{"id":6741,"date":"2014-10-09T13:09:58","date_gmt":"2014-10-09T13:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6741"},"modified":"2014-10-22T04:22:08","modified_gmt":"2014-10-22T04:22:08","slug":"a-sombra-da-geopolitica-dos-eua-ou-como-sempre-e-a-grande-israel-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6741","title":{"rendered":"\u00c0 sombra da geopol\u00edtica dos EUA ou Como sempre, \u00e9 a \u201cGrande Israel\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;Desde o in\u00edcio da \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, os EUA v\u00eam se movimentando na dire\u00e7\u00e3o de uma reestrutura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica da regi\u00e3o, a qual, \u00e9 claro, tamb\u00e9m levantou a discuss\u00e3o sobre o destino de Israel. Desde ent\u00e3o, a quest\u00e3o permanece na agenda. E n\u00e3o importa a forma que assuma, o tom n\u00e3o muda: Israel \u00e9 invariavelmente apresentada como a v\u00edtima.<\/p>\n<p>Assim, na primavera de 2011, no auge da guerra contra a L\u00edbia, quando a Autoridade Palestina levantou a quest\u00e3o de tornar-se membro da ONU, a imprensa-empresa ocidental rapidamente p\u00f4s-se a denunciar a trai\u00e7\u00e3o, por Washington, que estaria \u201centregando\u201d o Estado Judeu aos islamistas. Hoje, quando o absurdo dessa ideia j\u00e1 \u00e9 \u00f3bvio para todos, a \u00eanfase passou para a amea\u00e7a mortal que o Ir\u00e3 representaria para Israel, \u00eanfase que, pelo que se v\u00ea, cresce alinhada \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria.<\/p>\n<p>Nesse processo, a quest\u00e3o mais importante est\u00e1 sendo ocultada ou, simplesmente, foi varrida: o agudo interesse que Israel tem na desestabiliza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses \u00e1rabe-mu\u00e7ulmanos que a cercam; e em manter e expandir a guerra na S\u00edria.<\/p>\n<p>O rabino Avraam Shmulevich, um dos criadores da doutrina do \u201chipersionismo\u201d, influente na elite israelense, falou abertamente sobre as raz\u00f5es desse interesse, em entrevista, em 2011. \u00c9 interessante: ali, ele via a \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para Israel.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 trinta anos, os estrategistas dos EUA introduziram a ideia do \u201cGrande Oriente M\u00e9dio\u201d, ou \u201cOriente M\u00e9dio Expandido\u201d [orig. The Greater Middle East], correspondente ao espa\u00e7o do Maghreb a Bangladesh, e declararam que esse vasto territ\u00f3rio passava a ser zona de interesse priorit\u00e1rio dos EUA.<\/p>\n<p>Novo Oriente M\u00e9dio pensado pelos EUA\/Israel<\/p>\n<p>Em 2006, o programa de dom\u00ednio pelos EUA nessa regi\u00e3o foi renovado e definido mais concretamente: a ent\u00e3o secret\u00e1ria de Estado dos EUA Condoleezza Rice introduziu a express\u00e3o \u201cO Novo Oriente M\u00e9dio\u201d, com destaque para um plano para retra\u00e7ar as fronteiras no Oriente M\u00e9dio, da L\u00edbia \u00e0 S\u00edria, Iraque, Ir\u00e3 e at\u00e9 Afeganist\u00e3o. A estrat\u00e9gica apareceu referida como \u201cum caos construtivo\u201d (&#8230;)<\/p>\n<p>No mesmo ano (2006), um mapa do \u201cNovo Oriente M\u00e9dio\u201d (ver acima) preparado pelo coronel Ralph Peters foi publicado na revista norte-americana Armed Forces Journal que circulou no governo e em c\u00edrculos pol\u00edticos e militares mais amplos, preparando a opini\u00e3o p\u00fablica para as mudan\u00e7as iminentes.