{"id":6285,"date":"2014-05-29T04:14:09","date_gmt":"2014-05-29T04:14:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6285"},"modified":"2014-05-29T04:14:09","modified_gmt":"2014-05-29T04:14:09","slug":"1914-2014-imperialismo-significa-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6285","title":{"rendered":"\u201c1914-2014: Imperialismo significa guerra\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Bruxelas, 27-29 de junho de 2014<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o do KKE sobre as quest\u00f5es do programa levantadas pelos organizadores<\/p>\n<p><strong>As caracter\u00edsticas do imperialismo hoje <\/strong><\/p>\n<p>O Partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE), que segue sendo fiel ao Marxismo-L\u00eaninismo e ao internacionalismo prolet\u00e1rio, a partir deste enfoque trata a quest\u00e3o do imperialismo e da guerra.<\/p>\n<p>L\u00eanin definiu em sua grandiosa obra as caracter\u00edsticas b\u00e1sicas do imperialismo, como capitalismo monopolista, fase superior e \u00faltima deste sistema de explora\u00e7\u00e3o, antes da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es que ocorreram nos \u00faltimos 100 anos que tem a ver com os aumentos [de pre\u00e7os] em escala (por exemplo a escala de pre\u00e7os do mercado capitalista mundial, escala da especula\u00e7\u00e3o e do funcionamento parasit\u00e1rio do capital etc.) n\u00e3o podem negar o ponto de vista leninista como sustentam v\u00e1rios oportunistas, sen\u00e3o que o confirmam.<\/p>\n<p>Por suposi\u00e7\u00e3o, em condi\u00e7\u00f5es de intensifica\u00e7\u00e3o da internacionaliza\u00e7\u00e3o capitalista, de interdepend\u00eancia das economias, de fus\u00e3o de setores do capital de diferentes pa\u00edses, h\u00e1 uma multid\u00e3o de regulamentos e acordos interestatais monopolistas (pol\u00edticos, militares e econ\u00f4micos) entre Estados ou uni\u00f5es, internacionais ou regionais (por exemplo FMI, OCDE, UE, OTAN, Comunidade Econ\u00f4mica Euroasi\u00e1tica, Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Seguridade Coletiva, Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Shangai, BRICS, UNASUL, MERCOSUL, CELAC, ALBA etc.). Todos est\u00e3o consolidados no terreno da economia capitalista e suas leis, est\u00e3o conectados com os objetivos que t\u00eam as classes burguesas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas alian\u00e7as, os objetivos que t\u00eam os grupos monopolistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 expans\u00e3o de sua atividade, pela conquista de mercados.<\/p>\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es se desenvolvem percep\u00e7\u00f5es sobre \u201cEstados supranacionais\u201d, \u201celimina\u00e7\u00e3o da soberania nacional dos Estados\u201d, que repetem a Kautsky, aproximam de maneira equivocada e err\u00f4nea o tema da rela\u00e7\u00e3o entre a economia e a pol\u00edtica, o desenvolvimento da rela\u00e7\u00e3o dos Estados nacionais burgueses com as uni\u00f5es imperialistas.<\/p>\n<p>Algumas for\u00e7as pol\u00edticas identificam o imperialismo com o ataque militar contra um pa\u00eds, com a pol\u00edtica das interven\u00e7\u00f5es militares, os bloqueios, o esfor\u00e7o de reavivar a velha pol\u00edtica colonial. Assim, na Europa, para os oportunistas o imperialismo se identifica com a Alemanha e o chamado ponto de vista liberal autorit\u00e1rio dogm\u00e1tico. A pol\u00edtica dos Estados Unidos sob a presid\u00eancia de Obama se considera progressista, pelas diferen\u00e7as parciais com a Alemanha sobre a gest\u00e3o da crise, ou se considera como imperialista s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina. Se considera como progressista todo intento da burguesia, por exemplo da Fran\u00e7a, da It\u00e1lia de confrontar o antagonismo com o capitalismo alem\u00e3o. O oportunismo na Gr\u00e9cia tem como posi\u00e7\u00e3o fundamental que o pa\u00eds est\u00e1 sob ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3, se converte ou se converteu em col\u00f4nia e est\u00e1 sendo saqueado principalmente pela senhora Merkel e pelos credores. Acusam a burguesia do pa\u00eds e os partidos governamentais como traidores, antipatriotas, subordinados e servi\u00e7ais da Alemanha, dos credores e dos banqueiros.<\/p>\n<p>Desta maneira, contudo, ocultam que o imperialismo, ou seja o capitalismo monopolista, se relaciona com cada pa\u00eds capitalista. A burguesia de cada pa\u00eds participa nas diversas uni\u00f5es imperialistas e na rede das rela\u00e7\u00f5es internacionais entre os pa\u00edses capitalistas para a promo\u00e7\u00e3o de seus interesses e base de poder (econ\u00f4mico, pol\u00edtico e militar) de cada Estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode utilizar de maneira arbitr\u00e1ria a avalia\u00e7\u00e3o de L\u00eanin de que um punhado, um pequeno n\u00famero de Estados saqueiam a grande maioria dos Estados do mundo. Assim o imperialismo se identifica com um n\u00famero muito limitado de pa\u00edses que podem ser contados com os dedos de uma m\u00e3o, e todos os demais s\u00e3o considerados subordinados, oprimidos, col\u00f4nias, ocupados.