{"id":6358,"date":"2014-06-26T21:37:31","date_gmt":"2014-06-26T21:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6358"},"modified":"2016-06-05T16:53:39","modified_gmt":"2016-06-05T19:53:39","slug":"nota-conjunta-do-partido-comunista-brasileiro-pcb-e-esquerda-marxista-em-cmi-todo-apoio-militante-aos-antifascistas-ucranianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6358","title":{"rendered":"Nota conjunta do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e Esquerda Marxista (EM-CMI) &#8211; Todo apoio militante aos antifascistas ucranianos"},"content":{"rendered":"<p>Como na chamada \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Laranja\u201d de 2004, a fra\u00e7\u00e3o oligarca pr\u00f3-imperialismos americano e europeu derrubou o governo da outra fra\u00e7\u00e3o ligada ao capitalismo russo. Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque o governo de Viktor Yanukovych era um governo corrupto e autorit\u00e1rio. Sua pol\u00edtica de centralizar o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico em torno de sua fam\u00edlia levou n\u00e3o s\u00f3 a que os demais oligarcas abandonassem sua fra\u00e7\u00e3o e passassem \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, buscando a aproxima\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia, para assegurar seus privil\u00e9gios, como provocou a insatisfa\u00e7\u00e3o popular.<!--more--><\/p>\n<p>Com os recursos financeiros do imperialismo ocidental e o seu controle sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o e os grupos fascistas conseguiram canalizar a insatisfa\u00e7\u00e3o popular na parte ocidental da Ucr\u00e2nia para o golpe de Estado, ganhando a opini\u00e3o p\u00fablica dessa parte do pa\u00eds para o apoio ao Tratado de Associa\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia (UE), apesar do real significado deste ser a desindustrializa\u00e7\u00e3o, o desemprego em massa, a redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e a piora das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>As mil\u00edcias fascistas foram fundamentais para a vit\u00f3ria da fra\u00e7\u00e3o oligarca da oposi\u00e7\u00e3o. Foram respons\u00e1veis pela manipula\u00e7\u00e3o dos fatos, realizando ataques a militantes da pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o e utilizando franco-atiradores contra as manifesta\u00e7\u00f5es para reverter o acordo oferecido pelo governo russo e justificar o uso de suas t\u00e1ticas violentas, sendo diretamente respons\u00e1veis pelo sangue derramado em Kiev.<\/p>\n<p>Preocupados com a possibilidade de perder o controle do processo, os imperialistas europeus buscaram logo um acordo com o governo russo e o governo de Yanukovich e anunciaram no dia 21 de fevereiro um acordo que previa um governo de coaliz\u00e3o, elei\u00e7\u00f5es antecipadas e o retorno \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 2004, diminuindo assim o poder presidencial.<\/p>\n<p>No entanto, a extrema-direita e as mil\u00edcias fascistas, ligadas diretamente ao governo americano, deram o golpe no dia seguinte, expulsando Yanukovich do poder. Dessa forma, ocorria mais uma converg\u00eancia de interesses: o interesse americano em impedir uma reaproxima\u00e7\u00e3o entre Berlim e Moscou e os fascistas, que buscavam ascender ao poder. Com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Washington e pela primeira vez desde a derrota do nazifascismo na Segunda Guerra Mundial, um partido fascista t\u00edpico participava de um governo em Kiev. O novo governo interino iniciou sua escalada de viol\u00eancia, restringindo a l\u00edngua russa, perseguindo os partidos de esquerda e o antigo partido governante, baseado principalmente nas zonas leste e sul do pa\u00eds, compostas majoritariamente por russos \u00e9tnicos.