{"id":6849,"date":"2014-12-01T18:38:35","date_gmt":"2014-12-01T18:38:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6849"},"modified":"2015-04-24T17:06:50","modified_gmt":"2015-04-24T17:06:50","slug":"um-dialogo-entre-revolucionarios-sobre-a-politica-externa-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6849","title":{"rendered":"Um di\u00e1logo entre revolucion\u00e1rios sobre a pol\u00edtica externa brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma decis\u00e3o corajosa como esta, que condicionou a t\u00e1tica \u00e0 estrat\u00e9gia socialista da revolu\u00e7\u00e3o brasileira, reiterada pelo recente XV Congresso Nacional do Partido, provocou esta saud\u00e1vel pol\u00eamica, exatamente porque questiona o ritual que se repete nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, \u00e0s v\u00e9speras das quais o PT tem uma reca\u00edda de discurso \u00e0 esquerda, levantando o fantasma do golpe de direita, como se o capital quisesse derrubar o governo que lhe deu lucros \u201c<em>como nunca antes na hist\u00f3ria deste pa\u00eds<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O debate em geral tem sido num n\u00edvel elevado, apesar de algumas posturas passionais, ao sabor das pesquisas eleitorais, em fun\u00e7\u00e3o do risco de o PT perder as elei\u00e7\u00f5es para si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O voto nulo n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de princ\u00edpio para os comunistas, mas uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que exigimos seja respeitada. Se fossemos bolivianos, n\u00e3o ter\u00edamos d\u00favidas de recomendar com entusiasmo o voto em Evo Morales que, \u00e9 bom lembrar, nunca correu risco de perder as recentes elei\u00e7\u00f5es, porque efetivamente promoveu mudan\u00e7as no sentido dos interesses populares. Convocou uma Constituinte soberana logo no in\u00edcio de seu primeiro mandato, estatizou os setores estrat\u00e9gicos da economia, inclusive a multinacional Petrobr\u00e1s, e desenvolveu uma pol\u00edtica anti-imperialista.<\/p>\n<p>Hugo Ch\u00e1vez e Evo Morales, que adotaram medidas contr\u00e1rias aos interesses do imperialismo e das oligarquias locais, estes sim, enfrentaram e venceram v\u00e1rias tentativas de golpes de estado, com o decisivo apoio das massas, politizadas e radicalizadas pela disputa ideol\u00f3gica desses processos de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Reparem que o CC do PCB teve o cuidado de registrar que \u201c<em>respeitamos aqueles companheiros de esquerda que consideram que as diferen\u00e7as entre o PSDB e o PT ainda s\u00e3o relevantes e que votar\u00e3o em Dilma como um mal menor<\/em>\u201d e que \u201c<em>contamos com esses companheiros nas acirradas lutas que se aproximam<\/em>\u201d. Fica claro, portanto, que nosso di\u00e1logo \u00e9 com aqueles que querem superar o capitalismo e n\u00e3o com os que querem humaniz\u00e1-lo, como se isso fosse poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Pretendo aqui privilegiar o tema mais citado como motivo do \u201cvoto \u00fatil\u201d em Dilma: o mito da pol\u00edtica externa \u201cprogressista\u201d ou \u201canti-imperialista\u201d dos governos petistas, o que positivamente delimita nosso debate ao campo pol\u00edtico internacionalista.<\/p>\n<p>Quero come\u00e7ar lembrando que nenhum partido ou governo tem uma pol\u00edtica externa contr\u00e1ria \u00e0 sua pol\u00edtica interna ou incompat\u00edvel com sua base de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E a pol\u00edtica interna e externa dos governos petistas \u00e9 a prioridade absoluta no desenvolvimento do capitalismo brasileiro, em \u00e2mbito nacional, regional e internacional, com vistas \u00e0 sua ascens\u00e3o na pir\u00e2mide imperialista.<\/p>\n<p>No nosso pa\u00eds, em que nunca houve uma ruptura da ordem, a pol\u00edtica externa predominante n\u00e3o \u00e9 de governos, mas do estado burgu\u00eas, consagrada pela s\u00f3lida e eficiente tradi\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica do Itamaraty, cujo crit\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gico, mas o de fazer as contas para calcular como o capitalismo brasileiro pode ganhar mais e perder menos em cada caso concreto.<\/p>\n<p>O exemplo mais dram\u00e1tico foi a demora na escolha de um lado na Segunda Guerra Mundial, para n\u00e3o ficar do lado que viesse a perder. N\u00e3o fosse a campanha dos comunistas e outros progressistas, o governo brasileiro n\u00e3o teria entrado na guerra ao lado dos aliados, j\u00e1 nos estertores do nazifascismo.