{"id":7031,"date":"2014-11-08T01:52:08","date_gmt":"2014-11-08T01:52:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=7031"},"modified":"2014-12-01T18:38:35","modified_gmt":"2014-12-01T18:38:35","slug":"mudancas-decisivas-no-sistema-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7031","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as decisivas no sistema global"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem100\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/bLP1i2b0YBUrqBgXKy9h49mLzWBlA7RGAlwkak4ENeyUgl6_yfnsg2XrrbkJtYS48CsPFQWFhR9rFyzPRG-hExkRwowtRGWLzUXh3TRK=s0-d-e1-ft#http:\/\/resistir.info\/crise\/imagens\/beinstein_out14_1.jpg\" border=\"0\" alt=\".\" \/><\/p>\n<p>Os dados fornecidos pelo FMI mostram n\u00e3o s\u00f3 a expans\u00e3o chinesa como tamb\u00e9m (principalmente) o decl\u00ednio dos Estados Unidos cujo poderio econ\u00f3mico relativo global foi retrocedendo ano ap\u00f3s ano desde o in\u00edcio do s\u00e9culo actual. A resposta da sua elite dirigente foi continuar com o processo de financiariza\u00e7\u00e1o que a havia levado ao cimo ao mesmo tempo que degradava o sistema industrial e acumulava d\u00edvidas. Enquanto isso, para proteger e prolongar seus privil\u00e9gios parasitando sobre o resto do mundo, exacerbou sua tend\u00eancia militarista. O que havia sido iniciado na \u00faltima etapa do governo Clinton agravou-se com a chegada de George W. Bush e ainda mais sob a presid\u00eancia Obama. As guerras foram-se sucedendo e estendendo, a crise financeira de 2008 n\u00e3o acalmou a euforia belicista, pelo contr\u00e1rio, acentuou-a. E as baixas taxas de crescimento produtivo que se seguiram, as amea\u00e7as de incumprimento, o aumento da marginalidade social, as perdas de mercados externos e outras calamidades deixaram caminho livre ao autismo imperial. Encontramo-nos diante da reac\u00e7\u00e3o desesperada de um sistema drogado embarcado numa fuga louca para a frente. Os lobos da Wall Street convergem com os militares hitlerianos da NATO<\/p>\n<p>(OTAN) no leme de um imenso Titanic que alberga o conjunto do G5 (Estados Unidos+Alemanha+Fran\u00e7a+Jap\u00e3o+Inglaterra).<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata s\u00f3 da China a superar os Estados Unidos. Segundo os dados do FMI, em 2014 os BRICS alcan\u00e7aram o G5 (cada um representa aproximadamente 30% do Produto Mundial Bruto) e estaria a super\u00e1-lo em 2015.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem100\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/proxy\/GVavOYVQIRhqqC1iDmz5ZeBVWVOKQgLWHXGZ2H96gzUz0rskfACGa5kBncF_kUkq5dBGQGrG0vdMI6XToPQM5xx3kMUhEeAWzyZBQ9Tr=s0-d-e1-ft#http:\/\/resistir.info\/crise\/imagens\/beinstein_out14_2.jpg\" border=\"0\" alt=\".\" \/><\/p>\n<p>O militarismo \u00e9 assumido pela classe dominante norte-americana como a &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; para os seus problemas, procurando assim submeter seus aliados-vassalos da NATO, encurralar a R\u00fassia e a China, submergir nos caos pa\u00edses de todos os continentes e assim tomar posse de uma ampla variedade de recursos naturais da periferia, desde o petr\u00f3leo e o g\u00e1s at\u00e9 o coltan, o l\u00edtio ou o ouro. Essa rajada de agress\u00f5es come\u00e7a a transformar-se num super boomerang que golpeia a cabe\u00e7a do imp\u00e9rio, acossado por d\u00edvidas e amea\u00e7as inflacion\u00e1rias e recessivas.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 desconex\u00e3o. A Uni\u00e3o Europeia e o Jap\u00e3o afundam-se junto com o seu amo. T\u00e3o pouco se salvam os capitalismos &#8220;emergentes&#8221; da periferia. Ainda que a curto prazo tirem vantagens do enfraquecimento do centro do mundo, a m\u00e9dio prazo esses pa\u00edses v\u00e3o ficando presos \u00e0 decad\u00eancia global. Seus principais clientes comerciais s\u00e3o precisamente as economias capitalistas centrais em decl\u00ednio, enquanto a trama financeira (equivalente a vinte vezes o Produto Mundial Bruto) envolve todas as burguesias centrais e perif\u00e9ricas, neoliberais e estatizantes, pobres e ricas.