{"id":6712,"date":"2014-09-25T05:43:28","date_gmt":"2014-09-25T05:43:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6712"},"modified":"2014-10-22T04:22:25","modified_gmt":"2014-10-22T04:22:25","slug":"eua-um-estado-terrorista-inimigo-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6712","title":{"rendered":"EUA: UM ESTADO TERRORISTA INIMIGO DA HUMANIDADE"},"content":{"rendered":"\n<p>O chamado Estado Isl\u00e2mico-ISIL, que se apresenta como refundador do Califado, \u00e9 a ultima aberra\u00e7\u00e3o gerada pela estrat\u00e9gia de terrorismo de estado do imperialismo estado-unidense.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia surgiu como consequ\u00eancia de efeitos n\u00e3o previstos da execu\u00e7\u00e3o do projeto de domina\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua e universal sobre a humanidade, concebido ainda em vida de Roosevelt, no \u00e2mbito do War and Peace Program, um projeto que identificava nos EUA o herdeiro natural do Imperio Brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>O M\u00e9dio Oriente foi a \u00e1rea escolhida pelo Pent\u00e1gono e o Departamento de Estado para a arrancada do ambicioso Programa, precisamente porque o Reino Unido, muito enfraquecido pela guerra, ter iniciado ali a sua pol\u00edtica de retirada escalonada de basti\u00f5es imperiais no mundo isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, a CIA promoveu golpes na Regi\u00e3o com destaque para o que derrubou Mossadegh e restabeleceu no trono do Ir\u00e3, o X\u00e1 Reza Pahlavi.<\/p>\n<p>O P\u00c2NTANO AFEG\u00c3O<\/p>\n<p>A partir de 1980, o governo Reagan financiou e armou as organiza\u00e7\u00f5es terroristas sunitas de Peshawar que combatiam a Revolu\u00e7\u00e3o Afeg\u00e3. Alguns dos seus dirigentes foram recebidos como her\u00f3is na Casa Branca como \u00abcombatentes da liberdade\u00bb; Reagan saudou-os como combatentes da liberdade e \u00abnovos Bolivares\u00bb.Os bandos desses her\u00f3is cortavam os seios a mulheres que n\u00e3o usavam a burka ou cegavam-nas com \u00e1cido sulf\u00farico.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, o saudita Bin Laden interveio ativamente como aliado de confian\u00e7a dos EUA (seu pai fora amigo da fam\u00edlia Bush) nas campanhas que visavam o derrubamento do governo revolucion\u00e1rio de Kabul.<\/p>\n<p>Quando Mikhail Gorbatchov abandonou o Afeganist\u00e3o e os 7 de Peshawar tomaram o poder no pa\u00eds, essas organiza\u00e7\u00f5es desentenderam-se e iniciou-se um per\u00edodo de guerras fratricidas.<\/p>\n<p>No final da Presid\u00eancia de Bush pai, os EUA, que tinham patrocinado a guerra de Saddam Hussein contra o Ir\u00e3, reagiram \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do Koweit, desencadeando a primeira guerra do Golfo, em 1991. Com o apoio de uma grande coliga\u00e7\u00e3o avalisada pelo Conselho de Seguran\u00e7a, os iraquianos foram rapidamente derrotados. Bagdad foi submetida a bombardeamentos destruidores, mas Washington n\u00e3o se op\u00f4s a que Saddam permanecesse no poder.<\/p>\n<p>No Afeganist\u00e3o, cujo subsolo encerra recursos fabulosos, a situa\u00e7\u00e3o assumiu aspetos tao ca\u00f3ticos, com os senhores da guerra a digladiarem-se, que Washington abriu a porta \u00e0 entrada em cena dos Taliban, uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista que a CIA havia criado no Paquist\u00e3o como \u00abreserva\u00bb.<\/p>\n<p>Os autointitulados \u00abestudantes de teologia\u00bb conquistaram facilmente o pa\u00eds e, instalados em Kabul, assassinaram Muhammad Najibullah, o ultimo presidente legitimo, asilado na Sede da ONU, e promoveram uma pol\u00edtica de fanatismo religioso que fez regressar o pa\u00eds \u00e0 Idade M\u00e9dia. Bin Laden, mudando de campo, surgiu ent\u00e3o como aliado preferencial do mullah Omar, chefe espiritual dos Taliban.<\/p>\n<p>Os EUA recolhiam frutos amargos da sua pol\u00edtica agressiva contra o Isl\u00e3 e de apoio incondicional ao Estado sionista de Israel.