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, os EUA v\u00eam se movimentando na dire\u00e7\u00e3o de uma reestrutura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica da regi\u00e3o, a qual, \u00e9 claro, tamb\u00e9m levantou a discuss\u00e3o sobre o destino de Israel. Desde ent\u00e3o, a quest\u00e3o permanece na agenda. E n\u00e3o importa a forma que assuma, o tom n\u00e3o muda: Israel \u00e9 invariavelmente apresentada como a v\u00edtima.<\/p>\n<p>Assim, na primavera de 2011, no auge da guerra contra a L\u00edbia, quando a Autoridade Palestina levantou a quest\u00e3o de tornar-se membro da ONU, a imprensa-empresa ocidental rapidamente p\u00f4s-se a denunciar a trai\u00e7\u00e3o, por Washington, que estaria \u201centregando\u201d o Estado Judeu aos islamistas. Hoje, quando o absurdo dessa ideia j\u00e1 \u00e9 \u00f3bvio para todos, a \u00eanfase passou para a amea\u00e7a mortal que o Ir\u00e3 representaria para Israel, \u00eanfase que, pelo que se v\u00ea, cresce alinhada \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria.<\/p>\n<p>Nesse processo, a quest\u00e3o mais importante est\u00e1 sendo ocultada ou, simplesmente, foi varrida: o agudo interesse que Israel tem na desestabiliza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses \u00e1rabe-mu\u00e7ulmanos que a cercam; e em manter e expandir a guerra na S\u00edria.<\/p>\n<p>O rabino Avraam Shmulevich, um dos criadores da doutrina do \u201chipersionismo\u201d, influente na elite israelense, falou abertamente sobre as raz\u00f5es desse interesse, em entrevista, em 2011. \u00c9 interessante: ali, ele via a \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para Israel.<\/p>\n<p>O mundo mu\u00e7ulmano, escreveu Avraam Shmulevich, est\u00e1 mergulhando em um estado de caos, e esse desenvolvimento ser\u00e1 positivo para os judeus. O caos \u00e9 o momento perfeito para assumir o controle de uma situa\u00e7\u00e3o e p\u00f4r em opera\u00e7\u00e3o o sistema da civiliza\u00e7\u00e3o judaica. Exatamente agora, acontece uma batalha pelo lugar de guia espiritual da humanidade: Roma (o Ocidente) ou Israel. (&#8230;) Agora \u00e9 o momento em que devemos tomar em nossas m\u00e3os o controle. (&#8230;) N\u00e3o apenas varrer a elite \u00e1rabe, mas faz\u00ea-la comer na nossa m\u00e3o. (&#8230;) Quem alcance a liberdade deve, ao mesmo tempo, ser orientado sobre como usar essa liberdade. E essa orienta\u00e7\u00e3o, para toda a humanidade, ser\u00e1 escrita por n\u00f3s. (&#8230;) O juda\u00edsmo florescer\u00e1, do inc\u00eandio das revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes. [negritos da autora].<\/p>\n<p>Sobre os objetivos da pol\u00edtica externa de Israel, Shmulevich enfatizou a necessidade de manter \u201cas fronteiras naturais ao logo do Nilo e do Eufrates estabelecidas na Torah\u201d, que dever\u00e3o ent\u00e3o ser seguidas na segunda fase da ofensiva \u2013 expandindo a hegemonia de Israel para toda a regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio. Tamb\u00e9m sobre isso, Shmulevich falou com extrema clareza:<\/p>\n<p>Est\u00e1 come\u00e7ando simultaneamente no Oriente M\u00e9dio uma cadeia de desintegra\u00e7\u00e3o e reforma. Assad, que atualmente est\u00e1 afogando em sangue os processos revolucion\u00e1rios na S\u00edria, n\u00e3o conseguir\u00e1, contudo, manter-se por mais um, dois anos. A revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 come\u00e7ando na Jord\u00e2nia. At\u00e9 os curdos e o C\u00e1ucaso est\u00e3o emergindo como parte integrante do Oriente M\u00e9dio (&#8230;) [negritos da autora].