{"id":6656,"date":"2014-09-03T19:57:24","date_gmt":"2014-09-03T19:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6656"},"modified":"2014-09-03T19:57:24","modified_gmt":"2014-09-03T19:57:24","slug":"relatorio-de-uma-visita-a-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6656","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio de uma visita \u00e0 Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"\n<p>No pret\u00e9rito dia 14 de Agosto de 2014 a <strong>Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Juristas Democratas (APJD) <\/strong>, representada por Madalena Santos e Ant\u00f3nio Negr\u00e3o participou em Kiev (Ucr\u00e2nia) numa das audi\u00eancias do processo que visa a ilegaliza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista da Ucr\u00e2nia (PCU).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Fiz\u00e9mo-lo em representa\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Juristas Democratas, com mandato para representar igualmente a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Juristas Democratas (IADL) e organiza\u00e7\u00f5es similares de outros pa\u00edses europeus, nomeadamente a &#8220;Droit Solidarit\u00e9&#8221; de Fran\u00e7a. O estatuto de observador internacional n\u00e3o foi poss\u00edvel de obter \u2013 face \u00e0 urg\u00eancia e tempo efectivo para tratamento do processo junto das entidades competentes \u2013 pelo que acab\u00e1mos por ser constitu\u00eddos mandat\u00e1rios do Partido Comunista da Ucr\u00e2nia (PCU).<\/p>\n<p>No que toca \u00e0 natureza do processo judicial com vista \u00e0 ilegaliza\u00e7\u00e3o da actividade pol\u00edtica do Partido Comunista da Ucr\u00e2nia salienta-se que se trata de uma ac\u00e7\u00e3o administrativa. Os autores s\u00e3o o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e o Servi\u00e7o de Registo Estatal da Ucr\u00e2nia, a que se juntaram depois, como &#8220;terceiros&#8221;, outros organismos do Estado e v\u00e1rios partidos pol\u00edticos envolvidos no golpe de Fevereiro\t, entre os quais o Svoboda [de orienta\u00e7\u00e3o nazifascista]; o r\u00e9u \u00e9 o Partido Comunista da Ucr\u00e2nia. O que os autores do processo pedem \u00e9 que sejam banidas as actividades do PCU. A audi\u00eancia a que assistimos faz ainda parte da fase preliminar, em que o tribunal avaliar\u00e1 se h\u00e1 ou n\u00e3o bases para que se venha a instruir um processo contra o PCU visando a proibi\u00e7\u00e3o da sua actividade. (Ver em anexo a Peti\u00e7\u00e3o Inicial apresentada pelos autores).<\/p>\n<p>Esta audi\u00eancia, a segunda nesta fase preliminar, foi interrompida <em>sine die <\/em>com a argumenta\u00e7\u00e3o de que alguns dos documentos agora apresentados ter\u00e3o que ser mais bem avaliados pelas partes e pela pr\u00f3pria ju\u00edza. Quando sa\u00edmos de Kiev (dia 15 de Agosto) n\u00e3o ficou marcada a pr\u00f3xima audi\u00eancia. Sabemos hoje \u00e0 data em que elaboramos este relat\u00f3rio que <strong>a pr\u00f3xima sess\u00e3o ser\u00e1 j\u00e1 no dia 4 de Setembro. <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o estamos ainda perante um processo-crime, mas sim um processo administrativo. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: h\u00e1 um partido pol\u00edtico, que foi constitu\u00eddo segundo a lei da Ucr\u00e2nia e est\u00e1 registado no Servi\u00e7o de Registo Estatal da Ucr\u00e2nia. O que os autores do processo questionam \u00e9 se esse partido deve manter ou n\u00e3o esse registo, ou seja, avaliar se as suas actividades violam ou n\u00e3o as leis do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na peti\u00e7\u00e3o inicial, os autores do processo fazem a fundamenta\u00e7\u00e3o baseando-se naquelas que s\u00e3o as leis ucranianas relativas aos partidos pol\u00edticos, seus direitos e deveres, acusando depois v\u00e1rios dirigentes do PCU de, em diversas ocasi\u00f5es, violarem v\u00e1rias destas normas. Como consequ\u00eancia, pedem a ilegaliza\u00e7\u00e3o do partido.