<\/p>\n<p>Os fascistas do Svoboda e do Setor Direita ocuparam os principais postos no aparato repressivo, conseguindo legalizar a incorpora\u00e7\u00e3o de suas mil\u00edcias numa nova for\u00e7a militar, a Guarda Nacional. Ap\u00f3s sucessivas agress\u00f5es aos parlamentares e militantes comunistas, ateando fogo \u00e0 casa do l\u00edder do Partido Comunista Ucraniano e \u00e0s suas sedes e, por fim, expulsando seus deputados do parlamento. Tanto o PCU como o Borotba (organiza\u00e7\u00e3o de esquerda revolucion\u00e1ria) foram for\u00e7ados a entrar na clandestinidade para sobreviver e precisaram se deslocar para Leste.<\/p>\n<p>Com a ascens\u00e3o fascista, as medidas de repress\u00e3o \u00e0s minorias russas e as medidas antipopulares impostas pelo FMI e as pot\u00eancias ocidentais, como o aumento do pre\u00e7o de g\u00e1s para as resid\u00eancias em 50% e o corte pela metade das pens\u00f5es, levaram ao come\u00e7o da resist\u00eancia na zona oriental da Ucr\u00e2nia. Organizaram-se mil\u00edcias antifascistas, que promoveram a tomada dos centros de poder local e a expropria\u00e7\u00e3o das armas da pol\u00edcia e do ex\u00e9rcito. As tropas enviadas por Kiev para reprimir a resist\u00eancia popular foram repelidas pelas massas e muitos militares desertaram, entregando seus tanques e armamentos, ou mudaram de lado.<\/p>\n<p>A Guarda Nacional e os batalh\u00f5es volunt\u00e1rios de fascistas, ajudados por mercen\u00e1rios pagos pelos oligarcas locais se tornaram a for\u00e7a de ataque principal do governo golpista, espalhando o terror, como no massacre de Odessa no dia 2 de maio, onde foram mortos quarenta antifascistas, entre militantes do PCU e do Borotba, e mesmo crian\u00e7as, todos queimados vivos.<\/p>\n<p>A luta antifascista nessas regi\u00f5es, sem um partido que colocasse a quest\u00e3o claramente do ponto de vista marxista de unidade da classe oper\u00e1ria ucraniana e da luta contra o governo de Kiev, acabou por se expressar deformadamente nos referendos que votaram a independ\u00eancia da Crimeia e sua incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia (no dia 16 de mar\u00e7o) e a forma\u00e7\u00e3o das Rep\u00fablicas Populares de Donestk e Lugansk (em 11 de maio), que depois constitu\u00edram o novo Estado Federal de Novorossyia. Essas regi\u00f5es congregam o principal da ind\u00fastria da Ucr\u00e2nia, e \u00e9 onde est\u00e1 o grosso da classe oper\u00e1ria. Esta, capitaneada pelos mineiros, ao ficar claro o car\u00e1ter fascista dos golpistas, passou \u00e0 vanguarda da luta antifascista. A revolu\u00e7\u00e3o antifascista tende a se tornar antiolig\u00e1rquica, pois todos os oligarcas da Ucr\u00e2nia Oriental, inclusive o mais rico deles, Rinat Akhmetov, passaram para o lado de Kiev. Medidas de expropria\u00e7\u00e3o j\u00e1 foram j\u00e1 anunciadas pelos insurgentes.<\/p>\n<p>Apesar da forte mobiliza\u00e7\u00e3o popular, a grande imprensa internacional tenta esconder os fatos, com uma campanha de desinforma\u00e7\u00e3o, chamando os militantes antifascistas de \u201cpr\u00f3-russos\u201d e \u201cagentes russos\u201d. Usam, para isso, imagens de bandeiras russas em meio aos militantes. Estas n\u00e3o representam, no entanto, um desejo de serem anexados pela R\u00fassia, mas a afirma\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9tnica sob ataque, e s\u00e3o minorit\u00e1rias em meio \u00e0s antigas bandeiras sovi\u00e9ticas e das pr\u00f3prias rep\u00fablicas regionais. O que estes militantes populares querem \u00e9 o fim das organiza\u00e7\u00f5es fascistas e de suas mil\u00edcias, da ofensiva genocida realizada por Kiev. E defendem o seu direito \u00e0 l\u00edngua e \u00e0 cultura pr\u00f3pria e, acima de tudo, seu direito a existirem.<\/p>\n<p>No dia 25 de maio, ocorreram as elei\u00e7\u00f5es presidenciais ucranianas, com a elei\u00e7\u00e3o do bilion\u00e1rio Petro Poroshenko, que j\u00e1 iniciou a ofensiva militar contra a popula\u00e7\u00e3o insurgente do Leste da Ucr\u00e2nia. \u00c9 poss\u00edvel que Moscou venha a aceitar a nova ordem e a negociar com o novo presidente uma nova forma de relacionamento com a R\u00fassia. Os oligarcas que comandam a R\u00fassia certamente temem a continuidade da luta do do movimento oper\u00e1rio e antifascista na Ucr\u00e2nia, pois estes amea\u00e7am seus interesses e podem questionar o seu poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, assim como recolocar a