<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ver a\u00ed um Iraque, ou um Afeganist\u00e3o, continuados.<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel classificar Shmulevich como pensador marginal, n\u00e3o fosse o fato de que ele repete os princ\u00edpios fundamentais do plano estrat\u00e9gico que l\u00edderes israelenses tra\u00e7aram em 1982, conhecido como \u201cPlano Yinon\u201d. O plano visava a garantir a superioridade regional para o governo israelense, mediante a desestabiliza\u00e7\u00e3o e a \u201cbalcaniza\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, a desestabiliza\u00e7\u00e3o dos estados \u00e1rabes adjacentes ou, em outras palavras, o mesmo que se leu, reproduzido, no projeto \u201cNovo Oriente M\u00e9dio\u201d esbo\u00e7ado por Condoleeza Rice e pelo coronel Ralph Peters.<\/p>\n<p>Grande Israel ou Terra Prometida por Oded Yinon<\/p>\n<p>O plano tra\u00e7a \u201cUma estrat\u00e9gia para Israel nos anos 1980s\u201d, documento preparado por Oded Yinon, jornalista israelense ligado ao Minist\u00e9rio de Neg\u00f3cios Exteriores. Foi publicado primeiro em hebraico, na revista Kivunim [Rumos], do Departamento de Informa\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial, em fevereiro de 1982. No mesmo ano, a Associa\u00e7\u00e3o de Universit\u00e1rios \u00c1rabe-Norte-Americanos publicou uma tradu\u00e7\u00e3o do texto, assinada e anotada por Israel Shahak [1]. Em mar\u00e7o de 2013, o artigo de Israel Shahak foi publicado na p\u00e1gina de Michel Chossudovsky na Internet, Global Research.<\/p>\n<p>Esse documento, que \u00e9 parte da forma\u00e7\u00e3o da \u201cGrande Israel\u201d, escreve Chossudovsky na introdu\u00e7\u00e3o ao artigo, \u00e9 a pedra de toque de poderosas fac\u00e7\u00f5es sionistas dentro do atual governo de Netanyahu, do Partido Likud e do establishment militar e de intelig\u00eancia israelense (&#8230;). Vistas no atual contexto, a guerra contra o Iraque, a guerra de 2006 contra o L\u00edbano, a guerra de 2011 contra a L\u00edbia, a atual guerra contra a S\u00edria, para nem falar do processo de \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d no Egito, t\u00eam de ser compreendidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele Plano Sionista para o Oriente M\u00e9dio\u201d [negritos da autora].<\/p>\n<p>O plano est\u00e1 baseado em dois princ\u00edpios fundamentais que determinam as condi\u00e7\u00f5es da sobreviv\u00eancia de Israel em seu ambiente \u00e1rabe:<\/p>\n<p>(1) Israel tem de tornar-se pot\u00eancia imperial regional; e<\/p>\n<p>(2) Israel tem de fragmentar toda a \u00e1rea circundante em estados menores, mediante a dissolu\u00e7\u00e3o de todos os estados \u00e1rabes existentes. O tamanho desses estados depender\u00e1 da composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e religiosa de cada um. Sobretudo: a cria\u00e7\u00e3o de novos estados baseados na religi\u00e3o ser\u00e1 fonte de legitimidade moral para o governo israelense.<\/p>\n<p>Deve-se dizer que a ideia de fragmentar os estados \u00e1rabes do mundo n\u00e3o \u00e9 nova. Existe h\u00e1 muito tempo no pensamento estrat\u00e9gico sionista, [2]<\/p>\n<p>mas a mat\u00e9ria de Yinon, como Israel Shahak j\u00e1 destacara em 1982, ofereceu um \u201cplano acurado e detalhado do ent\u00e3o governo sionista (de Sharon e Eitan) para o Oriente M\u00e9dio, baseado na divis\u00e3o dos territ\u00f3rios em estados pequenos, e na dissolu\u00e7\u00e3o dos estados \u00e1rabes existentes\u201d.