<\/p>\n<p>At\u00e9 durante os vinte anos da \u00faltima ditadura burguesa sob a forma militar, a partir de 1964, os interesses do capitalismo brasileiro levaram o governo a se posicionar com alguma independ\u00eancia na arena internacional, uma pol\u00edtica que seus dirigentes chamavam corretamente de \u201cpragmatismo respons\u00e1vel\u201d, uma boa defini\u00e7\u00e3o para a diplomacia que sempre prevaleceu em nossa pol\u00edtica externa: um algod\u00e3o entre cristais. Foi o caso, por exemplo, do reconhecimento dos governos nascidos das guerras de liberta\u00e7\u00e3o na \u00c1frica, de olho nas possibilidades econ\u00f4micas deste continente.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que o condutor e referente da pol\u00edtica externa brasileira nos \u00faltimos doze anos \u00e9 Lula, que fez quest\u00e3o, na sua primeira posse, de dizer que n\u00e3o era socialista e que seu sonho era destravar o capitalismo brasileiro, usando a met\u00e1fora do \u201cespet\u00e1culo do crescimento\u201d. \u00c9 o mesmo que assinou a Carta aos Brasileiros e foi \u00e0 Casa Branca garantir a manuten\u00e7\u00e3o do status quo, garantir os contratos e a autonomia do Banco Central, sob a dire\u00e7\u00e3o de Henrique Meirelles, \u00e0 \u00e9poca presidente do Bank of Boston. \u00c9 o mesmo que aceitou um pedido de baby Bush, pelo telefone, para que o Brasil assumisse o comando das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o do Haiti, ap\u00f3s o imperialismo sequestrar e levar para lugar incerto o presidente eleito do pa\u00eds. Uma ocupa\u00e7\u00e3o que dura mais de dez anos e que envergonha os internacionalistas brasileiros!<\/p>\n<p>N\u00e3o nos esque\u00e7amos do acordo militar assinado pelo governo Lula com os Estados Unidos, em 12 de abril de 2010, denunciado pelo PCB[1], destinado a \u201c<em>aprofundar a coopera\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como contatos t\u00e9cnicos, treinamento, investiga\u00e7\u00e3o e iniciativas comerciais relacionadas com seguran\u00e7a<\/em>\u201d. O acordo foi assinado em Washington pelo Ministro de Defesa de Lula, Nelson Jobim, e o Secret\u00e1rio de Defesa norte-americano, Robert Gates que, na ocasi\u00e3o, declarou solenemente: &#8220;<em>Este acordo \u00e9 o reconhecimento formal dos muitos interesses e valores que compartilhamos, sendo as duas maiores democracias das Am\u00e9ricas<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/ci4.googleusercontent.com\/proxy\/74GVbTwI-Di0sY1pUFY299SmFcWrn8p06OBoKudn6e5cOr50fzKkd8b1uaPcqpiRcDDU9WbMRF7jwHTqqWfLt1CnEc5V9qCzc7RKyi63d7glHA=s0-d-e1-ft#http:\/\/www.pcb.org.br\/portal\/images\/stories\/acordoeua-br.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Lula, mesmo que \u00e0 sua revelia, se tornou uma lideran\u00e7a sindical, nacional e internacional, em raz\u00e3o de uma estrat\u00e9gia da emin\u00eancia parda da ditadura, Golbery do Couto e Silva, que conduziu a \u201cabertura lenta, segura e gradual\u201d com a preocupa\u00e7\u00e3o principal de evitar que os comunistas emergissem com for\u00e7a do processo de \u201ctransi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d. De uma hora para outra, Lula foi capa de revistas nacionais e internacionais, saudado como a \u201cesquerda moderna\u201d, que defende a harmonia entre capital e trabalho.<\/p>\n<p>A promo\u00e7\u00e3o da nova lideran\u00e7a foi facilitada pela circunst\u00e2ncia de Lula estar no local certo na hora certa, as greves metal\u00fargicas do ABC, e por sua forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no sindicalismo norte-americano, com forte liga\u00e7\u00e3o com a anticomunista CIOLS (Confedera\u00e7\u00e3o Internacional dos Sindicatos Livres) \u00e0 qual, por sua influ\u00eancia, a CUT se filiou nos anos 1990, aprofundando sua degenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 surpreendente ver camaradas de luta se rendendo \u00e0 chantagem petista e perdendo o sono porque a derrota de Dilma pode significar a derrota de Cuba, da Venezuela, da insurg\u00eancia e do movimento de massas colombianos, o fim do Mercosul e a op\u00e7\u00e3o pela Alian\u00e7a Andina, a volta da ALCA, o fim da Celac e da Unasul, a sa\u00edda do Brasil dos Brics.