{"id":6751,"date":"2014-10-15T02:34:00","date_gmt":"2014-10-15T02:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6751"},"modified":"2014-11-05T06:49:55","modified_gmt":"2014-11-05T06:49:55","slug":"do-camboja-ao-isisisil-tudo-que-voe-contra-tudo-que-se-mova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6751","title":{"rendered":"Do Camboja ao ISIS\/ISIL: \u201cTudo que voe, contra tudo que se mova\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"http:\/\/johnpilger.com\/articles\/from-pol-pot-to-isis-anything-that-flies-on-everything-that-moves\" target=\"_blank\">From Pol Pot to ISIS: \u201cAnything that flies on everything that moves\u201d<\/a><\/p>\n<p>Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu<\/p>\n<p>Ao transmitir as ordens do presidente Richard Nixon, para um bombardeio \u201cmassivo\u201d contra o Camboja em 1969, Henry Kissinger disse: \u201cTudo que voe, contra tudo que se mova\u201d. Agora, quando Barack Obama acende o pavio de sua s\u00e9tima guerra contra o mundo mu\u00e7ulmano desde que levou para casa o Pr\u00eamio Nobel da Paz, a histeria orquestrada e as mentiras quase nos fazem sentir saudades da assassina franqueza de Kissinger.<\/p>\n<p>Como testemunha das consequ\u00eancias humanas da selvageria a\u00e9rea \u2013 inclusive a decapita\u00e7\u00e3o e o esquartejamento das v\u00edtimas, peda\u00e7os de corpos pendurados pelas \u00e1rvores e jogados pelos campos \u2013 n\u00e3o me surpreende o descaso com a mem\u00f3ria e as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, mais uma vez. Exemplo eloquente foi a ascens\u00e3o ao poder de Pol Pot e seu Khmer Rouge, que t\u00eam muito em comum com o Estado Isl\u00e2mico no Iraque e na S\u00edria (Levante) [ing. ISIS\/ISIL]. Eles tamb\u00e9m eram medievalistas brutais, e tamb\u00e9m iniciaram uma pequena seita. Eles tamb\u00e9m foram produto de um apocalipse made-in-USA, naquele caso, na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Segundo o pr\u00f3prio Pol Pot, seu movimento consistira de \u201cmenos de 5.000 guerrilheiros mal armados, incertos quanto a suas estrat\u00e9gia, t\u00e1ticas, lealdades e l\u00edderes\u201d. Quando os bombardeiros B52 de Nixon e Kissinger come\u00e7aram a trabalhar, como parte da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Card\u00e1pio\u201d [orig. Operation Menu], o maior dem\u00f4nio do ocidente mal p\u00f4de acreditar em tanta sorte.<\/p>\n<p>Os EUA lan\u00e7aram em bombas o equivalente a cinco Hiroshimas sobre o Camboja rural, durante 1969-73. Destru\u00edam, arrasavam vila ap\u00f3s vila, e voltavam para bombardear novamente as ru\u00ednas e os cad\u00e1veres. As crateras deixavam \u00e0 vista monstruosos colares de carne humana, que se viam do c\u00e9u. O terror foi inimagin\u00e1vel. Um ex-oficial do Khmer Rouge contou que os sobreviventes<\/p>\n<p>(&#8230;) como que congelavam e punham-se a caminhar ao leu, mudos, por tr\u00eas ou quatro dias. Terrificadas e semiloucas, as pessoas estavam prontas para acreditar em qualquer coisa que ouvissem (&#8230;). Foi o que tornou t\u00e3o f\u00e1cil, para o Khmer Rouge, convencer o povo.<\/p>\n<p>Uma Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o do Governo da Finl\u00e2ndia estimou que 600 mil cambojanos morreram na guerra civil que se seguiu \u00e0queles ataques e descreveu o bombardeio norte-americano como \u201co primeiro est\u00e1gio numa d\u00e9cada de genoc\u00eddio\u201d. O que Nixon e Kissinger come\u00e7aram, Pol Pot, o herdeiro benefici\u00e1rio dos dois, completou. Ao ritmo dos bombardeios, o Khmer Rouge cresceu e tornou-se poderoso ex\u00e9rcito de 200 mil soldados.