<\/p>\n<p>Aqui, Shahak chama a aten\u00e7\u00e3o para dois pontos:<\/p>\n<p>(1) A ideia de que todos os estados \u00e1rabes devam ser quebrados, por Israel, em unidades menores, ocorre seguidas vezes no pensamento estrat\u00e9gico dos israelenses. E<\/p>\n<p>(2) A forte conex\u00e3o com o pensamento dos neoconservadores nos EUA, que inclui a ideia da \u201cdefesa do ocidente\u201d, \u00e9 muito proeminente, mas \u00e9 puramente ret\u00f3rica, porque o real objetivo do autor do trabalho \u00e9 construir um imp\u00e9rio israelense e convert\u00ea-lo em pot\u00eancia mundial (\u201cEm outras palavras\u201d, Shahak comenta, \u201co objetivo de Sharon \u00e9 enganar os norte-americanos, depois de ter enganado todos os demais\u201d).<\/p>\n<p>O principal ponto do qual Oded Yinin parte \u00e9 que o mundo est\u00e1 nos est\u00e1gios iniciais de uma nova \u00e9poca hist\u00f3rica, cuja ess\u00eancia estaria na \u201cvis\u00e3o racionalista, humanista, como pedra basilar sobre a qual se apoiam a vida e as realiza\u00e7\u00f5es da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental desde a Renascen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>A seguir, Yinon oferece as ideias do \u201cClube de Roma\u201d sobre a limita\u00e7\u00e3o dos recursos do planeta, insuficientes para atender as necessidades econ\u00f4micas e demogr\u00e1ficas da humanidade.<\/p>\n<p>Num mundo no qual h\u00e1 4 bilh\u00f5es de seres humanos e recursos econ\u00f4micos e de energia que n\u00e3o crescem proporcionalmente para atender \u00e0 demanda da humanidade, n\u00e3o \u00e9 realista esperar atender todas as demandas da Sociedade Ocidental, i.e. o desejo e a aspira\u00e7\u00e3o ao consumo ilimitado. A vis\u00e3o segundo a qual a \u00e9tica n\u00e3o tem papel determinante na dire\u00e7\u00e3o que o Homem tome, e que s\u00f3 suas necessidades materiais contam \u2013 essa vis\u00e3o est\u00e1 se tornando dominante hoje, quando vemos um mundo do qual quase todos os valores est\u00e3o desaparecendo. Estamos perdendo a capacidade para avaliar as coisas mais simples, especialmente no que tenha a ver com a simples quest\u00e3o de o que \u00e9 o Bem e o que \u00e9 o Mal.<\/p>\n<p>O mundo caminha para uma guerra global por recursos, e isso diz respeito, em primeiro lugar, ao Golfo P\u00e9rsico. Avaliando a situa\u00e7\u00e3o do mundo \u00e1rabe-mu\u00e7ulmano em rela\u00e7\u00e3o a isso, o \u201cPlano Yinon\u201d anota:<\/p>\n<p>No longo prazo, esse mundo n\u00e3o conseguir\u00e1 existir dentro de seu atual quadro nas \u00e1reas em torno de n\u00f3s [de Israel], sem passar por genu\u00ednas mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias. O Mundo \u00c1rabe Mu\u00e7ulmano est\u00e1 constru\u00eddo como tempor\u00e1rio castelo de cartas erguido por estrangeiros (Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha nos s\u00e9culos 19-20), sem que os planos e desejos dos habitantes tenham sido levados em considera\u00e7\u00e3o. Foi arbitrariamente dividido em 19 estados, todos feitos de diferentes combina\u00e7\u00f5es de minorias e grupos \u00e9tnicos que s\u00e3o hostis uns aos outros, de tal modo que cada estado \u00e1rabe mu\u00e7ulmano hoje enfrenta a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e social de dentro para fora, e em alguns j\u00e1 h\u00e1 guerra civil (&#8230;).