{"id":64,"date":"2010-01-07T01:57:26","date_gmt":"2010-01-07T01:57:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=64"},"modified":"2010-01-07T01:57:26","modified_gmt":"2010-01-07T01:57:26","slug":"a-batalha-de-kursk-e-a-falsificacao-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/64","title":{"rendered":"A Batalha de Kursk e a falsifica\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p>As comemora\u00e7\u00f5es do desembarque anglo\u2013americano na Normandia, em Junho de 44, serviram mais uma vez de pretexto para uma campanha de falsifica\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria de dimens\u00e3o planet\u00e1ria. Este ano, pela primeira vez, at\u00e9 a Alemanha, o pa\u00eds vencido, se fez representar atrav\u00e9s da chanceler Angela Merkel.<\/p>\n<p>De Obama a Brown, com passagem por Sarkozy, os l\u00edderes do Ocidente repetiram que a batalha da Normandia foi n\u00e3o s\u00f3 decisiva para a vit\u00f3ria sobre o nazismo como o maior acontecimento militar da hist\u00f3ria. Todos estavam conscientes de que mentiam.<\/p>\n<p>Da contribui\u00e7\u00e3o da URSS para o esmagamento do III Reich n\u00e3o se falou praticamente.<\/p>\n<p>\u00c9 significativo que os historiadores militares norte\u2013americanos e brit\u00e2nicos, com rar\u00edssimas excep\u00e7\u00f5es, desconhe\u00e7am nas suas obras a batalha de Kursk ou se limitem a breves refer\u00eancias.<\/p>\n<p>A omiss\u00e3o n\u00e3o resulta de ignor\u00e2ncia. Tornar p\u00fablica a verdade sobre Kursk pulverizaria os mitos forjados por Hollywood sobre a participa\u00e7\u00e3o dos EUA na II Guerra e arrancaria a m\u00e1scara \u00e0 moderna historiografia norte-americana, tirando-lhe credibilidade.<\/p>\n<p>Kursk foi pelos efectivos e armamentos nela empenhados a maior batalha da Hist\u00f3ria. Nela participaram 4.155.000 sovi\u00e9ticos e alem\u00e3es. A fase defensiva e a ofensiva somadas duraram escassas semanas (Stalinegrado prolongou-se por sete meses). Mas os meios utilizados \u2013 69.000 canh\u00f5es, 13.200 tanques e canh\u00f5es de propuls\u00e3o e 11.950 avi\u00f5es \u2013 superam de longe o total dos equipamentos b\u00e9licos terrestres e a\u00e9reos mobilizados por americanos e japoneses durante os quase quatro anos da Guerra no Pacifico [1].<\/p>\n<p>A batalha de Kursk mudou o rumo da guerra. O Ex\u00e9rcito Vermelho retomou ali a iniciativa e passou \u00e0 ofensiva para a manter at\u00e9 a tomada do Reichstag, em Berlim, em Maio de 45, que ficou a assinalar a capitula\u00e7\u00e3o incondicional da Alemanha nazi.<\/p>\n<p>Julgo \u00fatil esbo\u00e7ar para o povo portugu\u00eas muito resumidamente o quadro em que ocorreu a gigantesco confronto de Kursk e alguns factos e situa\u00e7\u00f5es que os historiadores ocidentais \u2013 incluindo os da Alemanha Federal \u2013 t\u00eam omitido nas suas obras.<\/p>\n<p>Em Fevereiro e Mar\u00e7o de 1943, quando o Ex\u00e9rcito Vermelho deteve o movimento ofensivo iniciado ap\u00f3s o aniquilamento e capitula\u00e7\u00e3o em Stalinegrado do VI Ex\u00e9rcito Alem\u00e3o de Von Paulus, a Wehrmacht desencadeou uma contra-ofensiva que lhe permitiu reocupar na Regi\u00e3o Centro\u2013Sul, entre outras, as cidades de Karkhov, Orel e Bielgorod.<\/p>\n<p>Formou-se assim naquela \u00e1rea, quando a Frente se estabilizou no in\u00edcio da Primavera, aquilo a que se chamou o Saliente de Kursk, um territ\u00f3rio quase quadrado, com uma dimens\u00e3o equivalente \u00e0 da B\u00e9lgica, que entrava como uma cunha pelas linhas alem\u00e3s.