<\/p>\n<p>O ISIL tem passado e presente semelhantes a isso. Muitos especialistas entendem que a invas\u00e3o do Iraque ordenada por Bush e Blair em 2003 levou \u00e0 morte de cerca de 700 mil pessoas \u2013 num pa\u00eds que jamais antes tivera hist\u00f3ria de jihadismo. Os curdos haviam feito acordos territoriais e pol\u00edticos; sunitas e xiitas tinham diferen\u00e7as de classe e sect\u00e1rias, mas estavam em paz \u2013 eram comuns os casamentos mistos. Tr\u00eas anos antes da invas\u00e3o, atravessei o Iraque dirigindo meu carro, sem medo. Pelo caminho, encontrei gente orgulhosa do pr\u00f3prio pa\u00eds, herdeiros de uma civiliza\u00e7\u00e3o que, para eles, era bem presente ali.<\/p>\n<p>Bush e Blair destru\u00edram tudo, reduziram a cacos tudo aquilo. O Iraque \u00e9 hoje ninho de jihadismo. Al-Qaeda \u2013 como os \u201cjihadistas\u201d de Pol Pot \u2013 colheu a oportunidade gerada pelo massacre que foi a Opera\u00e7\u00e3o Choque e Pavor e pela guerra civil que a seguiu. A S\u00edria \u201crebelde\u201d oferecia recompensas ainda maiores, nas linhas-de-rato da CIA e dos Estados do Golfo, pelas quais corriam armas, log\u00edstica e dinheiro atrav\u00e9s da Turquia. A chegada de recrutas estrangeiros seria inevit\u00e1vel. Um ex-embaixador brit\u00e2nico, Oliver Miles, escreveu recentemente:<\/p>\n<p>O governo [Cameron] parece estar seguindo o exemplo de Tony Blair, que ignorou os repetidos avisos que recebeu do Foreign Office, do MI5 e do MI6, que j\u00e1 sabiam que nossa pol\u00edtica para o Oriente M\u00e9dio \u2013 especialmente as guerras que fizemos no Oriente M\u00e9dio \u2013 havia sido o principal agente de mobiliza\u00e7\u00e3o no recrutamento de mu\u00e7ulmanos, para o terrorismo, na Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>O ISIS\/ISIL \u00e9 filho dileto dos que, em Washington e Londres, ao destru\u00edrem o Iraque, como estado e como sociedade, conspiraram para cometer um crime \u00e9pico contra a humanidade. Como Pol Pot e o Khmer Rouge, o ISIS\/ISIL \u00e9 mais uma muta\u00e7\u00e3o de um estado ocidental de terror, mantido por uma elite imperial venal que n\u00e3o para ante nenhuma consequ\u00eancia de seus atos, desde s\u00f3 atinjam culturas e povos que vivam bem, bem longe dela. Essa culpabilidade \u00e9 tabu: n\u00e3o pode ser mencionada nas \u201cnossas\u201d sociedades.<\/p>\n<p>J\u00e1 s\u00e3o 23 anos desde que esse holocausto atingiu o Iraque, imediatamente depois da I\u00aa Guerra do Golfo, quando EUA e Gr\u00e3-Bretanha sequestraram o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e impuseram \u201csan\u00e7\u00f5es\u201d punitivas contra a popula\u00e7\u00e3o iraquiana \u2013 o que, ironicamente, refor\u00e7ou a posi\u00e7\u00e3o de Saddam Hussein. Foi como um s\u00edtio medieval. Praticamente tudo que mant\u00e9m um estado moderno foi, conforme o jarg\u00e3o, \u201cbloqueado\u201d \u2013 desde cloro para produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel, at\u00e9 l\u00e1pis escolares, pe\u00e7as para aparelhos de m\u00e1quinas de raio-X, analg\u00e9sicos comuns e drogas usadas por pacientes de c\u00e2ncer v\u00edtimas da poeira gerada nos campos bombardeados, contaminados por ur\u00e2nio baixo-ativo.