{"id":67,"date":"2009-09-14T16:31:08","date_gmt":"2009-09-14T16:31:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=67"},"modified":"2009-09-14T16:31:08","modified_gmt":"2009-09-14T16:31:08","slug":"a-crise-de-honduras-no-marco-do-novo-sistema-interamericano-de-defesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/67","title":{"rendered":"A crise de Honduras no marco do novo Sistema Interamericano de Defesa"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste redesenho do mundo, os EUA criaram para o Continente Americano, chamado por eles de Hemisf\u00e9rio Ocidental, o Sistema Interamericano de Defesa (SIAD), com o objetivo de garantir o controle dos recursos estrat\u00e9gicos e acostumar nossos pa\u00edses ao uso combinado de nossas for\u00e7as militares para combater o que eles consideraram amea\u00e7as a esse controle. O Sistema se baseou em tr\u00eas pilares:<\/p>\n<p>1) Pol\u00edtico: Democracia representativa, jamais participativa. Foi estabelecida no Compromisso de Santiago com a \u201cDemocracia e a Renova\u00e7\u00e3o do Sistema Interamericano\u201d na reuni\u00e3o realizada em Santiago, Chile, no ano de 1991, e na \u201cResolu\u00e7\u00e3o 1080\u201d estabelecida pela OEA em 5 de junho do mesmo ano, que determinou que n\u00e3o ser\u00e1 reconhecido nenhum governo que surja de um golpe de estado contra um governo constitucional.<\/p>\n<p>Mas, com o tempo, foi nascendo a necessidade de eliminar governos que n\u00e3o se submetiam docilmente \u00e0s exig\u00eancias imperiais. Assim, foi dando origem a um novo golpismo, diferente do tradicional, que \u00e9 encabe\u00e7ado de forma aberta por civis com a cumplicidade, \u00e0s vezes encoberta, dos militares. Viola-se a constitui\u00e7\u00e3o empregando uma viol\u00eancia aparentemente menor. Simula-se proteger a ordem institucional mantendo em funcionamento os Poderes Legislativo e Judicial,eliminando o Executivo, origem da disc\u00f3rdia e que nem sempre envolve de forma aberta o Imp\u00e9rio,gestor do motim, e tem como objetivo solucionar um problema pontual no lugar de uma mudan\u00e7a rumo a uma nova ordem. Cabe mencionar como exemplos do anteriormente expressado, os golpes de estado realizados no Equador contra os presidentes Abdala Bucaram e Jamil Mahuad em 1997 e2000, respectivamente. Esta metodologia, apesar de alguns protestos, foi tolerada no resto do continente. N\u00e3o existiram rea\u00e7\u00f5es desproporcionais e como foi seguida de solu\u00e7\u00f5es aparentemente legais, criou-se a ilus\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o do regime institucional democr\u00e1tico e, em conseq\u00fc\u00eancia,tolerados pelo resto dos pa\u00edses regionais. As organiza\u00e7\u00f5es regionais, como a OEA e o grupo do Rio,nem sequer opinaram.<\/p>\n<p>Diante do \u201c\u00eaxito\u201d conseguido no ano de 2002, houve a tentativa de \u201crepetir o exerc\u00edcio\u201d para derrubar o molesto Presidente Ch\u00e1vez na Venezuela. Mas, de maneira contr\u00e1ria ao esperado, os principais l\u00edderes regionais reagiram de imediato qualificando o ocorrido como um Golpe de Estado. Aocontr\u00e1rio, os Estados Unidos e alguns colaboradores regionais o consideraram como necess\u00e1rio e a Espanha e o FMI, inclusive, tentaram retific\u00e1-lo, dando as boas vindas a um Golpe de Estado afim com seus interesses. A coaliz\u00e3o c\u00edvico-militar venezuelana reacion\u00e1ria havia consumado um golpe tradicional e autorit\u00e1rio que fracassou. O l\u00edder popular Hugo Ch\u00e1vez retomou seu cargo reposto por seu povo.