{"id":693,"date":"2010-07-29T13:31:47","date_gmt":"2010-07-29T13:31:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=693"},"modified":"2010-07-29T13:31:47","modified_gmt":"2010-07-29T13:31:47","slug":"nas-montanhas-da-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/693","title":{"rendered":"NAS MONTANHAS DA COL\u00d4MBIA"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos anos, venho cumprindo tarefa partid\u00e1ria no sentido de restabelecer e estreitar as rela\u00e7\u00f5es do PCB com organiza\u00e7\u00f5es e partidos revolucion\u00e1rios, com destaque para a Am\u00e9rica Latina. Este trabalho pol\u00edtico tem como objetivo principal o refor\u00e7o do internacionalismo prolet\u00e1rio, na luta anti-imperialista e pelo socialismo.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 palco de uma intensa luta de classes, antagonizando for\u00e7as populares dispostas a aprofundar mudan\u00e7as sociais e as oligarquias associadas ao imperialismo, sobretudo o norte-americano.<\/p>\n<p>Ao XIV Congresso Nacional do PCB, realizado em outubro do ano passado, compareceu a grande maioria dos Partidos Comunistas da regi\u00e3o. Al\u00e9m de viagens recentes de camaradas da dire\u00e7\u00e3o do PCB e da UJC (Uni\u00e3o da Juventude Comunista) a Argentina, Chile e Uruguai e outros pa\u00edses, pessoalmente estive na Bol\u00edvia, Cuba, Col\u00f4mbia, Equador, Honduras, Paraguai, Peru e Venezuela. Nestas viagens, tive contatos com camaradas de Costa Rica, El Salvador, Haiti, Nicar\u00e1gua, Panam\u00e1, Porto Rico e Rep\u00fablica Dominicana.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/ivan-m01-1.jpg\" border=\"0\" alt=\"imagem\" width=\"170\" align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"..\/\/\" target=\"_self\">PCB<\/a><\/em><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Numa dessas viagens, fui convidado a conhecer presencialmente a mais antiga e importante organiza\u00e7\u00e3o insurgente do continente: as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia \u2013 Ex\u00e9rcito do Povo (FARC-EP), que h\u00e1 46 anos luta nas montanhas pela liberta\u00e7\u00e3o nacional e pelo socialismo na Col\u00f4mbia. A organiza\u00e7\u00e3o foi criada em fun\u00e7\u00e3o de uma necessidade objetiva de os camponeses colombianos defenderem seus peda\u00e7os de terra, suas casas e suas fam\u00edlias da viol\u00eancia do Estado e de mil\u00edcias a servi\u00e7o do latif\u00fandio.<\/p>\n<p>Tive que tomar solitariamente a decis\u00e3o de aceitar o convite e viajar no dia seguinte para as montanhas andinas, j\u00e1 que era o \u00fanico membro do PCB naquela viagem e, por raz\u00f5es \u00f3bvias, n\u00e3o poderia consultar meus camaradas da dire\u00e7\u00e3o do Partido no Brasil. Portanto, resolvi passar alguns dias num acampamento das FARC na Col\u00f4mbia por iniciativa pr\u00f3pria, sob minha exclusiva responsabilidade, e n\u00e3o por decis\u00e3o partid\u00e1ria. Mas estava convicto de que minha atitude era compat\u00edvel com a linha pol\u00edtica do Partido.<\/p>\n<p>Valeram a pena as duras viagens, de ida e volta, por regi\u00f5es e pa\u00edses dos quais n\u00e3o me recordo, at\u00e9 porque toda aquela regi\u00e3o \u00e9 habitada pelo mesmo povo, dividido artificialmente em v\u00e1rios pa\u00edses, pelos interesses do capital. Passei por belas paisagens, conheci uma fauna e uma flora exuberantes, alternando meios de transporte os mais variados, como autom\u00f3veis, canoas e mulas, al\u00e9m de saud\u00e1veis mas cansativas caminhadas.<\/p>\n<p>Ficar\u00e3o para sempre em minha mem\u00f3ria os di\u00e1logos que mantive com os jovens guerrilheiros e guerrilheiras que conheci e as fotografias que n\u00e3o pude tirar do trabalho dos camponeses, das creches, escolas e postos de sa\u00fade criados e mantidos pelo \u201cEstado\u201d guerrilheiro em seu territ\u00f3rio, do cotidiano do acampamento.