{"id":674,"date":"2010-07-22T21:42:06","date_gmt":"2010-07-22T21:42:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=674"},"modified":"2010-07-22T21:42:06","modified_gmt":"2010-07-22T21:42:06","slug":"kke-e-o-povo-grego-contra-as-politicas-liberais-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/674","title":{"rendered":"KKE e o Povo Grego Contra As Pol\u00edticas Liberais da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/index.php?autman=Francesco+Maringi%C3%B2*+&amp;submit=Buscar\" target=\"_blank\"> <\/a>\u201cO KKE deu um contributo decisivo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia e da luta popular. Mas n\u00f3s medimos a efic\u00e1cia da nossa luta de um modo diferente dos outros, n\u00e3o nos concentramos s\u00f3 nos resultados que saem das urnas. Naturalmente, com isto n\u00e3o quero dizer que n\u00e3o nos interessem as elei\u00e7\u00f5es. Mas deve-se ter presente que na Gr\u00e9cia a consci\u00eancia do movimento popular est\u00e1 muito mais avan\u00e7ada do que a da maior parte dos pa\u00edses europeus e, embora ainda n\u00e3o se reflicta completamente na ac\u00e7\u00e3o, ir\u00e1 verificar-se no futuro. Isto depende em grande parte do decisivo, se n\u00e3o determinante, contributo do nosso partido.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Contact\u00e1mos Aleka Papariga nos dias quentes das greves e das mobiliza\u00e7\u00f5es sociais, que encontram no KKE o principal eixo organizativo e pol\u00edtico. H\u00e1 poucas horas os comunistas gregos colocaram uma faixa nas paredes do Part\u00e9non, convidando os povos de toda a Europa a rebelar-se.<\/p>\n<p>Francesco Maringi\u00f2 (FM): &#8211; A Gr\u00e9cia est\u00e1 no centro das aten\u00e7\u00f5es por parte de todos os outros pa\u00edses europeus devido \u00e0 crise que atravessa. O Governo Papandreu prometeu tirar o pa\u00eds desta crise e por isso aplicou um duro plano econ\u00f3mico. Qual \u00e9 a tua opini\u00e3o a este respeito? E qual \u00e9 o objectivo da luta?<\/p>\n<p>Aleka Papariga (AP): &#8211; Estas op\u00e7\u00f5es postas em ac\u00e7\u00e3o pelo governo s\u00e3o um verdadeiro perigo para a vida do povo, pelo que o objectivo \u00e9 ganhar tempo, para se poder bloquear as medidas e, sobretudo, criar as condi\u00e7\u00f5es para que estas pol\u00edticas sejam derrubadas. N\u00f3s lutamos para alterar as rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as e fazer que se determinem as condi\u00e7\u00f5es para dar vida a um diferente modelo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>FM: &#8211; Achas que o povo grego est\u00e1 amadurecido para tomar como seu este objectivo?<\/p>\n<p>AP: &#8211; As medidas tomadas s\u00e3o absolutamente injustas para os trabalhadores. N\u00e3o h\u00e1 outras sa\u00eddas: o povo tem de conseguir impor um modelo de desenvolvimento diferente, alternativo ao actual, para dar vida a um curso completamente diferente, em que prevale\u00e7a um projecto que tutele os interesses populares, e n\u00e3o os da burguesia. Se assim n\u00e3o acontecer, determinar-se-\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o em que a sa\u00edda da crise \u2013 que decerto n\u00e3o ser\u00e1 eterna \u2013 para a Gr\u00e9cia, se far\u00e1 \u00e0 custa dos interesses populares, que por consequ\u00eancia ser\u00e3o atingidos e redimensionados durante muito tempo. E ent\u00e3o ser\u00e1 muito dif\u00edcil remediar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>FM: &#8211; E o que dever\u00e1 fazer o movimento de luta na Gr\u00e9cia, qual o papel dos comunistas dentro dele?