e guerras imperiais genocidas s\u00e3o apresentadas como a\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias em defensa da democracia e da liberdade. N\u00e3o se esque\u00e7am o pr\u00eamio Nobel da Paz foi atribu\u00eddo a Obama, presidente dos EUA, cuja pol\u00edtica externa belicista amea\u00e7a a humanidade.<\/p>\n<p>B- Outra das consequ\u00eancias destes per\u00edodos de crise \u00e9 a apari\u00e7\u00e3o do fascismo e o nazismo. Voc\u00ea acha que estas odiosas tendencias podem renascer com for\u00e7a e levar-nos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos anos 40 do s\u00e9culo passado?<\/p>\n<p>M- O ascenso do fascismo na Europa (e tamb\u00e9m nos EUA) \u00e9 uma perigosa realidade. Nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu, dezenas de cadeiras ser\u00e3o conquistadas pelos partidos de extrema direita do Reino Unido, Holanda, Fran\u00e7a, \u00c1ustria, Dinamarca, Gr\u00e9cia e Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>Aproveitando o desespero e a frustra\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas das pol\u00edticas neoliberais, dirigentes de partidos fascistas, como a francesa Marine le Pen, mudaram o discurso e agora criticam o imperialismo americano e o FMI e responsabilizam o liberalismo ortodoxo pela crise. Conseguem inclusive captar os votos de muitos trabalhadores explorados pelo sistema.<\/p>\n<p>O governo Obama e a CIA cumpriram um papel decisivo nos acontecimentos da Ucr\u00e2nia. O golpe que desencadeou a viol\u00eancia em Kiev foi preparado pelos EUA. Agora, Washington se esfor\u00e7a por criar situa\u00e7\u00f5es explosivas no leste da Ucr\u00e2nia, majoritariamente russo-falante.<\/p>\n<p>Putin e as televis\u00f5es russas j\u00e1 apresentaram provas da infiltra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de centenas de mercen\u00e1rios das organiza\u00e7\u00f5es Blackwater (agora rebatizada Academi) e Greystone. Ambas promovem o terrorismo de Donetska Lugansk, cometendo crimes que os meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidentais atribuem as milicias russ\u00f3fonas.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito, n\u00e3o entanto, que o atual ascenso do fascismo possa nos levar a uma situa\u00e7\u00e3o como a anterior \u00e0 II Guerra Mundial. Naquela conjuntura Hitler foi apoiado pelo grande capital alem\u00e3o, ingl\u00eas e americano. O contexto hist\u00f3rico \u00e9 diferente. Hoje as transnacionais utilizam o fascismo e o terrorismo (na S\u00edria por exemplo) como aliados. Mas o mant\u00eam baixo relativo controle.<\/p>\n<p>B- Uma luta imprescind\u00edvel de analisar, os direitos nacionais dos povos sem estado, n\u00e3o foi \u00e0 toa que nos encontramos na Galizia, nas Jornadas Independentistas Galegas\u2026 Que avalia\u00e7\u00e3o voc\u00ea faz das atuais lutas dos povos pela autodetermina\u00e7\u00e3o e a independ\u00eancia?<\/p>\n<p>M- Depois da segunda guerra mundial, os imp\u00e9rios coloniais enfrentaram lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional que mudaram o mapa do mundo, sobretudo na \u00c1frica e Asia. Em algumas, como a da Arg\u00e9lia e Vietn\u00e3, a luta armada foi determinante para a derrota das potencias opressoras. A vitoria do povo vietnamita e a defesa heroica da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana s\u00e3o marcos que assinalaram o inicio da decad\u00eancia da hegemonia mundial dos EUA.<\/p>\n<p>A solidariedade da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica com os povos que combateram pela independ\u00eancia contribuiu decisivamente \u2013 caso das colonias portuguesas &#8211; para o fim da era colonial.