{"id":6288,"date":"2014-05-31T00:23:32","date_gmt":"2014-05-31T00:23:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6288"},"modified":"2014-05-31T00:23:32","modified_gmt":"2014-05-31T00:23:32","slug":"refazer-o-medio-oriente-o-super-guantanamo-americano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6288","title":{"rendered":"\u201cRefazer o M\u00e9dio Oriente\u201d- o super-guant\u00e1namo- americano"},"content":{"rendered":"\n<p>A expans\u00e3o do imp\u00e9rio americano atrav\u00e9s do norte de \u00c1frica e M\u00e9dio Oriente foi montada com o armamento e financiamento de estados-vassalos para servirem de postos avan\u00e7ados. O arco de bases militares imperiais americanas que se estende do Egipto, atrav\u00e9s de Israel, da Turquia, da Jord\u00e2nia, do I\u00e9men, do Iraque, do Bahrain e da Ar\u00e1bia Saudita, est\u00e1 protegido por uma s\u00e9rie de campos prisionais contendo dezenas de milhares de prisioneiros pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Durante o in\u00edcio do seu primeiro mandato, o presidente Obama prometeu \u201crefazer o M\u00e9dio Oriente numa regi\u00e3o de prosperidade e liberdade\u201d. Seis anos depois, a realidade \u00e9 totalmente contr\u00e1ria: o M\u00e9dio Oriente \u00e9 governado por regimes desp\u00f3ticos cujas pris\u00f5es transbordam de presos pol\u00edticos. A grande maioria dos activistas pr\u00f3-democracia que foram presos foram submetidos a duras torturas e cumprem longas penas de pris\u00e3o. Os governantes n\u00e3o t\u00eam legitimidade, uma vez que tomaram o poder e o mantiveram atrav\u00e9s de um estado policial centralizado e da repress\u00e3o militar. Decisivas para a constru\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie de pris\u00f5es desde o norte de \u00c1frica at\u00e9 aos estados do Golfo s\u00e3o a interven\u00e7\u00e3o directa de militares americanos e da CIA, os fornecimentos maci\u00e7os de armas, as bases militares, as miss\u00f5es de treino e as For\u00e7as Especiais.<\/p>\n<p>Prosseguiremos documentando a escala e o alcance da repress\u00e3o pol\u00edtica em cada estado policial apoiado pelos EUA. Descrevemos depois a escala e alcance da ajuda militar americana de apoio a esse \u201crefazer do M\u00e9dio Oriente\u201d numa s\u00e9rie de pris\u00f5es pol\u00edticas conduzidas pelo e para o imp\u00e9rio dos EUA.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses e regimes incluem o Egipto, Israel, Ar\u00e1bia Saudita, Bahrain, Iraque, I\u00e9men, Jord\u00e2nia e Turquia, todos eles promotores e defensores dos interesses imperiais dos EUA contra a maioria pr\u00f3-democracia representada pelos seus movimentos sociopol\u00edticos independentes.<\/p>\n<p>Egipto: Estado vassalo estrat\u00e9gico<\/p>\n<p>Desde h\u00e1 muito estado vassalo e o maior pa\u00eds \u00e1rabe do M\u00e9dio Oriente, a actual ditadura militar do Egipto que resultou de um golpe em Julho de 2013 lan\u00e7ou uma onda de repress\u00e3o selvagem a seguir \u00e0 tomada do poder. De acordo com o Centro Eg\u00edpcio dos Direitos Sociais e Econ\u00f3micos, foram presos entre Julho e Dezembro de 2013 21.317 manifestantes pr\u00f3-democracia. Em Abril de 2014, foram encarcerados mais de 16.000 presos pol\u00edticos. Os julgamentos sum\u00e1rios por tribunais ad-hoc resultaram em penas de morte para centenas e longas penas de pris\u00e3o para a maior parte. O regime de Obama recusou chamar golpe ao derrube militar do governo Morsi democraticamente eleito, para poder continuar a fornecer ajuda militar \u00e0 junta. Em troca, a ditadura militar continua a apoiar o bloqueio israelita a Gaza e a apoiar as opera\u00e7\u00f5es militares dos EUA no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Israel: o maior carcereiro da regi\u00e3o<\/p>\n<p>Israel, cujos apoiantes nos EUA designam a \u201c\u00fanica democracia no M\u00e9dio Oriente\u201d, \u00e9 de facto o maior carcereiro na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o grupo israelita de direitos humanos B\u2019Tselm, entre 1967 e Dezembro de 2012, foram feitos prisioneiros 800.000 palestinos, 20% da popula\u00e7\u00e3o. Mais de 100.000 foram mantidos em \u201cdeten\u00e7\u00e3o administrativa\u201d sem acusa\u00e7\u00e3o ou julgamento. Quase todos foram torturados e brutalizados. Israel tem actualmente 4.881 prisioneiros pol\u00edticos nas