{"id":6713,"date":"2014-09-25T18:28:41","date_gmt":"2014-09-25T18:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6713"},"modified":"2014-10-22T04:22:25","modified_gmt":"2014-10-22T04:22:25","slug":"a-verdadeira-tarefa-da-esquerda-vem-depois-das-eleicoes-construir-a-alternativa-ao-bloco-dominante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6713","title":{"rendered":"\u2018A verdadeira tarefa da esquerda vem depois das elei\u00e7\u00f5es: construir a alternativa ao bloco dominante\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p>No encerramento das entrevistas com os candidatos presidenciais da esquerda anticapitalista, o Correio da Cidadania conversou com Mauro Iasi, do PCB. Na conversa, ele destaca o processo de reconstru\u00e7\u00e3o da legenda mais antiga de todo o pa\u00eds e tamb\u00e9m o que considera a principal necessidade das for\u00e7as contra-hegem\u00f4nicas, incapazes de constituir a chamada Frente de Esquerda em 2014. Em sua vis\u00e3o, tal desafio continua posto, inclusive no sentido de aglutinar for\u00e7as extrapartid\u00e1rias. \u201cA nossa briga, j\u00e1 de bastante tempo, \u00e9 contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida\u201d.<\/p>\n<p><strong>Escrito por Gabriel Brito e Val\u00e9ria Nader, da Reda\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Quarta, 24 de Setembro de 2014<\/p>\n<p>No encerramento das entrevistas com os candidatos presidenciais da esquerda anticapitalista, o Correio da Cidadania conversou com Mauro Iasi, do PCB. Na conversa, ele destaca o processo de reconstru\u00e7\u00e3o da legenda mais antiga de todo o pa\u00eds e tamb\u00e9m o que considera a principal necessidade das for\u00e7as contra-hegem\u00f4nicas, incapazes de constituir a chamada Frente de Esquerda em 2014. Em sua vis\u00e3o, tal desafio continua posto, inclusive no sentido de aglutinar for\u00e7as extrapartid\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s demonstramos que \u00e9 poss\u00edvel participar do debate eleitoral sem rebaixar o programa, sem fantasiar ou disfar\u00e7ar nossas verdadeiras inten\u00e7\u00f5es. A nossa briga, j\u00e1 de bastante tempo, \u00e9 contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida, pauta a luta pela educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura, acesso a bens e servi\u00e7os essenciais, o que conseguimos ver, na pr\u00e1tica, na campanha\u201d, disse Iasi.<\/p>\n<p>Sobre o contexto geral do pleito, Iasi lamenta os \u201c12 anos de processo de despolitiza\u00e7\u00e3o\u201d, representados pela op\u00e7\u00e3o do PT em levar \u00e0 frente um projeto socioecon\u00f4mico conciliador que ignorou os interesses de classe e em momento algum chamou suas bases \u00e0 luta. E para os tempos em que se exigem mais instrumentos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o candidato comunista critica um sistema eleitoral que s\u00f3 oferece chances de vit\u00f3ria \u00e0queles previamente enquadrados pelo grande capital.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um debate muito empobrecido. Quem faz contraponto \u00e9 a esquerda, que sofre com o quadro de imposi\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica absolutamente centrada no pragmatismo e desvinculada das quest\u00f5es de interesses de classe, o que ajudaria a popula\u00e7\u00e3o a entender a natureza dos projetos e optar por aquele que de fato representa seus interesses\u201d.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Como est\u00e1 vendo o atual momento pol\u00edtico com as elei\u00e7\u00f5es que se aproximam? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Estamos numa conjuntura eleitoral que expressa o resultado de um longo per\u00edodo de despolitiza\u00e7\u00e3o no Brasil. Infelizmente, estamos num quadro onde as elei\u00e7\u00f5es acabam se concentrando em pessoas e iniciativas individuais. Pouco se debate a respeito de verdadeiros projetos e, mais ainda, dos interesses de classe que est\u00e3o por tr\u00e1s de uma e outra alternativa. Esse processo de despolitiza\u00e7\u00e3o foi produzido por 12 anos de um governo de pacto social, que apostou na baixa diferencia\u00e7\u00e3o das propostas, distante de uma verdadeira concep\u00e7\u00e3o de governo com pol\u00edticas sociais, com propostas de implementa\u00e7\u00e3o de um modelo de desenvolvimento se que diferenciasse claramente das alternativas da burguesia e do grande capital \u2013e em favor dos interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Em nenhum momento, o governo mobilizou sua base social em defesa de propostas porventura obstaculizadas por uma suposta maioria conservadora no Congresso. Pelo contr\u00e1rio, o governo propiciou o debate e a implementa\u00e7\u00e3o de medidas como a reforma da previd\u00eancia, a paralisa\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria, a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas e a prioridade ao agroneg\u00f3cio (com o que se fez do C\u00f3digo Florestal). Tudo isso sem que a popula\u00e7\u00e3o fosse minimamente convocada a defender seus interesses, atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma e da did\u00e1tica diferencia\u00e7\u00e3o de concep\u00e7\u00f5es sobre a natureza dos projetos em disputa.<\/p>\n<p>Conjuntura que agora culmina num quadro eleitoral no qual a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem elementos para discernir as propostas e est\u00e1 prestes a embarcar novamente numa alternativa de mudan\u00e7a que muda muito pouco. Seja no campo da Dilma ou da Marina.<\/p>\n<p>Mais uma vez, Dilma e o PT tentam o discurso de que o necess\u00e1rio foi feito, mas agora viria a verdadeira mudan\u00e7a. Resguardamo-nos o direito de duvidar, pois foi o mesmo discurso do segundo mandato de Lula e da passagem para a Dilma. Agora, aparece mais uma vez, mas na verdade o governo e a campanha de Dilma demonstram claramente uma op\u00e7\u00e3o de continuidade pelo caminho escolhido at\u00e9 agora. A Marina, por sua vez, n\u00e3o apresenta, de fato, alternativa de mudan\u00e7a. Ela capitaliza os anseios de se encerrar o ciclo do PT, com concep\u00e7\u00f5es que variam das mais conservadoras at\u00e9 aquelas que n\u00e3o se identificaram com tal governo, mas n\u00e3o traz nenhuma altera\u00e7\u00e3o de fundo no debate pol\u00edtico brasileiro. Ela mesma \u00e9 a reedi\u00e7\u00e3o de medidas muito conservadoras no campo econ\u00f4mico, reafirma o patamar colocado por FHC e, do ponto de vista de pol\u00edticas sociais, n\u00e3o indica nenhum elemento inovador. Pelo contr\u00e1rio, nesse campo tamb\u00e9m representa o pensamento conservador. Por fim, A\u00e9cio \u00e9 a pr\u00f3pria express\u00e3o da pol\u00edtica conservadora e privatista.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 um debate muito empobrecido. Quem faz contraponto \u00e9 a esquerda, a qual, at\u00e9 por esse contexto geral de despolitiza\u00e7\u00e3o, sofre muito com a falta de espa\u00e7o. Sofre tamb\u00e9m, fundamentalmente, com o quadro de imposi\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica absolutamente centrada no pragmatismo e desvinculada das quest\u00f5es de interesses de classe, o que ajudaria a popula\u00e7\u00e3o a entender a natureza dos projetos e optar por aquele que de fato representa seus interesses.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Quais s\u00e3o, a seu ver, os principais problemas e quest\u00f5es do Brasil de hoje e, em seus aspectos mais fundamentais, como o PCB se encaixa nesse cen\u00e1rio e com qual programa o PCB est\u00e1 se apresentando nessas elei\u00e7\u00f5es de 2014?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> O PCB formulou sua proposta de participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es a partir do nosso Congresso e da leitura que temos do Brasil e seus desafios. Estruturamos o programa em cinco eixos.