<\/p>\n<p>Atualmente, os pa\u00edses que est\u00e3o na c\u00fapula, s\u00e3o poucas as primeiras posi\u00e7\u00f5es do sistema imperialista internacional (se representa com o esquema de uma pir\u00e2mide para mostrar os diferentes n\u00edveis que ocupam os pa\u00edses capitalistas), inclusive se poderia dizer que s\u00e3o um punhado de pa\u00edses, segundo a expres\u00e3o L\u00eaninista. Mas isto n\u00e3o significa que todos os demais Estados capitalistas s\u00e3o simplesmente v\u00edtimas dos pa\u00edses capitalistas fortes, de que a burguesia da maioria dos pa\u00edses sucumbiu \u00e0 press\u00e3o, apesar de seu interesse geral, e que se tornou corrupta. Este ponto de vista n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o de que se trata de uma op\u00e7\u00e3o consciente e evidente das classes burguesas para a participa\u00e7\u00e3o de seus pa\u00edses na rede de interdepend\u00eancia desigual e por isso conduz a luta dos povos em dire\u00e7\u00f5es equivocadas, como a dire\u00e7\u00e3o anti-alem\u00e3 na Europa, enquanto que no continente americano existe a posi\u00e7\u00e3o anti-EUA.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, o KKE avalia que a luta contempor\u00e2nea deve ter uma dire\u00e7\u00e3o antimonopolista, anticapitalista e em nenhum caso n\u00e3o deve ser somente \u201cantiimperialista\u201d com o conte\u00fado que d\u00e3o os oportunistas a este termo, ou seja que o imperialismo se identifica com a pol\u00edtica exterior agressiva, rela\u00e7\u00f5es desiguais, guerra, com a chamada quest\u00e3o nacional. Estes assuntos s\u00e3o apresentados separados da explora\u00e7\u00e3o de classe, das rela\u00e7\u00f5es de propriedade e de poder.<\/p>\n<p><strong>As transforsma\u00e7\u00f5es na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as depois da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro<\/strong><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro marcou o in\u00edcio de uma grande \u00e9poca hist\u00f3rica. A \u00e9poca das revolu\u00e7\u00f5es socialistas vitoriosas. Ajudou o desenvolvimento r\u00e1pido do movimento oper\u00e1rio e comunista em todo mundo, assim como o colapso do sistema colonial. Em particular, atrav\u00e9s da industrializa\u00e7\u00e3o, da coletiviza\u00e7\u00e3o e da Vit\u00f3ria Antifascista, na Segunda Guerra Mundial, mostrou o grande potencial e as vantagens do socialismo. Pode criar durante um per\u00edodo, uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internacional mais favor\u00e1vel e, por exemplo, um direito internacional que foi o resultado da correlaci\u00f3n de for\u00e7as entre o sistema capitalista e o socialista. Contudo, isso foi superestimado pelas for\u00e7as do socialismo.<\/p>\n<p>A derrocada do socialismo na URSS e nos demais pa\u00edses socialistas, devido aos erros (econ\u00f4micos e pol\u00edticos) do PCUS e, em geral, do movimento comunista internacional, n\u00e3o muda o car\u00e1ter de nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>A apari\u00e7\u00e3o de novas pot\u00eancias. Contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas. <\/strong><\/p>\n<p>A derrocada do socialismo na URSS levou \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e0 expensas dos povos, assim como a agudiza\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas. Entre outras coisas o direito internacional deixou de ser determinado pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre o capitalismo e o socialismo e est\u00e1 totalmente regido pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre os Estados capitalistas.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia hist\u00f3rica mostra que tanto a Primeira como a Segunda Guerra Mundial foram o resultado de uma grande agudiza\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas para a nova divis\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>O KKE considera que a \u201cprofunda crise capitalista de superacumula\u00e7\u00e3o de 2008-2009, que em v\u00e1rias economias capitalistas na realidade n\u00e3o foi superada, \u00e9 mais \u00f3bvia a tend\u00eancia de mudan\u00e7as significativas na correla\u00e7\u00e3o entre Estados capitalistas, sob o impacto da lei do desenvolvimento capitalista de produ\u00e7\u00e3o. Esta tend\u00eancia tem a ver com os n\u00edveis superiores da pir\u00e2mide imperialista. Contudo, os Estados Unidos seguem sendo a primeira pot\u00eancia