<\/p>\n<p>Apesar desse fracasso os EUA tentaram repetir a metodologia com um governo caribenho que havia iniciado uma aproxima\u00e7\u00e3o \u201cperigosa\u201d com o governo cubano que lhe oferecia ajuda para combater as enfermidades e o analfabetismo de sua paup\u00e9rrima popula\u00e7\u00e3o. Em 2004, Jean-Bertrand Aristide,presidente legalmente eleito do Haiti, foi deposto por um Golpe de Estado realizado pelo embaixador dos EUA e tropas norte-americanas (no Haiti n\u00e3o h\u00e1 for\u00e7as armadas, pois foram dissolvidas por Aristide), que acompanharam pequenos setores policiais desse pa\u00eds. Os golpistas n\u00e3o repetiram um erro cometido na Venezuela. Em vez de encarcerar o presidente Aristide em seu pa\u00eds, o transferiram em um avi\u00e3o \u00e0 Rep\u00fablica Centro-Africana, prevenindo alguma tentativa de seus partid\u00e1rios derecoloc\u00e1-lo em seu leg\u00edtimo lugar.<\/p>\n<p>Nos dias atuais, nos encontramos com um novo Golpe de Estado no continente, Honduras, onde se tentou repetir o \u201csistema\u201d empregado no Haiti, mas de forma t\u00e3o grosseira que desataram uma s\u00e9riede rea\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis n\u00e3o somente na regi\u00e3o, como tamb\u00e9m no \u00e2mbito mundial. Ningu\u00e9m pode entender como \u00e9 poss\u00edvel defender a democracia acabando com a democracia. O que ocorreu foi que,para n\u00e3o avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 formas mais avan\u00e7adas de conviv\u00eancia humana, tentaram reinstalar o demoliberalismo capitalista preexistente, com solu\u00e7\u00f5es que se baseiam na simula\u00e7\u00e3o e na falsidade,sem se dar conta de que nada est\u00e1vel nem duradouro pode ser fundamentado na mentira. Sedesejam evitar males maiores, ser\u00e1 preciso que os golpistas compreendam que Honduras est\u00e1 vivendo horas de mudan\u00e7as decisivas e que das solu\u00e7\u00f5es que surjam depender\u00e1 um futuro que pode ser venturoso, se s\u00e3o capazes de proceder com grandeza, ou pesar, se n\u00e3o s\u00e3o capazes de renunciara alguns de seus privil\u00e9gios a fim de continuar com o processo de redistribui\u00e7\u00e3o de renda de forma equitativa. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, se acham que t\u00eam raz\u00e3o, por que n\u00e3o recorrem a um plebiscito popular e perguntam quem o povo quer que governe? \u00c9 claro que enquanto precisarem obedecer \u00e0s ordens estrangeiras e servir a interesses alheios a Honduras, \u00e9 muito duvidoso que isso ocorra. Deve se considerar que nessas regi\u00f5es est\u00e1 terminando o reinado da burguesia e come\u00e7ando o governo dos povos. O final \u00e9, por agora, (agosto de 2009) pouco previs\u00edvel j\u00e1 que a situa\u00e7\u00e3o se agrava rapidamente. Conv\u00e9m recordar que o Imp\u00e9rio \u2013 gestor do conflito \u2013 muda suas estrat\u00e9gias, mas n\u00e3o seus objetivos.<\/p>\n<p>2) Pilar econ\u00f4mico: Consistiu em p\u00f4r em funcionamento um sistema neoliberal globalizado:\u201cAssocia\u00e7\u00e3o de Livre Com\u00e9rcio para as Am\u00e9ricas\u201d (ALCA). Nasceu sob o governo de Bush pai, em1991, com o nome de \u201cIniciativa de Livre Com\u00e9rcio para as Am\u00e9ricas\u201d e foi lan\u00e7ado na Primeira Reuni\u00e3o das Am\u00e9ricas no ano de 1994. Foi rejeitado definitivamente na Reuni\u00e3o de Mar del Plata,Argentina, em 2005. Por\u00e9m, de alguma maneira foi imposto atrav\u00e9s dos Tratados de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (NAFTA), da Am\u00e9rica Central mais Rep\u00fablica Dominicana (CAFTA); Plan Puebla Panam\u00e1 e os tratados bilaterais (TLC). Mas como expressamos anteriormente, temos que estar muito atentos, pois o Imp\u00e9rio pode mudar suas estrat\u00e9gias, por\u00e9m n\u00e3o seus objetivos, j\u00e1 que o sistema econ\u00f4mico globalizado que tenta instaurar lhe permite detectar, como est\u00e1 expresso na\u201cEstrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a para as Am\u00e9ricas\u201d, todo \u201csinal de instabilidade\u201d na regi\u00e3o. Prova disso \u00e9 o relan\u00e7amento da ALCA em 24 de setembro de 2008, sob o nome de \u201cIniciativa de Caminhos Rumo \u00e0Prosperidade\u201d.