<\/p>\n<p>O primeiro afirma que o Brasil completou um ciclo capitalista e exatamente por isso produz uma s\u00e9rie de problemas no acesso da popula\u00e7\u00e3o a direitos essenciais, como o direito \u00e0 vida, moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, transporte. Ou seja, afirmamos uma pol\u00edtica de desmercantiliza\u00e7\u00e3o da vida, colocando-nos claramente a favor da ideia de que esses s\u00e3o bens e servi\u00e7os essenciais \u00e0 vida humana e, portanto, devem ser oferecidos pelo Estado de maneira p\u00fablica, universal e gratuita.<\/p>\n<p>O segundo eixo diz respeito \u00e0s condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para realizar o primeiro. \u00c9 poss\u00edvel garantir todos os direitos, mas \u00e9 preciso mudar profundamente a forma econ\u00f4mica pela qual o pa\u00eds est\u00e1 sendo conduzido nos \u00faltimos 20 anos. Nesse eixo, propomos revers\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es ocorridas e controle por parte do Estado de setores essenciais da economia, como minera\u00e7\u00e3o, energia, infraestrutura de transportes, portos e aeroportos. E uma profunda reforma agr\u00e1ria, combinada com a reforma urbana. Tanto uma como outra, a nosso ver, est\u00e3o no eixo de garantir a socializa\u00e7\u00e3o da vida e das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para produzir uma sociabilidade mais elevada do povo brasileiro.<\/p>\n<p>O terceiro eixo diz respeito \u00e0s condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para realizar tais tarefas e, portanto, \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o da economia e desmercantiliza\u00e7\u00e3o da vida. Diz respeito, portanto, a uma cr\u00edtica que a nosso ver emergiu claramente nas Jornadas de Junho, questionou os limites da democracia representativa e cobrou formas de democracia direta. Tais protestos questionam a base de fundamento do presidencialismo de coaliz\u00e3o que tem prevalecido, com os partidos fazendo seu jogo no mercado eleitoral (financiados por grandes empresas) e formando um Congresso absolutamente servi\u00e7al dos interesses privados dos grandes grupos econ\u00f4micos do pa\u00eds. Atrav\u00e9s desse presidencialismo de coaliz\u00e3o, tais grupos controlam e limitam a a\u00e7\u00e3o do Poder Executivo e o colocam a seu servi\u00e7o. Em resumo, uma governabilidade \u2018por cima\u2019, negociada atrav\u00e9s de cargos no governo, emendas no or\u00e7amento, financiamento de campanha&#8230;<\/p>\n<p>Para romper tamanho c\u00edrculo vicioso, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer formas de poder popular, seja atrav\u00e9s das mais imediatas, os conselhos, ou mais aperfei\u00e7oadas, como os \u00f3rg\u00e3os do poder popular. Existe ainda a possibilidade, em caso de uma vit\u00f3ria, de sustenta\u00e7\u00e3o de governabilidade na auto-organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, deixando de cair na armadilha do presidencialismo de coaliz\u00e3o. \u00d3rg\u00e3os, conselhos ou assembleias seriam deliberativos, ao inv\u00e9s de consultivos, como indica a atual proposta da presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Tampouco seriam mera forma de homologa\u00e7\u00e3o, como prop\u00f5e a Marina e sua ideia de referendos e plebiscitos. Seriam \u00f3rg\u00e3os aut\u00eanticos de constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, delibera\u00e7\u00e3o de prioridades e apontamento de linhas de desenvolvimento. Teriam poder deliberativo, no sentido de formular a vontade que o Executivo deve levar ao Congresso. E com atua\u00e7\u00e3o e correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que n\u00e3o tornem o governo ref\u00e9m de negociatas, como hoje.