<\/p>\n<p>Importa que nos interroguemos sobre qual a &#8220;validade&#8221; dessas provas do ponto de vista estritamente jur\u00eddico. Pelo que ouvimos no tribunal, a prova (se assim se pode chamar) essencial em que se baseia o pedido do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a assenta em declara\u00e7\u00f5es proferidas por l\u00edderes do Partido \u2013 desde o primeiro-secret\u00e1rio at\u00e9 centenas de dirigentes de v\u00e1rios n\u00edveis de responsabilidade \u2013, algumas delas proferidas no Parlamento. Por exemplo, o primeiro-secret\u00e1rio do PCU [Petro Simonenko] prop\u00f4s no Parlamento a transforma\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia em uma Federa\u00e7\u00e3o, algo que o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a entende como sendo um apelo ao &#8220;separatismo&#8221;; quando o PCU defendeu que se considerasse melhor as quest\u00f5es de seguran\u00e7a e que fossem criadas mil\u00edcias populares que pudessem ajudar a pol\u00edcia a assegurar a ordem e a tranquilidade p\u00fablicas, isso foi interpretado como um incentivo \u00e0 sedi\u00e7\u00e3o armada.<\/p>\n<p>Enquanto representantes da APJD assistimos no tribunal a algo inaudito: a proposta de realiza\u00e7\u00e3o de uma &#8220;per\u00edcia lingu\u00edstica&#8221;. Ou seja, por outras palavras, tal como existem per\u00edcias m\u00e9dicas para reconstituir alguns tipos de crime, existe na Ucr\u00e2nia a chamada &#8220;per\u00edcia lingu\u00edstica&#8221;, capaz alegadamente de perceber que quando Petro Simonenko fala em &#8220;federaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds&#8221; estaria, na verdade, a falar de &#8220;separatismo&#8221;.<\/p>\n<p>Na nossa perspectiva, esta \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o inequivocamente fascist\u00f3ide, pois significa que as pessoas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o livres de se expressar como entendem na sua l\u00edngua materna. Tudo o que dizem est\u00e1 sujeito a ser interpretado de forma enviesada por terceiros.<\/p>\n<p>Para c\u00famulo, estas ditas &#8220;per\u00edcias&#8221; foram aceites como prova, mas quando o PCU pediu para que os registos v\u00eddeo e \u00e1udio das sess\u00f5es do Parlamento pudessem constar como prova (para se evitarem leituras descontextualizadas das afirma\u00e7\u00f5es dos seus dirigentes) o tribunal n\u00e3o aceitou.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o dos nossos colegas ucranianos \u00e9 que se est\u00e1, de facto, perante uma encena\u00e7\u00e3o de julgamento e que as instru\u00e7\u00f5es vindas de autoridades ilegalmente constitu\u00eddas s\u00e3o para que o PCU e a sua leg\u00edtima actividade pol\u00edtica e parlamentar sejam banidos. N\u00e3o se trata de uma opini\u00e3o individual, pois estamos perante uma equipa de seis ou sete advogados e todos t\u00eam esta opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios golpistas actualmente no governo j\u00e1 se devem ter apercebido da inconsist\u00eancia deste processo administrativo e est\u00e3o a tentar alcan\u00e7ar os seus objectivos por outros meios. Tivemos conhecimento de que o primeiro-secret\u00e1rio do Partido Comunista da Ucr\u00e2nia est\u00e1 a ser acusado criminalmente de todos os factos imputados ao PCU neste processo. Ou seja, j\u00e1 n\u00e3o se est\u00e1 apenas no plano administrativo mas agora tamb\u00e9m penal. O que necessariamente agrava a quest\u00e3o pelas eventuais penas que possam vir a ser aplicadas a todos aqueles dirigentes do PCU que vierem a ser julgados e condenados em processo-crime.<\/p>\n<p>Constat\u00e1mos que, ap\u00f3s o golpe, ter\u00e1 havido altera\u00e7\u00f5es significativas no poder judicial e que os magistrados parecem n\u00e3o ser j\u00e1 magistrados de carreira, profissionais. A press\u00e3o sobre os tribunais \u00e9 demasiado grande para que se possa falar em verdadeira independ\u00eancia e separa\u00e7\u00e3o de poderes, como existe em qualquer Estado de Direito. Na Ucr\u00e2nia, os ju\u00edzes s\u00e3o designados pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a que, neste caso, \u00e9 um dos autores do processo. O processo est\u00e1 assim inquinado e viciado \u00e0 partida. N\u00e3o \u00e9 este o tipo de processo que conhecemos em democracia e no Estado de Direito.