<\/p>\n<p>H\u00e1 at\u00e9 os que, como o respeitado marxista argentino At\u00edlio Bor\u00f3n, que considero amigo e camarada, nos aterrorizam com o espectro do nazismo, comparando o que consideram errado na posi\u00e7\u00e3o do PCB com o fuzilamento do Secret\u00e1rio Geral do Partido Comunista Alem\u00e3o pelas SS de Hitler! E que pin\u00e7a uma frase do Manifesto Comunista, de Marx e Engels (\u201c<em>os comunistas n\u00e3o formam um partido \u00e0 parte, oposto a outros partidos oper\u00e1rios<\/em>\u201d), para justificar uma alian\u00e7a com o PT, como se este fosse ainda um \u201cpartido oper\u00e1rio\u201d. E ainda menciona Lenin, para defender alian\u00e7as com os reformistas, quando em verdade sua principal contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente a luta sem tr\u00e9guas contra o oportunismo.<\/p>\n<p>Por coincid\u00eancia, reli recentemente o texto <em>\u201cO oportunismo e a fal\u00eancia da II Internacional\u201d<\/em>, que Lenin escreveu em 1916, e do qual retiro uma breve cita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201c<em>Um pequeno c\u00edrculo da burocracia oper\u00e1ria, da aristocracia oper\u00e1ria e de companheiros de jornada pequeno-burgueses podem receber algumas migalhas dos lucros da grande burguesia. A causa profunda do social-chauvinismo e do oportunismo \u00e9 a mesma: a alian\u00e7a de uma pequena camada de oper\u00e1rios privilegiados com a \u201csua\u201d burguesia nacional contra as massas da classe oper\u00e1ria, a alian\u00e7a dos lacaios da burguesia com esta \u00faltima contra a classe por ela explorada. O conte\u00fado pol\u00edtico \u00e9 sempre o mesmo: a colabora\u00e7\u00e3o de classes, a ren\u00fancia \u00e0 ditadura do proletariado, o reconhecimento sem reservas da legalidade burguesa, a falta de confian\u00e7a no proletariado, a confian\u00e7a na burguesia\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Subestimando a capacidade de luta dos trabalhadores e valorizando apenas a institucionalidade, anunciam que uma vit\u00f3ria de A\u00e9cio far\u00e1 desaparecer alternativas \u00e0 esquerda por um longo per\u00edodo, comparado \u00e0 ditadura burguesa-militar de 1964! Seria oportuno refletirmos sobre as diferen\u00e7as, no Chile, entre os governos progressistas de Bachelet e o direitista de Pi\u00f1era, n\u00e3o deixando de levar em conta a combatividade do movimento de massas em cada per\u00edodo. Ou mesmo as diferen\u00e7as entre os governos Bush e Obama, Sarkosy e Hollande, que os revolucion\u00e1rios franceses chamam de Sarkollande. Quem implantou o neoliberalismo na Espanha foi o Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um modelo mundial implantado nos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado, inspirado na f\u00f3rmula estadunidense: uma bipolaridade eleitoral no campo da ordem, com possibilidade de altern\u00e2ncia nos marcos da administra\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Outros alegam que, n\u00e3o havendo (o que \u00e9 verdade) condi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias subjetivas, s\u00f3 nos resta votar no \u201cmal menor\u201d. Revolu\u00e7\u00e3o ou elei\u00e7\u00e3o, eis a quest\u00e3o!<\/p>\n<p>Nesta conversa sobre a fantasia da pol\u00edtica externa \u201cprogressista\u201d ou \u201canti-imperialista\u201d, come\u00e7o pela Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A coincid\u00eancia do advento de processos de mudan\u00e7as na Am\u00e9rica Latina (Venezuela, Bol\u00edvia, Equador) com o in\u00edcio do governo Lula, contribuiu para este mito, ainda mais com a mem\u00f3ria do in\u00edcio da hist\u00f3ria do PT como um partido de luta e com o fato de que o novo Presidente tinha origem oper\u00e1ria. Poucos se davam conta de que, enquanto naqueles pa\u00edses se mobilizavam os trabalhadores para as mudan\u00e7as e se enfrentavam as oligarquias e o imperialismo, no Brasil o novo governo abandonava seu programa j\u00e1 rebaixado para garantir a continuidade das pol\u00edticas neoliberais de FHC, cooptava os movimentos sociais e desmobilizava os trabalhadores, promovendo acordos com os partidos burgueses para garantir a ordem e a governabilidade institucional. E quantas vezes nos pediram paci\u00eancia, pois as mudan\u00e7as chegariam!