<\/p>\n<p>O quarto item fala sobre a necessidade muito premente de garantia de direitos, uma vez que hoje eles t\u00eam sido flexibilizados e relativizados ao extremo. Isso \u00e9 muito s\u00e9rio no \u00e2mbito do direito do trabalho ou nos direitos fundamentais e humanos. N\u00e3o s\u00e3o direitos relativizados em negocia\u00e7\u00f5es, mas na pr\u00e1tica, como se v\u00ea na viol\u00eancia urbana que a PM promove, ao suspender os direitos mais elementares e produzir verdadeiro genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>O \u00faltimo eixo, firme em nossa convic\u00e7\u00e3o enquanto partido, \u00e9 que tais transforma\u00e7\u00f5es no Brasil devem ser articuladas, em primeiro lugar, no cen\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina. Pela import\u00e2ncia que tem o Brasil, por\u00e9m, mais que isso, pela necessidade de articularmos as for\u00e7as de resist\u00eancia anti-imperialistas e anti-monopolistas, atrav\u00e9s da associa\u00e7\u00e3o de nossos povos. Na Am\u00e9rica Latina e no \u00e2mbito mundial, porque a ofensiva contra os trabalhadores e os direitos elementares, al\u00e9m da amea\u00e7a belicista e do expansionismo imperialista, amea\u00e7am todos os povos. E seria essencial, para uma transforma\u00e7\u00e3o social, o Brasil contribuir em patamar mais avan\u00e7ado de resist\u00eancia mundial contra a globaliza\u00e7\u00e3o e o imperialismo.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Diante de quadro t\u00e3o complexo, qual a import\u00e2ncia das elei\u00e7\u00f5es de 2014 para as esquerdas e qual o papel delas nas elei\u00e7\u00f5es de 2014?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> O Estado burgu\u00eas conseguiu consolidar uma hegemonia muito s\u00f3lida no Brasil. Afirm\u00e1vamos, e continuamos afirmando, que as demandas que emergiram nas manifesta\u00e7\u00f5es de rua do ano passado precisavam tamb\u00e9m se expressar no debate eleitoral, nem que fosse pra quebrar o consenso em torno dos temas que circunscrevem o debate eleitoral aos limites da ordem burguesa. Precisavam colocar a alternativa socialista, a necessidade da constru\u00e7\u00e3o do poder popular, de enfrentar o modelo econ\u00f4mico, social e cultural que tem prevalecido nos \u00faltimos 20 anos. E a esquerda est\u00e1 tendo um papel importante nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, como j\u00e1 sab\u00edamos e n\u00e3o estamos nem um pouco surpresos, o espa\u00e7o nas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 extremamente viciado e limitado. O ordenamento jur\u00eddico brasileiro de hoje impede que tais debates sejam feitos. Inclusive, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que deveria zelar pela licitude do processo, tem uma atitude totalmente passiva e leniente com todo o verdadeiro arb\u00edtrio que \u00e9 o processo eleitoral brasileiro. N\u00e3o apenas existe uma desigualdade econ\u00f4mica enorme, propiciada pelo financiamento privado de campanha, mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma cobertura jornal\u00edstica absolutamente desigual. E, quando h\u00e1 debates, prevalece o crit\u00e9rio que o TSE estipulou como correto, de haver ou n\u00e3o bancadas parlamentares para participar do debate, cerceando e penalizando, portanto, os partidos que entram agora para tentar mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 um paradoxo: temos um espa\u00e7o muito limitado, como sab\u00edamos, mas, ao mesmo tempo, muito importante de ser ocupado, mesmo nas pequenas brechas que podemos furar. O PCB, ciente disso, optou por um tipo de campanha com mobiliza\u00e7\u00e3o e viagens pelo Brasil todo. Num volume maior que o esperado, a campanha corre nos assentamentos da reforma agr\u00e1ria, no movimento sindical, social, nas universidades, na juventude, naquilo que chamamos de reconstru\u00e7\u00e3o de uma vanguarda social, t\u00e3o duramente golpeada no \u00faltimo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Portanto, consideramos um acerto participar das elei\u00e7\u00f5es. Mas a verdadeira tarefa vem depois das elei\u00e7\u00f5es. Temos a obriga\u00e7\u00e3o, enquanto esquerda brasileira, de construir uma alternativa ao bloco dominante. \u00c9 uma tarefa urgente.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Sobre o que voc\u00ea chama de tarefa urgente, chegamos a outra pergunta: quanto \u00e0 possibilidade de uma esquerda socialista unificada, considera que se tenha perdido a oportunidade, aberta para tal cen\u00e1rio, pelas grandes manifesta\u00e7\u00f5es de 2013?