<\/p>\n<p>AP: &#8211; N\u00e3o pode haver nenhuma converg\u00eancia de interesses entre o capital e o trabalho. Chegou a hora de todos assumirem as suas responsabilidades. Pelo nosso lado, consideramos que o que se come\u00e7ou em 17 de Dezembro passado, com as greves e as mobiliza\u00e7\u00f5es, tem de avan\u00e7ar e de se alargar. O que julgavam, que o povo aceitaria este ataque aos seus direitos sem opor resist\u00eancia? N\u00f3s n\u00e3o o permitimos. O movimento popular e dos trabalhadores, quanto mais capaz for de adquirir consci\u00eancia do facto de que a propaganda sobre os sacrif\u00edcios para evitar a bancarrota \u00e9 falsa e funcional ao cancelamento dos direitos, mais forte e melhor para todos ser\u00e1. Se uma parte dos cidad\u00e3os h\u00e1 uns tempos tivesse prestado mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es feitas pelo KKE a respeito da natureza do Tratado de Maastricht e \u00e0 entrada da Gr\u00e9cia na Uni\u00e3o Europeia, apresentada como uma op\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, hoje haveria uma situa\u00e7\u00e3o muito melhor. Se nos tivessem dado ouvidos quanto \u00e0s previs\u00f5es que t\u00ednhamos feito j\u00e1 antes das elei\u00e7\u00f5es, quando diz\u00edamos que iriam surgir fortes ataques \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho da popula\u00e7\u00e3o e afirm\u00e1vamos que estas medidas seriam tomadas indistintamente, tanto pelo Pasok como pela Nova Democracia, como depois sucedeu, hoje todos os trabalhadores estariam seguramente numa posi\u00e7\u00e3o mais forte para poderem enfrentar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>FM: &#8211; Qual \u00e9 a resposta ao apelos de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o que o KKE e o PAME est\u00e3o a fazer aos trabalhadores gregos? Encontram eco as vossas propostas?<\/p>\n<p>AP: &#8211; As lutas animadas pelo PAME, que tem desempenhado uma ac\u00e7\u00e3o de vanguarda importante, bem como as manifesta\u00e7\u00f5es de massas que se t\u00eam verificado em todo o Pa\u00eds, demonstram que as pessoas est\u00e3o dispostas a lutar. Vieram dizer, arrogantes e em tom de propaganda, que as pessoas est\u00e3o de acordo com os procedimentos e as medidas pretendidas pelo Governo. Assim fazendo est\u00e3o s\u00f3 a abrir caminho para que a luta tenha uma escalada. Hoje em dia regista-se um importante aumento da consci\u00eancia de classe do povo. Estes sinais falam-nos de indigna\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o, mas a gente comum est\u00e1 cada vez mais disposta a tomar parte nas lutas. Falta ver se esta evolu\u00e7\u00e3o ir\u00e1 levar a uma maior radicaliza\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pol\u00edtica conduzindo amplos sectores populares a convergir nas propostas de alternativa avan\u00e7adas pelo KKE sobre temas como as alian\u00e7as e a tomada do poder, ou se o sistema conseguir\u00e1 mant\u00ea-los sob controlo, impedindo o arranque de uma pol\u00edtica de alternativa.<\/p>\n<p>FM: &#8211; E consideras tudo isso poss\u00edvel?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Decididamente. Tanto o passado como o presente mostram-nos que o capitalismo na sua fase monopolista assume caracteres cada vez mais reaccion\u00e1rios e parasit\u00e1rios. Durante uma fase de crise, como \u00e9 \u00f3bvio, o capital \u00e9 muito mais agressivo, mas na fase de desenvolvimento tamb\u00e9m continua a sua viol\u00eancia contra os interesses populares. E em geral observamos que todos os refluxos em termos de direitos e liberdades dos trabalhadores nunca prov\u00eam de baixo, acolhendo inst\u00e2ncias nascidas do descontentamento. Come\u00e7am por cima, empregando como instrumento repressivo as cl\u00e1ssicas campanhas assentes nos partidos que tutelam os interesses burgueses.<\/p>\n<p>FM: &#8211; Que g\u00e9nero de pol\u00edticas s\u00e3o adoptadas por estes partidos?<\/p>\n<p>AP: &#8211; As actuais medidas anti-sociais aplicadas s\u00e3o literalmente b\u00e1rbaras. Empurram as fam\u00edlias trabalhadoras para o desespero. O capitalismo aposta em fazer pagar a crise aos trabalhadores e em consolidar por esta via os seus pr\u00f3prios lucros. Isto vemo-lo bem aqui entre n\u00f3s onde o capital grego tenta conservar uma forte presen\u00e7a na regi\u00e3o. O capitalismo hoje precisa de tomar estas medidas. As pol\u00edticas dos liberais e dos social-democratas, como todas as que t\u00eam sido aqui tomadas at\u00e9 agora, t\u00eam como verdadeiro objectivo a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades do capital. De resto, as medidas impostas ao povo grego s\u00e3o as mesmas que se t\u00eam vindo a adoptar em todos os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia com variados pretextos. Estas medidas j\u00e1 foram decididas h\u00e1 tempos e p\u00f5em em evid\u00eancia o impasse do desenvolvimento capitalista.