cadeias. O que faz do estado judeu escolhido por Deus o primeiro carcereiro, contudo, \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de 1,82 milh\u00f5es de palestinos que vivem em Gaza numa virtual pris\u00e3o a c\u00e9u aberto. Israel condiciona viagens, com\u00e9rcio, constru\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e culturas atrav\u00e9s de bloqueios e policiamentos a\u00e9reo, mar\u00edtimo e terrestre. Al\u00e9m disso, 2,7 milh\u00f5es de palestinos dos Territ\u00f3rios Ocupados (Margem Ocidental) est\u00e3o cercados por muros como os das pris\u00f5es, sujeitos a incurs\u00f5es militares di\u00e1rias, deten\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias e assaltos violentos pelas for\u00e7as armadas israelitas e pelos colonos israelitas vigilantes empenhados no perp\u00e9tuo despojar dos habitantes palestinianos.<\/p>\n<p>Ar\u00e1bia Saudita: monarquia absolutista<\/p>\n<p>De acordo com o \u201crefazer do M\u00e9dio Oriente\u201d do presidente Obama, a Ar\u00e1bia Saudita figura como o \u201caliado mais fiel no mundo \u00e1rabe\u201d. Como estado vassalo leal, as suas pris\u00f5es transbordam de dissidentes pr\u00f3-democracia encarcerados por procurarem elei\u00e7\u00f5es livres, liberdades civis e o fim de pol\u00edticas mis\u00f3ginas. De acordo com a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos Isl\u00e2micos, os sauditas det\u00eam 30.000 presos pol\u00edticos, a maior parte arbitrariamente detidos sem acusa\u00e7\u00e3o ou julgamento.<\/p>\n<p>A ditadura saudita desempenha um papel principal no financiamento dos regimes de estados policiais na regi\u00e3o. Despejaram 15 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares nos cofres da junta do Egipto a seguir ao golpe militar, como recompensa pela purga sangrenta em massa dos eleitos e seus apoiantes pr\u00f3-democracia. A Ar\u00e1bia Saudita desempenha um importante papel no apoio ao dom\u00ednio de Washington, financiando e armando \u201cregimes carcereiros\u201d no Paquist\u00e3o, I\u00e9men, Bahrain, Jord\u00e2nia e Egipto.<\/p>\n<p>Bahrain: pequeno pa\u00eds \u2013 muitas pris\u00f5es<\/p>\n<p>De acordo com o respeitado Centro de Direitos Humanos local, o Bahrain possui a duvidosa distin\u00e7\u00e3o de ser o primeiro pa\u00eds globalmente em n\u00famero de presos pol\u00edticos per capita. Segundo o Economist (4\/2\/14), o Bahrain tem 4.000 presos pol\u00edticos para uma popula\u00e7\u00e3o de 750.000. De acordo com o Pent\u00e1gono, a ditadura absolutista do Bahrain desempenha um papel vital no proporcionar aos EUA bases a\u00e9reas e mar\u00edtimas para o ataque ao Iraque, ao Ir\u00e3o e ao Afeganist\u00e3o. A maioria dos dissidentes pr\u00f3-democracia est\u00e3o presos por procurarem acabar com a vassalagem, a autocracia e o servilismo perante os interesses imperiais dos EUA e da ditadura saudita.<\/p>\n<p>Iraque: Abu Ghraib com caracteres \u00e1rabes<\/p>\n<p>Tendo come\u00e7ado na invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o americanas do Iraque em 2003 e prosseguido com o seu vassalo primeiro-ministro Nouri Al-Maliki, dezenas de milhares de cidad\u00e3os iraquianos foram torturados, encarcerados e assassinados. A junta iraquiana no poder continuou a apoiar-se nas tropas e for\u00e7as especiais dos EUA e a envolver-se no mesmo tipo de \u201cvarredelas\u201d militares e policiais que aniquilam qualquer pretens\u00e3o democr\u00e1tica. Al-Maliki apoia-se em ramos especiais da sua pol\u00edcia secreta, a not\u00f3ria Brigada 56, para assaltar comunidades da oposi\u00e7\u00e3o e baluartes dissidentes. Quer o regime xiita, quer a oposi\u00e7\u00e3o sunita se envolvem em cont\u00ednuas lutas terroristas. Ambos serviram de colaboradores pr\u00f3ximos de Washington em momentos diferentes.<\/p>\n<p>A lista di\u00e1ria de mortos \u00e9 da ordem das centenas. O regime de Al- Maliki assenhoreou-se dos centros de tortura (incluindo Abu Ghraib) e das t\u00e9cnicas e pris\u00f5es antes chefiadas e conduzidas pelos EUA e retiveram os conselheiros americanos das \u201cFor\u00e7as Especiais\u201d para a supervis\u00e3o das batidas policiais aos cr\u00edticos dos direitos humanos, sindicalistas e dissidentes democratas.