<\/p>\n<p>Mas foi somente em 2001, ap\u00f3s os atentados contra o World Trade Center e o Pent\u00e1gono, que a Casa Branca, onde ent\u00e3o pontificava Bush filho, tomou a decis\u00e3o de invadir e ocupar o Afeganist\u00e3o. Bin Laden foi guindado a inimigo n\u00famero 1 dos EUA e a Al Qaeda, por ele fundada, adquiriu na propaganda americana as propor\u00e7\u00f5es de um polvo demon\u00edaco cujos tent\u00e1culos envolveriam todo o mundo isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Mas, contrariando as previs\u00f5es de Washington, o povo afeg\u00e3o resistiu \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pelos EUA e pela OTAN.<\/p>\n<p>O Presidente Obama, que prometera acabar com aquela guerra impopular, enviou para o pa\u00eds mais 120.000 militares. Sucessivas ofensivas de \u00abpacifica\u00e7\u00e3o\u00bb fracassaram e generais prestigiados foram demitidos. Anunciada para este ano a total retirada das for\u00e7as de combate, a promessa n\u00e3o ser\u00e1 cumprida.<\/p>\n<p>Transcorridos 13 anos da invas\u00e3o, a Resist\u00eancia Afeg\u00e3 (que transcende largamente os Talibans) controla quase todas as prov\u00edncias, com as tropas estrangeiras concentradas em Kabul e nas principais cidades. O pa\u00eds, devastado pela guerra, est\u00e1 mais pobre do que antes da chegada dos americanos, mas a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3pio aumentou muit\u00edssimo.<\/p>\n<p>O assass\u00ednio de Bin Laden no Paquist\u00e3o numa opera\u00e7\u00e3o de comandos nebulosa, montada pela CIA e o Pent\u00e1gono, n\u00e3o contribuiu, ali\u00e1s, para melhorar a imagem de Obama.<\/p>\n<p>IRAQUE, LIBIA, SIRIA<\/p>\n<p>Longe de extra\u00edrem li\u00e7\u00f5es da sua pol\u00edtica para a Regi\u00e3o, os EUA desencadearam em mar\u00e7o de 2003 a segunda guerra do Iraque, desta vez sem o aval da ONU.<\/p>\n<p>O pretexto invocado \u2013 a exist\u00eancia de armas de exterm\u00ednio massivo &#8211; foi forjado por Bush e Tony Blair. Tais armas, como foi provado, n\u00e3o existiam.<\/p>\n<p>Na invas\u00e3o, foram utilizadas armas qu\u00edmicas proibidas pelas conven\u00e7\u00f5es internacionais. Crimes monstruosos foram cometidos e as torturas (incluindo abusos sexuais) infligidas pela soldadesca americana aos prisioneiros iraquianos tornaram-se tema de esc\u00e2ndalo de propor\u00e7\u00f5es mundiais.<\/p>\n<p>Saddam Hussein foi executado ap\u00f3s um julgamento sum\u00e1rio, com o aplauso de um governo fantoche. Mas, transcorrida mais de uma d\u00e9cada, o Iraque regrediu meio s\u00e9culo. Centenas de milhares de iraquianos morreram de doen\u00e7as cur\u00e1veis e de desnutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, ocupado por dezenas de milhares de mercen\u00e1rios ao servi\u00e7o de empresas mafiosas, o Iraque \u00e9 na pr\u00e1tica uma terra humilhada e ocupada, onde o poder real \u00e9 exercido pelas transnacionais que se apropriaram do seu petr\u00f3leo e do seu g\u00e1s.<\/p>\n<p>Incapazes de encontrar solu\u00e7\u00f5es para a sua crise estrutural, os EUA prosseguiram com a sua agressiva estrat\u00e9gia (ampliando-a) de domina\u00e7\u00e3o imperial.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de cerco \u00e0 China e \u00e0 R\u00fassia intensificou-se. De documentos secretos do Governo federal, tornados p\u00fablicos por influentes m\u00eddias, constam planos para arruinar e desmembrar a R\u00fassia, reduzindo-a a pot\u00eancia de segunda classe.<\/p>\n<p>A multiplicidade de objetivos a atingir quase simultaneamente tem contribu\u00eddo, por\u00e9m, para que os resultados dessa pol\u00edtica n\u00e3o correspondam \u00e0s esperan\u00e7as da Casa Branca.<\/p>\n<p>As mal chamadas \u00abprimaveras \u00e1rabes\u00bb foram ideadas para produzirem no Isl\u00e3 um efeito compar\u00e1vel ao das \u00abrevolu\u00e7\u00f5es coloridas\u00bb. E isso n\u00e3o aconteceu. No Egito, apos uma cadeia de crises complexas e um golpe de estado que derrubou o presidente Morsi, os EUA conseguiram o que pretendiam. No Cairo, ocupa o poder um governo militar do agrado do imperialismo norte-americano e que Israel encara com simpatia.