quest\u00e3o da propriedade social cujo fim com a restaura\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 a origem da crise de desagrega\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O PCB e a Esquerda Marxista, seguindo a pol\u00edtica leninista de defesa da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos e a luta oper\u00e1ria contra o fascismo, pela reconquista da propriedade social, exigem o fim de toda inger\u00eancia imperialista europeia e norte americana, assim como do governo capitalista de Moscou, na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Fora a opress\u00e3o imperialista e a manipula\u00e7\u00e3o dos povos. S\u00f3 a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo trabalhador e uma verdadeira pol\u00edtica marxista revolucion\u00e1ria podem resolver a trag\u00e9dia organizada pelo imperialismo e pelo capitalismo na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O PCB e a Esquerda Marxista apoiam integralmente a resist\u00eancia antifascista e a luta pela derrubada do governo de Kiev travada pelo PCU, Borotba e demais organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e de esquerda. Nossas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam ilus\u00f5es a respeito de qualquer do imperialismo. Nada de bom pode sair para a classe trabalhadora ucraniana dos acordos imperialistas. S\u00f3 a mobiliza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores pode derrotar o governo do FMI-EUA-UE e dos fascistas que hoje domina Kiev.<\/p>\n<p>Conclamamos os trabalhadores de todos os pa\u00edses a manifestar solidariedade ao movimento antifascista, em defesa do PCU e de Borotba, em defesa do direito de reuni\u00e3o, manifesta\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, hoje esmagadas pelo governo pr\u00f3 imperialista de Kiev.<\/p>\n<p>Conclamamos as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e antifascistas do Brasil e do mundo a protestar contra o governo de Kiev e demonstrar solidariedade com os militantes e organiza\u00e7\u00f5es atacadas na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>Nem guerra entre os povos, nem paz entre as classes!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Unidade da classe oper\u00e1ria e da juventude para derrotar o governo imperialista e fascista em Kiev!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pelo fim imediato da ofensiva genocida de Kiev contra o povo da Ucr\u00e2nia Oriental!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pelo direito ao uso da l\u00edngua e das culturas das minorias nacionais oprimidas e pelo seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Contra a persegui\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores! Mais nenhum ataque ao Partido Comunista da Ucr\u00e2nia e ao Borotba!<\/strong><\/p>\n<p><strong>25\/06\/2014<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esquerda Marxista<\/strong><\/p>\n<p><strong>Partido Comunista Brasileiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Partido Comunista Brasileiro e Esquerda Marxista\nO Partido Comunista Brasileiro e a Esquerda Marxista t\u00eam acompanhado com preocupa\u00e7\u00e3o os fatos que se desenrolam na Ucr\u00e2nia. \u00c9 mais um cap\u00edtulo da intromiss\u00e3o imperialista no pa\u00eds e da luta entre fra\u00e7\u00f5es olig\u00e1rquicas que marcam a hist\u00f3ria ucraniana desde sua separa\u00e7\u00e3o da URSS. Estes oligarcas emergiram como for\u00e7a dominante ao se apropriar, atrav\u00e9s de manobras e privatiza\u00e7\u00f5es escusas, do patrim\u00f4nio constru\u00eddo com muito sacrif\u00edcio pelo povo sovi\u00e9tico. Suas a\u00e7\u00f5es levaram o pa\u00eds \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual, \u00e0 beira da bancarrota econ\u00f4mica e social.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6358\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26,125],"tags":[],"class_list":["post-6358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb","category-c138-ucrania"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Ey","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}