{"id":6757,"date":"2014-10-16T00:46:47","date_gmt":"2014-10-16T00:46:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6757"},"modified":"2014-11-05T06:49:55","modified_gmt":"2014-11-05T06:49:55","slug":"o-sexto-turno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6757","title":{"rendered":"O sexto turno"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <a href=\"http:\/\/blogdaboitempo.com.br\/category\/colunas\/mauro-iasi\/\" target=\"_blank\">Mauro Iasi<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cOs presidentes s\u00e3o eleitos pela televis\u00e3o, como sabonetes,<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">e os poetas cumprem fun\u00e7\u00e3o decorativa. N\u00e3o h\u00e1 maior magia<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">que a magia do mercado, nem her\u00f3is maiores que os banqueiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">A democracia \u00e9 um luxo do Norte. Ao Sul \u00e9 permitido o espet\u00e1culo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Eduardo Galeano, <em>O livro dos abra\u00e7os<\/em><\/p>\n<p>Uma vez mais o jogo previs\u00edvel encontra seu desfecho esperado. Circunscrita pelo poder econ\u00f4mico e midi\u00e1tico, as candidaturas da ordem se encontrar\u00e3o, mais uma vez, em um segundo turno. Um dos elementos de garantia da ordem pode ser encontrado nos mecanismos de seguran\u00e7a que limita as alternativas e depois as apresenta como liberdade de escolha.<\/p>\n<p>No campo pol\u00edtico isso foi descrito por Gramsci como \u201camericanismo\u201d e se expressa classicamente na altern\u00e2ncia entre um Partido Democr\u00e1tico e outro Republicano nos EUA, num jogo de imagens no qual nem um \u00e9 democr\u00e1tico, nem o outro \u00e9 de fato republicano. Ao sul do equador tal fen\u00f4meno pode ser visto historicamente na suposta altern\u00e2ncia entre liberais e conservadores, na maldi\u00e7\u00e3o j\u00e1 descrita na express\u00e3o \u201cnada mais conservador que um liberal no poder\u201d, ou na famosa ironia de que no ato de posse o programa conservador \u00e9 transferido para o partido de oposi\u00e7\u00e3o, que entrega o programa liberal para quem sai do governo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/authors\/view\/30\" target=\"_blank\">Carlos Nelson Coutinho<\/a> costuma chamar a vers\u00e3o brasileira desta \u201cdemocracia\u201d de <em>americanalhamento<\/em>. A express\u00e3o parece pertinente.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o do segundo turno no Brasil tem servido a este prop\u00f3sito. No sistema norte americano todo mundo pode ser candidato, mas os filtros v\u00e3o se dando nas elei\u00e7\u00f5es dos convencionais (que de fato elegem o presidente numa elei\u00e7\u00e3o indireta e absurdamente antidemocr\u00e1tica), at\u00e9 que s\u00f3 chegam \u00e0 disputa de fato os dois partidos oficiais citados. No Brasil n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio tal engenharia pol\u00edtica. Os filtros de seguran\u00e7a come\u00e7am pelas clausulas de barreira que impedem a organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, depois a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral absolutamente desigual e inconstitucional (mas isso nunca foi problema em nosso pa\u00eds segundo o TSE), passa pelo financiamento privado de campanha e chega na cobertura desigual da imprensa monop\u00f3lica.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer o mecanismo que decide o voto antes da elei\u00e7\u00e3o pelo controle dos cofres p\u00fablicos, dos governos estaduais, prefeituras e cabos eleitorais numa verdadeira chantagem de verbas, financiamentos e facilidades que controlam regi\u00f5es inteiras sem a necessidade de uma \u00fanico debate de programas ou ideias.