econ\u00f4mica, mesmo com uma redu\u00e7\u00e3o essencial de sua cota no Produto Bruto Mundial. At\u00e9 2008, a eurozona em seu conjunto mantinha a segunda posi\u00e7\u00e3o no mercado capitalista internacional, uma posi\u00e7\u00e3o que perdeu depois da crise. A China j\u00e1 tinha se convertido na segunda pot\u00eancia econ\u00f4mica, a alian\u00e7a BRICS (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China, \u00c1frica do Sul) se fortaleceu entre as uni\u00f5es capitalistas internacionais, como \u00e9 o FMI e o G20. A mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre os Estados capitalistas trouxe mudan\u00e7as nas alian\u00e7as entre eles j\u00e1 que est\u00e3o se intensificando as contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas pelo controle e nova reparti\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios e mercados, de zonas de influ\u00eancia econ\u00f4mica, sobretudo dos recursos energ\u00e9ticos e naturais, de rotas de transporte de mercadorias.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas que, no passado, deram lugar a dezenas de guerras locais, regionais e duas guerras mundiais, seguem conduzindo a duros confrontos econ\u00f4micas, pol\u00edticos e militares, independentemente da composi\u00e7\u00e3o ou recomposi\u00e7\u00e3o, as mudan\u00e7as na estrutura e no marco de objetivos das uni\u00f5es imperialistas internacionais, a chamada nova \u201carquitetura\u201d. \u201cA guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica por outros meios\u201d, sobretudo em condi\u00e7\u00f5es de profunda crise de superacumula\u00e7\u00e3o e de mudan\u00e7as importantes na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no sistema imperialista internacional, onde a redistribui\u00e7\u00e3o dos mercados raramente ocorrem sem derramamento de sangre.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o capitalismo-crise-guerra conduz ao aumento do armamento, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novas alian\u00e7as militares e \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o das velhas, como \u00e9 o caso da OTAN.<\/p>\n<p>Algumas for\u00e7as veem o capitalismo como o \u201cimp\u00e9rio\u201d dos Estados Unidos e nesta base sa\u00fadam a apari\u00e7\u00e3o de novas pot\u00eancias capitalistas nos assuntos mundiais assim como a apari\u00e7\u00e3o de novas uni\u00f5es interestatais. Estes desenvolvimentos s\u00e3o saudados como o in\u00edcio de um \u201cmundo multipolar\u201d que \u201creformar\u00e1\u201d e dar\u00e1 \u201cnova vida\u201d \u00e0 ONU e \u00e0s demais organiza\u00e7\u00f5es internacionais, que escaparam da \u201chegemonia\u201d dos Estados Unidos. Estes enfoques concluem que desta maneira se garantir\u00e1 a paz no marco do capitalismo.<\/p>\n<p>Na realidade, as for\u00e7as pol\u00edticas de diversas tend\u00eancias ideol\u00f3gicas reconhecem as novas contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas e o reordenamento no sistema mundial e caracterizam como \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d das rela\u00e7\u00f5es internacionais, como um mundo \u201cmultipolar\u201d, a tend\u00eancia de que mude a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que foi criada depois do derrocamento do socialismo nos pa\u00edses socialistas, assim como a amplia\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o da atividade da OTAN e da UE nos \u00faltimos 20 anos. A nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as abarca o fortalecimento da Alemanha, R\u00fassia, China, Brasil e de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Suas diversas propostas, como por exemplo, a amplia\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU com outros pa\u00edses ou o aumento do papel internacional da UE ou inclusive da R\u00fassia e da China nos assuntos internacionais, n\u00e3o podem alinhar os acontecimentos em bases diferentes. Isso \u00e9 porque n\u00e3o podem deter os enfrentamentos interimperialistas que se manifestam nos \u00e2mbitos das mat\u00e9rias primas, a energia e as rotas de transporte, no conflito pelas cotas de mercado. O antagonismo monopolista conduz a interven\u00e7\u00f5es militares e guerras locais ou generalizadas. Este antagonismo se leva a cabo com todos os meios que t\u00eam os monop\u00f3lios e os estados capitalistas e que expressam seus interesses; est\u00e1 refletido nos acordos interestatais, que s\u00e3o constantemente questionados devido ao desenvolvimento desigual. Esse \u00e9 o imperialismo, a fonte das agress\u00f5es de guerra de menor ou maior escala.