<\/p>\n<p>I\u00e9men: sat\u00e9lite do grupo EUA-Ar\u00e1bia Saudita<\/p>\n<p>O I\u00e9men foi governado durante d\u00e9cadas por ditadores clientes dos EUA e Ar\u00e1bia Saudita. O governo autocr\u00e1tico de Ali Abdullah Saleh foi acompanhado da pris\u00e3o e tortura de milhares de activistas pr\u00f3-democracia, tanto seculares como religiosos, do mesmo modo que serviu de centro clandestino de tortura para dissidentes pol\u00edticos raptados e transportados pela CIA no seu chamado programa de \u201crendi\u00e7\u00e3o\u201d. Em 2011, apesar da prolongada e violenta repress\u00e3o pelo regime de Saleh apoiado pelos EUA, explodiu uma rebeli\u00e3o de massas amea\u00e7ando a exist\u00eancia do Estado e as liga\u00e7\u00f5es aos regimes americano e saudita. Para preservarem o seu dom\u00ednio e as liga\u00e7\u00f5es aos militares, Washington e a Ar\u00e1bia Saudita orquestraram um \u201crearranjo\u201d do regime: fizeram-se elei\u00e7\u00f5es manipuladas e tomou o poder um tal Abdo Rabbo Mansour Hadi, leal amigo de Saleh e criado de Washington. Hadi continuou onde Saleh tinha ficado: raptos, tortura e assass\u00ednio de contestantes pr\u00f3-democracia. Washington optou por chamar ao regime de Hadi \u201cuma transi\u00e7\u00e3o para a democracia\u201d. De acordo com o Yemen Times (4\/5\/14), mais de 3.000 presos pol\u00edticos enchem as pris\u00f5es do I\u00e9men. \u201cDemocracia de c\u00e1rcere\u201d serve para consolidar a presen\u00e7a militar americana na pen\u00ednsula da Ar\u00e1bia.<\/p>\n<p>Jord\u00e2nia: um Estado policial cliente de longa dura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Durante mais de meio s\u00e9culo, tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de monarcas absolutistas no trono da Jord\u00e2nia estiveram na lista de pagamentos da CIA e serviram os interesses dos EUA no M\u00e9dio Oriente. Os governantes vassalos da Jord\u00e2nia brutalizam os nacionalistas \u00e1rabes e os movimentos de resist\u00eancia palestinos e assinaram um chamado \u201cacordo de paz\u201d com Israel para reprimirem qualquer apoio atrav\u00e9s da fronteira da Palestina e proporcionam bases militares de apoio ao treino, armamento e financiamento dos mercen\u00e1rios que invadem a S\u00edria pelos EUA, Ar\u00e1bia Saudita e UE.<\/p>\n<p>A corrupta monarquia e a sua \u00edntima oligarquia controlam uma economia perpetuamente dependente de subs\u00eddios estrangeiros para se manter \u00e0 tona: desemprego acima dos 25% e metade da popula\u00e7\u00e3o subsistindo na pobreza. O regime encarcerou milhares de opositores pac\u00edficos. De acordo com um recente relat\u00f3rio da Amnistia Internacional (Jordan 2013), a ditadura do rei Abdullah \u201cprendeu milhares sem acusa\u00e7\u00e3o\u201d. A monarquia de c\u00e1rcere desempenha um papel central fortalecendo a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio americano no M\u00e9dio Oriente e facilitando a apropria\u00e7\u00e3o de terra por Israel na Palestina.<\/p>\n<p>Turquia: basti\u00e3o da<\/p>\n<p>\u200b\u200b<\/p>\n<p>NATO e democracia de c\u00e1rcere<\/p>\n<p>No reinado do auto-intitulado \u201cPartido Justi\u00e7a e Desenvolvimento\u201d liderado por Tayyip Erdo\u011fan, a Turquia transformou-se numa importante base operacional militar para a invas\u00e3o da S\u00edria apoiada pela NATO. Erdo\u011fan tem tido as suas diferen\u00e7as com os EUA, especialmente o esfriar de rela\u00e7\u00f5es da Turquia com Israel sobre a apreens\u00e3o pela \u00faltima de um navio turco em \u00e1guas internacionais e o assass\u00ednio de nove activistas humanit\u00e1rios turcos desarmados. Mas, \u00e0 medida que a Turquia se tornou mais dependente dos fluxos internacionais de capital e da integra\u00e7\u00e3o em guerras internacionais da NATO, Erdo\u011fan tornou-se mais autorit\u00e1rio. Enfrentando desafios populares em larga escala \u00e0 sua privatiza\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de espa\u00e7os p\u00fablicos e a despejos em bairros da classe trabalhadora, Erdo\u011fan lan\u00e7ou uma purga da sociedade civil, dos movimentos de classe e das institui\u00e7\u00f5es do Estado. Em face das manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-democracia de grande dimens\u00e3o no ver\u00e3o de 2013, Erdo\u011fan desencadeou um assalto selvagem aos dissidentes. De acordo com os grupos de direitos humanos, mais de 5.000 pessoas foram presas e 8.000 feridos durante os protestos no Parque Gezi. Antes, Erdo\u011fan estabeleceu \u201cTribunais Autorizados Especiais\u201d que organizaram julgamentos pol\u00edticos de fachada baseados em provas falsificadas que facilitavam a deten\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o de centenas de oficiais militares, activistas partid\u00e1rios, sindicalistas, advogados de direitos humanos e jornalistas, em particular os cr\u00edticos do seu apoio \u00e0 guerra contra a S\u00edria. Apesar da ret\u00f3rica conciliat\u00f3ria, as pris\u00f5es de Erdogan encerram v\u00e1rios milhares de dissidentes curdos, incluindo ativistas eleitorais e juristas (Global Views 10\/17\/12).