<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o do novo governo brasileiro com a Venezuela teve a ver com uma estrat\u00e9gia econ\u00f4mica, n\u00e3o ideol\u00f3gica. Como a Venezuela tem uma fr\u00e1gil economia rentista petroleira e n\u00e3o substituiu suas importa\u00e7\u00f5es, este pa\u00eds se transformou num para\u00edso para os monop\u00f3lios brasileiros, com a venda de servi\u00e7os de engenharia e de bens de consumo, praticamente sem concorrentes, em fun\u00e7\u00e3o da tensa rela\u00e7\u00e3o do governo bolivariano com seus tradicionais fornecedores, os EUA e a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o governo Lula ajudou a Venezuela no \u201cparo petroleiro\u201d simbolicamente com um carregamento de combust\u00edvel. A derrota de Hugo Ch\u00e1vez poderia significar, naquele momento, a perda de um promissor mercado para nossos produtos. Mas quem derrotou esta e v\u00e1rias tentativas de golpe de direita, sob a dire\u00e7\u00e3o do imperialismo, foram as massas venezuelanas e a determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m verdade que o governo brasileiro teve peso na inviabiliza\u00e7\u00e3o da ALCA, num exitoso movimento continental sob a lideran\u00e7a combativa de Hugo Ch\u00e1vez, a partir de um ato pol\u00edtico de massas em Mar Del Plata, em 2005. A cria\u00e7\u00e3o da ALCA foi proposta por Bill Clinton, em 1994. O fato de nem FHC ter aderido \u00e0 iniciativa mostra que a subordina\u00e7\u00e3o da economia brasileira aos EUA contrariava os interesses da maioria dos monop\u00f3lios brasileiros, que ficariam contingenciados em sua liberdade de buscar novos mercados.<\/p>\n<p>Mas coerente com o pragmatismo respons\u00e1vel e com a liberdade na concorr\u00eancia por mercados, o governo Lula ignorou e boicotou a ALBA (Alternativa Bolivariana para os Povos) e o Banco do Sul, dois grandes projetos de Hugo Ch\u00e1vez para uma integra\u00e7\u00e3o complementar e solid\u00e1ria da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Com o mercado venezuelano j\u00e1 conquistado e de olho numa parceria com a oligarquia colombiana e a nascente Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, o governo petista n\u00e3o deu solidariedade \u00e0 chamada revolu\u00e7\u00e3o bolivariana quando ela mais precisou, no seu momento mais dram\u00e1tico: a agonia e morte de Hugo Ch\u00e1vez, o vazio pol\u00edtico causado pelo seu desaparecimento f\u00edsico e a vit\u00f3ria apertada de Nicolas Maduro. N\u00e3o compareceram Lula, Dilma ou qualquer representante brasileiro de peso a tr\u00eas momentos emblem\u00e1ticos: a visita de chefes de estado latino-americanos a Ch\u00e1vez, em Cuba, onde se tratava, a longa cerim\u00f4nia f\u00fanebre no enterro de Ch\u00e1vez e a posse de Maduro na Presid\u00eancia, ap\u00f3s um resultado surpreendentemente apertado que permitiu ao imperialismo e \u00e0 oligarquia o pretexto para uma ofensiva golpista contra Maduro, ainda em curso, e contra a qual o governo brasileiro n\u00e3o move uma palha<\/p>\n<p>Se a chamada revolu\u00e7\u00e3o bolivariana for derrotada n\u00e3o ser\u00e1 por responsabilidade de Dilma nem de A\u00e9cio, mas por conta de suas limita\u00e7\u00f5es para radicalizar e avan\u00e7ar o processo, com a cria\u00e7\u00e3o de um verdadeiro poder popular capaz de come\u00e7ar a destruir o aparelho burgu\u00eas. O mesmo vale para o Equador e para Bol\u00edvia. O humanista Fernando Lugo, eleito presidente do Paraguai, com a simpatia e a contribui\u00e7\u00e3o do Foro de S\u00e3o Paulo, foi derrubado por um golpe branco da direita, urdido pelo imperialismo nas barbas do governo petista, que botou o Paraguai de castigo no Mercosul e, poucos meses depois o acolheu de volta, reconhecendo os golpistas como leg\u00edtimos governantes porque, afinal, os neg\u00f3cios n\u00e3o podem parar!<\/p>\n<p>No caso da Col\u00f4mbia, s\u00f3 os inocentes \u00fateis n\u00e3o percebem a pragm\u00e1tica pol\u00edtica externa brasileira, encaminhada pelo governo, pelo PT e o Foro de S\u00e3o Paulo. Em julho de 2008, ainda Presidente, Lula promoveu em Bogot\u00e1, ao lado do bandido \u00c1lvaro Uribe, um grandioso encontro de centenas de empres\u00e1rios e pol\u00edticos burgueses brasileiros e colombianos, para inaugurar uma parceria comercial. Dialogando com a burguesia colombiana, que majoritariamente quer o fim urgente do conflito social e militar, para o pa\u00eds melhorar sua imagem internacional e captar investimentos estrangeiros, Lula abriu o encontro (Col\u00f4mbia-Brasil: novas fronteiras de neg\u00f3cios), com uma frase que diz tudo: <em>\u201cA Am\u00e9rica Latina n\u00e3o precisa mais da espada de Bol\u00edvar, mas de cr\u00e9dito!<\/em>\u201d[2].