{"id":6619,"date":"2014-08-21T22:34:05","date_gmt":"2014-08-21T22:34:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6619"},"modified":"2014-08-21T22:34:05","modified_gmt":"2014-08-21T22:34:05","slug":"qsangue-nas-maos-americanasq-richard-falk-na-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6619","title":{"rendered":"&#8220;Sangue nas m\u00e3os americanas&#8221; \u2013 Richard Falk na Palestina"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>H\u00e1 20 anos que Israel e os Estados Unidos trabalham para separar Gaza da Margem Ocidental, violando os Acordos de Oslo que tinham acabado de assinar, declarando-os uma unidade territorial indivis\u00edvel. O \u00faltimo massacre em Gaza faz parte duma pol\u00edtica imperialista israelense que, como me escreveu Noam Chomsky h\u00e1 alguns dias, procura &#8220;apoderar-se do que h\u00e1 de valioso &#8216;na terra de Israel&#8217;, reduzir a popula\u00e7\u00e3o a uma exist\u00eancia marginal (com a habitual exce\u00e7\u00e3o neocolonialista: um enclave para os setores ricos e ocidentalizados em Ramallah) e, se ela se for embora, tanto melhor&#8221;. Mas Richard Falk, Albert G. Milbank, professor em\u00e9rito de direito internacional na Universidade de Princeton, antigo relator especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Palestina Ocupada, e autor do recente livro <em>Palestine: The Legitimacy of Hope <\/em>, que ser\u00e1 publicado em setembro pela Just World Press, sublinha nesta entrevista exclusiva que Israel protesta sempre que os seus ataques contra os palestinos s\u00e3o provocados pelos pr\u00f3prios palestinos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>C.J. Polychroniou: Professor Falk, c\u00e1 estamos de novo: Israel, uma das mais poderosas pot\u00eancias militares do mundo, desencadeou mais uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza com o pretexto bastante hip\u00f3crita de que foi o Hamas quem provocou o ataque a Gaza. Qual \u00e9 o verdadeiro objetivo de Israel para atacar Gaza nesta altura? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Richard Falk: <\/strong>Creio que Israel &#8220;faz uma poda&#8221; periodicamente em Gaza, conforme um conselheiro de Sharon exprimiu o objetivo da pol\u00edtica de Israel em rela\u00e7\u00e3o a Gaza, h\u00e1 uns anos. H\u00e1 fatores presentes no contexto deste ataque de Israel que podem explicar porqu\u00ea agora. Os dois principais fatores, na minha opini\u00e3o, foram a institui\u00e7\u00e3o mal aceite de um &#8220;governo de unidade&#8221; tempor\u00e1rio, em 2 de junho, pelos l\u00edderes da Fatah e do Hamas, que prejudicaram a abordagem israelense de manter t\u00e3o divididas quanto poss\u00edvel as autoridades governamentais na Margem Ocidental e em Gaza. O segundo elemento foi o forte incentivo de Israel, para enfraquecer o Hamas na Margem Ocidental a fim de Israel poder justificar a sua posi\u00e7\u00e3o em abril para acabar com as negocia\u00e7\u00f5es diretas com a Autoridade Palestina e avan\u00e7ar ainda mais para a incorpora\u00e7\u00e3o da Margem Ocidental, ou a maior parte dela, em Israel e concretizar o sonho expansionista sionista para avan\u00e7ar para al\u00e9m das fronteiras de 1967.<\/p>\n<p>O incidente, em 12 de junho \u2013 o sequestro de tr\u00eas colonos adolescentes da col\u00f3nia Gush Etzion, perto de Jerusal\u00e9m \u2013 forneceu ao governo de Netanyahu o pretexto de que precisava para montar uma campanha anti-Hamas que come\u00e7ou como uma suposta ca\u00e7ada aos perpetradores, com a deten\u00e7\u00e3o de 500 suspeitos de liga\u00e7\u00e3o ao Hamas e a imposi\u00e7\u00e3o geral duma s\u00e9rie de medidas opressivas, incluindo demoli\u00e7\u00e3o de casas, cerco a aldeias palestinas, e viol\u00eancia a esmo que provocou a morte a seis palestinos. Como se verificou, o incidente foi manipulado da forma mais c\u00ednica pelo governo que fingiu andar \u00e0 procura dos jovens sequestrados, quando sabia que eles j\u00e1 estavam mortos, usando a ansiedade e a c\u00f3lera p\u00fablica para incitar os cidad\u00e3os israelenses a justificar as t\u00e1ticas opressivas do governo e a criar uma atmosfera de vingan\u00e7a vigilante.