<\/p>\n<p>Enquanto Erdo\u011fan serviu como \u00e2ncora islamita leal e capaz contra os movimentos populares democr\u00e1ticos e nacionalistas no M\u00e9dio Oriente, a sua procura de maior influ\u00eancia turca na regi\u00e3o levou os EUA a aprofundar os la\u00e7os pol\u00edticos com o movimento Gulenista mais submisso, pr\u00f3- Washington e pr\u00f3- Israel, infiltrado no aparelho de Estado, no com\u00e9rcio e no ensino. Este movimento adoptou uma estrat\u00e9gia permeacionista: sanear os advers\u00e1rios na sua marcha tranquila para o poder por dentro do Estado. Os EUA apoiam-se ainda na \u201cdemocracia de c\u00e1rcere\u201d de Erdo\u011fan para reprimir movimentos anti-imperialistas na Turquia, para servir de \u00e2ncora militar para a guerra contra a S\u00edria, para apoiar san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3o e para apoiar o regime pr\u00f3-NATO de Maliki no Iraque.<\/p>\n<p>O super-guant\u00e1namo* do M\u00e9dio Oriente e a ajuda militar americana<\/p>\n<p>Os regimes de Estado policial e a cultura pol\u00edtica autorit\u00e1ria de longo prazo no mundo \u00e1rabe s\u00e3o um produto do apoio militar de longo prazo dos EUA aos governos desp\u00f3ticos. A aus\u00eancia de democracia \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a expans\u00e3o e o avan\u00e7o da presen\u00e7a militar imperial dos EUA na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Um pequeno ex\u00e9rcito de universit\u00e1rios, \u201cperitos\u201d, jornalistas e p\u00e2nditas islamof\u00f3bicos dos media americanos ignoram totalmente o papel dos EUA na promo\u00e7\u00e3o, apoio e refor\u00e7o de ditadores reinantes e na repress\u00e3o de movimentos de massas profundamente democr\u00e1ticos que t\u00eam surgido ao longo de um grande per\u00edodo de tempo. Tendo como pontas de lan\u00e7a escribas e acad\u00e9micos desde sempre pr\u00f3-Israel de universidades da Ivy League no M\u00e9dio Oriente, estes propagandistas clamam que as ditaduras \u00e1rabes s\u00e3o um produto da \u201ccultura isl\u00e2mica\u201d ou da \u201cpersonalidade autorit\u00e1ria dos \u00e1rabes\u201d em busca de um \u201chomem forte\u201d que os guie e governe. Ignorando ou distorcendo a hist\u00f3ria das lutas da classe trabalhadora e os protestos e posi\u00e7\u00f5es pr\u00f3-democracia em todos os principais pa\u00edses \u00e1rabes, estes intelectuais justificam as liga\u00e7\u00f5es americanas \u00e0s ditaduras como \u201cpol\u00edtica realista\u201d dadas as \u201cop\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis\u201d. Onde quer que a real democracia comece a emergir e onde os direitos pol\u00edticos comecem a ser exercidos, Washington promove golpes e interv\u00e9m para apoiar o aparelho repressivo estatal (Bahrain 2011-14, I\u00e9men 2011 a 2014, Egipto 2013, Jord\u00e2nia 2012, entre muitos outros casos). Enquanto a maioria dos \u201cperitos\u201d sobre o M\u00e9dio Oriente responsabilizam os cidad\u00e3os \u00e1rabes pelos regimes autorit\u00e1rios, ignoram completamente e encobrem a maioria racista de Israel que apoia solidamente o encarceramento e tortura de centenas de milhares de palestinianos pr\u00f3-democracia.<\/p>\n<p>Perceber o super-guant\u00e1namo* do M\u00e9dio Oriente requer uma discuss\u00e3o da \u201cpol\u00edtica de ajuda\u201d que \u00e9 central para a sustenta\u00e7\u00e3o dos \u201cregimes carcereiros\u201d.