{"id":6410,"date":"2014-07-03T19:51:24","date_gmt":"2014-07-03T19:51:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6410"},"modified":"2014-07-03T19:51:24","modified_gmt":"2014-07-03T19:51:24","slug":"a-ucrania-e-a-ascensao-do-euro-fascismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6410","title":{"rendered":"A Ucr\u00e2nia e a ascens\u00e3o do euro-fascismo"},"content":{"rendered":"\n<p>Os actuais acontecimentos na Ucr\u00e2nia s\u00e3o guiados pelos esp\u00edritos malignos do fascismo e do nazismo, embora aparentemente tenham-se dissipado h\u00e1 muito depois da II Guerra Mundial. Setenta anos ap\u00f3s a guerra, o g\u00e9nio mais uma vez escapou da garrafa, colocando uma amea\u00e7a n\u00e3o simplesmente na forma dos s\u00edmbolos e ret\u00f3rica dos apaniguados de Hitler mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s de uma obsessiva pol\u00edtica <em>Drang nach Osten (Impulso para o Leste). <\/em><\/p>\n<p>A garrafa foi desarrolhada, desta vez pelos americanos. Tal como h\u00e1 76 anos atr\u00e1s em Munique, quando brit\u00e2nicos e franceses deram a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o a Hitler para a marcha rumo ao Leste. Da mesma forma, na Kiev de hoje Washington, Londres e Bruxelas est\u00e3o a incitar Yarosh, Tyahnybok e outros nazis ucranianos \u00e0 guerra com a R\u00fassia. \u00c9-se for\u00e7ado a perguntar: por que fazem isto no s\u00e9culo XXI? E por que est\u00e1 a Europa, agora unida na Uni\u00e3o Europeia, a tomar parte no atear de uma nova guerra, como se sofresse de um lapso total de mem\u00f3ria hist\u00f3rica?<\/p>\n<p>Responder a estas perguntas exige, antes de mais nada, uma defini\u00e7\u00e3o precisa do que est\u00e1 a suceder. Isto, por sua vez, deve come\u00e7ar com a identifica\u00e7\u00e3o dos componentes chave dos acontecimentos, com base em factos. Os factos s\u00e3o geralmente conhecidos: Yanukovych recusou-se a assinar o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o com a UE, que a Ucr\u00e2nia fora pressionada a aceitar. Depois disso, os Estados Unidos e seus aliados da NATO removeram-no fisicamente do poder ao organizarem um violento golpe de estado em Kiev e levarem ao poder um governo que era ileg\u00edtimo, mas que lhes obedecia plenamente. Neste artigo, ser\u00e1 chamado &#8220;a junta&#8221;.<\/p>\n<p>O objectivo desta agress\u00e3o era fazer com que o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o fosse aceite, como se evidencia pelo facto de que foi na verdade assinado, prematuramente, pelos l\u00edderes da UE e a junta apenas um m\u00eas depois de esta \u00faltima ter capturado o poder. Eles relatam (o documento contendo suas assinaturas ainda n\u00e3o foi publicado!) que apenas a parte pol\u00edtica do acordo foi assinada, a parte que obriga a Ucr\u00e2nia a seguir a pol\u00edtica externa e de defesa da UE e a participar, sob a direc\u00e7\u00e3o da UE, na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos civis e militares regionais. Com este passo, a adop\u00e7\u00e3o do Acordo como um todo tornou-se uma mera tecnicalidade.<\/p>\n<p>Na ess\u00eancia, os acontecimentos na Ucr\u00e2nia assinalam a subordina\u00e7\u00e3o for\u00e7osa do pa\u00eds \u00e0 Uni\u00e3o Europeia \u2013 o que pode ser chamado de &#8220;Euro-ocupa\u00e7\u00e3o&#8221;. Os l\u00edderes da UE que insistentemente nos d\u00e3o li\u00e7\u00f5es sobre a obedi\u00eancia \u00e0 lei e aos princ\u00edpios de um estado baseado na lei, neste caso marimbaram-se para a regra da lei ao assinarem um tratado ileg\u00edtimo com um governo ileg\u00edtimo. Yanukovych foi derrubado porque se recusou a assin\u00e1-lo. Esta recusa, al\u00e9m disso, precisa ser entendida em termos n\u00e3o s\u00f3 do conte\u00fado do Acordo como tamb\u00e9m do facto de que ele n\u00e3o tinha direito legal a aceit\u00e1-lo, porque o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o viola a Constitui\u00e7\u00e3o Ucraniana, a qual n\u00e3o prev\u00ea a transfer\u00eancia da soberania do estado a uma outra parte.<\/p>\n<p>De acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o Ucraniana, um acordo internacional que entre em conflito com a Constitui\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser assinado se a Constitui\u00e7\u00e3o for emendada previamente. A junta instalada pelos EUA \u2013 e pela UE \u2013 ignorou esta exig\u00eancia. Segue-se que os EUA e a UE organizaram o derrube do governo leg\u00edtimo da Ucr\u00e2nia a fim de privar o pa\u00eds da sua independ\u00eancia pol\u00edtica. O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 impor \u00e0 Ucr\u00e2nia suas pol\u00edticas econ\u00f3mica e comercial preferidas, atrav\u00e9s do seu acesso \u00e0 parte econ\u00f3mica do Acordo. Al\u00e9m disso, embora a actual Euro-ocupa\u00e7\u00e3o difira da ocupa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia em 1941 em que, at\u00e9 agora, se verificou sem uma invas\u00e3o por ex\u00e9rcitos estrangeiros, sua natureza coerciva est\u00e1 para al\u00e9m de qualquer d\u00favida. Assim como os fascistas despojaram a popula\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia ocupada de todos os direitos civis, a junta moderna e seus apoiantes americanos e europeus tratam os oponentes da Euro-integra\u00e7\u00e3o como criminosos, acusando-os sem fundamento de separatismo e terrorismo, aprisionando-os ou mesmo posicionando guerrilhas nazis para alvej\u00e1-los.