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Eu concordo que seria um bom momento para exercit\u00e1-la. N\u00f3s do PCB defendemos a proposta em 2006, em S\u00e3o Paulo, quando fui candidato a vice-governador na chapa do Pl\u00ednio de Arruda Sampaio (PSOL) para o governo. Sempre fomos um dos principais incentivadores dessa proposta. Infelizmente, em 2010, n\u00e3o foi poss\u00edvel e, agora, em 2014, n\u00f3s temos experi\u00eancias locais de Frente de Esquerda. Estamos juntos na disputa do Cear\u00e1, em Sergipe, Piau\u00ed, parcialmente em Goi\u00e1s&#8230;<\/p>\n<p>Assim, n\u00f3s nos esfor\u00e7amos muito para que isso fosse poss\u00edvel. Muito esfor\u00e7o, por exemplo, foi feito para que Minas Gerais tivesse uma chapa unit\u00e1ria. Infelizmente, por uma s\u00e9rie de motivos, n\u00e3o se deu na chapa majorit\u00e1ria. A din\u00e2mica com que o PSOL, por exemplo, operou a constitui\u00e7\u00e3o do seu candidato foi muito dif\u00edcil. N\u00f3s acompanhamos e respeitamos a autonomia dos nossos colegas e a maneira pela qual decidiram sua candidatura, mas, de fato, retardou demais o processo e tornou invi\u00e1vel uma Frente de Esquerda para 2014.<\/p>\n<p>Mas o que n\u00f3s estamos percebendo \u00e9 que a no<\/p>\n<p>ss a base social cobra essa unidade. Temos de achar um meio de efetiv\u00e1-la. A \u00fanica coisa que podemos dizer no momento \u00e9 que o m\u00e9todo pelo qual est\u00e1 sendo constru\u00edda a Frente de Esquerda est\u00e1 errado. N\u00f3s n\u00e3o constituiremos uma Frente de Esquerda por um acordo eleitoral de \u00faltima hora, depois de as alternativas j\u00e1 estarem colocadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 pra esperar uma pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o com vistas a se criar um amplo movimento para se discutir e repensar o pa\u00eds, a partir de uma verdadeira alternativa de esquerda. E esse amplo debate tem de incluir todos os setores de esquerda, n\u00e3o apenas tr\u00eas ou quatro partidos da esquerda institucional que disputam a elei\u00e7\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que se junte ao processo v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que n\u00e3o t\u00eam, e n\u00e3o querem ter, registro eleitoral. Associa\u00e7\u00f5es, movimentos sociais, sindicatos, movimentos de luta pela terra, juventude, a fim de se criar uma verdadeira onda em se possa discutir o Brasil e suas op\u00e7\u00f5es, de modo a alcan\u00e7ar um projeto m\u00ednimo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Dentro de tal projeto, temos de pensar no papel das elei\u00e7\u00f5es, se devemos participar do processo eleitoral, e como participar. A partir dessa constru\u00e7\u00e3o coletiva, temos certeza que haver\u00e1 muito mais maturidade para se chegar a uma alternativa tamb\u00e9m eleitoral para os pr\u00f3ximos pleitos, com grau de unidade maior.<\/p>\n<p>Eu acredito que, se os partidos de esquerda dependerem de uma din\u00e2mica que j\u00e1 se consolidou, dificilmente sair\u00e1 uma alian\u00e7a eleitoral, ou melhor, aquilo que defendemos: uma Frente de Esquerda. \u00c9 preciso trabalhar nessa perspectiva, para o que h\u00e1 muita disposi\u00e7\u00e3o do PCB. Al\u00e9m de que, agora mais do que nunca, fica evidente que esta constru\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade para o avan\u00e7o da disputa pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p><strong>Correio da Cidadania: Considera que, nessas elei\u00e7\u00f5es, o debate aberto pelo PCB e pelas esquerdas de um modo geral conseguir\u00e1 fazer a diferen\u00e7a de alguma forma, confrontando o debate da ordem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi:<\/strong> Acredito que n\u00f3s j\u00e1 fizemos isso. O PCB hoje completa um ciclo de reconstru\u00e7\u00e3o evidente. N\u00f3s estamos presentes em todos os estados da