<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/YT4CTlQ1QhrCxgdAqTfiTGC1dfVPYWpy8mMRlXfU3BMyQx0FRcYZIWTu8t9expy76lHGLNkgPRn3UGSIGpiGEJ0kYETprWFSrqTOi8maNgPdJq-TBiSj6xBh7g=s0-d-e1-ft#http:\/\/en.mercopress.com\/data\/cache\/noticias\/28252\/0x0\/lula-uribe.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Na mesma ocasi\u00e3o, os dois presidentes se reuniram na casa de h\u00f3spedes da presid\u00eancia colombiana, onde firmaram acordos n\u00e3o divulgados, em cuja pauta se destacava a \u201ccoopera\u00e7\u00e3o em defesa e seguran\u00e7a fronteiri\u00e7a\u201d[3], para refor\u00e7ar o Plano Col\u00f4mbia, durante o qual a Col\u00f4mbia acolheu mais sete bases norte-americanas e passou a ser o segundo destino de armas dos EUA, depois de Israel.<\/p>\n<p>A partir deste encontro, o Brasil do PT passou a ser um dos maiores fornecedores de material b\u00e9lico para o estado terrorista colombiano. O covarde ataque a\u00e9reo desfechado contra o acampamento de Raul Reys (ent\u00e3o porta-voz internacional das FARC), com invas\u00e3o do espa\u00e7o a\u00e9reo equatoriano, se deu a partir de um dos muitos avi\u00f5es militares vendidos pelo Brasil, durante o Plano Col\u00f4mbia, o frustrado projeto de acabar militarmente com a guerrilha. Ironicamente, os avi\u00f5es brasileiros chamam-se <em>supertucanos<\/em>.<\/p>\n<p>Como dissemos no in\u00edcio, a pol\u00edtica internacional de um partido \u00e9 a extens\u00e3o de sua pol\u00edtica interna. Al\u00e9m do fornecimento de armas, o governo brasileiro trabalha nos bastidores para tentar for\u00e7ar a insurg\u00eancia a uma paz r\u00e1pida, barata, sem custos, com a entrega das armas, o que significaria um exterm\u00ednio semelhante ao que vitimou milhares de militantes da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica, no in\u00edcio dos anos 1990.<\/p>\n<p>A partir do governo Lula, o PT aparelhou totalmente o Foro de S\u00e3o Paulo, uma articula\u00e7\u00e3o criada basicamente pelos partidos comunistas da Am\u00e9rica Latina h\u00e1 mais de 25 anos, privilegiando agora os partidos tidos como progressistas, democr\u00e1ticos, socialdemocratas, tirando qualquer espa\u00e7o para a a\u00e7\u00e3o dos comunistas, pelo menos daqueles que n\u00e3o se renderam ao capital. O Foro de S\u00e3o Paulo se transformou num instrumento de concilia\u00e7\u00e3o de classe e de expans\u00e3o da influ\u00eancia do capitalismo brasileiro, tendo como fun\u00e7\u00e3o principal o apoio pol\u00edtico e material a candidatos \u201cprogressistas\u201d na regi\u00e3o, identificados com os governos petistas, para garantir futuros bons neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Para confirmar a a\u00e7\u00e3o do PT e do governo brasileiro pela \u201cpaz dos cemit\u00e9rios\u201d na Col\u00f4mbia, eu queria apelar para a boa mem\u00f3ria de At\u00edlio Bor\u00f3n, um camarada e amigo marxista argentino, com quem dialoguei neste texto.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos os dois indignados no Foro de S\u00e3o Paulo em Caracas, em 2012, com o fato de o PT n\u00e3o ter permitido que Piedad C\u00f3rdoba usasse da palavra, logo ela, a maior express\u00e3o mundial da luta pela paz com justi\u00e7a social na Col\u00f4mbia. N\u00e3o foi permitido tamb\u00e9m que o amplo movimento social Marcha Patri\u00f3tica se credenciasse no evento.<\/p>\n<p>Ainda na Am\u00e9rica Latina, quero afirmar que \u00e9 desrespeitosa \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o e ao povo cubano a chantagem, de reformistas e inclusive de declarados revolucion\u00e1rios, de apregoarem que a derrota da Dilma significar\u00e1 a derrota da constru\u00e7\u00e3o do socialismo em Cuba.<\/p>\n<p>Novamente aqui a superestima\u00e7\u00e3o do institucional e a subestima\u00e7\u00e3o da luta dos trabalhadores. Respeitem a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, que resiste h\u00e1 50 anos a um cruel boicote imperialista, resistiu a duas d\u00e9cadas de Opera\u00e7\u00e3o Condor, com ditaduras de direita em quase toda a Am\u00e9rica do Sul e, num feito que poucos acreditavam, resistiu \u00e0 queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, com o her\u00f3ico per\u00edodo especial.<\/p>\n<p>Essas manobras eleitorais t\u00eam como base a cren\u00e7a de que a fra\u00e7\u00e3o burguesa que governaria com A\u00e9cio (c\u00e1 entre n\u00f3s, basicamente a mesma que governa com o PT) romperia com a cultura do pragmatismo respons\u00e1vel, transformaria o Brasil em numa nova estrela da bandeira norte-americana e mandaria a Odebrecht se retirar imediatamente da Venezuela e de Cuba, suspendendo o canteiro de obras venezuelano e as obras do Porto de Mariel!