<\/p>\n<p>Enquanto o Presidente Yanukovych estava em vias de assinar o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o com a UE era o destinat\u00e1rio de toda esp\u00e9cie de louva\u00e7\u00e3o e sedu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos e altos respons\u00e1veis da UE. Contudo, no minuto em que se recusou, agentes de influ\u00eancia americanos (bem como representantes oficiais dos EUA, tais como o embaixador na Ucr\u00e2nia, a secret\u00e1ria de Estado Assistente e representantes de ag\u00eancias de intelig\u00eancia), juntamente com pol\u00edticos europeus, come\u00e7aram a castig\u00e1-lo e a louvar seus oponentes pol\u00edticos. Eles proporcionaram maci\u00e7a ajuda informacional, pol\u00edtica e financeira aos protestos do Euromaidan, transformando-o no terreno para o golpe de estado. Muitas das ac\u00e7\u00f5es de protesto, incluindo ataques criminosos contra pessoal encarregado de aplicar a lei e tomadas de edif\u00edcios governamentais, acompanhadas por assassinatos e espancamentos de um grande n\u00famero de pessoas, foram apoiadas, organizadas e planeadas com a participa\u00e7\u00e3o da Embaixada Americana, assim como de respons\u00e1veis e pol\u00edticos europeus, os quais n\u00e3o s\u00f3 &#8220;interferiram&#8221; nos assuntos internos da Ucr\u00e2nia como executaram uma agress\u00e3o contra o pa\u00eds atrav\u00e9s das guerrilhas nazis que haviam cultivado.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de nazis e fan\u00e1ticos religiosos para minar a estabilidade pol\u00edtica em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo \u00e9 um m\u00e9todo favorito das ag\u00eancias de intelig\u00eancia americanas. Ele foi empregado contra a R\u00fassia no C\u00e1ucaso, na \u00c1sia Central e agora mesmo na Europa do Leste. O programa Parceria Oriental <em>(Eastern Partnership), <\/em>o qual os EUA encorajaram os respons\u00e1veis polacos e da UE a iniciar, foi voltado contra a R\u00fassia desde o princ\u00edpio. O seu objectivo era romper as rela\u00e7\u00f5es das antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas com a R\u00fassia. Esta ruptura supunha-se que fosse conclu\u00edda por contratos de Acordos de Associa\u00e7\u00e3o entre cada um destes pa\u00edses e a UE. A fim de proporcionar bases pol\u00edticas para estes acordos foi lan\u00e7ada uma campanha para espalhar russofobia e difundir um mito chamado &#8220;a escolha europeia&#8221;. Esta m\u00edtica &#8220;escolha europeia&#8221; foi ent\u00e3o artificialmente contraposta ao processo de integra\u00e7\u00e3o euro-asi\u00e1tico, com pol\u00edticos e media ocidentais a descreverem a \u00faltima como uma tentativa de restaurar a URSS.<\/p>\n<p>O programa Parceria Oriental fracassou em toda e qualquer antiga rep\u00fablica sovi\u00e9tica. A Bielor\u00fassia j\u00e1 fez a sua pr\u00f3pria escolha, criando uma Uni\u00e3o Estatal com a R\u00fassia. O Cazaquist\u00e3o, outro pa\u00eds euro-asi\u00e1tico chave (embora n\u00e3o formalmente um alvo da Parceria Oriental) igualmente escolheu o seu pr\u00f3prio caminho, constituindo a Uni\u00e3o Aduaneira com a R\u00fassia e a Bielor\u00fassia. A Arm\u00e9nia e o Quirguist\u00e3o decidiram aderir a este processo. A prov\u00edncia de Gagauzia rejeitou a adop\u00e7\u00e3o da russofobia como pedra angular da pol\u00edtica de Moldova. O referendo Gagauz, rejeitando a integra\u00e7\u00e3o europeia em favor da Uni\u00e3o Aduaneira, desafiou a legitimidade da &#8220;escolha europeia&#8221; de Chisinau. A Ge\u00f3rgia, a \u00fanica rep\u00fablica que tomou uma decis\u00e3o relativamente leg\u00edtima em favor da associa\u00e7\u00e3o com a UE, pagou a sua &#8220;escolha europeia&#8221; com a perda de controle sobre uma parte do seu territ\u00f3rio, onde o povo n\u00e3o quis viver sob a euro-ocupa\u00e7\u00e3o. O mesmo cen\u00e1rio est\u00e1 agora a ser imposto \u00e0 Ucr\u00e2nia \u2013 perda de uma parte do seu territ\u00f3rio, onde os cidad\u00e3os n\u00e3o aceitam a &#8220;escolha europeia&#8221; da lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>A coa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia para por a sua assinatura no Acordo de Associa\u00e7\u00e3o com a UE foi embrulhada na russofobia, como reac\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia p\u00fablica ucraniana magoada pela decis\u00e3o do povo da Crimeia de aderir \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Russa. Uma vez que a maioria dos ucranianos ainda n\u00e3o se consideram automaticamente como separados da R\u00fassia, tem havido ali uma forte press\u00e3o para inculcar uma percep\u00e7\u00e3o deste epis\u00f3dio como agress\u00e3o russa e anexa\u00e7\u00e3o de parte do seu territ\u00f3rio. Eis porque Brzezinski fala acerca na &#8220;finlandiza\u00e7\u00e3o&#8221; da Ucr\u00e2nia, um meio de anestesiar os c\u00e9rebros da nossa elite pol\u00edtica durante a opera\u00e7\u00e3o americana de amputar os la\u00e7os da Ucr\u00e2nia com a R\u00fassia hist\u00f3rica. Ainda que sob anestesia, sup\u00f5em que n\u00f3s russos devamos aceitar um sentimento de culpa pela nossa m\u00edtica opress\u00e3o do povo ucraniano, ao passo que este \u00faltimo \u00e9 alimentado \u00e0 for\u00e7a com rep\u00fadio \u00e0 R\u00fassia, com a qual alegadamente ter\u00e1 combatido ao longo tempo sobre a Pequena R\u00fassia e Novorossiya. <a href=\"http:\/\/resistir.info\/ucrania\/glazyev_24jun14.html#notas\" target=\"_blank\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Contudo, s\u00f3 um observador superficial veria a actual histeria anti-russa nos media ucranianos, t\u00e3o impressionante na sua russofobia fren\u00e9tica, como uma reac\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea ao drama na Crimeia. Na realidade, \u00e9 evidente que a guerra que est\u00e1 a ser travada contra a R\u00fassia est\u00e1 agora a entrar numa fase aberta. Durante duas d\u00e9cadas fomos razoavelmente tolerantes com as manifesta\u00e7\u00f5es da ideologia nazi na Ucr\u00e2nia, sem consider\u00e1-la seriamente, em vista da aparente aus\u00eancia de pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es claras para o nazismo. A falta de tais pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es, contudo, foi totalmente compensada pela persistente semeadura de russofobia atrav\u00e9s do apoio a numerosas organiza\u00e7\u00f5es nacionalistas. A discrep\u00e2ncia entre a sua ideologia e a exactid\u00e3o hist\u00f3rica n\u00e3o incomoda os fuehrers destas organiza\u00e7\u00f5es. Em troca de uma ninharia de pa\u00edses membros da NATO, eles s\u00e3o completamente livres para pintarem a R\u00fassia como a imagem do inimigo. O resultado \u00e9 inconvincente, devido \u00e0 nossa hist\u00f3ria, l\u00edngua e cultura comuns: Kiev \u00e9 a m\u00e3e de todas as cidades russas, o Kiev-Pechersk Lavra \u00e9 o maior local sagrado dos ortodoxos do mundo e foi na Academia Kiev-Mohyla que a moderna l\u00edngua russa tomou forma. Portando, s\u00e3o utilizadas mentiras loucas, jogando com epis\u00f3dios tr\u00e1gicos da nossa hist\u00f3ria comum, tais como a Revolu\u00e7\u00e3o e a Guerra Civil, bem como a fome do Holodomor dos anos 1930, os quais s\u00e3o falsamente atribu\u00eddos unicamente \u00e0 tirania russa. A russofobia, baseada no nazismo, est\u00e1 ser tornada a pedra angular da identidade nacional da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Este artigo n\u00e3o est\u00e1 preocupado em desvendar a objectividade da absurda histeria russof\u00f3bica dos nazis ucranianos, mas sim em estabelecer as raz\u00f5es para o seu ressurgimento no s\u00e9culo XXI. Isto exige uma percep\u00e7\u00e3o de que este &#8220;nazismo ucraniano&#8221; \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o artificial, criada pelos antigos inimigos do mundo russo. O nacionalismo e fascismo ucraniano, cultivado do exterior, sempre tiveram Moscovo como alvo. A princ\u00edpio era promovido pela Pol\u00f3nia, a qual encarava a Ucr\u00e2nia como a sua pr\u00f3pria zona fronteiri\u00e7a e estabeleceu a sua estrutura de poder vertical para administr\u00e1-la. A seguir veio a \u00c1ustria-Hungria, a qual investiu grandes quantias de dinheiro ao longo de muito tempo para encorajar o separatismo ucraniano. Durante a ocupa\u00e7\u00e3o fascista alem\u00e3, estas tend\u00eancias separatistas foram o terreno no qual o movimento Bandera e a Polizei se desenvolveram, ajudando os fascistas alem\u00e3es a estabelecerem a sua ordem na Ucr\u00e2nia, inclusive atrav\u00e9s de opera\u00e7\u00f5es punitivas e escraviza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Seus seguidores modernos est\u00e3o agora a fazer o mesmo: sob a orienta\u00e7\u00e3o dos seus instrutores americanos, guerrilhas do Right Sector Banderista est\u00e3o a efectuar opera\u00e7\u00f5es punitivas contra a popula\u00e7\u00e3o no Donbass, ajudando a junta instalada pelos EUA a &#8220;limpar&#8221; cidades dos apoiantes de maior integra\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia e assumindo fun\u00e7\u00f5es de pol\u00edcia para o estabelecimento de uma ordem pr\u00f3 americana e anti russa.