<\/p>\n<p>FM: &#8211; Mas donde nasce esse \u201cburaco\u201d nos or\u00e7amentos do Estado?<\/p>\n<p>AP: &#8211; O d\u00e9fice p\u00fablico e as d\u00edvidas foram criados pelo facto de o financiamento estatal ter ido todo parar aos cofres dos monop\u00f3lios: dinheiro em catadupas para os capitalistas, uma verdadeira provoca\u00e7\u00e3o. \u00c9 este o motivo por que hoje \u00e9 desferido um ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores e se pede dinheiro em empr\u00e9stimos porque assim se continuam a manter os lucros dos do costume com o dinheiro do Estado. A verdadeira quest\u00e3o na ordem do dia torna-se portanto: o que ir\u00e1 entrar em crise, a vontade do povo ou o sistema plutocr\u00e1tico?<\/p>\n<p>FM: &#8211; Portanto \u00e9 culpa do sistema capitalista?<\/p>\n<p>AP: &#8211; O capitalismo \u00e9 um sistema injusto porque por um lado acumula crescente pobreza e mis\u00e9ria e, por outro, riquezas fabulosas. \u00c9 um sistema que gera parasitismo e corrup\u00e7\u00e3o e leva sempre \u00e0 crise. Por este motivo precisamos de mudan\u00e7as radicais. O capitalismo nunca foi uma via de sentido \u00fanico, uma etapa obrigat\u00f3ria da hist\u00f3ria. Mas para inverter a marcha \u00e9 preciso um forte movimento popular, com uma clara conota\u00e7\u00e3o de classe e um decidido perfil pol\u00edtico, que se bata contra os monop\u00f3lios e as campanhas anticomunistas: s\u00f3 um movimento assim radical \u00e9 capaz de garantir progressos para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>FM: &#8211; E de que h\u00e1 necessidade, em alternativa?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Hoje em dia \u00e9 necess\u00e1ria uma sociedade socialista, que representa a \u00fanica possibilidade de o povo gozar dos frutos do seu trabalho e para que as modernas conquistas da ci\u00eancia e da cultura sejam utilizadas a favor dos interesses de todos e n\u00e3o do lucro. E tudo isto, naturalmente, requer a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista. Precisamos de ter \u201caulas de desenho\u201d, para assim podermos tra\u00e7ar esta nova sociedade.<\/p>\n<p>FM: &#8211; Na TV italiana tem-se falado muito de ac\u00e7\u00f5es violentas ocorridas durante as manifesta\u00e7\u00f5es. O KKE e o PAME condenam estes actos? Quem \u00e9 o respons\u00e1vel? E quais s\u00e3o as vossas propostas para combater e mobilizar as pessoas?<\/p>\n<p>AP: &#8211; N\u00f3s propomos continuamente mobiliza\u00e7\u00f5es, mas se as pessoas n\u00e3o estiverem convictas as lutas n\u00e3o podem ter lugar. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 um movimento organizado, dotado de um projecto, com forte sentido de responsabilidade, que n\u00e3o se deixe envolver em agita\u00e7\u00f5es improvisadas e protestos cegos. Hoje o KKE, deste ponto de vista, constitui uma garantia para que se desenvolva um movimento amadurecido, cuja exist\u00eancia n\u00f3s ao mesmo tempo reclamamos e defendemos.<\/p>\n<p>FM: &#8211; Portanto distanciam-se dos actos de guerrilha urbana que puseram Atenas a ferro e fogo?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Certamente. O KKE condena com veem\u00eancia a tr\u00e1gica morte de tr\u00eas pessoas durante o assalto ao banco. O Governo contudo n\u00e3o tem o direito de se servir destas mortes para tentar bloquear a resist\u00eancia popular e dar livre curso a uma ofensiva antipopular que, por agora, se reflecte nas medidas promovidas no sistema da seguran\u00e7a social, mas que se destina a reaparecer ao fim de cada tr\u00eas, seis ou nove meses. E isto de acordo com as vontades da troika (os principais partidos \u2013 ndt ) ou a do Governo e da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>FM: &#8211; Mas quem \u00e9 que tira vantagens desses choques?