{"id":6290,"date":"2014-06-01T14:43:38","date_gmt":"2014-06-01T14:43:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6290"},"modified":"2017-08-25T01:00:00","modified_gmt":"2017-08-25T04:00:00","slug":"a-explosao-social-bate-as-portas-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6290","title":{"rendered":"A explos\u00e3o social bate \u00e0s portas do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>\u2013 \u00c9 hora de mobilizar os organizados, organizar os desorganizados e construir a contra-hegemonia no campo prolet\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>por Edmilson Costa*<\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo monopolista brasileiro criou uma estrutura econ\u00f4mica desenvolvida, um sistema industrial din\u00e2mico, diversificado e verticalizado e uma produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria tipicamente capitalista, que abastece o mercado interno e tem um peso expressivo na pauta de exporta\u00e7\u00f5es, fatos que em meio s\u00e9culo colocaram o Brasil entre as dez principais economias do mundo. O resultado desse processo foi a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade urbana, metropolitanizada, complexa e perversamente desigual, mas com um conjunto de singularidades, fen\u00f4menos sociais, culturais e comportamentais novos, que come\u00e7am a se expressar de maneira explosiva na conjuntura brasileira, posto que representam uma demanda social reprimida que n\u00e3o cabe mais nas velhas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o constru\u00eddas no \u00faltimo meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Em outras palavras, o conjunto das for\u00e7as produtivas que possibilitaram ao Brasil se transformar numa economia industrial madura est\u00e1 hoje em contradi\u00e7\u00e3o com o Brasil da segunda metade do s\u00e9culo passado e j\u00e1 n\u00e3o corresponde mais \u00e0 din\u00e2mica social do s\u00e9culo XXI. Esgotou-se um sistema de domina\u00e7\u00e3o no qual as classes dominantes conseguiam a hegemonia mediante o consentimento espont\u00e2neo do proletariado e da popula\u00e7\u00e3o em geral. Agora est\u00e1 ocorrendo uma mudan\u00e7a de qualidade nessa rela\u00e7\u00e3o: a popula\u00e7\u00e3o explorada e espoliada est\u00e1 perdendo o respeito espont\u00e2neo pela ordem p\u00fablica e ultrapassando as fronteiras das rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas da conjuntura anterior. Est\u00e1 assim colocado para todas as for\u00e7as pol\u00edticas e sociais o velho dilema da esfinge: decifra-me ou te devoro!<\/p>\n<p>Essa nova conjuntura est\u00e1 possibilitando a emerg\u00eancia de um conjunto de novos fen\u00f4menos sociais e pol\u00edticos, como as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de massas nas ruas, sem lideran\u00e7a, sem necessidade de carro de som, sem dire\u00e7\u00e3o nem objetivos ainda claramente definidos; elevado grau de viol\u00eancia por parte da popula\u00e7\u00e3o dos bairros perif\u00e9ricos, como fechamento de ruas e avenidas, barricadas, queima de \u00f4nibus e trens, ocupa\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios p\u00fablicos e privados; enfrentamentos constantes com a pol\u00edcia; os <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rolezinho\" target=\"_blank\">&#8220;rolezinhos&#8221;<\/a> da juventude adolescente nos <em>shoppings centers <\/em>e aglomera\u00e7\u00f5es p\u00fablicas; a greve vitoriosa dos garis em pleno carnaval; e at\u00e9 assembl\u00e9ia grevista com 20 mil trabalhadores, como nas obras do Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro, al\u00e9m de v\u00e1rias greves \u00e0 revelia dos sindicatos pelegos.<\/p>\n<p>Como sempre acontece em momentos de transi\u00e7\u00e3o e efervesc\u00eancia social, verifica-se tamb\u00e9m outras manifesta\u00e7\u00f5es bizarras, em fun\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de uma ordem reconhecida por todos, como a barb\u00e1rie na penitenci\u00e1ria de Pedrinhas, a viol\u00eancia das pr\u00f3prias pessoas contra pequenos marginais, a justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os em v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds, quadro que se completa com a amplia\u00e7\u00e3o das contumazes chacinas de jovens pretos, pardos e pobres das periferias, al\u00e9m do desaparecimento de pessoas, v\u00edtimas da pol\u00edcia e dos marginais.<\/p>\n<p>Esses fen\u00f4menos sociais, fruto dessa conjuntura tensa e complexa, t\u00eam provocado p\u00e2nico junto \u00e0s classes dominantes, que come\u00e7am a perceber que a contesta\u00e7\u00e3o ao seu dom\u00ednio est\u00e1 fugindo do controle, ultrapassando limites nos quais estavam acostumadas a enquadrar os dominados no passado. As classes dominantes e seu governo buscam de todas as formas enquadrar e conter as novas manifesta\u00e7\u00f5es com os velhos esquemas do passado, como a repress\u00e3o, a criminaliza\u00e7\u00e3o social, a sataniza\u00e7\u00f5es das novas formas de luta, mas esses m\u00e9todos n\u00e3o mais est\u00e3o funcionando como anteriormente, uma vez que esses novos fen\u00f4menos sociais resultam de um complexo mosaico da luta de classe para os quais o velho receitu\u00e1rio tem pouca efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es e os novos m\u00e9todos de lutas tamb\u00e9m t\u00eam provocado espanto e incredulidade junto \u00e0 grande maioria das for\u00e7as de esquerda e aos esp\u00edritos acomodados aos velhos esquemas caricatos de enquadrar os conflitos sociais em decalques pr\u00e9-estabelecidos, sem um esfor\u00e7o inovador para compreender os fen\u00f4menos sociais como eles se apresentam e n\u00e3o como tipologia sociol\u00f3gica pr\u00e9-estabelecida. Muitas dessas organiza\u00e7\u00f5es com perfil de esquerda, por n\u00e3o entenderem a nova din\u00e2mica da luta de classes no Brasil, se comportam como a m\u00e3o esquerda das velhas classes dominantes, ao ratificar o discurso da criminaliza\u00e7\u00e3o das novas formas de luta, sob o argumento de que os trabalhadores n\u00e3o escondem o rosto nem quebram bancos nem lojas, esquecendo-se de que a grande maioria das manifesta\u00e7\u00f5es ocorre nas periferias e que os manifestantes fazem parte do novo proletariado precarizado, em sua grande maioria jovem, ganhando baixos sal\u00e1rios e vivendo nas grandes metr\u00f3poles <a href=\"http:\/\/resistir.info\/brasil\/explosao_social.html#notas\" target=\"_blank\">[1]<\/a> .<\/p>\n<p>Parece que vastos setores da sociedade \u2013 e da esquerda em particular \u2013 n\u00e3o compreenderam ainda que, da mesma forma que acontece em v\u00e1rias partes do mundo, a luta de classes no Brasil tamb\u00e9m mudou de patamar a partir das <a href=\"http:\/\/resistir.info\/brasil\/jornada_lutas_30jul13.html\" target=\"_blank\">manifesta\u00e7\u00f5es de junho<\/a> . O ciclo do refluxo, da coopta\u00e7\u00e3o, da despolitiza\u00e7\u00e3o e do apassivamento dos trabalhadores, induzido e praticado pelo Partido dos Trabalhadores e sua base aliada nestes 12 anos de governo, est\u00e1 se esgotando. O novo proletariado jovem, que debutou nas lutas de junho, agora est\u00e1 mais maduro e mais politizado e a conjuntura que se desdobra a partir de agora ser\u00e1 de acirramento da luta de classes nas ruas, greves dos trabalhadores, enfrentamento com as for\u00e7as da repress\u00e3o nas periferias e politiza\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es que estavam difusas nas manifesta\u00e7\u00f5es de junho.<\/p>\n<p>Para compreendermos a nova din\u00e2mica da luta de classes no Brasil \u00e9 fundamental atentarmos para os novos dados da realidade do mundo do trabalho, o novo perfil do proletariado; \u00e9 importante compreendermos as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o das grandes metr\u00f3poles urbanas e a insatisfa\u00e7\u00e3o generalizada do povo pobre dos bairros perif\u00e9ricos com o desleixo com que as autoridades tratam as reivindica\u00e7\u00f5es populares; \u00e9 relevante ainda observarmos as contradi\u00e7\u00f5es entre o marketing capitalista do consumismo de luxo e as frustra\u00e7\u00f5es de milh\u00f5es de jovens (a maior parte deles componentes do proletariado precarizado), cujo sal\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 suficiente para adquirir os produtos que a publicidade lhes oferece diariamente. Esse conjunto de elementos sociais, pol\u00edticos e at\u00e9 psicol\u00f3gicos est\u00e3o na base da insatisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o da periferia e da juventude e na origem das novas formas de protesto da popula\u00e7\u00e3o. Quais s\u00e3o os principais aspectos da realidade econ\u00f4mico, social e pol\u00edtica do Brasil atual?