{"id":6838,"date":"2014-10-22T15:46:29","date_gmt":"2014-10-22T15:46:29","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6838"},"modified":"2014-11-05T06:49:37","modified_gmt":"2014-11-05T06:49:37","slug":"pc-do-mexico-a-repressao-desaparecimento-e-assassinato-de-nossos-companheiros-estudantes-de-ayotzinapa-e-de-nossos-camaradas-nao-ficarao-impunes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6838","title":{"rendered":"PC do M\u00e9xico: A repress\u00e3o, desaparecimento e assassinato de nossos companheiros estudantes de Ayotzinapa e de nossos camaradas n\u00e3o ficar\u00e3o impunes"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Declara\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Comit\u00ea Central do PCM sobre a repress\u00e3o e os assassinatos contra o povo trabalhador.<\/em><\/p>\n<p>A repress\u00e3o e o assassinato do povo trabalhador, do qual constituem os companheiros da Normal Rural de Ayotzinapa, revela que os elementos centrais da crise econ\u00f4mica, agora aprofundada com a pol\u00edtica do regime da burguesia monopolista, n\u00e3o desapareceram. Ao contr\u00e1rio das declara\u00e7\u00f5es otimistas e at\u00e9 vitoriosas do governo dos monop\u00f3lios, os efeitos mais agudos da crise econ\u00f4mica n\u00e3o foram superados. Os economistas da burguesia se esfor\u00e7am para demonstrar com algoritmos e f\u00f3rmulas matem\u00e1ticas uma realidade que apenas est\u00e1 neles, em suas f\u00f3rmulas e seus algoritmos. Por\u00e9m, para os assalariados e os explorados, a realidade \u00e9 outra: os pre\u00e7os dos artigos de consumo b\u00e1sico continuam aumentando incessantemente, o n\u00edvel de consumo dos trabalhadores segue deprimido, o futuro \u00e9 de mais pauperiza\u00e7\u00e3o, mais pobreza, desigualdade e marginaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As reformas estruturais impostas aos trabalhadores servem para aumentar os ritmos de explora\u00e7\u00e3o, para manter os sal\u00e1rios em nos n\u00edveis de 20 anos, que lan\u00e7am milhares de mexicanos \u00e0 mis\u00e9ria, ao subemprego, \u00e0 migra\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, ainda que menor medida, \u00e0s m\u00e3os do crime organizado, face dolorosa e repugnante da irracionalidade do sistema de domina\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Estas reformas t\u00eam como objetivo rentabilizar o capital, sustentar a taxa de lucro com base no aumento dos ritmos da desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado, outorgando facilidades a um n\u00famero muito seleto de monop\u00f3lios mexicanos, s\u00f3cios das transnacionais norte-americanas e europeias, que consolidaram seu poder mediante a aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, onde as jornadas de trabalho, os sal\u00e1rios e as condi\u00e7\u00f5es gerais em que se desenvolveram seus assalariados s\u00e3o semelhantes as que existiam nos prim\u00f3rdios do capitalismo e\/ ou nas fazendas porfiristas.<\/p>\n<p>A burguesia monopolista, ancorada no devir dos centros imperialistas, sobretudo em uma pot\u00eancia em decad\u00eancia, como os EUA, por sua rela\u00e7\u00e3o de s\u00f3cio menor, respondeu historicamente a estas situa\u00e7\u00f5es aumentando seu controle ideol\u00f3gico sobre os assalariados e a maioria dos mexicanos. Tamb\u00e9m aumentando a aliena\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, assim como pondo em pr\u00e1tica m\u00e9todos de repress\u00e3o e o cerceamento das liberdades pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Para isso serviu o Pacto, que se traduz em um elemento-chave para fincar a hegemonia, com o apoio de uma classe pol\u00edtica que se mostrou servil a seus interesses e que, inclusive, gozou das benesses da democracia burguesa. Triste papel desempenhado pela esquerda neo-lombardista (PRD, PT, MC, MORENA), parte integrante desta classe pol\u00edtica em decad\u00eancia, ligada ao crime e c\u00famplice e ator da repress\u00e3o contra o povo trabalhador.