<\/p>\n<p>3) Pilar militar: Consistiu-se na atualiza\u00e7\u00e3o de suas previs\u00f5es militares para manter um sistema de seguran\u00e7a coletivo que garanta a livre disponibilidade, para os EUA, dos recursos naturais com valor estrat\u00e9gico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Este sistema devia se diferenciar do anterior (Doutrina da Seguran\u00e7a Nacional) atrav\u00e9s de tr\u00eas elementos constitutivos:1. Um primeiro n\u00edvel de condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das futuras opera\u00e7\u00f5es encarnado nas chamadas \u201cReuni\u00f5esdos Ministros de Defesa das Am\u00e9ricas\u201d, \u00e0s quais se dotariam de um novo \u00f3rg\u00e3o de trabalho conhecido pelo nome de \u201cComiss\u00e3o de Seguran\u00e7a Hemisf\u00e9rica\u201d e de uma entidade de prepara\u00e7\u00e3o de civis nos problemas da defesa denominada \u201cCentro de Estudos Hemisf\u00e9ricos de Defesa\u201d. Ambos com sede nos EUA e sob a supervis\u00e3o do Departamento de Defesa norte-americano, ou seja, substituir as ditaduras militares \u2013 de procedimentos sangrentos e autorit\u00e1rios \u2013 por governos de democracias \u201cdebaixa intensidade\u201d.<\/p>\n<p>2. Um segundo n\u00edvel, de execu\u00e7\u00e3o militar do que foi planejado, conformado pela condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica anteriormente citada e composto pelas j\u00e1 existentes \u201cReuni\u00f5es de Comandantes em Chefe dasAm\u00e9ricas\u201d, (nestes dias, agosto de 2009, est\u00e1 ocorrendo em Bogot\u00e1. Melhor nem imaginar os temas que est\u00e3o sendo discutidos), e que mant\u00eam, como \u00f3rg\u00e3o de trabalho, a Junta Interamericana de Defesa (\u00e0 qual se deu em 2007 car\u00e1ter institucional no marco da OEA) e transferindo a macabra\u201cEscola Militar das Am\u00e9ricas\u201d do Panam\u00e1 a territ\u00f3rio estadunidense (Fort Benning). Tudo isso regulado pelo incrivelmente sobrevivente TIAR, o mesmo que patenteou a trai\u00e7\u00e3o na guerra do Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>3. Uma aceita\u00e7\u00e3o de inimigos comuns: o narcotr\u00e1fico, o terrorismo, a posse de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, o tr\u00e1fico de armas, as correntes migrat\u00f3rias, os desastres naturais e exalta\u00e7\u00e3o religiosa ou nacionalista.<\/p>\n<p>Conjugados todos esses fatores, em 1995, os EUA deram conhecimento dos documentos \u201cSTRATEGICASSESSMENT 1995 \u2013 US CHANGES IN TRANSITION\u201d e \u201cUS STRATEGY SECURITY FOR THEAMERICAS\u201d que condensam esses aspectos.<\/p>\n<p>Foi assim que em 25 e 26 de julho de 1995 foi realizada em Williamsburg, EUA, a primeira Reuni\u00e3o dos Ministros de Defesa das Am\u00e9ricas, para iniciar o planejamento do sistema comum de defesa que determinaria a forma de enfrentar os inimigos comuns. Estas Reuni\u00f5es continuaram a cada dois ano sem distintos pa\u00edses. A \u00faltima ocorreu em 2008 em Banff (Canad\u00e1), e a pr\u00f3xima ser\u00e1 realizada em2010 na Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>O treinamento das for\u00e7as militares da \u00e1rea mediante a realiza\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios combinados a fim de\u201cgarantir a seguran\u00e7a de forma coletiva\u201d come\u00e7ou. Foram estabelecidas bases militares de forma que os efetivos pudessem controlar, sem grandes deslocamentos, as zonas com disponibilidade de recursos naturais estrat\u00e9gicos (\u00e1gua pot\u00e1vel, biodiversidade, hidrocarburetos, minerais). Como dado informativo, 31% do territ\u00f3rio de Honduras est\u00e1 nas m\u00e3os de transnacionais mineradoras,especialmente canadenses, que s\u00e3o as mesmas que operam na Argentina. \u00c0s bases militares deGuant\u00e1namo em Cuba; Roosevelt Roads e Fort