{"id":6851,"date":"2014-10-24T12:53:30","date_gmt":"2014-10-24T12:53:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6851"},"modified":"2014-11-05T06:49:36","modified_gmt":"2014-11-05T06:49:36","slug":"os-estados-unidos-encaminham-se-para-um-choque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6851","title":{"rendered":"Os Estados Unidos encaminham-se para um choque"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Quando Obama disputava a presid\u00eancia em 2008 fez muitas promessas \u2013 como \u00e9 normal que os pol\u00edticos fa\u00e7am \u2013, mas a promessa com que se comprometeu foi sair do Iraque e do Afeganist\u00e3o. E n\u00e3o a vai cumprir. O que est\u00e1 de facto a fazer \u00e9 a meter os Estados Unidos em mais pa\u00edses.<\/p>\n<p>O presidente Barack Obama disse aos Estados Unidos, e em particular a seu Congresso, que tem de fazer algo muito importante no M\u00e9dio Oriente para deter o desastre. A an\u00e1lise do suposto problema \u00e9 extremamente opaca, mas os tambores patri\u00f3ticos come\u00e7am a subir o tom e quase todo o mundo, de momento, acompanha o jogo. Uma cabe\u00e7a mais tranquila diria que se agitam desesperados por uma situa\u00e7\u00e3o por cuja cria\u00e7\u00e3o os Estados Unidos s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis. N\u00e3o sabem o que fazer, de modo que actuam em p\u00e2nico.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples. Os Estados Unidos encontram-se em s\u00e9ria decad\u00eancia. Tudo lhes est\u00e1 a correr mal. E tomados de p\u00e2nico s\u00e3o como o condutor de um poderoso autom\u00f3vel que perdeu o controlo e n\u00e3o sabe como diminuir a velocidade. De modo que acelera e se encaminha para um choque importante. O carro gira em todas as direc\u00e7\u00f5es e derrapa. \u00c9 autodestrutivo para o condutor, mas o choque pode tamb\u00e9m arrastar o resto do mundo para um desastre.<\/p>\n<p>Dedica-se muita aten\u00e7\u00e3o ao que Obama faz e ao que n\u00e3o fez. Mesmo os seus defensores mais pr\u00f3ximos parecem duvidar dele. Um comentador australiano no Financial Times resumiu-o numa frase: \u201cem 2014 o mundo repentinamente fartou-se de Barack Obama\u201d. Pergunto-me se Obama n\u00e3o se cansou de Obama. Mas \u00e9 um erro culp\u00e1-lo apenas a ele. Virtualmente ningu\u00e9m entre os l\u00edderes estadunidenses prop\u00f4s alternativas que fossem mais sensatas. Muito pelo contrario. H\u00e1 os instigadores da guerra, que quiseram bombardear tudo de imediato. H\u00e1 os pol\u00edticos que efectivamente pensam que far\u00e1 uma grande diferen\u00e7a quem ganhe as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Uma rara voz de sa\u00fade mental prov\u00e9m de uma entrevista (aparecida no New York Times) com Daniel Benjamim, que foi o principal assessor de antiterrorismo do Departamento de Estado estado-unidense durante o primeiro per\u00edodo presidencial de Obama. Apelidou de farsa a chamada amea\u00e7a do ISIS, quando membros do gabinete e outras figuras militares de alta patente descrevem a amea\u00e7a em injustificados termos de cat\u00e1strofe. E afirma que o que v\u00eam dizendo n\u00e3o assenta em nenhuma prova corroborada e apenas demonstra qu\u00e3o f\u00e1cil \u00e9 para os funcion\u00e1rios e os media acelerarem o p\u00fablico no sentido do p\u00e2nico. Mas, \u00bfquem faz caso do senhor Benjamin?