{"id":6755,"date":"2014-10-15T04:47:32","date_gmt":"2014-10-15T04:47:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6755"},"modified":"2014-11-05T06:49:55","modified_gmt":"2014-11-05T06:49:55","slug":"nao-vamos-libertar-a-palestina-com-rosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6755","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o vamos libertar a Palestina com rosas\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Texto e fotografia: Yasna Mussa<\/p>\n<p>Sua imagem se difundiu em todo o mundo ap\u00f3s converter-se na primeira mulher a sequestrar um avi\u00e3o, em 1969. Com mais de 50 anos de vida pol\u00edtica ativa, esta palestina continua acreditando na revolu\u00e7\u00e3o e lutando para voltar a seu lar, em Haifa.<\/p>\n<p>Em 26 de agosto passado, Israel parou os bombardeios contra a Faixa de Gaza. Depois de 51 dias de massacre, o governo de Netanyahu acordou com a resist\u00eancia palestina uma tr\u00e9gua tempor\u00e1ria patrocinada pelo Egito. Os quase dois meses de ataques indiscriminados contra os palestinos apagaram 2.160 vidas, destru\u00edram milhares de lares, deixaram mais de 11 mil pessoas feridas e acabaram com a pouca infraestrutura do pequeno territ\u00f3rio submetido ao bloqueio h\u00e1 mais de 7 anos.<\/p>\n<p>Do outro lado da fronteira, em Am\u00e3, capital da Jord\u00e2nia, est\u00e1 Leila Khaled. A mulher de 70 anos observa, escreve, l\u00ea e trabalha sem parar. Sua vitalidade desafia os preju\u00edzos sobre a idade e confirma o car\u00e1ter que possui uma ex-guerrilheira, muito al\u00e9m do mito.<\/p>\n<p>Esta mulher \u2013 a sexta de 12 irm\u00e3os, de pais libaneses, nascida em Haifa, militante da Frente pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP) \u2013 foi encarregada de sequestrar um avi\u00e3o, em 1969. A opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica buscava chamar a aten\u00e7\u00e3o mundial, lembrar que havia um povo que vivia sob a ocupa\u00e7\u00e3o ou repartido em diferentes latitudes, sendo parte de uma di\u00e1spora que guardava as chaves de suas casas esperando voltar.<\/p>\n<p>Em 1970, a opera\u00e7\u00e3o se repetiu, por\u00e9m, desta vez, Leila Khaled e seu companheiro de miss\u00e3o, o nicaraguense Patrick Arg\u00fcello, n\u00e3o alcan\u00e7aram seu objetivo. No avi\u00e3o encontravam-se 4 agentes secretos israelenses, que frustraram o sequestro, assassinaram Arg\u00fcello e detiveram Leila Khaled, a quem entregaram \u00e0s autoridades inglesas.<\/p>\n<p>\u00c9 a mesma Leila Khaled, que aparece em fotos, cartazes e stencils vestida com um hatta palestino e carregando um rifle AK 47, que me recebe nos escrit\u00f3rios da Organiza\u00e7\u00e3o pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) em Am\u00e3, Jord\u00e2nia. A mesma que se submeteu a 6 cirurgias pl\u00e1sticas de nariz e queixo, para mudar sua apar\u00eancia e passar despercebida, depois que essa imagem se converteu em \u00edcone, chegou \u00e0s manchetes de jornal e apareceu em notici\u00e1rios que repetiam a mesma pergunta: Quem \u00e9 a misteriosa mulher palestina que sequestrou um avi\u00e3o?<\/p>\n<p>44 anos depois, tentamos responder \u00e0 mesma pergunta.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 uma v\u00edtima direta da Nakba. Teve que deixar sua casa em 1948, quando apenas se criou o Estado de Israel. Como foi essa inf\u00e2ncia na Palestina e, depois, no L\u00edbano, onde teve que se refugiar?<\/p>\n<p>Antes de tudo, tenho que esclarecer que minha fam\u00edlia \u00e9 libanesa. Meus pais se instalaram na Palestina pelo trabalho de meu pai e tanto eu, como todos os meus irm\u00e3os, nascemos ali. Quando ocorreu a Nakba (cat\u00e1strofe), em 1948, fomos com minha m\u00e3e ao L\u00edbano. Para n\u00f3s era o mais normal visitar o L\u00edbano, porque todo ano visit\u00e1vamos a fam\u00edlia l\u00e1. No entanto, esse ano foi diferente. Era a primeira vez que \u00edamos em abril e n\u00e3o no ver\u00e3o, como est\u00e1vamos acostumados.