<\/p>\n<p><strong>Uma sociedade complexa, urbana, com demandas reprimidas <\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo brasileiro criou um Pa\u00eds economicamente desenvolvido e socialmente desigual. O Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) de 2013 alcan\u00e7ou R$ 4,85 trilh\u00f5es (US$ 2,43 trilh\u00f5es), correspondente ao s\u00e9timo maior PIB do mundo, o que coloca a economia brasileira, em termos puramente econ\u00f4micos, num patamar semelhante \u00e0s economias centrais. Trata-se de uma economia monopolista em todos os grandes setores, verticalmente integrada, com um parque industrial com capacidade para produzir todos os bens e servi\u00e7os necess\u00e1rios ao consumo do Pa\u00eds, al\u00e9m de vasto excedente para exporta\u00e7\u00e3o; com um setor de servi\u00e7os din\u00e2mico, onde as grandes redes de supermercados e lojas de departamentos s\u00e3o respons\u00e1veis pela comercializa\u00e7\u00e3o da grande maioria dos produtos do setor moderno da economia; um sistema financeiro sofisticado e integrado nacionalmente, muito embora n\u00e3o cumpra o papel b\u00e1sico de fazer a liga\u00e7\u00e3o entre o capital banc\u00e1rio e o capital industrial; uma rede de telecomunica\u00e7\u00f5es e de comunica\u00e7\u00e3o social \u00e0 altura do processo de acumula\u00e7\u00e3o; e um setor agropecu\u00e1rio que abastece n\u00e3o s\u00f3 o mercado interno, mas se transformou em um dos principais exportadores de <em>commodities <\/em>do mundo.<\/p>\n<p>No entanto, esse n\u00edvel de crescimento do produto n\u00e3o se refletiu na distribui\u00e7\u00e3o da renda <a href=\"http:\/\/resistir.info\/brasil\/explosao_social.html#nr\" target=\"_blank\">[NR]<\/a> nem nas condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias: o Brasil possui uma das mais desiguais distribui\u00e7\u00f5es de renda do mundo, bastando dizer que os 10% mais ricos do Pa\u00eds amealharam, em 2009, 42,5% da renda nacional, mais de 40 vezes que os 10% mais pobres, enquanto os 5% mais ricos possuem renda maior que os 50% mais pobres (Tabela 1). Al\u00e9m disso, o Brasil ocupa a 85\u00ba posi\u00e7\u00e3o no ranking do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p><strong>Tabela 1 \u2013 Distribui\u00e7\u00e3o pessoal da renda, 1999-2009 <\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Grupo<\/strong><\/td>\n<td><strong>1999<\/strong><\/td>\n<td><strong>2001<\/strong><\/td>\n<td><strong>2002<\/strong><\/td>\n<td><strong>2003<\/strong><\/td>\n<td><strong>2004<\/strong><\/td>\n<td><strong>2005<\/strong><\/td>\n<td><strong>2006<\/strong><\/td>\n<td><strong>2007<\/strong><\/td>\n<td><strong>2008<\/strong><\/td>\n<td><strong>2009<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>10% mais pobres<\/td>\n<td>1,0<\/td>\n<td>1,0<\/td>\n<td>1.0<\/td>\n<td>1,0<\/td>\n<td>1,0<\/td>\n<td>1,0<\/td>\n<td>1,0<\/td>\n<td>1,1<\/td>\n<td>1,2<\/td>\n<td>1,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>20% mais pobres<\/td>\n<td>3,3<\/td>\n<td>3,3<\/td>\n<td>3,4<\/td>\n<td>3,4<\/td>\n<td>3,5<\/td>\n<td>3,6<\/td>\n<td>3,6<\/td>\n<td>3,9<\/td>\n<td>4,0<\/td>\n<td>4,0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>50% mais pobres<\/td>\n<td>14,5<\/td>\n<td>14,8<\/td>\n<td>14,9<\/td>\n<td>15,5<\/td>\n<td>16,0<\/td>\n<td>16,3<\/td>\n<td>16,5<\/td>\n<td>17,2<\/td>\n<td>17,6<\/td>\n<td>17,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>10% mais ricos<\/td>\n<td>45,7<\/td>\n<td>46,1<\/td>\n<td>46,1<\/td>\n<td>45,3<\/td>\n<td>44,6<\/td>\n<td>44,7<\/td>\n<td>44,5<\/td>\n<td>43,3<\/td>\n<td>42,7<\/td>\n<td>42,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>5% mais ricos<\/td>\n<td>33,1<\/td>\n<td>33,4<\/td>\n<td>33,0<\/td>\n<td>32,7<\/td>\n<td>31,7<\/td>\n<td>32,0<\/td>\n<td>31,7<\/td>\n<td>30,7<\/td>\n<td>30,4<\/td>\n<td>30,3<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1% mais ricos<\/td>\n<td>13,2<\/td>\n<td>12,5<\/td>\n<td>13,3<\/td>\n<td>12,9<\/td>\n<td>12,7<\/td>\n<td>13,0<\/td>\n<td>12,8<\/td>\n<td>12,4<\/td>\n<td>12,3<\/td>\n<td>12,4<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: PNAD\/Dieese<\/p>\n<p>Essa macroestrutura econ\u00f4mica \u00e9 hegemonizada pelos 100 maiores grupos econ\u00f4micos que atuam no Pa\u00eds. Para se ter uma id\u00e9ia, esses grupos registraram, em 2010, um volume de vendas correspondente a 56% do PIB, mais da metade de tudo que se produziu no Brasil no ano de refer\u00eancia. Se desagregarmos mais um pouco essa constata\u00e7\u00e3o, veremos que os 20 maiores grupos venderam no mesmo ano o correspondente a cerca de 35% do PIB, enquanto somente os 10 maiores conglomerados do Pa\u00eds obtiveram um faturamento bruto de vendas correspondente a cerca de 25% do PIB (Tabela 2). Esses grupos s\u00e3o os l\u00edderes tanto no setor industrial, minera\u00e7\u00e3o, agroneg\u00f3cio, quanto financeiro, comercial e de servi\u00e7os em geral, o que significa dizer que nenhum setor da economia brasileira escapa ao processo de monopoliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Tabela 2 \u2013 Faturamento dos 20 maiores grupos e propor\u00e7\u00e3o do PIB, 2010<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"3\"><strong>Ordem<\/strong><\/td>\n<td rowspan=\"3\"><strong>Empresa<\/strong><\/td>\n<td colspan=\"3\"><strong>Faturamento<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\"><strong>R$ milh\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\"><strong>% do PIB<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Simples<\/strong><\/td>\n<td><strong>Acumulado<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1<\/td>\n<td><strong>Petrobr\u00e1s<\/strong><\/td>\n<td>268.107,00<\/td>\n<td>7,30<\/td>\n<td>7,30<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2<\/td>\n<td><strong>Bradesco<\/strong><\/td>\n<td>121.983,20<\/td>\n<td>3,32<\/td>\n<td>10,61<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>3<\/td>\n<td><strong>Banco do Brasil<\/strong><\/td>\n<td>114.307,20<\/td>\n<td>3,11<\/td>\n<td>13,73<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>4<\/td>\n<td><strong>Vale<\/strong><\/td>\n<td>85.345,00<\/td>\n<td>2,32<\/td>\n<td>16,05<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>5<\/td>\n<td><strong>JBS<\/strong><\/td>\n<td>57.107,10<\/td>\n<td>1,55<\/td>\n<td><strong>17,60<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>6<\/td>\n<td><strong>Odebrecht<\/strong><\/td>\n<td>55.860,50<\/td>\n<td>1,52<\/td>\n<td>19,12<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>7<\/td>\n<td><strong>CEF<\/strong><\/td>\n<td>55.833,20<\/td>\n<td>1,52<\/td>\n<td>20,64<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>8<\/td>\n<td><strong>Santander<\/strong><\/td>\n<td>55.765,30<\/td>\n<td>1,52<\/td>\n<td>22,16<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>9<\/td>\n<td><strong>Telefonica<\/strong><\/td>\n<td>50.027,80<\/td>\n<td>1,36<\/td>\n<td>23,52<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>10<\/td>\n<td><strong>Ita\u00fasa<\/strong><\/td>\n<td>47.942,00<\/td>\n<td>1,30<\/td>\n<td><strong>24,82<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>11<\/td>\n<td><strong>Ambev<\/strong><\/td>\n<td>46.881,40<\/td>\n<td>1,28<\/td>\n<td>26,10<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>12<\/td>\n<td><strong>Fiat<\/strong><\/td>\n<td>46.078,30<\/td>\n<td>1,25<\/td>\n<td>27,35<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>13<\/td>\n<td><strong>Oi<\/strong><\/td>\n<td>45.928,20<\/td>\n<td>1,25<\/td>\n<td>28,60<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>14<\/td>\n<td><strong>Ultra<\/strong><\/td>\n<td>44.201,00<\/td>\n<td>1,20<\/td>\n<td>29,81<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>15<\/td>\n<td><strong>P\u00e3o de A\u00e7\u00facar<\/strong><\/td>\n<td>36.144,40<\/td>\n<td>0,98<\/td>\n<td>30,79<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>16<\/td>\n<td><strong>Gerdau<\/strong><\/td>\n<td>35.666,40<\/td>\n<td>0,97<\/td>\n<td>31,76<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>17<\/td>\n<td><strong>Votorantim<\/strong><\/td>\n<td>34.224,00<\/td>\n<td>0,93<\/td>\n<td>32,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>18<\/td>\n<td><strong>Volksvagem<\/strong><\/td>\n<td>30.024,00<\/td>\n<td>0,82<\/td>\n<td>33,51<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>19<\/td>\n<td><strong>Eletrobr\u00e1s<\/strong><\/td>\n<td>29.814,70<\/td>\n<td>0,81<\/td>\n<td>34,32<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>20<\/td>\n<td><strong>BRF Brasil Foods<\/strong><\/td>\n<td>26.033,40<\/td>\n<td>0,71<\/td>\n<td><strong>35,03<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: Grandes Grupos, Valor Econ\u00f4mico, 2011<\/p>\n<p>Se observarmos do ponto de vista da propriedade, tamb\u00e9m poderemos constatar que desses 100 maiores grupos econ\u00f4micos, 58% s\u00e3o de capital majoritariamente nacional, enquanto 42% s\u00e3o controlados pelo capital estrangeiro. Mas se analisarmos, por exemplo, a ind\u00fastria, que \u00e9 o setor mais din\u00e2mico da economia, aquele que cria a riqueza nova, veremos que a participa\u00e7\u00e3o do capital estrangeiro \u00e9 maior que a do capital nacional. No entanto, os dados sobre o controle acion\u00e1rio dos grandes grupos econ\u00f4micos merecem uma qualifica\u00e7\u00e3o, pois se n\u00e3o clarearmos essa an\u00e1lise teremos a impress\u00e3o de que o capital nacional tem o comando da economia. Na verdade, a grande maioria dos grupos de capital nacional est\u00e1 associada, em algum ponto de sua atividade econ\u00f4mica, ao capital estrangeiro, uma vez que essa sociedade lhes \u00e9 funcional, pois abre espa\u00e7os para atua\u00e7\u00e3o no mercado internacional e os torna ator importante nos fluxos financeiros internacionais.