<\/p>\n<p>Mundo \u00c1rabe Mu\u00e7ulmano (legendado)<\/p>\n<p>Depois de pintar um quadro misto do mundo mu\u00e7ulmano \u00e1rabe e n\u00e3o \u00e1rabe, Yinon conclui:<\/p>\n<p>Esse quadro de minoria nacional \u00e9tnica que se estende do Marrocos \u00e0 \u00cdndia e da Som\u00e1lia \u00e0 Turquia aponta para a aus\u00eancia de estabilidade e uma r\u00e1pida degenera\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o. Se se soma a esse quadro o quadro econ\u00f4mico, v\u00ea-se que toda a regi\u00e3o est\u00e1 constru\u00edda como um castelo de cartas, incapaz de sobreviver aos seus graves problemas.<\/p>\n<p>Nesse ponto, Yinon chega a listar as novas \u201coportunidades para transformar a situa\u00e7\u00e3o\u201d que Israel deve aproveitar na d\u00e9cada seguinte.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Pen\u00ednsula do Sinai, implica estabelecer controle sobre o Sinai como reserva estrat\u00e9gica, econ\u00f4mica e de energia para o longo prazo. Diz Yinon:<\/p>\n<p>O Egito, no atual quadro pol\u00edtico dom\u00e9stico, j\u00e1 \u00e9 um cad\u00e1ver, ainda mais se se considera a crescente divis\u00e3o entre mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os. Assim sendo, o objetivo de Israel nos anos 1980s, no seu front ocidental, \u00e9 dividir territorialmente o Egito em distintas regi\u00f5es geogr\u00e1ficas [negritos da autora].<\/p>\n<p>Sobre o front oriental de Israel, mais complicado que o front ocidental, Yinon escreve:<\/p>\n<p>A total dissolu\u00e7\u00e3o do L\u00edbano em cinco prov\u00edncias serve como precedente para todo o mundo \u00e1rabe incluindo Egito, S\u00edria, Iraque e a Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e j\u00e1 est\u00e1 seguindo aquela trilha. A dissolu\u00e7\u00e3o da S\u00edria e do Iraque depois, em \u00e1reas etnicamente ou religiosamente uniformes, como no L\u00edbano, \u00e9 o primeiro objetivo de Israel no front oriental para o longo prazo, enquanto a dissolu\u00e7\u00e3o do poder militar desses estados fica como objetivo prim\u00e1rio no curto prazo [negritos da autora]. A S\u00edria cair\u00e1 em partes, segundo sua estrutura \u00e9tnica e religiosa, dividida em v\u00e1rios estados, como o L\u00edbano de hoje, de modo que haver\u00e1 um estado xiita alawita no litoral; um estado sunita na \u00e1rea de Aleppo; outro estado sunita em Damasco, hostil ao vizinho do norte; e os drusos criar\u00e3o seu estado, talvez at\u00e9 em nosso Golan, e com certeza no Hauran e no norte da Jord\u00e2nia.<\/p>\n<p>A &#8220;balcaniza\u00e7\u00e3o&#8221; da S\u00edria pensada por Israel (Plano Yinon)<\/p>\n<p>O Iraque, rico em petr\u00f3leo, por um lado, e internamente fracionado, por outro, \u00e9 candidato garantido a alvo de Israel. A dissolu\u00e7\u00e3o do Iraque \u00e9 at\u00e9 mais importante para n\u00f3s que a da S\u00edria (&#8230;) Todos os tipos de confronta\u00e7\u00e3o inter-\u00e1rabes nos ajudar\u00e1 [ajudar\u00e1 Israel] no curto prazo e encurtar\u00e1 o caminho at\u00e9 o objetivo mais importante de quebrar o Iraque em \u00e1reas por religi\u00e3o, como na S\u00edria e no L\u00edbano. No Iraque, \u00e9 poss\u00edvel uma divis\u00e3o em prov\u00edncias por linhas \u00e9tnicas\/religiosas, como a S\u00edria durante os otomanos. Assim, haver\u00e1 tr\u00eas (ou mais) estados em torno das tr\u00eas maiores cidades: Basra, Bagd\u00e1 e Mosul; e \u00e1reas xiitas no sul separadas do norte sunita e curdo.