<\/p>\n<p>\u00c9ramos 8 irm\u00e3os e eu era a n\u00famero 6. Meu irm\u00e3o mais velho estudava no L\u00edbano, mas todos os outros estavam em Haifa quando ocorreu o massacre de Deir Yassin, no mesmo dia do meu anivers\u00e1rio (em 9 de abril). O horror que causou em todos os palestinos, fez com que minha m\u00e3e tomasse a decis\u00e3o de partir, enquanto meu pai ficou lutando pela Palestina.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e tinha medo, como todas as m\u00e3es. No caminho a Tyr (no sul do L\u00edbano) vimos as pessoas caminhando. Minha m\u00e3e ia chorando. O motorista falou para ela parar de chorar, porque as crian\u00e7as chorariam tamb\u00e9m. Mas, durante todo o tempo da viagem minha m\u00e3e estava chorando.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s crescemos, perguntamos sobre este incidente e ela disse: n\u00f3s somos privilegiados porque viemos de carro, enquanto o resto da popula\u00e7\u00e3o ia caminhando com seus filhos e as poucas coisas que puderam pegar.<\/p>\n<p>Lembro um fato em especial que me marcou: quando est\u00e1vamos na casa do meu tio, vimos que as \u00e1rvores que a rodeavam estavam cheias de laranjas. Ent\u00e3o, como fazem as crian\u00e7as, fomos e pegamos algumas. Minha m\u00e3e estava muito triste. Ela nos disse \u201cisto n\u00e3o \u00e9 de voc\u00eas. N\u00e3o t\u00eam direito de peg\u00e1-las. As de voc\u00eas est\u00e3o na Palestina\u201d \u2013 conta Khaled com o olhar perdido nas recorda\u00e7\u00f5es. Essa foi a primeira li\u00e7\u00e3o que recebemos e que nos disse que dev\u00edamos voltar \u00e0 Palestina. Desde o primeiro minuto, soubemos que isso n\u00e3o era nosso, assim que desde esse momento passei a odiar as laranjas.<\/p>\n<p>Ainda que tiv\u00e9ssemos onde viver, \u00edamos \u00e0s escolas que a UNRWA tinha instalado para os refugiados. Minha inf\u00e2ncia foi como a de todo palestino refugiado. A primeira escola foi em uma grande tenda aberta, onde tinham 10 turmas. E no inverno era realmente duro. Recordo que nunca tive um uniforme ou roupa nova. Sempre eram coisas usadas que a UNRWA nos entregava. Tampouco celebramos um anivers\u00e1rio ou o Eid (celebra\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana). Minha m\u00e3e sempre disse que o far\u00edamos quando volt\u00e1ssemos \u00e0 Palestina. Ent\u00e3o, eu cresci esperando voltar. Todo o tempo eu senti que nada era nosso. Que nossas coisas, o que am\u00e1vamos, estavam na Palestina. Assim, t\u00ednhamos que fazer algo.<\/p>\n<p>Ainda hoje voc\u00ea vive na Jord\u00e2nia, viaja regularmente ao L\u00edbano. Como observa a situa\u00e7\u00e3o atual dos refugiados palestinos l\u00e1?<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o nos campos de refugiados continua t\u00e3o prec\u00e1ria quanto nessa \u00e9poca. Os palestinos necessitam de uma permiss\u00e3o especial para trabalhar e os libaneses n\u00e3o as concedem. Existem cerca de 70 profiss\u00f5es que est\u00e3o proibidas e n\u00e3o podem ser exercidas. M\u00e9dicos, professores, engenheiros, jornalistas e outros of\u00edcios s\u00f3 podem trabalhar na UNRWA e nos campos de refugiados, que s\u00e3o como guetos. \u00c0s vezes, a UNRWA n\u00e3o tem locais de trabalho ou os que existem n\u00e3o correspondem \u00e0s demandas dos palestinos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, muitos destes campos foram destru\u00eddos totalmente. Eles tentaram destruir Sabra e Shatila em 1982, mas n\u00e3o conseguiram. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou. Os palestinos n\u00e3o t\u00eam direito de construir uma casa ou ter um lar nos campos de refugiados. No ano de 2007, destru\u00edram completamente o campo Nahr el Bared e as pessoas tiveram que fugir para come\u00e7ar tudo de novo, sem nada.<\/p>\n<p>Depois de 1982, a principal miss\u00e3o dos palestinos no L\u00edbano foi conquistar seus direitos civis e sociais, que continuam sendo restritos. Quando conseguirem isto, poder\u00e3o participar da luta pelo direito ao retorno. Este direito n\u00e3o \u00e9 apenas um conceito, mas tamb\u00e9m uma cultura.<\/p>\n<p>Considerando o contexto social e cultural do Mundo \u00c1rabe, como foi para voc\u00ea, como mulher, envolver-se na pol\u00edtica nos anos 60?