<\/p>\n<p>A desapari\u00e7\u00e3o da URSS e a transforma\u00e7\u00e3o de R\u00fassia em um pa\u00eds capitalista foi uma tragedia para a humanidade que permitiu ao imperialismo estadunidense desenvolver uma estrategia de domina\u00e7\u00e3o mundial, invadindo e ocupando pa\u00edses do ex-Terceiro Mundo em guerras de saqueio. Isso aconteceu no Iraque, Afeganist\u00e3o e L\u00edbia, hoje colonias de novo tipo. Em alguns casos o instrumento de agress\u00e3o foi a OTAN com a cumplicidade dos aliados europeus.<\/p>\n<p>Diferente \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de povos sem estado que lutam faz s\u00e9culos pela autodetermina\u00e7\u00e3o e a independ\u00eancia. Nessa situa\u00e7\u00e3o se encontram os curdos, os palestinos e as na\u00e7\u00f5es oprimidas pelo Estado Espanhol: Galizia, Euskal Herria e Catalunha. ..<\/p>\n<p>Os curdos, mais de 20 milh\u00f5es, s\u00e3o hoje minorias importantes na Turquia, Iraque e Ir\u00e3 e existem comunidades suas tamb\u00e9m na S\u00edria e Arm\u00eania. O imperialismo, que em 1918 se comprometeu a criar um Curdist\u00e3o independente, n\u00e3o cumpriu a promessa e est\u00e1 hoje interessado em manter os curdos divididos.<\/p>\n<p>No que concerne as na\u00e7\u00f5es oprimidas da Espanha sou obviamente solid\u00e1rio com o seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e \u00e0 independ\u00eancia.<\/p>\n<p>B- Falando de Heuskal Herria, o que voc\u00ea pensa desde Portugal da luta pelo socialismo e a independ\u00eancia do povo basco?<\/p>\n<p>M- \u00c9 uma luta heroica e dif\u00edcil, que eu acompanho com emo\u00e7\u00e3o, condenando com firmeza todas as formas de repress\u00e3o que se abatem sobre o povo de voc\u00eas e a hipocrisia dos partidos do sistema ao se negar a um di\u00e1logo que abra portas a uma solu\u00e7\u00e3o que responda as aspira\u00e7\u00f5es da na\u00e7\u00e3o basca.<\/p>\n<p>B- E do estado atual da luta de classes na Am\u00e9rica Latina com Venezuela, Bol\u00edvia, Equador, Brasil, Argentina\u2026<\/p>\n<p>M- Destruir a Revolu\u00e7\u00e3o bolivariana \u00e9 hoje o objetivo priorit\u00e1rio para Washington na Am\u00e9rica Latina. Uma campanha de desinforma\u00e7\u00e3o mundial apresenta a Venezuela como um pa\u00eds \u00e0 beira do caos e da bancarrota, que reprime mobiliza\u00e7\u00f5es pac\u00edficas da oposi\u00e7\u00e3o e persegue a \u00abimprensa democr\u00e1tica\u00bb.<\/p>\n<p>Esta campanha deturpa grosseiramente a realidade.<\/p>\n<p>A responsabilidade pela viol\u00eancia das ruas \u00e9 do setor fascista da oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 na Am\u00e9rica do Sul um governo mais democr\u00e1tico que o venezolano. Gra\u00e7as \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o bolivariana o analfabetismo foi eliminado, a expectativa de vida subiu enormemente, milh\u00f5es de venezulanos tiveram acesso \u00e0 sa\u00fade, alimentos subsidiados e universidades.<\/p>\n<p>Obviamente, a morte prematura de um revolucion\u00e1rio carism\u00e1tico como Hugo Chavez \u00e9 fonte de grandes problemas. O Partido Socialista Unido de Venezuela n\u00e3o \u00e9 o instrumento pol\u00edtico revolucion\u00e1rio imaginado por Chavez. Mas as enormes dificuldades que a Revolu\u00e7\u00e3o enfrenta, ao inv\u00e9s de gerar pessimismo exigem um refor\u00e7o da solidariedade internacionalista.<\/p>\n<p>A defesa da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana \u00e9 hoje um dever revolucion\u00e1rio. Sua derrota teria graves consequ\u00eancias para os governos progressistas de Evo Morales, na Bol\u00edvia ou de Rafael Correa, no Equador; amea\u00e7aria inclusive a continuidade da revolu\u00e7\u00e3o cubana.<\/p>\n<p>Relativamente ao Brasil e a Argentina, o modelo de neo-desenvolvimentismo dos governos de Dilma Roussef e Cristina Kirchner \u00e9 bem tolerado pelos EUA. As transnacionais n\u00e3o foram afetadas pelas suas pol\u00edticas assistencialistas.