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que sem o firme apoio americano e europeu n\u00e3o teria sido poss\u00edvel nem o golpe de estado nem a exist\u00eancia da junta de Kiev. Infelizmente, como diz o famoso ditado, &#8220;a hist\u00f3ria ensina-nos que a hist\u00f3ria n\u00e3o ensina nada&#8221;. Isto \u00e9 uma cat\u00e1strofe para a Europa, a qual mais de uma vez teve de tratar com casos de governos proto-fascistas como aquele que agora molda a Ucr\u00e0nia. Ele envolve, essencialmente, um relacionamento entre fascistas e o grande capital. Uma simbiose deste tipo permitiu a ascens\u00e3o de Hitler, que foi apoiado pelos principais capitalistas alem\u00e3es, seduzidos pela oportunidade, sob a cobertura da ret\u00f3rica nacional-socialista, de ganhar dinheiro com encomendas do governo e com a militariza\u00e7\u00e3o da economia. Isto aplica-se n\u00e3o s\u00f3 aos capitalistas alem\u00e3es como tamb\u00e9m aos europeus e americanos. Houve colaboradores com o regime de Hitler em praticamente todos os pa\u00edses europeus e os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Poucas pessoas perceberam que as marchas com tochas seriam seguidas pelos fornos em Auschwitz e que dezenas de milh\u00f5es de pessoas morreriam no inc\u00eandio da II Guerra Mundial. A mesma din\u00e2mica est\u00e1 a desenvolver-se agora em Kiev, excepto que o berro de &#8220;Heil Hitler!&#8221; foi substitu\u00eddo pelo de &#8220;Gl\u00f3ria aos her\u00f3is!&#8221; \u2013 her\u00f3is cujo grande feito foi executar judeus indefesos em <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Babi_Yar\" target=\"_blank\">Babi Yar<\/a> . Al\u00e9m disso, a oligarquia ucraniana \u2013 incluindo os l\u00edderes de algumas organiza\u00e7\u00f5es judias \u2013 est\u00e1 a financiar os anti-semitas e nazis do Right Sector, os quais s\u00e3o os baluartes armados do actual regime na Ucr\u00e2nia. Os patrocinadores do Maidan esqueceram que, no relacionamento simbi\u00f3tico entre nazis e grande capital, os nazis sempre obt\u00e9m o controle sobre os homens de neg\u00f3cio liberais. Estes \u00faltimos s\u00e3o for\u00e7ados ou a tornarem-se nazis ou a deixarem o pa\u00eds. Isto j\u00e1 est\u00e1 a acontecer na Ucr\u00e2nia: os oligarcas que permanecem no pa\u00eds est\u00e3o a competir com os pequeno fuehrers do Right Sector no dom\u00ednio da russofobia e da ret\u00f3rica anti-&#8220;moscovita&#8221;, bem como em sequestrar a propriedade daqueles antigos patrocinadores nazis que fugiram para Moscovo.<\/p>\n<p>Os actuais dominadores em Kiev contam com a protec\u00e7\u00e3o dos seus patr\u00f5es americanos e europeus, jurando-lhes diariamente que combater\u00e3o a &#8220;ocupa\u00e7\u00e3o russa&#8221; at\u00e9 o \u00faltimo &#8220;moscovita&#8221; <a href=\"http:\/\/resistir.info\/ucrania\/glazyev_24jun14.html#notas\" target=\"_blank\">[2]<\/a> . Eles obviamente subestimam qu\u00e3o perigosos s\u00e3o os nazis, porque estes acreditam realmente que s\u00e3o uma &#8220;ra\u00e7a superior&#8221;, ao passo que todas as outras, incluindo os homens de neg\u00f3cio que os patrocinam, s\u00e3o encarados como criaturas &#8220;sub-humanas&#8221;, contra as quais \u00e9 permiss\u00edvel viol\u00eancia de toda esp\u00e9cie. Eis porque os nazis sempre prevalecer\u00e3o, dentro do seu relacionamento simbi\u00f3tico com a burguesa, a qual \u00e9 ent\u00e3o for\u00e7ada ou a submeter-se ou a fugir do pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que se os seguidores de Bandera n\u00e3o forem travados \u00e0 for\u00e7a, o regime nazi na Ucr\u00e2nia desenvolver-se-\u00e1, expandir-se-\u00e1 e consolidar-se-\u00e1 mais profundamente. A \u00fanica coisa ainda em d\u00favida ser\u00e1 a &#8220;escolha europeia&#8221; da Ucr\u00e2nia, pois o pa\u00eds fede cada vez mais ao fascismo de 80 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Naturalmente, o eurofascismo de hoje \u00e9 muito diferente das suas vers\u00f5es alem\u00e3, italiana e espanhola no s\u00e9culo XX. Estados nacionais europeus retrocederam ao passado, entrando na Uni\u00e3o Europeia e submetendo-se \u00e0 euroburocracia. Esta \u00faltima tornou-se o principal poder pol\u00edtico na Europa, revogando facilmente quaisquer intentos de soberania de pa\u00edses europeus individuais. O poder da burocracia baseia-se n\u00e3o num ex\u00e9rcito, mas no seu monop\u00f3lio sobre a emiss\u00e3o de moeda, sobre os mass media e sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, todos os quais s\u00e3o administrados pela burocracia no interesse do grande capital europeu. Em todo conflito com governos nacionais europeus durante a \u00faltima d\u00e9cada, a euroburocracia prevaleceu constantemente, for\u00e7ando pa\u00edses europeus a aceitarem seu governo e seus pol\u00edticos tecnocratas. Tais pol\u00edticas s\u00e3o baseadas na rejei\u00e7\u00e3o constante de todas as tradi\u00e7\u00f5es nacionais, desde os padr\u00f5es morais crist\u00e3os at\u00e9 como s\u00e3o produzidas as salsichas.