{"id":6595,"date":"2014-08-12T14:49:17","date_gmt":"2014-08-12T14:49:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6595"},"modified":"2014-08-12T14:49:17","modified_gmt":"2014-08-12T14:49:17","slug":"as-mentiras-de-israel-sem-olhos-em-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6595","title":{"rendered":"As mentiras de Israel: sem olhos em Gaza"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>\u201c<a href=\"http:\/\/www.counterpunch.org\/2014\/08\/04\/eyeless-in-gaza\/\" target=\"_blank\">Israel\u2019s Deceptions: Eyeless in Gaza<\/a>\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Traduzido pelo pessoal da <strong>Vila Vudu<\/strong><\/p>\n<p>Um incidente no fim de semana \u2013 a noticiada captura, pelo Ham\u00e1s, de um soldado israelense na 6\u00aa-feira (1\/8\/2014), servindo-se de um dos t\u00faneis \u2013 serviu para ilustrar de modo not\u00e1vel as camadas de mentiras que Israel tem conseguido lan\u00e7ar sobre os fatos do ataque contra Gaza.<\/p>\n<p>No domingo, com o ex\u00e9rcito dando sinais de que iniciaria retirada limitada, Israel declarou que Hadar Goldin estava morto, possivelmente soterrado num dos t\u00faneis que teria desabado sob bombardeio naquela \u00e1rea. A fam\u00edlia do soldado disse que o ex\u00e9rcito o abandonara.<\/p>\n<p>Nem os funcion\u00e1rios do governo de Israel nem a imprensa viram de modo objetivo a opera\u00e7\u00e3o do Ham\u00e1s. Goldin n\u00e3o teria sido \u201ccapturado\u201d, mas sequestrado \u2013 como se estivesse passeando e tivesse sido atacado por ladr\u00f5es de rua.<\/p>\n<p>Como acontece frequentemente, muitos jornalistas ocidentais acompanharam a vers\u00e3o dos israelenses. O <em>London Times <\/em>gritava na primeira p\u00e1gina: \u201cSequestrado em Gaza\u201d. O <em>Boston Globe<\/em> trazia mat\u00e9ria sobre \u201csoldado israelense apanhado\u201d.<\/p>\n<p>Pelas rea\u00e7\u00f5es ocidentais, era claro, tamb\u00e9m, que a captura do soldado era considerad<\/p>\n<p>o not\u00edcia mais importante que qualquer dos massacres de civis palestinos ao longo de semanas.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo c\u00ednico de Israel \u2013 um soldado valeria mais que grande n\u00famero de civis palestinos mortos \u2013 ecoou pelos corredores da diplomacia e das reda\u00e7\u00f5es em Washington, Londres e Paris.<\/p>\n<p>Foi posta em circula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m a falsa \u201cnot\u00edcia\u201d segundo a qual, ao atacar um grupo de soldados em Rafah e capturar o soldado Goldin, o Ham\u00e1s teria violado os primeiros minutos de um cessar-fogo humanit\u00e1rio de 72 horas.<\/p>\n<p>O <em>Washington Post<\/em> noticiou as circunst\u00e2ncias em que um suicida-bomba do Ham\u00e1s teria emergido de um t\u00fanel para explodir-se, o que teria matado dois soldados e Goldin foi puxado para dentro do t\u00fanel:<\/p>\n<p><em>Na manh\u00e3 de 6\u00aa-feira (1\/8\/2014), soldados israelenses trabalhavam no sul da Faixa de Gaza, preparando-se para destruir um t\u00fanel do Ham\u00e1s, como informaram oficiais militares israelenses. De repente, militantes palestinos emergiram de um buraco.<\/em><\/p>\n<p>O rep\u00f3rter da <em>CBS<\/em>, Charlie D\u2019Agata papagueou o mesmo <em>briefing<\/em> distribu\u00eddo aos jornalistas pelos israelenses; e, como tampouco o <em>WPost<\/em>, n\u00e3o percebeu que estava expondo a grande mentira geral.<\/p>\n<p>O soldado teria sido \u201csequestrado durante opera\u00e7\u00e3o para limpar os t\u00faneis. E o sequestro teria acontecido depois de o cessar-fogo ter sido declarado\u201d \u2013 como os israelenses e seus jornalistas de servi\u00e7o n\u00e3o se cansavam de repetir. Mas&#8230; se o cessar-fogo j\u00e1 estava vigente, o que faziam naquela \u00e1rea o soldado Goldin e seus companheiros, explodindo t\u00faneis? Caberia talvez aos combatentes do Ham\u00e1s entrar nos t\u00faneis e esperar para serem explodidos durante o cessar-fogo? Ou quem violava o cessar-fogo era, isso sim, Israel?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, veio a explos\u00e3o de f\u00faria dos militares israelenses, quando perceberam que faltava um soldado. Os correspondentes israelenses admitiram que foi invocado o \u201cprocedimento Hannibal\u201d: usar de todos os meios poss\u00edveis para impedir que qualquer soldado seja capturado vivo; inclusive mat\u00e1-lo. A ideia \u00e9 impedir que o inimigo tenha uma vantagem psicol\u00f3gica na negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A furiosa massa de fogo parece ter sido ordenada para garantir que nem Goldin nem seus captores jamais sa\u00edssem vivos daquele t\u00fanel; mas, nesse processo, Israel matou d\u00fazias de palestinos.