<\/p>\n<p>Depois de negar qualquer envolvimento no incidente do rapto, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que, em retalia\u00e7\u00e3o pelas provoca\u00e7\u00f5es de Israel, o Hamas tenha come\u00e7ado a disparar m\u00edsseis contra aldeias israelenses. Israel utilizou a sua tremenda m\u00e1quina de propaganda para contar ao mundo que o seu terceiro grande ataque militar a Gaza indefesa nos \u00faltimos cinco anos (2008-09, 2012, 2014) foi uma resposta defensiva a ataques de m\u00edsseis n\u00e3o provocados. Com uma inoc\u00eancia rid\u00edcula, Netanyahu disse a todo o mundo que Israel tivera que agir para proteger os seus cidad\u00e3os dos m\u00edsseis, sem mencionar, obviamente, a anterior razia anti-Hamas que incluiu terr\u00edveis cal\u00fanias racistas israelenses dirigidas contra os palestinos e ataques vingativos a crian\u00e7as palestinas.<\/p>\n<p><strong>Porque \u00e9 que fracassaram as negocia\u00e7\u00f5es para um cessar-fogo no Cairo? <\/strong><\/p>\n<p>O cessar-fogo fracassou por v\u00e1rias raz\u00f5es. O Hamas foi exclu\u00eddo do processo conducente ao cessar-fogo proposto e s\u00f3 foi informado pelos media p\u00fablicos. Al\u00e9m disso, foram ignoradas as condi\u00e7\u00f5es do Hamas, previamente anunciadas, para aceitar um cessar-fogo: liberta\u00e7\u00e3o dos palestinos, que tinham feito parte da troca do prisioneiro Gilad Shalit h\u00e1 tr\u00eas anos (em que foi libertado um \u00fanico soldado israelense capturado, em troca da liberta\u00e7\u00e3o acordada com Israel, de 1027 prisioneiros palestinos), e que foram detidos de novo nas \u00faltimas semanas, na repress\u00e3o contra o Hamas; fim do bloqueio e abertura das passagens; fim da interfer\u00eancia no governo de unidade; reposi\u00e7\u00e3o do cessar-fogo de 2012. Por outro lado, o Egito de Sisi dificilmente \u00e9 um intermedi\u00e1rio de confian\u00e7a na perspetiva do Hamas. Como pano de fundo, est\u00e1 a brutal repress\u00e3o da Irmandade Mu\u00e7ulmana no Egito e a hostilidade para com o Hamas, que o governo de Sisi considera como sua extens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Israel teria desencadeado um ataque se o novo governo eg\u00edpcio n\u00e3o estivesse tamb\u00e9m disposto a ver o Hamas destru\u00eddo? <\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 um assunto muito pol\u00e9mico. Israel iniciou um grande ataque a Gaza em novembro de 2012, quando o presidente era Mohamed Morsi, apesar da sua afinidade com a Irmandade Mu\u00e7ulmana e depois aceitou um cessar-fogo sob os ausp\u00edcios diplom\u00e1ticos do Cairo. Claro que ter o general Abdel Fattah el-Sisi como presidente do Egito \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel do ponto de vista de Israel. Sisi destruiu substancialmente a enorme rede de t\u00faneis de que o Hamas dependia para receber os abastecimentos necess\u00e1rios assim como para cobrar os impostos indispens\u00e1veis para administrar Gaza. Nos \u00faltimos meses, o Egito tem vindo a cooperar com Israel e com os Estados Unidos, inclusive na rela\u00e7\u00e3o para controlar a passagem atrav\u00e9s da fronteira de Rafah para o Egito, que \u00e9 a \u00fanica via de fuga dispon\u00edvel para a popula\u00e7\u00e3o de Gaza, incluindo os que precisam de assist\u00eancia m\u00e9dica s\u00f3 dispon\u00edvel no Cairo. Creio que o ataque de Israel ocorreu nesta altura principalmente por raz\u00f5es da pol\u00edtica de estado de Israel e teria ocorrido independentemente das atitudes da lideran\u00e7a no Cairo.