<\/p>\n<p>Para mim foi natural. Minha fam\u00edlia \u00e9 uma fam\u00edlia pol\u00edtica. Meu irm\u00e3o mais velho estudava na Universidade Americana de Beirut e participou do Movimento Nacional integrado por George Habash, Wadi Haddad, entre outros. Uma das miss\u00f5es deste movimento foi organizar as fam\u00edlias. Assim, ele influenciou as minhas irm\u00e3s mais velhas e elas a mim.<\/p>\n<p>Em nossa escola, todos os professores eram palestinos, refugiados como n\u00f3s. Assim, muitos deles entraram no Movimento Nacional e alguns deles em outros partidos. Este movimento buscava a liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e lutava pelo direito ao retorno. A primeira vez que quis entrar, n\u00e3o permitiram porque tinha apenas 14 anos.<\/p>\n<p>As pessoas imaginam que aqui a mulher n\u00e3o tem participa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 ignorar a realidade e a hist\u00f3ria palestina. Desde sempre a mulher participa massivamente dos partidos pol\u00edticos e da resist\u00eancia. Somos um povo sumamente pol\u00edtico e a mulher palestina \u00e9 protagonista em diferentes frentes. Eu decidi participar de um campo de treinamento e de opera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e meus companheiros sempre me respeitaram e respaldaram.<\/p>\n<p>Resistir para existir<\/p>\n<p>Voc\u00ea participou e apoia at\u00e9 hoje a luta armada. Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre resist\u00eancia e terrorismo?<\/p>\n<p>O que Israel faz \u00e9 terrorismo. Nesta invas\u00e3o, Israel se mostrou como o Estado fascista e de apartheid que \u00e9. Por esta raz\u00e3o, n\u00f3s come\u00e7amos nossas a\u00e7\u00f5es de sequestros, porque n\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos tratados como seres humanos, com direitos. \u00c9 por isso que tivemos que chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo, porque eles n\u00e3o reconheciam nossos direitos a ter roupa, a ter uma casa, a poder viver em nossa p\u00e1tria e substitu\u00edram isto pelo direito de Israel a existir, de estar ali. Isto \u00e9 injusto e temos que mudar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Israel exigiu que se negociasse. Aceitamos e a OLP negociou durante 20 anos e veja o que aconteceu depois disso. Durante 21 anos de negocia\u00e7\u00f5es, aumentaram os assentamentos e o n\u00famero de colonos. Os colonos s\u00e3o, em si, um outro ex\u00e9rcito. Demoliram as casas, constru\u00edram um muro de apartheid, colocaram na pris\u00e3o milhares de ativistas a quem tratam como criminosos. Israel violou todo tipo de leis e se considera, ainda assim, dentro do direito internacional. At\u00e9 agora, Israel n\u00e3o foi condenado por todos os seus crimes. Esse \u00e9 o momento de pagar. Assim, n\u00e3o podemos permitir que continuem avan\u00e7ando em nossa p\u00e1tria. Temos que lutar.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos libertar a Palestina com rosas ou com negocia\u00e7\u00f5es. Isto \u00e9 um assunto pol\u00edtico, n\u00e3o apenas humano. Se as Na\u00e7\u00f5es Unidas me fazem escolher entre comida ou voltar a minha casa, eu prefiro voltar a minha casa. Eu n\u00e3o quero estar em um acampamento de refugiados o tempo todo. \u00c9 certo que, tamb\u00e9m, ser\u00e1 destru\u00eddo por Israel ou por seus colaboradores. N\u00e3o \u00e9 suficiente que a comunidade internacional chore ap\u00f3s Israel cometer seus crimes. O mundo deve prevenir esses crimes. No entanto, eles s\u00f3 reconstroem depois que Israel destr\u00f3i.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s fazemos \u00e9 resist\u00eancia, para nos defendermos do ocupante. E a resist\u00eancia est\u00e1 respaldada pela lei internacional: gente sob a ocupa\u00e7\u00e3o ou repress\u00e3o tem o direito a resistir, por todos os meios, inclusive a luta armada. Assim, n\u00f3s estamos lutando de maneira legal. N\u00e3o \u00e9 problema meu se algu\u00e9m da Pol\u00f4nia vive na minha casa. \u00c9 preciso que v\u00e1 embora. Caso queira ficar, est\u00e1 bem. Primeiro, n\u00f3s temos que voltar. E uma vez que o problema dos refugiados esteja resolvido, poderemos viver todos em um Estado democr\u00e1tico, onde as pessoas tenham seus direitos garantidos. \u00c9 nosso direito e n\u00e3o vamos renunciar.