<\/p>\n<p>A \u201cnova governan\u00e7a democr\u00e1tica mundial\u201d com \u201ctranspar\u00eancia\u201d, \u201cparticipa\u00e7\u00e3o\u201d e \u201csolidariedade social\u201d promovida pelas for\u00e7as social-democratas e oportunistas, tal como o chamado \u201cPartido da Esquerda Europeia\u201d (PIE) e os partidos que o comp\u00f5em, t\u00eam como objetivo embelezar ideol\u00f3gicamente a nova correla\u00e7\u00e3o na barb\u00e1rie capitalista imperialista com o fim de desorientar os trabalhadores.<\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o tem nenhum interesse em crer que \u00e9 poss\u00edvel \u201cdemocratizar\u201d o capitalismo e as rela\u00e7\u00f5es internacionais e eleger a um imperialista que supostamente levar\u00e1 isto a cabo.<\/p>\n<p>Cabe mencionar, como afirmava L\u00eanin, este tema utilizando um exemplo concreto: \u201cUm pa\u00eds digamos que possui tr\u00eas quartas partes da \u00c1frica enquanto que outro [possui] um quarto. O conte\u00fado objetivo de sua guerra \u00e9 a nova reparti\u00e7\u00e3o da \u00c1frica. De que pa\u00eds devemos desejar o \u00eaxito? O problema, tal como afirmei anteriormente, \u00e9 absurdo, porque hoje dia n\u00e3o valem os antigos crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o: N\u00e3o h\u00e1 um amplo processo de um movimento burgu\u00eas pela liberta\u00e7\u00e3o, nem o amplo processo da decad\u00eancia do feudalismo. A democracia contempor\u00e2nea n\u00e3o tem raz\u00e3o para ajudar o primeiro pa\u00eds de consolidar seu \u201cdireito\u201d sobre os tr\u00eas quartos da \u00c1frica, nem tampoco ajudar o segundo pa\u00eds (inclusive se este se desenvolveu em n\u00edvel econ\u00f4mico mais rapidamente que o primeiro pa\u00eds) para controlar os tr\u00eas quartos.<\/p>\n<p>A democracia contempor\u00e2nea se manter\u00e1 fiel a si mesma somente se n\u00e3o se une com nenhuma classe burguesa imperialista, s\u00f3 se diz que ambos s\u00e3o igualmente maus, s\u00f3 se deseja a cada pa\u00eds a derrota da burguesia imperialista. Qualquer outra solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 pr\u00e1ticamente nacional-liberal e n\u00e3o ter\u00e1 a ver nada com o internacionalismo genu\u00edno<em>\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>E concluo dizendo: \u201cPor\u00e9m, na realidade, hoje \u00e9 indiscut\u00edvel que a democracia atual n\u00e3o pode ir a reboque da burguesia imperialista reacion\u00e1ria \u2013 independentemente de que \u201ccor\u201d ser\u00e1 esta burguesia (\u2026)\u201d.[1]<\/p>\n<p><strong>Sobre o renascimento do nacionalismo e do chauvinismo <\/strong><\/p>\n<p>As clases burguesas tratam de enganar e de convencer as massas oper\u00e1rias que a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nas interven\u00e7\u00f5es imperialistas, na prepara\u00e7\u00e3o e na realiza\u00e7\u00e3o de uma guerra imperialista serve aos interesses da \u201cp\u00e1tria\u201d, \u00e9 um \u201cdever nacional\u201d. Isto \u00e9 feito tamb\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es de paz pedindo o \u201cconsenso social\u201d e a unidade social para que a \u201cp\u00e1tria\u201d possa ser mais forte, assim como em condi\u00e7\u00f5es de guerra. Na realidade em ambos os casos, de paz e de guerra, a burguesia pede aos trabalhadores que ajudem a melhorar sua posi\u00e7\u00e3o na \u201cpir\u00e2mide imperialista\u201d e promover seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n<p>Ademais, as consignas se adaptam \u00e0 fase em que est\u00e1 o capitalismo (crescimento capitalista ou crise). Por exemplo, atualmente no Brasil, que tem altas taxas de crescimento capitalista (ainda que \u00faltimamente este crescimento tamb\u00e9m tenha se abrandado) o chamamento da burguesia \u00e9 que o pa\u00eds se reforce e que \u201cse liberte da depend\u00eancia do imperialismo dos Estados Unidos\u201d, enquanto que na Gr\u00e9cia, donde est\u00e1 em desenvolvimento a crise capitalista, pede aos trabalhadores que engulam suas medidas venenosas para que o pa\u00eds consiga se livrar dos mercados internacionais de empr\u00e9stimos e deste modo \u201crecuperar\u201d sua \u201csoberania\u201d. Mas, particularmente nas condi\u00e7\u00f5es de guerra imperialista se promovem slogans tal como \u201corganiza\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica unificada\u201d, \u201creconcilia\u00e7\u00e3o nacional\u201d, \u201cbenef\u00edcio nacional\u201d, se promove a \u201cespecificidade\u201d ou a \u201csuperioridade da na\u00e7\u00e3o\u201d contra as demais na\u00e7\u00f5es etc. Neste sentido se utiliza o ressurgimento de for\u00e7as fascistas, como \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o criminal do [partido] \u201cAurora Dourada\u201d na Gr\u00e9cia, como ponta de lan\u00e7a contra o movimento oper\u00e1rio e comunista.<\/p>\n<p>A burguesia \u00e0s vezes utiliza o cosmopolitismo burgu\u00eas e outras vezes o resurgimento do nacionalismo e do chauvinismo, com o objetivo de promover seus interesses.