<\/p>\n<p><strong>Com 1,8 milh\u00e3o de pessoas encurraladas numa zona de guerra superpovoada, devia ser \u00f3bvio que os ataques dos jatos israelenses constituem uma flagrante viola\u00e7\u00e3o do direito humanit\u00e1rio internacional. No entanto, mais uma vez, Israel \u00e9 autorizado a avan\u00e7ar com os assass\u00ednios porque beneficia do apoio diplom\u00e1tico dos EUA, assim como do apoio militar e financeiro dos EUA. Nessa medida, isso n\u00e3o torna os Estados Unidos um c\u00famplice nos crimes contra a humanidade, ao lado de Israel? <\/strong><\/p>\n<p>Concordo que os Estados Unidos, pelas raz\u00f5es que citou, s\u00e3o verdadeiros c\u00famplices no que se refere \u00e0 natureza criminosa do ataque de Israel. Se este tipo de cumplicidade envolve uma culpa legal, assim como uma cumplicidade pol\u00edtica e moral, \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto. Os Estados Unidos, tanto quanto se sabe, n\u00e3o est\u00e3o diretamente envolvidos no planeamento e execu\u00e7\u00e3o desta &#8220;agress\u00e3o&#8221; contra Gaza e da &#8220;puni\u00e7\u00e3o coletiva&#8221; contra a sua popula\u00e7\u00e3o. Dar apoio militar ou fornecer equipamento militar a um governo estrangeiro, por si s\u00f3, n\u00e3o constitui uma rela\u00e7\u00e3o suficiente com o ataque para satisfazer os testes legais de cumplicidade.<\/p>\n<p>O que \u00e9 claro \u00e9 que o apoio diplom\u00e1tico, continuado e incondicional, dado pelos EUA a Israel, incluindo a prote\u00e7\u00e3o de Israel contra uma censura formal na ONU, e o fracasso em desencorajar a pr\u00e1tica de crimes de guerra, resulta em muito sangue nas m\u00e3os americanas. Ativistas que se op\u00f5em a esta pol\u00edtica americana est\u00e3o atualmente mais empenhados em mobilizar as igrejas e as universidades para abandonarem as empresas que fazem neg\u00f3cios com os colonatos ou facilitam o militarismo israelense, e h\u00e1 crescentes apelos nacionais e internacionais para um embargo de armamento a Israel, o que teria apenas uma for\u00e7a simb\u00f3lica, dada a robusta ind\u00fastria de armas de Israel, que est\u00e1 a fornecer armas a muitos pa\u00edses, com o grotesco argumento de vendas de que s\u00e3o testadas &#8220;no terreno&#8221;, ou seja, usadas em Gaza.<\/p>\n<p><strong>O Hamas j\u00e1 enfrentou anteriormente uma situa\u00e7\u00e3o semelhante mas, sempre que entra em confronto militar com Israel, parece surgir mais forte do antes. Devemos esperar que desta vez seja diferente? <\/strong><\/p>\n<p>Neste momento \u00e9 dif\u00edcil dizer. O que o confronto revelou foi que o Hamas e outras mil\u00edcias em Gaza t\u00eam um fornecimento consider\u00e1vel de m\u00edsseis de longo alcance capazes de atingir qualquer cidade em Israel, incluindo Jerusal\u00e9m e Tel Aviv. Tamb\u00e9m parece que a confian\u00e7a de Israel nos ataques a\u00e9reos e bombardeamentos navais n\u00e3o foi capaz de limitar o n\u00famero de m\u00edsseis que foram disparados. \u00c9 verdade que, apesar de terem lan\u00e7ado mais de 1000 m\u00edsseis, nenhum israelense foi morto por um m\u00edssil palestino (segundo parece, o \u00fanico israelense que morreu at\u00e9 agora foi atingido por um morteiro disparado de Gaza, quando estava a fugir para um abrigo, uma op\u00e7\u00e3o que os habitantes de Gaza n\u00e3o t\u00eam) [segundo uma entrevista feita em 19 de julho]. Simultaneamente, os efeitos psicol\u00f3gicos e pol\u00edticos de