<\/p>\n<p>Se existe gente que vem de lados diferentes e quer ficar aqui, n\u00e3o tem problema. N\u00f3s oferecemos solu\u00e7\u00f5es humanas. N\u00e3o como a solu\u00e7\u00e3o de Israel: genocidio contra n\u00f3s. A comunidade internacional apoiou o boicote contra o Apartheid na \u00c1frica do Sul. Agora \u00e9 o momento que a comunidade internacional deve repetir a experi\u00eancia para isolar este estado de apartheid que se chama Israel.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, qual \u00e9 o papel ativo e concreto que deve ter a comunidade internacional?<\/p>\n<p>Necessitamos que as pessoas de cada pa\u00eds pressionem seus Estados para poder isolar Israel.<\/p>\n<p>Quando a revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, em meu partido decidimos qual seria nosso objetivo: libertar nosso pa\u00eds e implantar o direito ao retorno. Dando aos refugiados o direito de voltar a seus lares, a seu pa\u00eds, e isto est\u00e1 garantido pelo direito internacional. Israel \u00e9 aceito nas Na\u00e7\u00f5es Unidas com a condi\u00e7\u00e3o de permitir os palestinos voltarem. Por\u00e9m, at\u00e9 agora n\u00f3s somos refugiados. E esta \u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o 194. Agora, n\u00f3s estamos perguntando: por que as Na\u00e7\u00f5es Unidas e a comunidade internacional n\u00e3o implantam suas resolu\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>E a resist\u00eancia \u00e9 apoiada na lei internacional: gente que vive sob a ocupa\u00e7\u00e3o ou repress\u00e3o tem o direito a resistir, de todas as formas, inclusive pela via armada. Como j\u00e1 disse, estamos lutando dentro da legalidade. \u00c9 nosso direito.<\/p>\n<p>Isso significa que voc\u00ea ainda apoia a resist\u00eancia armada. Tamb\u00e9m apoia outras formas de luta, como a campanha do boicote, san\u00e7\u00f5es e desinvestimento (BDS, sigla em ingl\u00eas), que se define como uma iniciativa n\u00e3o violenta da sociedade civil?<\/p>\n<p>Claro, apoio essa campanha como tamb\u00e9m apoio a campanha para que se libertem os prisioneiros palestinos, inclusive os deputados e os ministros. Creio que devemos usar o m\u00e1ximo de meios de resist\u00eancia que pudermos: o pol\u00edtico, o diplom\u00e1tico, o n\u00e3o violento. H\u00e1 mais de 10 anos, os palestinos se manifestam toda sexta-feira em Bil\u2019in ou toda semana em Nabi Saleh, contra a coloniza\u00e7\u00e3o, contra o muro, contra a anexa\u00e7\u00e3o de terras e das \u00e1guas subterr\u00e2neas. Todas estas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o pac\u00edficas, por\u00e9m Israel sempre responde com viol\u00eancia, utilizando g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, bombas, muni\u00e7\u00e3o real. Por isso, acredito que todos os meios de resist\u00eancia s\u00e3o necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o confunda. N\u00e3o podemos crer que alcan\u00e7aremos nossos objetivos apenas por meio da resist\u00eancia pac\u00edfica. Estamos frente a um Estado de apartheid, que conta com o apoio dos Estados Unidos e, em geral, do Ocidente todo. At\u00e9 que as for\u00e7as se equilibrem, n\u00e3o podemos pensar apenas em ir a uma mesa de negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Menos ainda quando vemos como Ban Ki Moon d\u00e1 as m\u00e3os a Netanyahu, pergunta pelo soldado israelense que est\u00e1 desaparecido, mas n\u00e3o pergunta por todos os meninos palestinos assassinados. As Na\u00e7\u00f5es Unidas est\u00e3o controladas pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es patrocinadas pelos Estados Unidos promovem a cria\u00e7\u00e3o de dois Estados. Qual a sua opini\u00e3o sobre esta solu\u00e7\u00e3o, considerando sua hist\u00f3rica defesa ao direito de retorno?