{"id":679,"date":"2010-07-25T12:04:14","date_gmt":"2010-07-25T12:04:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=679"},"modified":"2010-07-25T12:04:14","modified_gmt":"2010-07-25T12:04:14","slug":"boicote-academico-contra-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/679","title":{"rendered":"Boicote Acad\u00eamico contra Israel?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong> Este artigo de opini\u00e3o tem uma hist\u00f3ria por tr\u00e1s. Quando o duro artigo de opini\u00e3o de Umberto Eco contra o boicote cultural a Israel apareceu no jornal italiano <a href=\"http:\/\/espresso.repubblica.it\/dettaglio\/boicottiamo-i-latinisti-israeliani\/2127031\" target=\"_new\"> <em>L&#8217;espresso<\/em><\/a> , a PACBI (The Palestinian Campaign for the Academic and Cultural Boycott of Israel, A Campanha Palestina para o Boicote Acad\u00eamico e Cultural a Israel) decidiu que seria necess\u00e1rio refut\u00e1-lo. Dois membros da PACBI contataram o jornal atrav\u00e9s de um colega italiano para pedir que fosse publicada uma refuta\u00e7\u00e3o no jornal. Depois de muita negocia\u00e7\u00e3o e muitos emails trocados com um dos editores, a refuta\u00e7\u00e3o foi reduzida a um m\u00ednimo, e o jornal concordou em public\u00e1-la em 2 de julho de 2010 na sua <a href=\"http:\/\/espresso.repubblica.it\/dettaglio\/per-posta-per-email\/2130083\" target=\"_new\"> sec\u00e7\u00e3o de cartas<\/a> . Todavia, ficou aparente que a vers\u00e3o publicada fora ainda mais reduzida, e que as identidades dos autores n\u00e3o haviam sido inclu\u00eddas. Isto \u00e9 na realidade um triste coment\u00e1rio sobre o estado da liberdade de imprensa na It\u00e1lia, onde se permite que figuras influentes defendam livremente Israel e seus atos criminosos enquanto \u00e0queles que se op\u00f5em n\u00e3o \u00e9 concedido espa\u00e7o para expressar sua oposi\u00e7\u00e3o a essas opini\u00f5es. <\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Em 14 de maio de 2010, nas p\u00e1ginas do L&#8217;espresso <strong>[1]<\/strong> , Umberto Eco atacou os crescentes esfor\u00e7os na It\u00e1lia em apoio \u00e0 Palestinian Campaign for the Academic and Cultural Boycott of Israel (PACBI), argumentando que &#8220;qualquer posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, qualquer pol\u00eamica contra um governo, n\u00e3o deveria envolver todo um povo e uma cultura inteira\u201d. N\u00f3s concordamos, Mas qu\u00e3o relevante \u00e9 isto para o debate sobre os m\u00e9ritos de um boicote acad\u00eamico contra Israel? Nossa campanha tem consistentemente mirado Israel e suas institui\u00e7\u00f5es c\u00famplices, e n\u00e3o indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Uma das mais importante li\u00e7\u00f5es aprendidas a partir da luta global contra o apartheid na \u00c1frica do Sul \u00e9 que recusar tratar nos termos habituais com institui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o c\u00famplices em viola\u00e7\u00f5es graves e persistentes dos direitos humanos n\u00e3o \u00e9 somente justificado; \u00e9 um dever \u00e9tico para intelectuais conscientes em todo o mundo. Ao se tornarem coniventes com pol\u00edticas contr\u00e1rias \u00e0 lei internacional e que infringem direitos fundamentais, as institui\u00e7\u00f5es tornam-se respons\u00e1veis e portanto imput\u00e1veis. Todas as institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas de Israel, sem exce\u00e7\u00e3o, est\u00e3o nesta categoria, tornando imperativo o apelo ao seu boicote a fim de para apoiar os direitos palestinos e por fim \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de Israel e ao sistema de discrimina\u00e7\u00e3o racial que se enquadra na defini\u00e7\u00e3o de apartheid da Conven\u00e7\u00e3o para a Supress\u00e3o e Puni\u00e7\u00e3o do Crime de Apartheid da ONU.