{"id":6715,"date":"2014-09-28T17:48:06","date_gmt":"2014-09-28T17:48:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6715"},"modified":"2014-10-22T04:22:25","modified_gmt":"2014-10-22T04:22:25","slug":"pela-nao-criminalizacao-das-mulheres-pela-legalizacao-do-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6715","title":{"rendered":"Pela n\u00e3o criminaliza\u00e7\u00e3o das mulheres. Pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto"},"content":{"rendered":"\n<p>28 de setembro &#8211; Dia Latino-Americano e caribenho de Luta pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto.<\/p>\n<p>No 5\u00ba Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho, realizado no dia 28 de setembro de 1990, na Argentina, as mulheres trabalhadoras definiram esta data como o Dia de Luta pela Descriminaliza\u00e7\u00e3o e Legaliza\u00e7\u00e3o do Aborto na Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n<p>No contexto do processo da reforma do C\u00f3digo Penal, houve uma grande ofensiva ideol\u00f3gica contra a Legaliza\u00e7\u00e3o do Aborto, como a de aumentar os direitos jur\u00eddicos do nascituro no Brasil (Estatuto do Nascituro) de concess\u00e3o de Bolsa-aux\u00edlio para quem mantenha a gesta\u00e7\u00e3o fruto de estupro e, sobretudo, a condena\u00e7\u00e3o efetiva com penas de pris\u00e3o para quem aborta e para os m\u00e9dicos. Ao inv\u00e9s de uma legisla\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, ainda tentaram retirar conquistas, como os permissivos de aborto em casos de estupro e risco de morte, obtidas no C\u00f3digo vigente de 1940.<\/p>\n<p>Enfim, permanece a ideia da criminaliza\u00e7\u00e3o, e assim, de um Estado policial em detrimento de um Estado social.<\/p>\n<p>Houve ainda poderosas campanhas midi\u00e1ticas e tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es dirigidas de grupos pol\u00edticos conservadores que, em nome da defesa da vida tratando a problem\u00e1tica do aborto de forma irrespons\u00e1vel para com os direitos humanos , a vida e sa\u00fade das mulheres brasileiras.<\/p>\n<p>Numa sociedade de classes, criminalizar o aborto \u00e9 criminalizar a pobreza j\u00e1 que mulheres ricas s\u00e3o atendidas em cl\u00ednicas, ainda que ilegais, com bons profissionais, bem aparelhadas e seguras, e, obviamente caras, e, portanto, n\u00e3o acess\u00edveis \u00e0s mulheres pobres, para as quais resta a gravidez indesejada, com todas suas consequ\u00eancias e sequelas, ou a pris\u00e3o e muitas vezes, pela inseguran\u00e7a, a morte, como apontado recentemente pela imprensa em que nos casos de eventual problema com a cirurgia, as mulheres est\u00e3o desaparecendo.<\/p>\n<p>Por medo de ser denunciada a mulher realiza o procedimento no ambiente dom\u00e9stico, sem qualquer prote\u00e7\u00e3o, o que, muitas vezes, a leva, ironicamente, para o SUS para realiza\u00e7\u00e3o de curetagem, (retirada do material placent\u00e1rio).<\/p>\n<p>O aborto n\u00e3o mata, o que mata \u00e9 a clandestinidade, \u00e9 a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e reprodutivos das mulheres, \u00e9 a legitima\u00e7\u00e3olegaliza\u00e7\u00e3o do estupro, tudo baseado num ideia religiosa ( as c\u00e9lulas fecundadas j\u00e1 seriam pessoas), portanto, ignorando, totalmente a laicidade do Estado brasileiro.<\/p>\n<p>Nenhuma mulher deseja o aborto, entretanto, no estado burgu\u00eas h\u00e1 quase que uma impossibilidade social de controle da pr\u00f3pria sexualidade na medida em que a gravidez indesejada \u00e9 resultante de situa\u00e7\u00f5es sociais estruturais no capitalismo: viol\u00eancia sexual, recusa de uso de m\u00e9todos contraceptivos por parte dos homens, falhas nos m\u00e9todos ,limites aos acessos \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e aos aos m\u00e9todos, especialmente para as mulheres jovens, bloqueios \u00e0 laqueadura de trompas, gesta\u00e7\u00e3o de filhos anenc\u00e9falos, riscos de morte para a gestante.<\/p>\n<p>Aqueles que defendem o processo de criminaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o os mesmos que impedem as iniciativas de educa\u00e7\u00e3o sexual para adolescentes, que lutam contra a distribui\u00e7\u00e3o e venda de contraceptivos de emerg\u00eancia, que impedem as mulheres de terem acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es seguras sobre m\u00e9todos de aborto, sem contar os limitados servi\u00e7os p\u00fablicos na oferta de contraceptivos. O genitor continua sendo ignorado pelo estado brasileiro.<\/p>\n<p>Criminalizar o aborto n\u00e3o resolve, muito ao contr\u00e1rio, acarreta sofrimento, adoecimentos, discrimina\u00e7\u00f5es por parte de familiares e amigos, e, claro, na inseguran\u00e7a da clandestinidade, com servi\u00e7os prec\u00e1rios de abortamento provoca sequelas no corpo da mulher ou mesmo sua morte, atingindo geralmente as mais pobres.<\/p>\n<p>Continuamos a lutar contra a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de tratar o aborto como assunto penal ou de pol\u00edcia devendo ser trazido para o campo da pol\u00edtica p\u00fablica de sa\u00fade integral \u00e0 mulher, apontando, portanto, para sua legaliza\u00e7\u00e3o como uma forma de respeito \u00e0 decis\u00e3o soberana das mulheres sobre suas vidas, seus corpos e sexualidade.<\/p>\n<p>COLETIVO FEMINISTA CLASSISTA ANA MONTENEGRO &#8211; Brasil<\/p>\n<p>28 de Setembro de 2014<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCOLETIVO FEMINISTA CLASSISTA ANA MONTENEGRO\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6715\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-6715","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Kj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6715\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}