{"id":6702,"date":"2014-09-24T13:10:40","date_gmt":"2014-09-24T13:10:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6702"},"modified":"2014-09-24T13:10:40","modified_gmt":"2014-09-24T13:10:40","slug":"por-tras-dos-spots-midiaticos-de-renzi-o-programa-neoliberal-de-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6702","title":{"rendered":"Por tr\u00e1s dos spots midi\u00e1ticos de Renzi o programa neoliberal de sempre"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>It\u00e1lia \u2014 Em maio, para ganhar as elei\u00e7\u00f5es e fazer com que oper\u00e1rios com carteira assinada desistissem de votar no Movimento 5 Estrelas, o Partido Democr\u00e1tico, de Matteo Renzi, inventou uma \u201ccesta b\u00e1sica\u201d de R$ 250. Por\u00e9m, em julho, os italianos descobriram que os impostos triplicaram<\/strong><\/p>\n<p><strong>Achille Lollo de Roma (It\u00e1lia)<\/strong> \u2014 LOGO AP\u00d3S as f\u00e9rias de ver\u00e3o \u2013 que a maioria dos italianos passou na pr\u00f3pria resid\u00eancia por falta de dinheiro \u2013, concluiu-se o primeiro semestre do governo de Matteo Renzi, que integra uma coaliz\u00e3o formada pelo \u201cPartido Democr\u00e1tico\u201d (PD, ex-PDS e ex-PCI) e tr\u00eas pequenos partidos de centro-direita: o \u201cNovo Centro Direita\u201d (NCD), que Angelino Alfano criou em novembro de 2013 ap\u00f3s romper com Berlusconi e a ala p\u00f3s-fascista de Forza It\u00e1lia, os \u201cPopulares para a It\u00e1lia-UDC\u201d e a \u201cEscolha C\u00edvica\u201d, que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do ex-primeiro-ministro Mario Monti.<\/p>\n<p>Nesses primeiros 15 dias de setembro, o jornal independente <em>Il Fatto Quotidiano<\/em> publicou uma s\u00e9rie de artigos que enfocavam as promessas do primeiro-ministro, Matteo Renzi, e as poucas perspectivas que o governo tinha para, de fato, realizar as reformas prometidas. Por isso, apenas o jornal do PD, <em>Europa<\/em> e o falimentar <em>L\u2019Unit\u00e0<\/em> \u2013 que em outros tempos foi o jornal do PCI criado por Antonio Gramsci \u2013, hoje, exaltam o desempenho institu-cional do governo Renzi, justificando em mil maneiras o atraso e a inexist\u00eancia no Parlamento de verdadeiras propostas de lei para votar as t\u00e3o faladas reformas.<\/p>\n<p>Um contexto que, de repente, se acendeu provocando a interven\u00e7\u00e3o de todos os meios de informa\u00e7\u00e3o italianos, logo ap\u00f3s Renzi, ao participar no programa de TV <em>Porta a Porta<\/em>, inventar uma nova f\u00f3rmula institucional para permanecer no cargo sem enfrentar novas elei\u00e7\u00f5es, ao dizer que precisa \u201c<em>de mais 1.000 dias para fazer as reformas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Diante desse fato, que \u00e9 uma consequ\u00eancia das maquina\u00e7\u00f5es do lobby ma\u00e7\u00f4nico o qual Renzi pertence e \u00e0 arro-<\/p>\n<p>g\u00e2ncia das excel\u00eancias do mercado que monitoram grande parte dos ministros, o co-diretor do <em>Il Fatto Quoti-diano<\/em>, Marco Travaglio, escreveu tr\u00eas editorias que, na pr\u00e1tica, desmascararam a identidade pol\u00edtica do seu governo, demonstrando que o novo PD de Renzi, na pr\u00e1tica, teria abandonado os ideais de centro-esquerda, para se tornar um partido de centro, potencialmente voltado a contrair alian\u00e7as com os outros partidos de centro-direita e da pr\u00f3pria direita de Berlusconi.<\/p>\n<p>N\u00e3o tendo o rabo preso, nem com o lobby da economia, nem com os \u201cc\u00edrculos das excel\u00eancias da pol\u00edtica\u201d e tampouco com os servi\u00e7os de intelig\u00eancia, Marco Travaglio, ao participar no programa de TV <em>Servizio Pubblico<\/em>, sem meios termos declarou: \u201cAgora acabou o festival das mentiras do governo Renzi. Depois de tantas palavras, de tantas metas a serem alcan\u00e7adas, de tantos programas e propostas, enfim, depois de tanto bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1, nenhuma reforma estrutural foi realizada e nenhuma medida s\u00e9ria foi tomada para retirar a economia italiana do p\u00e2ntano da crise, que \u00e9 uma crise tipicamente italiana que explodiu devido a medidas impostas pela Alemanha e pela tr\u00edade, isto \u00e9, o FMI, o Banco Mundial e o Banco Central Europeu (BCE).