{"id":6907,"date":"2014-10-28T02:31:57","date_gmt":"2014-10-28T02:31:57","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=6907"},"modified":"2014-12-01T18:38:51","modified_gmt":"2014-12-01T18:38:51","slug":"a-mulher-guerrilheira-e-livre-e-libertaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6907","title":{"rendered":"A mulher guerrilheira \u00e9 livre e libert\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Escrito por Mar\u00eda Ang\u00e9lica Arias Castro, Guerrilheira do Bloco Mart\u00edn Caballero das FARC-EP<\/p>\n<p>Dirigido aos senhores dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm homenagem a todas as hero\u00ednas que ofereceram sua vida a t\u00e3o nobre causa nestes 50 anos de Resist\u00eancia Armada\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel falar de revolu\u00e7\u00f5es sem mencionar a participa\u00e7\u00e3o da mulher, porque desde o in\u00edcio das lutas sociais no mundo, a mulher se fez presente como protagonista principal. Dando continuidade a exemplo dessas grandes lutadoras, que foram assassinadas pelos regimes violentos que querem nos calar e negar nossos direitos, muitas mulheres colombianas ingressam \u00e0s fileiras guerrilheiras, enfrentando com as armas a tirania do Estado.<\/p>\n<p>Tentando, de todas as formas, esconder o car\u00e1ter pol\u00edtico de nossa luta e o importante papel da mulher em seu desenvolvimento, o governo colombiano e seus meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas lan\u00e7am campanhas de desprest\u00edgio, querendo fazer acreditar somos maltratadas aqui e que s\u00e3o violados nossos direitos.<\/p>\n<p>Chega-se \u00e0s fileiras de nossa organiza\u00e7\u00e3o de maneira volunt\u00e1ria e consciente. Formamo-nos sob as linhas ideol\u00f3gicas, pol\u00edticas, militares e culturais que s\u00e3o necess\u00e1rias para o cumprimento de nossas tarefas, com vistas \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Vou desmascarar as cal\u00fanias e as falsas vers\u00f5es que v\u00eam sendo apresentadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, que objetivam desvirtuar a capacidade da mulher nesta luta, que \u00e9 essencialmente de classes. Na web s\u00e3o divulgados v\u00eddeos com vers\u00f5es de desertoras reinseridas, que mostram as FARC como uma m\u00e1quina selvagem, onde se obriga as mulheres em avan\u00e7ado est\u00e1gio de gravidez a abortar ou, ainda, que os comandantes obrigam que tenham rela\u00e7\u00f5es sexuais com eles. Em nossa organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe maltrato nem discrimina\u00e7\u00e3o em nenhum aspecto contra as mulheres, j\u00e1 que desempenhamos as mesmas responsabilidades. Aqui, mulheres e homens t\u00eam os mesmos direitos e as mesmas oportunidades de aprender diversos of\u00edcios e especialidades. Oportunidades que o Estado n\u00e3o oferece em sua sociedade excludente.<\/p>\n<p>Denuncio a oligarquia e seus meios de comunica\u00e7\u00e3o como mentirosos e manipuladores, que tentam nos prejudicar com sua asquerosa propaganda de montagens e cal\u00fanias. E como n\u00e3o conseguiram e, de alguma maneira, t\u00eam que justificar seus elevados sal\u00e1rios, agora levantam o tema da mulher e das crian\u00e7as na guerra como cavalinhos de batalha para nos desprestigiar. Permitam-me dizer minha verdade: n\u00f3s guerrilheiras somos livres, nada nos obriga a ter rela\u00e7\u00f5es com os Comandantes ou com algu\u00e9m que n\u00e3o desejamos. Perguntamo-nos: por que, de uma hora para outra, despertou em voc\u00eas um sentimento humanista e uma preocupa\u00e7\u00e3o conosco? Por que n\u00e3o se preocupam em atender as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e outras necessidades de milhares de trabalhadoras sexuais, cujo n\u00famero aumenta a cada dia nas grandes cidades pela aus\u00eancia de uma pol\u00edtica social do governo e do Estado?