<\/p>\n<p>Durante a realiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia decorreu uma manifesta\u00e7\u00e3o \u00e0 porta do tribunal, onde se empunhavam bandeiras da Ucr\u00e2nia e bandeiras nacionalistas, se gritavam palavras de ordem como &#8220;morte aos comunistas&#8221; e &#8220;comunistas para a forca&#8221; e se simulava o &#8220;enterro&#8221; do Partido Comunista da Ucr\u00e2nia. Na sala do tribunal [que funcionava nas instala\u00e7\u00f5es de uma antiga creche] tudo isto podia ser ouvido, pois a manifesta\u00e7\u00e3o decorria mesmo do outro lado da janela. A pr\u00f3pria ju\u00edza tinha um pol\u00edcia armado de cada lado (?!!!). N\u00e3o houve qualquer ordem da ju\u00edza no sentido de enviar for\u00e7a policial para afastar os manifestantes para local mais long\u00ednquo e assim n\u00e3o perturbar a serenidade da fun\u00e7\u00e3o de julgar. Foram, inclusivamente, atirados contra a porta e paredes do tribunal tomates e ovos, quer antes do in\u00edcio da audi\u00eancia, quer durante a tentativa de um dos advogados de defesa do PCU falar \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social. Este elemento \u00e9 essencial para atestar que, hoje em dia, as autoridades policiais ucranianas t\u00eam muita dificuldade em manter a ordem e impedir a organiza\u00e7\u00e3o e actua\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias &#8220;nacionalistas&#8221; que se movimentam livremente aterrorizando as pessoas. A confus\u00e3o \u00e0 entrada para o julgamento, sem que as autoridades, quer policiais, quer judiciais do pr\u00f3prio tribunal, consigam estabelecer ordem e regras na forma de acesso \u00e0 sala de audi\u00eancias \u00e9 mais um elemento essencial para compreender a press\u00e3o a que se encontra sujeito este dito &#8220;julgamento&#8221;.<\/p>\n<p>Toda a audi\u00eancia foi gravada e transmitida em directo por v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social com 8 (oito) c\u00e2maras de televis\u00e3o, algumas permanentemente apontadas para a ju\u00edza. Assistiram ainda \u00e0 audi\u00eancia outros \u00f3rg\u00e3os da Comunica\u00e7\u00e3o Social (r\u00e1dio, imprensa e net). Nas condi\u00e7\u00f5es que est\u00e3o criadas no pa\u00eds e face ao que observ\u00e1mos parece-nos ser de relevar este facto como mais uma intoler\u00e1vel press\u00e3o sobre o tribunal e, em particular, sobre a pr\u00f3pria ju\u00edza.<\/p>\n<p>N\u00f3s, advogados e cidad\u00e3os de um pa\u00eds europeu, que ali\u00e1s integra a Uni\u00e3o Europeia, ao dirigirmo-nos ao tribunal para a\u00ed exercermos o nosso mandato, precis\u00e1mos de seguran\u00e7a e guarda-costas para entrar e sair pela porta das traseiras&#8230; Tamb\u00e9m este facto, como muitos outros que poder\u00edamos referir, serve para refor\u00e7ar a ideia das condi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o em que o pretenso &#8220;julgamento&#8221; se est\u00e1 a realizar.<\/p>\n<p>N\u00e3o quisemos deixar de participar ainda numa confer\u00eancia de imprensa realizada nas instala\u00e7\u00f5es da ag\u00eancia noticiosa &#8220;Golos&#8221;, na qual esteve tamb\u00e9m presente o primeiro-secret\u00e1rio do Partido Comunista da Ucr\u00e2nia, Petro Simonenko, porque consideramos que julgar as ideias \u00e9 pr\u00f3prio das sociedades fascizantes, para al\u00e9m da audi\u00eancia ao julgamento, enquanto representantes da APJD e da AIJD (IADL) e &#8220;Droit Solidarit\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0s perguntas dos jornalistas, tivemos a oportunidade de denunciar as aberra\u00e7\u00f5es formais que testemunh\u00e1mos no processo movido contra o PCU, defendendo que nenhum partido deve ser ilegalizado devido a declara\u00e7\u00f5es, tomadas de posi\u00e7\u00e3o ou propostas pol\u00edticas dos seus membros, designadamente enquanto deputados eleitos pelo povo. Al\u00e9m disso, acrescent\u00e1mos que numa sociedade democr\u00e1tica ningu\u00e9m pode ser julgado por delito de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>As opini\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o factos ou actos materiais e julgar ideias em tribunal \u00e9 pr\u00f3prio das sociedades fascizantes. S\u00f3 aos povos compete julgar ideias. Acrescent\u00e1mos ainda que a maioria das afirma\u00e7\u00f5es dos dirigentes do PCU foram proferidas no Parlamento, enquanto deputados com mandato conferido pelo povo (foram eleitos 33 deputados do PCU, sendo neste momento o maior partido da oposi\u00e7\u00e3o representado no Parlamento, com 23 deputados), logo ao abrigo da imunidade parlamentar, princ\u00edpio que a legisla\u00e7\u00e3o ucraniana parece n\u00e3o contemplar.