<\/p>\n<p>Foram momentos que me marcaram, refor\u00e7ando valores como a disciplina partid\u00e1ria, o trabalho coletivo, a camaradagem. O aprendizado nas reuni\u00f5es di\u00e1rias do coletivo, ao anoitecer, para repercutir documentos pol\u00edticos e not\u00edcias atualizadas, da Col\u00f4mbia e do mundo todo, ouvidas nos r\u00e1dios que fazem parte do enxoval dos militantes. As bibliotecas volantes, onde n\u00e3o faltam cl\u00e1ssicos do marxismo e da literatura.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel esquecer a entrevista que fiz em \u201cportunhol\u201d para todo o contingente guerrilheiro, atrav\u00e9s da R\u00e1dio Rebelde.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o guardar com carinho o \u00fanico objeto f\u00edsico que pude trazer da viagem, um caracol que ganhei do jovem guerrilheiro que me serviu de guia e apoio durante a estadia, no dia em que nos despedimos sem que pud\u00e9ssemos conter as l\u00e1grimas que misturavam sentimentos de fraternidade e paternidade.<\/p>\n<p>Muito mais do que a curiosidade, o esp\u00edrito de aventura e a simpatia pelas FARC, falou mais alto em minha decis\u00e3o o dever revolucion\u00e1rio de contribuir, de alguma forma, para os esfor\u00e7os para uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da complexa quest\u00e3o colombiana. Muito antes da viagem e da instala\u00e7\u00e3o de mais sete bases militares norte-americanas na Col\u00f4mbia, eu j\u00e1 tinha consci\u00eancia de que esse pa\u00eds vinha se transformando numa cabe\u00e7a de ponte do imperialismo na Am\u00e9rica Latina, onde cumpre o papel que Israel exerce no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Num artigo que publiquei h\u00e1 alguns anos <strong><em>(\u201cImpedir a guerra imperialista na Am\u00e9rica Latina\u201d)<\/em><\/strong>, j\u00e1 dizia textualmente:<\/p>\n<p><em>\u201d&#8230; para dar solidariedade aos povos venezuelano, boliviano, equatoriano; para lutar para que possam avan\u00e7ar as mudan\u00e7as e a luta de classes na Am\u00e9rica Latina, mesmo em processos mais mediados e contradit\u00f3rios; para evitar que haja guerra e retrocesso em nosso continente; para tudo isso, h\u00e1 um pr\u00e9-requisito: derrotar o verdadeiro eixo do mal, os bra\u00e7os do imperialismo norte-americano em nosso continente: o governo fascista e o Estado terrorista da Col\u00f4mbia!\u201d<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 tinha claro, quando resolvi aceitar o convite, que n\u00e3o interessa \u00e0 oligarquia colombiana, tampouco ao imperialismo, reconhecer o car\u00e1ter pol\u00edtico da guerrilha e, muito menos \u2013 para n\u00e3o lhe dar protagonismo &#8211; estabelecer com ela um processo de di\u00e1logo que possa p\u00f4r fim ao conflito armado na Col\u00f4mbia, que dificilmente ser\u00e1 solucionado pela via militar.<\/p>\n<p>Estamos diante de uma esp\u00e9cie de empate, em que nem as guerrilhas (FARC e tamb\u00e9m a ELN, que segue lutando) t\u00eam muitas possibilidades para expandir o territ\u00f3rio sob seu controle (quase um ter\u00e7o do pa\u00eds), nem as for\u00e7as militares e paramilitares conseguem derrot\u00e1-las.<\/p>\n<p>\u00c0 oligarquia colombiana interessa a manuten\u00e7\u00e3o do conflito, para se locupletar dos bilh\u00f5es de d\u00f3lares dos programas militares bancados pelos EUA e atribuir cinicamente aos insurgentes a mais rendosa atividade do grupo que det\u00e9m o poder no pa\u00eds: exatamente o narcotr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Aos EUA, n\u00e3o interessa a solu\u00e7\u00e3o do conflito, para poder justificar a \u201cguerra contra o narcoterrorismo\u201d, que lhe permite manipular a opini\u00e3o p\u00fablica para reinstalar a Quarta Frota, criar mais sete bases militares na Col\u00f4mbia, dar um golpe em Honduras, botar milhares de soldados no Haiti e agora na Costa Rica e firmar acordos militares com v\u00e1rios pa\u00edses na regi\u00e3o, lamentavelmente inclusive com o Brasil, assinado recentemente.