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Na base de provas e factos concretos j\u00e1 denunci\u00e1mos v\u00e1rias vezes o desenrolar de uma verdadeira estrat\u00e9gia da tens\u00e3o e da provoca\u00e7\u00e3o. Como se demonstrou, o Laos, o partido nacionalista, n\u00e3o se limitou, com o seu presidente \u00e0 cabe\u00e7a, a utilizar a posteriori a not\u00edcia dos incidentes mas, de certo modo, esperou que acontecessem para poder assim tentar fazer recair as culpas sobre o KKE. Esta \u00e9 uma estrat\u00e9gia claramente destinada a envolver tanto o KKE como o PAME numa provoca\u00e7\u00e3o ad hoc.<\/p>\n<p>FM: &#8211; E porque \u00e9 que se d\u00e1 tudo isto, na tua opini\u00e3o?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Porque est\u00e3o preocupados com a actividade realizada pelo partido e pelo movimento de classe. E depois todos sabem que, al\u00e9m dos membros, dos amigos e dos simpatizantes do partido, na luta participam tamb\u00e9m os trabalhadores com diferentes orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>FM: &#8211; E como conseguem repelir as tentativas de provoca\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Vou contar o que fizemos e que nos permitiu mant\u00ea-los \u00e0 dist\u00e2ncia. N\u00e3o \u00e9 nenhuma coincid\u00eancia. N\u00f3s nutrimos fortes suspeitas em rela\u00e7\u00e3o a eles e portanto prepar\u00e1mo-nos para os expulsar. Com efeito, durante o desfile mont\u00e1mos um poderoso servi\u00e7o de ordem, com todos os camaradas a marchar de bra\u00e7os cruzados um no outro e assim conseguimos dar vida a um desfile do PAME sem precedentes e a manter afastados os poucos provocadores que continuavam a gritar os seus slogans e tentavam alcan\u00e7ar o seu objectivo.<\/p>\n<p>FM: &#8211; O que me dizes do Governo Papandreu? S\u00e3o os \u00fanicos a critic\u00e1-lo?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Syriza censura o Pasok e o primeiro-ministro por n\u00e3o respeitarem o seu programa eleitoral. N\u00f3s nunca faremos este g\u00e9nero de cr\u00edticas porque na realidade o que Papandreu est\u00e1 a fazer \u00e9 exactamente dar curso ao seu programa pol\u00edtico. Ao contr\u00e1rio de Syriza, que pensa que h\u00e1 diferen\u00e7a entre o Pasok e ND, n\u00f3s consideramos que as pol\u00edticas de fundo destes partidos n\u00e3o s\u00e3o diferentes, como se v\u00ea quanto \u00e0s receitas para a crise, e isto porque ambos os partidos s\u00e3o express\u00e3o dos interesses do grande capital e n\u00e3o podem p\u00f4r em campo pol\u00edticas diferentes.<\/p>\n<p>E depois n\u00f3s n\u00e3o acusamos o primeiro-ministro de dar o flanco \u201c\u00e0s press\u00f5es vindas do mercado\u201d. Pelo contr\u00e1rio, n\u00f3s afirmamos que o problema de Papandreu, exactamente como o seu antecessor, n\u00e3o \u00e9 o de prestar demasiada aten\u00e7\u00e3o a estes interesses, mas sim de agir conscientemente a seu favor. Por estas raz\u00f5es consideramos esta pol\u00edtica perigosa. De resto as mentiras do governo e as das campanhas anticomunistas est\u00e3o ligadas ao facto de n\u00f3s termos sempre posto em evid\u00eancia que em qualquer dos casos se tomariam essas medidas, independentemente de qual partido estivesse no governo. A posi\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o do KKE obrigam-nos a n\u00e3o levar a cabo os seus planos.<\/p>\n<p>FM: &#8211; O que esperam?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Sabemos que o sistema tentar\u00e1 desencadear toda a sua for\u00e7a contra o KKE. Mas n\u00e3o temos medo. O povo grego tem de se manter livre dos apelos propagand\u00edsticos sobre a d\u00edvida e o d\u00e9fice e pensar na verdadeira d\u00edvida que os governos do Pasok e de ND t\u00eam representado para o povo grego. Estes literalmente saquearam os cidad\u00e3os atrav\u00e9s das regalias dadas aos capitalistas. Seja como for, devem pedir-lhes conta de tudo isto, n\u00e3o se deve baixar a cabe\u00e7a, e deve-se trabalhar duramente para recuperar todo o dinheiro que lhe foi subtra\u00eddo, dinheiro que \u00e9 fruto do seu duro trabalho.