<\/p>\n<p>Como diz Galeano no texto que nos serve de ep\u00edgrafe, a democracia \u00e9 um luxo reservado ao Norte, ao Sul cabe o espet\u00e1culo que n\u00e3o \u00e9 negado a ningu\u00e9m, afinal, diz o autor uruguaio, \u201cningu\u00e9m se incomoda muito, que a pol\u00edtica seja democr\u00e1tica, desde que a economia n\u00e3o o seja\u201d. Quando as urnas se fecham, prevalece a lei do mais forte, a lei do dinheiro.<\/p>\n<p>Mas, \u00e9 essencial ao espet\u00e1culo que voc\u00ea sinta a sensa\u00e7\u00e3o de estar decidindo. \u00c9 neste campo que se inscreve o chamado voto \u00fatil.<\/p>\n<p>A m\u00e1quina eleitoral burguesa n\u00e3o pode impedir movimentos de opini\u00e3o, que se expressam no primeiro turno e, mesmo, no segundo. \u00c9 perfeitamente compreens\u00edvel que muitas pessoas pensem na l\u00f3gica do mal menor, numa an\u00e1lise comparativa entre as alternativas que restaram. Como sempre h\u00e1 diferen\u00e7as entre elas, convencionou-se que a esquerda deve votar no mais progressista e evitar o risco da direita.<\/p>\n<p>Analisemos mais detidamente as alternativas que o poder econ\u00f4mico, a legisla\u00e7\u00e3o restritiva e os meios de comunica\u00e7\u00e3o monopolizados selecionaram.<\/p>\n<p>De um lado A\u00e9cio Neves do PSDB, legenda conhecida pelos mandatos de FHC e do pr\u00f3prio pol\u00edtico mineiro em seu estado, assim como a longa dinastia paulista. Neste caso n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida sobre seu programa conservador, seu compromisso com o mercado e os grandes grupos monopolistas, sua l\u00f3gica privatista e sua subservi\u00eancia ao imperialismo. Trata-se de uma legenda que nada tem de social democrata e tornou-se o centro aglutinador da direita representada na alian\u00e7a com o DEM, o PPS e outras que compuseram sua base de governabilidade quando no governo, como o sempre presente PMDB, PTB e outros.<\/p>\n<p>De outro, o PT, partido que tem sua origem nos movimentos sociais e sindicais dos anos 1970 e 1980, e que chegou \u00e0 presid\u00eancia em 2002 com a elei\u00e7\u00e3o de Lula para aderir ao pacto e ao presidencialismo de coaliz\u00e3o tornando-se o centro de um bloco do qual participam o PCdoB e o PSB, garantindo sua governabilidade com o PMDB, o PTB, PP, PSC, e outras siglas no mercado do fisiologismo pol\u00edtico pr\u00f3prio do <em>americanalhamento<\/em> citado. Difere do PSDB na medida em que defende uma maior presen\u00e7a do Estado para garantir a economia de mercado, sustentando seu pacto de classes atrav\u00e9s de medidas de coopta\u00e7\u00e3o e apassivamento, tais como a garantia do n\u00edvel de emprego e pol\u00edticas sociais focalizadas e compensat\u00f3rias de combate aos efeitos mais agudos da mis\u00e9ria absoluta.<\/p>\n<p>A mera compara\u00e7\u00e3o justifica a tend\u00eancia do voto em Dilma de grande parte dos que temem um governo do PSDB como express\u00e3o mais clara da pol\u00edtica conservadora.<\/p>\n<p>Coloquemos, entretanto, as coisas numa perspectiva hist\u00f3rica. Este n\u00e3o \u00e9 um mero segundo turno, \u00e9 o sexto turno. \u00c9 a terceira vez que tal situa\u00e7\u00e3o se apresenta. Nas duas primeiras, em 2006 e 2010, o PCB, por exemplo, indicou o voto cr\u00edtico no candidato do PT, ou priorizou o combate \u00e0 direita no momento eleitoral, ainda que sempre se mantendo na oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o seria o caso agora?