<\/p>\n<p>O objetivo do imperialismo \u00e9 refor\u00e7ar sua presen\u00e7a militar para tentar desestabilizar e derrubar governos progressistas, em especial o da Venezuela, apertar o cerco a Cuba, evitar o fortalecimento da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Am\u00e9ricas), frear o processo de mudan\u00e7as na Bol\u00edvia e outros pa\u00edses, tudo isso de olho grande nas extraordin\u00e1rias riquezas naturais do continente, como petr\u00f3leo e g\u00e1s, \u00e1gua e minerais.<\/p>\n<p>Nos anos 90, houve na Am\u00e9rica Latina um processo negociado de desmilitariza\u00e7\u00e3o de grupos guerrilheiros. Na Am\u00e9rica Central, todos esses entendimentos resultaram em acordos, com a transforma\u00e7\u00e3o das guerrilhas em organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas legais. Duas delas, ali\u00e1s, est\u00e3o hoje no governo de seus pa\u00edses: a FMLN (El Salvador) e a FSLN (Nicar\u00e1gua). Na Col\u00f4mbia, entretanto, este processo terminou com o cruel assassinato de mais de 4.000 membros da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica, partido pol\u00edtico ent\u00e3o legal, que incorporava parte dos militantes das FARC que desceram das montanhas, do Partido Comunista Colombiano e de outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda.<\/p>\n<p>Portanto, as FARC n\u00e3o podem promover uma rendi\u00e7\u00e3o unilateral, incondicional, uma paz de cemit\u00e9rios, jogando fora um patrim\u00f4nio de d\u00e9cadas de luta e submetendo seus militantes a um genoc\u00eddio. O que pretendem \u00e9 um di\u00e1logo que torne poss\u00edvel uma paz democr\u00e1tica, que ponha fim n\u00e3o s\u00f3 ao conflito, mas ao terrorismo de Estado, \u00e0 expuls\u00e3o de camponeses de suas terras, \u00e0s mil\u00edcias paramilitares, ao assassinato e \u00e0 pris\u00e3o de milhares de militantes e que assegure liberdades democr\u00e1ticas e verdadeiras mudan\u00e7as econ\u00f4micas e sociais.<\/p>\n<p>Mas o in\u00edcio de um di\u00e1logo de paz na Col\u00f4mbia \u2013 que interessa a todas as for\u00e7as e personalidades democr\u00e1ticas, pacifistas e anti-imperialistas e n\u00e3o apenas aos comunistas \u2013 s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel atrav\u00e9s de uma ampla campanha internacional pela paz com justi\u00e7a social e econ\u00f4mica na Col\u00f4mbia, cujo \u00eaxito tem como pr\u00e9-requisito o reconhecimento das FARC e do ELN como s\u00e3o em verdade: organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas beligerantes.<\/p>\n<p>Foi para contribuir para essa necess\u00e1ria e urgente campanha \u2013 conhecendo e divulgando um pouco mais a hist\u00f3ria, a realidade, os pontos de vista e as perspectivas das FARC \u2013 que resolvi conviver alguns dias com os guerrilheiros e conversar, sem preocupa\u00e7\u00e3o com o rel\u00f3gio e o celular, com alguns de seus comandantes, em especial Iv\u00e1n Marquez e J\u00e9sus Santrich, que me visitaram no acampamento em que me hospedei.<\/p>\n<p>N\u00e3o voltei ao Brasil para fazer proselitismo sobre uma forma de luta que considero incompat\u00edvel com a atualidade brasileira, mas que respeito como leg\u00edtimo direito dos povos na luta contra a opress\u00e3o. Voltei determinado a contribuir para a abertura de um di\u00e1logo pol\u00edtico na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>O PCB e outras organiza\u00e7\u00f5es e personalidades entendem a import\u00e2ncia desse di\u00e1logo para o avan\u00e7o dos processos de mudan\u00e7a na Am\u00e9rica Latina, que depende da neutraliza\u00e7\u00e3o da agressividade do imperialismo em nosso continente, cujo centro de gravidade \u00e9 o terrorismo de Estado colombiano.