<\/p>\n<p>Consciente da import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do Saliente, o Estado-Maior General Sovi\u00e9tico (EMGS) come\u00e7ou a acumular na retaguarda poderosas for\u00e7as com a inten\u00e7\u00e3o de desencadear uma grande ofensiva no in\u00edcio do Ver\u00e3o. Durante o Inverno a ind\u00fastria de guerra sovi\u00e9tica ultrapassara pela primeira vez na produ\u00e7\u00e3o de tanques e avi\u00f5es a do bloco nazi. A for\u00e7a de combate do Ex\u00e9rcito Vermelho era tamb\u00e9m j\u00e1 largamente superior \u00e0 da Whermacht e sat\u00e9lites (italianos, romenos, h\u00fangaros entre outros).<\/p>\n<p>No in\u00edcio de Abril, O EMGS, que tinha decifrado os c\u00f3digos utilizados pelos alem\u00e3es, tomou conhecimento de que Hitler decidira retomar a ofensiva no Ver\u00e3o para vingar a humilhante derrota de Stalinegrado que destru\u00edra o mito da invencibilidade alem\u00e3. Por informa\u00e7\u00f5es posteriores de pilotos e oficiais capturados soube-se que \u00abCitadel\u00bb seria o nome da grande opera\u00e7\u00e3o em estudo.<\/p>\n<p>O plano, elaborado pelo marechal Von Manstein, previa o ataque simult\u00e2neo a partir do Sul e no Norte, a meio do Saliente, com o objectivo de cercar as for\u00e7as sovi\u00e9ticas ali concentradas, cortando-lhes a retirada. Para o efeito, os alem\u00e3es mobilizaram 950.000 homens, 10.800 canh\u00f5es, 3.000 tanques (16 divis\u00f5es Panzer) e tr\u00eas mil avi\u00f5es, entre os quais os Focke\u2013Wulf 190 e bombardeiros Henschel-129. Entre as novas armas a utilizar figuravam os tanques pesados Tigre e Pantera. A opera\u00e7\u00e3o seria desencadeada entre 3 e 6 de Julho. Na sua ordem de servi\u00e7o Hitler afirmou que ela deveria transformar o inimigo numa tocha que iluminaria o mundo.<\/p>\n<p>Em Nuremberga, o marechal Keitel reconheceu que o Estado-Maior alem\u00e3o subestimara o poder do Ex\u00e9rcito Vermelho e ignorava que ele conhecia em pormenor o Citadel.<\/p>\n<p>Foi precisamente o conhecimento do plano alem\u00e3o que levou o marechal Zhukov em relat\u00f3rio enviado ao Estado-Maior General Sovi\u00e9tico em 8 de Abril a sugerir uma altera\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia prevista. Prop\u00f4s que em vez da ofensiva em prepara\u00e7\u00e3o, o Ex\u00e9rcito Vermelho aguardasse o ataque da Wehrmacht em linhas fortificadas a construir e, ap\u00f3s uma curta batalha defensiva em que seriam infligidas enormes perdas aos alem\u00e3es, passasse imediatamente \u00e0 ofensiva. Stalin, ap\u00f3s alguma hesita\u00e7\u00e3o, aprovou o projecto de Zhukov que contou com o apoio de Vassilevsky.<\/p>\n<p>Os marechais Manstein e Kluge estavam convictos de que na sua fulminante ofensiva iriam enfrentar apenas os Ex\u00e9rcitos sovi\u00e9ticos das Frentes Central e de Voronej, no interior do Saliente. Esperavam uma vit\u00f3ria t\u00e3o r\u00e1pida que descuraram o problema das reservas.<\/p>\n<p>Na realidade intervieram na batalha os Ex\u00e9rcitos Sovi\u00e9ticos de mais quatro Frentes \u2013 a Ocidental e a de Briansk, a Norte, e a da Estepe e a do Sudoeste, do lado Sul.<\/p>\n<p>O dispositivo defensivo, montado em menos de tr\u00eas meses, foi considerado inultrapass\u00e1vel pelo Estado-Maior General Sovi\u00e9tico. Contra o que \u00e9 habitual, na batalha defensiva, a superioridade sovi\u00e9tica era consider\u00e1vel. Dispunham de 1.632.000 homens, 27.000 canh\u00f5es e morteiros, 5.000 tanques, entre os quais o T-34, considerado pelos especialistas o melhor ve\u00edculo coura\u00e7ado da II Guerra \u2013 e 3.000 avi\u00f5es de combate.<\/p>\n<p>A Frente da Estepe foi concebida para funcionar na pr\u00e1tica como um conjunto de ex\u00e9rcitos de reserva.