Buchanan em Porto Rico; Soto Cano em Honduras; Comalapa em El Salvador; Cura\u00e7ao e Aruba, se agregaram, com a implementa\u00e7\u00e3o do \u201cPlanColombia\u201d, complementado durante 2008 com a \u201cIniciativa de M\u00e9rida\u201d e a \u201cIniciativa RegionalAndina\u201d (hoje deixada de lado), a gigantesca base de Manta no Equador; a do Valle de Huallaga no Peru, onde o presidente Alan Garcia permitiu a entrada em seu territ\u00f3rio, em 2008, de 1.000 efetivos do ex\u00e9rcito dos EUA na zona de Ayacucho e assinou um conv\u00eanio para que a IV Frota do Comando Sul utilize livremente seus portos sobre o Pac\u00edfico e onde, na fronteira de 1.400 quil\u00f4metros na zona amaz\u00f4nica compartilhada com a Col\u00f4mbia, realizam cont\u00ednuos \u201cexerc\u00edcios combinados\u201d; as de Tres Esquinas, Puerto Leguizamo, Villavicencio e a de Hacienda Larandia (onde o Comando Sul mant\u00e9m a\u201cintelig\u00eancia t\u00e9cnica\u201d) na Col\u00f4mbia; e a j\u00e1 reclamada e devolvida ao Brasil base de S\u00e3o Pedro de Alc\u00e2ntara, pr\u00f3xima a Manaus\u2026 Al\u00e9m disso, foi elaborado um plano para instalar \u201csupostas esta\u00e7\u00f5es de detec\u00e7\u00e3o de explos\u00f5es subterr\u00e2neas at\u00f4micas ilegais\u201d, oito delas em territ\u00f3rio argentino.<\/p>\n<p>Com o advento do governo popular do Presidente Correa, no Equador se determinou como obriga\u00e7\u00e3o constitucional, o desalojamento da base de Manta, que se iniciou durante o m\u00eas de julho de 2009.Mas o Sistema reagiu rapidamente e Manta, que era um elo chave do sistema institu\u00eddo, foi substitu\u00edda por bases colombianas ocupadas, de forma conjunta, por efetivos militares dos EUA e da Col\u00f4mbia. A substitui\u00e7\u00e3o de Manta ser\u00e1 a base de Palanquero, complementada, ao norte, pela de Malambo, e ao sudoeste pela de Apiai, e, al\u00e9m disso, se ampliar\u00e3o as instala\u00e7\u00f5es de Tolemanda na zona central e Larandia no sudeste do pa\u00eds. O presidente da Col\u00f4mbia, Uribe, fez recentemente visitas pelos pa\u00edses do UNASUR para explicar o inexplic\u00e1vel.<\/p>\n<p>At\u00e9 a data foram realizados m\u00faltiplos exerc\u00edcios militares combinados. Basta mencionar, al\u00e9m dos c\u00e9lebres UNITAS, CABA\u00d1AS e AGUILA, outros n\u00e3o t\u00e3o populares como: Fuerzas Unidas, Cruz del Sur, Ceibo, Fraterno, Fluvial,Tamba, Sar, Araex, Apoyo Humanitario, e tantos outros. Observem que eles ocorreram sempre em nossos territ\u00f3rios e pr\u00f3ximos aos lugares com recursos naturais estrat\u00e9gicos,nunca em territ\u00f3rio dos EUA. Sua verdadeira finalidade foi expressa pelo ex-presidente argentino, DeLa Rua, quando, ao pedir autoriza\u00e7\u00e3o ao Congresso para a entrada de tropas estrangeiras, pontuouno seu Projeto de Lei: \u201cpreparar os efetivos para a luta em um campo de batalha composto por civis,organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e potenciais agressores\u201d (SIC). Onde ficaram o terrorismo, o narcotr\u00e1fico, as migra\u00e7\u00f5es, etc.?<\/p>\n<p>Para monitorar e conduzir todo este sistema organizado pelo SIAD foi instalado o Comando Sul com sede, primeiro no Panam\u00e1 e agora em Miami. Este comando, com jurisdi\u00e7\u00e3o em toda Am\u00e9rica Latinae Caribe (menos M\u00e9xico), tem a miss\u00e3o de: conduzir opera\u00e7\u00f5es militares e promover a coopera\u00e7\u00e3o deseguran\u00e7a para alcan\u00e7ar os objetivos estrat\u00e9gicos dos EUA. Forma parte dos comandos unificados estadunidenses implantados por todo o mundo, com \u00e1reas geogr\u00e1ficas de responsabilidade e que operam como verdadeiros vice-reis imperiais, reportando diretamente ao Presidente atrav\u00e9s do Secret\u00e1rio de Defesa sem depend\u00eancia dos embaixadores nos distintos pa\u00edses onde exercem suas fun\u00e7\u00f5es. Seu