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia \u00e9 o segundo destino mundial de ajuda financeira para fins militares e de material b\u00e9lico dos EUA, ap\u00f3s Israel; tem as For\u00e7as Armadas mais numerosas, armadas e treinadas da Am\u00e9rica do Sul. Um dos objetivos principais do imperialismo, diante da crise sist\u00eamica do capitalismo, \u00e9 fomentar guerras localizadas, sobretudo contra pa\u00edses fora de sua esfera de domina\u00e7\u00e3o e, preferencialmente, possuidores de riquezas naturais.<\/p>\n<p>O Estado narcoterrorista colombiano \u00e9 o instrumento para provocar conflitos militares na regi\u00e3o, como foi o caso da invas\u00e3o do espa\u00e7o a\u00e9reo equatoriano para o ataque ao acampamento do comandante Raul Reyes, o Secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais das FARC, que tinha como tarefa exatamente promover trocas humanit\u00e1rias de prisioneiros e abrir espa\u00e7o para uma solu\u00e7\u00e3o negociada do conflito militar.<\/p>\n<p>No caso da Venezuela &#8211; onde o processo de mudan\u00e7as na regi\u00e3o mais avan\u00e7a \u2013 as provoca\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais ousadas, constantes e perigosas. A Col\u00f4mbia, que j\u00e1 infiltrou milhares de paramilitares no territ\u00f3rio venezuelano, para preparar um golpe contra Ch\u00e1vez, agora acusa a Venezuela de abrigar guerrilheiros das FARC, utilizando-se de manipula\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, como as que vem fazendo at\u00e9 hoje com o inacredit\u00e1vel computador pessoal de Raul Reyes, que resistiu inc\u00f3lume a um bombardeio a\u00e9reo intenso, em que todo o acampamento foi destru\u00eddo e morreram 26 pessoas.<\/p>\n<p>Os EUA j\u00e1 se associaram a estas \u201cden\u00fancias\u201d do governo colombiano e j\u00e1 agitam propostas de levar o caso para organismos multilaterais que hegemonizam. As rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre a Col\u00f4mbia e a Venezuela est\u00e3o cada vez mais tensas. \u00c9 necess\u00e1ria uma urgente a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para evitar o agravamento do conflito, que s\u00f3 interessa ao imperialismo e \u00e0 direita, n\u00e3o s\u00f3 colombiana, mas de todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, que fazem de tudo para ajudar a derrubar o governo venezuelano, atrav\u00e9s de sua sataniza\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil n\u00e3o \u00e9 diferente. Toda a m\u00eddia burguesa se associa \u00e0s den\u00fancias do governo colombiano e a direita aproveita o momento eleitoral para criticar o governo brasileiro exatamente em rela\u00e7\u00e3o a um dos poucos aspectos que os internacionalistas nele valorizamos. Apesar da vacila\u00e7\u00e3o, da dubiedade e das contradi\u00e7\u00f5es &#8211; em face do objetivo principal da pol\u00edtica externa brasileira de transformar o pa\u00eds numa grande pot\u00eancia mundial -, ao Estado brasileiro n\u00e3o interessa a guerra imperialista, mas sim a expans\u00e3o do capitalismo brasileiro.<\/p>\n<p>A direita, para instigar a guerra entre a Col\u00f4mbia e a Venezuela, tenta desqualificar o Brasil como mediador da crise. Para isso, acusa o partido do Presidente da Rep\u00fablica de rela\u00e7\u00f5es e atitudes que infelizmente n\u00e3o s\u00e3o verdadeiras, pois poderiam ter ajudado a solucionar o conflito colombiano.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia, \u00e9 expressivo o movimento conhecido como <strong><em>\u201cColombianos pela Paz\u201d<\/em><\/strong> \u2013 que estimula a troca de prisioneiros e tenta criar um ambiente favor\u00e1vel ao di\u00e1logo \u2013, liderado pela Senadora Piedad C\u00f3rdoba, com quem participei, em outra ocasi\u00e3o, de reuni\u00e3o em Bogot\u00e1 para tratar do tema da paz naquele pa\u00eds, juntamente com outros militantes latino-americanos, dentre os quais Carlos Lozano, do Bur\u00f4 Pol\u00edtico do Partido Comunista Colombiano, um dos dirigentes internacionalistas mais dedicados \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do impasse em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas essa campanha n\u00e3o ser\u00e1 exitosa se