<\/p>\n<p>Foi mais uma ilustra\u00e7\u00e3o de que Israel absolutamente n\u00e3o se preocupa com a seguran\u00e7a de civis. Pelo menos \u00be dos mais de 1.700 palestinos assassinados at\u00e9 agora s\u00e3o n\u00e3o-combatentes; e praticamente todas as baixas israelenses s\u00e3o soldados. Esse tem sido o padr\u00e3o em todos os recentes confrontos em que Israel esteve envolvida.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m as justificativas dos israelenses para levar a luta para dentro de Gaza vieram recheadas com camadas e camadas de mentiras.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que Israel teria sido arrastada para uma guerra de necessidade. Barack Obama imediatamente lhe fez eco: Israel teria pleno direito de defender-se de uma barragem de foguetes lan\u00e7ados de Gaza. Na sequ\u00eancia o pretexto passou a ser \u201cdestruir os t\u00faneis do terror\u201d. A l\u00f3gica, a\u00ed, \u00e9 profundamente viciada.<\/p>\n<p>Israel est\u00e1 ocupando e sitiando Gaza, o que confere aos gazenses o direito, nos termos da lei internacional, de lutar pela pr\u00f3pria liberdade. Como seria admiss\u00edvel que o violador das leis, o opressor, o ocupante, mantivesse algum direito de autodefesa? Se Israel tem obje\u00e7\u00f5es a ser atacada e agredida, Israel que pare de fazer, da vida de suas v\u00edtimas, um inferno sem fim.<\/p>\n<p>O grau no qual a narrativa da \u201cautodefesa\u201d de Israel passou a dominar toda a cobertura \u201cjornal\u00edstica\u201d e todas as declara\u00e7\u00f5es \u201cdiplom\u00e1ticas\u201d apareceu muito claramente numa entrevista na <em>CNN<\/em>. A \u00e2ncora Carol Costello perguntou com ar muito s\u00e9rio, a um entrevistado com ar de susto ante a imbecilidade da pergunta: \u201cPor que o Ham\u00e1s n\u00e3o mostra a Israel onde est\u00e3o aqueles t\u00faneis?\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m significativamente, Israel tamb\u00e9m ocultou a verdade de que se serviu de um acontecimento exterior, para essa nova rodada de ataques contra o Ham\u00e1s \u2013 e de que o fez calculadamente.<\/p>\n<p>Uma rep\u00f3rter da <em>BBC<\/em> confirmou recentemente com um porta-voz da pol\u00edcia israelense um boato que circulava entre os correspondentes militares j\u00e1 h\u00e1 semanas. J\u00e1 se sabia que o grupo que sequestrou os tr\u00eas israelenses na Cisjord\u00e2nia \u2013 evento que teria motivado a campanha de Israel contra o Ham\u00e1s \u2013 agira sozinho, por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Netanyahu mentiu que teria provas abundantes de que o Ham\u00e1s teria sido respons\u00e1vel; foi o que bastou para que o ex\u00e9rcito se pusesse a prender centenas de membros do Ham\u00e1s e a bombardear as institui\u00e7\u00f5es do partido na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>O ataque foi a provoca\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria: o Ham\u00e1s autorizou os seus grupos ativistas a lan\u00e7ar os primeiros foguetes, ainda em n\u00famero limitado. O <strong><a href=\"http:\/\/redecastorphoto.blogspot.com.br\/2014\/08\/as-chances-do-hamas.html\" target=\"_blank\">analista Nathan Thrall observou recentemente<\/a><\/strong> que o Ham\u00e1s havia impressionado o ex\u00e9rcito israelense at\u00e9 ali, porque havia feito valer o cessar-fogo acordado com Israel 18 meses antes; e, isso apesar de Israel ter violado os termos do mesmo acordo e mantido o cerco de Gaza.<\/p>\n<p>Afinal, com os foguetes, Netanyahu encontrou a desculpa de que precisava para atacar Gaza.<\/p>\n<p>Mas qual foi a raz\u00e3o real de Netanyahu para atacar Gaza dessa vez? Para que se serviu de tantas mentiras e encena\u00e7\u00f5es? Para esconder o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Parece que Netanyahu quis p\u00f4r fim a uma amea\u00e7a estrat\u00e9gica: n\u00e3o os foguetes nem os t\u00faneis do Ham\u00e1s, mas o governo de unidade entre os dois partidos pol\u00edticos e antigos rivais, Ham\u00e1s e Fatah. A unidade palestina criava o risco de aumentar a press\u00e3o sobre Netanyahu para negociar; ou, talvez, de fazer ressurgir uma campanha mais cr\u00edvel, dessa vez, pelo reconhecimento da soberania do estado palestino na ONU.