federa\u00e7\u00e3o, seja em comiss\u00f5es provis\u00f3rias ou como partido j\u00e1 organizado. Temos frentes enraizadas no movimento de mulheres, unidade classista no movimento sindical, uma nova juventude comunista&#8230; Essa presen\u00e7a foi potencializada agora com a campanha que est\u00e1 em curso. Acredito que conquistamos avan\u00e7amos em um trabalho consciente, sem a\u00e7odamentos, em que priorizamos a formula\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, a leitura sobre o Brasil, o acerto de contas com a nossa hist\u00f3ria, o que nos posicionou bem para participar de um debate t\u00e3o necess\u00e1rio, que vai acontecer daqui pra frente.<\/p>\n<p>Mais ainda, n\u00f3s compramos uma briga contra um verdadeiro senso comum na esquerda brasileira. Aquele que entende que, ao participar do processo eleitoral, n\u00f3s t\u00ednhamos de necessariamente buscar media\u00e7\u00f5es e discursos que implicavam em rebaixar ou disfar\u00e7ar nossas metas socialistas revolucion\u00e1rias e as quest\u00f5es de fundo que julg\u00e1vamos necess\u00e1rias, mas que o espa\u00e7o eleitoral n\u00e3o permitiria.<\/p>\n<p>N\u00f3s demonstramos que \u00e9 poss\u00edvel participar do debate eleitoral sem rebaixar o programa, sem fantasiar ou disfar\u00e7ar nossas verdadeiras inten\u00e7\u00f5es. At\u00e9 porque consideramos que estas inten\u00e7\u00f5es correspondem a uma objetividade que exige resposta. A ideia do poder popular materializou-se na cr\u00edtica feita nas manifesta\u00e7\u00f5es do ano passado.<\/p>\n<p>A nossa briga, j\u00e1 de bastante tempo, \u00e9 contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida, pauta a luta pela educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura, acesso a bens e servi\u00e7os essenciais, o que conseguimos ver, na pr\u00e1tica, na campanha.<\/p>\n<p>Outro aspecto sobre o qual tivemos uma boa surpresa \u00e9 que a luta pela terra no Brasil est\u00e1 diante de um impasse, que pode ser produtivo, rico. Os grandes movimentos de luta pela terra no Brasil j\u00e1 perceberam, claramente, que o inimigo se deslocou. N\u00e3o \u00e9 mais aquele latif\u00fandio tradicional e n\u00e3o se trata s\u00f3 de uma mera distribui\u00e7\u00e3o de terra. Est\u00e1-se diante de uma profunda transforma\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, agr\u00edcola, na pol\u00edtica de abastecimento. Os assentamentos da reforma agr\u00e1ria possam sair do dilema perverso em que se encontram: depender do Estado para sobreviver, sob uma concorr\u00eancia absolutamente desleal com o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso um salto de qualidade na luta pela terra, assim como em todos os elementos da bandeira da reforma urbana. O partido posicionou-se nesse debate com uma pol\u00edtica que articula tais temas e amarra uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de pa\u00eds, uma vis\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Penso que \u00e9 esse o nosso grande ganho, independentemente do resultado num\u00e9rico das elei\u00e7\u00f5es. Mas tamb\u00e9m esperamos ter um crescimento e uma consolida\u00e7\u00e3o maior do PCB, um espa\u00e7o importante que ainda ser\u00e1 muito \u00fatil no desenvolvimento de uma estrat\u00e9gia socialista.<\/p>\n<p><strong>Val\u00e9ria Nader, jornalista e economista, \u00e9 editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito \u00e9 jornalista.<\/strong><\/p>\n<p>http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=10075<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCorreio da Cidadania\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6713\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[121],"tags":[],"class_list":["post-6713","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c134-eleicoes-2014"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Kh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6713"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6713\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}