<\/p>\n<p>Lembremos quais os discursos que acompanharam este processo. Quando da passagem para o segundo mandato do Lula o discurso \u00e9 que o primeiro mandato havia sido para acertar a casa, mas agora viria uma guinada em favor das demandas populares, o governo Lula estaria em disputa. Quando da passagem para o mandato de Dilma o discurso \u00e9 que, agora viria a guinada na forma de uma op\u00e7\u00e3o pelo m\u00edtico \u201cneodesenvolvimentismo\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, o que vimos nas duas oportunidades n\u00e3o foi uma revers\u00e3o do rumo do pacto social e das medidas conservadoras, pelo contr\u00e1rio. O fato \u00e9 que cada governo subsequente foi sendo mais \u00e0 direita que o anterior. Os governos eleitos para \u201cevitar a volta da direita\u201d, a perda de direitos para os trabalhadores, o aprofundamento das privatiza\u00e7\u00f5es, a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, o abandono da reforma agr\u00e1ria, acabaram por impor um crescimento das privatiza\u00e7\u00f5es, uma precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, o ataque aos direitos dos trabalhadores (eufemisticamente chamado de \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d) e o aprofundamento da criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Reforma da previd\u00eancia, privatiza\u00e7\u00e3o do campo de Libra, imposi\u00e7\u00e3o da EBSERH, rendi\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica dos empres\u00e1rios e do sistema S, prioridade para o agroneg\u00f3cio, a farra da Copa, as remo\u00e7\u00f5es, o aumento da viol\u00eancia urbana e a pol\u00edtica genocida das pol\u00edcias militares contra a popula\u00e7\u00e3o jovem, pobre e negra, a n\u00e3o demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas, as concess\u00f5es ao fundamentalismo religioso que impede a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia\u2026<\/p>\n<p>Talvez a \u00e1rea mais emblem\u00e1tica seja a luta pela terra. N\u00e3o apenas reduz-se a cada mandato o n\u00famero de fam\u00edlias assentadas, como cada vez mais assentamentos s\u00e3o abandonados \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte, e os pequenos produtores considerados \u201ceconomicamente irrelevantes\u201d (nas palavras de um representante do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio em resposta \u00e0s demandas do MPA). Ao mesmo tempo dirige-se toda a pol\u00edtica agr\u00e1ria para a prioridade ao agroneg\u00f3cio, tornando aliado central na governabilidade e na dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, como mostram os apoios, ainda no primeiro turno, de K\u00e1tia Abreu e Era\u00ed Maggi (o rei da soja).<\/p>\n<p>Algo estranho ocorre por aqui. Primeiro, trata-se de fazer reformas poss\u00edveis no lugar da revolu\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Para tanto, um pacto social que leva o governo, que deveria ser reformista de esquerda, para um perfil de centro-esquerda \u2013 ou nos termos de Andr\u00e9 Singer, de um reformismo de alta intensidade apoiado na classe trabalhadora para um reformismo de baixa intensidade apoiado nas camadas mais pobres. Em seguida trata-se de tomar medidas de um governo de centro-direita para enfrentar a crise do capital com massivas doses de apoio ao capital por parte do Estado para garantir a manuten\u00e7\u00e3o de um crescimento com emprego e gera\u00e7\u00e3o de renda. E agora uma clara composi\u00e7\u00e3o de direita apoiada nos grandes bancos, nos setores monopolistas, nas empreiteiras, no agroneg\u00f3cio, numa situa\u00e7\u00e3o parlamentar ainda mais conservadora que empurrar\u00e1 qualquer governo eleito para posi\u00e7\u00e3o ainda mais conservadoras para realizar os \u201cajustes necess\u00e1rios\u201d para enfrentar a crise que j\u00e1 se apresenta no horizonte.