<\/p>\n<p>Pouco antes do Natal de 1999, o Departamento de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria em Londres restringiu a exporta\u00e7\u00e3o de vacinas destinadas a imunizar crian\u00e7as iraquianas contra difteria e febre amarela. Kim Howells, m\u00e9dico e subsecret\u00e1rio de Estado no governo Blair, explicou por qu\u00ea:<\/p>\n<p>As vacinas podem ser usadas para produ\u00e7\u00e3o de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<p>O governo brit\u00e2nico safou-se desse esc\u00e2ndalo universal, porque a imprensa-empresa que distribu\u00eda \u201cnot\u00edcias\u201d do Iraque \u2013 praticamente toda ela manipulada pelo Foreign Officebrit\u00e2nico \u2013 culpou Saddam Hussein por tudo.<\/p>\n<p>Sob um falso \u201cPrograma Petr\u00f3leo por Comida\u201d, dito \u201chumanit\u00e1rio\u201d, pagavam US$ 100 por iraquiano, por ano. Esse valor devia pagar por toda a infraestrutura e servi\u00e7os essenciais de que a sociedade precisasse, como energia e \u00e1gua.<\/p>\n<p>Imagine \u2013 disse-me o subsecret\u00e1rio-geral da ONU, Hans Von Sponeck \u2013 essa ninharia, para pagar por toda a \u00e1gua limpa, que n\u00e3o havia, e o fato de que a maioria dos doentes n\u00e3o podia pagar por qualquer tratamento, e o trauma terr\u00edvel de passar por esse tipo de necessidade dia ap\u00f3s dia, e voc\u00ea poder\u00e1 fazer ideia daquele pesadelo. E, n\u00e3o tenha d\u00favidas: foi tudo deliberadamente planejado. No passado, sempre me recusei a usar a palavra genoc\u00eddio, mas agora \u00e9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Desgostoso, Von Sponeck demitiu-se do cargo de Coordenador Humanit\u00e1rio da ONU para o Iraque. Antes dele, Denis Halliday, tamb\u00e9m alto funcion\u00e1rio da ONU, tamb\u00e9m se demitira.<\/p>\n<p>Fui instru\u00eddo \u2013 disse Halliday \u2013 a implementar uma pol\u00edtica que corresponde \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de genoc\u00eddio: pol\u00edtica deliberada que efetivamente matou mais de um milh\u00e3o de indiv\u00edduo, crian\u00e7as e adultos.<\/p>\n<p>Estudo do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia, UNICEF, descobriu que entre 1991 e 1998, no auge do bloqueio, houve 500 mil mortes \u201ca mais\u201d, no Iraque, na faixa et\u00e1ria at\u00e9 cinco anos. Uma rep\u00f3rter da TV norte-americana falou disso a Madeleine Albright, embaixadora dos EUA \u00e0 ONU, e perguntou-lhe:<\/p>\n<p>O pre\u00e7o n\u00e3o foi alto demais?<\/p>\n<p>Resposta de Albright:<\/p>\n<p>Entendemos que valeu a pena.<\/p>\n<p>Em 2007, o mais alto funcion\u00e1rio brit\u00e2nico respons\u00e1vel pelas san\u00e7\u00f5es, Carne Ross, conhecido como \u201cMr. Iraque\u201d, disse a uma comit\u00ea parlamentar, que:<\/p>\n<p>[Os governos de EUA e Reino Unido] est\u00e3o de fato negando a toda a popula\u00e7\u00e3o iraquiana os meios para sobreviver.<\/p>\n<p>Quando entrevistei Carne Ross tr\u00eas anos depois, era um homem consumido pela arrependimento e pela vergonha: \u201cSinto vergonha\u201d \u2013 disse ele. Ross \u00e9 hoje um dos raros que dizem a verdade sobre como os governos mentiram aos cidad\u00e3os e sobre o papel decisivo que cabe \u00e0 imprensa-empresa na implanta\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o das mentiras. \u201cOu pass\u00e1vamos aos jornalistas os factoides que receb\u00edamos da intelig\u00eancia, j\u00e1 limpos, ou simplesmente escond\u00edamos todos os fatos\u201d.