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que Israel est\u00e1 desconsiderando a lei internacional com completa impunidade, atacando embarca\u00e7\u00f5es civis que transportam ajuda humanit\u00e1ria para 1,5 milh\u00f5es de palestinos que sofrem sob anos de um s\u00edtio ilegal israelense, matando e ferindo grande n\u00famero de trabalhadores volunt\u00e1rios desarmados e outros ativistas, o sil\u00eancio acad\u00eamico israelense \u00e9 mais ruidoso que nunca. Mas isso era previs\u00edvel. Nunca na sua hist\u00f3ria as institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, associa\u00e7\u00f5es profissionais ou organiza\u00e7\u00f5es de acad\u00eamicos de Israel condenaram a ocupa\u00e7\u00e3o. Nunca vocalizaram qualquer oposi\u00e7\u00e3o aos repetidos encerramentos militares de universidades palestinas, muitas vezes por quatro anos consecutivos, para n\u00e3o falar da nega\u00e7\u00e3o de direitos sancionados pela ONU aos refugiados palestinos. Quando estudantes palestinos foram detidos durante a primeira intifada (1987-92) por portar livros t\u00e9cnicos ou professores presos por dar aulas &#8220;clandestinas&#8221;, a academia israelense permaneceu vergonhosamente silenciosa, e os acad\u00eamicos israelenses na maior parte continuaram a propagar a imagem enganosa de Israel como uma &#8220;democracia&#8221; esclarecida.<\/p>\n<p>Israel, de fato, imp\u00f4s um cerco estrito a institui\u00e7\u00f5es palestinas de educa\u00e7\u00e3o superior durante as \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. Que estas institui\u00e7\u00f5es tenham sobrevivido e estejam florescendo \u00e9 um testemunho de sua determina\u00e7\u00e3o e perseveran\u00e7a em resistir a seu modo a um opressivo regime militar determinado a silenciar a voz da academia palestina. Em Gaza, Israel imp\u00f5e um boicote acad\u00eamico geral, entre outras formas de cerco, ao evitar a quase todos os estudantes entrarem ou sairem da Faixa. A \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o do cerco a universidades palestinas \u2013 boicote, na verdade \u2013 foi o ato arrogante e desdenhoso de Israel ao negar entrada ao renomado intelectual Noam Chomsky para falar na Birzeit University.<\/p>\n<p>Compreendendo a arraigada coniv\u00eancia da academia israelense com as estruturas de opress\u00e3o naquele pa\u00eds, o eminente historiador israelense Ilan Pappe declarou j\u00e1 em 2005 que &#8220;o boicote atingiu a academia porque a academia em Israel optou por ser oficial&#8221; <strong>[2]<\/strong> Citando a pesquisa de outro acad\u00eamico israelense que mostrou que &#8220;de 9000 membros da academia em Israel, somente 30 a 40 est\u00e3o ativamente engajados na leitura de cr\u00edticas significativas, e um n\u00famero menor, apenas tr\u00eas ou quatro, est\u00e3o ensinando aos seus alunos de maneira cr\u00edtica sobre o sionismo e assim por diante&#8221;. Pappe conclui que &#8220;a academia escolheu ser a propaganda oficial de Israel. &#8230; A academia \u00e9 o mais importante embaixador de Israel na alega\u00e7\u00e3o de que somos a \u00fanica democracia no Oriente M\u00e9dio&#8221;.<\/p>\n<p>Durante a guerra de agress\u00e3o de Israel a Gaza em 2008-2009, quando mais de 1400 pessoas, predominantemente civis, foram mortos, milhares de lares foram destru\u00eddos junto com dezenas de escolas e abrigos da ONU, hospitais e cl\u00ednicas foram alvejados e a maior universidade palestina foi bombardeada por F-16&#8217;s, a academia israelense n\u00e3o foi somente um &#8220;observador neutro&#8221;. V\u00e1rias universidades contribu\u00edram ativamente para os crimes de guerra cometidos contra palestinos.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Universidade de Tel Aviv colaborou diretamente no desenvolvimento de armas e doutrinas militares que foram usadas na agress\u00e3o maci\u00e7a de Israel a Gaza, uma guerra que foi condenada pelo Relat\u00f3rio Goldstone e pela Assembl\u00e9ia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas como constituindo crimes de guerra e possivelmente crimes contra a humanidade. <strong>[3]<\/strong><\/p>\n<p>Outras universidades em Israel n\u00e3o fizeram melhor. Um estudo <strong>[4]<\/strong> encomendado pelo Israeli Alternative Information Center (AIC \u2013 Centro de