<\/p>\n<p>A ajuda dos EUA ao Egipto: milhares de milh\u00f5es para ditadores<\/p>\n<p>O Estado policial eg\u00edpcio \u00e9 uma \u00e2ncora do \u201carco imperial\u201d dos EUA desde o norte de \u00c1frica at\u00e9 ao M\u00e9dio Oriente. O Egipto esteve activamente empenhado na desestabiliza\u00e7\u00e3o da L\u00edbia, do Sud\u00e3o, do L\u00edbano, da S\u00edria e colaborou com o desalojamento dos palestinos por Israel. A ditadura de Mubarak recebeu de Washington 2 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano \u2013 cerca de 65 mil milh\u00f5es para os seus servi\u00e7os imperiais. A ajuda dos EUA refor\u00e7ou a sua capacidade para encarcerar e torturar ativistas pr\u00f3-democracia e sindicalistas. Washington prosseguiu o apoio militar ao regime ditatorial depois do golpe militar contra o primeiro governo democraticamente eleito do Egipto na ordem de 1,55 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares para 2014. Apesar dos \u201csinais de preocupa\u00e7\u00e3o\u201d pelo assass\u00ednio de milhares de manifestantes pr\u00f3-democracia pelo novo homem forte militar, general Abdul Fattah al-Sisi, n\u00e3o houve qualquer corte no financiamento para o chamado \u201ccontra-terrorismo\u201d e \u201cseguran\u00e7a\u201d. Para continuar a financiar a ditadura sob legisla\u00e7\u00e3o do Congresso dos EUA, Washington recusou caracterizar a tomada violenta do poder como golpe, referindo-se a ela como uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o para a democracia\u201d. O papel chave do Egipto na pol\u00edtica externa dos EUA \u00e9 a protec\u00e7\u00e3o do flanco ocidental de Israel. A ajuda dos EUA ao Egipto \u00e9 produto da press\u00e3o e influ\u00eancia da configura\u00e7\u00e3o de poder sionista no Congresso e na Casa Branca. A ajuda dos EUA est\u00e1 dependente do \u201cpoliciamento\u201d da fronteira de Gaza pelo Egipto, garantindo que o bloqueio por Israel \u00e9 efectivo. A Casa Branca apoia a repress\u00e3o pelo Cairo da maioria nacionalista e anticolonial dos eg\u00edpcios contr\u00e1ria ao desalojamento dos palestinianos. Uma vez que s\u00e3o os interesses israelitas a definir a pol\u00edtica externa dos EUA no M\u00e9dio Oriente, o financiamento por Washington da ditadura carcereira do Egipto est\u00e1 de acordo com a estrat\u00e9gia sionista de Washington.<\/p>\n<p>Israel: o pivot americano no M\u00e9dio Oriente<\/p>\n<p>A maior parte dos especialistas independentes e conhecedores concordam que a pol\u00edtica dos EUA no M\u00e9dio Oriente \u00e9 largamente ditada por uma multid\u00e3o de fi\u00e9is sionistas que ocupam posi\u00e7\u00f5es-chave de tomada de decis\u00e3o no Tesouro, no Departamento de Estado, no Pent\u00e1gono e no Com\u00e9rcio, assim como pelo dom\u00ednio do Congresso pelos presidentes das 52 maiores organiza\u00e7\u00f5es americano-judaicas e respectivos 171.000 ativistas pagos a tempo inteiro. Enquanto existe alguma verdade no que alguns cr\u00edticos citam como diverg\u00eancia entre o \u201creal interesse nacional\u201d dos EUA e as ambi\u00e7\u00f5es coloniais de Israel, o facto \u00e9 que os dirigentes dos EUA em Washington entendem haver converg\u00eancia entre o dom\u00ednio imperial e o militarismo israelita. Na verdade, um Egipto submisso serve os interesses imperiais mais vastos dos EUA e os interesses coloniais de Israel. A guerra de Israel no L\u00edbano contra o movimento anti-imperialista Hezbollah serviu tanto os esfor\u00e7os dos EUA para instalarem um cliente d\u00f3cil, como os esfor\u00e7os de Israel para destru\u00edrem um partid\u00e1rio da autodetermina\u00e7\u00e3o palestiniana. A diverg\u00eancia de Washington com Israel sobre o despojamento de todos os palestinos por Israel vai contra o interesse de Washington num mini-estado palestino governado por funcion\u00e1rios \u00e1rabes neocoloniais. Em resultado da influ\u00eancia sionista, Israel \u00e9 o maior benefici\u00e1rio per capita de ajuda americana no mundo, apesar de possuir um n\u00edvel de vida mais elevado do que 60% dos cidad\u00e3os americanos. Entre 1985-2014, Israel recebeu mais de 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, dos quais 70% para fins militares, incluindo a mais avan\u00e7ada alta tecnologia sobre armas. Israel, que \u00e9 o pa\u00eds com o record mundial de presos pol\u00edticos e ataques militares contra pa\u00edses vizinhos nos \u00faltimos quarenta anos, tem tamb\u00e9m o record de ajuda militar americana. Israel, como primeira \u201cdemocracia carcereira\u201d \u00e9 um elo chave no super-guant\u00e1namo* que se estende do norte de \u00c1frica at\u00e9 aos estados do Golfo.