<\/p>\n<p>Dia 25\/9\/2014, uma manchete do Guardian dizia: \u201c<a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2014\/sep\/25\/isis-barbarity-we-cant-stand-by-impotently\" target=\"_blank\">Ante o terror do ISIS\/ISIL, temos de agir<\/a>\u201d. Esse \u201ctemos de agir\u201d \u00e9 fantasma que despertou, como um sinal de alerta: tratem de esquecer todos os fatos, lembran\u00e7as, li\u00e7\u00f5es aprendidas, arrependimentos ou vergonha. O autor do artigo \u00e9 Peter Hain, ex-ministro do Foreign Office respons\u00e1vel pelo Iraque durante o governo Blair. Em 1998, quando Denis Halliday revelou a extens\u00e3o da trag\u00e9dia e do sofrimento humano no Iraque, pelos quais o governo Blair era um dos dois principais respons\u00e1veis, Hain acusou-o, no programa Newsnight da BBC, de ser \u201cdefensor de Saddam\u201d. Em 2003, Hain apoiou a invas\u00e3o do Iraque no governo Blair, repetindo o que todos j\u00e1 sabiam serem mentiras. Em confer\u00eancia no Partido Labour, pouco depois, descartou a invas\u00e3o como \u201cquest\u00e3o marginal\u201d.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o homem que, hoje, exige \u201cataques a\u00e9reos, drones, equipamentos militares e outros apoios\u201d aos que \u201cenfrentam o genoc\u00eddio\u201d no Iraque e na S\u00edria. S\u00f3 depois seria poss\u00edvel \u201co imperativo de uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d. \u00c9 o mesmo que Obama tem na cabe\u00e7a, quando suspende o que ele chama de \u201crestri\u00e7\u00f5es\u201d contra bombardeios e ataques por drones norte-americanos. Significa que m\u00edsseis e bombas de 300 kg podem destruir casas de camponeses, como fazem sem qualquer restri\u00e7\u00e3o no I\u00eamen, Paquist\u00e3o, Afeganist\u00e3o e Som\u00e1lia \u2013 e como fizeram no Camboja, Vietn\u00e3 e Laos. Dia 23 de setembro de 2014, um m\u00edssil Tomahawk atingiu uma vila na prov\u00edncia Idlib na S\u00edria, matou uma d\u00fazia de civis, entre os quais mulheres e crian\u00e7as. Nenhum deles tinha bandeira preta.<\/p>\n<p>No dia em que foi publicado o artigo de Hain, Denis Halliday e Hans Von Sponeck estavam casualmente em Londres e vieram visitar-me. N\u00e3o estavam chocados com a letal hipocrisia de uma autoridade, mas lamentaram a inexplic\u00e1vel aus\u00eancia de qualquer diplomacia inteligente, capaz de negociar alguma esp\u00e9cie de tr\u00e9gua. Por todo o planeta, do Norte da Irlanda ao Nepal, pessoas que se viam umas \u00e0s outras como terroristas e hereges conseguiram sentar-se face a face numa mesa de negocia\u00e7\u00f5es. Por que n\u00e3o agora, no Iraque e na S\u00edria?<\/p>\n<p>Como o ebola, do Oeste da \u00c1frica, uma bact\u00e9ria chamada \u201cguerra perp\u00e9tua\u201d j\u00e1 cruzou o Atl\u00e2ntico. Lord Richards, at\u00e9 recentemente comandante dos militares brit\u00e2nicos, quer agora \u201ccoturnos em solo\u201d. H\u00e1 uma verborragia doentia, quase sociop\u00e1tica, de Cameron, Obama e aquela \u201ccoaliz\u00e3o dos dispostos\/desejantes\u201d \u2013 e chama a aten\u00e7\u00e3o o estranhamente super agressivo australiano Tony Abbott \u2013 que agora prescrevem mais e mais viol\u00eancia, lan\u00e7ada de bem longe, de 30 mil p\u00e9s de altitude, sobre locais onde o sangue de aventuras anteriores ainda n\u00e3o secou. Nunca sofreram bombardeios e aparentemente gostam tanto que querem agora bombardear tamb\u00e9m um seu potencialmente valioso aliado, a S\u00edria. N\u00e3o \u00e9 novidade, como mostram <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/syria-cia-mi6-intel-ops-and-sabotage\/29126\" target=\"_blank\">arquivos vazados