<\/p>\n<p>Toda a Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica \u00e9 candidata natural \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o, dadas as press\u00f5es internas e externas, e \u00e9 inevit\u00e1vel [negritos da autora], especialmente na Ar\u00e1bia Saudita, independente de que sua economia baseada no petr\u00f3leo permane\u00e7a intacta ou enfraque\u00e7a no longo prazo. As rixas e fraturas internas s\u00e3o desenvolvimento claro e natural, \u00e0 vista da atual estrutura pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A Jord\u00e2nia \u00e9 alvo estrat\u00e9gico imediato no curto prazo, mas n\u00e3o no longo prazo, porque n\u00e3o \u00e9 real amea\u00e7a no longo prazo depois da dissolu\u00e7\u00e3o, do fim do longo reinado do rei Hussein e da transfer\u00eancia de poder para os palestinos no curto prazo. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade alguma de que a Jord\u00e2nia continue a existir com a estrutura atual, por longo tempo [negritos da autora], e a pol\u00edtica de Israel, seja na paz, seja na guerra, tem de ser dirigida \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o da Jord\u00e2nia do atual regime e \u00e0 transfer\u00eancia daquele territ\u00f3rio para a maioria palestina. Mudar o regime a leste do rio tamb\u00e9m por\u00e1 fim ao problema dos territ\u00f3rios densamente povoados de \u00e1rabes a oeste do rio Jord\u00e3o. (&#8230;) S\u00f3 reinar\u00e3o coexist\u00eancia genu\u00edna e paz sobre a terra, quando os \u00e1rabes entenderem que sem governo judeu entre o Jord\u00e3o e o mar eles jamais ter\u00e3o nem seguran\u00e7a nem exist\u00eancia [negritos da autora]. S\u00f3 ter\u00e3o na\u00e7\u00e3o deles e seguran\u00e7a, na Jord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Yinon lista os objetivos internos estrat\u00e9gicos de Israel e os modos de alcan\u00e7\u00e1-los, enfatizando a necessidade de s\u00e9rias mudan\u00e7as no mundo [negritos da autora].<\/p>\n<p>Dispersar a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 assim objetivo dom\u00e9stico estrat\u00e9gico da mais alta ordem; sem isso, deixaremos de existir em quaisquer fronteiras. Judea, Samaria e a Galileia s\u00e3o nossa \u00fanica garantia para a exist\u00eancia nacional (&#8230;) Alcan\u00e7ar nossos objetivos no front oriental depende, antes, de realizarmos esse objetivo estrat\u00e9gico interno. A transforma\u00e7\u00e3o da estrutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica, para permitir que se alcancem esses objetivos estrat\u00e9gicos, \u00e9 a chave para obter toda a mudan\u00e7a [negritos da autora]. Temos de mudar, de uma economia centralizada na qual o governo est\u00e1 extensamente envolvido, para um mercado aberto e livre e temos de mudar, da depend\u00eancia atual em que dependemos dos contribuintes norte-americanos para nosso desenvolvimento, para uma infraestrutura econ\u00f4mica genuinamente produtiva. Se n\u00e3o conseguirmos fazer livre e voluntariamente essa mudan\u00e7a, seremos for\u00e7ados a ela pelos desenvolvimentos mundiais, especialmente nas \u00e1reas das finan\u00e7as, energia e pol\u00edtica, e pelo nosso crescente isolamento.<\/p>\n<p>R\u00e1pidas mudan\u00e7as no mundo tamb\u00e9m trar\u00e3o mudan\u00e7as na condi\u00e7\u00e3o dos judeus em todo o mundo, para os quais Israel se converter\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 no \u00faltimo recurso, mas na \u00fanica op\u00e7\u00e3o existencial.