<\/p>\n<p>O que \u00e9 for\u00e7oso constatar \u00e9 que a pol\u00edtica do acumulo de for\u00e7as n\u00e3o acumulou for\u00e7as. Pelo contrario, desarmou a classe trabalhadora e abriu espa\u00e7o para o crescimento da direita. O que era uma estrat\u00e9gia para evitar a direita pode ter se tornado o caminho pelo qual p\u00f4de se garantir sua \u201cvolta\u201d. De fato, ela nunca teve seus interesses amea\u00e7ados \u2013 porque nos referimos a interesses de classe e n\u00e3o das legendas pol\u00edticas que representam seguimentos e fac\u00e7\u00f5es das classes dominantes. A classe dominante apoia as duas alternativas, fato que fica evidente na distribui\u00e7\u00e3o dos financiamentos de campanha.<\/p>\n<p>O t\u00e3o falado crescimento da direita, ou a \u201conda conservadora\u201d, n\u00e3o se d\u00e1 por acidente, mas \u00e9 o resultado previs\u00edvel dos governos de pacto social e da profunda despolitiza\u00e7\u00e3o que resulta de doze anos de governos petistas. Como disse <a href=\"http:\/\/blogdaboitempo.com.br\/category\/colunas\/ruy-braga\/\" target=\"_blank\">Ruy Braga<\/a> em artigo recente, que a burguesia e a classe m\u00e9dia sejam conservadoras \u00e9 perfeitamente compreens\u00edvel, mas o que precisa ser explicado \u00e9 porque o conservadorismo tomou a consci\u00eancia de setores da classe trabalhadora. A candidata do PT perdeu no ABC paulista, somando os votos de A\u00e9cio e Marina, perdeu em S\u00e3o Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Parte da classe trabalhadora, equivocadamente, aposta em candidaturas conservadoras que s\u00e3o contra seus interesses de classe. Veja, ao inv\u00e9s de infantilmente culpar a esquerda, os governistas deviam se perguntar por que isso ocorreu. Parte da classe quer o fim do ciclo do PT e n\u00e3o h\u00e1 discurso da esquerda que possa convencer este segmento que o governo atual \u00e9 que lhe representa, pelo simples fato que a sequ\u00eancia de medidas que descrevemos indicam claramente outra coisa.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que os meios de apassivamento e coopta\u00e7\u00e3o s\u00e3o insuficientes para continuar mantendo o governo do PT com a apar\u00eancia de esquerda enquanto opera uma pol\u00edtica de direita. Mant\u00eam-se o n\u00edvel de emprego, mas os precariza, garante acesso ao cr\u00e9dito para manter o consumo, mas gera endividamento das fam\u00edlias, garante acesso prec\u00e1rio \u00e0s universidades privadas ou atrav\u00e9s de uma expans\u00e3o que n\u00e3o garante a perman\u00eancia e a qualidade necess\u00e1ria no setor p\u00fablico, tira-se as pessoas da mis\u00e9ria absoluta para coloc\u00e1-las na mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o do ano passado foi didaticamente um alerta, mas as for\u00e7as pol\u00edticas, governistas ou de oposi\u00e7\u00e3o no campo da ordem, literalmente ignoraram as demandas que ali surgiram. Nenhuma demanda foi considerada, desde a quest\u00e3o do transporte urbano, os gastos do Estado priorizando as empreiteiras e bancos e n\u00e3o educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, a viol\u00eancia policial e os limites da democracia de representa\u00e7\u00e3o. Silencio total.<\/p>\n<p>A esquerda \u2013 aquela que resistiu a este caminho suicida, foi estigmatizada, atacada, criminalizada e exclu\u00edda do centro do jogo pol\u00edtico \u2013 no seu conjunto n\u00e3o chegou aos 2% dos votos, e mesmo o voto nulo e a absten\u00e7\u00e3o ficaram nos n\u00edveis hist\u00f3ricos das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o pode, portanto ser culpabilizada por uma eventual derrota do PT. A insatisfa\u00e7\u00e3o de 2013 se apresenta nas elei\u00e7\u00f5es como caldo de cultura da necessidade de uma mudan\u00e7a e \u00e9 atra\u00edda pelo canto da sereia da direita que numa eventual vit\u00f3ria governar\u00e1 com a mesma base de sustenta\u00e7\u00e3o do governo atual.