<\/p>\n<p>Tanto a R\u00fassia como a China, seguidas por um amplo espectro de pa\u00edses perif\u00e9ricos, conseguiram, gra\u00e7as aos controles e interven\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas dos seus Estados, preservar durante um certo tempo seus mercados internos e suas estruturas produtivas. Mas as economias da China, \u00cdndia e Brasil desaceleram-se e, em consequ\u00eancia, aceleram-se suas contradi\u00e7\u00f5es internas e a R\u00fassia j\u00e1 entrou em recess\u00e3o (suave, por enquanto).<\/p>\n<p>O velho centro do mundo em torno do G5 verifica sua decad\u00eancia amea\u00e7ando impor o maior desastre civilizacional e ecol\u00f3gico da hist\u00f3ria, enquanto seus oponentes perif\u00e9ricos procuram resistir a uma avalancha que os ultrapassa. Tentam integrar-se mas acontece que cada pot\u00eancia emergente baseou sua prosperidade recente nas procuras dos mercados centrais em crise que, atrav\u00e9s de complexas arquitecturas financeiras e comerciais, puderam manter sua economias em funcionamento inundando o planeta com d\u00f3lares sobrevalorizados que lhes permitiam comprar produ\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas a baixo custo. Mas agora e no futuro previs\u00edvel para continuar a funcionar (na realidade, para prolongar sua agonia) precisam baixar ainda mais os custos perif\u00e9ricos at\u00e9 levar o processo ao n\u00edvel do saqueio. Pelo seu lado, os perif\u00e9ricos n\u00e3o podem prescindir desses mercados centrais, n\u00e3o t\u00eam como substitu\u00ed-los completamente nem a curto nem a m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>Um horizonte de guerras e crises vai-se instalando de maneira irresist\u00edvel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem100\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/bCsWC-AFhNDzXqObakat9LCBWL96ksqPM76LvVPoZVkhQB-w5bc0yjuhOptyYe1vynnf_86NQtJhaK5S3dLqEksNtt_aASPFFpvhwKX_=s0-d-e1-ft#http:\/\/resistir.info\/crise\/imagens\/beinstein_out14_3.jpg\" border=\"0\" alt=\".\" \/><img decoding=\"async\" class=\"imagem100\" src=\"https:\/\/ci6.googleusercontent.com\/proxy\/T1U29R8lf-3QWgn3S65iw0WbBPzzwb0yfjMe3wpGX9zhcbTa5y23IL441vtc6C-vWY2SbMBqaKUi004eFnfCbZzIVHVRbDNzieAdnROy=s0-d-e1-ft#http:\/\/resistir.info\/crise\/imagens\/beinstein_out14_4.jpg\" border=\"0\" alt=\".\" \/><\/p>\n<p>Assistimos actualmente a uma dupla corrida contra o tempo. Em primeiro lugar a do Ocidente e do Jap\u00e3o que procuram submeter o resto do mundo nuns poucos anos para saquear seus recursos naturais e espremer velozmente o que reste dos seus mercados internos. Seus estrategas consideram que desse modo poderiam reduzir os custos das suas empresas, preserva<\/p>\n<p>r seus lucros e sustentar os mercados internos imperiais ou pelo menos desacelerar seu decl\u00ednio. Ainda que o alcance dessas metas se choque com resist\u00eancias perif\u00e9ricas (estatais e populares) que o Imp\u00e9rio at\u00e9 agora n\u00e3o p\u00f4de anular. Al\u00e9m disso, sua decad\u00eancia econ\u00f3mica e pol\u00edtica reduz ano ap\u00f3s ano a efic\u00e1cia dos referidos projectos.<\/p>\n<p>Por sua vez, os capitalismos emergentes tamb\u00e9m desenvolvem uma guerra contra o tempo, ainda que a um prazo mais longo que se vai encurtando. Em torno dos BRICS, as integra\u00e7\u00f5es euro-asi\u00e1ticas, latino-americanas, etc procuram desenvolver mercados comuns que substituam os mercados ocidentais declinantes, gerando desse modo uma din\u00e2mica capaz de salv\u00e1-los do desastre global motorizado pelo Ocidente e inclusive arrastando este \u00faltimo mais \u00e0 frente rumo a uma nova prosperidade. Mas essa ilus\u00e3o enfrenta problemas de solu\u00e7\u00e3o quase imposs\u00edvel. Os emergentes perif\u00e9ricos precisam de tempo para se reconverterem e se adaptarem aos mercados de substitui\u00e7\u00e3o internos e externos. Se os capitalismos centrais ru\u00edrem a curto prazo os emergentes sofrer\u00e3o o impacto dessa retrac\u00e7\u00e3o e entrar\u00e3o num per\u00edodo de crises explosivas. Para que os capitalismos centrais n\u00e3o se arru\u00ednem a curto prazo prolongando uma esp\u00e9cie de decl\u00ednio controlado seria necess\u00e1rio que os mesmos preservassem seus privil\u00e9gios monet\u00e1rios (hegemonia do d\u00f3lar) e comerciais \u2013 mas isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 custa da estabilidade econ\u00f3mica e pol\u00edtica dos capitalismos emergentes. Se curvassem a R\u00fassia, China, Ir\u00e3 e seus aliados e amigos perif\u00e9ricos, os capitalismos centrais poderiam ent\u00e3o saquear livremente o conjunto da periferia. O Ocidente conseguiria uma esp\u00e9cie de aterragem suave, com o que o planeta entraria numa era de decad\u00eancia geral prolongada.