<\/p>\n<p>Avaliando esse plano, podem-se extrair as seguintes conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, dado que tra\u00e7a objetivos estrat\u00e9gicos de Israel, \u00e9 plano de longo prazo, particularmente importante hoje. Em segundo lugar, a possibilidade de realizar a estrat\u00e9gia externa a\u00ed exposta envolve s\u00e9rias mudan\u00e7as, na posi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Israel e em escala mundial. E isso \u00e9, exatamente, o que come\u00e7ou a acontecer em meados dos anos 1980s.<\/p>\n<p>Com a classe governante global em transi\u00e7\u00e3o para uma estrat\u00e9gia neoliberal, Israel experimentou mudan\u00e7as profundas, que resultaram em o pa\u00eds acabar controlado por 18 das fam\u00edlias mais ricas. O capital israelense foi ativamente investido fora de Israel, e o mercado israelense, por sua vez, revelou-se amplamente aberto ao capital estrangeiro. Resultado dessa ativa \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d no sistema econ\u00f4mico global, o capital israelense misturou-se de tal modo ao capital transnacional, que a no\u00e7\u00e3o de uma \u201ceconomia nacional de Israel\u201d perdeu completamente qualquer significado. Nessas condi\u00e7\u00f5es, a transi\u00e7\u00e3o de Israel para um expansionismo ativo at\u00e9 se tornou poss\u00edvel, embora se tenha manifestado pela infiltra\u00e7\u00e3o intelectual e econ\u00f4mica, n\u00e3o pelo controle militar ou pela presen\u00e7a de for\u00e7as. O mais importante \u00e9 o envolvimento do territ\u00f3rio em geral, no centro do qual est\u00e1 Israel.<\/p>\n<p>Shmulevich tamb\u00e9m se referiu a isso, ao apontar que um dos conceitos fundamentais do juda\u00edsmo \u00e9 \u201cser a for\u00e7a que guia a civiliza\u00e7\u00e3o humana e demarca os padr\u00f5es para a civiliza\u00e7\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n<p>Exemplo dessa uni\u00e3o \u00e1rabe-israelense \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do fundo de investimentos Markets Credit Opportunity (EMCO) com 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares do grupo banc\u00e1rio su\u00ed\u00e7o Credit Suisse AG e o envolvimento de tr\u00eas dos maiores acionistas do banco \u2013 o IDB Group de Israel; o fundo estatal de investimentos do Qatar, Qatar Investment Authority; e a empresa privada saudita de investimentos, Olayan Group.<\/p>\n<p>Ainda mais revelador, \u00e9 o fato de que a Ar\u00e1bia Saudita entregou \u00e0 empresa G4S, a mais antiga empresa de seguran\u00e7a de Israel, o trabalho de prover a seguran\u00e7a dos peregrinos que visitam Mecca (o per\u00edmetro considerado vai do aeroporto de Dubai aos Emirados e \u00e0 \u00e1rea de Jeddah). Um bra\u00e7o saudita da companhia j\u00e1 est\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o desde 2010, com meios para recolher informa\u00e7\u00e3o pessoal n\u00e3o s\u00f3 dos peregrinos, mas tamb\u00e9m de todos os passageiros que voem por Dubai.<\/p>\n<p>G4S empresa de Israel \u00e9 respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a dos peregrinos em Meca<\/p>\n<p>No que tenha a ver com o planejado \u201ccaos no mundo mu\u00e7ulmano\u201d, Israel est\u00e1 operando por procura\u00e7\u00e3o, exclusivamente mediante ag\u00eancias de intelig\u00eancia, enquanto vai preservando o mito de que seria \u201cuma v\u00edtima do islamismo\u201d. Quanto a isso, as explica\u00e7\u00f5es de Israel Shahak, sobre por que a publica\u00e7\u00e3o do plano estrat\u00e9gico de Israel n\u00e3o implica qualquer risco particular para Israel, ainda s\u00e3o relevantes e pertinentes.