<\/p>\n<p>Na madrugada do dia 5, os alem\u00e3es, surpreendidos por um bombardeamento inesperado da artilharia sovi\u00e9tica, desencadearam a ofensiva. A Luftwaffe despejou milhares de toneladas de bombas sobre as linhas sovi\u00e9ticas e as divis\u00f5es Panzer ao arrancarem foram apoiadas por uma barragem ininterrupta de artilharia.<\/p>\n<p>A extraordin\u00e1ria concentra\u00e7\u00e3o de meios numa \u00e1rea de extens\u00e3o reduzid\u00edssima permitiu aos alem\u00e3es avan\u00e7arem alguns quil\u00f3metros nos dias 6, 7 e 8: 10 a 12 a Norte e um m\u00e1ximo de 30 a 35 a Sul. Mas foram incapazes de romper as linhas sovi\u00e9ticas. Longe iam os dias da blietzkrieg, a guerra rel\u00e2mpago.<\/p>\n<p>No segundo dia da batalha a For\u00e7a A\u00e9rea sovi\u00e9tica conquistou o dom\u00ednio definitivo do ar e uma semana depois a Luftwaffe foi praticamente varrida dos c\u00e9us de Kursk.<\/p>\n<p>Consciente de que Citadel estava a evoluir mal e de que a esperan\u00e7a de fechar as tenazes em torno do inimigo, cercando-o, eram remotas, Manstein lan\u00e7ou os seus Panzer contra Prokovohka, uma pequena cidade, a sudeste do Saliente, na charneira das Frentes Central e da Estepe.<\/p>\n<p>Nessa planura travou-se durante quase tr\u00eas dias a maior batalha de tanques da Hist\u00f3ria. Nela participaram de ambos lados 1.200 carros. As perdas foram elevad\u00edssimas nos dois campos, quase metade dos tanques empenhados. Mas no dia 12 o \u00edmpeto germ\u00e2nico esgotara-se. Os alem\u00e3es careciam de reservas e as sovi\u00e9ticas aflu\u00edam maci\u00e7amente da retaguarda.<\/p>\n<p>No dia 12, um fort\u00edssimo contra-ataque sovi\u00e9tico assinalou o fim da fase defensiva da batalha. As tropas das Frentes Ocidental e de Briansk atacaram nesse mesmo dia a Noroeste do Saliente. No dia 15 Koniev e Rokossovsky contra-atacaram e os alem\u00e3es iniciaram a retirada. Hitler foi informado de que Citadel fracassara. No dia 3 de Agosto as Frentes da Estepe (marechal Zakharov) e do Sudoeste passaram tamb\u00e9m \u00e0 ofensiva.<\/p>\n<p>A 5 de Agosto troaram os canh\u00f5es em Moscovo para festejar a liberta\u00e7\u00e3o de Orel e Bielgrod; no dia 23, as tropas sovi\u00e9ticas expulsaram os \u00faltimos alem\u00e3es de Karkhov.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de reservas aumentou muito as dificuldades da ininterrupta retirada alem\u00e3. A Wehermacht perdera em Kursk, numa semana, definitivamente, a sua capacidade ofensiva.<\/p>\n<p>Roosevelt e Churchill em mensagens a Stalin felicitaram-no com entusiasmo pela a grande e decisiva vit\u00f3ria alcan\u00e7ada pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Roosevelt escreveu ent\u00e3o que \u00abo mundo nunca viu t\u00e3o grande devo\u00e7\u00e3o, determina\u00e7\u00e3o e capacidade de sacrif\u00edcio como as do povo russo e dos seus ex\u00e9rcitos\u00bb. Mas, anos depois, quando principiou a Guerra-Fria, a batalha de Kursk desapareceu da historiografia anglo-americana.<\/p>\n<p>Na Alemanha, o pr\u00f3prio marechal Manstein dedica-lhe poucas p\u00e1ginas nas suas Mem\u00f3rias e em \u00abVit\u00f3rias Perdidas\u00bb (Bonn, 1955). A falsifica\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria, montada com perversidade por iniciativa dos governos de Washington e Londres, foi levada t\u00e3o longe que um conceituado acad\u00e9mico estadunidense, Hanson Baldwin, num livro dedicado \u00e0s \u00abOnze maiores batalhas\u00bb da II Guerra apenas inclui Stalinegrado na Frente Leste. Kursk n\u00e3o \u00e9 sequer citada, mas da lista constam Corregidor (uma humilhante derrota americana nas Filipinas) e Tarawa, uma desconhecida ilhota do Pacifico onde 10.000 americanos enfrentaram outros tantos japoneses\u2026<\/p>\n<p><strong>ESTRATEGIA E T\u00c0CTICAS INOVADORAS<\/strong><\/p>\n<p>A Historiografia sovi\u00e9tica dedicou milhares e p\u00e1ginas \u00e0 Batalha de Kursk, mas somente algumas dessas obras foram traduzidas para idiomas estrangeiros.