<\/p>\n<p><strong>O conflito contempor\u00e2neo atrav\u00e9s do enfoque da an\u00e1lise marxista<\/strong><\/p>\n<p>Em muitas regi\u00f5es &#8211; que t\u00eam import\u00e2ncia crucial para a distribui\u00e7\u00e3o do butim dos grandes recursos e dep\u00f3sitos energ\u00e9ticos, as cotas de mercado, as rotas de transporte de mercadorias &#8211; est\u00e1 em curso a corrida das pot\u00eancias capitalistas emergentes, em um esfor\u00e7o por ganhar terreno diante as velhas pot\u00eancias.<\/p>\n<p>Assim sendo, cada vez mais estas contradi\u00e7\u00f5es, acompanhadas de interven\u00e7\u00f5es imperialistas, se podem ocultar sob diversos pretextos como \u201ccontra as armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva\u201d, \u201cpela promo\u00e7\u00e3o da democracia\u201d, \u201ccontra o extremismo e o sectarismo religioso\u201d, \u201ccontra a pirataria\u201d, a favor das \u201crevolu\u00e7\u00f5es de cores\u201d etc.<\/p>\n<p>Contudo, os pretextos n\u00e3o podem mudar a ess\u00eancia\u2026<\/p>\n<p>Gostar\u00edamos de destacar nossas avalia\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre os acontecimentos recentes:<\/p>\n<p><strong>i. <\/strong>Os acontecimentos perigosos na Ucr\u00e2nia se manifestaram no terreno da <strong>via de desenvolvimento <\/strong>capitalista, que segue este pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>ii. <\/strong>Os acontecimentos sangrentos em Kiev est\u00e3o relacionados com a <strong>interven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia (UE), dos Estados Unidos (EUA) e a da OTAN<\/strong>; s\u00e3o o resultado de um antagonismo feroz destas pot\u00eancias com a R\u00fassia sobre o controle dos mercados, das mat\u00e9rias primas e das redes de transportes do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>iii. <\/strong>A derrocada do governo de Yanukovich n\u00e3o constitui um \u201cdesenvolvimento democr\u00e1tico\u201d j\u00e1 que com o apoio da UE e dos EUA <strong>emergiram \u00e0 superf\u00edcie inclusive for\u00e7as fascistas <\/strong>que s\u00e3o utilizadas pela UE, EUA e a OTAN para a promo\u00e7\u00e3o de seus objetivos na regi\u00e3o de Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p><strong>iv. <\/strong>O KKE condenou as interven\u00e7\u00f5es estrangeiras nos assuntos internos da Ucr\u00e2nia, assim como a atividade das for\u00e7as fascistas, o anticomunismo, o intento de proibir o Partido Comunista e a ideolog\u00eda comunista e as atividades de vandalismo contra o monumento de L\u00eanin e de outros monumentos sovi\u00e9ticos antifascistas. O KKE destaca estes temas atrav\u00e9s do Parlamento, do Parlamento Europeu, da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, em um protesto na embaixada da Ucr\u00e2nia em Atenas, e junto com o Partido Comunista Alem\u00e3o em um Comunicado que elaboraram conjuntamente e foi assinado por mais de 50 partidos comunistas de todo o mundo.<\/p>\n<p><strong>v. <\/strong>Destaca que a solu\u00e7\u00e3o para o <strong>povo ucraniano<\/strong> tampouco \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 R\u00fassia capitalista atual. O intento de dividir o povo ucraniano em base \u00e9tnica e lingu\u00edstica e de lev\u00e1-lo a um massacre, com incalcul\u00e1veis consequ\u00eancias tr\u00e1gicas para este povo e seu pa\u00eds, para que escolha uma ou outra uni\u00e3o interestatal capitalista, \u00e9 totalmente estranho aos interesses dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>vi. <\/strong>Expressou a convic\u00e7\u00e3o de que o povo trabalhador da Ucr\u00e2nia deve organizar sua pr\u00f3pria luta independente, tendo como crit\u00e9rio seus interesses, n\u00e3o qual imperialista escolhe uma ou outra se\u00e7\u00e3o da plutocracia ucraniana. Tra\u00e7ar o caminho pelo <strong>socialismo<\/strong>, que \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o alternativa aos caminhos sem sa\u00edda da via de desenvolvimento capitalista. Em qualquer caso, o povo da Ucr\u00e2nia experimentou o que significa o socialismo. Em grande medida recorda com carinho as conquistas sociais enormes que tinham a classe oper\u00e1ria e os demais setores populares.<\/p>\n<p><strong>vii. <\/strong>O KKE exige que a Gr\u00e9cia <strong>n\u00e3o tenha nenhuma participa\u00e7\u00e3o, nenhuma implica\u00e7\u00e3o nos planos imperialistas da OTAN, dos EUA e da UE na Ucr\u00e2nia.<\/strong>Enfatizaque a crise capitalista e as guerras imperialistas caminham lado a lado e nosso povo n\u00e3o tem nenhum interesse na participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia nestes planos.