<\/p>\n<p>E pior: como se o socialismo em Cuba dependesse da \u201csolidariedade internacionalista\u201d dos monop\u00f3lios brasileiros e n\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e do valor que seu povo dedica \u00e0 sua Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que nossos amigos durmam em paz, lembro aqui uma recente entrevista no reacion\u00e1rio Folha de SP, de Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira favorita. Ali ele faz duas afirma\u00e7\u00f5es, uma duvidosa e outra indiscut\u00edvel, sobre o porto de Mariel, em Cuba: \u201c<em>Se o porto ser\u00e1 de grande import\u00e2ncia para o socialismo cubano, foi o capitalismo brasileiro que mais ganhou at\u00e9 agora<\/em>\u201d[4]. E eu acrescento uma pergunta: quem ganhar\u00e1 mais com a explora\u00e7\u00e3o deste estrat\u00e9gico porto em pleno Caribe?<\/p>\n<p>Esta semana (na verdade em janeiro), um blog petista <em>(\u201ctijola\u00e7o\u201d)<\/em> deu um tiro no p\u00e9 da fantasia da pol\u00edtica externa \u201canti-imperialista\u201d. Para conquistar votos \u00e0 direita, provou documentalmente que o governo de FHC tamb\u00e9m usava o BNDES para dar \u201csolidariedade\u201d \u00e0 Venezuela e a Cuba, num texto com direito a uma foto carinhosa, em que se entrela\u00e7am as m\u00e3os de Fidel, Ch\u00e1vez e FHC[5].<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/azohMJyHHrpYVERkBy5S1-jXs53ZmhZ-LvQ3V8-ik8icsrl_BNZquXwt43YzbFTaZqS4YCMZbdFhaL_x3kYHckP2nTf6Nskn8sUhGZb_QP4ByQ2LJ9rAB7Dq6nH-Et8=s0-d-e1-ft#http:\/\/tijolaco.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/fhcfidelchavez.jpg\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Na verdade, no seu pragmatismo, o estado brasileiro se aproveitou da morte de Ch\u00e1vez, que dava a Cuba uma solidariedade revolucion\u00e1ria, para preencher esse espa\u00e7o vazio, na expectativa de que o Brasil possa fincar desde j\u00e1 sua bandeira em Cuba, na expectativa (a meu ver ilus\u00f3ria) da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na Ilha.<\/p>\n<p>Lula viaja frequentemente nos jatos da Odebrecht para visitar (desinteressadamente!) as obras da \u201csua\u201d empreiteira favorita em Cuba, na Venezuela e em outros pa\u00edses da regi\u00e3o. Conseguiu em Cuba que a sua querida Oderbrecht assumisse o monop\u00f3lio do plantio e da colheita de cana de a\u00e7\u00facar para produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis. A mesma colheita da cana que j\u00e1 levou dezenas de milhares de jovens de todo o mundo ao trabalho volunt\u00e1rio na Ilha Rebelde.<\/p>\n<p>Eu estava em Havana em fevereiro deste ano, quando vi no Gramna uma foto numa mat\u00e9ria que registrava mais uma viagem de Lula a Cuba, desta vez levando pelo bra\u00e7o o rei da soja no Brasil, o seu grande parceiro pol\u00edtico, Blairo Maggi[6], que responde a v\u00e1rios processos por corrup\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds. Desta vez, o lobby era para a implanta\u00e7\u00e3o do cultivo da soja em territ\u00f3rio cubano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/80IGWJ95D_lWjhSBCNC_3Jjrzbgdkv8TbXhvasPQHe0u8gfrvdXbfS975lHq1M1Uzg2ugcVVrjPvdpQkknMxz_ipzT_W-ulidw01NBGV6qeD0KZlrHYmOR3s609e5BV17mIAi90=s0-d-e1-ft#http:\/\/institutolula.org\/uploads\/wordpress\/2014\/02\/CAPA1BLAIRO1CUBA1-medium.png\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Com todo respeito, s\u00e3o fantasiosos os argumentos daqueles que declaram que h\u00e1 um risco do fim do Mercosul, da Unasul, da Celac. Qual governo burgu\u00eas retiraria o Brasil destas institui\u00e7\u00f5es multilaterais estatais, absolutamente heterog\u00eaneas, desideologizadas?<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 com os dias contados, pela morte de Ch\u00e1vez, de que se vale a a\u00e7\u00e3o do governo brasileiro, \u00e9 a ALBA, aos poucos engolida pelo Mercosul, uma integra\u00e7\u00e3o estatal capitalista sob hegemonia brasileira. Aos que temem o Brasil sair do Mercosul e aderir \u00e0 Alian\u00e7a do Pac\u00edfico (Col\u00f4mbia, Peru, Chile e M\u00e9xico), era bom ler a entrevista desta semana do Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Dilma, em que informa sobre uma reuni\u00e3o em Santiago do Chile, no pr\u00f3ximo dia 24 de novembro (anotem em suas agendas!), entre o Mercosul e a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, como um primeiro passo para um acordo de livre com\u00e9rcio \u00fanico de toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos inocentes \u00fateis ou mal informados, \u00e9 preciso dizer que o Brasil lidera atualmente os esfor\u00e7os, j\u00e1 bem avan\u00e7ados, para a celebra\u00e7\u00e3o de um TLC (Tratado de Livre Com\u00e9rcio) do Mercosul com a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, contra o qual Hugo Ch\u00e1vez sempre se bateu.