terem sido incapazes de fazer parar o lan\u00e7amento de m\u00edsseis prejudicou o prest\u00edgio de Israel e pode levar a prosseguir em objetivos mais ambiciosos do que destruir t\u00faneis de Gaza para Israel, o objetivo declarado da Opera\u00e7\u00e3o Margem Protetora, o nome de c\u00f3digo que Israel deu \u00e0 sua opera\u00e7\u00e3o militar. A alta propor\u00e7\u00e3o de civis entre as baixas palestinas (75 a 80 por cento) tamb\u00e9m sugere que o Hamas est\u00e1 mais sofisticado quanto \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos seus militantes contra o poder de fogo israelense, em compara\u00e7\u00e3o com os resultados dos dois ataques precedentes.<\/p>\n<p>Claro que, na medida em que Israel est\u00e1 politicamente mais fraco, o Hamas surge mais forte, resistindo ao violento ataque israelense, demonstrando resist\u00eancia nas circunst\u00e2ncias mais dif\u00edceis e montando uma teimosa resist\u00eancia que frustra os anunciados objetivos da guerra de Israel.<\/p>\n<p><strong>Israel tornou-se num estado &#8220;fundamentalista&#8221;, traindo todos os sonhos e aspira\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 sua funda\u00e7\u00e3o inicial? <\/strong><\/p>\n<p>Penso que Israel se foi movendo definitivamente na dire\u00e7\u00e3o duma compreens\u00e3o maximalista do projeto sionista, que atualmente pretende claramente o exerc\u00edcio de um controlo de soberania permanente sobre a &#8220;Judeia e a Samaria&#8221;, o que o mundo ocidental conhece como &#8220;a Margem Ocidental&#8221;. O novo presidente de Israel, Reuven Rivlin, que em breve substituir\u00e1 Shimon Peres, pertence \u00e0 ala direita do Partido Likud de Netanyahu. \u00c9 um defensor declarado de um Israel alargado que reclama toda a Palestina b\u00edblica e repudia toda a diplomacia associada ao estabelecimento da paz na base de um estado palestino, na verdade, uma abordagem de um \u00fanico estado em que os palestinos ser\u00e3o uma minoria permanente. Al\u00e9m disso, o Israel de hoje desviou-se muito para a direita; muitos israelenses evolu\u00edram para uma mentalidade consumista e o conflito com a Palestina, exceto durante crises como a atual, tem colocado s\u00e9rias amea\u00e7as nos \u00faltimos anos \u00e0 estabilidade e serenidade do pa\u00eds. Tamb\u00e9m, por causa das altas taxas de fertilidade e da import\u00e2ncia do movimento colonizador, o juda\u00edsmo religioso tem vindo a desempenhar um papel maior, e injeta um certo extremismo religioso e intoler\u00e2ncia \u00e9tnica na vida pol\u00edtica e social de Israel.<\/p>\n<p><strong>A solu\u00e7\u00e3o dois-estados, h\u00e1 muito proposta pelos defensores da causa palestina, incluindo o falecido Edward Said, parece ser um beco sem sa\u00edda \u2013 pelo menos aos meus olhos. Concorda com esta afirma\u00e7\u00e3o e, se sim, qual \u00e9 a alternativa para garantir uma paz duradoura entre israelenses e palestinos? <\/strong><\/p>\n<p>Vou esclarecer a posi\u00e7\u00e3o de Edward Said: Durante algum tempo, no final dos anos 80, ele foi a favor, tal como a OLP, da solu\u00e7\u00e3o dois-estados mas, nos \u00faltimos anos da sua vida, aprovou veementemente um estado \u00fanico, binacional e laico como a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o pratic\u00e1vel que permitia que os dois povos vivessem juntos em paz e com dignidade. Said rejeitou a ideia de um estado \u00e9tnico para cada povo e achava que a exig\u00eancia sionista de ter um estado judeu na Palestina hist\u00f3rica nunca resultaria numa paz justa e sustent\u00e1vel que reconhecesse os direitos palestinos sob o direito internacional, incluindo o direito ao regresso e a igualdade para a minoria palestina que vive em Israel.