<\/p>\n<p><strong>O papel da social-democracia<\/strong><\/p>\n<p>Depois do estouro da Primeira Guerra Mundial imperialista, os partidos social-democratas-reformistas tra\u00edram abertamente a classe trabalhadora, se transformaram em partidos social-chauvinistas, apoiando a burguesia de seus pa\u00edses, votando a favor dos cr\u00e9ditos de guerra e pedindo \u00e0 classe trabalhadora em seu pa\u00eds a sacrificar-se em nome da defesa da p\u00e1tria para os interesses do capital. Desta maneira, as resolu\u00e7\u00f5es de congressos socialistas internacionais anteriores relacionadas \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da guerra imperialista em luta pela conquista do poder oper\u00e1rio, [\u00e9] uma linha que foi elaborada ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o de L\u00eanin e de outros revolucion\u00e1rios marxistas consequentes.<\/p>\n<p>Hoje em dia, a social-democracia oficial abandonou toda \u201cfolha de figueira\u201d [para esconder as vergonhas] em rela\u00e7\u00e3o a 100 anos atr\u00e1s, e se converteu em toda Europa em um dos pilares do sistema pol\u00edtico burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Contudo, o oportunismo est\u00e1 tratando de tomar a posi\u00e7\u00e3o da social-democracia antiga, que formou seu pr\u00f3prio p\u00f3lo na Europa atrav\u00e9s do Partido da Esquerda Europeia, um partido enbasado nas leis da UE e defensor de \u201cesquerda\u201d da barb\u00e1rie imperialista, apoiador e propagandista da alian\u00e7a depredadora da UE.<\/p>\n<p>Estas for\u00e7as da \u201cnova\u201d social-democracia participaram nos \u00faltimos anos dos governos da \u201ccentro-esquerda\u201d na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia, que desenvolveram a guerra imperialista da OTAN contra Iugosl\u00e1via. Apoiaram os pretextos imperialistas e as interven\u00e7\u00f5es na guerra contra a L\u00edbia, contra a S\u00edria e na interven\u00e7\u00e3o contra a Rep\u00fablica centro-africana.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, [o partido] SYRIZA, que \u00e9 uma am\u00e1lgama de oportunistas e social-democratas, promove o slogan da \u201cdissolu\u00e7\u00e3o da OTAN\u201d. Mas, como se pode dissolver este organismo imperialista se n\u00e3o se v\u00ea debilitado pela retirada de cada pa\u00eds desta? Esta retirada em nossos dias, como destaca o KKE, para que seja um verdadeiro desmembramento de toda uni\u00e3o imperialista, s\u00f3 pode ser garantida pelo poder oper\u00e1rio. Na realidade, a postura do SYRIZA \u00e9 em geral pacifista e somente nos slogans se expressa contra a OTAN; na pr\u00e1tica n\u00e3o afeta em absoluto a exist\u00eancia e a atividade do organismo imperialista da OTAN, nem tampouco a participa\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds nos planos imperialistas.<\/p>\n<p><strong>O perigo de uma guerra mais ampla e significativa e as tarefas dos comunistas<\/strong><\/p>\n<p>O conflito, em maior ou menor grau, pode \u201cabra\u00e7ar\u201d toda a regi\u00e3o, que vai do Mediterr\u00e2neo Oriental, Oriente M\u00e9dio, \u00c1frica do Norte at\u00e9 o Golfo P\u00e9rsico, o C\u00e1ucaso, os Balc\u00e3s e o Mar C\u00e1spio. Contudo, podem estalar em outras regi\u00f5es como a \u00c1frica, a regi\u00e3o da \u00c1sia Central e Leste, a Pen\u00ednsula da Coreia, o \u00c1rtico etc.<\/p>\n<p>O KKE, com as resolu\u00e7\u00f5es de seu 19\u00ba Congresso, est\u00e1 preparando e orientando as massas oper\u00e1rias e populares diante da possibilidade da implica\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds em uma guerra imperialista. No programa do KKE, aprovado no 19\u00ba Congresso, se destaca: \u201cEst\u00e3o aumentando os perigos na regi\u00e3o em geral, desde os Balc\u00e3s at\u00e9 o Oriente M\u00e9dio, para uma guerra imperialista generalizada com a implica\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia nesta.<\/p>\n<p>A luta pela defesa das fronteiras, os direitos soberanos da Gr\u00e9cia, desde o ponto de vista da classe oper\u00e1ria e dos setores populares, \u00e9 parte integral da luta pela derrota do poder do capital. N\u00e3o h\u00e1 nada que ver com a defesa dos planos de um ou de outro p\u00f3lo imperialista e na rentabilidade de um ou de outro grupo monopolista.\u201d[2]<\/p>\n<p>Neste sentido, o KKE trata com crit\u00e9rios classistas a quest\u00e3o da defesa do pa\u00eds (as fronteiras, os direitos soberanos em geral), isto \u00e9, desde o ponto de vista da classe oper\u00e1ria e das camadas populares, o v\u00ednculo com a luta pela desarticula\u00e7\u00e3o dos planos e das uni\u00f5es imperialistas, pela derrocada do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o da sociedade socialista.