<\/p>\n<p>N\u00e3o estou de acordo com dois Estados. Por qu\u00ea? Por que construir dois? Onde? Na lua? A maioria da terra foi confiscada. Hoje existem mais de 600 mil colonos na Cisjord\u00e2nia e, agora mesmo, est\u00e3o assassinando em Gaza. Eles n\u00e3o permitir\u00e3o. Inclusive, quando se solicitou um corredor humanit\u00e1rio no Cairo para evacuar os feridos, eles n\u00e3o permitiram. Onde construir\u00edamos este Estado? N\u00f3s queremos um Estado democr\u00e1tico na Palestina, onde sejamos iguais, em deveres e direitos. Esta \u00e9 nossa terra, na Palestina hist\u00f3rica, um Estado multicultural como existem em muitos pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>A comunidade internacional parece surpresa e espantada ante este novo massacre que Israel denominou \u201cOpera\u00e7\u00e3o Margem Protetora\u201d. \u00c9 claro, os palestinos sabem que estes massacres se repetem ao longo do tempo, convertendo-se em uma limpeza \u00e9tnica. O que lhe parece que este novo massacre ocorra justo ap\u00f3s o acordo de unidade entre as fac\u00e7\u00f5es palestinas?<\/p>\n<p>N\u00e3o me parece uma coincid\u00eancia. Israel queria elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o gostou do resultado dessas elei\u00e7\u00f5es e boicotou a vontade do povo palestino, que elegeu o Hamas. Agora todas as fac\u00e7\u00f5es palestinas, n\u00e3o apenas o Hamas e Al Fatah, mas tamb\u00e9m a Jihad, a FPLP, a FDLP, etc, criaram um comit\u00ea sob o guarda-chuva da OLP para poder dialogar e promover elei\u00e7\u00f5es do Conselho Nacional da Palestina para Gaza e Cisjord\u00e2nia. Essa \u00e9 a unidade inclusiva, onde est\u00e3o representados todos os palestinos, por\u00e9m Israel n\u00e3o quer permitir e utilizar\u00e1 qualquer desculpa para atacar.<\/p>\n<p>A solidariedade dos povos<\/p>\n<p>Leila Khaled sente um profundo la\u00e7o com a Am\u00e9rica Latina. Para ela, trata-se de um continente irm\u00e3o, com o qual sente mais proximidade e solidariedade que com muitos pa\u00edses \u00e1rabes. Nos tempos da guerrilha latino-americana, os povos da Nicar\u00e1gua, Cuba, Chile e Argentina, entre outros, lutavam contra ditaduras locais ou interven\u00e7\u00f5es estrangeiras. Leila Khaled conheceu muitos destes militantes e, inclusive, combateu com eles, como foi o caso de Patrick Arg\u00fcello, seu companheiro no sequestro frustrado do voo 219, de Amsterd\u00e3 para Nova York.<\/p>\n<p>Nesta ocasi\u00e3o, portava um passaporte hondurenho falso com uma identidade estrangeira. Mar\u00eda Luna foi o nome que utilizou e que hoje lembra com pilh\u00e9ria: \u201cEu gostava do nome, mas n\u00e3o falava nada de espanhol. Apenas sabia dizer \u2018S\u00ed, se\u00f1or\u2019. N\u00e3o sabia nada de espanhol e ainda n\u00e3o sei nada de espanhol\u201d, comenta com ra\u00e7a, enquanto bebe goles de caf\u00e9.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre os governos e estados latino-americanos que manifestaram seu apoio \u00e0 Palestina e condenaram Israel nos \u00faltimos acontecimentos?<\/p>\n<p>Este tem sido um grande apoio para os palestinos e eles t\u00eam feito mais que qualquer outro pa\u00eds. Depende, \u00e9 claro, dos governos mudar a atitude e a pol\u00edtica, e isso, em todos os lugares, \u00e9 apreciado. Em Gaza, o povo diz: \u201c\u201dN\u00e3o s\u00e3o \u00e1rabes os nossos irm\u00e3os. S\u00e3o latino-americanos\u201d.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o, a Venezuela e a Bol\u00edvia cortaram la\u00e7os com Israel. Agora, na Bol\u00edvia foram cancelados os acordos de visto com Israel. No Chile, na Argentina, Peru e Brasil seus embaixadores foram chamados. A Bol\u00edvia classificou Israel como Estado terrorista. Essa \u00e9 uma excelente atitude e \u00e9 o que necessitamos.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.oicpalestina.org\/?p=18983<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n(Entrevista com Leila Khaled)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6755\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-6755","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1KX","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6755\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}