<\/p>\n<p>No entanto, como a estrat\u00e9gia midi\u00e1tica das maravilhas das reformas n\u00e3o funcionou, pois a acumula\u00e7\u00e3o de capital \u00e9 insuficiente e o crescimento econ\u00f4mico foi praticamente nulo, j\u00e1 que os grandes centros imperiais iniciam processos de defla\u00e7\u00e3o e t\u00eam sintomas de paralisa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, as taxas de crescimento impediram a cria\u00e7\u00e3o do mercado nacional, aprofundando o desemprego, o que gera luta, organiza\u00e7\u00e3o social, manifesta\u00e7\u00f5es e resist\u00eancia \u00e0s vezes. A maioria ainda isolada, sem coer\u00eancia, por\u00e9m expressando-se com for\u00e7a. A burguesia monopolista e seu governo se preparam para entrar em uma nova fase: a da repress\u00e3o, j\u00e1 que os mecanismos de controle mediante a hegemonia deixaram de ser funcionais. Transitamos de um processo de hegemonia, fincada no \u201cPacto pelo M\u00e9xico\u201d, a um de repress\u00e3o, em uma escalada da sele\u00e7\u00e3o a massiva.<\/p>\n<p>Assim, a repress\u00e3o e o assassinato dos companheiros de Ayotzinapa, como tamb\u00e9m o de nossos camaradas no ano passado, se inscrevem em um contexto de intensifica\u00e7\u00e3o da luta de classes no M\u00e9xico. A burguesia e seu governo buscam ativamente recompor o processo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista, sobre a base de aumentar os ritmos de produ\u00e7\u00e3o, castrando direitos, seguran\u00e7a trabalhista e gerando uma precariedade salarial profunda e prejudicial a milhares de assalariados e trabalhadores, assim como iniciando uma repress\u00e3o seletiva, primeiro, e agora massiva, contra dirigentes, lutadores e setores sociais em resist\u00eancia.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia do estado capitalista contra a classe trabalhadora n\u00e3o \u00e9 algo novo. Ao longo da exist\u00eancia deste sistema de explora\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria, n\u00f3s trabalhadores, assalariados do campo e da cidade, temos sofrido morte e destrui\u00e7\u00e3o. O capitalismo mexicano, em sua fase de integra\u00e7\u00e3o imperialista, pretende intimidar a popula\u00e7\u00e3o para desmobiliz\u00e1-la e criminalizar o protesto popular, assassinando seus dirigentes e setores mais combativos. Os novos gerentes da oligarquia financeira no poder anunciam uma etapa de repress\u00e3o para deter a luta social e reduzi-la a espa\u00e7o eleitoral, da \u201cmodernidade\u201d e da mobiliza\u00e7\u00e3o a partir das c\u00fapulas dos partidos pol\u00edticos. Assim, a mobiliza\u00e7\u00e3o e o protesto s\u00e3o pervertidos, limitados e manipulados.<\/p>\n<p>Neste sentido, n\u00e3o \u00e9 novidade que o clima de repress\u00e3o contra os lutadores sociais se d\u00ea em uma entidade que h\u00e1 anos governa a chamada \u201cesquerda institucional\u201d, j\u00e1 que pertence ao sistema de domina\u00e7\u00e3o capitalista que explora e assassina, no contexto da luta de classes, seus opositores e o povo trabalhador.<\/p>\n<p>O clima de repress\u00e3o cresce quando as condi\u00e7\u00f5es de acumula\u00e7\u00e3o do capital atrav\u00e9s da possess\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o irracional de terras, minas e recursos naturais como os bosques e a \u00e1gua requerem maior dom\u00ednio caciquista. Acostumados sempre, sob o abrigo, a prote\u00e7\u00e3o e o apoio de governantes venais, corruptos e associados com estes interesses capitalistas, e agora armados e protegidos pelos grupos do narcotr\u00e1fico, os caciquistas tentam expandir seus dom\u00ednios sobre estes bens e os governos perredistas com seu sil\u00eancio, impunidade e colus\u00e3o contribuem para que estes poderes se mantenham e cres\u00e7am a custa do sofrimento do povo. A repress\u00e3o contra os companheiros normalistas revela a estreita rela\u00e7\u00e3o entra a burguesia, o poder pol\u00edtico e o crime organizado, j\u00e1 que os centros de poder dos monop\u00f3lios denunciaram que os protestos dos normalistas afetam suas \u201catividades comerciais\u201d, ou seja, a lavagem de dinheiro.