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o preferencial dedicada pelos historiadores militares a essa batalha resulta n\u00e3o tanto por ela ter mudado o rumo da guerra mas sobretudo por ter assinalado uma viragem inovadora naquilo que definem como \u00aba arte militar sovi\u00e9tica\u00bb.<\/p>\n<p>A maioria coincide na conclus\u00e3o de que Kursk n\u00e3o deve ser considerado um \u00abmodelo\u00bb para outras batalhas porque nunca mais foi poss\u00edvel utilizar tantos meios humanos e materiais numa \u00e1rea t\u00e3o reduzida. Os marechais Zhukov, Vassilevsky e Zakharov reflectem sobre o tema nas suas obras. Uma s\u00edntese especialmente esclarecedora figura num ensaio do coronel Vasily Morozov, professor de Hist\u00f3ria no Instituto de Hist\u00f3ria Militar do Minist\u00e9rio da Defesa da URSS.<\/p>\n<p>O autor nesse estudo alerta para os aspectos mais inovadores do grande choque.<\/p>\n<p>O primeiro deles foi a s\u00fabita invers\u00e3o de estrat\u00e9gia. Kursk foi concebida para ser uma batalha ofensiva. Dai as enormes reservas acumuladas na retaguarda, das quais os alem\u00e3es tinham um conhecimento superficial. Pela primeira vez na Hist\u00f3ria \u2013 salienta Morosov \u2013 as for\u00e7as que defendiam eram muito superiores \u00e0s do atacante em efectivos e na qualidade e quantidade do armamento.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pela defensiva inicial baseou-se na certeza de que essa superioridade impediria a ruptura da frente pelo inimigo. As defesas, em toda extens\u00e3o do Saliente, desdobravam-se em tr\u00eas escal\u00f5es todos protegidos por obst\u00e1culos anti-tanques, campos de minas e uma densidade de artilharia por quil\u00f3metro in\u00e9dita.<\/p>\n<p>As for\u00e7as alem\u00e3s, como j\u00e1 foi sublinhado, n\u00e3o conseguiram romper a frente em qualquer dos sectores da mesma.<\/p>\n<p>O facto de a contra-ofensiva sovi\u00e9tica ter partido com diferen\u00e7a de poucos dias de seis frentes diferentes surpreendeu e desorientou o Alto Comando da Wehermacht e desmoralizou os ex\u00e9rcitos alem\u00e3es for\u00e7ados a passar da ofensiva a uma defensiva ca\u00f3tica.<\/p>\n<p>Outra inova\u00e7\u00e3o em Kursk foi o emprego pela primeira vez de ex\u00e9rcitos de tanques aut\u00f3nomos. At\u00e9 ent\u00e3o as for\u00e7as blindadas estavam ligadas a ex\u00e9rcitos ou grupos de ex\u00e9rcitos de infantaria de cujo comando dependiam.<\/p>\n<p>A coordena\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es dos ex\u00e9rcitos de tanques, da for\u00e7a a\u00e9rea, da infantaria, e da interven\u00e7\u00e3o das reservas obedeceu tamb\u00e9m esquemas inovadores.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es sobre a localiza\u00e7\u00e3o exacta dos aer\u00f3dromos alem\u00e3es recebidas dos guerrilheiros que combatiam na retaguarda dos nazis permitiram bombardeamentos de precis\u00e3o que destru\u00edram ou danificaram muitos avi\u00f5es da Luftwaffe.