<\/p>\n<p>Alguns afirmam que o que h\u00e1 de diverso agora \u00e9 que o PT ter\u00e1 que vencer o PSDB enfrentando-o pela esquerda. N\u00e3o \u00e9 o que parece, nem o que o cen\u00e1rio pol\u00edtico anuncia com a composi\u00e7\u00e3o do novo Congresso Nacional. Ao que parece, Dilma investe em se apresentar como ainda mais confi\u00e1vel ao grande capital e seus atuais aliados priorit\u00e1rios, ignorando solenemente as demandas populares para recompor seu governo \u00e0 esquerda. Respondam rapidamente: quantas vezes, nos \u00faltimos debates, a presidente tocou no tema da Reforma Agr\u00e1ria?<\/p>\n<p>Mais uma vez, compreendo e respeito aqueles que votar\u00e3o em Dilma para evitar o governo do PSDB. Apenas preocupa-me que pouco se analisa do que consiste o conte\u00fado desta suposta alternativa. Talvez algumas perguntas, na linha da nota do PCB, ajudem na reflex\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li>O eventual segundo mandato de Dilma reverter\u00e1 a prioridade do agroneg\u00f3cio e avan\u00e7ar\u00e1 na linha de uma reforma agr\u00e1ria popular tal como proposta pelo MST e uma pol\u00edtica agr\u00edcola que considere os interesses dos pequenos camponeses como preconiza o documento do MPA?<\/li>\n<li>Romper\u00e1 com a pol\u00edtica de super\u00e1vits prim\u00e1rios, de responsabilidade fiscal e de reforma do Estado que tem imposto a prioridade ao pagamento da d\u00edvida que consome cerca de 42% do or\u00e7amento?<\/li>\n<li>Demarcar\u00e1 as terras ind\u00edgenas se chocando com os interesses do agroneg\u00f3cio e dos madeireiros?<\/li>\n<li>Romper\u00e1 com a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 bancada evang\u00e9lica avan\u00e7ando nas quest\u00f5es relativas ao aborto, ao combate \u00e0 homofobia e a pol\u00edtica retrograda de combate \u00e0s drogas?<\/li>\n<li>Alterar\u00e1 o rumo da pol\u00edtica de seguran\u00e7a fincada no trip\u00e9: endurecimento penal, repress\u00e3o e encarceramento?<\/li>\n<li>Vai administrar a crise do capital revertendo a tend\u00eancia \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e ataque aos direitos dos trabalhadores?<\/li>\n<li>Vai mudar a l\u00f3gica de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais na linha da Portaria Normativa do Minist\u00e9rio da Defesa que iguala manifestante a membro de quadrilha e traficante, ou estender\u00e1 o fundamento desta pol\u00edtica de garantia da Lei e da Ordem na forma de uma Lei de Seguran\u00e7a Nacional que torna permanente a presen\u00e7a das For\u00e7as Armadas como instrumento de garantia da ordem?<\/li>\n<li>Vai alterar a linha geral do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o que institucionaliza a transfer\u00eancia do recurso p\u00fablico para educa\u00e7\u00e3o privada, se entrega \u00e0 concep\u00e7\u00e3o empresarial de ONGs e outras institui\u00e7\u00f5es empresariais e adia por vinte anos a meta dos 10% para educa\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Vai fazer uma reforma pol\u00edtica nos termos indicados pelo plebiscito que reuniu 7 milh\u00f5es de assinaturas, ou aplicar\u00e1 o acordo com o PMDB que produziu um texto conservador e ainda mais concentrador de poder nas atuais siglas do Congresso Nacional tornando mais eficiente o presidencialismo de coaliz\u00e3o?<\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00f3s que podemos interferir pouco no resultado eleitoral s\u00f3 podemos alertar que quem votar em Dilma n\u00e3o estar\u00e1 apenas evitando a vit\u00f3ria de uma op\u00e7\u00e3o mais conservadora \u2013 objetivo louv\u00e1vel \u2013 mas, tamb\u00e9m, referendando os atos que vierem a ser aplicados. O pr\u00f3ximo governo Dilma, se ganhar, n\u00e3o responder\u00e1 positivamente, na perspectiva da classe trabalhadora, a nenhuma destas nove quest\u00f5es. Por isso o PCB n\u00e3o pode empenhar seu apoio, mais uma vez, nem que seja cr\u00edtico, pois os governos petistas j\u00e1 responderam a estas quest\u00f5es com doze anos de governo.