<\/p>\n<p>Ademais, a hist\u00f3ria nos ensinou que inclusive em condi\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o, de dissolu\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o estado-na\u00e7\u00e3o, a classe oper\u00e1ria n\u00e3o pode lutar contra a ocupa\u00e7\u00e3o a partir do mesmo ponto de vista que a burguesia, n\u00e3o pode se aliar com nenhum de seus setores. Para a classe oper\u00e1ria e para os setores populares pobres, a guerra e a ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o a amplia\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o capitalista, s\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio econ\u00f4mico e pol\u00edtico do capital. A classe oper\u00e1ria luta contra a indig\u00eancia, a opress\u00e3o e a viol\u00eancia das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o, contra a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, contra os acordos imperialistas internacionais. Sua \u201cp\u00e1tria\u201d \u00e9 uma p\u00e1tria liberada dos capitalistas, fora de associa\u00e7\u00f5es imperialistas, uma p\u00e1tria em que a classe oper\u00e1ria ser\u00e1 a dona da riqueza que produz, em que ela estar\u00e1 no poder. A guerra da classe burguesa pela sua \u201cp\u00e1tria\u201d, independente se faz alian\u00e7a com a ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira ou se resiste a esta, uma vez mais se realizar\u00e1 para os interesses dos grupos monopolistas, pela restaura\u00e7\u00e3o de um acordo sobre a divis\u00e3o dos mercados que servir\u00e1 ao interesse dos monop\u00f3lios locais, n\u00e3o os intereses dos trabalhadores e do povo.<\/p>\n<p>O KKE tirou conclus\u00f5es necess\u00e1rias da luta armada que levou a cabo durante a Segunda Guerra Mundial, contra a tripla ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira fascista do pa\u00eds (alem\u00e3, italiana, b\u00falgara). Ent\u00e3o, apesar da preponder\u00e2ncia dos grupos armados de EAM-ELAS [Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Povo Grego] que eram dirigidos pelo KKE, desgra\u00e7adamente nosso partido n\u00e3o foi capaz de vincular a luta antifascista, a luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira com a luta pela derrocada do poder do capital no pa\u00eds, porque n\u00e3o havia formado em suas fileiras uma estrat\u00e9gia correspondente. Hoje em dia, tirando conclus\u00f5es valiosas da trajet\u00f3ria hist\u00f3rica de nosso partido, desenvolvemos tal estrat\u00e9gia para encarar os perigos de participa\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds em novas guerras imperialistas locais, regionais e generalizadas.<\/p>\n<p>Na resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do 19\u00ba Congresso se destaca: \u201cNo caso de implica\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia em uma guerra imperialista, seja defensiva ou agressiva, o Partido deve dirigir a organiza\u00e7\u00e3o da luta oper\u00e1ria e popular independente em todas suas formas para a luta pela derrota completa da burguesia \u2013 nacional e estrangeira invasora\u201d[3].<\/p>\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es de uma guerra imperialista, a vanguarda pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria, seu partido, tem a tarefa de destacar a necessidade da unidade classista dos trabalhadores, da alian\u00e7a com as for\u00e7as populares, a dimens\u00e3o internacionalista da classe oper\u00e1ria e as tarefas que derivam desta. A postura diante da guerra \u00e9 a postura diante da luta de classes e da revolu\u00e7\u00e3o socialista, \u00e9 a luta para a transforma\u00e7\u00e3o desta guerra em uma luta classista armada, \u201ca \u00fanica guerra de liberta\u00e7\u00e3o\u201d, segundo L\u00eanin. S\u00e3o valiosas as elabora\u00e7\u00f5es de L\u00eanin quando desenvolvia a teoria do elo mais d\u00e9bil, ou seja vislumbrando a possibilidade de uma maior agudiza\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es, a forma\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em um pa\u00eds ou grupo de pa\u00edses, estabeleceu cientificamente a possibilidade de que a revolu\u00e7\u00e3o prevale\u00e7a em princ\u00edpio em um ou mais pa\u00edses. Consequentemente, em tal guerra, a coordena\u00e7\u00e3o, as consignas comuns e a atividade comum com o movimento revolucion\u00e1rio de outros pa\u00edses constituem uma condi\u00e7\u00e3o importante para a perspectiva do estalar e da vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o socialista em mais pa\u00edses, a possibilidade de outro tipo de coopera\u00e7\u00e3o ou uni\u00e3o de Estados, com base na propriedade social, a planifica\u00e7\u00e3o central com o internacionalismo prolet\u00e1rio. Ao mesmo tempo, o KKE est\u00e1 intensificando sua luta contra o oportunismo porque como assinalou L\u00eanin: \u201ca luta contra o imperialismo \u00e9 uma frase vazia e falsa se n\u00e3o est\u00e1 ligada indissoluvelmente \u00e0 luta contra o oportunismo\u201d[4].