<\/p>\n<p>Dito de outra forma: para n\u00e3o ca\u00edrem os emergentes precisam que o Ocidente demore, desacelere sua queda e para que isso aconte\u00e7a o Ocidente precisa saquear a periferia, fazer cair os emergentes. De qualquer forma, se o Ocidente chegar a ter \u00eaxito e submergir no caos o resto do mundo seguramente esse caos provocar\u00e1 a quebra das suas pr\u00f3prias sociedades.<\/p>\n<p>Na realidade ambas as corridas contra o tempo tendem a convergir num processo comum de crise, seus ritmos diferenciados de desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f3mico come\u00e7am a aproximar-se (Brasil e R\u00fassia, por exemplo, actualmente estancam-se de modo igual \u00e0 Inglaterra ou Jap\u00e3o) integrando-se num espa\u00e7o universal de crises pol\u00edticas, financeiras, militares, sociais, locais, regionais, etc., ou seja, na trama complexa da decad\u00eancia do capitalismo como sistema mundial. As esperan\u00e7as de supera\u00e7\u00e3o da crise a parte do interior do sistema v\u00e3o-se diluindo. O Ocidente n\u00e3o recupera suas gl\u00f3rias definitivamente perdidas e a partir da periferia n\u00e3o chega a regenera\u00e7\u00e3o, o rejuvenescimento do capitalismo.<\/p>\n<p>Alguns anos antes da Comuna de Paris Proudhon descrevia a Fran\u00e7a decadente do seu tempo da seguinte maneira: <em>&#8220;Todas as tradi\u00e7\u00f5es est\u00e3o gastas, todas as cren\u00e7as anuladas, em contrapartida o novo programa n\u00e3o aparece, n\u00e3o est\u00e1 na consci\u00eancia do povo, da\u00ed o que chamo &#8216;a dissolu\u00e7\u00e3o&#8217;. \u00c9 o momento mais atroz na exist\u00eancia das sociedades&#8221; <\/em><a href=\"http:\/\/resistir.info\/crise\/beinstein_cambios_globales.html#notas\" target=\"_blank\">[1]<\/a> . Como sabemos, uns poucos anos depois, do mais profundo desastre emergiu a Comuna de Paris (1871), insurg\u00eancia ef\u00e9mera mas decisiva que iluminou as rebeli\u00f5es do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>O horizonte negro que nos oferece esta civiliza\u00e7\u00e3o contrasta com a incr\u00edvel vitalidade demogr\u00e1fica, tecnol\u00f3gica e social em geral que a humanidade demonstra \u2013 o que anuncia choques, confronta\u00e7\u00f5es, alternativas que deveriam ir para l\u00e1 dos limites deteriorados do sistema.[1] Citado en Pierre Olivier, &#8220;La Commune&#8221;, Ch. 1, Gallimard, Paris, 1939.<\/p>\n<p>*Professor da Universidade de Buenos Aires.<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u2013 Entre ilus\u00f5es e guerras desesperadas contra o tempo\nJorge Beinstein*\nO FMI informou recentemente que em 2014, a n\u00edvel global, o primeiro Produto Interno Bruto (medido em paridade de poder de compra) j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o dos Estados Unidos e sim o da China. De acordo com essa informa\u00e7\u00e3o, em 2014 a China representa 16,4% do Produto Mundial Bruto contra 16,2% dos Estados Unidos. Em 1980 os Estados Unidos representavam 22,3% e a China apenas 2,3%. No ano de 2004 os Estados Unidos ainda pareciam estar localizados numa altura dif\u00edcil de alcan\u00e7ar, com 20,1% do Produto Mundial Bruto e a China crescia mas chegava a 9,1% (menos da metade do PIB estado-unidense). Em dez anos mais equilibrou-se a balan\u00e7a e, de acordo com o progn\u00f3stico do FMI, a diferen\u00e7a em favor da China aumentar\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/7031\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-7031","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1Pp","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7031","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7031"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7031\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}