<\/p>\n<p>Os europol\u00edticos vulgares, do g\u00e9nero neutro e livres de ideias pouco se assemelham aos fuehrers enfurecidos do Terceiro Reich. O que eles t\u00eam em comum \u00e9 uma confian\u00e7a man\u00edaca em que est\u00e3o certos e na prontid\u00e3o para for\u00e7ar os povos a obedecerem. Embora as formas eurofascistas de compuls\u00e3o sejam mais suaves, trata-se ainda de uma abordagem dura. A discord\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 tolerada e a viol\u00eancia \u00e9 permitida, at\u00e9 e incluindo o exterm\u00ednio f\u00edsico daqueles que discordam das pol\u00edticas de Bruxelas. Naturalmente, os milhares que morreram durante o esfor\u00e7o para instilar &#8220;valores europeus&#8221; na Jugosl\u00e1via, Ge\u00f3rgia, Mold\u00e1via e agora na Ucr\u00e2nia n\u00e3o se comparam com os milh\u00f5es de v\u00edtimas dos invasores fascistas alem\u00e3es durante a II Guerra Mundial. Na\u00e7\u00f5es europeias inteiras est\u00e3o a desaparecer no cadinho da integra\u00e7\u00e3o europeia.<\/p>\n<p>A palavra italiana <em>fascio, <\/em>da qual deriva &#8220;fascismo&#8221;, indica uma uni\u00e3o, ou algo atado junto. No seu entendimento actual, refere-se \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o sem preserva\u00e7\u00e3o da identidade do que \u00e9 integrado \u2013 sejam povos, grupos sociais ou pa\u00edses. Os eurofascistas de hoje est\u00e3o a tentar apagar n\u00e3o s\u00f3 diferen\u00e7as econ\u00f3micas e culturais nacionais como tamb\u00e9m a diversidade de individualidades humanas, incluindo a diferencia\u00e7\u00e3o por sexo e idade. Ainda mais: a agressividade com que os eurofascistas est\u00e3o a combater para expandir sua \u00e1rea de influ\u00eancia por vezes recorda-nos da paran\u00f3ia dos apoiantes de Hitler, os quais estavam preocupados com a conquista do <em>Lebensraum <\/em>[espa\u00e7o vital] para a ra\u00e7a ariana superior. Basta recordar a histeria dos pol\u00edticos europeus que apareciam no Maidan e nos media ucranianos. Eles justificaram os crimes dos proponentes da euro-integra\u00e7\u00e3o e de maneira infundada denunciaram aqueles que discordavam da &#8220;escolha europeia&#8221; da Ucr\u00e2nia, adoptando a abordagem de Goebbels de que quanto mais monstruosa a mentira mais se assemelha \u00e0 verdade.<\/p>\n<p>Hoje, o condutor do eurofascismo \u00e9 a euroburocracia, a qual obt\u00e9m suas directrizes de Washington. Os Estados Unidos apoiam a expans\u00e3o para o Leste da UE e da NATO de todos os modo poss\u00edveis, vendo estas organiza\u00e7\u00f5es como importantes componente do seu imp\u00e9rio global. Os EUA exercem controle sobre a UE atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es supranacionais, as quais esmagaram os estados-na\u00e7\u00e3o que aderiram \u00e0 UE. Privada de soberania econ\u00f3mica, financeira, de pol\u00edtica externa e militar, estes submetem-se \u00e0s directivas da Comiss\u00e3o Europeia, as quais s\u00e3o adoptadas sob intensa press\u00e3o dos EUA.<\/p>\n<p>Na ess\u00eancia, a UE \u00e9 um imp\u00e9rio burocr\u00e1tico que arranja as coisas dentro do seu espa\u00e7o econ\u00f3mico de acordo com os interesses do capital europeu e americano, sob controle estado-unidense. Como qualquer imp\u00e9rio, aspira expandir-se e faz isso atraindo pa\u00edses vizinhos a Acordos de Associa\u00e7\u00e3o, pelos quais estes entregam sua soberania \u00e0 Comiss\u00e3o Europeia. A fim de fazer com que tais pa\u00edses aceitem tornar-se col\u00f3nias da UE, apregoam o medo acerca de uma amea\u00e7a externa, com o media guiados pelos EUA a retratarem a R\u00fassia como agressiva e belicosa. Sob este pretexto, a UE e a NATO moveram-se rapidamente para ocupar os pa\u00edses da Europa do Leste ap\u00f3s o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica; a guerra nos Balc\u00e3s foi organizada para este objectivo. As v\u00edtimas seguintes do eurofascismo foram as rep\u00fablicas b\u00e1lticas, nas quais nazis russof\u00f3bicos for\u00e7aram a ades\u00e3o \u00e0 UE e a NATO. A seguir o eurofascismo alcan\u00e7ou a Ge\u00f3rgia, onde nazis