<\/p>\n<p>Mas o balan\u00e7o da interven\u00e7\u00e3o militar na L\u00edbia \u00e9 desastroso. Derrubaram e assassinaram Kadhafi, numa guerra de agress\u00e3o imperial, viabilizada pela cumplicidade da ONU, guerra em que participaram ativamente a Fran\u00e7a e o Reino Unido, preparada com anteced\u00eancia pela CIA e os servi\u00e7os secretos brit\u00e2nicos e a Mossad israelense. Destru\u00edram as infraestruturas do pa\u00eds para se apossarem do seu petr\u00f3leo e do seu g\u00e1s.<\/p>\n<p>Mas o desfecho da opera\u00e7\u00e3o criminosa n\u00e3o correspondeu ao previsto no organograma da agress\u00e3o.<\/p>\n<p>A L\u00edbia \u00e9 hoje um pa\u00eds ingovern\u00e1vel. Uma parte significativa dos \u00abrebeldes\u00bb, treinados e armados pelo imperialismo para lutar contra Khadafi, passaram a atuar por conta pr\u00f3pria, em mil\u00edcias que desconhecem o governo t\u00edtere de Tr\u00edpoli. O terrorismo tornou-se end\u00eamico. O atentado terrorista contra a miss\u00e3o diplom\u00e1tica dos EUA em Bengasi confirmou o estado de anarquia existente e a incapacidade de Washington para controlar as organiza\u00e7\u00f5es terroristas que o imperialismo introduziu no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Do caos l\u00edbio n\u00e3o foram por\u00e9m extra\u00eddos tamb\u00e9m os ensinamentos neles impl\u00edcitos.<\/p>\n<p>A escalada de agress\u00f5es prosseguiu. A S\u00edria foi o alvo seguinte. Washington repetiu a f\u00f3rmula. Uma campanha medi\u00e1tica ampla e ruidosa demonizou o presidente Assad, apresentado como ditador brutal. Depois, \u00abrebeldes\u00bb patriotas \u2013 muitos dos quadros s\u00e3o estrangeiros \u2013 iniciaram a luta contra o governo legitimo do pais.<\/p>\n<p>Contrariando as previs\u00f5es da CIA, as for\u00e7as armadas, unidas em defesa do presidente Assad, resistiram e as organiza\u00e7\u00f5es terroristas, ostensivamente apoiadas pela Turquia e pela Arabia Saudita, sofreram severas derrotas.<\/p>\n<p>Dezenas de milhares de civis, sobretudo mulheres e crian\u00e7as, foram v\u00edtimas da guerra patrocinada pelos EUA.<\/p>\n<p>Compreendendo finalmente que o plano elaborado em Washington estava a fracassar, Obama, numa guinada t\u00e1tica, informou num discurso amea\u00e7ador que tinha decidido bombardear a S\u00edria.<\/p>\n<p>A firme atitude assumida pela R\u00fassia obrigou-o, entretanto, a recuar e a desistir da interven\u00e7\u00e3o militar direta.<\/p>\n<p>Essa inocult\u00e1vel derrota pol\u00edtica tornou necess\u00e1ria uma revis\u00e3o da estrat\u00e9gia global dos EUA para todo o M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Apercebendo-se de que haviam avaliado mal a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, a Casa Branca e o Pent\u00e1gono adiaram sine dia o projeto de agress\u00e3o \u00e0 Republica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3, e abriram negocia\u00e7\u00f5es sobre o tema nuclear com um governo que o imperialismo identificava como polo do \u00abeixo do mal\u00bb.<\/p>\n<p>A CAT\u00c1STROFE UCRANIANA<\/p>\n<p>A derrota sofrida pelo imperialismo na S\u00edria coincidiu praticamente com o desenvolvimento de outro projeto imperial, mais ambicioso, que visava a integra\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio prazo da Ucr\u00e2nia na Uni\u00e3o Europeia e na OTAN.<\/p>\n<p>Dispenso- me de recordar, por serem amplamente conhecidos, os acontecimentos que conduziram ao poder em Kiev um governo neofascista ap\u00f3s o derrubamento do presidente Yanukovich. Era um aventureiro, mas havia sido eleito democraticamente.<\/p>\n<p>Mais uma vez o plano golpista foi minuciosamente preparado em Washington.<\/p>\n<p>Mas, novamente, a Hist\u00f3ria seguiu um rumo diferente do previsto pelo sistema de poder imperial.