<\/p>\n<p>Esses dados tamb\u00e9m demonstram de forma clara n\u00e3o s\u00f3 o grau de concentra\u00e7\u00e3o da economia brasileira, mas especialmente o n\u00edvel de rela\u00e7\u00e3o entre o capital nacional e o capital estrangeiro, ou seja, a liga\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre a economia brasileira e as economias centrais. Em praticamente todos os setores din\u00e2micos da economia, como ind\u00fastria automobil\u00edstica, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, qu\u00edmica, farmac\u00eautica, metalurgia, entre outros, o capital internacional hegemoniza o processo de produ\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, mesmo nos setores tradicionais, em que o capital nacional sempre foi majorit\u00e1rio, como finan\u00e7as, com\u00e9rcio e agroneg\u00f3cio, o capital estrangeiro est\u00e1 avan\u00e7ando de maneira extraordin\u00e1ria nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>O capital monopolista em geral se concentrou nas grandes cidades, enquadrou em sua l\u00f3gica todos os outros setores mais fr\u00e1geis do capital e interligou de maneira subordinada a economia brasileira aos centros dirigentes e aos fluxos financeiros do capital internacional. O mesmo ocorreu no campo, onde o agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m subordinou as pequenas empresas e outras formas de produ\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica do mercado, ocupou vastas \u00e1reas de terras para a produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities <\/em>e se transformou num dos principais expoentes do setor exportador brasileiro, mas sua l\u00f3gica de desenvolvimento n\u00e3o sobrevive sem a alian\u00e7a org\u00e2nica com os grupos internacionais, quer em rela\u00e7\u00e3o ao fornecimento de sementes, adubos e defensivos agr\u00edcolas, quer em termos de com\u00e9rcio internacional. Em tempos de bonan\u00e7a, essa rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o \u00e9 ofuscada pela pr\u00f3pria conjuntura de crescimento, uma vez que no ascenso do ciclo todos est\u00e3o ganhando. No entanto, a l\u00f3gica da subordina\u00e7\u00e3o se torna mais expl\u00edcita nos momentos de crise internacional do capital, onde vigora um clima de salve-se quem puder e a\u00ed ent\u00e3o todos os mecanismos hegem\u00f4nicos s\u00e3o acionados para favorecer aos interesses do capital internacional.<\/p>\n<p>Portanto, uma conjuntura dessa ordem deixa para as calendas as velhas ilus\u00f5es de uma prov\u00e1vel alian\u00e7a do proletariado com setores da burguesia brasileira, como imaginam certas for\u00e7as de esquerda, pois essa burguesia nacional n\u00e3o \u00e9 nacional e seus interesses est\u00e3o ligados organicamente aos interesses do grande capital internacional. Em 1964, muitos setores acreditavam numa postura antimperialista da burguesia, mas quando ocorreu o golpe praticamente toda a burguesia apoiou a nova ordem. Agora, numa conjuntura muito mais adversa, nas quais se mesclam a globaliza\u00e7\u00e3o e a crise econ\u00f4mica mundial, insistir numa alian\u00e7a dessa ordem \u00e9 se comportar como os m\u00edsticos, que acreditam em duendes, sereias e mula sem cabe\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>O capitalismo monopolista brasileiro criou uma sociedade urbana e complexa, onde cerca de 83% da popula\u00e7\u00e3o vivem nas cidades, al\u00e9m de um elevado n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o urbana nas regi\u00f5es metropolitanas. As 20 maiores regi\u00f5es metropolitanas do Pa\u00eds possuem uma popula\u00e7\u00e3o de 76 milh\u00f5es de habitantes, cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Apenas a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo possui uma popula\u00e7\u00e3o correspondente a mais de 10% da popula\u00e7\u00e3o nacional, o que por si s\u00f3 j\u00e1 reflete o n\u00edvel da concentra\u00e7\u00e3o urbana do Pa\u00eds. Em outros termos, os n\u00fameros demogr\u00e1ficos indicam um Pa\u00eds urbano, com uma popula\u00e7\u00e3o concentrada nas grandes cidades, justamente o teatro de opera\u00e7\u00f5es onde pulsa mais fortemente as lutas sociais e onde existem tamb\u00e9m as demandas mais reprimidas da popula\u00e7\u00e3o. Para se ter uma id\u00e9ia do grau de urbaniza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds e da configura\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho, \u00e9 importante ressaltar que do conjunto da popula\u00e7\u00e3o ocupada, constitu\u00edda por cerca de 93 milh\u00f5es de pessoas, apenas 13,4 milh\u00f5es est\u00e3o ligadas \u00e0s atividades agr\u00edcolas, enquanto 80,5 milh\u00f5es est\u00e3o vinculados \u00e0s atividades n\u00e3o-agr\u00edcolas realizadas no Pa\u00eds (Tabela 3).<\/p>\n<p><strong>Tabela 3 \u2013 Pessoas ocupadas com 15 anos ou mais , segundo a atividade<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1000 pessoas)<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td><strong>Norte<\/strong><\/td>\n<td><strong>Nordeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sudeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sul<\/strong><\/td>\n<td><strong>Centro Oeste<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Agr\u00edcola<\/strong><\/td>\n<td><strong>13368<\/strong><\/td>\n<td><strong>1644<\/strong><\/td>\n<td><strong>5874<\/strong><\/td>\n<td><strong>2908<\/strong><\/td>\n<td><strong>2078<\/strong><\/td>\n<td><strong>864<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Empregados<\/td>\n<td>4110<\/td>\n<td>350<\/td>\n<td>1505<\/td>\n<td>1332<\/td>\n<td>477<\/td>\n<td>446<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Conta Pr\u00f3pria<\/td>\n<td>3915<\/td>\n<td>637<\/td>\n<td>1656<\/td>\n<td>673<\/td>\n<td>756<\/td>\n<td>194<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Empregadores<\/td>\n<td>313<\/td>\n<td>29<\/td>\n<td>98<\/td>\n<td>96<\/td>\n<td>42<\/td>\n<td>47<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>N\u00e3o remunerados<\/td>\n<td>1491<\/td>\n<td>279<\/td>\n<td>643<\/td>\n<td>214<\/td>\n<td>315<\/td>\n<td>40<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trab. no pr\u00f3prio consumo<\/td>\n<td>3540<\/td>\n<td>350<\/td>\n<td>1972<\/td>\n<td>594<\/td>\n<td>487<\/td>\n<td>137<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>N\u00e3o agr\u00edcola<\/strong><\/td>\n<td><strong>80547<\/strong><\/td>\n<td><strong>5774<\/strong><\/td>\n<td><strong>17814<\/strong><\/td>\n<td><strong>37765<\/strong><\/td>\n<td><strong>12645<\/strong><\/td>\n<td><strong>6549<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Empregados<\/td>\n<td>54218<\/td>\n<td>3550<\/td>\n<td>11122<\/td>\n<td>26312<\/td>\n<td>8795<\/td>\n<td>4438<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trabalhadores dom\u00e9sticos<\/td>\n<td>6355<\/td>\n<td>432<\/td>\n<td>1513<\/td>\n<td>3007<\/td>\n<td>871<\/td>\n<td>533<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Conta Pr\u00f3pria<\/td>\n<td>15596<\/td>\n<td>1428<\/td>\n<td>4223<\/td>\n<td>6564<\/td>\n<td>2162<\/td>\n<td>1219<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Empregadores<\/td>\n<td>3251<\/td>\n<td>173<\/td>\n<td>564<\/td>\n<td>1563<\/td>\n<td>652<\/td>\n<td>299<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>N\u00e3o remunerados<\/td>\n<td>1056<\/td>\n<td>182<\/td>\n<td>367<\/td>\n<td>295<\/td>\n<td>158<\/td>\n<td>54<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trab. na constru\u00e7\u00e3o para pr\u00f3prio uso<\/td>\n<td>70<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>24<\/td>\n<td>24<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>6<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: PNAD, 2012<\/p>\n<p>Da mesma forma que o capitalismo monopolista concentrou as empresas e as pessoas nas grandes cidades, concentrou tamb\u00e9m o proletariado. A popula\u00e7\u00e3o ocupada do Pa\u00eds est\u00e1 constitu\u00edda por 93,9 milh\u00f5es de pessoas, sendo 19,6 milh\u00f5es trabalhadores por conta pr\u00f3pria e 3,6 milh\u00f5es empregadores. J\u00e1 o conjunto dos trabalhadores brasileiros est\u00e1 composto por um total de ocupados correspondente a 64,7 milh\u00f5es, incluindo os trabalhadores dom\u00e9sticos, enquanto o proletariado est\u00e1 constitu\u00eddo por 58,3 milh\u00f5es de assalariados (Tabela 4).