<\/p>\n<p><strong>Reformas ou privatiza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que, nos \u00faltimos 20 anos, todos os governos, os da direita, chefiados por Berlusconi, ou da centro-esquerda, liderados por Prodi ou D\u2019Alema, nada fizeram em termos inovadores, permitindo que as institui\u00e7\u00f5es (governo nacional, governos regionais, juntas provinciais e governos municipais) se transfor-massem em aut\u00eanticos bancos de ensaios para neg\u00f3cios ruins ou ilegais, por excesso de asneira ou de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um cen\u00e1rio que, j\u00e1 em 2008, quando explodiu a crise da bolha financeira, apresentava com muitas evid\u00eancias todas as problem\u00e1ticas que, hoje, est\u00e3o empurrando o pa\u00eds cada vez mais em dire\u00e7\u00e3o a uma recess\u00e3o mais tenebrosa.<\/p>\n<p>E por qual motivo Berlusconi, Prodi ou D\u2019Alema nada fizeram para impedir o crescimento do desemprego? Por qual motivo nada foi feito para estabilizar a situa\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito p\u00fablico e em particular para reduzir os custos da pol\u00edtica ou da m\u00e1quina estatal?<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, hoje como ontem, \u00e9 o \u201cpoder\u201d que impede e inviabiliza qualquer tipo de mudan\u00e7a institucional, sobretudo, as reformas que poderiam modificar a depend\u00eancia que o Estado italiano tem com a tr\u00edade FMI. Banco Mundial e BCE, no \u00e2mbito financeiro, com a Alemanha\/Uni\u00e3o Europeia, em termos de<\/p>\n<p>planejamento da economia e com os Estados Unidos\/Otan, no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es geoestrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>Digamos que a It\u00e1lia, h\u00e1 20 anos, vive em um <em>status quo<\/em> imperante que impediu ao pr\u00f3prio PD de ser um verdadeiro partido social-democrata, tornando-se, cada vez mais, um partido que renegou sua hist\u00f3ria e seus ideais, para convergir com mais rapidez e din\u00e2mica ao centro, isto \u00e9, em dire\u00e7\u00e3o do poder para ser aceitado pelo mercado para governar.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o processo de transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que os partidos italianos, em particular o PD e o For\u00e7a It\u00e1lia, aceitaram e estimularam teve consequ\u00eancias tr\u00e1gicas, no sentido que o chamado \u201cassenso pol\u00edtico popular\u201d, na realidade, desapareceu. Hoje, os partidos se movem seguindo as regras do marketing eleitoreiro para implementar programas de governo que, na realidade, foram definidos por diferentes \u201ccentros de excel\u00ean-<\/p>\n<p>cias\u201d. Nesses programas o imperativo s\u00e3o as f\u00f3rmulas que os pol\u00edticos devem implementar para garantir o \u201ccontrole social\u201d permitindo, assim, cada vez mais lucro a certos tipos de grupos empresariais e a estabilidade financeira para espec\u00edficas camadas da sociedade.<\/p>\n<p>Nesse sentido, as reformas sociais e econ\u00f4micas s\u00e3o totalmente desvirtuadas e manipuladas. Por exemplo, a reforma do ensino universit\u00e1rio (Reforma Gelmini) n\u00e3o foi feita para incentivar a pesquisa nas universidades ou para elevar os n\u00edveis do ensino. Na realidade, essa reforma serviu para transformar as universidades p\u00fablicas em \u201cescol\u00f5es\u201d, retirando delas os estudantes-trabalhadores com a redu\u00e7\u00e3o dos cursos universit\u00e1rios de cinco para tr\u00eas anos. Ao mesmo tempo era introduzido um seleto processo de \u201celitiza\u00e7\u00e3o\u201d com os mestrados de<\/p>\n<p>especializa\u00e7\u00e3o, que se tornaram uma exclusividade das faculdades particulares.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os problemas mais graves da It\u00e1lia est\u00e3o nos setores que se relacionam com o desenvolvimento industrial que tem muito a ver com a amplia\u00e7\u00e3o do desemprego e com a sa\u00edda do mercado do trabalho dos trabalhadores que est\u00e3o na faixa et\u00e1ria entre 45 e 60 anos. Homens e mulheres que est\u00e3o desempregados n\u00e3o por serem velhos, mas porque seus custos trabalhistas s\u00e3o maiores dos que os empres\u00e1rios pagam por um jovem de 20 anos, que trabalha com contratos flexibilizados ou at\u00e9 no mercado negro (sem contrato).