<\/p>\n<p>Para os que acham que o Brasil \u00e9 solid\u00e1rio com a Palestina, por conta de declara\u00e7\u00f5es e atitudes pela paz e pela cria\u00e7\u00e3o irreal e artificial de dois Estados assim\u00e9tricos, \u00e9 bom lembrar que, por iniciativa do governo Lula, Israel \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que tem um TLC com o Mercosul. Israel \u00e9 um dos maiores parceiros do com\u00e9rcio de material b\u00e9lico com o Brasil, que sedia, no Riocentro (Rio de Janeiro) o evento peri\u00f3dico que o movimento de solidariedade ao povo palestino chama de Feira da Morte (Feira Internacional de Defesa e Seguran\u00e7a). Ali s\u00e3o apresentados e comprados os novos equipamentos militares e policiais, de origem basicamente brasileira e israelense, cada vez mais sofisticados, um com\u00e9rcio em que o Brasil cresce anualmente. Muitos desses equipamentos de repress\u00e3o vemos nas cidades brasileiras na viol\u00eancia policial contra manifesta\u00e7\u00f5es populares[7].<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imguol.com\/2013\/04\/09\/9abr2013---visitantes-manuseiam-armas-em-exibicao-na-feira-internacional-de-defesa-e-seguranca-laad-defence--security-no-rio-de-janeiro-a-maior-exposicao-de-equipamentos-militares-da-america-latina-1365534198050_956x500.jpg?w=747\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Os BRICs se transformaram recentemente no principal fetiche para os reformistas e revolucion\u00e1rios iludidos provarem que a pol\u00edtica externa brasileira \u00e9 ideol\u00f3gica e que se os neoliberais aut\u00eanticos assumirem o governo em nosso pa\u00eds v\u00e3o imediatamente retirar o Brasil dos Brics.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m poderia nos apontar pelo menos um setor da burguesia brasileira que tenha criticado este novo acordo comercial e tarif\u00e1rio? Quanto mais \u201cjanelas de oportunidades\u201d se abrem para o capital, melhores s\u00e3o suas possibilidades de neg\u00f3cios, que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com ideologia. Ainda mais em se tratando de uma uni\u00e3o estatal na esfera do capitalismo, liderada pela China, o pa\u00eds com o qual o Brasil hoje tem o maior interc\u00e2mbio comercial, o que mais compra as nossas commodities.<\/p>\n<p>H\u00e1 os que v\u00eaem os Brics como uma plataforma anti-imperialista, certamente porque se esqueceram de que a R\u00fassia hoje n\u00e3o \u00e9 mais a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e que a China est\u00e1 \u00e0s v\u00e9speras de se tornar a maior pot\u00eancia capitalista. O que h\u00e1 hoje em dia \u00e9 uma acirrada disputa interimperialista, que n\u00e3o interessa \u00e0 classe oper\u00e1ria e aos trabalhadores, que n\u00e3o t\u00eam que escolher entre imperialismo \u201cbom ou mal\u201d, pois a sua luta \u00e9 pela destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo, para abrir caminho \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/4.bp.blogspot.com\/_ZQXwrW39BLc\/TH1udAG0njI\/AAAAAAAAAZM\/PwhA_vpAi90\/s1600\/lula-e-bush.jpg?w=747&#038;ssl=1\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que o imperialismo fez de Lula o grande garoto propaganda internacional para promover a tese de que aos trabalhadores interessa o desenvolvimento do capitalismo e n\u00e3o sua derrota. Durante seu governo, Lula foi o \u201cpudim de toda festa\u201d dos Foros Econ\u00f4micos Mundiais, a reuni\u00e3o peri\u00f3dica do \u201cComit\u00ea Central\u201d do imperialismo, em Davos (Sui\u00e7a). Ele era sempre o convidado especial, o jogral que animava a todos, dando alegria \u00e0s fotos oficiais, para simbolizar a harmonia entre o capital e o trabalho. \u00c9 este, camaradas, o articulador de uma pol\u00edtica externa anti-imperialista?<\/p>\n<p>Camaradas:<\/p>\n<p>Esta modesta reflex\u00e3o \u00e9 para muito al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es deste domingo.