Comandante, em conjunto com os \u201cComandantes das FFAA dos pa\u00edses da regi\u00e3o,constituem uma verdadeira \u201cdiplomacia paralela\u201d com poder de decis\u00e3o, como demonstrou o ocorrido em Honduras. Os outros Comandos s\u00e3o: o Norte, o Central, o Europeu e o do Pac\u00edfico. Recentemente foi criado o africano. Os outros meios s\u00e3o os chamados Comandos Funcionais: Fuerzas Especiales,Transporte, Operaciones Especiales e o Estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>O Comando Sul tem a seguinte org\u00e2nica geral:<\/p>\n<p>1. Componente Terrestre (USARSO), Houston (Texas) e o Fort Buchanan em Porto Rico.<\/p>\n<p>2. Componente A\u00e9reo (AFSOUTH), Davis Montan (Arizona), 12\u00b0 Fuerza A\u00e9rea.<\/p>\n<p>3. Componente Naval: Comando Meridional de las Fuerzas Navales (USNAVSO), Mayport (Fl\u00f3rida). \u00c9o agente executivo para as opera\u00e7\u00f5es navais na base de Comalapa (El salvador). Aos seus efetivos se agregou recentemente a IV FLOTA reorganizada.<\/p>\n<p>4. Componente de Infantaria de Marinha (USMARFORSOUTH), Miami.<\/p>\n<p>5. Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais do Sur, Miami (Fl\u00f3rida). Controla todas as \u201copera\u00e7\u00f5es especiais\u201dda regi\u00e3o.<\/p>\n<p>6. Tr\u00eas Grupos de Trabalho Comuns (JTF)<\/p>\n<p>a) Grupo Bravo Comum. Localizado na base a\u00e9rea de SOTO CANO (Honduras). Organiza exerc\u00edcios multilaterais na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>b) Grupo de Trabalho Comun. Guant\u00e1namo (Cuba). Conduz as opera\u00e7\u00f5es contra o terrorismo.Encarrega-se da deten\u00e7\u00e3o e interrogat\u00f3rios de detidos.<\/p>\n<p>c) For\u00e7a Sul Comum. Key West Florida. A cargo das opera\u00e7\u00f5es antidrogas.<\/p>\n<p>7. Localiza\u00e7\u00f5es para opera\u00e7\u00f5es adiantadas em Manta, que agora passar\u00e1 a Palanquero e \u00e0s Antilhas Holandesas (Aruba e Cura\u00e7ao).<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui tentamos apresentar um panorama dos fins e organiza\u00e7\u00f5es do chamado SIAD (Sistema Interamericano de Defesa), instalado pelos EUA para assegurar a livre disposi\u00e7\u00e3o dos recursos naturais que lhe permitam continuar sendo a super pot\u00eancia dominante. O que foi descrito n\u00e3oenvolve todos os meios e sistemas que denominamos \u201cmilitariza\u00e7\u00e3o\u201d, pois nossos elementos de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o escassos e esse sistema \u00e9 din\u00e2mico, se transforma e renasce com diferentes denomina\u00e7\u00f5es, utiliza a coopera\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos meios regionais, seja por ignor\u00e2ncia ou \u2013 o que \u00e9mais comum \u2013 por corrup\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m em seu perfeito ju\u00edzo poder\u00e1 acreditar que semelhante estrutura militar mobilizada para a regi\u00e3o serve para combater o narcotr\u00e1fico, j\u00e1 que se assim fosse,esse flagelo j\u00e1 n\u00e3o existiria, e ao contr\u00e1rio, hoje, tem um espetacular desenvolvimento, inclusive nos EUA, e h\u00e1 setores que garantem que a CIA o controla, destinando os \u201clucros\u201d para refinanciar seus operativos.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode pensar que realmente se combate o terrorismo, quando este, cada dia se mostra maisativo e amea\u00e7a lugares que antes eram ref\u00fagios inalcan\u00e7\u00e1veis para eles.<\/p>\n<p>Quem pode crer que as migra\u00e7\u00f5es s\u00e3o um dos nossos inimigos comuns, quando a pot\u00eancia dominante e seus aliados s\u00e3o os que originam as condi\u00e7\u00f5es ideais para que elas se produzam, e esses respons\u00e1veis s\u00e3o os \u00fanicos que hoje se sentem amea\u00e7ados por esse fen\u00f4meno? Algum habitante da regi\u00e3o pode garantir que os migrantes desesperados ameacem as fronteiras de nossos pa\u00edses?