{"id":6732,"date":"2014-10-02T03:38:49","date_gmt":"2014-10-02T03:38:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6732"},"modified":"2014-10-22T04:22:09","modified_gmt":"2014-10-22T04:22:09","slug":"eles-sabem-o-que-fazem-e-no-entanto-o-fazem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6732","title":{"rendered":"Eles sabem o que fazem, e, no entanto, o fazem"},"content":{"rendered":"\n<p>Eles sabem o que fazem, e, no entanto, o fazem[1]<\/p>\n<p>H\u00e1 quase 03 anos, em fevereiro de 2012, cinco mulheres foram estupradas, sendo duas delas assassinadas, na cidade de Queimadas, Agreste da Para\u00edba, pr\u00f3ximo a Campina Grande. E, apenas hoje, no dia 26 de setembro, o acusado de ser o mentor do estupro coletivo teve sua senten\u00e7a lida. Ap\u00f3s 19 horas de julgamento, Eduardo dos Santos Pereira foi condenado a 108 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Na \u201cBarb\u00e1rie de Queimadas\u201d, como ficou nacionalmente conhecido o caso, dez homens planejaram (sim, planejaram, elaboraram com anteced\u00eancia) o estupro de cinco mulheres, como forma de \u201cpresentear\u201d o aniversariante, irm\u00e3o do principal mentor e donos da casa, deste dia. Durante uma suposta festa, alguns dos homens saem para comprar bebidas e retornam encapuzados simulando um assalto. Uma das v\u00edtimas, passando-se por desmaiada, v\u00ea sua irm\u00e3 ser violentada e logo em seguida raptada para ser assassinada a quil\u00f4metros dali. Duas das v\u00edtimas reconhecem os agressores e por isso chegaram a \u00f3bito.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos negar a vit\u00f3ria (e principalmente a import\u00e2ncia) de todas as mulheres, feministas e movimentos organizados para que este julgamento ocorresse e para que todos os 10 acusados, sendo 03 adolescentes, fossem julgados e condenados. Mas, infelizmente, n\u00e3o podemos nos esquecer, tamb\u00e9m, que tal caso de barb\u00e1rie, s\u00f3 ganhou tal repercuss\u00e3o por ter terminado em dois \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Trag\u00e9dias, como a que ocorreu em Queimadas, acontecem todos os dias, segundo dados do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, 50 mil mulheres s\u00e3o estupradas por ano, no Brasil, e 03 em cada 04 mulheres ser\u00e3o v\u00edtimas de pelo menos um crime de viol\u00eancia durante a sua vida. O estupro e a viol\u00eancia dom\u00e9stica matam mais mulheres, entre 15 a 44 anos, que o c\u00e2ncer, os acidentes automobil\u00edsticos, guerra e mal\u00e1ria, segundo dados do Banco Mundial.<\/p>\n<p>O capitalismo, hoje, na busca infinita de transformar tudo em mercadoria, transformou as mulheres em produto, e a moeda de troca \u00e9 o sexo, o assovio, o \u2018passar a m\u00e3o na bunda\u2019, o insulto disfar\u00e7ado de elogio e a domina\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de poder. Contudo, para promover uma real luta classista e feminista, precisamos, al\u00e9m de nos basear em um feminismo marxista, fazer com que tal luta esteja na agenda pol\u00edtica n\u00e3o apenas das mulheres, mas sim, de todos os socialista e comunistas, dentro do Movimento Estudantil, nas f\u00e1bricas, nas escolas, no sindicato, dentro dos Partidos Pol\u00edticos, enfim, em todos os espa\u00e7os de milit\u00e2ncia dos comunistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer que \u201cn\u00e3o existe um feminismo aut\u00f4nomo desvinculado de uma perspectiva de classe\u201d [2] Quando falamos na luta das mulheres, n\u00e3o podemos parar na luta por direitos, sem negar a import\u00e2ncia dela, como a que ocorreu em Queimadas e em toda a Para\u00edba, mas, \u00e9 fundamental projetarmos uma sociedade que supere o pr\u00f3prio direito, aquela \u00e9 nossa luta pr\u00e1tica, mas esta \u00faltima \u00e9 a nossa luta estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>A luta espec\u00edfica das mulheres contra a opress\u00e3o e a viol\u00eancia as quais se encontram submetidas se vincula \u00e0 uma luta mais ampla pela transforma\u00e7\u00e3o da sociedade, sem que isto signifique a perda de sua particularidade que atua incisivamente na \u201csupera\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o materializada na forma patriarcal da fam\u00edlia, nos valores dominantes na cultura, no senso comum e na ideologia, nas rela\u00e7\u00f5es de poder (&#8230;), supera\u00e7\u00e3o esta que n\u00e3o se dando, impede a efetiva liberta\u00e7\u00e3o do ser humano na sua busca de uma transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade\u201d[3]. Assim, tal como o socialismo \u00e9 a supera\u00e7\u00e3o desta sociedade \u201cdemocr\u00e1tica\u201d, e n\u00e3o uma infinda luta por direitos desiguais; a luta pela liberta\u00e7\u00e3o das mulheres n\u00e3o \u00e9 o estabelecimento da igualdade entre os sexos, mas sim a supera\u00e7\u00e3o dos fundamentos sociais que converteram a nossas vidas em servi\u00e7o privado, que convertem nossos prazeres em moeda de troca e nossos corpos em mercadoria.<\/p>\n<p>\u201cDe m\u00e3os dadas com o homem de sua classe, a mulher prolet\u00e1ria luta contra a sociedade capitalista.\u201d[4]<\/p>\n<p>Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Comit\u00ea Regional da Para\u00edba<\/p>\n<hr \/>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1. Zizek, S. \u201cHow Did Marx Invent the Symptom?\u201d, em Mapping Ideology (Londres, 1994).<\/p>\n<p>2. Saffioti, H. \u201cA Mulher na Sociedade de Classes\u201d (S\u00e3o Paulo, 2013)<\/p>\n<p>3. Iasi, M. \u201cOlhar o Mundo com Olhos de Mulher\u201d (Amsterd\u00e3, 1991)<\/p>\n<p>4. Zetkin, C. \u201cRelat\u00f3rio para o congresso de Gotha\u201d, 1896. Em Ausgew\u00e4hlte Reden e Schriften.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6732\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-6732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1KA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6732\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}