<\/p>\n<p>Ar\u00e1bia Saudita<\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita compete com Israel como centro de encarceramento de dissidentes pr\u00f3-democracia. Os sauditas reciclam centenas de milhares de milh\u00f5es de petro-rendas atrav\u00e9s da Wall Street, enriquecendo d\u00e9spotas sauditas locais e banqueiros de investimento pr\u00f3-israelitas no estrangeiro. A converg\u00eancia saudis-EUA-Israel \u00e9 mais do que circunstancial. Partilham interesses militares na guerra contra os movimentos \u00e1rabes pr\u00f3-independ\u00eancia e pr\u00f3-democracia atrav\u00e9s do M\u00e9dio Oriente. A Ar\u00e1bia Saudita alberga a maior base militar dos EUA e as maiores opera\u00e7\u00f5es de espionagem no Golfo. Apoiou a invas\u00e3o do Iraque. Financia milhares de mercen\u00e1rios isl\u00e2micos na guerra por procura\u00e7\u00e3o dos EUA-NATO contra a S\u00edria. Invadiu o Bahrain para esmagar o movimento pr\u00f3-democracia. Interv\u00e9m com Washington em apoio ao estado policial do I\u00e9men. \u00c9 o maior e mais lucrativo mercado para o complexo militar-industrial dos EUA. As vendas militares dos EUA entre 1951-2006 totalizaram 80 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Em Outubro de 2010, assinou a compra de 60,5 mil milh\u00f5es de armas e servi\u00e7os aos EUA.<\/p>\n<p>Bahrain: um porta-avi\u00f5es dos EUA com nome de pa\u00eds<\/p>\n<p>O Bahrain serve de base naval da 5\u00aa Frota dos EUA e \u00e9 uma base operacional para atacar o Ir\u00e3o. Tem estado ao servi\u00e7o da ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o e do controle americano das rotas de transporte mar\u00edtimo do petr\u00f3leo. A ditadura de Al-Khalifa est\u00e1 extremamente isolada, \u00e9 altamente impopular e enfrenta constante press\u00e3o da maioria pr\u00f3-democracia. Para amparar os governantes seus vassalos, Washington aumentou as vendas militares ao pequeno estado de 400 milh\u00f5es entre 1993-2000 para 1400 milh\u00f5es de d\u00f3lares na d\u00e9cada seguinte. Washington aumentou as vendas e o programa de treino militar na propor\u00e7\u00e3o directa do aumento do descontentamento democr\u00e1tico, resultando no aumento geom\u00e9trico do n\u00famero de presos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Iraque: guerra, ocupa\u00e7\u00e3o e os campos da morte de uma democracia de c\u00e1rcere<\/p>\n<p>A invas\u00e3o americana e ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque levaram \u00e0 matan\u00e7a de cerca de 1,5 milh\u00f5es de iraquianos (a maior parte civis, n\u00e3o combatentes) com um custo de 1,5 bili\u00f5es (milh\u00f5es de milh\u00f5es) de d\u00f3lares e 4.801 mortos militares americanos. Em 2006, as \u201celei\u00e7\u00f5es\u201d preparadas pelos EUA levaram \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do regime de Maliki, suportado pelas armas, por mercen\u00e1rios, por conselheiros e pelas bases americanas. De acordo com um estudo recente para o Gabinete de Investiga\u00e7\u00e3o do Congresso (Fevereiro de 2014) por Kenneth Kilzman, h\u00e1 16.000 militares e \u201cempreiteiros\u201d americanos actualmente no Iraque. Mais de 3500 empreiteiros militares americanos no Gabinete de Coopera\u00e7\u00e3o de Seguran\u00e7a d\u00e3o apoio ao estado policial corrupto de Maliki. A democracia de c\u00e1rcere foi abastecida com m\u00edsseis e drones americanos e mais de 10 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares de assist\u00eancia militar, o que inclui 2,5 mil milh\u00f5es de ajuda e 7,9 mil milh\u00f5es de vendas entre 2005-2013. Para 2014-2015, Malaki pediu 15 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em armas, incluindo 36 avi\u00f5es de combate americanos F-16 e grande n\u00famero de helic\u00f3pteros de ataque Apache. Em 2013, o regime de Malaki registou 8.000 mortes pol\u00edticas resultantes da guerra interna.<\/p>\n<p>O Iraque \u00e9 um centro crucial para o controle americano do petr\u00f3leo e do Golfo e como plataforma de lan\u00e7amento para atacar o Ir\u00e3o. Enquanto Maliki faz \u201cgestos\u201d para o Ir\u00e3o, o seu papel como liga\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada no gulag imperial dos EUA define a sua \u201cfun\u00e7\u00e3o\u201d real na regi\u00e3o do Golfo.