<\/p>\n<p>Mas o impressionante aparelho de guerra do Ham\u00e1s, surpreendente, de fato, dessa vez, contra Israel \u2013 Israel perdeu d\u00fazias de soldados; e os foguetes, agora, de longo alcance contra Israel (o Ham\u00e1s conseguiu manter fechado o \u00fanico aeroporto internacional de Israel por alguns poucos dias), e o tempo de resist\u00eancia, que causou perdas de mais de US$4 bilh\u00f5es para a economia israelense \u2013 obrigaram Netanyahu a retroceder e a mudar seus planos.<\/p>\n<p>Por hora, Netanyahu parece estar preferindo retirar os soldados israelenses, em vez de ser empurrado, por press\u00e3o internacional, a negociar com o Ham\u00e1s. Ele sabe que a principal demanda ser\u00e1 que Israel ponha fim ao cerco de Gaza.<\/p>\n<p>Mas, no longo prazo, \u00e9 poss\u00edvel que Netanyahu venha a precisar da unidade palestina, pelo menos nos seus pr\u00f3prios termos, como meio para \u201ccontrolar\u201d o poder e os ganhos do Ham\u00e1s.<\/p>\n<p>Quando Israel estava come\u00e7ando seu ataque contra Gaza, Netanyahu virou-se na dire\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia. Alertou que \u201cjamais poder\u00e1 haver qualquer acordo pelo qual descuidemos do controle da seguran\u00e7a\u201d na Cisjord\u00e2nia, de medo de que, dado o tamanho muito maior da Cisjord\u00e2nia, o Ham\u00e1s venha a criar ali \u201coutras 20 Gazas\u201d.<\/p>\n<p>Estava dizendo que jamais haver\u00e1 estado palestino. Alguma esp\u00e9cie de entidade \u201cdesmilitarizada\u201d, circunscrita e absolutamente dependente de Israel e dos EUA, \u00e9 o m\u00e1ximo que Israel jamais aceitar\u00e1 discutir.<\/p>\n<p>Permitir que Mahmoud Abbas e o Fatah passem a governar tamb\u00e9m Gaza, sim, justificaria aliviar o cerco. Mas se, e somente se, Abbas assumir a tarefa de p\u00f4r fim \u00e0 infraestrutura militar do Ham\u00e1s e concordar em exportar para Gaza o modelo que estabeleceu na Cisjord\u00e2nia \u2013 de acomoda\u00e7\u00e3o incondicional e infind\u00e1vel com Israel e EUA e com o que lhe ordenem.<\/p>\n<hr width=\"33%\" size=\"1\" \/>\n<p>[*] Jonathan Cook (nascido em 1965) \u00e9 escritor e jornalista freelance baseado em Nazar\u00e9, Israel, que escreve sobre o Oriente M\u00e9dio e, mais especificamente, sobre o conflito israelense-palestino. Cook nasceu e cresceu em Buckinghamshire, Inglaterra. Recebeu o bacharelado em Filosofia e Pol\u00edtica na Southampton University, em 1987, diplomou-se j\u00e1 com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em jornalismo na Cardiff University, em 1989 com mestrado em Oriente M\u00e9dio com estudos na School of Oriental and African Studies, em 2000. A carreira de foca no jornalismo come\u00e7ou em 1988 como rep\u00f3rter e editor para jornais regionais de an\u00fancios em Southampton no Southampton Evening Echo. Foi sub-editor freelance de v\u00e1rios jornais nacionais no per\u00edodo de 1994 at\u00e9 1996 como jornalista da equipe do The Guardian e entre 1996 e 2001 do The Observer.<\/p>\n<p>Desde setembro de 2001 Cook, como free lance, est\u00e1 baseado em Nazar\u00e9, Israel. Continuou a escrever colunas para o The Guardian at\u00e9 2007, uma publica\u00e7\u00e3o ele abandonou em 2011 em repres\u00e1lia ao comportamento do Guardian sobre Gilad Atzmon, Julian Assange, Noam Chomsky e outros escritores e jornalistas. Artigos de Cook tamb\u00e9m foram publicados no The International Herald Tribune, Le Monde Diplomatique, Al-Ahram Weekly, Al Jazeera, The National (Abu Dhabi), <a href=\"http:\/\/antiwar.com\" target=\"_blank\">antiwar.com<\/a> , CounterPunch, Dissident Voice, The Electronic Intifada, Mondoweiss, AlterNet e M\u00eddia Lens entre outros. Em 2011, Cook recebeu um pr\u00eamio especial Martha Gellhorn de jornalismo por seu trabalho sobre o Oriente M\u00e9dio. Escreveu 3 livros \u201csolo\u201d e v\u00e1rios outros em coparticipa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/redecastorphoto.blogspot.com.br\/search?updated-max=2014-08-05T20:55:00-03:00&amp;max-results=8&amp;start=4&amp;by-date=false\" target=\"_blank\">http:\/\/redecastorphoto.blogspot.com.br\/search?updated-max=2014-08-05T20:55:00-03:00&amp;max-results=8&amp;start=4&amp;by-date=false<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n3\/8\/2014, [*] Jonathan Cook (de Nazar\u00e9), Counterpunch\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6595\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-6595","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1In","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6595"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6595\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}