da intelig\u00eancia de EUA e Reino Unido<\/a>:<\/p>\n<p>Para facilitar a a\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de liberta\u00e7\u00e3o [sic] (&#8230;) deve-se fazer esfor\u00e7o especial para eliminar alguns indiv\u00edduos chaves [e] provocar agita\u00e7\u00e3o interna na S\u00edria. A CIA est\u00e1 preparada, e o MI6 tentar\u00e1 montar pequena sabotagem e golpe de incidentes principais [orig. main [sic]] dentro da S\u00edria, trabalhando mediante contatos com indiv\u00edduos (&#8230;) um grau necess\u00e1rio de medo (&#8230;)confrontos [encenados] de fronteira dar\u00e3o um pretexto para a interven\u00e7\u00e3o(&#8230;) CIA e SIS devem usar (&#8230;) capacidades nos campos psicol\u00f3gico e de a\u00e7\u00e3o, para aumentar a tens\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse par\u00e1grafo foi escrito em 1957, mas poderia ter sido escrito ontem. No mundo imperial, as coisas essenciais jamais mudam.<\/p>\n<p>Ano passado, o ex-ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Fran\u00e7a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?feature=player_embedded&amp;v=Kz-s2AAh06I\" target=\"_blank\">Roland Dumas revelou<\/a> que \u201cdois anos antes da Primavera \u00c1rabe\u201d, fora informado em Londres de que estava j\u00e1 planejada uma guerra contra a S\u00edria.<\/p>\n<p>Vou lhe dizer uma coisa \u2013 disse ele, em entrevista ao canal LPC da TV francesa: Eu estava na Inglaterra, dois anos antes da viol\u00eancia na S\u00edria e outros neg\u00f3cios. Encontrei-me com altos funcion\u00e1rios brit\u00e2nicos, que confessaram que estavam preparando alguma coisa na S\u00edria (&#8230;). A Gr\u00e3-Bretanha estava organizando uma invas\u00e3o de rebeldes na S\u00edria. At\u00e9 perguntaram, embora eu j\u00e1 n\u00e3o fosse Ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, se gostaria de participar (&#8230;) Essa opera\u00e7\u00e3o \u00e9 velha. Foi preparada, preconcebida, planejada.<\/p>\n<p>Os \u00fanicos que realmente se op\u00f5em ao ISIS\/ISIL s\u00e3o considerados dem\u00f4nios sem salva\u00e7\u00e3o no Ocidente \u2013 S\u00edria, Ir\u00e3, Hezbollah. O obst\u00e1culo \u00e9 a Turquia, \u201caliado\u201d e membro da OTAN que conspirou com a CIA, o MI6 e os medievalistas do Golfo para reunir apoio para os \u201crebeldes\u201d s\u00edrios, inclusive os que agora se autodenominam ISIS\/ISIL. Apoiar a Turquia e sua antiga aspira\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o regional, com a derrubada do governo do presidente Assad, levar\u00e1 a grande guerra convencional e ao horrendo desmembramento do estado etnicamente mais diverso de todo o Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Uma tr\u00e9gua \u2013 por dif\u00edcil de negociar que seja \u2013 \u00e9 a \u00fanica via para fora desse p\u00e2ntano imperial; sem uma tr\u00e9gua negociada, as degolas continuar\u00e3o. A evid\u00eancia de que qualquer negocia\u00e7\u00e3o com a S\u00edria deva ser declarada \u201cmoralmente question\u00e1vel\u201d (como escreveu The Guardian) sugere que a pressuposi\u00e7\u00e3o de alguma superioridade moral entre os que apoiaram Blair, criminoso de guerra, continua a ser n\u00e3o apenas absurda, mas perigosa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma tr\u00e9gua, devem cessar imediatamente todos os embarques de equipamento de guerra para Israel; e \u00e9 preciso reconhecer o Estado da Palestina. A quest\u00e3o da Palestina \u00e9 a mais purulenta quest\u00e3o de toda a regi\u00e3o, e causa muitas vezes declarada do crescimento do extremismo isl\u00e2mico. Osama bin Laden disse isso, precisamente, muito claramente. A Palestina tamb\u00e9m oferece esperan\u00e7as. Deem justi\u00e7a aos palestinos, e come\u00e7ar\u00e3o a mudar o mundo ao redor deles.