sob orienta\u00e7\u00e3o americana desencadearam uma guerra civil. Hoje, os eurofascistas est\u00e3o a utilizar o modelo georgiano na Ucr\u00e2nia, a fim de for\u00e7\u00e1-la a assinar o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/resistir.info\/ucrania\/glazyev_24jun14.html#nr\" target=\"_blank\">[ NR 1]<\/a> com a UE, como um territ\u00f3rio subserviente e cabe\u00e7a-de-ponte para atacar a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Os EUA encaram o processo de integra\u00e7\u00e3o da Eur\u00e1sia como a principal amea\u00e7a aos seus planos de colocar a euroburocracia como respons\u00e1vel da \u00e1rea p\u00f3s sovi\u00e9tica. O processo de integra\u00e7\u00e3o est\u00e1 a desenvolver-se com \u00eaxito em torno da Uni\u00e3o Aduaneira R\u00fassia-Bielor\u00fassia-Cazaquist\u00e3o. A UE e os EUA investiram pelo menos US$10 mil milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de redes anti-russas, a fim de impedir a Ucr\u00e2nia de tomar parte naquele processo. Em paralelo, utilizando o apoio de polacos e b\u00e1lticos russofobos, bem como dos media sob o controle dos magnatas americanos dos media, os Estados Unidos est\u00e3o a incitar respons\u00e1veis europeus contra a R\u00fassia, com o objectivo de isolar as antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas do processo de integra\u00e7\u00e3o euro-asi\u00e1tico. O programa Parceria Oriental <em>(Eastern Partnership), <\/em>inspirado por eles, \u00e9 uma cobertura para a agress\u00e3o contra a R\u00fassia na antiga \u00e1rea sovi\u00e9tica. Esta agress\u00e3o toma a forma de for\u00e7ar antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas a entrarem em Acordos de Associa\u00e7\u00e3o com a UE, sob os quais transferem sua soberania econ\u00f3mica, comercial, de pol\u00edtica externa e as fun\u00e7\u00f5es de defesa para a Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Para a Ucr\u00e2nia, o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia significa transferir para Bruxelas suas fun\u00e7\u00f5es soberanas de regula\u00e7\u00e3o comercial e outras rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas externas, de padr\u00f5es t\u00e9cnicos e inspec\u00e7\u00f5es veterin\u00e1rias, sanit\u00e1rias e de peste, bem como abrir seus mercados a bens europeus. O acordo cont\u00e9m um milhar de p\u00e1ginas de directivas da UE que a Ucr\u00e2nia teria de cumprir. Cada sec\u00e7\u00e3o obriga a que a legisla\u00e7\u00e3o ucraniana seja alterada para cumprir as exig\u00eancias de Bruxelas. Al\u00e9m disso, a Ucr\u00e2nia assumiria a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir n\u00e3o s\u00f3 as actuais directivas de Bruxelas como tamb\u00e9m as futuras, em cuja redac\u00e7\u00e3o n\u00e3o exercer\u00e1 qualquer papel.<\/p>\n<p>Dito claramente, depois de assinar o Acordo a Ucr\u00e2nia torna-se uma col\u00f3nia da Uni\u00e3o Europeia, obedecendo cegamente \u00e0s suas exig\u00eancias. Isto inclui exig\u00eancias que a ind\u00fastria ucraniana \u00e9 incapaz de executar e que prejudicar\u00e3o a economia do pa\u00eds. A Ucr\u00e2nia deve abrir completamente o seu mercado a bens europeus, os quais levar\u00e3o a um aumento de US$4 mil milh\u00f5es nas suas importa\u00e7\u00f5es e expulsar\u00e3o do mercado produtos industriais ucranianos n\u00e3o competitivos. A Ucr\u00e2nia ser\u00e1 obrigada a cumprir padr\u00f5es europeus, os quais custar\u00e3o 150 mil milh\u00f5es em investimentos para moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. N\u00e3o h\u00e1 fontes para tais quantias de dinheiro. Segundo estimativas de economistas ucranianos e russos, a Ucr\u00e2nia, depois de assinar o Acordo, pode esperar uma deteriora\u00e7\u00e3o das suas j\u00e1 negativas balan\u00e7as comercial e de pagamentos e, em consequ\u00eancia, o incumprimento <em>(default). <\/em><\/p>\n<p>Portanto, assinar o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o significaria <a href=\"http:\/\/resistir.info\/ucrania\/glazyev_24jun14.html#nr\" target=\"_blank\">[NR 2]<\/a> uma cat\u00e1strofe econ\u00f3mica para a Ucr\u00e2nia. A UE obteria certas vantagens, atrav\u00e9s de um mercado expandido para os seus produtos e a oportunidade de adquirir activos ucranianos desvalorizados. Corpora\u00e7\u00f5es dos EUA, por sua vez, ganhariam acesso a reservas de g\u00e1s de xisto <em>(shale gas), <\/em>as quais gostariam de adicionar a infraestrutura de gasodutos e um mercado para elementos combust\u00edveis nucleares destinados a centrais el\u00e9ctricas. O objectivo principal, contudo, \u00e9 geopol\u00edtico: depois de assinar o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o, a Ucr\u00e2nia n\u00e3o poderia participar na Uni\u00e3o Aduaneira com a