<\/p>\n<p>Lembr\u00e1mos ainda, nessa confer\u00eancia de imprensa, outros &#8220;julgamentos&#8221; semelhantes, em que \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de partidos comunistas se sucedeu a instaura\u00e7\u00e3o de ditaduras fascistas e depois a ilegaliza\u00e7\u00e3o de todas as outras for\u00e7as e sectores democr\u00e1ticos. A Alemanha de Hitler \u00e9 disso um tenebroso exemplo.<\/p>\n<p>Question\u00e1mos ainda, tal como o dirigente comunista ucraniano, a quem servir\u00e1 a proibi\u00e7\u00e3o do PCU. \u00c9 nosso entendimento que interessa \u00e0queles que pretendem silenciar as for\u00e7as que defendem os interesses dos trabalhadores e dos cidad\u00e3os em geral e de todos aqueles que se op\u00f5em aos oligarcas e ao seu crescente poder.<\/p>\n<p>Petro Simonenko afirmou mesmo que o golpe de Estado de Fevereiro colocou no poder um sector da oligarquia apostado em instituir uma &#8220;ditadura nacional-fascista&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 as liga\u00e7\u00f5es internacionais dos golpistas tornam-se evidentes, desde logo, pela ocorr\u00eancia de um facto t\u00e3o coincidente quanto significativo: a decis\u00e3o assumida pelo Parlamento ucraniano no pr\u00f3prio dia em que se realizou a confer\u00eancia de imprensa da venda da empresa p\u00fablica de g\u00e1s ucraniana a uma multinacional norte-americana.<\/p>\n<p>No pr\u00f3prio dia em que cheg\u00e1mos pudemos observar o in\u00edcio dos trabalhos de limpeza da pra\u00e7a Maidan pelas autoridades de Kiev.<\/p>\n<p>Tiv\u00e9mos conhecimento por relato dos pr\u00f3prios ou por descri\u00e7\u00e3o de testemunhas das violentas agress\u00f5es f\u00edsicas que quotidianamente sofrem os comunistas e democratas ucranianos, v\u00edtimas de &#8220;bandos&#8221; para tal organizados. No pr\u00f3prio dia em que decorreu a audi\u00eancia, duas deputadas do PCU foram agredidas com viol\u00eancia, tendo sido impedidas de participar no julgamento e recorrido a tratamentos no hospital. As agress\u00f5es f\u00edsicas (algumas que s\u00f3 terminam com o assassinato das indefesas v\u00edtimas) a velhos resistentes da 2\u00aa Grande Guerra, \u00e9 uma constante. As ocupa\u00e7\u00f5es selvagens, seguidas de destrui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio e recheio, bem como de inc\u00eandio de edif\u00edcios de associa\u00e7\u00f5es sindicais, culturais e sociais, de apoio \u00e0 sa\u00fade, etc, s\u00e3o um meio banalizado por parte dos &#8220;bandos&#8221; organizados que as autoridades da Ucr\u00e2nia n\u00e3o conseguem conter, nem reprimir.<\/p>\n<p>Por tudo isto consideramos que a resist\u00eancia e solidariedade internacionalistas e, em particular, dos juristas democratas da Europa e de outros continentes do mundo, pode e deve ser um elemento essencial para travar a inadmiss\u00edvel ilegaliza\u00e7\u00e3o do PCU. At\u00e9 porque, j\u00e1 o sabemos, ensina-nos a Hist\u00f3ria que este \u00e9 um primeiro passo. Outros se lhe seguiriam com vista \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de toda e qualquer liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Estamos certos de que foi extremamente importante a nossa desloca\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, e a este &#8220;julgamento&#8221; em particular, enquanto representantes da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Juristas Democratas e de outras organiza\u00e7\u00f5es internacionais, nomeadamente da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Juristas Democratas (IADL), cuja presidente \u00e9 Jeanne Mirer, e de &#8220;Droit Solidarit\u00e9&#8221;, de Fran\u00e7a, dirigida por Roland Weyl.<\/p>\n<p>Este foi um acto de grande import\u00e2ncia do ponto de vista da solidariedade internacional.