<\/p>\n<p>E se perder? Neste cen\u00e1rio, que n\u00e3o depende de n\u00f3s e nem pode ser atribu\u00eddo \u00e0 esquerda, que n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel, mas poss\u00edvel, o PT teria que voltar \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o. Neste caso temos a dizer que aqui a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito dif\u00edcil. A criminaliza\u00e7\u00e3o se intensifica, a pol\u00edcia militar e as UPPs matam pobre todo dia. O Estado Burgu\u00eas se armou, gra\u00e7as aos \u00faltimos governos, de todo um arcabou\u00e7o jur\u00eddico e repressivo para nos combater, os assentamentos da reforma agr\u00e1ria est\u00e3o abandonados, os servi\u00e7os p\u00fablicos foram direta ou indiretamente precarizados atrav\u00e9s de parcerias p\u00fablicos privadas, as Universidades est\u00e3o sendo mercantilizadas e sucateadas, o governo prefere negociar com sindicatos domesticados do que com as organiza\u00e7\u00f5es de classe, os meios de comunica\u00e7\u00e3o reinam incontestes e imp\u00f5em um real que nos torna invis\u00edveis, reina o preconceito, a viol\u00eancia, a homofobia e a transfobia, parte da classe trabalhadora vivencia uma inflex\u00e3o conservadora na sua consci\u00eancia de classe e ataca o marxismo e o pensamento de esquerda como seu inimigo, imperando a ofensiva irracional da p\u00f3s-modernidade que se revela cada vez mais fascista nos levando para a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Bom, mas isso voc\u00eas sabem, n\u00e3o \u00e9? Talvez s\u00f3 n\u00e3o saibam de onde veio este retrocesso. Bom, procurem nos seis turnos, naquilo que foi anunciado e no que foi posto em pr\u00e1tica\u2026 \u00e9 uma boa pista.<\/p>\n<p>**<\/p>\n<p><strong>Especial Elei\u00e7\u00f5es<\/strong>: Artigos, entrevistas, indica\u00e7\u00f5es de leitura e v\u00eddeos para aprofundar as quest\u00f5es levantadas em torno do debate eleitoral de 2014, no Blog da Boitempo. Colabora\u00e7\u00f5es de Slavoj \u017di\u017eek, Mauro Iasi, Emir Sader, Carlos Eduardo Martins, Renato Janine Ribeiro, Edson Teles, Urariano Mota e Edson Teles, entre outros. Confira <a href=\"http:\/\/blogdaboitempo.com.br\/especial-eleicoes-2014\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi <\/strong>\u00e9 professor adjunto da Escola de Servi\u00e7o Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comit\u00ea Central do PCB. \u00c9 autor do livro <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/48#.Ul8Kh1Csh8E\" target=\"_blank\"><em>O dilema de Hamlet: o ser e o n\u00e3o ser da consci\u00eancia<\/em><\/a> (Boitempo, 2002) e colabora com os livros <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/cidades-rebeldes\" target=\"_blank\"><em>Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas do Brasil<\/em><\/a> e <a href=\"http:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/v3\/titles\/view\/gy%C3%B6rgy-lukacs-e-a-emancipacao-humana\" target=\"_blank\"><em>Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs e a emancipa\u00e7\u00e3o humana<\/em><\/a> (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o <strong>Blog da Boitempo <\/strong>mensalmente, \u00e0s quartas.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2014\/10\/15\/o-sexto-turno\/\" target=\"_blank\">http:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2014\/10\/15\/o-sexto-turno\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6757\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[121],"tags":[],"class_list":["post-6757","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c134-eleicoes-2014"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1KZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6757\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}