<\/p>\n<p>O sistema observa com aten\u00e7\u00e3o como cresce o movimento na Gr\u00e9cia e come\u00e7a efectivamente a ter medo. Consideramos que a resist\u00eancia do povo grego contra as medidas do governo est\u00e1 directamente ligada ao empenho e ao papel desempenhado no movimento pelo KKE. Gra\u00e7as \u00e0 ac\u00e7\u00e3o, ao impacto e \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de muitas posi\u00e7\u00f5es do KKE por parte de uma grande faixa do povo grego \u2013 o que n\u00e3o implica a total ades\u00e3o a todos os pontos do programa pol\u00edtico do KKE \u2013 at\u00e9 os dirigentes amarelos dos sindicatos Gsee e Adedy s\u00e3o obrigados a marcar greves.<\/p>\n<p>FM: &#8211; Que papel desempenhou e continua a ter o KKE nesta fase da luta para a Gr\u00e9cia?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Se o KKE tivesse tido um comportamento diferente, semelhante ao dos outros partidos e se esse comportamento se reflectisse nas organiza\u00e7\u00f5es de massas, acham que teria havido na mesma esta resposta popular e esta resist\u00eancia? Pela minha parte digo que as medidas passariam sem nenhuma reac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O KKE deu um contributo decisivo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia e da luta popular. Mas n\u00f3s medimos a efic\u00e1cia da nossa luta de um modo diferente dos outros, n\u00e3o nos concentramos s\u00f3 nos resultados que saem das urnas. Naturalmente com isto n\u00e3o quero dizer que n\u00e3o nos interessem as elei\u00e7\u00f5es. Mas deve-se ter presente que na Gr\u00e9cia a consci\u00eancia do movimento popular est\u00e1 muito mais avan\u00e7ada do que a da maior parte dos pa\u00edses europeus e, embora ainda n\u00e3o se reflicta completamente na ac\u00e7\u00e3o, ir\u00e1 verificar-se no futuro. Isto depende em grande parte do decisivo, se n\u00e3o determinante, contributo do nosso partido.<\/p>\n<p>FM: &#8211; O que \u00e9 preciso fazer hoje na Europa?<\/p>\n<p>AP: &#8211; Consideramos que este elemento \u00e9 um patrim\u00f3nio importante para todos. O movimento comunista internacional hoje tem de afinar uma estrat\u00e9gia comum contra o imperialismo, mas ao mesmo tempo deve ter a for\u00e7a de lan\u00e7ar outro modelo de desenvolvimento e portanto afirmar a actualidade e a centralidade do socialismo.<\/p>\n<p>O movimento comunista tem de se refor\u00e7ar em toda a Europa. Nuns pa\u00edses ser\u00e1 uma torrente, noutros um regato. O movimento, obviamente, desenvolve-se sobretudo a n\u00edvel nacional mas, ao mesmo tempo, tem de se refor\u00e7ar a n\u00edvel internacional. Mas se se consolidar num pa\u00eds fraco poder\u00e1 ter uma for\u00e7a de influ\u00eancia mais ampla e refor\u00e7ar-se em toda a Europa.<\/p>\n<p>Todo este radicalismo das pessoas tem de crescer e evoluir para uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica consciente capaz de apontar uma via alternativa ao capitalismo, outro percurso e outro modelo de desenvolvimento, e portanto em \u00faltima an\u00e1lise outro sistema pol\u00edtico. Caso contr\u00e1rio, a raiva e a indigna\u00e7\u00e3o populares correm o risco de ser reabsorvidas pelo sistema de modo que venham a ser compat\u00edveis com ele.<\/p>\n<p>* Aleka Papariga \u00e9 secret\u00e1ria-geral do partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE)<\/p>\n<p>Esta entrevista foi publicada na revista comunista italiana Ernesto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODi\u00e1rio.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nEntrevista com Aleka Papariga\nKKE e o Povo Grego Contra As Pol\u00edticas Liberais da Uni\u00e3o Europeia\n\u00a0\nFrancesco Maringi\u00f2*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/674\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-674","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-aS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}