<\/p>\n<p>O PCB declarou que respeita a esquerda que votar\u00e1 em Dilma criticamente, como um mal menor, e que quer unidade de a\u00e7\u00e3o nas cada vez mais acirradas lutas que travaremos com o aprofundamento da crise do capitalismo, independente de quem ganhe o segundo turno. Esta declara\u00e7\u00e3o explicita um desrespeito aos que votam em A\u00e9cio ou em Dilma de forma acr\u00edtica.<\/p>\n<p>Isto significa o reconhecemos de que ainda h\u00e1 algumas diferen\u00e7as entre os dois candidatos, mas que n\u00e3o s\u00e3o suficientes para o PCB, pela terceira vez, dar um voto de confian\u00e7a a governos que em verdade n\u00e3o s\u00e3o do PT, mas de uma base de sustenta\u00e7\u00e3o em que prevalecem os interesses do capital.<\/p>\n<p>Quero chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de contribuirmos para a constitui\u00e7\u00e3o de uma frente anticapitalista e antiimperialista e de enterrarmos as ilus\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa.<\/p>\n<p><em><strong>Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB<\/strong><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>1. <strong>O MISTERIOSO E VERGONHOSO ACORDO MILITAR BRASIL-ESTADOS UNIDOS<\/strong>.\u00a0 12\/05\/2010 . <<a href=\"http:\/\/www.pcb.org.br\/portal\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=1617\" target=\"_blank\">http:\/\/www.pcb.org.br\/portal\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=1617<\/a><\/p>\n<p> <strong>Romper os acordos militares com os EUA e suspender o leil\u00e3o do Campo de Libra<\/strong>.\u00a0 20\/09\/2013. <<a href=\"index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=6636\" target=\"_blank\">http:\/\/pcb.org.br\/portal\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=6636<\/a>><\/p>\n<p>2. <strong>&#8220;A Am\u00e9rica Latina n\u00e3o precisa mais da espada de Bol\u00edvar; precisa de cr\u00e9dito&#8221;<\/strong> (Luiz In\u00e1cio Lula da Silva). 21\/08\/2011. <<a href=\"index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=2946\" target=\"_blank\">http:\/\/pcb.org.br\/portal\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=2946<\/a>><\/p>\n<p>3. <strong>Lula chega a Bogot\u00e1 para se reunir com Uribe<\/strong>. 18\/07\/2008. <<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Mundo\/0,,MUL652128-5602,00-LULA+CHEGA+A+BOGOTA+PARA+SE+REUNIR+COM+URIBE.html\" target=\"_blank\">http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Mundo\/0,,MUL652128-5602,00-LULA+CHEGA+A+BOGOTA+PARA+SE+REUNIR+COM+URIBE.html<\/a>><\/p>\n<p>4. <strong>PRESIDENTE DA ODERBRECHT: &#8220;CAPITALISMO BRASILEIRO \u00c9 QUE GANHOU MAIS COM A CONSTRU\u00c7\u00c3O DO PORTO DE MARIEL, EM CUBA<\/strong>&#8220;. 21\/10\/2014. <<a href=\"index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=7888\" target=\"_blank\">http:\/\/pcb.org.br\/portal\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=7888<\/a>><\/p>\n<p>5. <strong>PSDB diz que \u00e9 esc\u00e2ndalo emprestar a Cuba. Esqueceram de perguntar por que FHC emprestou<\/strong>. 29\/01\/2014. <<a href=\"http:\/\/tijolaco.com.br\/blog\/?p=13150\" target=\"_blank\">http:\/\/tijolaco.com.br\/blog\/?p=13150<\/a>><\/p>\n<p>6. <strong>Blairo Maggi e Lula em Cuba para ampliar produ\u00e7\u00e3o de alimentos<\/strong>. 26\/02\/2014. <<a href=\"http:\/\/www.institutolula.org\/blairo-maggi-e-lula-em-cuba-para-ampliar-producao-de-alimentos\" target=\"_blank\">http:\/\/www.institutolula.org\/blairo-maggi-e-lula-em-cuba-para-ampliar-producao-de-alimentos<\/a>><\/p>\n<p>7. <strong>FEIRA DA MORTE<\/strong>. 12\/04\/2011. <<a href=\"index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=2558\" target=\"_blank\">http:\/\/pcb.org.br\/portal\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=2558<\/a>><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nIvan Pinheiro \nCamaradas:\nSenti necessidade de escrever essas modestas linhas, diante da surpreendente repercuss\u00e3o da Nota Pol\u00edtica do PCB, indicando o voto nulo no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2014.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6849\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[121],"tags":[],"class_list":["post-6849","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c134-eleicoes-2014"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Mt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6849"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6849\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}