{"id":688,"date":"2010-07-28T15:36:05","date_gmt":"2010-07-28T15:36:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=688"},"modified":"2010-07-28T15:36:05","modified_gmt":"2010-07-28T15:36:05","slug":"chanceler-de-chavez-negocia-plano-de-paz-e-acusa-estados-unidos-de-insuflar-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/688","title":{"rendered":"Chanceler de Ch\u00e1vez negocia plano de paz e acusa Estados Unidos de insuflar a guerra"},"content":{"rendered":"\n<p>O chanceler venezuelano, Nicol\u00e1s Maduro, esteve reunido com o presidente Lula na noite desta segunda-feira (26\/7), durante breve viagem ao Brasil. Antes de continuar seu roteiro, que inclui paradas no Paraguai, Uruguai e Argentina, concedeu entrevista exclusiva ao Opera Mundi. Revelou a inten\u00e7\u00e3o de seu governo em articular um \u201cplano de paz permanente com a Colombia\u201d e analisou a escalada da crise entre as duas na\u00e7\u00f5es andinas.<\/p>\n<p>Maduro reiterou que seu governo \u201cdeseja ter as melhores rela\u00e7\u00f5es com o governo colombiano\u201d. Mas foi contundente ao afirmar que, diante de qualquer a\u00e7\u00e3o agressiva da administra\u00e7\u00e3o Uribe, a Venezuela ir\u00e1 responder com \u201cmedidas extremas de prote\u00e7\u00e3o\u201d. Tamb\u00e9m acusou os Estados Unidos de serem o \u201cpano de fundo\u201d da crise e repetiu o alerta do presidente Ch\u00e1vez, de que o fornecimento de petr\u00f3leo e derivados ser\u00e1 suspenso em caso de qualquer ataque colombiano. Confira, a seguir, a \u00edntegra da entrevista.<\/p>\n<p>Opera Mundi<\/p>\n<p>Maduro: &#8220;a Venezuela \u00e9 v\u00edtima da guerra colombiana h\u00e1 60 anos&#8221;<\/p>\n<p>Qual o objetivo da sua visita ao Brasil?<\/p>\n<p>Foi uma visita rel\u00e2mpago, para trazer uma mensagem pessoal do presidente Ch\u00e1vez ao governo brasileiro, al\u00e9m de oferecermos mais informa\u00e7\u00f5es sobre as amea\u00e7as do governo colombiano contra a Venezuela. O presidente Lula teve o gesto honroso de nos receber. Apresentamos os esbo\u00e7os do plano que vamos levar \u00e0 Unasul (Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas), que se re\u00fane na pr\u00f3xima quinta-feira em Quito, focado na necessidade de plano de paz permanente para a regi\u00e3o. A guerra civil na Col\u00f4mbia extravasou suas fronteiras e amea\u00e7a a seguran\u00e7a das na\u00e7\u00f5es andinas.<\/p>\n<p>Mas quais s\u00e3o as propostas centrais desse plano?<\/p>\n<p>Estamos em processo de consultas. Vamos apresent\u00e1-lo formalmente na quinta-feira. N\u00e3o queremos adiantar os detalhes neste momento porque acreditamos que deve ser muito discutido previamente \u00e0 sua apresenta\u00e7\u00e3o na quinta-feira, para que ganhe viabilidade. Mas temos insistido que a corrida armamentista que est\u00e1 acontecendo na Col\u00f4mbia h\u00e1 varias d\u00e9cadas, particularmente a partir do Plano Col\u00f4mbia, e agora com as bases militares norte-americanas, leva a um transbordamento da viol\u00eancia daquele pa\u00eds na dire\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses vizinhos. Queremos encerrar essa situa\u00e7\u00e3o com um plano de paz que possa superar a guerra na Col\u00f4mbia, que j\u00e1 causou um ataque, em mar\u00e7o de 2008, ao territ\u00f3rio do Equador e que representa uma amea\u00e7a permanente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na Venezuela.<\/p>\n<p>O senhor avalia que a crise entre os dois pa\u00edses pode levar a um conflito militar?<\/p>\n<p>\u00c9 isso que queremos evitar. J\u00e1 estamos em conflito pol\u00edtico e diplom\u00e1tico contra uma doutrina que causou os ataques ao Equador. Uma doutrina que viola o direito internacional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 soberania e \u00e0 inviolabilidade territorial dos pa\u00edses. Faremos todos os esfor\u00e7os para impedir seu desdobramento militar. Mas repudiamos a agress\u00e3o diplom\u00e1tica do governo colombiano e defenderemos nosso territ\u00f3rio diante de qualquer tentativa de viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Juan Manuel Santos para presidir a Col\u00f4mbia, parecia que as rela\u00e7\u00f5es com a Venezuela poderiam entrar em distens\u00e3o. A que o senhor atribui a s\u00fabita mudan\u00e7a de situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Temos que relembrar que o presidente Ch\u00e1vez, no dia 14 de julho, anunciou o desejo de normalizar rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a Col\u00f4mbia, determinando que eu procurasse a futura chanceler do pa\u00eds vizinho para tratarmos dos termos de reaproxima\u00e7\u00e3o. No dia seguinte apareceram not\u00edcias, na imprensa colombiana, de que o presidente Uribe apresentaria provas contundentes de presen\u00e7a guerrilheira em territ\u00f3rio venezuelano. A partir da\u00ed foi deslanchada campanha intensa contra nosso governo, repercutindo tamb\u00e9m na m\u00eddia internacional, por meio da CNN e outras empresas de comunica\u00e7\u00e3o. Uma semana depois o embaixador colombiano foi \u00e0 OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos) e passou horas ofendendo o presidente Ch\u00e1vez e nossas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Mostrou umas fotos e simplesmente afirmou que guerrilheiros estavam escondidos na Venezuela, sem provar nada. O presidente Uribe parece movido pelo interesse