n\u00e3o contar com a ampla participa\u00e7\u00e3o de governos, institui\u00e7\u00f5es e personalidades democr\u00e1ticas e progressistas de v\u00e1rios pa\u00edses, sobretudo da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>E, na Am\u00e9rica Latina, o Brasil \u2013 em fun\u00e7\u00e3o de sua import\u00e2ncia e sua lideran\u00e7a &#8211; \u00e9 o pa\u00eds que re\u00fane as melhores condi\u00e7\u00f5es para viabilizar o di\u00e1logo colombiano, como fiador pol\u00edtico, liderando um conjunto de pa\u00edses e organiza\u00e7\u00f5es multilaterais da regi\u00e3o, de prefer\u00eancia a UNASUL (Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas), que n\u00e3o conta com a presen\u00e7a indesej\u00e1vel dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u00c9 correta a iniciativa da diplomacia brasileira de levar a discuss\u00e3o do novo conflito para o espa\u00e7o da UNASUL e tentar ajudar a medi\u00e1-lo. Mas n\u00e3o se pode ter ilus\u00e3o de que o novo Presidente colombiano, que tomar\u00e1 posse em alguns dias, recuar\u00e1 nos projetos belicistas do cons\u00f3rcio EUA\/Col\u00f4mbia. Este n\u00e3o \u00e9 o \u00faltimo gesto raivoso de Uribe, como muitos imaginam. Este \u00e9 o primeiro gesto de Santos antes da posse, combinado com Uribe, para iniciar seu governo com voz grossa, mas com pouco desgaste. Santos n\u00e3o foi s\u00f3 o candidato de Uribe. Foi seu Ministro da Defesa, respons\u00e1vel pela aplica\u00e7\u00e3o do famigerado \u201cPlano Col\u00f4mbia\u201d. \u00c9 o uribismo sem Uribe. N\u00e3o nos esque\u00e7amos da invas\u00e3o de Israel \u00e0 Faixa de Gaza, antes da posse de Obama, para preparar a transi\u00e7\u00e3o para o imperialismo sem Bush.<\/p>\n<p>Por isso, ser\u00e1 importante, mas insuficiente, a distens\u00e3o do atual conflito entre Col\u00f4mbia e Venezuela. Isto resolve uma parte da quest\u00e3o no curto prazo, mas n\u00e3o resolve a causa do problema. O Brasil deve ir al\u00e9m dessa iniciativa e se empenhar numa solu\u00e7\u00e3o negociada do conflito interno colombiano. E isto s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se sentarem \u00e0 mesa, com observadores internacionais credenciados pelas partes, os verdadeiros atores em conflito: as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas insurgentes e, mais do que o governo, o Estado colombiano.<\/p>\n<p>Para ser conseq\u00fcente com o objetivo do Estado brasileiro de transformar o nosso pa\u00eds em uma refer\u00eancia no \u00e2mbito mundial, seria muito mais eficiente patrocinar um di\u00e1logo que pode distensionar o pesado ambiente interno colombiano, que paira sobre a Am\u00e9rica Latina, do que liderar tropas de ocupa\u00e7\u00e3o no Haiti.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, desmontar o \u201cCavalo de Tr\u00f3ia\u201d montado pelo imperialismo na Col\u00f4mbia n\u00e3o serve apenas para evitar uma guerra com a Venezuela ou a derrubada de seu governo. Como disse Fidel Castro, as bases militares ianques na Col\u00f4mbia s\u00e3o punhais no cora\u00e7\u00e3o de toda a Am\u00e9rica Latina, inclusive, n\u00e3o nos iludamos, sobre o Brasil, cujas extraordin\u00e1rias riquezas naturais &#8211; entre elas a biodiversidade da Amaz\u00f4nia, as imensas reservas de \u00e1gua doce e o pr\u00e9-sal &#8211; s\u00e3o os principais objetos da cobi\u00e7a dos Estados Unidos em todo o continente.<\/p>\n<p><em>* Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB<\/em><\/p>\n<p><em>25 de julho de 2010<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nPELA PAZ DEMOCR\u00c1TICA COM JUSTI\u00c7A SOCIAL\n* Ivan Pinheiro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/693\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-693","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-bb","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=693"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/693\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}