<\/p>\n<p><strong>Tabela 4 \u2013 Pessoas ocupadas com 15 anos ou mais, por grandes regi\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1000 pessoas)<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td><strong>Norte<\/strong><\/td>\n<td><strong>Nordeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sudeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sul<\/strong><\/td>\n<td><strong>Centro Oeste<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Total<\/strong><\/td>\n<td><strong>93915<\/strong><\/td>\n<td><strong>7417<\/strong><\/td>\n<td><strong>23688<\/strong><\/td>\n<td><strong>40673<\/strong><\/td>\n<td><strong>14723<\/strong><\/td>\n<td><strong>7414<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Empregados<\/td>\n<td>58328<\/td>\n<td>3900<\/td>\n<td>12628<\/td>\n<td>27644<\/td>\n<td>9227<\/td>\n<td>4884<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trab. Dom\u00e9sticos<\/td>\n<td>6355<\/td>\n<td>432<\/td>\n<td>1513<\/td>\n<td>3007<\/td>\n<td>871<\/td>\n<td>533<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trab. Conta Pr\u00f3pria<\/td>\n<td>19511<\/td>\n<td>2065<\/td>\n<td>5879<\/td>\n<td>7237<\/td>\n<td>2918<\/td>\n<td>1413<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Empregadores<\/td>\n<td>3564<\/td>\n<td>202<\/td>\n<td>662<\/td>\n<td>1659<\/td>\n<td>694<\/td>\n<td>347<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trab. no pr\u00f3prio consumo<\/td>\n<td>3540<\/td>\n<td>350<\/td>\n<td>1972<\/td>\n<td>594<\/td>\n<td>487<\/td>\n<td>137<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>N\u00e3o remunerados<\/td>\n<td>2547<\/td>\n<td>461<\/td>\n<td>1010<\/td>\n<td>508<\/td>\n<td>473<\/td>\n<td>94<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Trab. na constru\u00e7\u00e3o para pr\u00f3prio uso<\/td>\n<td>70<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>24<\/td>\n<td>24<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>6<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: PNAD<\/p>\n<p>A grande maioria desses trabalhadores (60,8%) vivem nas regi\u00f5es Sudeste e Sul brasileiras, onde est\u00e3o tamb\u00e9m os principais conglomerados econ\u00f4micos do Pa\u00eds. Uma das principais caracter\u00edsticas do novo proletariado brasileiro \u00e9 o fato de que 62,8% atuam nos setores de servi\u00e7o, com\u00e9rcio e repara\u00e7\u00f5es, enquanto 16,7% trabalham nas atividades agr\u00edcolas, 13,5% na ind\u00fastria e 7,8% na constru\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, 38,2% est\u00e3o ligados diretamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, enquanto 62,8% trabalham nas atividades de servi\u00e7os em geral (Tabelas 5). Como em todas as economias desenvolvidas, o total de trabalhadores na \u00e1rea dos servi\u00e7os \u00e9 quase o dobro dos trabalhadores ligados diretamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, a maioria do novo proletariado trabalha no setor de servi\u00e7os e vive nas grandes metr\u00f3poles. Possivelmente, isso explica porque as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de julho n\u00e3o foram constitu\u00eddas por setores da classe m\u00e9dia, mas por jovens prolet\u00e1rios precarizados desse setor.<\/p>\n<p><strong>Tabela 5 \u2013 Pessoas ocupadas com 15 anos ou mais, segundo a atividade do trabalho principal<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1000 pessoas)<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Setor de atividade<\/strong><\/td>\n<td><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td><strong>Norte<\/strong><\/td>\n<td><strong>Nordeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sudeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sul<\/strong><\/td>\n<td><strong>Centro Oeste<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Total<\/strong><\/td>\n<td><strong>93915<\/strong><\/td>\n<td><strong>7417<\/strong><\/td>\n<td><strong>23688<\/strong><\/td>\n<td><strong>40673<\/strong><\/td>\n<td><strong>14723<\/strong><\/td>\n<td><strong>7414<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Agr\u00edcola<\/td>\n<td>13368<\/td>\n<td>1644<\/td>\n<td>5874<\/td>\n<td>2908<\/td>\n<td>2078<\/td>\n<td>864<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ind\u00fastria<\/td>\n<td>13161<\/td>\n<td>761<\/td>\n<td>2155<\/td>\n<td>6564<\/td>\n<td>2851<\/td>\n<td>830<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Constru\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>8218<\/td>\n<td>686<\/td>\n<td>2038<\/td>\n<td>3611<\/td>\n<td>1257<\/td>\n<td>625<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Com\u00e9rcio e repara\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>16688<\/td>\n<td>1321<\/td>\n<td>4223<\/td>\n<td>7147<\/td>\n<td>2558<\/td>\n<td>1439<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Transporte, armazenagem e comunica\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>5252<\/td>\n<td>361<\/td>\n<td>1068<\/td>\n<td>2585<\/td>\n<td>816<\/td>\n<td>422<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/td>\n<td>5178<\/td>\n<td>556<\/td>\n<td>1361<\/td>\n<td>2015<\/td>\n<td>658<\/td>\n<td>588<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e servi\u00e7os sociais<\/td>\n<td>9100<\/td>\n<td>687<\/td>\n<td>2185<\/td>\n<td>4226<\/td>\n<td>1287<\/td>\n<td>715<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Servi\u00e7os dom\u00e9sticos<\/td>\n<td>6355<\/td>\n<td>432<\/td>\n<td>1513<\/td>\n<td>3007<\/td>\n<td>871<\/td>\n<td>533<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outros servi\u00e7os coletivos, sociais e pessoais<\/td>\n<td>3748<\/td>\n<td>248<\/td>\n<td>846<\/td>\n<td>1825<\/td>\n<td>525<\/td>\n<td>304<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outras atividades<\/td>\n<td>8307<\/td>\n<td>360<\/td>\n<td>129<\/td>\n<td>4668<\/td>\n<td>1237<\/td>\n<td>747<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Atividades mal definidas<\/td>\n<td>69<\/td>\n<td>14<\/td>\n<td>20<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>5<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: PNAD, 2012<\/p>\n<p>O conjunto da classe trabalhadora do Pa\u00eds possui um perfil muito diferente do proletariado t\u00edpico do per\u00edodo fordista, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista da ocupa\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m em termos geracionais, de forma\u00e7\u00e3o escolar e profissional. Trata-se de um proletariado jovem, a grande maioria tem entre 18 e 35 anos. Al\u00e9m disso, \u00e9 um contingente com pelo menos o dobro dos anos de estudo dos trabalhadores do per\u00edodo de ascenso das lutas no final da d\u00e9cada de 70: mais de 60% desses trabalhadores t\u00eam acima de oito anos de estudo, ressaltando que 48,2% possuem mais de 11 anos de estudo (Tabela 6).<\/p>\n<p><strong>Tabela 6 \u2013 Popula\u00e7\u00e3o ativa com 15 anos e mais por anos de estudo<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1000 pessoas)<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td><strong>Norte<\/strong><\/td>\n<td><strong>Nordeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sudeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sul<\/strong><\/td>\n<td><strong>Centro Oeste<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Total<\/td>\n<td><strong>93915<\/strong><\/td>\n<td>7417<\/td>\n<td>23688<\/td>\n<td>40673<\/td>\n<td>14723<\/td>\n<td>7414<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sem instru\u00e7\u00e3o e menos de 1 ano<\/td>\n<td><strong>6247<\/strong><\/td>\n<td>679<\/td>\n<td>3169<\/td>\n<td>1493<\/td>\n<td>464<\/td>\n<td>441<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1 a 3 anos<\/td>\n<td><strong>6844<\/strong><\/td>\n<td>796<\/td>\n<td>2675<\/td>\n<td>2068<\/td>\n<td>838<\/td>\n<td>467<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>4 a 7 anos<\/td>\n<td><strong>19286<\/strong><\/td>\n<td>1615<\/td>\n<td>5122<\/td>\n<td>7623<\/td>\n<td>3501<\/td>\n<td>1426<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>8 a 10 anos<\/td>\n<td><strong>16152<\/strong><\/td>\n<td>1278<\/td>\n<td>3615<\/td>\n<td>7024<\/td>\n<td>2865<\/td>\n<td>1370<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>11 anos e mais<\/td>\n<td><strong>45260<\/strong><\/td>\n<td>3019<\/td>\n<td>9071<\/td>\n<td>22438<\/td>\n<td>7032<\/td>\n<td>3701<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: PNAD, 2012<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o importante para a reflex\u00e3o \u00e9 a seguinte: quase todo o proletariado atual iniciou sua atividade no mercado de trabalho no per\u00edodo de refluxo das lutas sociais, hegemonia do neoliberalismo e dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Partido dos Trabalhadores. Portanto, no per\u00edodo de ofensiva contra os direitos e garantias dos assalariados, fragmenta\u00e7\u00e3o do movimento sindical, coopta\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, apassivamento da luta de classes e difus\u00e3o ideol\u00f3gica da busca de solu\u00e7\u00f5es individuais para resolu\u00e7\u00e3o dos problemas dos trabalhadores. Trata-se de um proletariado que n\u00e3o passou pelas escolas da luta de classes e, dessa forma, n\u00e3o adquiriu ainda a experi\u00eancia do enfrentamento com o capital. Um dos reflexos dessa conjuntura \u00e9 o n\u00edvel de sindicaliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ocupada: mesmo levando em conta que nesse contingente estejam inclu\u00eddos os aut\u00f4nomos, empregadores e outras categorias n\u00e3o diretamente assalariadas, o resultado demonstra realmente um \u00edndice de sindicaliza\u00e7\u00e3o muito baixo: dos 93,9 milh\u00f5es de ocupados, apenas 16,7% s\u00e3o sindicalizados, enquanto 83,3% n\u00e3o t\u00eam v\u00ednculo associativo com os sindicatos (Tabela 7).