<\/p>\n<p>Chamando aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, se houvesse esse risco, s\u00f3 poderia vir do mundo \u00e1rabe e dos EUA, Shahak lembrou:<\/p>\n<p>O mundo \u00e1rabe at\u00e9 agora se mostrou incapaz de fazer an\u00e1lise racional detalhada da sociedade israelense-judaica (&#8230;) Nessa situa\u00e7\u00e3o, mesmo os que gritam contra os perigos do expansionismo israelense (que s\u00e3o perigos muito reais) fazem-no n\u00e3o por conhecimento factual e detalhado, mas porque acreditam em mitos (&#8230;) Os especialistas israelenses assumem que, no geral, os \u00e1rabes n\u00e3o dar\u00e3o aten\u00e7\u00e3o \u00e0s discuss\u00f5es israelenses sobre o futuro.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante nos EUA, onde toda a informa\u00e7\u00e3o sobre Israel \u00e9 distribu\u00edda pela imprensa-empresa de direita pr\u00f3-Israel. Isso tudo considerado, Shahak chega \u00e0 seguinte conclus\u00e3o:<\/p>\n<p>Por hora, portanto, dada a situa\u00e7\u00e3o real de que Israel \u00e9 efetivamente uma sociedade fechada para o resto do mundo, porque o mundo deseja permanecer de olhos fechados, a publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 consequ\u00eancias; e os movimentos iniciais de tal plano j\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o continuam vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Notas dos tradutores:<\/p>\n<p>[1] Israel Shahak (1933-2001) tornou-se conhecido como cr\u00edtico das ideias de pol\u00edticos israelenses sobre n\u00e3o judeus. Foi professor de Qu\u00edmica Org\u00e2nica na Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, presidente da Liga Israelense pelos Direitos Humanos e Direitos Civis e publicou in\u00fameros estudos, entre os quais The Non-Jew in the Jewish State [N\u00e3o judeus no estado judeu], Israel\u2019s Global Role: Weapons for Repression [O papel global de Israel: armas para repress\u00e3o] e Jewish History, Jewish Religion: The Weight of Three Thousand Years [Hist\u00f3ria dos judeus, religi\u00e3o dos judeus: o peso de 3 mil anos].<\/p>\n<p>[2] \u00c9 o que escreve Livia Rokach, em seu livro Israel\u2019s Sacred Terrorism [O terrorismo sagrado de Israel] (1980), publicado pela mesma Associa\u00e7\u00e3o. O livro baseia-se nas mem\u00f3rias de Moshe Sharett, o primeiro ministro de Neg\u00f3cios Estrangeiros de Israel e ex-primeiro-ministro; exp\u00f5e o plano sionista com vistas \u00e0 L\u00edbia e o processo de seu desenvolvimento em meados dos anos 1950s. A primeira massiva invas\u00e3o da L\u00edbia, em 1978, contribuiu para o desenvolvimento desse plano at\u00e9 os menores detalhes; e a invas\u00e3o de junho de 1982 visou a implementar parte do plano, pelo qual a S\u00edria e a Jord\u00e2nia teriam de ser divididas.<\/p>\n<p>[*] Olga Chetverikova, Strategic Culture<\/p>\n<p>In the Shadow of American Geopolitics, or Once Again on Greater Israel (I)<\/p>\n<p>In the Shadow of American Geopolitics, or Once Again on Greater Israel (II)<\/p>\n<p>Fonte:redecastorphoto<\/p>\n<p>Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6741\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1KJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6741"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6741\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}