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o da Crimeia \u00e0 R\u00fassia demonstrou que o governo de Putin e Medvedev\u200e n\u00e3o se deixava intimidar pela agressiva estrat\u00e9gia de Washington.<\/p>\n<p>A recusa das popula\u00e7\u00f5es russ\u00f3fonas do leste da Ucr\u00e2nia a submeter-se aos golpistas de Kiev levou observadores internacionais a admitir que a ofensiva das for\u00e7as armadas da Ucr\u00e2nia contra os \u00abseparatistas\u00bb de Donetsk e Lugansk poderia ser o pr\u00f3logo de uma III Guerra Mundial. Mas a prud\u00eancia e serenidade de Putin contribu\u00edram para uma redu\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es na \u00e1rea, evitando o alastramento de um conflito que poderia ter tr\u00e1gicas consequ\u00eancias para a humanidade.<\/p>\n<p>A crise persiste, mas a pr\u00f3pria incapacidade militar do bando de Kiev conduziu ao atual cessar-fogo e \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es de Minsk.<\/p>\n<p>Na Ucr\u00e2nia, o tiro saiu tamb\u00e9m vez pela culatra ao governo dos EUA cuja alian\u00e7a com fascistas assumidos ilumina o desprezo pela \u00e9tica pol\u00edtica da Administra\u00e7\u00e3o Obama.<\/p>\n<p>O PESADELO JIHADISTA<\/p>\n<p>Atolado no pantanal ucraniano, o imperialismo estado-unidense (e os seus aliados) enfrenta nestes dias um desafio assustador para o qual sabe n\u00e3o ter solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inesperadamente, uma organiza\u00e7\u00e3o de islamitas fan\u00e1ticos irrompeu no noroeste do Iraque e em poucas semanas ocupou um amplo territ\u00f3rio naquele pa\u00eds e no norte da S\u00edria.<\/p>\n<p>Assumindo-se como interpretes intransigentes da sharia, tal como a concebem, proclamaram a restaura\u00e7\u00e3o do Califado \u00e1rabe e declaram a sua inten\u00e7\u00e3o de promover a sua expans\u00e3o territorial e espiritual.<\/p>\n<p>Logo nas primeiras semanas, a passagem desses jihadistas por cidades e aldeias conquistadas ficou assinalada pela pr\u00e1tica de crimes hediondos, insepar\u00e1veis do fanatismo exacerbado da seita jihadista.<\/p>\n<p>O imperialismo sentiu que o empurravam para um impasse. Obama n\u00e3o pode aceitar a ajuda do governo de Bashar al Assad, nem a do Ir\u00e3. Perderia a face tamb\u00e9m se recorresse a for\u00e7as terrestres para combater os jihadistas depois de ter festejado como acontecimento hist\u00f3rico a retirada do Iraque das tropas de combate. Optou ent\u00e3o pelo recurso a bombardeamentos a\u00e9reos. Recebeu o apoio dos governos de Hollande e de Cameron, mas os especialistas do Pent\u00e1gono acham que esses bombardeamentos, ditos \u00abcir\u00fargicos\u00bb ter\u00e3o uma efic\u00e1cia muito limitada.<\/p>\n<p>Os jihadistas responderam degolando dois ref\u00e9ns brit\u00e2nicos em seu poder e amea\u00e7am abater outros se os bombardeamentos prosseguirem.<\/p>\n<p>\u00c9 imprevis\u00edvel no momento o desfecho do confronto. Mas os generais do Pent\u00e1gono afirmam que o ex\u00e9rcito iraquiano e as mil\u00edcias do Curdist\u00e3o aut\u00f3nomo, aliado de Washington, n\u00e3o t\u00eam capacidade militar para derrotar os jihadistas.<\/p>\n<p>Em Washington, a Administra\u00e7\u00e3o est\u00e1 mergulhada num pesadelo. A m\u00eddia mais influente, do New York Times \u00e0 CNN, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Muitos quadros jihadistas s\u00e3o, afinal, provenientes de organiza\u00e7\u00f5es terroristas criadas e financiadas pelos EUA para combater regimes que n\u00e3o se submetiam \u00e0 domina\u00e7\u00e3o imperial. Alguns foram treinados por oficiais da US Army.<\/p>\n<p>O desconforto dos media tamb\u00e9m \u00e9 compreens\u00edvel.