R\u00fassia, Bielor\u00fassia e Cazaquist\u00e3o. Foi para este resultado que os EUA e a UE recorreram \u00e0 agress\u00e3o contra a Ucr\u00e2nia, organizando a captura armada do poder pelos seus protegidos. Apesar de acusarem a R\u00fassia de anexar a Crimeia, eles pr\u00f3prios tomaram a Ucr\u00e2nia como um todo, com a instala\u00e7\u00e3o de uma junta sob o seu controle. A miss\u00e3o da junta \u00e9 despir a Ucr\u00e2nia da sua soberania e coloc\u00e1-la sob a UE, atrav\u00e9s da assinatura do Acordo de Associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O desastre na Ucr\u00e2nia pode ser chamado de agress\u00e3o contra a R\u00fassia pelos EUA e seus aliados da NATO. Isto \u00e9 uma vers\u00e3o contempor\u00e2nea do euro-fascismo, a qual difere da cara anterior do fascismo durante a II Guerra Mundial por empregar poder &#8220;soft&#8221; com apenas alguns elementos de ac\u00e7\u00e3o armada em casos de extrema necessidade, bem como a utiliza\u00e7\u00e3o da ideologia nazi como uma ideologia suplementar ao inv\u00e9s de absoluta. Um dos principais elementos definidores do eurofascismo foi entretanto preservado e \u00e9 a divis\u00e3o dos cidad\u00e3os em superiores (aqueles que apoiam a &#8220;escolha europeia&#8221;) e inferiores, os quais n\u00e3o t\u00eam direitos \u00e0s suas pr\u00f3prias opini\u00f5es e em rela\u00e7\u00e3o aos quais tudo \u00e9 permitido. Uma outra caracter\u00edstica \u00e9 a prontid\u00e3o para utilizar viol\u00eancia e cometer crimes ao tratar com oponentes pol\u00edticos. O aspecto final que precisa ser entendido \u00e9 o que conduz ao renascimento do fascismo na Europa. Sem apreender isto, \u00e9 imposs\u00edvel desenvolver um plano de resist\u00eancia e salvar o mundo russo desta mais recente amea\u00e7a de euro-ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A teoria do desenvolvimento econ\u00f3mico a longo prazo reconhece um inter-relacionamento entre ondas longas de actividade econ\u00f3mica e ondas longas de tens\u00e3o militar e pol\u00edtica. Mudan\u00e7as peri\u00f3dicas de um modo tecnol\u00f3gico dominante para o seguinte alternam-se com depress\u00f5es econ\u00f3micas, em que gastos governamentais acrescidos s\u00e3o utilizados como incentivo para ultrapassar a crise. Os gastos s\u00e3o concentrados no complexo militar-industrial, porque a ideologia econ\u00f3mica liberal permite o refor\u00e7o do papel do estado s\u00f3 para objectivos de seguran\u00e7a nacional. Portanto, \u00e9 promovida a tens\u00e3o militar e pol\u00edtica e s\u00e3o provocados conflitos internacionais para justificar gastos acrescidos com a defesa. Isto \u00e9 o que est\u00e1 a acontecer actualmente: os EUA est\u00e3o a tentar resolver seus acumulados desequil\u00edbrios econ\u00f3micos, financeiros e industriais a expensas de outros pa\u00edses, pelo agravamento de conflitos internacionais que lhes permitir\u00e3o cancelar d\u00edvidas, apropriarem-se de activos pertencentes a outros e enfraquecer seus rivais geopol\u00edticos. Quando isto foi feito durante a Grande Depress\u00e3o da d\u00e9cada de 1930, o resultado foi a II Guerra Mundial. A agress\u00e3o americana contra a Ucr\u00e2nia prossegue todos os objectivos acima mencionados. <strong>Primeiro,<\/strong>san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas contra a R\u00fassia s\u00e3o destinadas a eliminar milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares da d\u00edvida estado-unidense para com a R\u00fassia. Um <strong>segundo <\/strong>objectivo \u00e9 tomar activos do estado ucraniano, incluindo o sistema de transporte de g\u00e1s natural, reservas minerais, as reservas ouro do pa\u00eds e objectos valiosos art\u00edsticos e culturais. <strong>Terceiro, <\/strong>capturar mercados ucranianos com import\u00e2ncia para companhias americanas, tais como combust\u00edvel nuclear, aeron\u00e1utica, fontes de energia e outros. <strong>Quarto, <\/strong>enfraquecer n\u00e3o s\u00f3 a R\u00fassia como tamb\u00e9m a Uni\u00e3o Europeia, cuja economia sofrer\u00e1 uma perda estimada em um milh\u00e3o de milh\u00f5es <em>(trillion) <\/em>de d\u00f3lares com as san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas contra a R\u00fassia. <strong>Quinto, <\/strong>atrair para os EUA capitais em fuga da instabilidade na Europa.