<\/p>\n<p><strong>Tabela 7 \u2013 Popula\u00e7\u00e3o ativa, segundo associa\u00e7\u00e3o a um sindicato, 2012<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1000 pessoas)<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td><strong>Norte<\/strong><\/td>\n<td><strong>Nordeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sudeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sul<\/strong><\/td>\n<td><strong>Centro Oeste<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Total<\/td>\n<td><strong>93915<\/strong><\/td>\n<td>7417<\/td>\n<td>23688<\/td>\n<td>40673<\/td>\n<td>14723<\/td>\n<td>7414<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sindicalizados<\/td>\n<td><strong>15728<\/strong><\/td>\n<td>1080<\/td>\n<td>4507<\/td>\n<td>6237<\/td>\n<td>2914<\/td>\n<td>990<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>N\u00e3o sindicalizados<\/td>\n<td><strong>78188<\/strong><\/td>\n<td>6338<\/td>\n<td>19181<\/td>\n<td>34436<\/td>\n<td>11809<\/td>\n<td>8424<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: PNAD, 2012<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho da grande maioria do proletariado brasileiro s\u00e3o prec\u00e1rias e parcela importante desse contingente realiza uma jornada de trabalho onde n\u00e3o h\u00e1 nenhum respeito aos m\u00ednimos direitos j\u00e1 conquistados h\u00e1 mais de um s\u00e9culo pelos trabalhadores, como o descanso aos domingos e a semana de 40 horas. Cerca de um ter\u00e7o dos trabalhadores t\u00eam uma jornada de trabalho acima de 45 horas semanais. Para se compreender as dram\u00e1ticas condi\u00e7\u00f5es de trabalho de um imenso contingente de assalariados das grandes cidades, basta dizer que no com\u00e9rcio, nos <em>shoppings centers, <\/em>nos <em>call centers, <\/em>por exemplo, que envolvem algo em torno de 20 milh\u00f5es de assalariados, esses trabalhadores praticamente n\u00e3o t\u00eam vida pr\u00f3pria. Trabalham de domingo a domingo, num regime de escalas de flex\u00edveis, onde o dia de folga \u00e9 definido pelos interesses do capital, o que significa dizer que perderam completamente o controle da vida social junto \u00e0 fam\u00edlia, aos filhos ou aos amigos.<\/p>\n<p>Outro dos aspectos dram\u00e1ticos da vida do proletariado das grandes metr\u00f3poles \u00e9 a baixa remunera\u00e7\u00e3o, fato t\u00edpico da economia brasileira, especialmente a partir da implanta\u00e7\u00e3o da ditadura militar, quando esta implantou a ferro e fogo uma economia de baixos sal\u00e1rios, processo que viciou as classes dominantes, continuou no per\u00edodo democr\u00e1tico e se aprofundou no per\u00edodo do neoliberalismo. Cerca de 72% dos assalariados, representando um universo de 46,7 milh\u00f5es de trabalhadores, mais de dois ter\u00e7os da m\u00e3o-de-obra ocupada, ganham at\u00e9 3 sal\u00e1rios m\u00ednimos, ressaltando-se que 18,2 milh\u00f5es recebem apenas um sal\u00e1rio m\u00ednimo (Tabela 8). Os baixos sal\u00e1rios pagos na economia brasileira est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o aberta com o grau de desenvolvimento da economia brasileira, uma vez que no Brasil os empres\u00e1rios possuem uma das maiores taxas de lucro do mundo industrial, enquanto pagam tamb\u00e9m um dos menores sal\u00e1rios das economias industrializadas.<\/p>\n<p><strong>Tabela 8 \u2013 Empregados com 15 anos ou mais, segundo o rendimento mensal do trabalho principal<\/strong><\/p>\n<p><strong>(1000 pessoas)<\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Classes de rendimento mensal<\/strong><\/td>\n<td><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td><strong>Norte<\/strong><\/td>\n<td><strong>Nordeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sudeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sul<\/strong><\/td>\n<td><strong>Centro Oeste<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Total<\/strong><\/td>\n<td><strong>64683<\/strong><\/td>\n<td><strong>4332<\/strong><\/td>\n<td><strong>14140<\/strong><\/td>\n<td><strong>39651<\/strong><\/td>\n<td><strong>10143<\/strong><\/td>\n<td><strong>5417<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>At\u00e9 1 sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/td>\n<td>18269<\/td>\n<td>1706<\/td>\n<td>7792<\/td>\n<td>5735<\/td>\n<td>1755<\/td>\n<td>1280<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mais de 1 a 2 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/td>\n<td>20516<\/td>\n<td>1544<\/td>\n<td>4013<\/td>\n<td>13702<\/td>\n<td>4943<\/td>\n<td>2314<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mais de 2 a 3 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/td>\n<td>7934<\/td>\n<td>399<\/td>\n<td>863<\/td>\n<td>4355<\/td>\n<td>1617<\/td>\n<td>700<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mais de 3 a 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/td>\n<td>6189<\/td>\n<td>389<\/td>\n<td>753<\/td>\n<td>3418<\/td>\n<td>1086<\/td>\n<td>543<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mais de 5 a 10 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/td>\n<td>2843<\/td>\n<td>161<\/td>\n<td>357<\/td>\n<td>1565<\/td>\n<td>430<\/td>\n<td>330<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mais de 10 a 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/td>\n<td>940<\/td>\n<td>38<\/td>\n<td>122<\/td>\n<td>533<\/td>\n<td>126<\/td>\n<td>122<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Mais de 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/td>\n<td>250<\/td>\n<td>8<\/td>\n<td>25<\/td>\n<td>144<\/td>\n<td>31<\/td>\n<td>42<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sem rendimento<\/td>\n<td>27<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>6<\/td>\n<td>14<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>1<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: PNAD, 2012<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo do ponto de vista da legalidade trabalhista, cuja institucionalidade foi definida ainda no in\u00edcio dos anos 40 do s\u00e9culo passado, com a promulga\u00e7\u00e3o da CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho), a maioria dos trabalhadores brasileiros ainda est\u00e1 desprotegida: dos 64,7 milh\u00f5es de assalariados, somente 39,1 milh\u00f5es t\u00eam carteira assinada, enquanto 18,6 milh\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o garantidos pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e 7,0 s\u00e3o militares ou estatut\u00e1rios (Tabela 9). Outro dos reflexos dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que esses trabalhadores sem carteira assinada n\u00e3o recebem f\u00e9rias, 13\u00ba. sal\u00e1rio, FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o), al\u00e9m de outros direitos pagos aos trabalhadores com carteira assinada.<\/p>\n<p><strong>Tabela 9 \u2013 Trabalhadores de 15 anos e mais, com e sem carteira assinada <\/strong><\/p>\n<table border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td><strong>Norte<\/strong><\/td>\n<td><strong>Nordeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sudeste<\/strong><\/td>\n<td><strong>Sul<\/strong><\/td>\n<td><strong>Centro Oeste<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Total<\/td>\n<td><strong>64683<\/strong><\/td>\n<td>4332<\/td>\n<td>14140<\/td>\n<td>30651<\/td>\n<td>10143<\/td>\n<td>5417<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Com carteira de trabalho assinada<\/td>\n<td><strong>39096<\/strong><\/td>\n<td>1852<\/td>\n<td>6341<\/td>\n<td>20770<\/td>\n<td>6945<\/td>\n<td>3188<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Outros sem carteira assinada<\/td>\n<td><strong>18611<\/strong><\/td>\n<td>1765<\/td>\n<td>6092<\/td>\n<td>7016<\/td>\n<td>2231<\/td>\n<td>1508<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Militares e estatut\u00e1rios<\/td>\n<td><strong>6976<\/strong><\/td>\n<td>715<\/td>\n<td>1707<\/td>\n<td>2866<\/td>\n<td>967<\/td>\n<td>721<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: PNAD, 2012<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, esse proletariado tamb\u00e9m enfrenta uma mobilidade urbana angustiante, o que faz com que cada trabalhador leve cerca de quatro horas di\u00e1rias para ir e voltar ao trabalho. Quando o jovem prolet\u00e1rio estuda \u00e0 noite, o que acontece com cerca de seis milh\u00f5es de universit\u00e1rios, sua chegada em casa se d\u00e1 por volta de uma hora da madrugada. Dorme apenas quatro\/cinco horas, porque tem que acordar muito cedo para enfrentar o transporte ca\u00f3tico nos \u00f4nibus e metr\u00f4s lotados. Esse proletariado tamb\u00e9m se alimenta mal, porque o<em>vale alimenta\u00e7\u00e3o <\/em>que recebem das empresas, quando recebem, n\u00e3o \u00e9 suficiente para realizar uma refei\u00e7\u00e3o num restaurante.<\/p>\n<p>Ou seja, os trabalhadores das grandes metr\u00f3poles, enfrentam o caos urbano, a sa\u00fade prec\u00e1ria, ganham baixos sal\u00e1rios, se alimentam mal, dormem pouco e praticamente n\u00e3o t\u00eam lazer. Convivem diariamente com a viol\u00eancia policial e com uma classe dominante obtusa que ainda trata a quest\u00e3o social como um caso de pol\u00edcia. Vivendo nessas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 de espantar que as manifesta\u00e7\u00f5es de rua sejam marcadas por um elevado n\u00edvel de f\u00faria dos manifestantes, especialmente os jovens. N\u00e3o poderia ser de outra forma, afinal s\u00e3o anos e anos de ac\u00famulo de frustra\u00e7\u00f5es financeiras e sociais. A paci\u00eancia das pessoas tem limites.