<\/p>\n<p>Subscrevo a \u00faltima declara\u00e7\u00e3o de Said e creio que a escalada e a determina\u00e7\u00e3o dos colonos \u00e9 tal que torna imposs\u00edvel a sua remo\u00e7\u00e3o politicamente. Por essa raz\u00e3o, opus-me ao tipo de negocia\u00e7\u00f5es diretas que o secret\u00e1rio de Estado dos EUA, John Kerry, tanto pressionou h\u00e1 um ano, criando falsas expectativas e press\u00f5es artificiais. Presentemente, n\u00e3o existem pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para dois estados com iguais direitos de soberania, vivendo lado a lado definitivamente e provavelmente nunca existiram. Negociar com esse sentimento de futilidade \u00e9 fazer o jogo de Israel de conversa\u00e7\u00f5es infind\u00e1veis, enquanto as gruas de constru\u00e7\u00e3o nos colonatos continuam o seu trabalho ilegal a um ritmo acelerado. O tempo nunca jogou a favor dos palestinos. As suas perspetivas territoriais t\u00eam sido permanentemente reduzidas e chegaram agora praticamente a zero. Recorde que o plano de parti\u00e7\u00e3o da ONU em 1947 pareceu injusto aos palestinos, quando lhes ofereceram apenas 45 por cento da Palestina, e que depois foi reduzido a 22 por cento na sequ\u00eancia do resultado da guerra de 1948, com a expuls\u00e3o dos palestinos, e ainda mais pelos &#8220;factos no terreno&#8221; (colonatos, muro, estradas s\u00f3 para colonos) paulatinamente criados a partir de 1967.<\/p>\n<p>A melhor esperan\u00e7a do movimento nacional palestino nesta altura \u00e9 avan\u00e7ar atrav\u00e9s de um governo de unidade, envolvendo tamb\u00e9m a comunidade de 7 milh\u00f5es de refugiados e exilados, trabalhando em conjunto com o movimento global de solidariedade que est\u00e1 a crescer rapidamente. Por outras palavras, as perspetivas palestinas no futuro depender\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da sociedade civil global para apoiar a\u00e7\u00f5es coercivas n\u00e3o violentas a uma escala mundial. A campanha BDS (<a href=\"http:\/\/bdsmovement.net\/\" target=\"_blank\">Boycott, Divestment, and Sanctions<\/a>) tem vindo a crescer recentemente a um ritmo r\u00e1pido, em que se tornam mais relevantes as analogias com a luta anti-apartheid que derrubou um regime racista na \u00c1frica do Sul contra todas as expectativas. Esta mudan\u00e7a na t\u00e1tica palestina na dire\u00e7\u00e3o do que eu tenho chamado de &#8220;guerra de legitimidade&#8221; parece refor\u00e7ada na sua plausibilidade pela crescente indigna\u00e7\u00e3o global perante a t\u00e1tica de Israel, principalmente pelo seu desprezo insens\u00edvel pela inoc\u00eancia civil dos palestinos.<\/p>\n<p>21\/julho\/2014<\/p>\n<p><em>*Investigador associado no Instituto de Economia Levy de Bard College e colunista dum jornal nacional di\u00e1rio grego. Os seus principais interesses de investiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica europeia, a globaliza\u00e7\u00e3o, a economia pol\u00edtica dos Estados Unidos e a desconstru\u00e7\u00e3o do projeto pol\u00edtico-econ\u00f3mico do neoliberalismo. Ensinou durante muitos anos em universidades nos Estados Unidos e na Europa e \u00e9 colaborador regular para Truthout assim como membro do Public Intellectual Project daTruthout. Publicou v\u00e1rios livros e os seus artigos t\u00eam aparecido numa s\u00e9rie de jornais e revistas. Muitas das suas publica\u00e7\u00f5es t\u00eam sido traduzidas em diversas l\u00ednguas estrangeiras, incluindo o grego, o espanhol, o portugu\u00eas e o italiano. <\/em><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/blood_on_american_hands_21jul14_p.html\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor C.J. 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