<\/p>\n<p>Portanto, a guerra na Ucr\u00e2nia \u00e9 neg\u00f3cio apenas para os Estados Unidos. A julgar pelos relatos nos media, os EUA j\u00e1 recuperaram seus gastos com a Revolu\u00e7\u00e3o Laranja e o Maidan ao levarem como pr\u00e9mio tesouros dos saqueados Museu Nacional de Arte Russa e Museu Hist\u00f3rico Nacional, ao tomarem campos potenciais de g\u00e1s e ao for\u00e7arem o governo ucraniano a mudar de russos para americanos os fornecimentos de combust\u00edvel nuclear para as suas centrais nucleares. Al\u00e9m disso, os americanos avan\u00e7aram no seu objectivo de longo prazo de separar a Ucr\u00e2nia da R\u00fassia, transformando o que costumava ser a &#8220;Pequena R\u00fassia&#8221; num estado hostil \u00e0 R\u00fassia, a fim de impedi-lo de aderir ao processo de integra\u00e7\u00e3o euro-asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Esta an\u00e1lise n\u00e3o deixa espa\u00e7o para d\u00favidas acerca da natureza a longo prazo e constante da agress\u00e3o americana contra a R\u00fassia na Ucr\u00e2nia. Washington est\u00e1 a dirigir seus fantoches de Kiev no sentido de escalar o conflito, ao inv\u00e9s de revert\u00ea-lo. Eles tamb\u00e9m est\u00e3o a incitar os militares ucranianos contra a R\u00fassia, tendo como objectivo arrastar for\u00e7as terrestres russas a uma guerra contra a Ucr\u00e2nia. Eles est\u00e3o a encorajar os nazis ali a iniciarem novas opera\u00e7\u00f5es de combate. Isto \u00e9 uma guerra real, organizada pelos Estados Unidos e seus aliados da NATO. Tal como h\u00e1 75 anos atr\u00e1s, ela est\u00e1 a ser travada pelos eurofascistas contra a R\u00fassia, com a utiliza\u00e7\u00e3o de nazis ucranianos cultivados para este prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>O que \u00e9 surpreendente \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses europeus, os quais est\u00e3o a reboque dos EUA e nada fazem para impedir uma nova escalada da crise. Eles deveriam entender melhor do que ningu\u00e9m que nazis s\u00f3 podem ser travados com a for\u00e7a. Quanto mais cedo isto for feito, menos v\u00edtimas e menos destrui\u00e7\u00e3o haver\u00e1 na Europa. A avalanche de guerras atrav\u00e9s da \u00c1frica do Norte, do M\u00e9dio Oriente, dos Balc\u00e3s e agora na Ucr\u00e2nia, incitadas pelos EUA no seu pr\u00f3prio interesse, amea\u00e7a acima de tudo a Europa. E foi a devasta\u00e7\u00e3o da Europa em duas guerras mundiais que deu origem ao milagre econ\u00f3mico americano no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Mas o Velho Mundo n\u00e3o sobreviver\u00e1 a uma Terceira Guerra Mundial. Impedir tal guerra significa que deve haver reconhecimento internacional de que as ac\u00e7\u00f5es dos EUA constituem agress\u00e3o e que a UE e os respons\u00e1veis estado-unidenses que as executam s\u00e3o criminosos de guerra. \u00c9 importante conferir a esta agress\u00e3o a defini\u00e7\u00e3o legal de &#8220;eurofascismo&#8221; e condenar as ac\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos e respons\u00e1veis europeus que tomaram parte no ressuscitar do nazismo sob a cobertura da Parceria Oriental.<\/p>\n<p>24\/Junho\/2014<\/p>\n<p><strong>Notas <\/strong><\/p>\n<p>[1] <em>Malorossiya <\/em>(&#8220;Pequena R\u00fassia&#8221; ou &#8220;R\u00fassia Menor&#8221;) \u00e9 uma express\u00e3o que remonta \u00e0 topon\u00edmia grega para as \u00e1reas populadas pelos eslavos orientais, mais pr\u00f3ximas (&#8220;R\u00fassia Menor&#8221;) e mais remotas a Norte do Mar Negro (&#8220;R\u00fassia Maior&#8221;). Ela tem sido utilizada ao longo dos tempos para indicar toda a moderna Ucr\u00e2nia ou, principalmente, o nordeste da Ucr\u00e2nia ou margem esquerda do Rio Dnieper. A express\u00e3o Novorossiya (&#8220;Nova R\u00fassia&#8221;) foi introduzida no s\u00e9culo XVIII para terras adquiridas pelo Imp\u00e9rio Russo, sob Catarina II, em guerras com o Imp\u00e9rio Otomano. Estas inclu\u00edam o litoral do Mar Negro desde o Rio Dniester at\u00e9 a Crimeia, o litoral do Mar de Azov a Leste at\u00e9 aproximadamente a foz do Rio Don, e terras ao longo do baixo Dnieper.<\/p>\n<p>[2] <em>Moskal <\/em>, ou &#8220;Moscovite, \u00e9 um termo pejorativo ucraniano para um russo.<\/p>\n<p>[NR 1] O acordo foi assinado em 27\/Junho\/2014.<\/p>\n<p>[NR 2] Este artigo \u00e9 anterior \u00e0 assinatura do Acordo de Associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*Da Academia de Ci\u00eancias Russa e conselheiro do Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/ukraine-and-the-rise-of-euro-fascism\/5388443\" target=\"_blank\">www.globalresearch.ca\/ukraine-and-the-rise-of-euro-fascism\/5388443<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nSergei Glazyev*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6410\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[125],"tags":[],"class_list":["post-6410","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c138-ucrania"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Fo","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6410"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6410\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}