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os assalariados das grandes metr\u00f3poles todo dia s\u00e3o bombardeados pela propaganda na m\u00eddia, estimulando o consumo de grifes da moda e de um estilo de vida incompat\u00edvel com o sal\u00e1rio desses trabalhadores. Isso vai gerando necessidades e desejos fabricados artificialmente e novas frustra\u00e7\u00f5es cotidianas, pois tudo aquilo que \u00e9 oferecido pelo mercado, eles n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es financeiras de adquirir. Dessa forma, vai-se acumulando indigna\u00e7\u00e3o e revolta, que tanto pode ser expressa na busca de solu\u00e7\u00f5es individuais, inclusive na marginalidade, quanto em manifesta\u00e7\u00f5es explosivas, sem objetivos pol\u00edticos ainda claros contra o sistema. N\u00e3o se pode exigir de um proletariado jovem, sem experi\u00eancia de luta, e vivendo nessas condi\u00e7\u00f5es, que este tenha o mesmo comportamento de um militante experiente da esquerda. Isso explica em grande parte o que ocorreu nas manifesta\u00e7\u00f5es de junho e os constantes enfrentamentos espont\u00e2neos nos bairros contra a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Para se compreender a rela\u00e7\u00e3o entre o novo perfil do proletariado brasileiro, as grandes jornadas de lutas de junho e as outras manifesta\u00e7\u00f5es que vem se realizando pelo Pa\u00eds a fora, \u00e9 importante observarmos as pesquisa de opini\u00e3o que foram feitas no fogo dos acontecimentos de junho. O IBOPE (Instituto Brasileiro de Opini\u00e3o P\u00fablica) realizou duas pesquisas nacionais: uma para a TV Globo, que foi anunciada pelo programa <em>Fant\u00e1stico, <\/em>e outra para a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria. Al\u00e9m disso, outros dois institutos, o Inovare, em Belo Horizonte, a Clave de F\u00e1, no Rio de Janeiro, tamb\u00e9m realizaram pesquisas com os manifestantes, s\u00f3 que esses dois \u00faltimos com resultado para os respectivos Estados, o que proporciona mais detalhes sobre o perfil dos manifestantes e as motiva\u00e7\u00f5es que os levaram \u00e0s ruas.<\/p>\n<p>A pesquisa constatou que 75% da popula\u00e7\u00e3o apoiavam as manifesta\u00e7\u00f5es e que 78% dos manifestantes se organizaram atrav\u00e9s das redes sociais. Entre os manifestantes consultados, 96% n\u00e3o s\u00e3o filiados a nenhum partido pol\u00edtico, 83% n\u00e3o se sentem representados por nenhum partido. Outro dado importante \u00e9 o fato de que 46% dos manifestantes nunca tinham participado de manifesta\u00e7\u00f5es de protesto, 52% s\u00e3o estudantes e 43% t\u00eam ensino superior e menos de 24 anos. Segundo a pesquisa, 38% foram \u00e0s ruas para reivindicar melhorias no sistema de transporte, para outros 30% a motiva\u00e7\u00e3o foi pol\u00edtica e 12% em busca de melhores servi\u00e7os de sa\u00fade. Quem quiser influir na realidade tem que ficar atento a esta realidade, pois as novas manifesta\u00e7\u00f5es que j\u00e1 est\u00e3o ocorrendo t\u00eam a mesma base, que poder\u00e1 ser ampliada com a emerg\u00eancia em massa dos trabalhadores mais organizados no processo de luta.<\/p>\n<p><strong>Uma copa que n\u00e3o \u00e9 do povo <\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/brasil\/imagens\/blatter_dilma.jpg?w=747\" border=\"0\" \/>Num Pa\u00eds em que faltam hospitais, postos de sa\u00fade e o tr\u00e2nsito \u00e9 uma calamidade p\u00fablica, os gastos fara\u00f4nicos com a copa despertaram um sentimento muito cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o este evento, afinal 85% dessas despesas foram bancados pelo governo. N\u00e3o que as pessoas sejam contra a copa em si, mas contra o abuso das autoridades, o superfaturamento, a corrup\u00e7\u00e3o e a prioridade dos gastos. Para o senso comum, a compreens\u00e3o \u00e9 a seguinte: n\u00e3o tem dinheiro para a sa\u00fade nem para a educa\u00e7\u00e3o, mas tem dinheiro para construir est\u00e1dios e cada dia surge um novo esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o. Algo est\u00e1 errado com o sistema.<\/p>\n<p>De acordo com c\u00e1lculos do pr\u00f3prio governo, j\u00e1 foram gastos at\u00e9 agora cerca de R$ 25,6 bilh\u00f5es (U$ 12,8 bilh\u00f5es), mas esse n\u00famero est\u00e1 bastante subestimado. Outros \u00f3rg\u00e3os independentes afirmam que os gastos atingir\u00e3o R$ 40 bilh\u00f5es. No entanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 os gastos com a copa que enfurece a popula\u00e7\u00e3o. Um conjunto de outros problemas, ligados \u00e0 gan\u00e2ncia capitalista, \u00e0 arrog\u00e2ncia da FIFA e os superfaturamentos das obras da copa, \u00e0 repress\u00e3o policial v\u00eam adicionar mais lenha \u00e0 fogueira da insatisfa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>A copa intensificou o apetite da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, que se articulou para se apoderar das \u00e1reas pr\u00f3ximas aos est\u00e1dios, com o objetivo de construir hot\u00e9is e apartamentos de luxo. O governo, em alian\u00e7a com as grandes construtoras e corpora\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, intensificou os despejos e remo\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o pobre que morava nessas regi\u00f5es. Muitas favelas localizadas nessas \u00e1reas foram misteriosamente incendiadas para for\u00e7ar a sa\u00edda dos moradores. Os c\u00e1lculos dos <em>Comit\u00eas Populares da Copa <\/em>, uma das organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e1 promovendo as manifesta\u00e7\u00f5es, indicam que cerca de 250 mil pessoas foram expulsas dessas \u00e1reas nos entornos dos est\u00e1dios onde ser\u00e3o realizados os jogos, mediante violenta repress\u00e3o. Tornou-se um fato comum as for\u00e7as policiais expulsarem regi\u00f5es inteiras, com os tratores e retroescavadeiras, demolindo as casas das fam\u00edlias, policiais batendo em homens, mulheres e crian\u00e7as, cuja \u00fanica culpa era estar residindo pr\u00f3ximo aos est\u00e1dios onde ser\u00e3o realizados os jogos da copa do mundo e n\u00e3o querer sair de onde moram.<\/p>\n<p>Essas pessoas, expulsas violentamente de suas casas, est\u00e3o sendo levadas para regi\u00f5es muito distantes, onde os servi\u00e7os b\u00e1sicos, como transporte, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o mais prec\u00e1rios do que nos locais em que residiam originalmente. S\u00e3o milhares de fam\u00edlias desestruturadas, pois lhes roubaram o conv\u00edvio social que mantinham h\u00e1 anos com parentes e vizinhos e agora est\u00e3o jogadas \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Isso explica em grande parte o poder de mobiliza\u00e7\u00e3o e luta dos movimentos por moradia nas grandes metr\u00f3poles brasileiras, especialmente em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/brasil\/imagens\/expulsao3.jpg?w=747\" border=\"0\" \/>N\u00e3o bastasse essa viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o dos bairros pobres das grandes metr\u00f3poles, as pr\u00f3prias metr\u00f3poles se tornaram ref\u00e9ns da FIFA. Para satisfazer os interesses mercantilistas dos cartolas do futebol, o governo aprovou a <em>Lei Geral da Copa, <\/em>um conjunto de dispositivos legais que representam uma verdadeira interven\u00e7\u00e3o da FIFA no Pa\u00eds. Trata-se de leis de exce\u00e7\u00e3o, cujo objetivo \u00e9 garantir que a copa seja um neg\u00f3cio muito lucrativo para a FIFA, para os grandes patrocinadores da copa e um conjunto de corpora\u00e7\u00f5es empresariais que est\u00e3o recebendo verbas governamentais para construir est\u00e1dios e organizar os eventos.<\/p>\n<p>A <em>Lei Geral da Copa <\/em>\u00e9 uma excresc\u00eancia jur\u00eddica, um atentado \u00e0 soberania nacional e uma viola\u00e7\u00e3o aberta aos direitos e garantias da popula\u00e7\u00e3o. Praticamente transforma o Pa\u00eds num Estado de exce\u00e7\u00e3o durante a copa. Essa lei estabelece zonas de exclus\u00e3o de dois quil\u00f4metros no entorno dos est\u00e1dios, onde apenas os patrocinadores e empresas e estes ligadas podem comercializar qualquer tipo de produto &#8211; s\u00e3o as chamadas zonas limpas, de exclusividade da FIFA. Todo o com\u00e9rcio de rua est\u00e1 proibido nesses bantust\u00f5es futebol\u00edsticos. Em dias de jogos nas 12 cidades-sede da copa a circula\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis e pedestres \u00e9 limitada. Em cidades como Salvador e Rio de Janeiro os moradores do entorno receber\u00e3o &#8220;credenciais&#8221; para poder chegar e sair de casa. Foram criados novos tipos penais para enquadrar qualquer pessoa que usar os s\u00edmbolos da copa, sem autoriza\u00e7\u00e3o da FIFA. Al\u00e9m disso, a Uni\u00e3o se torna respons\u00e1vel por eventuais preju\u00edzos causados por fen\u00f4menos da natureza ou acidentes relacionados ao evento que venha prejudicar a FIFA e a pr\u00f3pria FIFA fica isenta de pagamento das custas judiciais.