<\/p>\n<p>Talvez o Estado nos d\u00ea a oportunidades de demonstrar o potencial e a criatividade que t\u00eam as mulheres humildes da Col\u00f4mbia e, em particular, as guerrilheiras farianas, para transformar o Estado colombiano em um Novo Governo, a servi\u00e7o das maiorias e n\u00e3o de uns poucos, como atualmente ocorre. Est\u00e3o obstinados a desprestigiar as guerrilheiras e nossa organiza\u00e7\u00e3o, em lugar de proteger tantas mulheres e meninas que continuam sendo v\u00edtimas de viola\u00e7\u00f5es, queimadas com \u00e1cidos, assassinadas, escravizadas em termos trabalhistas, etc.<\/p>\n<p>Para citar um exemplo, apenas no departamento do Atl\u00e1ntico, ao longo de 2014, 67 mulheres foram assassinadas. Por acaso os autores destes delitos foram julgados e castigados exemplarmente? N\u00e3o, a verdade \u00e9 que recebem penas irris\u00f3rias e a impunidade continua proliferando, como continuam proliferando as jornadas de trabalho de 12 ou mais horas nas f\u00e1bricas da Zona Franca de Barranquilla, onde o regime laboral est\u00e1 subordinado aos Tratados de Livre Com\u00e9rcio assinados com pa\u00edses-pot\u00eancia, cuja prioridade \u00e9 o lucro para os investidores a custas do sangue e do suor das trabalhadoras.<\/p>\n<p>N\u00f3s guerrilheiras farianas estamos neste confronto dando o nosso melhor e at\u00e9 jogando com nossa vida, para fazer valer os direitos das mulheres do povo, da mesma maneira como fizeram as mulheres da estirpe de Olimpia de Gouges, Rosa Luxemburgo, Policarpa Salavarrieta, Manuela S\u00e1enz, Mar\u00eda Cano, Mariana Paez, Lucero Palmera, Susana T\u00e9llez, Sonia la Pilosa e tantas outras mulheres ao longo da luta pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais em benef\u00edcio do povo. S\u00e3o esses os ideais que nos impulsionam para a luta. \u00c9 por isso que nossos princ\u00edpios e nossa moral continuam crescendo a cada dia e, na medida em que crescem as necessidades e injusti\u00e7as sociais, cresce tamb\u00e9m nossa a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar.<\/p>\n<p>Temos nossa pr\u00f3pria forma de pensar e de expressar o que pensamos. Por\u00e9m, na concep\u00e7\u00e3o do governo e do Estado, unicamente os chefes podem pensar e escrever. Est\u00e3o equivocados: n\u00f3s tamb\u00e9m o fazemos e n\u00e3o por imposi\u00e7\u00e3o, nem porque algu\u00e9m nos obriga a faz\u00ea-lo. Pouco nos conhecem. Temos conhecimentos e experi\u00eancias suficientes para expressar nossas viv\u00eancias, que conquistamos lutando ombro a ombro ao lado dos homens de nossa organiza\u00e7\u00e3o. Homens que, na busca da condi\u00e7\u00e3o de homens novos, entendem e valorizam como n\u00f3s, as lutas de g\u00eanero, no marco da luta de classes.<\/p>\n<p>Por isso o meu apelo a todas as mulheres que, de uma forma ou de outra, lutam pela igualdade de g\u00eanero, as feministas, as que integram setores LGBTT, estudantes, jovens e trabalhadoras, mulheres do povo e geral, para que n\u00e3o se deixem usar pela classe dominante, que se rebelem contra os exploradores. N\u00f3s mulheres colombianas somos capazes de estar \u00e0 altura de todos os desafios. Precisamente, \u00e9 o machismo desta sociedade burguesa o que nos oprime. Por\u00e9m, existem muitas formas de participar e existe espa\u00e7o para todas e todos os que anseiam uma paz est\u00e1vel e duradoura.<\/p>\n<p>Finalmente, quero convid\u00e1-las a apoiar o processo de paz que est\u00e1 em curso em Havana. Com sua participa\u00e7\u00e3o e a do povo em seu conjunto, \u00e9 poss\u00edvel acabar com este conflito que possui mais de meio s\u00e9culo de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Juramos vencer e Venceremos!<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/resistencia-colombia.org\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3743<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n13 de outubro de 2014\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/6907\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-6907","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Np","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6907\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}