<\/p>\n<p>I\u00e9men: o posto avan\u00e7ado militar do deserto para o super-guant\u00e1namo* americano<\/p>\n<p>O I\u00e9men \u00e9 um dispendioso posto avan\u00e7ado militar para o despotismo saudita e para o poder americano na pen\u00ednsula das Ar\u00e1bia. Segundo o estudo \u201cI\u00e9men: Bases e Rela\u00e7\u00f5es com os EUA\u201d de Jeremy Sharp para o Servi\u00e7o de Investiga\u00e7\u00e3o do Congresso (2014), os EUA forneceram 1,3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares de ajuda militar ao I\u00e9men entre 2009-2014. A Ar\u00e1bia Saudita doou 3,2 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em 2012 para apoiar a ditadura de Saleh perante um levantamento anti-ditatorial popular de massas. Washington maquinou uma transfer\u00eancia de poder de Saleh para o \u201cPresidente\u201d Hadi e assegurou a sua continuidade duplicando a ajuda militar para manter as pris\u00f5es cheias e a resist\u00eancia em cheque. De acordo com o New York Times (31\/6\/2013), Hadi era um \u201ccontinuador do ditador Saleh\u201d. A continuidade da democracia de c\u00e1rcere no I\u00e9men \u00e9 uma liga\u00e7\u00e3o crucial entre o eixo Egipto-Israel-Jord\u00e2nia e o super-guant\u00e1namo* imperial Bahrain-Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Jord\u00e2nia: eterno vassalo e monarquia mendicante<\/p>\n<p>A monarquia desp\u00f3tica da Jord\u00e2nia tem estado na lista de pagamentos dos EUA h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo. Serviu recentemente como centro de tortura de v\u00edtimas raptadas e capturadas pelas For\u00e7as Especiais dos EUA envolvidas no programa \u201crendi\u00e7\u00e3o\u201d. A Jord\u00e2nia colaborou com Israel no assalto e pris\u00e3o de palestinianos envolvidos na luta pela liberdade. Actualmente, a Jord\u00e2nia com a Turquia servem para treino e dep\u00f3sito de armas para os terroristas mercen\u00e1rios que invadem a S\u00edria apoiados pela NATO. Gra\u00e7as \u00e0 sua colabora\u00e7\u00e3o com Israel, Washington e a NATO, a corrupta monarquia de c\u00e1rcere recebe ajuda militar e econ\u00f3mica de larga escala e a longo termo. A monarquia e a sua extensa rede de patifes, carcereiros e fam\u00edlia, rapam dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares de ajuda externa, lavados em contas estrangeiras em Londres, na Su\u00ed\u00e7a, no Dubai e em Nova Iorque. Segundo o relat\u00f3rio do Servi\u00e7o de Investiga\u00e7\u00e3o do Congresso (27 Janeiro 20114), a ajuda americana \u00e0 ditadura real jordana atinge 660 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Uma ajuda militar adicional de 150 milh\u00f5es foi canalizada para o regime com o desencadear da interven\u00e7\u00e3o da NATO na S\u00edria. O fundo foi destinado a aumentar a infra-estrutura \u00e0 volta da fronteira Jord\u00e2nia-S\u00edria. Al\u00e9m disso, a Jord\u00e2nia serve de principal conduta de armas para os terroristas que atacam a S\u00edria: 340 milh\u00f5es de d\u00f3lares para \u201cconting\u00eancias no estrangeiro\u201d s\u00e3o provavelmente encaminhados atrav\u00e9s de Amman para armar os terroristas que invadem a S\u00edria. Em Outubro de 2012, a Jord\u00e2nia assinou acordos com os EUA permitindo que um grande contingente de For\u00e7as Especiais estabelecesse campos de avia\u00e7\u00e3o e bases para fornecimento e armamento dos terroristas.<\/p>\n<p>Turquia: Estado vassalo leal com ambi\u00e7\u00f5es regionais<\/p>\n<p>Como baluarte militar da NATO a sul, na fronteira da R\u00fassia, a Turquia tem estado na lista de pagamentos dos EUA h\u00e1 mais de 66 anos. De acordo com o estudo recente de James Zanotti \u201cCoopera\u00e7\u00e3o Turquia-EUA na Defesa: Perspectivas e Desafios\u201d (Servi\u00e7o de Investiga\u00e7\u00e3o do Congresso, 8 Abril 2011), em troca do apoio ao poder militar da \u201cdemocracia de c\u00e1rcere\u201d da Turquia, os EUA asseguraram uma presen\u00e7a militar importante, incluindo uma grande base a\u00e9rea em Incirlik, um grande centro operacional abrigando 1800 militares americanos. A Turquia colaborou com a invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o americanas do Afeganist\u00e3o e apoiou o bombardeamento da L\u00edbia pela NATO. Hoje, a Turquia \u00e9 o centro militar operacional mais importante para os terroristas jihadistas que invadem a S\u00edria. Apesar das peri\u00f3dicas e demag\u00f3gicas pretens\u00f5es nacionalistas do presidente Erdo\u011fan, os construtores do imp\u00e9rio