<\/p>\n<p>Esta tamb\u00e9m \u00e9 uma copa dos ricos, pois vai afastar o povo dos est\u00e1dios: o pre\u00e7o dos ingressos para as partidas de futebol \u00e9 proibitivo para o trabalhador. A euforia de ver a copa do mundo em seu pr\u00f3prio Pa\u00eds n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, pois a FIFA sequestrou a alegria da popula\u00e7\u00e3o. Transformou o futebol num neg\u00f3cio onde s\u00f3 os ricos podem usufruir. \u00c9 s\u00f3 ver o pre\u00e7o dos ingressos. Existem quatro categorias: os mais baratos, a <em>categoria 4 <\/em>, custar\u00e1 U$ 50; a <em>categoria 3 <\/em>, custar\u00e1 U$ 100; para quem quiser ingressos da <em>categoria 2 <\/em>, o pre\u00e7o \u00e9 de U$ 450; e a \u00faltima das categorias, a<em>categoria 1 <\/em>, os ingressos custar\u00e3o U$ 900. Trata-se de pre\u00e7os proibitivos para a absoluta maioria da popula\u00e7\u00e3o, que agora s\u00f3 poder\u00e1 assistir aos jogos pela televis\u00e3o. Mais uma frustra\u00e7\u00e3o que alimentar\u00e1 a revolta da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como o governo j\u00e1 tomou conhecimento do profundo descontentamento da popula\u00e7\u00e3o, preparou um aparato repressivo como se o Pa\u00eds estivesse em tempos de guerra. S\u00e3o milhares de soldados do Ex\u00e9rcito, da For\u00e7a Nacional e das Pol\u00edcias Militares, armados com o que h\u00e1 de mais moderno para ocupar as ruas e reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es. Os corpos policiais de choque, a vanguarda repressiva, parecem <em>robocops <\/em>tresloucados, com licen\u00e7a para jogar bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, g\u00e1s de pimenta, bombas de efeito moral, balas de borracha, prender arbitrariamente os manifestantes e atirar contra a popula\u00e7\u00e3o indefesa, como j\u00e1 aconteceu em junho. Esse contingente \u00e9 auxiliado por um corpo especial, a chamada <em>tropa ninja,<\/em>formada por centenas de lutadores de artes marciais, descaracterizados entre os manifestantes, cujo \u00fanico objetivo \u00e9 bater e dominar os manifestantes.<\/p>\n<p>Para dar uma fachada legal a essa repress\u00e3o, o governo aprovou uma portaria que define as regras para a garantia da lei e da ordem durante a copa, um verdadeiro <em>AI-5 padr\u00e3o FIFA <\/em>, que lembra os tempos mais sombrios da Lei de Seguran\u00e7a Nacional e da ditadura. Essa portaria trata todos os manifestantes como <em>inimigos internos <\/em>e os iguala a <em>membros de quadrilha <\/em>. Al\u00e9m disso, prev\u00ea longas penas para os manifestantes que interditarem vias p\u00fablicas, fecharem avenidas, realizarem greves. Trata-se de uma lei de exce\u00e7\u00e3o que suspende garantias e direitos previstos na pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o. Todo isso est\u00e1 sendo realizado pelo governo do Partido dos Trabalhadores e de sua base aliada para garantir a mercantiliza\u00e7\u00e3o do futebol, os lucros do grande capital e da FIFA.<\/p>\n<p><strong>A revolta latente, que come\u00e7a a aparecer de novo nas ruas <\/strong><\/p>\n<p>Como se pode observar, o conjunto de contradi\u00e7\u00f5es que envolvem a sociedade brasileira, bem como a insatisfa\u00e7\u00e3o popular que vem se gestando entre a popula\u00e7\u00e3o, est\u00e3o chegando \u00e0 superf\u00edcie ap\u00f3s um longo processo de amadurecimento. O Brasil atualmente pode ser comparado a uma grande panela de press\u00e3o prestes a explodir, especialmente com a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo e das elei\u00e7\u00f5es. O respeito espont\u00e2neo \u00e0 ordem, a obedi\u00eancia consentida das grandes massas e a coes\u00e3o social imposta pela disciplina do capital est\u00e1 se deteriorando rapidamente. Cada vez mais se constata uma impaci\u00eancia generalizada da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao poder p\u00fablico e uma f\u00faria em rela\u00e7\u00e3o a tudo que \u00e9 ligado \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, tanto p\u00fablicas quanto privadas, uma vez que o modelo econ\u00f4mico e social imposto ao Brasil nestas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas obstruiu os canais de express\u00e3o social, de representa\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es populares. Portanto, a Copa do Mundo \u00e9 apenas o elemento catalisador dessa revolta latente da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Pa\u00eds do futebol, onde esse esporte \u00e9 uma paix\u00e3o nacional, recentes pesquisas indicam que mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o critica a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo e os gastos astron\u00f4micos realizados com a constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios e outras obras ligadas ao evento, al\u00e9m do fato de que 66% acham que a copa vai trazer mais preju\u00edzos que benef\u00edcios para a popula\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um dado que nunca se constatou em nenhum momento da hist\u00f3ria do Brasil, pois o povo brasileiro ama o futebol, adora a &#8220;sele\u00e7\u00e3o canarinho&#8221;. Nos per\u00edodos de copa do mundo \u00e9 comum as pessoas pintarem as ruas e as paredes das casas com a bandeira brasileira; cria-se um clima de alegria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sele\u00e7\u00e3o. Mas isso agora n\u00e3o est\u00e1 acontecendo: \u00e0s v\u00e9speras do in\u00edcio da copa s\u00e3o raras as casas e ruas pintadas e tamb\u00e9m n\u00e3o existe clima de euforia entre a popula\u00e7\u00e3o. Isso porque as demandas reprimidas e o desleixo das autoridades p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es populares mudaram a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre a realiza\u00e7\u00e3o da copa no Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode deixar de incluir outros motivos para a insatisfa\u00e7\u00e3o popular. Elementos econ\u00f4micos e sociais v\u00e3o se tornando cada vez mais claros para a popula\u00e7\u00e3o. Como se pode explicar um Pa\u00eds que possui a s\u00e9tima economia do mundo, mais de 50 milh\u00f5es de pessoas vivem na mis\u00e9ria, recebendo migalhas dos programas de compensa\u00e7\u00e3o social? Como se pode entender um Pa\u00eds que possui terra e \u00e1gua em abund\u00e2ncia, sol o ano inteiro, praticamente todas as mat\u00e9rias-primas necess\u00e1rias \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, com uma carga tribut\u00e1ria de 34% do PIB, tenha servi\u00e7os p\u00fablicos, como educa\u00e7\u00e3o sa\u00fade e saneamento, t\u00e3o prec\u00e1rios como os pa\u00edses mais pobres do mundo. Como se pode explicar a perversa distribui\u00e7\u00e3o de renda, na qual os 10% mais ricos possuem 42,5% da renda e os 50% mais pobres possuem menos renda que os 5% mais ricos? Essa \u00e9 a base material na qual perpassa a insatisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e a copa \u00e9 apenas o pretexto que as pessoas encontraram para demonstrar sua indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os primeiros sintomas dessa revolta latente vieram \u00e0 tona com as manifesta\u00e7\u00f5es de junho, cujo processo abriu um novo ciclo de lutas sociais no Brasil. Milh\u00f5es de jovens prolet\u00e1rios debutaram na luta de classes e colocaram novamente as ruas como o palco das mudan\u00e7as. Essas manifesta\u00e7\u00f5es, por serem basicamente espont\u00e2neas, n\u00e3o tinham um objetivo claro, nem uma orienta\u00e7\u00e3o anticapitalista. Refletiam apenas a indigna\u00e7\u00e3o do povo contra a ordem estabelecida. Mas foram capazes de mudar a psicologia das massas e todo um discurso de que o Pa\u00eds estava bem. Com as lutas de junho a popula\u00e7\u00e3o perdeu o medo de se manifestar e aprendeu que somente com a luta se pode obter conquistas, a exemplo da revoga\u00e7\u00e3o do aumento das passagens, que foi o estopim das manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013.<\/p>\n<p>\u00c9 importante enfatizar que as lutas populares n\u00e3o pararam com o ciclo aberto em junho. Mudaram apenas de palco e de forma. Em vez de multid\u00f5es nas ruas, passaram a ocorrer nos bairros, nas ocupa\u00e7\u00f5es urbanas e rurais, nos confrontos com a pol\u00edcia, nas manifesta\u00e7\u00f5es contra os prec\u00e1rios servi\u00e7os p\u00fablicos. At\u00e9 mesmo os alagamentos s\u00e3o motivos para a popula\u00e7\u00e3o se manifestar, especialmente nas grandes metr\u00f3poles. Pode-se constatar claramente um esgar\u00e7amento do tecido social, pois a luta popular passou a conter um elemento de viol\u00eancia muito acentuado. Qualquer motivo \u00e9 suficiente para contestar a ordem ou fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Tornou-se uma rotina a viol\u00eancia durante as manifesta\u00e7\u00f5es dos bairros da periferia.<\/p>\n<p>Diariamente, em alguma regi\u00e3o das grandes cidades, a popula\u00e7\u00e3o enfrenta a pol\u00edcia, fecha ruas e avenidas, queima \u00f4nibus (s\u00f3 em S\u00e3o Paulo este ano foram queimados 80 \u00f4nibus), depreda trens e metr\u00f4, saqueia lojas e supermercados, ocupa pr\u00e9dios abandonados e terrenos urbanos. At\u00e9 mesmo os adolescentes da periferia encontraram uma forma de protestar, com os chamados &#8220;rolezinhos&#8221;, movimento no qual a juventude adolescente da periferia vai aos milhares aos <em>shopping centers <\/em>para se encontrar e se divertir. Nesses templos do consumo, esses jovens da periferia n\u00e3o s\u00e3o benvindos, pois seu jeito de vestir, sua linguagem e comportamento diferente dos frequentadores das lojas causam medo aos propriet\u00e1rios, que chamam a pol\u00edcia para reprimir duramente os adolescentes ou ent\u00e3o fecham os estabelecimentos quando t\u00eam not\u00edcia de que os &#8220;rolezinhos&#8221; ser\u00e3o realizados naqueles shoppings.