<\/p>\n<p>As guerras de agress\u00e3o que atingiram o Afeganist\u00e3o, o Iraque, a L\u00edbia e a S\u00edria foram precedidas de gigantescas campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o. Durante semanas, os povos dos EUA e da Europa foram massacrados com um tipo de propaganda que apresentava as interven\u00e7\u00f5es militares como exig\u00eancia da defesa da liberdade e dos direitos humanos em prol da democracia, contra a ditadura e a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler, afirmava que uma mentira \u00e0 for\u00e7a de repetida \u00e9 aceite como verdade. As t\u00e9cnicas de desinforma\u00e7\u00e3o utilizadas na \u00e9poca parecem hoje brincadeira de crian\u00e7as se comparadas com a monstruosa m\u00e1quina medi\u00e1tica controlada pelo imperialismo para anestesiar a consci\u00eancia dos povos e justificar crimes monstruosos.<\/p>\n<p>O presidente Obama cumpre neste jogo criminoso o papel que lhe foi distribu\u00eddo. Na realidade, o poder nos EUA est\u00e1 nas m\u00e3os do grande capital e do Pent\u00e1gono. Mas isso n\u00e3o atenua a sua responsabilidade; a m\u00e1scara n\u00e3o funciona , o presidente desempenha com prazer e hipocrisia a sua fun\u00e7\u00e3o na engrenagem do sistema de poder. Comporta-se na Casa Branca como inimigo da Humanidade.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos s\u00e9culos somente a Alemanha de Hitler criou uma situa\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel pela monstruosidade dos crimes cometidos \u00e0 resultante hoje da estrat\u00e9gia de poder dos EUA. Com duas diferen\u00e7as fundamentai: a pol\u00edtica do III Reich suscitou rep\u00fadio universal, mas apenas a Europa foi cen\u00e1rio dos seus crimes.<\/p>\n<p>No tocante aos EUA, centenas de milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o confundidas pela fachada democr\u00e1tica do regime, mas os crimes cometidos t\u00eam dimens\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Qual o desfecho da perigosa crise de civiliza\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a a pr\u00f3pria continuidade da vida na Terra?<\/p>\n<p>Vivemos um tempo, ap\u00f3s a transforma\u00e7\u00e3o da R\u00fassia num pa\u00eds capitalista, em que as for\u00e7as da direita governam com arrog\u00e2ncia em quase toda a Europa. Em Portugal, sofremos um governo em que alguns ministros s\u00e3o mais reacion\u00e1rios que os de Salazar.<\/p>\n<p>Mas a Historia \u00e9, h\u00e1 mil\u00e9nios, marcada pela altern\u00e2ncia do fluxo e do refluxo. O pessimismo, o desalento n\u00e3o se justificam. A mar\u00e9 da contesta\u00e7\u00e3o ao capitalismo est\u00e1 a subir.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7o que Marx, ap\u00f3s a derrota na Alemanha da Revolu\u00e7\u00e3o de 1848-49, quando uma vaga de desalento corria pela Europa criticou com veem\u00eancia o oportunismo de esquerda e o de direita, que contaminava a Liga dos Comunistas. Dirigindo-se \u00e0 classe oper\u00e1ria, afirmou que os trabalhadores poderiam ter de lutar 15, 20 ou mesmo 50 anos antes de tomarem o poder. Mas isso n\u00e3o era motivo para se desviarem dos princ\u00edpios e valores do comunismo.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o socialista tardou 70 anos. E n\u00e3o eclodiu na Alemanha ou na Fran\u00e7a , mas na R\u00fassia autocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O ensinamento de Marx permanece v\u00e1lido. Mas neste inicio do s\u00e9culo XXI n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio esperar tanto tempo.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria final depende das massas como sujeito da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A advert\u00eancia de Rosa Luxemburgo &#8211; Socialismo ou Barb\u00e1rie &#8211; n\u00e3o perdeu atualidade. Ou o capitalismo, hegemonizado pelo imperialismo norte-americano, empurra a humanidade para o abismo, ou a luta dos povos o erradica do planeta. A \u00fanica alternativa ser\u00e1 ent\u00e3o o socialismo.<\/p>\n<p>Vila Nova de Gaia, 23 de Setembro de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nMiguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6712\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6712","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Kg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6712\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}