<\/p>\n<p>Guerrero, como muitos estados do pa\u00eds, n\u00e3o se livrou do caciquismo, da prepot\u00eancia, da impunidade, do saqueio dos recursos naturais, hoje e sempre, em m\u00e3os das comunidades. Os caciques sempre atentaram contra os direitos do povo trabalhador. Ao longo da hist\u00f3ria deste estado, se produziram massacres e assassinatos impunes contra aqueles que se op\u00f5em a seu poder.<\/p>\n<p>De pouco ou nada serviu a chamada \u201ctransi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d nesses estados, inclusive o de Guerrero. Estamos ante um processo acelerado decomposi\u00e7\u00e3o da chamada \u201cclasse pol\u00edtica\u201d mexicana, que n\u00e3o distingue cores, nem nomenclaturas. Os interesses capitalistas, os neg\u00f3cios sobre os recursos naturais, a explora\u00e7\u00e3o irracional dos mesmos se mant\u00e9m igual ou pior. N\u00e3o podemos ter ilus\u00f5es, o poder capitalista, baseado nos eixos descritos, se mant\u00e9m, apesar de agora governarem com uma m\u00e1scara \u201cdemocr\u00e1tica\u201d e \u201cmoderna\u201d. Esta \u00e9 a modernidade que busca a \u201cesquerda institucional\u201d, a moderna a explora\u00e7\u00e3o de homens e recursos naturais. A modernidade da reprodu\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o, desaparecimento e assassinatos para amedrontar, para desorganizar, para desmobilizar. Nada mudou, apesar que existir uma mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Denunciamos a repress\u00e3o, o desaparecimento for\u00e7ado e os assassinatos contra o povo trabalhador e suas organiza\u00e7\u00f5es sociais, contra os estudantes, oper\u00e1rios, camponeses e colonos. Exigimos do governo do estado uma investiga\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, clara, transparente, por\u00e9m n\u00e3o confiamos nele, assim como n\u00e3o confiamos na legalidade burguesa que engana, oculta e protege os assassinos do povo trabalhador.<\/p>\n<p>Chamamos a aumentar e fortalecer a resist\u00eancia, as mobiliza\u00e7\u00f5es, o apoio solid\u00e1rio de companheiros e organiza\u00e7\u00f5es irm\u00e3s. Chamamos a resist\u00eancia em cada col\u00f4nia, povo e comunidade, em cada centro de trabalho, em cada f\u00e1brica. N\u00e3o nos amedrontar\u00e3o, n\u00e3o nos desmobilizar\u00e3o, pelo contr\u00e1rio aumentaremos nossas a\u00e7\u00f5es para impulsionar a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e assalariados do campo e da cidade, \u00e0 margem dos partidos do sistema de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o, desaparecimento e assassinato de nossos companheiros estudantes de Ayotzinapa e de nossos camaradas n\u00e3o ficar\u00e3o impunes. Continuaremos a organiza\u00e7\u00e3o independente, para construir o partido revolucion\u00e1rio da classe oper\u00e1ria, retomaremos as bandeiras que nossos companheiros e camaradas levantaram e as que foram sacrificadas pela repress\u00e3o de um sistema capitalista irracional e assassino.<\/p>\n<p><em><strong>Prolet\u00e1rios de todos os pa\u00edses, uni-vos!<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>Comit\u00ea Central do Partido Comunista do M\u00e9xico<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.solidnet.org\/mexico-communist-party-of-mexico\/cp-of-mexico-la-represion-desaparicion-y-asesinato-de-nuestros-companeros-estudiantes-de-ayotzinapa-y-de-nuestros-camaradas-no-quedara-impune-es<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nTer\u00e7a-feira, 21 de outubro de 2014 09:37 Partido Comunista do M\u00e9xico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6838\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-6838","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Mi","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6838"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6838\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}