<\/p>\n<p><em>N\u00f3s, os comunistas, que fundamentamos nossas an\u00e1lises na teoria do socialismo cient\u00edfico, sabemos muito bem que a guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica com outros meios, precisamente violentos. A guerra nasce no terreno do conflito dos diferentes interesses econ\u00f4micos, que impregnam todo o sistema do capitalismo. \u00c9 por isso que por mais que a guerra seja inevit\u00e1vel nas condi\u00e7\u00f5es do capitalismo (como as crises econ\u00f4micas, o desemprego, a pobreza etc.), ao mesmo tempo n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno natural. \u00c9 um fen\u00f4meno social que j\u00e1 est\u00e1 relacionado com a natureza da sociedade em que vivemos. A sociedade tem como \u201cpedra angular\u201d a rentabilidade dos que possuem os meios de produ\u00e7\u00e3o. Os monop\u00f3lios e seu poder geram a guerra imperialista. Em conclus\u00e3o, nossa luta por uma sociedade onde os meios de produ\u00e7\u00e3o ser\u00e3o propriedade popular (n\u00e3o propriedade de uns poucos), onde a economia funcionar\u00e1 de maneira planificada a n\u00edvel central e controlada pelos pr\u00f3prios trabalhadores, com o fim de satisfazer as necessidades populares (n\u00e3o o aumento dos lucros dos capitalistas), est\u00e1 ligada de forma inextric\u00e1vel com a luta contra a guerra imperialista, contra a \u201cpaz\u201d imposta pelos imperialistas com a \u201cpistola na cabe\u00e7a do povo\u201d que est\u00e1 preparando as novas guerras imperialistas.<\/em><\/p>\n<p><em>Contudo, a conclus\u00e3o de que enquanto exista o capitalismo, existir\u00e3o tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es que d\u00e3o lugar \u00e0 guerra, n\u00e3o significa absolutamente fatalismo e derrotismo. Pelo contr\u00e1rio! Nos dirigimos \u00e0 classe oper\u00e1ria do pa\u00eds, aos povos de nossa regi\u00e3o e ressaltamos que seus interesses coincidem com a luta anticapitalista-antimonopolista comum, pela desarticula\u00e7\u00e3o dos organismos imperialistas, pelo desmantelamento das bases militares estrangeiras e pela elimina\u00e7\u00e3o das armas nucleares, pelo regresso das for\u00e7as militares das miss\u00f5es imperialistas, pela express\u00e3o de solidariedade com todos os povos que lutam e tratam de tra\u00e7ar seu pr\u00f3prio caminho de desenvolvimento. Para que nosso pa\u00eds se desenrede dos planos e das guerras imperialistas. Para que se concretize o lema: \u201cNem \u00e1gua nem terra aos assassinos dos povos!\u201d. Esta \u00e9 uma luta di\u00e1ria. \u00c9 uma luta com objetivos espec\u00edficos, que os comunistas levam a cabo de maneira unificada, n\u00e3o separada da luta pelo poder.<\/em><\/p>\n<p>Seguem sendo atuais as posi\u00e7\u00f5es de L\u00eanin que destacava que \u201cos lemas do pacifismo, do desarmamento internacional no capitalismo, os tribunais de arbitragem etc. n\u00e3o revelam somente utopismo reacion\u00e1rio, sen\u00e3o que, al\u00e9m disso, constituem para os trabalhadores um engano manifesto tendente a desarmar o proletariado e afast\u00e1-lo da tarefa de desarmar os exploradores.<\/p>\n<p>S\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria, comunista, pode tirar a humanidade do beco sem sa\u00edda criado pelo imperialismo e pelas guerras imperialistas. Quaisquer que sejam as dificuldades da revolu\u00e7\u00e3o e os reveses tempor\u00e1rios poss\u00edveis ou as ondas contrarrevolucion\u00e1rias, a vit\u00f3ria final do proletariado est\u00e1 assegurada\u201d[5].<\/p>\n<p>[1] V.I.L\u00eanin: Bajo una bandera ajena, Obras Completas, ed.Sinchroni Epochi, v. 26, pp. 140-141 y 146.<\/p>\n<p>[2] Programa del KKE.<\/p>\n<p>[3] Resoluci\u00f3n Pol\u00edtica del 19\u00ba Congreso.<\/p>\n<p>[4] V.I.L\u00eanin: El imperialismo, fase superior del capitalismo, Obras Completas, ed. Sinchroni Epochi, v. 27, p. 424.<\/p>\n<p>[5] V.I.L\u00eanin \u201cPrograma del Partido Comunista de Rusia (bolchevique)\u201d, Obras Completas, ed,Sinchroni Epochi, v. 38, p. 421.<\/p>\n<p>Texto original dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.solidnet.org\/greece-communist-party-of-greece\/cp-of-greece-written-speech-of-the-kke-at-the-international-communist-seminar-ics-en-ru-es-ar#Es\">http:\/\/www.solidnet.org\/greece-communist-party-of-greece\/cp-of-greece-written-speech-of-the-kke-at-the-international-communist-seminar-ics-en-ru-es-ar#Es<\/a><\/p>\n<p><em><strong>TRADU\u00c7\u00c3O: PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nInterven\u00e7\u00e3o do KKE no Semin\u00e1rio Comunista Internacional\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6285\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-6285","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Dn","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6285\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}