de manter seu espa\u00e7o como chefe dos grupos mais conservadores e belicistas de seu pa\u00eds. N\u00e3o tivemos outra op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o o rompimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Mas o pr\u00f3prio presidente Ch\u00e1vez disse que os grupos paramilitares e guerrilheiros de fato cruzam as fronteiras venezuelanas<\/p>\n<p>N\u00f3s somos v\u00edtimas da guerra colombiana h\u00e1 60 anos. Temos quatro milh\u00f5es de colombianos vivendo na Venezuela, foragidos de guerra. E por que n\u00e3o voltam para a Col\u00f4mbia? Porque se sentem inseguros, enquanto na Venezuela, a partir do governo Ch\u00e1vez, reconhecemos seus direitos ao trabalho e \u00e0 seguridade social, ao progresso e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do Estado. Nessas d\u00e9cadas todas fomos constantemente invadidos por guerrilheiros, paramilitares e narcotraficantes, que se apropriaram de terras nossas. Mas usamos nossas for\u00e7as armadas e policiais, comandadas pelo presidente Ch\u00e1vez, e hoje todos os 2,3 mil quil\u00f4metros que temos de fronteira com a Col\u00f4mbia est\u00e3o livres da produ\u00e7\u00e3o de drogas ou laborat\u00f3rios de processamento. Foi um esfor\u00e7o que fizemos no combate tamb\u00e9m aos grupos armados. Mas esses quil\u00f4metros de fronteiras est\u00e3o abandonados pela Col\u00f4mbia. \u00c9 muito dif\u00edcil que n\u00e3o soframos mais risco de invas\u00f5es enquanto n\u00e3o acabar a guerra na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>O presidente Ch\u00e1vez anunciou que, se houver agress\u00e3o militar da Col\u00f4mbia contra a Venezuela, haver\u00e1 medidas contra os EUA<\/p>\n<p>O presidente Ch\u00e1vez h\u00e1 muito tempo denuncia a agressiva movimenta\u00e7\u00e3o norte-americana contra a Venezuela, com o apoio da Col\u00f4mbia. As sete bases instaladas na Col\u00f4mbia est\u00e3o estrategicamente voltadas contra nosso territ\u00f3rio, para n\u00e3o falar na reativa\u00e7\u00e3o da 4\u00aa Frota e outras medidas. N\u00e3o temos d\u00favidas de que existe uma estrat\u00e9gia elaborada pelo Pent\u00e1gono e pelo Departamento de Estado norte-americano para recuperar a hegemonia pol\u00edtica que os EUA perderam na regi\u00e3o por conta do avan\u00e7o das correntes progressitas. Todas essas provoca\u00e7\u00f5es da Col\u00f4mbia e todas essas inten\u00e7\u00f5es agressivas t\u00eam, como pano de fundo, esse plano norte-americano. Se a Venezuela for agredida, tomaremos medidas de prote\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pelo cancelamento do com\u00e9rcio de petr\u00f3leo e derivados com os EUA.<\/p>\n<p>O senhor n\u00e3o acha que a postura de seu governo pode aprofundar a tens\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00f3s queremos ter as melhores rela\u00e7\u00f5es com o governo da Col\u00f4mbia e estamos trabalhando nesse sentido. Mas n\u00e3o se pode continuar essa campanha permanente contra o chefe de estado, as institui\u00e7\u00f5es e a democracia venezuelana. A revolu\u00e7\u00e3o bolivariana tem de ser respeitada assim como o governo da Col\u00f4mbia. Queremos voltar a desenvolver o com\u00e9rcio, os investimentos conjuntos, o interc\u00e2mbio em todas as \u00e1reas &#8212; cultural, energ\u00e9tica etc. Mas a partir de uma retifica\u00e7\u00e3o profunda, do respeito m\u00fatuo e absoluto. Se isso n\u00e3o existir, n\u00e3o temos como fazer o di\u00e1logo avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Leia mais:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/opiniao_ver.php\/?idConteudo=1186\" target=\"_blank\">An\u00e1lise: Por que Ch\u00e1vez rompeu rela\u00e7\u00f5es com a Col\u00f4mbia<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/entrevistas_ver.php\/?idConteudo=95\" target=\"_blank\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a Col\u00f4mbia fora da pol\u00edtica e da democracia\u201d<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/colunas_ver.php\/?idConteudo=1051\" target=\"_blank\">EUA interpretam erroneamente a pol\u00edtica externa do Brasil<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/colunas_ver.php\/?idConteudo=1058\" target=\"_blank\">O debate da pol\u00edtica externa: os progressistas<\/a><\/p>\n<p>Leia mais:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/noticias\/VENEZUELA+ROMPE+RELACOES+DIPLOMATICAS+COM+COLOMBIA_5202.shtml\" target=\"_blank\">Venezuela rompe com Col\u00f4mbia<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/noticias_ver.php\/?idConteudo=5186\" target=\"_blank\">Embaixador da Venezuela protesta contra editorial do Estad\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/noticias_ver.php\/?idConteudo=5093\" target=\"_blank\">Venezuela desmente informa\u00e7\u00f5es da Col\u00f4mbia sobre guerrilheiros<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/noticias_ver.php\/?idConteudo=5132\" target=\"_blank\">Ch\u00e1vez acusa EUA de estarem por tr\u00e1s de nova den\u00fancia colombiana<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Opera Mundi\n\n\n\n\n\n\n\n\nBreno Altman\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/688\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-688","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-b6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/688\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}