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 40 anos, o bombardeio do Camboja por Nixon-Kissinger gerou uma torrente de sofrimentos da qual o pa\u00eds at\u00e9 hoje n\u00e3o se recuperou. Vale o mesmo para os crimes de Blair-Bush no Iraque.<\/p>\n<p>Com timing impec\u00e1vel, o \u00faltimo tomo da autobiografia de autoconsagra\u00e7\u00e3o de Kissinger acaba de ser lan\u00e7ado, com o t\u00edtulo sat\u00edrico de World Order [Ordem Mundial]. Em resenha de desavergonhada propaganda, Kissinger \u00e9 descrito como<\/p>\n<p>(&#8230;) modelador chave de uma ordem mundial que permaneceu est\u00e1vel por um quarto de s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Contem essa ao povo do Camboja, Vietn\u00e3, Laos, Chile, Timor Leste e outras v\u00edtimas desse \u201cconstrutor de Estados\u201d. S\u00f3 quando \u201cn\u00f3s\u201d identificarmos esses criminosos de guerra que sobrevivem ainda entre n\u00f3s, o sangue come\u00e7ar\u00e1 a secar.<\/p>\n<p>[*] John Pilger \u2212 nasceu em Bondi na \u00e1rea metropolitana de Sydney, Austr\u00e1lia, 9 de outubro 1939. A carreira de Pilger como rep\u00f3rter come\u00e7ou em 1958; ao longo dos anos tornou-se famoso pelos artigos, livros e document\u00e1rios que escreveu e\/ou produziu. Apesar das tentativas de setores conservadores de desvalorizar Pilger, o seu jornalismo investigativo j\u00e1 mereceu v\u00e1rios galard\u00f5es, tais como a atribui\u00e7\u00e3o, por duas vezes, do pr\u00eamio de Britain\u2019s Journalist of the Year Award na \u00e1rea dos dos Direitos Humanos. No Reino Unido \u00e9 mais conhecido pelos seus document\u00e1rios, particularmente os que foram rodados no Camboja e no Timor\u2212Leste. Trabalhou ainda como correspondente de guerra em v\u00e1rios conflitos, como na Guerra do Vietnam, no Camboja, no Egito, na \u00cdndia, em Bangladesh e em Biafra. Atualmente reside em Londres.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/redecastorphoto.blogspot.com.br\/2014\/10\/do-camboja-ao-isisisil-tudo-que-voe.html\" target=\"_blank\">http:\/\/redecastorphoto.blogspot.com.br\/2014\/10\/do-camboja-ao-isisisil-tudo-que-voe.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/goo.gl\/AEql4P\" target=\"_blank\">http:\/\/goo.gl\/AEql4P<\/a><\/p>\n<p>[A rede castorphoto \u00e9 uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Est\u00e3o divididos em 28 operadores\/repetidores e 232 distribuidores; n\u00e3o est\u00e1 vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou s\u00edtio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, s\u00edtios, ag\u00eancias, jornais e revistas eletr\u00f4nicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribui\u00e7\u00e3o na rede]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"  \nJohn Pilger, Blog de John Pilger*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6751\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6751","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1KT","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6751","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6751"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6751\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}