<\/p>\n<p>O ex tupamaro Mujica, no Uruguai, \u00e9 uma decep\u00e7\u00e3o. Os elogios que acaba de receber de Obama na sua visita a Washington s\u00e3o esclarecedores. N\u00e3o h\u00e1 nada de positivo a se esperar dos governos de M\u00e9xico, Peru, Col\u00f4mbia e Chile, fundamentalmente alinhados com a estrategia dos EUA para a Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, n\u00e3o entanto, a heroica luta das FARC, j\u00e1 com mais de meio s\u00e9culo, prossegue como desafio ao imperialismo. Com exce\u00e7\u00e3o de Israel, nenhum outro pa\u00eds recebe \u00abajuda\u00bb militar t\u00e3o grande. Gra\u00e7as a ela, a oligarquia colombiana pode manter um ex\u00e9rcito de 500 000 homens, mas nem assim consegue eliminar a heroica guerrilha comunista criada pelo Manuel Marulanda.<\/p>\n<p>B- Vamos terminando e queremos perguntar algo sobre o marxismo e a luta pelo socialismo. 25 anos depois depois das derrotas dos anos 90 com a queda da URSS e a volta ao capitalismo do leste europeu, como voc\u00ea avalia a atualidade do marxismo-leninismo e se voc\u00ea acha continuam oferecendo respostas adequadas as lutas dos povos?<\/p>\n<p>M- A tese do fim da Historia de Francis Fukuyama foi rapidamente desmentida. O liberalismo, que seria a ideologia definitiva, est\u00e1 desacreditado, acumulando derrota ap\u00f3s derrota. A implanta\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia foi precipitadamente interpretada como pr\u00f3logo \u00e0 morte do comunismo. E o que observamos? A crise mundial demostrou que o capitalismo atravessa uma crise estrutural para a qual busca solu\u00e7\u00e3o em guerras de saqueio.<\/p>\n<p>Ao contrario, assistimos a um explosivo renascimento do marxismo. Multiplicam-se os congressos sobre o pensamento e a obra de Marx.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a \u2013um exemplo \u2013 o curso sobre Marx na Sorbonne, do fil\u00f3sofo e historiador Jean Salem, \u00e9 um sucesso absoluto, acompanhado na Internet por mais de 30.000 pessoas.<\/p>\n<p>O marxismo que manifesta tanta vitalidade \u00e9 criador e din\u00e2mico, como o concebeu Marx, um instrumento revolucion\u00e1rio indispens\u00e1vel para a compreens\u00e3o do mundo do s\u00e9culo XXI e a elabora\u00e7\u00e3o das formas de luta contra o capitalismo atual, muito diferente do que inspirou O Capital.<\/p>\n<p>Mas hoje como ent\u00e3o, a alternativa ao capitalismo \u00e9 o socialismo. As li\u00e7\u00f5es da derrota da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica trazem, entre outras, a certeza de que n\u00e3o vai surgir em data previs\u00edvel um modelo \u00fanico de socialismo.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos surgiram obras muito importantes de fil\u00f3sofos marxistas revolucion\u00e1rios como o italiano Domenico Losurdo e o franc\u00eas Georges Labica (recentemente falecido).<\/p>\n<p>Todos coincidem com Marx na conclus\u00e3o de que \u00e9 indispens\u00e1vel destruir completamente o estado burgu\u00eas quando o poder \u00e9 tomado. O desenlace sangrento da experi\u00eancia chilena confirmou a impossibilidade de utilizar o estado criado pela burguesia para impor um sistema incompat\u00edvel com seus objetivos. O que est\u00e1 acontecendo na Venezuela tamb\u00e9m demonstra que a chamada \u00abvia pac\u00edfica\u00bb ao socialismo \u00e9 uma tese rom\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Mas a destrui\u00e7\u00e3o do aparelho do estado burgu\u00eas n\u00e3o resolve o problema da fun\u00e7\u00e3o e natureza do estado prolet\u00e1rio socialista. Losurdo coloca concretamente uma quest\u00e3o te\u00f3rica que me parece fundamental sobre a transi\u00e7\u00e3o do capitalismo a uma sociedade adulta, humanizada, sem exploradores nem explorados.