<\/p>\n<p>A engenharia militar construiu no Saliente uns 6.000 quil\u00f3metros de trincheiras, dezenas de pontes, centenas de quil\u00f3metros de estradas e ramais ferrovi\u00e1rios, 78 hospitais (alguns com instala\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas), campos de avia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A log\u00edstica preparada para a batalha excedeu tudo o que no g\u00e9nero se fizera desde o in\u00edcio da invas\u00e3o. As redes de abastecimento de alimentos e combust\u00edveis e de comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f3nicas e telegr\u00e1ficas desempenharam um papel important\u00edssimo durante a batalha, assegurando comunica\u00e7\u00f5es seguras entre as Frentes, as unidades da vanguarda e da retaguarda e Moscovo.<\/p>\n<p>Os generais Pavel Doronin e Konstantin Krainyukov publicaram importantes estudos sobre a participa\u00e7\u00e3o do PCUS em todas as fases da batalha. O trabalho pol\u00edtico desenvolvido pelos representantes do Partido das trincheiras \u00e0 retaguarda contribuiu muito para o elevado moral das tropas No auge da luta foram realizados concertos e espect\u00e1culos teatrais com a presen\u00e7a de destacados artistas nacionais.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 falsifica\u00e7\u00f5es dos escritores e acad\u00e9micos da burguesia que possam apagar o significado hist\u00f3rico da batalha de Kursk.<\/p>\n<p>Acontecimento estrat\u00e9gico de viragem, o seu desfecho n\u00e3o teria sido poss\u00edvel se os homens que ali quebraram a coluna vertebral da Wehrmach n\u00e3o contassem com o apoio total do seu povo, agredido pelas hordas hitlerianas.<\/p>\n<p>Kursk n\u00e3o foi uma excep\u00e7\u00e3o. Inseriu-se numa saga de sobreviv\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Os seus combatentes, como os de Moscovo, de Stalinegrado, do C\u00e1ucaso, da Bielorr\u00fassia e de outras batalhas vitoriosas pertenciam a uma gera\u00e7\u00e3o que deu continuidade ao esp\u00edrito revolucion\u00e1rio dos her\u00f3is de Outubro de 17. Nas circunst\u00e2ncias mais dif\u00edceis, os soldados da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica bateram-se com a convic\u00e7\u00e3o inabal\u00e1vel de que assumiam n\u00e3o somente a defesa do seu povo como a causa da humanidade amea\u00e7ada pela barb\u00e1rie fascista.<\/p>\n<p> <em><\/p>\n<p> Vila Nova de Gaia, 10 de Dezembro de 2009<\/em><\/p>\n<p>(1) Os n\u00fameros citados neste artigo foram extra\u00eddos do Livro \u201cThe Battle of Kursk\u201d, Ed.Progresso, Moscovo, 1974, que re\u00fane ensaios e depoimentos de 25 altas personalidades sovi\u00e9ticas, entre as quais o marechal Georgi Zhukov, comandante supremo, do marechal Alexander Vassilevsky, chefe do Estado Maior General e os marechais Rokossovsky e Koniev, comandantes de duas das seis Frentes que participaram na batalha.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/odiario.info\/articulo.php?p=1413&amp;more=1&amp;c=1\">http:\/\/odiario.info\/articulo.php?p=1413&amp;more=1&amp;c=1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.odiario.info\n\n\n\n\nSalvo rar\u00edssimas excep\u00e7\u00f5es, os historiadores militares da burguesia omitem qualquer refer\u00eancia \u00e0 batalha de Kursk, \u201ca maior batalha da Hist\u00f3ria, de import\u00e2ncia decisiva para o desfecho da II Guerra Mundial. \u201cA omiss\u00e3o n\u00e3o resulta de ignor\u00e2ncia. Tornar p\u00fablica a verdade sobre Kursk pulverizaria os mitos forjados por Hollywood sobre a participa\u00e7\u00e3o dos EUA na II Guerra e arrancaria a m\u00e1scara \u00e0 moderna historiografia norte-americana, tirando-lhe credibilidade\u201d.\nMiguel Urbano Rodrigues \u2013 21.12.09\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/64\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-64","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-12","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}