<\/p>\n<p>Todo o exposto explica o que ocorre atualmente em Honduras. Um governo totalmente de acordo com a pot\u00eancia dominante descobre que na regi\u00e3o alguns pa\u00edses ensaiam a coopera\u00e7\u00e3o na substitui\u00e7\u00e3o do confronto selvagem, que est\u00e3o dispostos a mitigar as necessidades dos mais pobres de forma desinteressada, que lhes oferecem ajuda para acabar com os males das enfermidades e com o analfabetismo, e planos para lhes vender elementos b\u00e1sicos para seu de senvolvimentoindustrial a pre\u00e7os muito inferiores aos do \u201cmercado\u201d, e que essa conduta n\u00e3o tem nenhum ponto decontato com a desenvolvida pela superpot\u00eancia para a qual \u201ctudo \u00e9 mercadoria\u201d e, como tal tem que aceitar o pre\u00e7o que nos imp\u00f5e atrav\u00e9s das empresas transnacionais e das \u201cleis de mercado\u201d, e que historicamente furtou os escassos recursos dispon\u00edveis para seu pr\u00f3prio consumo ou para gerar divisas, e que tenta melhorar sua imagem com \u201cplanos de ajuda\u201d que s\u00f3 reintegram uma \u00ednfima parte do que roubaram. Com esse panorama, o governo hondurenho decidiu modificar suas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e comerciais e essa atitude constituiu um perigo supremo para o Imp\u00e9rio que atenta para o fato de que, se esta conduta se propagar, os recursos da regi\u00e3o poderiam n\u00e3o ficar \u201cdispon\u00edveis\u201dcomo estiveram at\u00e9 a data. Assim, foi posta em marcha a nova metodologia para os golpes de estado que explicamos e que pode servir para que outros governos fiquem advertidos e n\u00e3o sigam seus passos.<\/p>\n<p>Recordamos, uma vez mais, que o Imp\u00e9rio muda suas estrat\u00e9gias, mas n\u00e3o seus objetivos e que devemos permanecer atentos para enfrentar de maneira conjunta as novas amea\u00e7as que podem surgir para \u201cnos punir\u201d como hoje ocorre na Venezuela e no Equador, em cujas fronteiras est\u00e3o instalando o poderio militar mais importante da regi\u00e3o, assim como acontece na Bol\u00edvia em suas fronteiras ocidentais.<\/p>\n<p>&#8211; O Cel. Jos\u00e9 Garc\u00eda e a professora Elsa M. Bruzzone s\u00e3o integrantes do CEMIDA \u2013 Centro de Militares para a Democracia Argentina.<\/p>\n<p>Texto traduzido por Valeria Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Servi\u00e7o Informativo \u201cAlai-amlatina\u201d\n(por Cel. Jos\u00e9 Garc\u00eda e Elsa Maria Bruzzone)\nALAI AMLATINA, 05\/08\/2009 \u2013 Quando a \u201cGuerra Fria\u201d chegou ao fim e apareceu claramente o verdadeiro conflito: Norte \u2013 Sul, os EUA come\u00e7aram a buscar novos inimigos como fundamento de sua nova estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a. Partiu ent\u00e3o, da base de que para assegurar que seus objetivos estrat\u00e9gicos mantivessem o predom\u00ednio mundial, t\u00e3o duramente alcan\u00e7ado, era necess\u00e1rio garantir ouso e controle dos recursos naturais estrat\u00e9gicos que constituem o fundamento de seu funcionamento como macro pot\u00eancia. Para isso, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que seu enorme poderio militar devia estar em qualquer lugar do mundo onde fossem encontrados esses recursos, seja em explora\u00e7\u00e3o ou em reserva, e para fundamentar uma implanta\u00e7\u00e3o castrense de tal magnitude,decidiram que os novos inimigos seriam: o narcotr\u00e1fico, o terrorismo, os possuidores de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, as migra\u00e7\u00f5es e os nacionalismos.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/67\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-67","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c38-honduras"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-15","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}