<\/p>\n<p>Diante disso tudo e com muita raz\u00e3o, Marco Travaglio denunciou que: \u201c<em>As reformas de Renzi viraram um sonho para os italianos, algo para n\u00e3o entrar no desespero. E foi com esse sonho que Renzi e os pol\u00edticos do seu grupo, agora, pretendem continuar a seduzir seus eleitores<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A den\u00fancia de Travaglio, infelizmente, tem sentido visto que o governo Renzi n\u00e3o encontrou resist\u00eancias na sociedade, tanto para propor a venda das \u00faltimas empresas p\u00fablicas quanto para tentar anular o peso pol\u00edtico de referendos populares que impe\u00e7am a privatiza\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas de \u00e1gua.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que nos pr\u00f3ximos \u201c1000 dias de Matteo Renzi\u201d quase todas as empresas p\u00fablicas ser\u00e3o vendidas para permitir ao governo fazer caixa, j\u00e1 que, no dia 30 de agosto, o primeiro-ministro assinou um decreto que veta ao funcionalismo p\u00fablico aumentos de sal\u00e1rios, que desde 2007 permanecem congelados.<\/p>\n<p>Um decreto que foi feito, simplesmente, por que o Ministro do Tesouro disse que \u201c<em>os aumentos salariais do funcionalismo inviabilizam as metas e os custos fixados pelo governo no or\u00e7amento de 2015 e assim por diante<\/em>\u201d. Quer dizer, a It\u00e1lia est\u00e1 a um passo da bancarrota!<\/p>\n<p><strong>Um PD neoliberal?<\/strong><\/p>\n<p>Durante a presid\u00eancia de Pierluigi Bersani e antes dele de Massimo D\u2019Alema e Walter Veltroni sempre houve uma luta no seio do PD, em que a parte majorit\u00e1ria do partido pretendia adequar \u00e0 l\u00f3gica social-democrata a nova realidade do pa\u00eds, enquanto uma acirrada minoria queria fazer o salto para frente cortando o passado de esquerda para assumir o neoliberalismo, tal como fez Tony Blair.<\/p>\n<p>A press\u00e3o eleitoral da direita e do pr\u00f3prio Berlusconi, na realidade, impediram que no seio do PD se chegasse a um verdadeiro debate sobre o futuro do partido. Por isso, a falsa unidade partid\u00e1ria do PD e a degenera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria hist\u00f3ria pol\u00edtica geraram no seio do partido uma s\u00e9rie de contradi\u00e7\u00f5es que, em 2012, foram sabiamente recolhidas por novos grupos pol\u00edticos que nunca se identificaram com a hist\u00f3ria do antigo PCI ou com a pol\u00edtica<\/p>\n<p>da social-democracia.<\/p>\n<p>Eram os grupos \u201cprogressistas\u201d da Democracia Crist\u00e3, que, ap\u00f3s o desmantelamento desse partido em 1999, haviam encontrado no PD uma nova \u201cigreja pol\u00edtica onde organizar seu futuro pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p>Renzi, os ministros de seu governo e os membros do novo secretariado do PD, bem como os principais dirigentes regionais desse partido pertencem a esse novo fluxo que n\u00e3o v\u00ea nenhum problema em negociar com Berlusconi ou conviver com partidos de direita.<\/p>\n<p>Por isso, muitos italianos, hoje, questionam o PD e o pr\u00f3prio primeiro-ministro querendo saber deles que futuro est\u00e3o preparando para a It\u00e1lia, j\u00e1 que o pa\u00eds est\u00e1 correndo o risco de ficar \u201ccomissariado\u201d pela Uni\u00e3o Europeia e submergido por impostos e cortes or\u00e7ament\u00e1rios para cumprir com as metas financeiras fixadas em Bruxelas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio dizer que o sucesso de Matteo Renzi no seio do PD, finalmente, fez com que o Partido Democrata perdesse todas as ambiguidades e as fascina\u00e7\u00f5es que Massimo D\u2019Alema e Walter Veltroni haviam perpetrado para n\u00e3o perder o voto do tradicional eleitorado de esquerda e, portanto, n\u00e3o alienar a simpatia das novas gera\u00e7\u00f5es que acreditaram na necessidade de transformar o PCI em PDS (Partido Democrata da Esquerda) e depois em simples Partido Democrata sem perder suas conota\u00e7\u00f5es de esquerda. Infelizmente, deu tudo errado.<\/p>\n<p><strong>Achille Lollo \u00e9 jornalista italiano, correspondente do <em>Brasil de Fato<\/em> na It\u00e1lia, editor do programa TV \u201c<em>Quadrante Informativo<\/em>\u201d.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6702\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[101],"tags":[],"class_list":["post-6702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c114-italia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1K6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6702\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}