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o critica a tese marxista da extin\u00e7\u00e3o do estado. Mas chama a aten\u00e7\u00e3o para as respostas que a Historia deu em sociedades nas quais partidos comunistas, tomado o poder, iniciaram a constru\u00e7\u00e3o do socialismo como fase transit\u00f3ria, rumo ao comunismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o teve uma s\u00f3 dessas experi\u00eancias em que o novo estado, instalado pelo Partido sobre as ru\u00ednas do estado burgu\u00eas pre-existente, tenha come\u00e7ado a perder protagonismo. Ao contrario. Foi fortalecido continuamente. Isso aconteceu concretamente na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e em Cuba.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito que os erros e desvios cometidos pelos dois Partidos \u2013 e foram muitos e graves- sejam a causa determinante da n\u00e3o redu\u00e7\u00e3o do papel e dimens\u00e3o do estado socialista.<\/p>\n<p>Eu encontro a explica\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico, no homem, na resist\u00eancia do ser humano a transformar-se mesmo em beneficio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>A humanidade realizou conquistas maravilhosas na ci\u00eancia e na tecnologia. A vida \u00e9 hoje totalmente diferente do que era na Atenas de Pericles. O homem do s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 nem melhor nem mais inteligente do que foram Arist\u00f3teles ou Plat\u00f3n.<\/p>\n<p>O homo sapiens atual, em suas virtudes e v\u00edcios, n\u00e3o difere muito na capacidade de amar, sentir e lutar do ateniense do s\u00e9culo V a.C. ou do cidad\u00e3o do Jerusal\u00e9m contempor\u00e2neo de Jesus.<\/p>\n<p>O homem novo \u00e9 por enquanto ut\u00f3pico.<\/p>\n<p>O surgimento rapid\u00edssimo de milh\u00f5es de homens velhos, com todos os estigmas do capitalismo na R\u00fassia de Yeltsin requer reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o do socialismo ao comunismo ser\u00e1 muito mais lenta que o admitido por Marx.<\/p>\n<p>B- Terminando Miguel, Rosa Luxemburgo falou de socialismo ou barb\u00e1rie. Temos claro que acertou plenamente nas alternativas que estavam colocadas \u00e0 humanidade. Voc\u00ea acredita que a humanidade ser\u00e1 capaz de fugir dessa barb\u00e1rie chamada capitalismo e ser\u00e1 capaz de construir o socialismo pelo qual tanta gente tem lutado e dado a vida?<\/p>\n<p>M- Da minha resposta anterior, poderia se deduzir, camaradas de Boltxe, que sou pessimista. Pero seria err\u00f4nea tal conclus\u00e3o. Sou, ao contrario, otimista. A advert\u00eancia de Rosa Luxemburgo sobre a antinomia socialismo ou barb\u00e1rie n\u00e3o perdeu atualidade.<\/p>\n<p>Est\u00e1 nas m\u00e3os da Humanidade optar pela sua continua\u00e7\u00e3o ou extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vejo como ingenua a convic\u00e7\u00e3o de que as revolu\u00e7\u00f5es futuras ser\u00e3o obra de movimentos sociais. O espontane\u00edsmo n\u00e3o faz historia profunda. A luta de classes \u00e9 hoje, como sempre o foi, o motor da Historia. E ao partido revolucion\u00e1rio de novo tipo cabe liderar a Historia como vanguarda.<\/p>\n<p>Por enquanto, como afirmei antes, n\u00e3o est\u00e3o criadas as condi\u00e7\u00f5es subjetivas para revolu\u00e7\u00f5es socialistas em pa\u00edses centrais.<\/p>\n<p>Mas o capitalismo n\u00e3o tem solu\u00e7\u00f5es para salvar o seu monstruoso projeto.<\/p>\n<p>Sua agonia ser\u00e1 lenta, sem data marcada.<\/p>\n<p>Temos que ser pacientes. A mar\u00e9 sobe. E a converg\u00eancia de muitas lutas em muitos pa\u00edses ser\u00e1 fatal para o capitalismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6268\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6268","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1D6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6268"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6268\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}