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m mais do que os portugueses conhece o valor desta solidariedade, pois n\u00f3s tamb\u00e9m benefici\u00e1mos dela quando, durante a ditadura fascista em Portugal, os tribunais plen\u00e1rios julgavam antifascistas, comunistas e democratas portugueses. Tamb\u00e9m em alguns desses &#8220;julgamentos-farsa&#8221; estiveram representantes da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Juristas Democratas (IADL), que transmitiram para o mundo o que c\u00e1 se passou. Libert\u00e1mo-nos do fascismo atrav\u00e9s de uma revolu\u00e7\u00e3o, mas estes momentos de solidariedade foram muito importantes e uma ajuda inestim\u00e1vel para desmascarar os tribunais fascistas.<\/p>\n<p>Travar a ilegaliza\u00e7\u00e3o do PCU \u00e9 um acto imperativo! Pelo que essa pretensa ilegaliza\u00e7\u00e3o significa de atentado contra os valores da Liberdade e dos Direitos do Homem e dos Princ\u00edpios da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas. N\u00e3o \u00e9 uma batalha perdida \u00e0 partida. \u00c9 certo que algumas derrotas se t\u00eam vindo a suceder, mas elas n\u00e3o s\u00e3o obrigatoriamente definitivas.<\/p>\n<p>Temos de aumentar o nosso grito de alerta por parte dos advogados (de Portugal, de pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e de todo o mundo) e se conseguirmos erguer um movimento de opini\u00e3o p\u00fablica internacional em defesa dos valores da liberdade e democracia podemos barrar-lhes o caminho e, neste caso concreto, impedir a ilegaliza\u00e7\u00e3o do PCU. Hoje s\u00e3o os comunistas, amanh\u00e3 ser\u00e3o outros&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos conceder nem um mil\u00edmetro de toler\u00e2ncia a tais pr\u00e1ticas que infelizmente constat\u00e1mos com os nossos pr\u00f3prios olhos existirem na Ucr\u00e2nia de hoje, pois n\u00e3o esquecemos a violenta e repressiva passagem pela Hist\u00f3ria da humanidade do ign\u00f3bil, criminoso e anti\u2013humano fascismo que est\u00e1 muito presente na mem\u00f3ria dos democratas.<\/p>\n<p>Por sermos testemunhos vivos de experi\u00eancias e pr\u00e1ticas que lembram o nazi-fascismo temos uma responsabilidade acrescida de divulgar por todos os meios poss\u00edveis este perigo \u2013 que ali n\u00e3o \u00e9 j\u00e1 um perigo latente, mas real \u2013 do recrudescimento das ideias e pr\u00e1ticas nazifascistas. \u00c9 esta a nossa responsabilidade enquanto democratas e enquanto juristas que defendem a paz, a liberdade, a democracia e a manuten\u00e7\u00e3o de um Estado de direito democr\u00e1tico, e \u00e9 isso que nos move. N\u00e3o nos calaremos: Fascismo nunca mais!<\/p>\n<p>Esperamos que esta solidariedade contribua activamente para travar os golpistas nesta sua primeira ofensiva &#8220;judicial&#8221; contra os comunistas ucranianos. Mas n\u00e3o tenhamos ilus\u00f5es: outras se lhes seguir\u00e3o. A ideia com que fic\u00e1mos \u00e9 a de que o Partido Comunista da Ucr\u00e2nia est\u00e1 a resistir firmemente a esta onda de viol\u00eancia que sobre ele se abateu. E \u00e9 uma resist\u00eancia de uma coragem f\u00edsica e psicol\u00f3gica extraordin\u00e1rias. O PCU tem os seus membros e as suas vias de inser\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio povo e \u00e9 por essas vias que vai resistindo. O processo judicial \u00e9 uma gota de \u00e1gua na resist\u00eancia do PCU que pode n\u00e3o ser muito vis\u00edvel do ponto de vista medi\u00e1tico mas \u00e9 efectiva. Da\u00ed tamb\u00e9m este apelo \u00e0 solidariedade internacional, que \u00e9 uma das componentes essenciais dessa resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Lisboa, 18 de Agosto de 2014<\/p>\n<p><strong>[*] Da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Juristas Democratas (APJD), aportuguesajuristasdemocratas@gmail.com <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este relat\u00f3rio encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor Madalena Santos e Ant\u00f3nio Negr\u00e3o*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6656\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[125],"tags":[],"class_list":["post-6656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c138-ucrania"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Jm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6656\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}