Informa\u00e7\u00e3o Alternativa Israelense) documenta in\u00fameras facetas da cumplicidade acad\u00eamica em Israel. O Ariel College foi constru\u00eddo em territ\u00f3rio ocupado palestino, tornando-o uma col\u00f4nia &#8220;acad\u00eamica&#8221; ilegal. Da mesma forma um dos dois campi da Universidade Hebraica, constru\u00eddo na Jerusal\u00e9m Leste ocupada, em viola\u00e7\u00e3o direta \u00e0 Quarta Conven\u00e7\u00e3o de Genebra. O Technion desempenha um papel chave no desenvolvimento de sistemas de armamento usados contra civis palestinos. De fato, a cumplicidade institucional com as institui\u00e7\u00f5es militares e de seguran\u00e7a israelenses s\u00e3o a norma em toda a academia, que se orgulha abertamente desta parceria.<\/p>\n<p>Mesmo a defesa das mais b\u00e1sicas exig\u00eancias de liberdade acad\u00eamica para palestinos sofre a oposi\u00e7\u00e3o da esmagadora maioria dos acad\u00eamicos israelenses. Ao expressar &#8220;grande preocupa\u00e7\u00e3o com respeito \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o em curso do sistema de educa\u00e7\u00e3o superior na Cisjord\u00e2nia e na Faixa de Gaza&#8221;, quatro acad\u00eamicos judeus-israelenses em 2008 redigiram uma peti\u00e7\u00e3o <strong>[5]<\/strong> pedindo ao seu governo que &#8220;permitisse a estudantes e professores livre acesso a todos os campi nos territ\u00f3rios&#8230;&#8221;. Tendo sido a peti\u00e7\u00e3o enviada para todos os 9.000 principais acad\u00eamicos israelenses, somente 407 a assinaram \u2013 pouco mais de 4%.<\/p>\n<p>Apesar da cumplicidade generalizada, a PACBI tem sistematicamente feito distin\u00e7\u00e3o clara entre visar institui\u00e7\u00f5es e visar acad\u00eamicos individualmente; rejeitamos a segunda op\u00e7\u00e3o, focando todas as nossas energias num boicote institucional. Isso decorre da nossa oposi\u00e7\u00e3o, de princ\u00edpio, a testes pol\u00edticos ou &#8220;listas negras&#8221;.<\/p>\n<p>Inspirados pela luta da \u00c1frica do Sul pela liberdade, a PACBI e o crescente n\u00famero de campanhas de boicote acad\u00eamico ao redor do mundo acreditam que a academia israelense n\u00e3o deveria ser automaticamente isentada do boicote, especialmente quando seu papel em disfar\u00e7ar e perpetuar crimes de Guerra est\u00e1 fora de d\u00favida.<\/p>\n<p>10\/julho\/2010<\/p>\n<p><a name=\"notas\"><\/a> [1] <a href=\"http:\/\/espresso.repubblica.it\/dettaglio\/boicottiamo-i-latinisti-israeliani\/2127031\" target=\"_new\"> espresso.repubblica.it\/dettaglio\/boicottiamo-i-latinisti-israeliani\/2127031<\/a><\/p>\n<p>[2] Meron Rapoport, &#8220;Alone on the Barricades&#8221; (entrevista com Ilan Pappe), <em> Haaretz. <\/em> 6 May 2005<\/p>\n<p>[3] <a href=\"http:\/\/www.electronicintifada.net\/downloads\/pdf\/090708-soas-palestine-society.pdf%22\" target=\"_new\"> <\/a> www.electronicintifada.net\/downloads\/pdf\/090708-soas-palestine-society.pdf<\/p>\n<p>[4] <a href=\"http:\/\/alternativenews.org\/images\/stories\/downloads\/Economy_of_the_occupation_23-24.pdf\" target=\"_new\">alternativenews.org\/images\/stories\/downloads\/Economy_of_the_occupation_23-24.pdf<\/a><\/p>\n<p>[5] <a href=\"http:\/\/www.pacbi.org\/etemplate.php?id=792&amp;key=407\" target=\"_new\"> www.pacbi.org\/etemplate.php?id=792&amp;key=407<\/a><\/p>\n<p><strong> O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.odsg.org\/co\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1988:academic-boycott-against-israel-umberto-eco-misses-the-point&amp;catid=28:boycott&amp;Itemid=64\" target=\"_new\"> www.odsg.org\/&#8230;<\/a> . Tradu\u00e7\u00e3o de RMP. <\/strong><\/p>\n<p><strong> Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/palestina\/boicote_eco_p.html\" target=\"_blank\"> http:\/\/resistir.info\/palestina\/boicote_eco_p.html<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nUmberto Eco n\u00e3o entendeu nada\npor PACBI\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/679\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-aX","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}