dos EUA continuam a ter acesso \u00e0s bases turcas e a corredores de transporte para as suas guerras, ocupa\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es no M\u00e9dio Oriente e na \u00c1sia central e do sul. Em troca, os EUA instalaram sistemas de m\u00edsseis defensivos e aumentaram largamente as vendas de armas pela chamada \u201cassist\u00eancia de seguran\u00e7a\u201d. Entre 2006-2009, as vendas militares dos EUA ultrapassaram 22 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Em 2013-14, as tens\u00f5es entre a Turquia e os EUA aumentaram quando Erdo\u011fan come\u00e7ou a sanear o Estado de gulenistas, uma quinta-coluna apoiada pelos EUA que infiltrava o estado turco e usava as suas posi\u00e7\u00f5es para apoiar uma colabora\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com os interesses militares de Israel e dos EUA.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>A expans\u00e3o do imp\u00e9rio americano atrav\u00e9s do norte de \u00c1frica e M\u00e9dio Oriente foi montada com o armamento e financiamento de estados-vassalos para servirem de postos avan\u00e7ados do imp\u00e9rio. Estes regimes vassalos, governados por monarquias ditatoriais e governantes autorit\u00e1rios civis e militares, apoiam-se na for\u00e7a e na viol\u00eancia para sustentar o seu mando. Os EUA forneceram armas, conselheiros e financiamento que lhes permitiu dominarem. O arco de bases militares imperiais americanas que se estende do Egipto, atrav\u00e9s de Israel, da Turquia, da Jord\u00e2nia, do I\u00e9men, do Iraque, do Bahrain e da Ar\u00e1bia Saudita, est\u00e1 protegido por uma s\u00e9rie de campos prisionais contendo dezenas de milhares de prisioneiros pol\u00edticos.<\/p>\n<p>O empenhamento americano e a sua penetra\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a na regi\u00e3o s\u00e3o acompanhados por uma s\u00e9rie de democracias carcereiras e ditaduras. Ao contr\u00e1rio dos p\u00e2nditas pol\u00edticos liberais e conservadores e dos acad\u00e9micos, a pol\u00edtica americana durante mais de 50 anos procurou activamente, instalou e protegeu tiranos sanguin\u00e1rios que pilharam o tesouro p\u00fablico, concentraram riqueza, entregaram a soberania e subdesenvolveram as suas economias.<\/p>\n<p>Os acad\u00e9micos pr\u00f3-Israel em prestigiadas universidades americanas t\u00eam sistematicamente distorcido as bases estruturais da viol\u00eancia, do autoritarismo e da corrup\u00e7\u00e3o no mundo isl\u00e2mico, responsabilizando as v\u00edtimas, os povos turco e \u00e1rabe, e ignorando o papel dos construtores do imp\u00e9rio americano no financiamento e no armamento de governos autorit\u00e1rios civis e militares e de monarquias absolutistas e respectivos militares, funcion\u00e1rios judiciais e policiais corruptos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos enganadores volumes publicados pelas prestigiosas imprensas universit\u00e1rias e escritos por altamente respeitados propagandistas pol\u00edticos pr\u00f3-Israel, o refazer do M\u00e9dio Oriente depende da for\u00e7a das correntes democr\u00e1ticas na sociedade isl\u00e2mica. Elas encontram-se nos movimentos estudantis, entre os sindicalistas e os desempregados, nos intelectuais nacionalistas e nas for\u00e7as seculares e isl\u00e2micas que se op\u00f5em ao Imp\u00e9rio dos EUA por raz\u00f5es muito pr\u00e1ticas e \u00f3bvias. Junto com Israel, os EUA s\u00e3o os principais organizadores da vasta cadeia de campos prisionais pol\u00edticos que destroem as mais criativas e din\u00e2micas for\u00e7as na regi\u00e3o. Mais vassalagem \u00e1rabe provoca a explos\u00e3o peri\u00f3dica da vibrante cultura e movimento democr\u00e1ticos, embora infelizmente tamb\u00e9m resulte em maior ajuda militar e presen\u00e7a dos EUA. O verdadeiro choque de civiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 entre as aspira\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas das classes populares orientais e o profundamente imbu\u00eddo autoritarismo do imperialismo euro-americano.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Jorge Vasconcelos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nJames Petras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6288\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Dq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}