<\/p>\n<p>De momento, e com a ajuda de horripilantes fotos que mostram a decapita\u00e7\u00e3o de dois jornalistas estadunidenses \u00e0s m\u00e3os do Califado, as sondagens nos Estados Unidos mostram um enorme apoio a uma ac\u00e7\u00e3o militar. Mas, \u00bfquanto vai isso durar? O apoio permanece enquanto pare\u00e7a haver resultados concretos. O chefe do Estado Maior Conjunto, Martin Dempsey, ao propor uma ac\u00e7\u00e3o militar diz que levar\u00e1 pelo menos tr\u00eas anos. Multipliquem isso por cinco e talvez se aproximem de quanto vai durar. E o p\u00fablico estado-unidense com toda a certeza que se desiludir\u00e1 rapidamente.<\/p>\n<p>Por agora, o que Obama prop\u00f5e \u00e9 bombardear alguma coisa na S\u00edria, n\u00e3o o envio de tropas \u201cao terreno\u201d, mas o incremento de tropas especiais (at\u00e9 agora 2 mil) para ministrar treino no Iraque (e provavelmente em outros lugares). Quando Obama disputava a presid\u00eancia em 2008 fez muitas promessas \u2013 como \u00e9 normal que os pol\u00edticos fa\u00e7am \u2013, mas a promessa com que se comprometeu foi sair do Iraque e do Afeganist\u00e3o. E n\u00e3o a vai cumprir. De facto o que est\u00e1 \u00e9 a meter os Estados Unidos em mais pa\u00edses.<\/p>\n<p>A coliga\u00e7\u00e3o de Obama vai oferecer treino aos que define como \u201cos bons\u201d. E parece que esse treino ocorrer\u00e1 na Arabia Saudita. \u00c9 bom para a Arabia Saudita. Podem examinar todos os que v\u00e3o ser treinados e decidir em quais confiar e em quais n\u00e3o se pode confiar. Isto torna poss\u00edvel que o regime saudita (no m\u00ednimo t\u00e3o atrapalhado como o regime dos Estados Unidos) pare\u00e7a estar a fazer alguma coisa, e permite-lhe sobreviver um pouco mais.<\/p>\n<p>H\u00e1 formas de superar este cen\u00e1rio catastr\u00f3fico. N\u00e3o obstante implicam a decis\u00e3o de fazer a viragem da guerra para os acordos pol\u00edticos entre toda a esp\u00e9cie de grupos que n\u00e3o se apreciam entre si e que n\u00e3o confiam uns nos outros. Tais arranjos pol\u00edticos n\u00e3o s\u00e3o desconhecidos, mas s\u00e3o dif\u00edceis de levar a cabo, e quando se acabam de pactuar s\u00e3o fr\u00e1geis, at\u00e9 que se consolidam. Um elemento principal nos acordos que est\u00e3o em processo no M\u00e9dio Oriente \u00e9 n\u00e3o um maior, mas um menor envolvimento dos Estados Unidos. Ningu\u00e9m confia nos Estados Unidos, mesmo que momentaneamente invoquem a assist\u00eancia estado-unidense para isto ou para aquilo. O New York Times referiu que, na reuni\u00e3o em que Obama conseguiu o acordo para avan\u00e7ar com a sua nova coliga\u00e7\u00e3o, o apoio dos pa\u00edses do M\u00e9dio Oriente presentes foi \u201cfrouxo\u201d e \u201crenitente\u201d devido a que existe \u201cde todo o lado uma crescente desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos\u201d. De modo que embora prossiga o jogo, de algum modo limitado, ningu\u00e9m vai mostrar gratid\u00e3o a qualquer assist\u00eancia estado-unidense. O fundo da quest\u00e3o \u00e9 que os povos do M\u00e9dio Oriente querem gerir o seu pr\u00f3prio espect\u00e1culo, e n\u00e3o corresponder ao que os Estados Unidos acham que \u00e9 bom para eles.<\/p>\n<p>\u00a9 Immanuel Wallerstein<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.jornada.unam.mx\/2014\/09\/21\/opinion\/022a1mun<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nImmanuel Wallerstein\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6851\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-6851","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Mv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6851","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6851"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6851\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6851"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6851"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6851"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}