<\/p>\n<p>Todavia, \u00e9 importante ressaltar que essas lutas ainda s\u00e3o bastante fragmentadas e representam basicamente uma resposta espont\u00e2nea \u00e0 brutalidade com que a pol\u00edcia trata a popula\u00e7\u00e3o da periferia e um protesto em fun\u00e7\u00e3o do desprezo com que o povo \u00e9 tratado pelas autoridades governamentais. Mas em cada luta h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o difusa de que as coisas n\u00e3o podem mais continuar como est\u00e3o, que \u00e9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a urgente. Esse sentimento difuso, quando se torna generalizado, como come\u00e7a a ocorrer atualmente, qualquer pretexto \u00e9 suficiente para a luta social. Em outras palavras, a luta de classes tamb\u00e9m est\u00e1 mudando de patamar no Brasil, para desespero das classes dominantes, antes acostumadas ao mito de que o povo brasileiro era pac\u00edfico e ordeiro e que procurava exorcizar sua indigna\u00e7\u00e3o no samba, no futebol e no carnaval.<\/p>\n<p>Na segunda metade do m\u00eas de maio, \u00e0s v\u00e9speras da realiza\u00e7\u00e3o da copa do mundo, o movimento social ganhou um novo personagem: a entrada dos trabalhadores organizados na luta. Vale ressaltar que lutas organizadas dos trabalhadores j\u00e1 vinham ocorrendo depois de junho de 2013, s\u00f3 que ainda de forma embrion\u00e1ria, como ocorreu no caso da greve vitoriosa dos garis no Rio de Janeiro, em pleno carnaval, na greve dos trabalhadores do Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro (cujas assembl\u00e9ias chegaram a reunir 20 mil trabalhadores) ou dos rodovi\u00e1rios de Porto Alegre. Todas essas greves mantiveram um mesmo padr\u00e3o: foram realizadas \u00e0 revelia dos sindicatos pelegos, que tudo fizeram para desmobilizar o movimento, inclusive se aliando com o governo, os patr\u00f5es e a pol\u00edcia para derrotar o movimento.<\/p>\n<p>Agora mesmo, a menos de um m\u00eas da inaugura\u00e7\u00e3o da copa, uma onde de manifesta\u00e7\u00f5es e greves se espalha por todo o Pa\u00eds. Est\u00e3o atualmente em greve os professores da rede municipal de S\u00e3o Paulo, os professores da rede municipal e estadual do Rio de Janeiro, professores universit\u00e1rios. Os motoristas de \u00f4nibus de S\u00e3o Paulo e das cidades metropolitanas tamb\u00e9m cruzaram os bra\u00e7os, assim como motoristas de v\u00e1rias cidades do Pa\u00eds; os policiais militares da Bahia tamb\u00e9m realizaram greve este m\u00eas, assim como os policiais civis de 13 estados brasileiros. Est\u00e3o programadas ainda um conjunto de novas greves de v\u00e1rias categorias, o que promete um junho com muita luta, justamente no primeiro anivers\u00e1rio das grandes manifesta\u00e7\u00f5es do ano passado. No dia 15 de maio ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es em 12 estados contra a copa, e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) vem fustigando diariamente o governo, com ocupa\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios, terrenos urbanos, bem como ocupa\u00e7\u00f5es das sedes de grandes empreiteiras respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios e obras de infraestrutura dos eventos.<\/p>\n<p>Um novo tipo de greve tamb\u00e9m ocorreu em S\u00e3o Paulo, quando os motoristas de \u00f4nibus da cidade realizaram uma <em>greve surpresa <\/em>, um dia ap\u00f3s a assinatura de acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores e o Sindicato patronal. Acontece que este \u00e9 mais um sindicato pelego atropelado pelas bases, pois mesmo sem apoio de ningu\u00e9m os trabalhadores pararam por dois dias a cidade de S\u00e3o Paulo, deixando em desespero tanto o sindicato patronal quanto o sindicato pelego, a pol\u00edcia e as autoridades governamentais. A greve de base, que pegou todos de surpresa, teve a ades\u00e3o da maioria absoluta da categoria, mas nem as autoridades nem a pol\u00edcia tinham id\u00e9ia de quem eram os l\u00edderes ou interlocutores.<\/p>\n<p>Como sempre ocorre nesses epis\u00f3dios, o prefeito de S\u00e3o Paulo, do PT, veio a p\u00fablico dizer que n\u00e3o entendia as raz\u00f5es do movimento, que esse tipo de greve sem aviso era inadmiss\u00edvel, que os grevistas se comportaram como sabotadores, que usaram t\u00e1ticas de guerrilha. Nesta greve, os motoristas param os \u00f4nibus nos terminais, levam as chaves e inviabilizam a circula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m enfileiraram os \u00f4nibus nas grandes avenidas, que ficam interditadas, sem condi\u00e7\u00f5es para o tr\u00e1fego. O ir\u00f4nico dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o apavoramento das autoridades, que n\u00e3o conseguiam reprimir os grevistas porque estes aparentemente n\u00e3o tinham lideran\u00e7as vis\u00edveis, n\u00e3o realizaram piquetes e nem apresentaram uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es, a n\u00e3o ser algumas entrevistas de motoristas criticando o acordo feito pelo sindicato pelego. S\u00e3o as novas formas de luta da luta de classe no Brasil.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia da luta social no Brasil \u00e9 se acirrar \u00e0 medida em que a copa se aproxima. V\u00e3o se ampliar as manifesta\u00e7\u00f5es de rua, bem como as greves dos trabalhadores, pois raz\u00f5es \u00e9 que n\u00e3o faltam para as pessoas protestarem. Pode-se mesmo dizer que articula-se nos subterr\u00e2neos sociais, sem que as pessoas percebam, um processo de desobedi\u00eancia civil, nesse momento estimulada apenas pela f\u00faria e a indigna\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Essas lutas t\u00eam um imenso potencial para evoluir a um patamar mais organizado de interven\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida em que as for\u00e7as de esquerda revolucion\u00e1ria forem ganhando espa\u00e7o entre os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o est\u00e1 descartado que no bojo das lutas sociais que se iniciaram com as manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013 e que se consolidarem com as manifesta\u00e7\u00f5es e greves de maio e junho de 2014, abra-se um espa\u00e7o privilegiado para a constru\u00e7\u00e3o de uma greve geral com uma plataforma de mudan\u00e7as que coloque em quest\u00e3o os principais postulados do atual modelo econ\u00f4mico e social brasileiro.<\/p>\n<p>Diante de uma conjuntura dessa ordem, cabe \u00e0s for\u00e7as revolucion\u00e1rias contribu\u00edrem com sua experi\u00eancia para ajudar a organizar os trabalhadores j\u00e1 organizados em sindicatos e nas principais entidades dos movimentos sociais, organizar os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o ainda desorganizada e buscar um processo de constru\u00e7\u00e3o de uma contra-hegemonia anticapitalista, capaz de construir um outro rumo para o Pa\u00eds e de atender as principais demandas populares.<\/p>\n<p>[1] Estamos assumindo aqui o conceito amplo de proletariado como todos aqueles que s\u00e3o obrigados a vender sua for\u00e7a de trabalho para sobreviver, que tem contradi\u00e7\u00f5es com o capital ismo e que n\u00e3o s\u00e3o funcion\u00e1rios do capital. \u00c9 bem verdade que ainda existe uma diferencia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre os trabalhadores ligados diretamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e os outros trabalhadores, mas o capitalismo globalizado est\u00e1 aproximando cada vez mais o conjunto dos assalariados, em fun\u00e7\u00f5es de suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>[NR] No Brasil chamam de renda a qualquer esp\u00e9cie de rendimento, inclusive os salariais.<\/p>\n<table border=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong><a href=\"http:\/\/resistir.info\/brasil\/edmilson_em_lisboa.html\" target=\"_blank\"><\/a> <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o: Resistir.info disp\u00f5e de alguns exemplares de &#8220;A crise econ\u00f3mica mundial, a globaliza\u00e7\u00e3o e o Brasil&#8221;, de Edmilson Costa (287 pg., ed. ICP). Custa 15 euros (porte incluido). Os interessados poder\u00e3o transferir essa quantia para o NIB 003601689910004600741 e a seguir informar (com nome\/morada) para o email resistir[arroba]<a href=\"http:\/\/resistir.info\" target=\"_blank\">resistir.info<\/a>.<\/p>\n<p> <\/strong> <\/p>\n<p><strong>[*] Doutorado em economia pela Universidade Estadual de Campinas, com p\u00f3s-doutoramento no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da mesma institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 autor, entre outros, de <em>A globaliza\u00e7\u00e3o e o capitalismo contempor\u00e2neo <\/em>(Express\u00e3o Popular, 2009), <em>A crise econ\u00f4mica mundial, a globaliza\u00e7\u00e3o e o Brasil <\/em>(Edi\u00e7\u00f5es ICP, 2013). Al\u00e9m de professor universit\u00e1rio, \u00e9 diretor de pesquisa do Instituto Caio Prado Junior, um dos editores da revistas <em>Novos Temas <\/em>e membro do Comit\u00ea Central do PCB. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6290\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-6290","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Ds","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6290"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6290\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}